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Biodiversidade Amazônica

 

Biodiversidade da Amazônia e estratégias de conservação

A Amazônia encontra-se agora em uma transição que já ocorreu em quase todas as demais regiões habitáveis do planeta. A atividade humana sustentada pela exploração da fauna e flora nativas está sendo substituída por uma economia agrícola e industrial competitiva baseada na exploração de espécies domesticadas de plantas e animais, e no uso em larga escala de recursos naturais não biológicos. À medida que aumentam o tamanho da população amazônica e a proporção da mesma inserida na sociedade agrícola e industrial, também aumentam as pressões para substituição da áreas de biota nativa por paisagens antropizadas.

Na Amazônia há possibilidades concretas de perda de biodiversidade, desaparecimento de culturas humanas, e mudanças drásticas nos fluxos de matéria e energia nos ecossistemas. As limitações geográficas, tecnológicas, e de saúde que antes dificultavam o povoamento na região estão em grande parte superadas.

Aparecem com destaque as vantagens intrínsecas da Amazônia para atividades de agricultura, pecuária, extração madeireira e plantios florestais, extração mineral, empreendimentos de energia, turismo, infraestrutura, e outros. Porém, as vantagens de conservação da Amazônia são igualmente substanciais.

O fato da conservação da região ter sido consequência de diversos entraves à presença humana, e não de um deliberado esforço preservacionista, não diminue sua importância. Junto com os biomas vizinhos dos Andes, Cerrado e Mata Atlântica, a Amazônia é o centro da região de maior biodiversidade da Terra.. Infelizmente, tanto a Mata Atlântica como o Cerrado e os Andes Tropicais já são classificados como biomas em perigo ou "Hotspots", devastados em proporção superior a 70%. Portanto, a preservação da Amazônia tem um impacto mundial que vai além de suas fronteiras.

Neste quadro de transformação, quase nenhum dos projetos para o desenvolvimento da Amazônia dá a devida atenção à conservação. Existem campanhas populares e de mídia contra a devastação do bioma, mas não há uma estratégia geral de conservação embutida nas propostas para o desenvolvimento agrícola, industrial e de infra-estrutura da Amazônia.

Os projetos governamentais tratam o investimento em conservação ambiental como um componente subordinado de cunho mitigatório e compensatório às atividades de ocupação humana na região, ao passo que a conservação deveria ser objeto de um plano próprio de nível igual ou superior aos de empreendimentos de infra-estrutura e atividades econômicas. Isto é necessário porque investimentos em conservação são mais eficazes se desenvolvidos de forma preventiva e antecipatória à ocupação agropecuária e industrial. Os altos investimentos de infraestrutura geralmente inviabilizam realocações de empreendimentos em implantação ou operação, mesmo na presença de impactos ambientais significativos.O zoneamento ecológico econômico, que seria um instrumento essencial para auxiliar neste planejamento, infelizmente ainda não está disponível para grande parte da região.

Existem, além dos princípios sociais e morais, fatores econômicos que justifiquem um plano de conservação da Amazônia de grande escala? Para responder, devemos considerar os impactos possíveis da ação humana sobre a biodiversidade amazônica, nas grandes classes de uso extrativo, recursos genéticos, e serviços de ecossistemas.

O uso extrativo é a forma tradicional de exploração dos recursos biológicos. Engloba desde as atividades artesanais de caça, pesca, coleta de frutos e sementes, até atividades industrializadas como processamento de madeira, pesca profissional, exploração de peles e couros, e outros. Ainda hoje representa a principal forma de interação entre as sociedades humanas e os ecossistemas nativos da Amazônia. Infelizmente, a perda da biodiversidade é uma consequência inevitável do crescimento da demanda por estes produtos, devido à baixa produtividade de ecossistemas naturais se comparados a sistemas agrícolas e florestais plantados.

Enquanto as populações humanas são pequenas, é possível manter um uso deste tipo, mas isto será cada vez mais difícil na Amazônia. Grande parte das espécies de peixe de interesse comercial, de madeiras, e de frutas só poderão ser utilizados na região se submetidos a regime de reprodução artificial, plantio e reintrodução, ou manejos diversos que gradualmente modificam os ecossistemas e levam a uma dominância maior das espécies comerciais em detrimento das demais. A conservação da biodiversidade e a manutenção na natureza das espécies que são objeto de uso extrativo passa pelo estabelecimento de áreas de reserva e proteção integral, eventualmente contíguas mas físicamente distintas das áreas de uso extrativo.

O uso dos recursos genéticos tem uma longa história, embora a forma de uso esteja sendo modificada. O processo tradicional de seleção e cruzamento de raças e linhagens para fixar nas espécies de plantas e animais domésticos características desejáveis encontradas na natureza foi acrescido da engenharia genética e clonagem. A biotecnologia permite isolar genes de indivíduos, e introduzi-los diretamente em outros indivíduos da mesma espécie ou de espécies distintas, sem ter de passar pelas etapas de cruzamento, o que gerou a indústria da "prospecção genética", ou seja, a procura na natureza de genes que expressam características de interesse comercial.

Entre áreas de interesse estão a medicina (medicamentos derivados de extratos vegetais ou animais), a agropecuária (inseticidas "naturais" biológicos), e uma gama enorme de processos industriais que hoje tem base química mas que potencialmente podem ser realizados por meios biológicos (produção de celulose, decomposição de resíduos tóxicos, etc.). As regiões do mundo de alta diversidade biológica, em especial a Amazônia, hoje podem ter valor mais alto como fonte de prospecção genética do que como de recursos extrativos. A Convenção da Biodiversidade e as diversas legislações nacionais e locais sobre acesso a recursos genéticos reconhecem este fato e sua importância econômica.

Os serviços do ecossistema incluem funções atinentes aos ecossistemas naturais, e que podem ser considerados como "serviços" às populações humanas. Hoje os serviços naturais que mais preocupam as populações humanas são a disponibilidade de água em quantidade e qualidade, a qualidade do ar e do solo, e a estabilidade e previsibilidade do clima.

Na ausência de áreas naturais, estes serviços são alocados a usinas ou processos industriais, e em muitos casos não há substituição evidente. Os protocolos internacionais sobre o clima, sobre desertificação, as propostas de de redução de emissões de carbono, todas refletem a importância da manutenção destes serviços e em maior ou menor escala contemplam o pagamento para preservação de áreas naturais que realizem tais serviços. Na Amazônia correm os maiores rios do planeta, e existem grandes interações da extensa floresta com a atmosfera.

A conservação da Amazônia é um componente essencial de qualquer plano de desenvolvimento humano na região.

Temos as bases científicas para desenhar uma estratégia? Sim. Desde o início da década de 1990, produtos de planejamento estão disponíveis para subsidiar este trabalho. Em 1990 e 1999, o "Workshop 90" e o "Seminário de Consulta" organizados em Manaus e Macapá respectivamente reuniram com centenas de cientistas, ONGs, universidades, órgãos de governo e de pesquisa para mapear as áreas prioritárias para conservação da biodiversidade da Amazônia.

Em 1997, foi desenvolvido no âmbito do programa PPG7 o plano de Corredores de Biodiversidade, propondo cinco blocos de milhões de hectares abrangendo áreas protegidas, áreas indígenas, e áreas de uso econômico. Organizações multilaterais e ONGs estão propondo expansão do sistema de áreas protegidas usando o conceito de representatividade de ecoregiões.

Projetos de pesquisa como o LBA geraram modelos climáticos e de aquecimento global para diversos cenários de ocupação antrópica da região. Modelos de dinâmica biológica, risco de fogo, e do ciclo de expansão madeireira projetam a fragmentação e impacto sobre a estrutura e composição dos ecossistemas naturais. Infelizmente, a sobreposição destes modelos com o planejamento proposto pelos projetos de desenvolvimento tem mostrado a fragilidade das atuais estratégias econômicas do ponto de vista ambiental.

Nosso desafio é incorporar a base científica e as diversas estratégias conservacionistas acima descritas, como corredores de biodiversidade, áreas protegidas, zoneamento ecológico econômico, para criar um plano de conservação que tenha condições de sustentar a população humana e conservar a biodiversidade amazônica indefinidamente.

Roberto B. Cavalcanti

Fonte: vsites.unb.br

Biodiversidade Amazônica

O termo biodiversidade - ou diversidade biológica - descreve a riqueza e a variedade do mundo natural. As plantas, os animais e os microrganismos fornecem alimentos, remédios e boa parte da matéria-prima industrial consumida pelo ser humano.

Para entender o que é a biodiversidade, devemos considerar o termo em dois níveis diferentes: todas as formas de vida, assim como os genes contidos em cada indivíduo, e as inter-relações, ou ecossistemas, na qual a existência de uma espécie afeta diretamente muitas outras.

A diversidade biológica está presente em todo lugar: no meio dos desertos, nas tundras congeladas ou nas fontes de água sulfurosas.

A diversidade genética possibilitou a adaptação da vida nos mais diversos pontos do planeta. As plantas, por exemplo, estão na base dos ecossistemas.

Como elas florescem com mais intensidade nas áreas úmidas e quentes, a maior diversidade é detectada nos trópicos, como é o caso da Amazônia e sua excepcional vegetação.

Quantas espécies existem no mundo?

Não se sabe quantas espécies vegetais e animais existem no mundo. As estimativas variam entre 10 e 50 milhões, mas até agora os cientistas classificaram e deram nome a somente 1,5 milhão de espécies.

Entre os especialistas, o Brasil é considerado o país da "megadiversidade": aproximadamente 20% das espécies conhecidas no mundo estão aqui. É bastante divulgado, por exemplo, o potencial terapêutico das plantas da Amazônia.

Quais as principais ameaças à biodiversidade?

A poluição, o uso excessivo dos recursos naturais, a expansão da fronteira agrícola em detrimento dos habitats naturais, a expansão urbana e industrial, tudo isso está levando muitas espécies vegetais e animais à extinção.

A cada ano, aproximadamente 17 milhões de hectares de floresta tropical são desmatados. As estimativas sugerem que, se isso continuar, entre 5% e 10% das espécies que habitam as florestas tropicais poderão estar extintas dentro dos próximos 30 anos.

A sociedade moderna - particularmente os países ricos - desperdiça grande quantidade de recursos naturais. A elevada produção e uso de papel, por exemplo, é uma ameaça constante às florestas.

A exploração excessiva de algumas espécies também pode causar a sua completa extinção. Por causa do uso medicinal de chifres de rinocerontes em Sumatra e em Java, por exemplo, o animal foi caçado até o limiar da extinção.

A poluição é outra grave ameaça à biodiversidade do planeta. Na Suécia, a poluição e a acidez das águas impede a sobrevivência de peixes e plantas em quatro mil lagos do país.

A introdução de espécies animais e vegetais em diferentes ecossistemas também pode ser prejudicial, pois acaba colocando em risco a biodiversidade de toda uma área, região ou país.

Um caso bem conhecido é o da importação do sapo cururu pelo governo da Austrália, com objetivo de controlar uma peste nas plantações de cana-de-açúcar no nordeste do país.O animal revelou-se um predador voraz dos répteis e anfíbios da região, tornando-se um problema a mais para os produtores, e não uma solução.

O que é a Convenção da Biodiversidade?

A Convenção da Diversidade Biológica é o primeiro instrumento legal para assegurar a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais. Mais de 160 países assinaram o acordo, que entrou em vigor em dezembro de 1993. 

O pontapé inicial para a criação da Convenção ocorreu em junho de 1992, quando o Brasil organizou e sediou uma Conferência das Nações Unidas, a Rio-92, para conciliar os esforços mundiais de proteção do meio ambiente com o desenvolvimento socioeconômico.

Contudo, ainda não está claro como a Convenção sobre a Diversidade deverá ser implementada. A destruição de florestas, por exemplo, cresce em níveis alarmantes.

Os países que assinaram o acordo não mostram disposição política para adotar o programa de trabalho estabelecido pela Convenção, cuja meta é assegurar o uso adequado e proteção dos recursos naturais existentes nas florestas, na zona costeira e nos rios e lagos.

Biodiversidade amazônica

A biodiversidade amazônica ainda reserva muitos segredos desconhecidos da humanidade. As florestas da região concentram 60% de todas as formas de vida do planeta, mas calcula-se que somente 30% de todas elas são conhecidas pela ciência.

Quantos segredos e novas espécies de peixes, pássaros, bichos ou microrganismos ainda desconhecemos?

Os animais são um capítulo à parte: dezenas de espécies de primatas encontram abrigo na densa vegetação amazônica.

A origem da biodiversidade é explicada atualmente pela teoria dos refúgios, na qual grupos de animais ficaram isolados em ilhas de vegetação e foram sofrendo um processo de especialização.A medida que as ilhas voltaram a se agrupar em uma única e imensa área verde, a base da diversidade florística e animal já estava formada.

A Amazônia conta com mais de 3 mil espécies só de árvores, imersas na fragilidade dos ecossistemas. Árvores gigantescas - algumas com mais de 50 m de altura - vivem basicamente do húmus resultantes da vegetação em decomposição. Da variedade total de espécies animais, vegetais e das propriedades biomedicinais ainda se sabe pouco.

Estima-se que a diversidade de árvores na Amazônia varia entre 40 a 300 espécies diferentes por hectare.

Fonte: www.portalamazonia.com.br

Biodiversidade Amazônica

A grande bacia hidrográfica do rio Amazonas configura-se como a maior do mundo, tendo uma área de 6.925.674 km2 e sendo responsável pela descarga de 133.861 m3. s-1 no Oceano Atlântico (68% do total vertido pelos rios do país), considerando apenas as contribuições brasileiras.

Dada a sua configuração de característica de formação geológica, a bacia Amazônica apresenta uma grande variedade de sistemas naturais, o que resulta em grande quantidade de oportunidades ecológicas. A conseqüência dessa heterogeneidade e grandiosidade territorial é uma incrível biodiversidade, considerada megadiversidade por pesquisadores do mundo inteiro.

Para se ter uma idéia dessa diversidade, a Amazônia concentra cerca de 80% das espécies de peixes conhecidas para toda a Região Neotropical. Há registro de que a Amazônia possui 50% das espécies de aves do Brasil, 40% dos mamíferos e 30% dos anfíbios anuros (sapos, rãs e pererecas).

As algas microscópicas conhecidas no Acre somam 463 espécies, a vegetação mais de 4.000 espécies, os peixes mais de 270 espécies, os anfíbios 126 espécies, as aves 723 espécies, e os mamíferos cerca de 210 espécies. Ressalte-se que no Acre as coletas de organismos são numericamente incipientes, sendo concentradas apenas nas porções extremas do leste e do oeste do Estado, havendo enormes “buracos negros” no conhecimento sobre a sua biodiversidade.

O potencial de utilização da biodiversidade se estende desde o uso de plantas e animais para fins ornamentais, até o uso dos componentes genéticos e químicos nas áreas de biotecnologia e farmacêutica.

Algumas das principais indústrias de cosméticos do Brasil, por exemplo, utilizam essências vegetais da Amazônia como base para algumas linhas de produtos.

Nesse campo, até comunidades tradicionais têm utilizado tais essências para fabricar produtos artesanais, o que tem melhorado a qualidade de vida de muitos.

Além disso, é comum a descoberta de falsos cientistas e turistas pirateando plantas e animais com a finalidade de fornecer as grandes indústrias estrangeiras os elementos e conhecimentos tradicionais para o aproveitamento de materiais genuinamente brasileiros.

Apesar da grande diversidade e de sua importância a Amazônia está sendo empobrecida pelo avanço do desmatamento que inviabiliza a continuidade da existência de populações de diversas espécies, inclusive várias de interesse comercial, com é o caso da castanheira (Bertholetia excelsa).

Outra grande ameaça à biodiversidade, que também decorre do desmatamento (lançamento de carbono na atmosfera), é o conjunto de mudanças ambientais globais que alteram ciclos naturais e põem em risco muitas espécies naturais e à saúde do ser humano.

Conceito

De acordo com o conceito de BIODIVERSIDADE formalizado pela da Comissão de Ciência e Tecnologia do Congresso dos Estados Unidos da América (OTA - Office of Technology Assessment) em 1987 que assim se traduz: “Biodiversidade abrange a variedade e a variabilidade entre os organismos vivos e os complexos ecológicos nos quais eles ocorrem. Diversidade pode ser definida como o número de itens diferentes e sua freqüência relativa.

Por diversidade biológica, esses itens são organizados em muitos níveis, variando de ecossistemas completos a estruturas químicas que são a base molecular da hereditariedade. Assim, o termo engloba diferentes ecossistemas, espécies, genes e sua abundância relativa”.

Da conceituação acima é possível depreender que a biodiversidade não é somente o número de espécies como imagina a maioria das pessoas. É verdade que o número de espécies, em muitos casos, representa uma idéia vaga do que é a biodiversidade, mas, quando se trata desse assunto, devem ser incorporados na análise os fenômenos populacionais e os de comunidade. Tal fato torna a biodiversidade algo tão complexo quanto de difícil entendimento.

Os complexos sistemas naturais amazônicos requerem atenção especial, uma vez que o maior remanescente de floresta tropical chuvosa é a Amazônia. Cuidar da biodiversidade tem elevado custo, mas é necessário, uma vez que todos querem um ambiente limpo, belo, etc.

Em resumo, a biodiversidade significa basicamente a “variedade da vida”. Como se trata de um conceito abstrato, não existe um cálculo que possa dimensionar claramente a biodiversidade, muito embora seja possível calcular diversidade de espécies que se refere somente à quantificação das mesmas.

Do ponto de vista social e político o conceito de biodiversidade está relacionado à perda de ambientes naturais e seus componentes, dada à preocupação que permeia diversos segmentos da sociedade e de governos.

Origem da Biodiversidade

A vida provavelmente surgiu na Terra a partir da evolução de moléculas orgânicas auto-replicantes que foram sendo selecionadas ao longo da história do planeta.

Desde então, ao longo de cerca de 3,5 bilhões de anos, a natureza vem sendo moldada e vem moldando o seu próprio ambiente, resultando na criação e extinção de espécies. Para que tais mudanças tenham ocorrido, foi necessário que houvesse uma seleção de padrões ecologicamente vantajosos, os quais se fixaram nas populações e nas comunidades naturais.

A grande biodiversidade amazônica é fruto da existência de: heterogeneidade ambiental e variabilidade genética. As espécies atuais dependeram de uma série de mudanças ocorridas ao longo de muitos milhares de anos para que tenham se tornado o que são.

Na natureza, o processo de formação de novas espécies, a partir de ancestrais, adiciona novos representantes à lista de espécies, ou outros organismos. Porém, na natureza, as espécies são extintas naturalmente.

Infelizmente, as ações do ser humano têm acelerado o processo de extinção das espécies.

Novas espécies devem surgir quando uma parte da população da espécie vivente é isolada da outra parte, não havendo mais reprodução entre as mesmas, num processo chamado de especiação. Contrariamente, quando uma espécie não tem capacidade de garantir a sua permanência no ambiente ao longo de um tempo considerável, por cerca de mil anos, por exemplo, ela tende a ser extinta no local ou globalmente.

Charles Darwin, naturalista autor do livro “a origem das espécies”, descreveu a evidente especiação dos tendilhões no arquipélago de Galápagos, na Venezuela.

Grandes extinções ocorreram com os dinossauros, que claramente marcam uma fase da história da vida na Terra na qual os répteis gigantes dominaram as paisagens.

A complexidade da biodiversidade

A “teia da vida” que representa as espécies naturais organizadas é um emaranhado ordenado de relações que envolvem trabalho cooperado e/ou relações alimentares.

Quanto maior o número de espécies numa dada área, maior o número de interações e maior a complexidade. Deste modo, a biodiversidade é tão maior quanto maior for o número de espécies que habitam um dado sistema ou bioma.

Duas comunidades aquáticas hipotéticas, por exemplo, podem ter o mesmo número de espécies e apresentarem teias alimentares completamente distintas, inclusive com valor de complexidade distintos, o que mostra que somente o número de espécie não é suficiente para representar a biodiversidade.

As necessidades das espécies afetam a Biodiversidade

Cada espécie natural possui suas necessidades de alimentos, abrigo, reprodução, etc. Tais necessidades são satisfeitas na medida em que as mesmas usam recursos de outras espécies, causando uma interação.

Indivíduos de uma espécie predadora, por exemplo, se alimenta de indivíduos de uma espécie de presa, causando uma relação de benefício para o predador e prejuízo para a presa (predação).

A espécie presa pode ser herbívora e necessita se alimentar de uma espécie de planta. Deve-se notar com esse exemplo que toda vez que um organismo se alimenta na natureza, está estabelecendo uma interação biológica.

Quanto maior o generalismo na dieta das espécies, maior o número de interações e maior a complexidade da estrutura da comunidade.

Contrariamente, especialidade na dieta provoca uma diminuição da complexidade estrutural, uma vez que diminuem os caminhos de ligação desde a base (produção primária) até o topo (predação).

Utilização da Biodiversidade pelo ser humano

A espécie Homo sapiens é uma das que mais transformam o ambiente natural; cujas necessidades estão muito além da busca de alimento na natureza.

Esse fato é um dos mais preocupantes em relação à biodiversidade, pois a cada intervalo de uma ou duas décadas o consumo aumenta bastante.

Várias são as empresas que exploram os recursos de fármacos das florestas, principalmente os de origem vegetal.

Exemplo tal como a utilização de substâncias contidas em espécies da floresta brasileira é o da produção de artigos de perfumaria e cosméticos por duas empresas nacionais. Além de benefícios diretos na forma de extração de produtos comerciais, os ecossistemas realizam “serviços ambientais” tais como purificação do ar e da água, manutenção de temperatura ambiente estável, etc...

Relação entre Floresta e Recursos Hídricos

A bacia amazônica é coberta por grandes extensões de florestas densas. Na região, principalmente a partir da década de 1960, a fronteira agropecuária, com incentivo do Governo Federal, se expandiu para o Oeste do País. Tal expansão continua ocorrendo, uma vez que anualmente se observam ações de desmatamento para a conversão de florestas nativas em sistemas produtivos agrários.

O desmatamento raso é o método fundamental do modelo tradicional de desenvolvimento que tem sido utilizado e é a principal causa de distúrbios na natureza na região Amazônica, pois interfere em ciclos naturais, como os da água e do carbono. Tal método altera rapidamente as condições de retenção e circulação da água, o que resulta em problemas na disponibilidade hídrica. Por sua vez, a diminuição da disponibilidade hídrica causa problemas no funcionamento dos ecossistemas aquáticos, comprometendo sua “prestação de serviços ambientais” ao ser humano. Tal fato decorre principalmente da necessidade de haver um nível mínimo de qualidade e quantidade de água.

Para garantir a reposição dos estoques de água dos mananciais, especialmente os subterrâneos, deve-se favorecer maior poder de infiltração de água no solo, o que está muito relacionado com a cobertura vegetal. Segundo Mendes et al. (2004), coberturas vegetais densas, como é o caso das matas, viabilizam maior infiltração de água, o que aumenta o tempo de sua retenção no solo, e, conseqüentemente, proporcionam maior oferta e disponibilidade para o manancial.

Além disso, o sombreamento ocasionado pela vegetação arbórea reduz a evaporação da água e promove a manutenção de maior constância da umidade do ar e da temperatura.

Por outro lado, nos campos antrópicos e nos campos naturais, os quais têm semelhanças em termos e condições ambientais e estruturais, a maior exposição do solo aumenta a evaporação e o expõe ao maior impacto da chuva.

Dentre os problemas em recursos hídricos resultantes de ações de desmatamento, além da deterioração da qualidade e da diminuição da quantidade de água, provocam também impacto direto na estabilidade ecológica, alteração nos padrões de drenagem superficial e subterrânea, alteração da recarga natural dos aqüíferos, aumento da sedimentação de partículas, aumento dos riscos de inundações (impacto no controle natural de enchentes), prejuízos à pesca comercial, e diminuição da biodiversidade.

A supressão da cobertura florestal promove, além de maior evaporação da água do solo, aumento na quantidade de calor irradiado e de calor refletido, o que contribui de modo significativo para o aumento de variações térmicas na região.

Modelos de cenários de futuro para a Amazônia dão conta de que o desmatamento, associado às grandes mudanças ambientais globais, deve provocar elevação da temperatura com processos de savanização de extensas áreas na região, resultando na diminuição da umidade relativa do ar e do nível dos rios, ou seja, a diminuição da disponibilidade hídrica.

Tal fato deverá ser agravado, segundo os modelos preditivos, devido a uma redução de 20% no volume de chuva nos próximos 20 a 50 anos, para uma visão mais pessimista (MARENGO et. al., 2007).

Lisandro Juno Soares Vieira

Fontes de consulta

GASTON, K.J. Biodiversity: A biology of numbers and difference. Oxford: Blackwell Science, 1996. 396p.
WILSON , E. W. Biodiversity. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997. 660 p.
RICKLEFS, R.E./ SCHLUTER, D. Species diversity in ecological communities: historical and geographical perspectives. Chicago: University of Chicago, 1993. 416p.
BEGON, M.; TOWNSEND, C.R.; HARPER, J.L. Ecologia: de indivíduos a ecossistemas. Porto Alegre: Artmed, 2007. 740p.
PRIMACK, R.B.; RODRIGUES, E. Biologia da conservação. Londrina: E. Rodrigues, 2001. 328p.
VERISSIMO et al. Biodiversidade na Amazônia Brasileira. São Paulo: ISA, IPAM, GTA, ISPN, IMAZON, CI., 2001. 540 p.

Fonte: www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br

Biodiversidade Amazônica

RESUMO

A floresta da Amazônia brasileira é conhecida por abrigar uma imensa diversidade de espécies animais e vegetais. Cada vez mais as pressões ambientais sobre esse ecossistema têm aumentado, gerando impactos significativos causando efeitos regionais, nacionais e globais. Os impactos causados interferem diretamente na biodiversidade, ciclo hidrológico e no clima afetando negativamente os habitantes dessa região e de diversos outros locais. Este trabalho objetivou apresentar um quadro de referência sobre as causas, dimensões e implicações das mudanças climáticas na região amazônica, abordando de forma simplificada como essas mudanças podem afetar a biodiversidade local. Ressaltando também que os desafios e riscos relacionados ao desenvolvimento podem ser assumidos na medida em que se adote um manejo sustentável e possível implementação de um mecanismo que possa compensar os efeitos causados pelo desmatamento que, no Brasil, é de longe o maior emissor de gases causadores do efeito estufa.

INTRODUÇÃO

O termo "biodiversidade", ou "diversidade biológica", pode ser entendido como a variedade de organismos que vivem em uma determinada região em um determinado intervalo de tempo. Quanto maior o número de organismos presentes, mais biodiversa a região se torna. O cálculo da biodiversidade é feito através da quantidade de ecossistemas, espécies vivas, patrimônio genético e endemismo, ou seja, são as ocorrências biológicas exclusivas de uma região (MEGALE, 1999).

A origem da biodiversidade é explicada atualmente pela teoria dos refúgios do Pleistoceno, formulada pelo ornitólogo alemão Jürgen Haffer, na qual grupos de animais ficaram isolados em ilhas de vegetação e foram sofrendo um processo de especialização. À medida que as ilhas voltaram a se agrupar em uma única e imensa área verde, a base da diversidade florística e animal já estava formada (BORGES, 2004).

As atuais estatísticas sobre biodiversidade, tanto no Brasil como no mundo, são baseadas apenas nas espécies conhecidas até hoje. Cálculos da Universidade de Harvard feitos em 1987 estimavam a existência de algo em torno de cinco milhões de espécies de organismos vivos no planeta. Estudos mais recentes mostram que a biodiversidade global deve se estender a até 100 milhões de espécies. Novas espécies são descobertas todos os dias e outras desaparecem sem que se tome conhecimento de sua existência (CHAVES, 2007).

No Brasil, milhares de espécies ainda estão para serem descobertas, graças à variedade climática e de ecossistemas existentes. Na própria Amazônia, há uma diversidade enorme de ambientes, que vão das áreas de mata fechada aos cerrados. Calcula-se que hoje no Brasil a exploração da biodiversidade responda por cerca de 5% do PIB do país, 4% dos quais vêm da exploração florestal e 1% do setor pesqueiro. Uma pesquisa publicada pela revista Nature mostrou que o valor dos serviços proporcionados pela biodiversidade mundial poderia atingir até 33 trilhões de dólares por ano caso os recursos naturais fossem devidamente geridos (NAIME, 2010).

São vários os aspectos que precisam ser melhorados no que se refere à gestão dos recursos naturais no país. Pesquisas sobre o potencial farmacêutico de espécies de origem animal e vegetal da Amazônia praticamente não existem, é grande o contrabando de espécies na chamada biopirataria, existem sérios problemas com relação à inclusão de espécies exóticas, pois estas alteram o ambiente natural competindo com as espécies nativas e os problemas com o setor madeireiro e as queimadas alcançam níveis alarmantes (MEGALE, 1999).

Sabe-se que conservar a biodiversidade é também conservar o clima, pois as florestas são como uma máquina de absorção de calor e de reserva de carbono. De 15% a 20% da água liberada pelos rios de todo o mundo vêm do rio Amazonas. O desmatamento é o principal responsável pelo Brasil estar em quarto lugar mundial entre os maiores emissores de gases de efeito estufa, os causadores do aquecimento do planeta (RAMOS, 2008).

O Brasil já passa por mudanças climáticas, que incluem a elevação de temperatura. Projeções de cenários futuros mostram que o país experimentará impactos de forma diferenciada em cada região. Existem muitas especulações sobre o que irá acontecer aos biomas brasileiros se as mudanças climáticas continuarem a
acontecer com a mesma velocidade que ocorrem nos dias atuais, mas já se sabe que as regiões nordeste e norte, principalmente a Amazônia, são as mais vulneráveis e consequentemente as mais afetadas (MONZONI, 2008).

Com base nisso, o objetivo desse trabalho foi fazer uma breve discussão sobre as mudanças climáticas no planeta e de que forma essas alterações podem afetar a biodiversidade amazônica, neste levantamento bibliográfico serão apresentados resultados de estudos observacionais sobre as variações e tendências climáticas, assim como seus extremos. Serão discutidas as evidências de variabilidade natural do clima e efeitos atribuídos à ação humana, com a finalidade de explicar as tendências atuais utilizando-se de uma compilação de dados disponíveis e acessíveis, artigos, relatórios e anais de eventos que abordem o assunto em pauta para embasar a discussão.

UM POUCO MAIS SOBRE O ECOSSISTEMA AMAZÔNICO

A Amazônia é conhecida em todo mundo por possuir elevada diversidade biológica, sendo responsável por boa parte das riquezas naturais do país (MEGALE, 1999) (FIGURA 01). Cobre cerca de seis milhões de km², desse montante nada menos do que 60% estão em território brasileiro o que representa quase 14 vezes a superfície da França.

Este extenso território, coberto essencialmente de floresta tropical abrange cerca de 11.000 quilômetros de fronteira com os outros países amazônicos: Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, Suriname e as Guianas francesa e holandesa (VAL, 2000).

Biodiversidade Amazônica
FIGURA 01: Vista panorâmica da floresta tropical Amazônica

Aproximadamente um terço de todas as espécies vivas do planeta pertence ao ecossistema amazônico, onde estima-se que haja quinze vezes mais peixes que em todo o continente europeu (FIGURA 02). Por volta de 20% de toda a água doce disponível no mundo está concentrada na região norte brasileira (PORTUGAL, 2000). De acordo com os dados do Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (DNAEE), do Ministério das Minas e Energia, a bacia amazônica concentra 72% do potencial hídrico nacional (BORSOI & TORRES, 1997).

O ecossistema amazônico possui grande importância para a estabilidade ambiental do planeta. Nela estão fixadas mais de uma centena de trilhões de toneladas de carbono. Sua massa vegetal libera cerca de sete trilhões de toneladas de água anualmente para a atmosfera via evapotranspiração e seus rios descarregam cerca de 20% de toda a água doce despejada nos oceanos pelos rios existentes no globo terrestre (RICHTER, 2009).

Biodiversidade Amazônica

Biodiversidade Amazônica

Biodiversidade Amazônica

Biodiversidade Amazônica
FIGURA 02: Imagens da biodiversidade amazônica

Além da riqueza natural, a Amazônia abriga uma fantástica diversidade cultural. Lá vivem cerca de 170 povos indígenas, com uma população aproximada de 180 mil indivíduos, 357 comunidades remanescentes de antigos quilombos e milhares de comunidades de seringueiros, castanheiros, ribeirinhos, babaçueiras, entre outras (CAPOBIANCO, 2001).

Esse ecossistema é extremamente complexo, o que o torna sensível à interferência do homem, resultando na perda de inúmeras espécies antes mesmo de sua descoberta. A poluição, o uso excessivo dos recursos naturais, a expansão da fronteira agrícola em detrimento dos habitats naturais, a expansão urbana e industrial, tudo isso está levando muitas espécies vegetais e animais à extinção (JÚNIOR, 2006).

A cada ano, aproximadamente 17 milhões de hectares de floresta tropical são desmatados, a elevada demanda por papel e madeira, por exemplo, é uma ameaça constante às florestas. As estimativas sugerem que, se isso continuar, entre 5% e 10% das espécies que habitam as florestas tropicais poderão estar extintas dentro dos próximos 30 anos e aqui no Brasil o cenário não é muito diferente, já que o desmatamento das florestas, poluição dos recursos hídricos e exploração massiva dos animais e plantas para diversos fins acompanham as alarmantes taxas mundiais (SILVA, 2005) (FIGURA 03).

Biodiversidade Amazônica

Biodiversidade Amazônica
FIGURA 03: Problemas ambientais atribuídos a interferência humana:
Segundo um relatório feito pelo INPE em 207 700.000 km² de floresta foram derrubados.

OS EFEITOS DAS ATIVIDADES HUMANAS SOBRE O CLIMA

O impacto humano se transformou com o passar do tempo em função das mudanças no tamanho e na distribuição espacial das populações devido a estas responderem a vários estímulos do mercado e do governo. O que inclui atividades vinculadas a incentivos fiscais, especulação imobiliária, reforma agrária, crédito agrícola e financiamento de outras atividades e grandes projetos de infra-estrutura, tais como rodovias e barragens hidrelétricas (FEARNSIDE, 2003).

O meio ambiente pode afetar a população humana através de mudanças climáticas e pela degradação da capacidade produtiva dos sistemas, por exemplo, por degradação do solo, poluição da água, e perda de recursos bióticos tais como populações comercialmente valiosas de árvores e peixes. As atividades humanas têm uma larga gama de efeitos sobre o meio ambiente, e vice-versa (FEARNSIDE, 2003).

Eventos recentes como as secas na Amazônia, no Sul do Brasil, na Espanha e Austrália, os invernos intensos da Ásia e Europa, as ondas de calor da Europa 2003, o furacão Catarina no sul do Brasil em 2004 e os intensos furacões no Atlântico Norte durante 2005 são atribuídos ao aquecimento global, ainda que as evidências da relação entre eles sejam imprecisas. O que se sabe é que estes fenômenos têm afetado a população, com grandes perdas em vidas humanas e na economia, agricultura, saúde e com impactos graves nos ecossistemas (MARENGO, 2007).

Os principais causadores do aquecimento global no Brasil são o desmatamento, fogo e a agricultura, é possível observar que, no período de 1951-2002, as temperaturas mínimas cresceram em todo o país, apresentando um aumento expressivo de até 1,4°C por década (MARENGO, 2007). O Brasil é extremamente vulnerável às mudanças climáticas atuais e, mais ainda, às que se projetam para o futuro, especialmente quanto aos extremos climáticos. Estudos mostram que, no Brasil, a temperatura média aumentou aproximadamente 0,75°C até o final do século 20.

As atividades antrópicas ocorridas principalmente nos últimos 25 anos causaram grandes problemas ambientais na região amazônica e são focos de grandes discussões internacionais. Os problemas mais sérios estão relacionados com as altas taxas de desmatamento; a contaminação dos cursos d’água por mercúrio, devido à ocorrência de garimpos e outros metais pesados; às queimadas; à perda da biodiversidade; e de manter um manejo sustentável dos recursos naturais renováveis (CÁUPER, 2006).

Shubart citado por Cáuper (2006), afirma que a substituição ou a simples destruição da cobertura vegetal da região amazônica pode provocar alterações significativas no clima do planeta, prevendo-se, dentre outras conseqüências:

Alterações no ciclo hidrológico amazônico, como a permanência das águas na bacia, podem interferir na estrutura física do solo impedindo que os reservatórios subterrâneos sejam abastecidos.
A redução do período de permanência das águas pode causar inundações no período chuvoso, enquanto que a diminuição dos reservatórios subterrâneos pode reduzir a vazão dos rios nos períodos secos.
Com a remoção da floresta, ocorre a diminuição da água disponível para a evapotranspiração, aumentando o estresse das plantas cultivadas e reduzindo a produtividade e perda de precipitação.
A chuva ao cair sobre a floresta é interceptada pelas folhas, galhos e troncos, e grande parte dessa água evapora e retorna a atmosfera sem atingir o solo. Sem a proteção das florestas haverá um aumento do escorrimento superficial, implicando num aumento significativo da erosão, levando ao assoreamento dos canais e rios e mudando a qualidade da água e da vida aquática.
No caso de haver substituição da floresta por pastagens ou culturas anuais de grande extensão, é possível que o clima sofra uma modificação no sentido de ter um período seco prolongado, com um déficit de água no solo e maiores oscilações da temperatura.
Uma redução da precipitação, em torno de 10 a 20% pode ser suficiente para causar profundas modificações no atual ecossistema.

A exploração madeireira é uma atividade econômica sempre crescente na Amazônia brasileira e altamente impactante. É esperado que a taxa de exploração madeireira na Amazônia brasileira aumente em médio prazo, por causa do tamanho considerável do recurso madeireiro quando comparado com outras florestas e porque terão sido consumidas as florestas asiáticas que estão sendo usadas primeiro por causa da qualidade superior da madeira delas (MMA, 1996).

Incêndios florestais são grandes emissores de gases do efeito estufa.

Segundo BARBOSA & FEARNSIDE (1999), no “Grande Incêndio de Roraima” durante o evento El Niño de 1997-1998, queimaram cerca de 11.394-13.928 km² de florestas primárias. O total de carbono equivalente a CO emitido por combustão, quando considerado o potencial de aquecimento global de cada gás em um horizonte de tempo de 100 anos (SCHIMEL, 1996), foi de 17,9-18,3 x 106 t, das quais 67% eram de florestas primárias impactadas pelo fogo, ou 12,0-12,3 × 106 t de C equivalente a CO (BARBOSA & FEARNSIDE, 1999).

A poluição do ar pela queima de biomassa é um problema regular durante a estação seca (WATSON et al., 1991). Níveis de poluentes, tais como monóxido de carbono, alcançam níveis ainda mais altos do que ocorre nos piores dias nas grandes cidades, tais como São Paulo e Rio de Janeiro. Problemas respiratórios e outros problemas de saúde são comuns no arco de desmatamento na Amazônia.

Aeroportos freqüentemente estão fechados devido à fumaça (FEARNSIDE, 2003).

O desmatamento é a atividade humana que afeta diretamente as maiores áreas na parte florestada da Amazônia brasileira. Dados do satélite LANDSAT, interpretados no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), indicam que a área desflorestada até 2000 totalizou 583,3 x 103 km², incluindo aproximadamente 100 x 103 km² de desmatamento “antigo” (pré- 1970) no Pará e Maranhão (FIGURA 04).

Biodiversidade Amazônica

Biodiversidade Amazônica
FIGURA 04:
A) Área acumulada de desmatamento na Amazônia Legal brasileira, a partir de imagens LANDSAT interpretadas pelo INPE. Área para 1978 é ajustada. A parte cheia das barras representa desmatamento “antigo” (pré-1970). B) Taxa anual de desmatamento. Barras para anos sem imagens interpretadas (1979-1987; 1993) representam médias ao longo desses intervalos.

A área desmatada é maior que a França. Já que a área originalmente florestada na Amazônia brasileira era do tamanho da Europa Ocidental, a “França” já desmatada dentro dessa “Europa” ilustra a sua dimensão relativa. Pelo menos 80% das áreas desmatadas estão agora sob pastagens ou sob floresta secundária em pastagens que já foram degradadas e abandonadas (FEARNSIDE, 2003).

A construção de barragens hidrelétricas é uma das atividades mais controversas que afeta o rumo do desenvolvimento na Amazônia brasileira.

A lista completa de 79 barragens planejadas na região, independente da data prevista de construção, inundaria aproximadamente 3% da floresta da Amazônia brasileira (ELETROBRÁS, 1987: FEARNSIDE, 1995). Decisões sobre projetos hidrelétricos futuros provocam cadeias de eventos com impactos com alcance muito além da vizinhança imediata das barragens e reservatórios (FEARNSIDE, 2003).

De acordo com FEARNSIDE 2003, as emissões de Balbina excedem o que teria sido emitido gerando a mesma quantidade de energia a partir de combustíveis fósseis, Tucuruí emite uma quantidade grande de gases do efeito estufa, embora seja menor que combustíveis fósseis. Em 1990 Tucuruí emitiu uma quantidade estimada em 7-10 x 106t de C equivalente ao C de CO , ou mais que a cidade de São Paulo (FEARNSIDE, 2003).

De acordo com o último relatório do Painel Intergovernamental de Mudança do Clima (IPCC, 2010), a fonte primária do aumento da concentração atmosférica de CO2 é o uso de combustíveis fósseis, com a mudança do uso da terra sendo responsável por outra contribuição significativa, porém menor. Emissões de CO2 associadas à mudança do uso da terra foram estimadas em 1,6 gigatoneladas de carbono (GtC) ou 5,9 gigatoneladas de dióxido de carbono (GtCO2) por ano durante a década de 90. Estas estimativas possuem uma alta incerteza associada, uma vez que os valores das emissões, para a década de 90, encontrados na literatura variam de 0,5 a 2,7 GtC.

Haverá muitas mudanças no clima nas próximas décadas que terão impactos na dinâmica do ecossistema amazônico. É esperado que o efeito estufa resulte em um aumento de temperatura de 1,6 °C na região. Diminuições de precipitação em algumas regiões e aumento de chuva em outros também estão previstos, embora menos certo do que as mudanças nos valores médios de temperatura, a variância destes parâmetros pode aumentar também devido a eventos extremos mais freqüentes, tais como El Niño, aumentando o risco de acontecer grandes incêndios e também a diminuição da vazão no rio Amazonas, especialmente durante o período de estiagem. Estas mudanças acrescentariam dificuldade à agricultura na várzea, além dos seus efeitos sobre transporte fluvial, pesca e erosão dos leitos dos rios.

OS EFEITOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS SOBRE A BIODIVERSIDADE

A floresta amazônica, como qualquer outra floresta, vive em equilíbrio com o seu meio. A vegetação encontra-se em equilíbrio ecológico, isto é, com as condições vigentes em seu meio. Ela está continuamente retirando elementos e também está devolvendo material. Alterando o equilíbrio da floresta as conseqüências certamente serão desastrosas, pois quando a floresta é derrubada ou destruída ela não volta a sua forma primitiva (SIOLI, 1983).

As mudanças climáticas já estão afetando a floresta amazônica, em especial o regime de chuvas da região e, como conseqüência, o número de queimadas que ocorrem na região.

O círculo é vicioso: as emissões de gases de efeito estufa (GEE) aumentam a quantidade destes gases na atmosfera e, por conseqüência, o aquecimento global, que, por sua vez, altera o clima na região Amazônica, favorecendo climas mais secos, novas queimadas e mais emissão de GEE (OTCA, 2007).

O IPCC projeta que, até meados do século, os aumentos de temperatura e as correspondentes reduções da água no solo acarretem uma substituição gradual da floresta tropical por savana no leste da Amazônia. Há um risco de perda significativa de biodiversidade por causa da extinção de espécies em muitas áreas da América Latina tropical. Todas estas afirmações são apresentadas no relatório com um alto nível de confiança (chance de cerca de oito em 10).

As alterações no clima afetam diretamente o ciclo de chuvas e ventos causando intensas oscilações na temperatura, sabe-se que a temperatura é um fator importantíssimo para o crescimento, desenvolvimento e reprodução de um infinito número de espécies, por tanto essas mudanças de regimes acarretam um vasto conjunto de efeitos biológicos que por sua vez afetam também o clima, alguns dos quais acabam, de forma circular, contribuindo com mudanças ambientais regionais que intensificam os efeitos das mudanças climáticas tanto em nível regional como global.

Por exemplo, o aquecimento do ambiente aquático resulta na migração de algumas espécies de peixes para ambientes mais frios, como o que ocorre com as populações de algumas espécies de plantas que se movimentam para altitudes maiores. Como diversas espécies de peixes de ambientes tropicais são importantes dispersoras de sementes, a manutenção da floresta nos ambientes afetados é comprometida, o que resulta na diminuição das populações de árvores e peixes (VAL & VAL, 2008).

Uma abordagem ampla sobre as mudanças climáticas globais e sua implicação na biodiversidade na Amazônia foi feita por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) apresentando que uma das conseqüências de tais mudanças é o aumento da incidência de radiação ultravioleta na superfície de ambientes aquáticos que, subseqüentemente, tem um efeito dramático sobre as populações de peixes. E assim os efeitos das mudanças climáticas se potenciam no nível regional, com conseqüências globais imprevisíveis.

É importante se ter em conta que a velocidade com que essas mudanças estão ocorrendo é superior a todas as que ocorreram nos últimos dez mil anos. As estimativas mais recentes indicam que, mantidas as taxas atuais de desmatamento, entre dois e oito por cento das espécies desaparecerão nos próximos 25 anos e pelos menos 30% de toda a diversidade biológica existente no planeta sofrerão algum tipo de efeito das mudanças climáticas (VAL & VAL, 2008).

De acordo com VAL & VAL (2008) a cada expedição científica são descritas novas espécies em todos os níveis da escala filogenética, mas delas não se conhece a biologia e a capacidade adaptativa em face de mudanças ambientais. Os efeitos das mudanças climáticas podem ser opostos, dependendo da biologia, da capacidade adaptativa e da distribuição e ocorrência das espécies nos diferentes ecossistemas. Supostamente, espécies com hábitos restritos e ocorrendo em populações pequenas são mais vulneráveis do que espécies que apresentam maior plasticidade adaptativa e se distribuem de forma contínua por regiões mais amplas.

Por isso, a fragmentação de ecossistemas na Amazônia poderá ampliar os efeitos das mudanças climáticas na região De acordo com MARENGO (2007), e assim como o verificado nas previsões mundiais, o Brasil e sua população tendem a sofrer diferentes conseqüências das mudanças climáticas de acordo com a região e projeção do clima futuro. Com base nas análises dos modelos do IPCC AR4 e do relatório de Clima do INPE foram estimados dois cenários de altas (A2) e baixas (B2) emissões, assim como seus impactos em nível regional.

O cenário A2, para região Norte (inclusive Amazônia), mostra que temperatura pode se elevar de 4 a 8°C, com redução de 15% a 20% do volume de chuvas, atrasos na estação chuvosa e possíveis aumentos na freqüência de extremos de chuva no oeste da Amazônia. O cenário B2, para mesma região, apresenta temperatura de 3 a 5°C mais quente, com redução de 5% a 15% nas chuvas. O impacto não é muito diferente daquele previsto pelo cenário A2. Os impactos na biodiversidade são significantes apresentando alto risco da floresta ser substituída por outro tipo de vegetação (tipo cerrado).

O VALOR DA BIODIVERSIDADE AMAZÔNICA PARA O PLANETA

A floresta amazônica tem um papel fundamental na ciclagem d'água na região, a metade da chuva sendo atribuída à água reciclada através das árvores. A transformação de áreas grandes de floresta tropical em pastagens poderia ter efeitos importantes em ciclagem de água e precipitação na região. Considerando que a evapotranspiração é proporcional à área foliar, a quantidade de água reciclada pela floresta é muito maior que a quantidade reciclada pela pastagem, especialmente na estação seca quando a pastagem fica seca enquanto a floresta permanece verde.

Isto é agravado pelo maior escoamento sob pastagem (FEARNSIDE, 2003).

Se áreas desmatadas se expandem, a evapotranspiração reduzida conduziria à chuva reduzida durante períodos secos na Amazônia. Essas diminuições seriam aproximadamente constantes em termos absolutos ao longo do ano, mas em termos porcentuais eles aumentariam substancialmente durante a estação seca. Embora o total de chuva anual diminuísse em apenas 7% pela conversão da floresta em pastagem, no mês de agosto a chuva média diminuiria de 2,2 mm/dia com floresta para 1,5 mm/dia com pastagem, o que implica em uma diminuição de 32% (LEAN et al., 1996).

Com conversão de floresta amazônica em pastagens, a chuva também seria reduzida nas regiões Centro-Oeste, Centro-Sul e Sul do Brasil (EAGLESON, 1986; SALATI & VOSE, 1984). O fato que aproximadamente 50% da chuva que cai na Bacia sai pelo rio Amazonas implica que os outros 50% seriam reciclados, presumindo que o vapor d'água ficaria dentro da Bacia. Na realidade, um pouco do vapor d'água escapa para o Pacífico, passando por cima do Andes, especialmente no canto noroeste da Bacia na Colômbia. O papel do vapor d'água amazônico no suprimento de chuva para esta região deveria ressaltar a importância da conservação da floresta amazônica.

Por outro lado, a capacidade de geração hidrelétrica é particularmente dependente da chuva no verão austral (dezembro) que corresponde à estação chuvosa na parte sudoeste da Amazônia quando a diferença entre o comportamento hidrológico de áreas florestadas e desmatadas é menor. Aproximadamente 70% da chuva no Estado de São Paulo durante este período vem de vapor d'água amazônico, de acordo com estimativas preliminares por Pedro Silva Dias, da Universidade de São Paulo (FEARNSIDE, 2003).

Mais importante é o transporte de água para o as regiões sul e sul-central do Brasil, para o Paraguai, Uruguai e Argentina, além de cruzar o oceano Atlântico, para a parte sul da África. Este transporte de água para outras bacias, especialmente a bacia do rio de la Plata, dá ao desmatamento amazônico um impacto que tem sido pouco apreciado ao nível da geopolítica (FEARNSIDE, 2003).

A importância da chuva para a agricultura implica em um valor monetário substancial para o país em manter um nível de precipitação adequada e estável nas principais zonas agrícolas brasileiras na região Centro-Sul. A “crise” energética nas partes não amazônicas do Brasil em 2001 tem aumentado o entendimento publico da importância da chuva, já que grande parte da geração de energia elétrica é por hidrelétricas. Infelizmente, pouco entendimento tem resultado desta “crise” sobre a importância da manutenção da floresta amazônica para manter a capacidade geradora do País no futuro (MONZONI, 2008).

A manutenção da ciclagem de água é fortemente do interesse nacional brasileiro, mas, diferente de manter a biodiversidade e evitar o efeito estufa, não impacta diretamente os países da Europa, America do Norte e Ásia. Portanto, não tem o mesmo potencial para gerar fluxos monetários internacionais. No entanto, pela lógica, a importância da água amazônica para o Brasil deveria, no mínimo, contribuir para motivar o governo a aceitar fluxos monetários internacionais para manter floresta amazônica com base nos outros serviços ambientais, sobretudo, os ligados ao efeito estufa (SUGUIO, 2008).

Quando se fala em conservação do meio ambiente, muitas vezes se entende erroneamente como sinônimo de preservação intocável e se identifica o desenvolvimento do país como uma produção destrutiva. Mas a verdade é que se unidades de conservação apoiadas por programas de uso e desenvolvimento sustentável que objetivassem a adoção de novas estratégias de manejo para sustentar a população da região ao invés de destruir a floresta e suas espécies animais fossem implantadas, pontos positivos seriam obtidos, pois somente a redução do desmatamento reduziria em quantidade significativa a quantidade de gases estufas lançados na atmosfera. É preciso valorizar programas que tenham objetivos como estes, pois são importantes para a conservação da floresta amazônica e, conseqüentemente, para a manutenção da biodiversidade e do clima do planeta.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Muito se discute atualmente sobre as mudanças climáticas globais, despertando uma profunda reflexão sobre a necessidade de manutenção de condições ambientais adequadas que possibilitem ao ser humano e aos demais seres vivos se estabelecerem no planeta. Na verdade, as mudanças no clima são apenas parte das transformações que ocorrem no planeta Terra, que infelizmente estão sendo aceleradas pelo homem.

Sabe-se que o aquecimento global é causado pelo efeito estufa como conseqüência das atividades antrópicas poluidoras, como o lançamento anual de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera em decorrência da queima de 20 bilhões de toneladas de combustíveis fósseis, sete bilhões causados pelo desmatamento e dois bilhões de toneladas pela respiração de seis bilhões de habitantes. Presume-se que o teor deste gás, que hoje chega a cerca de 0,035%, possa dobrar e atingir 0,06%.

O aumento da concentração de CO2 na atmosfera interfere diretamente no clima causando uma elevação da média da temperatura global em 2°C (SUGUIO, 2008).

Se essas previsões se confirmarem muitos eventos catastróficos podem ocorrer ao redor do planeta causando mudanças nas correntes oceânicas, direção dos ventos, alteração no ciclo de chuvas e também derretimento de geleiras e elevação do nível do mar. A vida na terra será afetada de maneira irreversível.

Para evitar que isso aconteça é necessário que haja uma maior interação entre os
principais atores desse processo:
os seres humanos e a natureza.

Deve-se analisar em escala mundial e implementar medidas efetivas em escala regional, principalmente no que tange ao ambiente amazônico, pois de acordo com previsões alarmantes há possibilidade de que 60% da Amazônia venham a converter-se em savana por intensificação da anomalia climática “El Niño” em função do aquecimento global o que causaria a extinção de grande parte da biodiversidade dessa região. Somente com um esforço conjunto será possível impedir que as mudanças climáticas avancem mais.

Marilu Teixeira Amaral

Rúbia Camila dos Santos Vale

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Fonte: www.conhecer.org.br

Biodiversidade Amazônica

Em nenhum lugar do mundo existem mais espécies de animais e de plantas do que na Amazônia, tanto em termos de espécies habitando a região como um todo (diversidade gama), como coexistindo em um mesmo ponto (diversidade alfa). Entretanto, apesar da Amazônia ser a região de maior biodiversidade do planeta, apenas uma fração dessa biodiversidade é conhecida. Portanto, além da necessidade de mais inventários biológicos, um considerável esforço de amostragem também é necessário para se identificar os padrões e os processos ecológicos e biogeográficos.

A riqueza da flora compreende aproximadamente 30.000 espécies, cerca de 10% das plantas de todo o planeta. São cerca de 5.000 espécies de árvores (maiores que 15cm de diâmetro), enquanto na América do Norte existem cerca de 650 espécies de árvores. A diversidade de árvores varia entre 40 e 300 espécies diferentes por hectare, enquanto na América do Norte varia entre 4 a 25

Os artrópodos (insetos, aranhas, escorpiões, lacraias e centopéias, etc.) constituem a maior parte das espécies de animais existentes no planeta. Na Amazônia, estes animais diversificaram-se de forma explosiva, sendo a copa de árvores das florestas tropicais o centro da sua maior diversificação. Apesar de dominar a Floresta Amazônica em termos de número de espécies, número de indivíduos e biomassa animal, e da sua importância para o bom funcionamento dos ecossistemas, estima-se que mais de 70% das espécies amazônicas ainda não possuem nomes científicos e, considerando o ritmo atual de trabalhos de levantamento e taxonomia, tal situação permanecerá por muito tempo.

Atualmente são conhecidas 7.500 espécies de borboletas no mundo, sendo 1.800 na Amazônia. Para as formigas, que contribuem com quase um terço da biomassa animal das copas de árvores na Floresta Amazônica, a estimativa é de mais de 3.000 espécies. Com relação às abelhas, há no mundo mais de 30.000 espécies descritas sendo de 2.500 a 3.000 na Amazônia.

O número de espécies de peixes na América do Sul ainda é desconhecido, sendo sua maior diversidade centralizada na Amazônia. Estima-se que o número de espécies de peixes para toda a bacia seja maior que 1300, quantidade superior a que é encontrada nas demais bacias do mundo. O estado atual de conhecimento da ictiofauna da América do Sul se equipara ao dos Estados Unidos e Canadá de um século atrás e pelo menos 40% das espécies ainda não foram descritas, o que elevaria o número de espécies de peixes para além de 1.800. Apenas no rio Negro já foram registradas 450 espécies. Em toda a Europa, as espécies de água doce não passam de 200.

Um total de 163 registros de espécies de anfíbios foi encontrado para a Amazônia brasileira. Esta cifra eqüivale a aproximadamente 4% das 4.000 espécies que se pressupõe existir no mundo e 27% das 600 estimadas para o Brasil. A riqueza de espécies de anfíbios é altamente subestimada. A grande maioria dos estudos concentra-se em regiões ao longo das margens dos principais afluentes do rio Amazonas ou em localidades mais bem servidas pela malha rodoviária. Foram encontradas 29 localidades inventariadas para anfíbios na Amazônia brasileira. Deste total, apenas 13 apresentaram mais de 2 meses de duração. Isso significa que a Amazônia é um grande vazio em termos do conhecimento sobre os anfíbios e muito ainda há que ser feito.

O número total de espécies de répteis no mundo é estimado em 6.000, sendo próximo de 240 espécies o número de espécies identificadas para a Amazônia brasileira, muitas das quais restritas à Amazônia ou a parte dela. Mais da metade dessas espécies são de cobras, e o segundo maior grupo é o dos lagartos.

Embora já se tenha uma visão geral das espécies que compõem a fauna de répteis da Amazônia, certamente ainda existem espécies não descritas pela ciência.

Além disso, o nível de informação em termos da distribuição das espécies, informações sobre o ambiente onde vivem, aspectos de reprodução e outros ligados à biologia do animal, assim como sobre a relação filogenética (de parentesco) entre as espécies é ainda baixo.

As aves constituem um dos grupos mais bem estudados entre os vertebrados, com número de espécies estimado em 9.700 no mundo. Na Amazônia, há mais de 1000 espécies, das quais 283 possuem distribuição restrita ou são muito raras. A Amazônia é a terra dos grandes Cracidae (mutuns), Tinamidae (inhambus), Psittacidae (araras, papagaios, periquitos), Ramphastidae (tucanos e araçaris) e muitos Passeriformes como por exemplo, os Formicariidae, Pipridae e Cotingidae.

O número total de mamíferos existentes no mundo é estimado em 4.650. Na Amazônia, são registradas atualmente 311 espécies. Os quirópteros e os roedores são os grupos com maior número de espécies. Mesmo sendo o grupo de mamíferos mais bem conhecido da Amazônia, nos últimos anos várias espécies de primatas tem sido descobertas, inclusive o sagüi-anão-da-coroa-preta, e o sauim-de-cara-branca, Callithrix saterei.

Ameaças à Biodiversidade da Amazônia

Em nenhum lugar do mundo são derrubadas tantas árvores quanto na Amazônia. Um levantamento da organização não governamental WWF, com base em dados da ONU, mostra que a média de desmatamento na Amazônia brasileira é a maior do mundo, sendo 30% mais intensa que na Indonésia, a segunda colocada no ranking da devastação ambiental.

Na Amazônia a eliminação de florestas cresceu exponencialmente durante as décadas de 70 e 80 e continua em taxas alarmantes. A mudança no uso do solo tem mostrado afetar a hidrologia regional, o ciclo global do carbono, as taxas de evapotranspiração, a perda de biodiversidade, a probabilidade de fogo e uma possível redução regional na quantidade de chuvas.

As ameaças de degradação avançam em ritmo acelerado. Os dados oficiais, elaborados pelo INPE, sobre o desmatamento na região mostram que ele é extremamente alto e esta crescendo. Já foram eliminados cerca de 570 mil quilômetros de florestas na região uma área equivalente à superfície da França, e a média anual dos últimos sete anos é da ordem de 17,6 mil quilômetros quadrados. Entretanto, a situação pode ser ainda mais grave. Os levantamentos oficiais identificam apenas áreas onde a floresta foi completamente retirada, por meio de práticas conhecidas por corte raso. As degradações provocadas por atividades madeireiras e queimadas não são contabilizadas.

O grande desafio atual é buscar o máximo de conhecimento sobre os ecossistemas característicos da Amazônia e apresentar sugestões de como esse conhecimento pode ser utilizado para o desenvolvimento sustentável.

Fonte: marte.museu-goeldi.br

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