De uma barriga mais definida ao autocontrole, passando por músculos firmes, fortes e alongados, ótima postura, articulações mais saudáveis, melhor capacidade de respiração e maior tolerância ao stress. Ufa! Não é à toa que o pilates conquista novas adeptas a cada dia
Movimentos elegantes

Respire e solte todo o ar, sentindo seu abdômen encolher ao máximo — como se o umbigo fosse colar nas costas — e as costelas fechando em direção ao centro. Sua barriga fica retinha, a cintura afina. Pena que dure só até a próxima respiração! Você pode, porém, preservar esse momento mágico para sempre ao praticar o pilates, um método de condicionamento físico criado na Alemanha na década de 20. Seja nos aparelhos inventados por Joseph Pilates — estruturas de madeira e metal, com molas e tiras de couro — como nos movimentos feitos no chão — técnica conhecida por mat pilates —, os músculos são trabalhados duplamente, ou seja, são tonificados e alongados ao mesmo tempo, mas dentro do limite de cada praticante.
“Os corpos treinados pelo método são fortes, alongados, flexíveis e saudáveis. A postura melhora muito e os movimentos se tornam elegantes”, garante Alice Becker, instrutora e proprietária do Physio Pilates, estúdio em Salvador (BA). “Lembro de uma ex-aluna que dizia que tinha a sensação de estar percorrendo um salão de baile com roupas fluidas, ainda que estivesse atravessando a faixa de pedestre”, conta Alice.
Para quem não gosta do ambiente agitado das academias, pilates é ideal, pois permite um corpo malhado sem puxar ferro.
O relato de Tatiana poderia ser multiplicado por 1200, número de alunos de Teresa Camarão, proprietária de dez estúdios no Rio de Janeiro, cinco deles abertos no ano passado. “A técnica dá resultados rápidos e duradouros, por isso está despertando tanto interesse”, diz Teresa. Segundo ela, em dez seções já dá para sentir diferença na flexibilidade. Em três meses, os músculos estão mais definidos e o condicionamento físico tem uma melhora significativa. “A mulher passa a conhecer seu corpo. Percebe seus limites, mas consegue vencê-los, desenvolvendo o autocontrole”, conta.
Tanto em aparelhos como no solo, o pilates é uma ginástica livre de impacto e que respeita a individualidade. “Os aparelhos servem para posicionar as alunas iniciantes e, ao mesmo tempo, para desafiar as experientes. Em grau avançado, por exemplo, a ginástica pode ser feita em um trapézio acoplado a um dos aparelhos”, diz Vany Giannini, fisioterapeuta e sócia-proprietária do Physio Sport Pilates. No solo, os exercícios exigem ainda mais da praticante, que tem de controlar sozinha o seu corpo. “O trabalho, porém, também pode ser facilitado com o uso de equipamentos como bolas e elásticos”, fala Sandra Tófoli, professora de pilates da academia Fórmula, de São Paulo.
Por dar ênfase à correção postural e ao bom alinhamento das articulações, o método é indicado também para o tratamento de lesões na coluna, joelhos e ombros, entre outras. Ana Paula Browne rompeu os ligamentos dos joelhos ao acidentar-se na Austrália. De volta ao Brasil, passou a se tratar com uma fisioterapeuta especializada na técnica. “Para minha surpresa, não tive que operar os joelhos”, relata Ana Paula, que é aluna do Centro de Ginástica Postural Angélica (CGPA), em São Paulo.
A base do método é o centro de força, composto principalmente pelos músculos do abdômen, região lombar, quadris e glúteos. O centro de força permanece contraído, dando sustentação para movimentação solta, fluida, das pernas e braços. “Temos que controlar o centro de força durante toda a aula, pois é ele que mantém estável a coluna vertebral, evitando lesões”, explica Alexandre Von Ajs, coordenador de pilates da Velox e professor da Estação do Corpo, academias no Rio de Janeiro (RJ).
“Para fazer os movimentos, a aluna tem que estar atenta, concentrada. Por isso, dizemos que a mente também está presente na ginástica”, diz Cristina Abrami, instrutora e sócia-proprietária do CGPA. “Com o treinamento, o cérebro registra as informações e a postura exigida para os exercícios é assimilada automaticamente no dia-a-dia. A barriga fica lisinha e a cintura afinada para o resto da vida”, garante a professora, lembrando também que o posicionamento correto da coluna protege de lesões e dores. Mulheres que já malham estão procurando o método para trabalhar o abdômen, como é caso de Valeska Praxedes, atriz e modelo paulistana de 29 anos que tem aulas de mat pilates na Fórmula. “Fiquei impressionada, até minha cintura afinou”, conta.
Prática mexe com as emoções
Segundo Pilates, que estudou técnicas orientais como a ioga para desenvolver seu método, o centro de força controla não só os movimentos do corpo como as emoções. “A adepta fica mais centrada, nos dois sentidos, físico e mental”, diz Cristina Abrami. Outro fator que interfere no bem-estar é o controle da respiração, fundamental para manter a postura durante os exercícios. “A respiração adequada também ajuda a combater o stress, pois acalma a mente e controla a agitação”, fala Vany Giannini. “Fiquei mais tranqüila e equilibrada, não me irrito com qualquer coisa”, confirma Luciana Fortes, 28 anos, funcionária pública que treina no Physio Sport Pilates, em São Paulo.
Visionário e autodidata, Pilates nasceu em 1880, na Alemanha, com vários problemas de saúde, entre eles o raquitismo. Inconformado com sua condição física, passou a pesquisar técnicas de ginástica para desenvolver seu corpo. Os estudos levaram à criação de seu método, uma mescla de técnicas orientais, que privilegiam o alongamento, a concentração e a interiorização, e ocidentais, que enfatizam a construção de músculos. Para garantir a execução dos movimentos, ele criou aparelhos de apoio (foto abaixo). Em 1923, partiu para Nova York e abriu um estúdio para aplicar seu método. Seus clientes eram sobretudo os bailarinos com lesões provocadas pela dança. Quando morreu, em 1968, cinco discípulos levaram o método para outras cidades dos EUA. A técnica, porém, só se popularizou nos anos 90, quando as pessoas passaram a procurar um trabalho diferenciado de corpo, que propiciasse resultados estéticos mas não prejudicasse a saúde.
Aprenda a praticar exercícios tradicionais do pilates sem correr o risco de ter dor ou lesões
1. Inicial

A professora Maria Cristina Rossi Abrami mostra como fazer cinco exercícios tradicionais do pilates da maneira correta. Estas posturas só dão problemas se você não acionar o core – formado pela musculatura do abdômen, do períneo e da lombar.
2. Spine stretch forward

A professora Maria Cristina Rossi Abrami mostra como fazer cinco exercícios tradicionais do pilates da maneira correta. Estas posturas só dão problemas se você não acionar o core – formado pela musculatura do abdômen, do períneo e da lombar.
Sentada, pernas estendidas e separadas, pés a cerca de um palmo além da largura dos quadris, cinturão de força (core) acionado, cabeça acompanhando a coluna e braços estendidos à frente, na altura dos ombros. Inspire pelo nariz, expire pela boca inclinando o tronco à frente. Volte à posição inicial inspirando.
Para não errar
A. A região do abdômen deve permanecer contraída o tempo todo e a pelve na posição vertical, sem inclinar sobre a perna. Caso contrário, você não vai alongar os músculos da coluna, e sim da parte de trás das coxas.
B. Durante a execução, evite inclinar a cabeça para baixo para não sobrecarregar a região cervical.
C. Cuidado para não tensionar os músculos que elevam os ombros para não causar dores no pescoço.
3. Leg pull back

Sentada, pernas estendidas e unidas, cinturão de força (core) acionado, bumbum contraído, mãos apoiadas ao lado do corpo com os dedos voltados para a frente. Eleve o bumbum, chute uma das pernas para o alto e volte. Repita com a outra perna sem deixar a pelve abaixar. Inspire quando elevar uma perna e expire na outra.
Para não errar
A. Preste atenção para não travar os cotovelos, isso é sinal de que você está estendendo demais essa articulação.
B. Os ombros devem permanecer em posição neutra e a cabeça acompanha a linha da coluna, para não sobrecarregar a região cervical.
4. Marmeid side bend

Sentada de lado, pernas semiflexionadas, o pé da perna de cima apoiado no solo, cinturão de força (core) acionado, bumbum contraído, cabeça no prolongamento da coluna, mão do braço de baixo apoiada no solo e o outro braço ao longo do corpo. Inspire profundamente pelo nariz, elevando ao mesmo tempo os quadris e o braço acima da cabeça (foto). Volte lentamente expirando pela boca.
Para não errar
A. Mantenha os quadris no alto para não sobrecarregar a coluna.
B. Fique atenta para não estender demais o braço de apoio e machucar a articulação do cotovelo.
C. Empurre o chão com a mão de apoio, mantendo o ombro encaixado.
5. The hundred

Deitada, região lombar totalmente apoiada no solo, cinturão de força (core) acionado, pernas flexionadas formando um ângulo de 90 graus, braços estendidos e apontados para o teto. Inspire profundamente pelo nariz enquanto eleva a parte alta do tronco do solo, estenda as pernas formando um ângulo de 45 graus com o chão e desça os braços ao longo do corpo (foto). Nessa posição, suba e desça os braços com movimentos curtos e vigorosos. Volte à posição inicial colocando vértebra por vértebra no solo.
Para não errar
A. Mantenha os ombros baixos para não tensionar a musculatura do pescoço.
B . Deixe a região lombar apoiada no solo durante todo o exercício para não sobrecarregar a coluna.
C . Não force o pescoço para a frente nem tombe a cabeça para trás para não sobrecarregar a região cervical.
6. Teaser

Deitada de barriga para cima, pernas estendidas e unidas para o alto, cinturão de força (core) acionado, bumbum contraído e braços estendidos ao longo do corpo. Inspire pelo nariz, expire elevando o tronco e os braços como se os dedos das mãos quisessem alcançar os pés. Inspire e volte lentamente para a posição inicial expirando.
Para não errar
A. A cabeça acompanha a coluna, sem pender para a frente ou para trás, para não sobrecarregar a coluna cervical.
B. Durante o movimento de subida e descida do tronco, acione os abdominais e não faça movimentos bruscos.
Atenção: As posturas dessa reportagem só devem ser feitas por alunas experientes