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Biodiesel

Biodiesel – Rumo ao Futuro

“Cada brasileiro terá a sua casa com fogão e aquecedor elétrico”

Esses versos do poema Hino Nacional, de Carlos Drumonnd de Andrade, convidam-nos a uma reflexão que revela a extrema dependência energética a qual o ser humano está submetido.

Vivemos subordinados ao conforto proporcionado pela eletricidade e pelo uso dos combustíveis como o gás natural e o petróleo; submissão que pode ser exemplificada pelo uso excessivo deste último combustível, que por não ser fonte renovável de energia, gerou profunda crise a partir de 1972, devido à política de comercialização do mesmo.

Numa visão microscópica, necessitamos da energia solar, fonte de vida, pois esta possibilita a sobrevivência da cadeia formada por fotossintetizantes, herbívoros, carnívoros e onívoros, possibilitando a aquisição de energia química através da respiração celular.

No entanto, é inevitável que sejamos dominados pelo medo da energia nuclear, causa da destruição da vida de centenas de milhares de pessoas, devido à energia liberada por uma bomba nuclear, em Hiroshima, no final da segunda Guerra Mundial.

Nota-se a importância da energia sob diferentes ângulos, a nítida necessidade da busca por uma fonte energética que vise a sustentabilidade social e ecológica; movimentando não somente o setor agrário, através da geração de oportunidades de trabalho no campo e da promoção do “desinchaço” urbano, fator responsável pelo círculo vicioso de miséria, desemprego e violência, mas também o setor indústria, imprescindível para o desenvolvimento do país.

Uma fonte energética renovável, econômica, não poluente e de fácil obtenção torna-se um objetivo a ser alcançado.

Após a realização de várias pesquisas, surge a possibilidade de síntese de um novo combustível, que atenda a tais requisitos: o biodiesel, produzido a partir de etanol e de óleos vegetais: soja, mamona, girassol, milho, algodão, canola, babaçu, dendê, pequi, palma, entre outros.

Devido à possibilidade de uso de diversas espécies vegetais pode-se afirmar que o uso dessa tecnologia irá contribuir para a implementação da sustentabilidade social e ecológica, pois poderemos produzir a matéria prima nas diferentes regiões do país.

O uso do biodiesel contribuir pra o declínio de fenômenos como a inversão térmica e o efeito estufa, que é o acúmulo de gás carbônico na atmosfera impedindo a irradiação do calor absorvido pela mesma; ao passo que, a fim de atender a demanda pelo novo combustível, o número de áreas ocupadas pela agricultura será maior, e, portanto, haverá um aumento na absorção do gás carbônico pelos vegetais.

Com a substituição gradativa do óleo diesel pelo biodiesel, inicialmente, reduziria-se em 10% a emissão de gases que causam o efeito estufa. Logo, essa situação seria extremamente favorável e lucrativa para o Brasil, pois poderíamos vender, através do Banco Mundial, nessas cotas de emissão e de seqüestro de carbono, propostas pelo Protocolo de Kioto, acordo onde os países signatários comprometem-se reduzir a emissão de dióxido de carbono na atmosfera, proporcionando ao pequeno agricultor uma nova fonte de renda à sua propriedade.

Contudo é natural do homem que a ganância aflore em condições como estas, caso a maior parte da população decida cultivar a matéria prima para a produção de biodiesel, da mesma forma que a agricultura vem senso tratada hoje, com o monopólio de grandes empresas que não estão preocupadas de fato com a sociedade agrícola, nem urbana e muito menos com o meio ambiente, o país corre o risco de enfrentar uma nova crise, pois que cultivará os produtos para subsistência da sociedade brasileira? Onde estes serão cultivados? É fácil concluir que precisaremos importá-los, o que, conseqüentemente elevará os preços dos alimentos. Desse modo, a camada mais pobre da população não terá acesso ao mínimo garantido pela Declaração Universal dos Direitos do Homem, e pelos princípios democráticos originados na Grécia Antiga, com Clístenes.

O pequeno produtor será mais uma vez sufocado pelos grandes, o processo do êxodo rural, velho conhecido nosso, retornará.

Hoje, já busca novas técnicas que contribuem para a sustentabilidade dos nossos solos, sem que apenas deles se esgotem todos os nutrientes, o que os tornariam inférteis e mais uma vez dependente das multimarcas para a reposição destes nutrientes. Desta forma ter produção novamente, com os custos mais elevados , não apenas custos financeiros, mas custos ao meio ambiente, pois novamente precisaríamos extrair produtos de origem natural, como pro exemplo, a rocha fosfatada e as calcárias entre outras para produzir os adubos.

Com as técnicas tradicionais de plantil, como a monocultura, seriam necessários produtos como agrotóxicos para o combate de doenças e pragas que geralmente ocorrem nesse tipo de produção e que contribuiriam para a poluição do solo, pois resíduos destes seriam arrastados para o solo empobrecido e sem proteção e, conseqüentemente para nossos recursos hídricos, os quais devemos zelar, pois em um futuro breve será uns dos maiores tesouros de nosso planeta.

Estas técnicas que simplesmente imitam o que ocorre naturalmente no interior de nossas florestas chamadas Sistemas Agroflorestais contribuem para a ciclagem dos nutrientes, processo este que é a decomposição dos restos vegetais para o reaproveitamento das plantas.

Para a produção do biodiesel, na maioria das vezes são utilizadas espécies leguminosas, uma outra vantagem, pois estas possuem características naturais de fazer a reposição do nitrogênio ao solo sintetizando compostos, com este elemento, que existe em abundância na composição química da atmosférica.

Os sistemas Agroflorestais, diferem da agricultura convencional, pois permitem várias formas de plantios em consórcios entre espécies para fins de uso , por exemplo: a alimentação humana.

A Diversificação das espécies dentro de uma mesma área contribuirá para a diminuição da aparição de pragas e doenças e também para o aumento da renda do pequeno proprietário.

Com vantagens ou não, o biodiesel será consumido, pois não teremos petróleo disponível por toda a eternidade, e, atualmente, este é um dos poucos recursos do qual podemos lançar mão. Até que novas possibilidades apareçam, corremos o risco.

O projeto de produção de biodiesel é interessante, pois trata-se de uma reação, de transesterificação, que ocorre em trinta minutos na presença de um catalisador sendo portanto, um processo simples e barato já que realiza-se em pressão ambiente.

É interessante ressaltar que, o processo (ou retrocesso, quando os artefatos descobertos não serão empregados em prol do bem da humanidade) é a conscientização do conhecimento adquirido através do estudo e da observação do universo.

A menos que, Thomson, Rutherford, Bohr e outros tantos não tivessem criado um modelo atômico, a vida não seria ameaçada pela energia nuclear com a bomba atômica: por outro lado, a mesma não seria preservada através, por exemplo, da radioterapia, que tantas vidas salva através de tratamentos sofisticados.

A Química que transforma, que forma, que junta e separa, que cura, que encontra novas alternativas, que recicla, que criou vida e nos alivia a morte é a mesma que pode salvar nosso planeta, encontrando novos combustíveis, mas não pode transformar, nem modificar o pensamento do homem, se o mesmo não estiver em busca de prorrogar a própria vida e a vida do nosso planeta.

Olhando ao nosso redor, percebe-se que, não importa onde estejamos, se no interior de um escritório, ou de uma sala de aula, tudo é proveniente de recursos naturais, sejam eles de origem mineral ou natural; daí a importância do uso correto dos mesmos, que são essenciais para a nossa sobrevivência no planeta. Cabe nós, cidadãos, mostrar que é possível equilibrar meio ambiente e humanidade já que, se assim não o fizemos, estaremos sentenciando-nos a uma morte mais dolorosa do que a causada pela explosão da bomba atômica, pois morremos aos poucos de sede, em um planeta que tem sua cobertura composta por, aproximadamente, 70% de água, de fome pela falta de capacidade de cultivar adequadamente nosso solo, e de doenças, que serão destas carências.

Referências

MURGEL. BRANCO, S. Energia e Meio Ambiente. São Paulo: Moderna, 1990.

ANDRADE. DRUMONND DE, C. Sentimento do Mundo. Fundação Nestlé de Cultura
VICENTINO, C; RODRIGO, G. História para o Ensino Médio: História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2001
MARQUES, F. Menos Dependentes do Petróleo. Revista Ciência Hoje, São Paulo, ano 2003, nº 194, p. 44 e 45

Fonte: www.sbq.org.br

Biodiesel

Biodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis, que pode ser obtido por diferentes processos tais como o craqueamento, a esterificação ou pela transesterificação. Pode ser produzido a partir de gorduras animais ou de óleos vegetais, existindo dezenas de espécies vegetais no Brasil que podem ser utilizadas, tais como mamona, dendê (palma), girassol, babaçu, amendoim, pinhão manso e soja, dentre outras.


O biodiesel substitui total ou parcialmente o óleo diesel de petróleo em motores ciclodiesel automotivos (de caminhões, tratores, camionetas, automóveis, etc) ou estacionários (geradores de eletricidade, calor, etc). Pode ser usado puro ou misturado ao diesel em diversas proporções. A mistura de 2% de biodiesel ao diesel de petróleo é chamada de B2 e assim sucessivamente, até o biodiesel puro, denominado B100.


Segundo a Lei nº 11.097, de 13 de janeiro de 2005, biodiesel é um “ biocombustível derivado de biomassa renovável para uso em motores a combustão interna com ignição por compressão ou, conforme regulamento, para geração de outro tipo de energia, que possa substituir parcial ou totalmente combustíveis de origem fóssil”.


A transesterificação é processo mais utilizado atualmente para a produção de biodiesel. Consiste numa reação química dos óleos vegetais ou gorduras animais com o álcool comum (etanol) ou o metanol, estimulada por um catalisador, da qual também se extrai a glicerina, produto com aplicações diversas na indústria química.


Além da glicerina, a cadeia produtiva do biodiesel gera uma série de outros co-produtos (torta, farelo etc.) que podem agregar valor e se constituir em outras fontes de renda importantes para os produtores.

Fonte: www.spi.ind.br

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