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Benjamin Franklin

Benjamin Franklin, dominando a natureza

Benjamin Franklin, jornalista, impressor, musicista, filósofo, economista, diplomata e patriota, o patriarca da independência norte-americana, falecido em 1790, era também um ativo homem de ciência, tendo contribuído de uma maneira extraordinária com o seu invento, o pára-raios, para que a superstições que atormentavam os homens fossem abrandadas, senão que suprimidas.

Homem do Iluminismo, Franklin contribuiu de maneira muito própria para que o Partido do Esclarecimento sobrepujasse o da Obscuridade.

Dominados os raios

"Busca na natureza e em tuas próprias forças aqueles recursos que surdas divindades jamais poderão te dar." BARÃO D'HOLBACH - Système de la nature, 1770

Nas cercanias de Filadélfia, no ano de 1752, um roliço quarentão contemplava impacientemente as nuvens tempestuosas que se formavam no horizonte vindas do mar.

Era verão, época de atordoantes raios e trovões, propícia para a experiência que Benjamin Franklin há muito ambicionava fazer.

Benjamin Franklin
Franklin, fazendo da eletricidade um brinquedo

Não querendo mais aguardar que aqueles cúmulos-nimbos se movessem em sua direção, em pouco tempo, com o auxílio do filho, terminou por empinar uma pandorga que carregava um pequeno arame amarrado em suas varetas. Ele atrairia a energia que as nuvens traziam dentro de si, prenhes de violência e tumulto que serviam às maldições dos deuses.

Foi uma cena inusitada ver aquele senhor sóbrio, respeitável, lançando pelos céus aquele pequeno pedaço de seda preso a um fio. O próprio Franklin não fez questão de testemunhas do seu bem sucedido engenho, envergonhado de um possível fracasso em tentar neutralizar aquelas terríveis forças da natureza com um simples arame.

Tempos antes, quando começou a tomar gosto pelos experimentos com a eletricidade, tentou assar um peru utilizando-se das garrafas de Leiden, as quais provocariam um choque elétrico no bicho. Imaginou ser possível tostá-lo por meio de um espeto elétrico, num fogo também alimentado eletricamente. A única vítima daquela operação terminou sendo o próprio Franklin que levou meses para se recuperar da terrível descarga, enquanto o peru lá continuou, pálido e cru como dantes.

Somente cinco meses depois, em 19 de outubro, ele fez publicar o primeiro relato sobre a pandorga elétrica no Gazette e uns tempos depois no seu jornal, o Poor Richard, apareceu uma detalhada instrução de como os proprietários poderiam facilmente colocar um pára-raios para proteger-se "das devastações do trovão e dos relâmpagos".

O singelo invento começou a afastar da humanidade o pânico e o terror que a acometia, desde de tempos imemoriais, nas noites de tempestade.

Em praticamente todas as religiões os relâmpagos e os raios eram vistos como expressões das fúrias divinas; o martelo de Thor para os escandinavos ou o dardo divino de Virgílio, que lançava descargas de granizo, chuva e fogo para atormentar e punir física e moralmente suas vítimas.

O homem sentia-se um desgraçado naqueles dias ou noites de tempestade, encolhido, impotente, assustadiço, frente ao desencadeamento das trovoadas celestes. Lá ficava ele como um animal acoitado, trêmulo, murmurando ladainhas para que não fosse sua casa atingida.

Para termos uma dimensão do medo que atingia as pessoas, basta atentarmos para o simbolismo das gárgulas, aquelas monstruosas figuras esculpidas que eram postas nos altos das catedrais nos tempos medievais para que espantassem, graças a sua feiúra, as inconstâncias de uma natureza adversa.

O invento de Franklin dissipou isso tudo. Foi mais um passo entre tantos outros dados naquele século, merecidamente chamado com o "das luzes", na domesticação da natureza. A visão religiosa de um mundo povoado de mistérios ininteligíveis para a mente humana começou a se evaporar, e uma crescente autoconfiança na humanidade levou tudo de roldão.

Os efeitos do invento


Benjamin Franklin
Benjamin Franklin (1706-1790)

O invento de Franklin, ao qual ainda somaram-se as lentes bifocais criadas por ele, provocou mais devastações na crença da religião revelada do que todos os panfletos e ironias de Voltaire e seus amigos iluministas. Agora qualquer camponês, ao assentar na cumeeira da sua casa um singular pedaço de ferro, tornava inoperantes as tão temidas maldições divinas, fazendo com que, doravante, as trovoadas não passassem de um exercício de pólvora seca mantido para o divertimento dos deuses e o susto das crianças.

Jean Ehrard, estudando a influência da natureza no século XVIII, concluiu que a "idéia mestra do século das luzes não foi a idéia do progresso, mas a da natureza". Esqueceu-se de dizer que foi a natureza sim, mas "amansada" graças à ampliação dos horizontes da sociedade civil daquela época, fazendo com que se vislumbrasse a possibilidade de ela deixar de ser uma espécie de madrasta para figurar como serva da humanidade.

Mas o grande propagandista da domesticação da natureza não foi Benjamin Franklin mas sim Jean-Jacques Rousseau.

Ninguém como ele, naquele século, contribuiu para que a visão supersticiosa e hostil, que muitos tinham dela, fosse superada. Foi dele a moda de praticar largas caminhadas por bosques e florestas em busca de plantas, as quais classificava cuidadosamente no seu herbário, que se encontra até hoje no Museu Carnavelet, em Paris. Aqueles demorados exercícios pedestres eram sempre acompanhados de meditações filosóficas, metodicamente registradas findo cada passeio. Depois da sua morte, essas notas foram publicadas com o romântico título de Les rêveries du promeneur solitaire (Os devaneios de um caminhante solitário), aparecido, com estrondoso sucesso, em 1782. O objetivo daquelas andanças era purificador.

Na filosofia de Rousseau, a natureza oferecia um bálsamo para que pudéssemos exorcizar a vida hipócrita que éramos constrangidos a manter em sociedade, era um momento de reencontro do ser humano com as fontes primitivas e bondosas que todo o homem e mulher traz dentro de si, mas que é obrigado a esconder no convívio cínico, hipócrita e teatral que lhe é imposto na cidade e no convívio social em geral.

A paixão pela natureza, entrementes, esteve longe de limitar-se às imagens bucólicas traçadas por Rousseau. Pode-se dizer que tratar dela foi uma inclinação coletiva da intelectualidade iluminista. Em 1737, C. Wolff publica sua Teologia natural; em 1739, é a vez de Hume lançar seu célebre Tratado sobre a natureza humana; em 1749, o naturalista Buffon começa a edição da monumental História natural, que vai se estender pelo resto do século; em 1755, é a vez de I.Kant escrever sua História natural e, finalmente, aquela que se tornou a bíblia dos ateus, surgida em 1770, O sistema da natureza, do Barão d'Holbach. Foi a crescente confiança em si e na possibilidade de cada vez mais poder entender e controlar a natureza que abriu as portas à Revolução de 1789.

Retornar à simplicidade natural significava também rejeitar a sociedade aristocrática e sofisticada daqueles tempos em que o privilégio era lei e o absolutismo a sua forma de consagração política. Foi o historiador Marc Bloch, em seus Reis taumaturgos, quem observou que na cerimônia de coroação de Luís XVI, em 1774, o número de inválidos e doentes que esperavam a bênção real para aliviar seus males e suas chagas havia diminuído sensivelmente em relação à coroação anterior, a de Luís XV. Se Deus não podia mais punir com seus tonitruantes raios, também o rei perdia seu dom de cura, como a tradição supersticiosa teimava em manter. E dizer que tudo isso começou os arrabaldes da então pequena Filadélfia, pelas mãos do diligente Franklin e sua pequena pandorga.

Fonte: educaterra.terra.com.br

Benjamin Franklin

Benjamin Franklin (Boston, 17 de Janeiro de 1706 — Filadélfia, 17 de Abril de 1790) foi um jornalista, editor, autor, maçom, filantropo, abolicionista, funcionário público, cientista, diplomata, inventor e enxadrista ianque, que foi também um dos líderes da Revolução Americana, e é muito conhecido pelas suas muitas citações e pelas experiências com a electricidade.

Um homem religioso, calvinista, é ao mesmo tempo uma figura representativa do Iluminismo.

Ele trocava correspondência com membros da sociedade lunar e foi eleito membro de Royal Society. Em 1771, Franklin tornou-se o primeiro Postmaster General (ministro dos correios) dos Estados Unidos da América.

Benjamin Franklin
Benjamin Franklin

História

Juventude

Ele nasceu em Milk Street, Boston. O seu pai, Josiah Franklin, era comerciante de velas de cera, e casou duas vezes. Benjamin foi o 15º filho de 20 crianças nascidas dos dois casamentos. Deixou os estudos aos dez anos de idade e aos doze começou a trabalhar como aprendiz do seu irmão, James, um impressor que publicava um jornal chamado "New England Courant".

Ele tornou-se um contribuidor desta publicação e foi por algum tempo o seu editor nominal, escrevendo, secretamente, as cartas, disfarçado de uma viúva de meia idade chamada Silêncio Faz Bem[carece de fontes?]. Os irmãos tiveram uma discussão e Benjamin fugiu, indo primeiro a Nova Iorque e depois a Filadélfia, aonde chegou em Outubro de 1723.

Em breve encontrou trabalho como impressor, mas após alguns meses, ele foi convencido pelo governador Keith a ir para Londres, onde, desiludido das promessas de Keith, voltou a trabalhar como compositor tipográfico numa impressora, até que um mercador chamado Thomas Denham o fizesse regressar a Filadélfia, dando-lhe uma posição na sua empresa.

Em 1732 ele começou a publicar o famoso Almanaque do Pobre Ricardo (Poor Richard's Almanac), no qual se baseia uma boa parte da sua reputação popular nos EUA. Provérbios deste almanaque tais como "um tostão poupado é um tostão ganhado", são hoje muito conhecidos, mesmo em todo o mundo.

Franklin e muitos outros maçons juntaram os seus recursos em 1731 e iniciaram a primeira biblioteca pública de Filadélfia.

Fundaram i para esse fim uma empresa , que encomendou os seus primeiros livros em 1732, na sua maioria livros de teologia e educacionais, mas em 1741 a biblioteca também incluía obras de história, de geografia, de poesia e de ciência.

Os sucessos desta empreitada encorajaram a abertura de bibliotecas em outras cidades americanas e Franklin sentiu que este [iluminismo] fazia parte da luta das colónias na defesa dos seus interesses.

Assuntos públicos e estudos científicos

Benjamin Franklin

Em 1758, o ano em que ele deixou de escrever para o almanaque, imprimiu O sermão do pai Abraão, hoje considerado como o texto mais famoso da literatura produzida na América dos tempos coloniais.

Entretanto, Franklin estava preocupado cada vez mais com os assuntos públicos. Ele se importava muito com os assuntos públicos e, mais tarde, fundou a Universidade de Nova York.

Fundou a sociedade filosófica americana com o fim de fomentar a comunicação das descobertas entre os homens da ciência. Ele já tinha começado a pesquisa da estática, que o iria ocupar, juntamente com outros temas científicos, até ao fim da sua vida (juntamente com a política e com os negócios).

Em 1748 ele vendeu o seu negócio por forma a poder ter mais tempo livre para os estudos, agora que tinha adquirido uma riqueza notável. Num espaço de poucos anos ele fez descobertas sobre a eletricidade que lhe trouxeram uma reputação internacional. Franklin identificou as cargas positivas e negativas e demonstrou que os raios são um fenómeno de natureza elétrica.

Franklin tornou esta teoria inesquecível através da experiência extremamente perigosa de fazer voar uma pipa durante a trovoada, em 1º de outubro de 1752. Franklin, nos seus escritos, demonstra que estava consciente dos perigos e dos modos alternativos de demonstrar que o trovão era elétrico.

Se Franklin fez a experiência, ele não a fez da forma descrita (ela teria sido fatal). As invenções de Franklin incluíram o pára-raios, o aquecedor de Franklin - franklin stove (um aquecedor a lenha que se tornou muito popular, debitando uma corrente de ar directamente na área a aquecer), as lentes bifocais e o corpo de bombeiros norte-americano.

Franklin estabeleceu duas áreas de estudo importantes das ciências naturais: eletricidade e meteorologia. Na sua obra clássica A história das teorias da eletricidade e do Éter, Sir Edmund Whittaker refere-se à inferência de Franklin de que quando se esfrega uma substância não se cria nenhuma carga elétrica, mas esta é apenas transferida, de modo que "a quantidade total em qualquer sistema isolado é invariável". Esta asserção é conhecida como o "princípio da conservação da carga".

Como tipógrafo e editor de jornais, Franklin frequentava os mercados dos agricultores para angariar notícias. Um dia, Franklin notou que a notícia que dava conta de uma tormenta num lugar distante da Pensilvânia deverá ser a mesma tormenta que visitou Filadélfia em dias recentes. Foi o impulso que o levou à noção de que algumas tormentas se deslocam, o que levou aos mapas sinópticos da meteorologia dinâmica, substituindo a dependência única pelos gráficos da climatologia.

Em 1751, Franklin e o Dr. Thomas Bond obtiveram o alvará da legislatura da Pensilvânia para estabelecer um hospital. O hospital da Pensilvânia seria o primeiro hospital a ser criado naquela nação nascente que se chamará Estados Unidos da América. Na política, ele provou ser um hábil administrador e também uma figura controversa. O seu bom registo como administrador é manchado pelo uso pessoal da sua influência no avanço dos seus familiares.

O seu mais notável serviço à política doméstica consistiu na reforma do sistema postal. Mas ganhou fama especialmente como estadista, com os seus serviços diplomáticos e na ligação das colónias com a Grã-Bretanha e mais tarde com a Russia. Também esteve envolvido na criação do primeiro corpo de bombeiros voluntários dos EUA, a primeira biblioteca pública gratuita e muitos outros empreendimentos cívicos.

Em ele liderou a delegação da Pensilvânia ao congresso de Albany. Este encontro de várias colônias tinha sido requerido pela associação comercial (Board of Trade) inglesa para melhorar as relações com os índios na defesa perante os franceses. Franklin propôs um amplo plano de união para as colônias. Apesar do plano não ter sido adotado, elementos dele encontraram posteriormente lugar nos artigos da confederação e da Constituição Americana.

Últimos anos

Após o retorno à América, ele tomou uma parte honorável no caso Paxton, através do qual ele perdeu o seu assento na assembleia, mas em 1764 ele foi novamente enviado para Inglaterra como agente das colônias, desta vez a pedido do Rei, para retirar o governo das mãos dos proprietários. Em Londres, opôs-se ativamente à proposta da Lei do Selo (Stamp Act) mas perdeu a face por isto, e muita da sua popularidade por ter assegurado a um amigo o cargo de agente fiscal nos EUA.

Mesmo o seu trabalho eficaz no apoio à revogação da lei não contribuiu para reganhar a popularidade, mas ele continuou os seus esforços na defesa das colónias mesmo quando as disputas avançavam para a crise da revolução.

Isto também lhe causou o conflito irreconciliável com o seu filho, que permaneceu ardentemente leal ao governo britânico. Em 1767 ele atravessou o canal até França, onde foi recebido com honra; mas antes do seu regresso a casa em 1775, ele perdeu a sua posição como ministro dos correios (postmaster) devido ao papel que teve na divulgação a Filadélfia da famosa carta de Hutchinson e Oliver.

a sua chegada a Filadélfia, ele foi eleito com membro do congresso continental e assistiu a redação da Declaração da Independência Americana.

Em Dezembro de 1776 ele foi enviado para França como emissário dos Estados Unidos. Ele residiu numa casa no subúrbio parisience de Passy, doada por Jacques-Donatien Le Ray de Chaumont que se tornaria um amigo e o estrangeiro mais importante na ajuda obtida pelos Estados Unidos na Guerra da Independência Americana.

Franklin era um dos principais dignitários da maçonaria americana. Ao chegar a França, toma parte activa num trabalho de depuração e de unificação da maçonaria, iniciado em 1773 com a criação do Grande Oriente, e que vem a culminar em 1780. Franklin ficou a dirigir, desde a sua casa de Passy,"as Musas" (Loge des Neufs Soeurs), em que reuniram artistas e literatos como Helvétius, Condorcet, Chamfort, Mercier, Houdon, Vernet.

Benjamin Franklin permaneceu na França até 1785, tendo sido muito apreciado na sociedade parisience. Pediam-lhe conselhos. Um cardeal - Rohan, do célebre Caso do colar de diamantes, organizou festas em sua honra. Um médico - Marat - submeteu-lhe experiências de física. Um advogado - Brissot - interrogou-o sobre o Novo Mundo e a experiência revolucionária. Um outro, dedica-lhe a sua primeira peça - Robespierre.[1] Franklin era tão popular que se tornou chique para famílias ricas francesas decorar os seus salões com um quadro dele.

Ele conduziu os assuntos de estado do seu país com um tal sucesso, incluindo uma aliança militar importante e negociando o tratado de Paris em 1783, que, quando regressou definitivamente aos EUA, recebeu um lugar meritório na independência americana, apenas superado pelo próprio George Washington. Quando Franklin foi chamado a regressar aos EUA em 1785, o rei honrou-o com a encomenda de um retrato pintado por Joseph Siffred Duplessis que hoje está exposto na Galeria do Retrato Nacional, do Instituto Smithsonian em Washington

Adicionalmente, após o seu retorno de França em 1785, ele tornou-se um abolicionista da escravatura, tendo-se tornado presidente da Sociedade promotora da abolição da escravatura e da libertação dos negros ilegalmente retidos em cativeiro.

Referências

Walt Disney Mini Classics - Ben and Me; lançado no Brasil como "Ben e Eu".
Pierre Gaxotte (da Academia francesa), La Révolution française, Paris, Arthème Fayard, 1957, p. 73.

Fonte: pt.wikipedia.org

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