Benedito Calixto

1853 - 1927

Benedicto Calixto de Jesus, passou a infânciana cidade de Brotas, no interior de São Paulo, onde residiam seus tios Antônio Pedro e Joaquim Pedro de Jesus, ali jogou bola na rua, trepou em árvores frutíferas em quintais vizinhos, seguramente soltou balões, rodou pião e deve ter colocado galinha prá sambar em cima de lata quente.

Começa a ajudar seu tio Joaquim a pintar e restaurar imagens sacras, isto porque naquele tempo em Brotas, não havia calçamentos nas ruas e o vento carregava o pó avermelhado para dentro das igrejas, sujando as imagens.

Entusiasmado com a arte de manipular os pinceis, da janela de sua residência, na praça atualmente denominada Benedicto Calixto, começa a pintar tudo que vê do lado de fora, assinando muitas telas com a data de 1873, então com 22 anos de idade.

Com o crescimento cultural de Santos, por volta de 1876, a cidade sente a falta de um teatro digno e majestoso. Após uma grandecampanha a fim de criar o teatro, no dia 21 de dezembro de 1877 foi convocado uma reunião nas dependências do clube XV, localizado na rua Itororó, onde estavam presentes entre outros, o Visconde de Vergueiroe e o Visconde de Embaré (ambos respectivamente primeiro e segundo presidente da Associação Comercial de Santos, telas da ACS, pintadas por Henrique Bernardelli).

Nessa reunião criou-se a comissão encarregada dos estatutos, nome do teatro e local de sua construção, e no dia 3 de janeiro de 1881 foi assinado o contrato para sua construção. Tomás Antonio de Azevedo o “Mestre Tomás” que era carpinteiro e marceneiro foi escolhido como empreiteiro daobra, e já tinha montado em 1876 na rua Visconde de São Leopoldo próximo a praça dos Andradas em Santos, a primeira carpintaria com máquinas movida a vapor, ou seja, aproximadamente 100 metros do local onde foi erguido oTeatro Guarani.

Em ruínas hoje (ano de 2001) o teatro sobrevive com apenas quatro paredes cujo cimo enraizam e florescem vários arbustos e algumas quase pequenas árvores. Seu teto jaz ao solo. Finalmente em 7 de dezembro de 1882 a grande orquestra regida por Luiz Arlindo da Trindade executa a imortal obra do compositor, Carlos Gomes “O Guarani” abrindo as portas do magnífico teatro para o grande público com o drama “Mário” do romance de Marthe de Kervenin. Benedicto Calixto estava presente.

Durante a construção do teatro, Nicolau de Campos Vergueiro (Visconde de Vergueiro) vistoriando a obra, assustou-se com vários “rabiscos” feitos em suas belíssimas paredes.

Quem fez essas “rabisqueiras" todas?

Perguntou o Visconde. Quem foi?

Mestre Tomás respondeu: Foi um “rapaz” que me ajuda lá na oficina.

-Traga-me esse "cara" aqui!

Tomás trouxe o rapaz.....

O jovem assustado e trêmulo, olhando nos olhos do Visconde respondeu:

- Sim senhor, eu estou desenhando e pintando essas paredes e também o pano de boca do palco.
Perguntou o Visconde:

- Qual é seu nome?

- BenedictoCalixto.

- Pois bem, Sr. Benedicto, a partir de agora o senhor tem uma passagem de ida e volta para Paris, com todas as despesas pagas, e nós manteremos as despesas aqui, para toda sua família durante todo o tempo necessário para seus estudos na capital do velho mundo.

Em janeiro de 1883 desembarca na capital francesa e passa também um período em Lisboa.

Dominado pelo sentimento de saudades de sua família, do lar e do colorido que saltitam e bailam nos céu de sua pátria, em fins de 1884 desembarca novamente em terras de Brás Cubas onde fervilhavam os movimentos a favor da Abolição da Escravatura e da República.

Em 1885 pinta muito em Santos e é convidado pelo Colégio Azurara situado na rua João Pessoa, 57, para assumir a cadeira de desenho.

Em 1887 expõe na Casa Ipiranga em Santos, seus melhores telas.

Em 1889 expõe no “Diário da Manhã”.

Em 1890 muda-se para São Paulo .

Em 1892 expõe “Inundação da Várzea do Carmo” hoje esta tela encontra-se exposta no Museu Paulista.

E m 1894 retorna a Baixada Santista indo residir em São Vicente, onde em 1897 consegue construir sua casa na rua Martim Afonso,192 ali monta seu ateliê onde pinta nos próximos 30 anos, ou seja até sua morte em 1927

Fonte: www.itaucultural.org.br

Benedito Calixto

( 1853 - 1927 )

Benedito Calixto nasceu a 14 de outubro de 1853 na Vila de Nossa Senhora da Conceição de Itanhaem, e adolescente transferiu-se para Brotas, onde pintou seus quadros iniciais. Incentivado pelos encômios, realizou em 1881 sua primeira exposição, na sede do Correio Paulistano, em São Paulo. O insucesso da mostra fê-lo abandonar para sempre a capital e buscar refúgio em São Vicente, onde viveria praticamente o resto da existência e construiria boa parte de sua obra.

Dois anos depois da má estréia paulistana, surgiu a Calixto a oportunidade de estudar seriamente em Paris, a convite e a expensas do Visconde de Vergueiro. O pintor, embora casado desde 1877, parte sozinho para a França, freqüenta sem maiores motivações o ateliê de Raffaelli, cuja arte não aprecia, e pouco depois transfere-se à Academia Julian, como aluno de Boulanger, Lefebvre e Tony-Robert Fleury.

De Paris segue até Lisboa, onde por muito pouco tempo recebe aulas de Silva Porto, tendo ainda freqüentado o ateliê de Malhoa.

Índios ao vivo, no fundo do quintal

Retornando ao Brasil em 1885, Calixto é rigorosamente o mesmo de quando embarcou: imune a influências, impermeável ao fascínio cultural da capital francesa, permanece até o fim um isolado, praticando um tipo de pintura do qual não se arredaria um milímetro, alheio a qualquer inovação ou renovação.

Quando descansa da pintura, é no passado histórico de São Paulo que se refugia, ou então se volta para as estrelas, em sua paixão de astrônomo amador.

Esse amor excessivo à História seria aliás nocivo ao artista, que com escrúpulos de documentarista chegará a povoar de indígenas o quintal de sua casa, a fim de mais fielmente pintar A Fundação de São Vicente, e que fincaria no mesmo local gigantesco mastro, para ter uma idéia mais real de como seriam as naus de Martim Afonso de Sousa, quando aportou em 1532 a São Vicente.

A arte industrializada

Outro fator negativo a conspirar contra a arte de Calixto foi o elevado número de encomendas a que teve sempre de atender. Já Vítor Meireles, em fins do século passado, referira-se ao "afogadilho com que pensa e à rapidez com que executa o que pensa", acrescentando que, vivesse acaso Calixto no Rio, tentaria corrigi-lo, "obrigando-o a pintar um trabalho grande, durante dois ou três anos".

Para os últimos anos de vida, sobretudo, transformara-se Calixto numa autêntica máquina de fazer quadros, como se pode observar desse trecho de uma carta remetida em maio de 1919 a um comerciante que se incumbia de lhe vender a produção:

Peço-lhe o favor de tomar nota das pessoas que querem outros quadros, a fim de que as mesmas se expliquem sobre o tamanho e o gênero que desejam, bem como o ponto ou lugar que devo reproduzir.»

Na mesma carta, desencantado, acrescenta:

«Pouco ou nada me adianta, agora que já estou velho, a opinião e conselho dos críticos sobre meus trabalhos. Desejaria apenas, que os jornais dessem notícias dos quadros vendidos, etc., e mais nada, pois não preciso de reclame.

Pedrina, filha e clone

Foi o isolamento em que viveu Calixto que o impediu de participar com freqüência do Salão Nacional de Belas Artes, em cujos catálogos o seu nome surge apenas duas vezes, em 1898 (medalha de ouro de terceira classe) e em 1900. Também por isso não tomou parte, senão raramente, de certames internacionais, como a Exposição de Saint-Louis de 1904, na qual conquistou também medalha de ouro.

Mesmo escondido em São Vicente, nunca deixou de ser prestigiado, como o comprovam os clientes e o avultado número de alunos, a começar por sua própria filha, Pedrina Calixto Henriques, cuja pintura aliás é subsidiária da sua, a ponto de muitas obras de sua autoria terem sido metamorfoseadas inescrupulosamente em originais do pai; tarefa aliás muito simples porque, além do mais, a artista assinava-se apenas P. Calixto, bastando um traço recurvo ao P inicial para que surgisse a assinatura mais prestigiosa.

Pintura multifacetada

Calixto foi pintor de marinhas, paisagens, costumes populares, cenas históricas e religiosas. Se durante a sua vida a tendência era considerá-lo acima de tudo como pintor de história e religioso (gêneros esses nos quais deixou abundante produção, inclusive na Catedral e na Bolsa de Santos, no Palácio Cardinalício do Rio de Janeiro, na Igreja de Santa Cecília em São Paulo e na Matriz de São João Batista em Bocaina), hoje costuma-se conceder bem maior importância às cenas portuárias e litorâneas, nas quais extravasa um caráter talvez rude, mas pessoal e profundamente sincero na abordagem dos diversos aspectos da natureza.

Os quadros em que fixou o desembarque do café, no primitivo porto de Santos, ao lado do seu aspecto puramente documental, revestem-se de força expressiva, apesar da aparência algo dura das embarcações; por outro lado, convém destacar certas cenas litorâneas ou ribeirinhas, em que a um desenho algo ingênuo e a um colorido preciso aliam-se uma nítida preocupação atmosférica e um grande respeito ao meio ambiente.

O artista faleceu a 31 de maio de 1927, em São Paulo, tendo sido porém enterrado no Cemitério de Paquetá, em São Vicente. Três anos antes, recebera do Papa Pio IX a comenda e a cruz de São Silvestre Papa, em recompensa aos serviços prestados à Igreja com sua arte.

Fonte: www.pitoresco.com.br

Benedito Calixto

( 1853 - 1927 )

Benedito Calixto de Jesus nasceu em 1853, em Conceição de Itanhaém, interior do estado de São Paulo. Ele se mudou para Brotas, também no interior de São Paulo, onde iniciou a carreira artística. Fez sua primeira exposição individual em 1881, na sede do Correio Paulistano, em São Paulo. Mudou-se para Santos e fez a decoração do teto do Teatro Guarani.

Em 1883, viajou a Paris para estudar desenho e pintura com recursos concedidos pelo Visconde Nicolau Pereira de Campos Vergueiro. Freqüentou o ateliê de Raffaelli e a Academia Julien, como aluno de Gustave Boulanger, Jules Lefèbvre, Robert Fleury e Bouguereau. Voltou ao Brasil em 1884, indo para Santos, depois em São Vicente. Em 1895, publicou Vila de Itanhaém, o primeiro de uma série de livros relacionados à história, etnografia e arqueologia do litoral paulista.

A partir de 1909, realizou decorações e murais para igrejas e conventos do interior de São Paulo. Participou da 1ª Exposição de Arte Brasileira, promovida pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, em 1911.

Fonte: www.proartegaleria.com.br

Benedito Calixto

( 1853 - 1927 )

Benedito Calixto
Benedito Calixto

Benedito Calixto de Jesus (Itanhaém, 14 de outubro de 1853 — São Paulo, 31 de maio de 1927) foi um pintor brasileiro.

Ainda adolescente transferiu-se para Brotas, onde pintou seus quadros iniciais. Incentivado pelos encômios, realizou em 1881 sua primeira exposição, na sede do Correio Paulistano, em São Paulo. O insucesso da mostra fê-lo abandonar para sempre a capital e buscar refúgio em São Vicente, onde viveria praticamente o resto da existência e construiria boa parte de sua obra.

Dois anos depois da má estréia paulistana, surgiu a Calixto a oportunidade de estudar seriamente em Paris, a convite e a expensas do Visconde de Vergueiro. O pintor, embora casado desde 1877, parte sozinho para a França, freqüenta sem maiores motivações o ateliê de Raffaelli, cuja arte não aprecia, e pouco depois transfere-se à Academia Julian, como aluno de Boulanger, Lefebvre e Tony-Robert Fleury.

De Paris segue até Lisboa, onde por muito pouco tempo recebe aulas de Silva Porto, tendo ainda freqüentado o ateliê de José Malhoa.

Retorno

Voltando ao Brasil em 1885, Calixto é rigorosamente o mesmo de quando embarcou: imune a influências, impermeável ao fascínio cultural da capital francesa, permanece até o fim um isolado, praticando um tipo de pintura do qual não se arredaria um milímetro, alheio a qualquer inovação ou renovação.

Quando descansa da pintura, é no passado histórico de São Paulo que se refugia, ou então se volta para as estrelas, em sua paixão de astrônomo amador.

Vista do Porto de Santos, por Benedito Calixto.Esse amor excessivo à História seria aliás nocivo ao artista, que com escrúpulos de documentarista chegará a povoar de indígenas o quintal de sua casa, a fim de mais fielmente pintar A Fundação de São Vicente, e que fincaria no mesmo local gigantesco mastro, para ter uma idéia mais real de como seriam as naus de Martim Afonso de Sousa, quando aportou em 1532 a São Vicente.

A arte industrializada

Outro fator negativo a conspirar contra a arte de Calixto foi o elevado número de encomendas a que teve sempre de atender. Já Vítor Meirelles, em fins do século passado, referira-se ao "afogadilho com que pensa e à rapidez com que executa o que pensa", acrescentando que, vivesse acaso Calixto no Rio, tentaria corrigi-lo, "obrigando-o a pintar um trabalho grande, durante dois ou três anos."

Para os últimos anos de vida, sobretudo, transformara-se Calixto numa autêntica máquina de fazer quadros, como se pode observar desse trecho de uma carta remetida em maio de 1919 a um comerciante que se incumbia de lhe vender a produção:

Peço-lhe o favor de tomar nota das pessoas que querem outros quadros, a fim de que as mesmas se expliquem sobre o tamanho e o gênero que desejam, bem como o ponto ou lugar que devo reproduzir.
Na mesma carta, desencantado, acrescenta:

Pouco ou nada me adianta, agora que já estou velho, a opinião e conselho dos críticos sobre meus trabalhos. Desejaria apenas, que os jornais dessem notícias dos quadros vendidos, etc., e mais nada, pois não preciso de reclame.

Pedrina, filha e clone

Foi o isolamento em que viveu Calixto que o impediu de participar com freqüência do Salão Nacional de Belas Artes, em cujos catálogos o seu nome surge apenas duas vezes, em 1898 (medalha de ouro de terceira classe) e em 1900. Também por isso não tomou parte, senão raramente, de certames internacionais, como a Exposição de Saint-Louis de 1904, na qual conquistou também medalha de ouro.

Mesmo escondido em São Vicente, nunca deixou de ser prestigiado, como o comprovam os clientes e o avultado número de alunos, a começar por sua própria filha, Pedrina Calixto Henriques, cuja pintura aliás é subsidiária da sua, a ponto de muitas obras de sua autoria terem sido metamorfoseadas inescrupulosamente em originais do pai; tarefa aliás muito simples porque, além do mais, a artista assinava-se apenas P. Calixto, bastando um traço recurvo ao P inicial para que surgisse a assinatura mais prestigiosa.

Pintura multifacetada

Calixto foi pintor de marinhas, paisagens, costumes populares, cenas históricas e religiosas. Se durante a sua vida a tendência era considerá-lo acima de tudo como pintor de história e religioso (gêneros esses nos quais deixou abundante produção, inclusive na Catedral e na Bolsa de Santos, no Palácio Cardinalício do Rio de Janeiro, na Igreja de Santa Cecília em São Paulo e na Matriz de São João Batista em Bocaina), hoje costuma-se conceder bem maior importância às cenas portuárias e litorâneas, nas quais extravasa um caráter talvez rude, mas pessoal e profundamente sincero na abordagem dos diversos aspectos da natureza.

Os quadros em que fixou o desembarque do café, no primitivo porto de Santos, ao lado do seu aspecto puramente documental, revestem-se de força expressiva, apesar da aparência algo dura das embarcações; por outro lado, convém destacar certas cenas litorâneas ou ribeirinhas, em que a um desenho algo ingênuo e a um colorido preciso aliam-se uma nítida preocupação atmosférica e um grande respeito ao meio ambiente.

Falecido em 31 de maio de 1927, em São Paulo, tendo sido porém enterrado no Cemitério do Paquetá, em São Vicente. Três anos antes, recebera do Papa Pio IX a comenda e a cruz de São Silvestre Papa, em recompensa aos serviços prestados à Igreja com sua arte.

Fonte: pt.wikipedia.org

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