Antônio Dias
Antônio Dias

Antônio Dias

1944

Antonio Manuel Lima Dias (Campina Grande PB 1944). Pintor, desenhista, artista intermídia, gravador. Aprende as técnicas elementares do desenho com o avô. Em 1959, no Rio de Janeiro, começa a trabalhar como desenhista de arquitetura e gráfico.

Estuda sob a orientação de Oswaldo Goeldi no Atelier Livre de Gravura da Escola Nacional de Belas Artes e ilustra capas de livros. Em 1964 sua exposição individual, na Galeria Relevo, é apresentada pelo crítico francês Pierre Restany.

No ano seguinte é premiado na Bienal de Paris e participa da mostra Opinião 65. Recebe bolsa do governo francês e reside até 1968 em Paris, transferindo-se para Milão, onde mantém ateliê. Em 1971, edita o disco Record: The Space Between e inicia uma série de filmes em super-8 intitulada The Illustration of Art. Em 1972 recebe bolsa da Simon Guggenheim Foundation para trabalhar em Nova York. Viaja para Índia e Nepal, onde estuda as técnicas de produção artesanal de papel e de coloração vegetal em 1977.

Publica em Katmanduo o álbum Tramas, de xilografias. Em 1978 retorna ao Brasil e é professor da Universidade Federal da Paraíba, onde cria o Núcleo de Arte Contemporânea.

Em 1988 reside em Berlim como bolsista do Daad (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico). Em 1992 torna-se professor da Sommerakademie für Bildende Kunst, em Salzburgo, Áustria, e no ano seguinte da Staatliche Akademie der Bildenden Künste, em Karlsruhe, Alemanha.

Fonte: www.itaucultural.org.br

Antônio Dias

1944

1944 Nasce em Campina Grande , Paraíba.

1957-63 Muda-se para o Rio de Janeiro e estuda gravura com Oswaldo Goeldi, no Atelier Livre de Gravura da Escola Nacional de Belas Artes.

1965 Participa de Opinião 65, no MAM, Rio de Janeiro. Primeira exposição individual na Europa, Galeria Houston-Brown, Paris. Participa da IV Bienal de Paris, onde ganha o prêmio de pintura. Prêmio Jovem Desenho Brasileiro, do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.

1966-68 Vive em Paris. Em 1968, muda-se para Milão. Participa de Dialogue Between the East and the West, no Museu Nacional de Arte Moderna, Tóquio. Seus trabalhos são adquiridos pelo MoMA, New York.

1971 Participa da 6th International Exhibition, no Guggenheim Museum, New York.

1972 Recebe bolsa da J. Simon Guggenheim Foundation, New York, e o prêmio da International Exhibition of Original Drawing, em Rijeka .

1977 Viaja para Índia e Nepal, onde estuda as técnicas de produção artesanal de papel e produz o álbum Trama.

1980 Participa da 39° Biennale di Venezia, e da XVI Bienal de São Paulo.

1984 Individual na Städtische Galerie im Lenbachhaus, Munique. É convidado para An International Survey of Recent Painting and Sculpture, no MoMA, New York .

1985 Faz individual no Taipei Fine Arts Museum, Taiwan; e participa de A Generation of Italian Art, Finlândia.

1986 Participa da Prospect 86, na Kunstverein, Frankfurt .

1988 É bolsista do DAAD, Berlim. A Staatliche Kunsthalle, Berlim, apresenta seus trabalhos em papel.

1989 Muda-se para Colônia.

1990 Participa de Gegenwart/Ewigkeit, no Martin-Gropius-Bau, Berlim.

1992 Participa da Bilderweit Brasilien, na Kunsthaus, Zurique; e da Latin American Artists in the Twentieth Century, no Ludwig Museum, Colônia, e no MoMA, New York.

1994 Individual na Fundação Ursula Blickle, Kraichtal. O Institut Mathildenhöhe, Darmstadt, realiza uma grande exposição individual do artista. Participa da XXII Bienal de São Paulo.

1996 Suas obras complementam a exposição New Acquisitions, do Ludwig Museum, Colônia.
1997 Participa de Re-Aligning Vision: Alternative Currents in South American Drawing, no Museo del Barrio, New York .

1998 Participa da XXIV Bienal Internacional de São Paulo; e das exposições The Costantini Collection, no MAM, Rio de Janeiro; Poéticas da Cor, no Centro Cultural Light, Rio de Janeiro; e Moderno e Contemporâneo na Arte Brasileira, no MAM, São Paulo.

1999 A mostra individual Antologia 1965-1999 é apresentada na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa. Participa de Global Conceptualism: Points of Origin, 1950s-1980s, no Queens Museum of Art, New York, e no Walker Art Center, Mineápolis; e da exposição Das Vanguardas ao Fim do Milênio, no Culturgest, Lisboa.

2000 Expõe no MIT List Visual Arts Center, Massachusetts; e no Miami Art Museum , Miami . O MAC, de Niterói, apresenta Antonio Dias na Coleção João Sattamini. Participa de Heterotopías: Medio Siglo Sin Lugar, 1918-1968, no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madri. Participa das exposições Spanning An Entire Ocean, no Culturgest, Lisboa; da Mostra do Redescobrimento, São Paulo; de Icon+Grid+Void: Art of the Americas from The Chase Manhattan Collection, na Americas Society Art Gallery, New York; e Arte Conceitual e Conceitualismos: Anos 70, no Museu de Arte Contemporânea/USP, São Paulo. A exposição Antonio Dias: O País Inventado, uma seleção de trabalhos dos últimos 30 anos de carreira do artista, é apresentada no MAM, Bahia, e na Casa Andrade Muricy, Curitiba.

2001 Esta exposição segue para o MAM de São Paulo e do Rio de Janeiro, Museu Vale do Rio Doce, de Vila Velha, ECCO, de Brasília, e para o Museu de Arte Contemporânea de Fortaleza. Participa de Experiências / Experiences, no Museum of Modern Art, Oxford.

2002 A itinerância de Antonio Dias: O País Inventado é concluída no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, Recife. Apresenta a individual Múltiplos, na galeria Mercedes Viegas Arte Contemporânea, Rio de Janeiro; e participa das coletivas Antonio Dias, Nelson Felix, na Celma Albuquerque Galeria de Arte, Belo Horizonte; Lucio Fontana – A Ótica do Invisível, no CCBB do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília; Identidades, no MAM, Rio de Janeiro; Paralela – A Contemporary Show Parallel to the XXV Bienal, São Paulo; Atelier Finep, no Paço Imperial, Rio de Janeiro; e Paralelos, no MAM, Rio de Janeiro.

2003 Integra as exposições Aproximações do Espírito Pop 1963-1968, no MAM, São Paulo; e Fronteras-Limites - Bordes/Grenzen, na Universidad Arcis/daad, Santiago do Chile.

2004 Participa de Beyond Geometry: Experiments in Form 1940s – 70s, no Los Angeles County Museum of Art, Los Angeles; de Inverted Utopias: Avant-Garde Art in Latin América, no Museum of Fine Art of Houston, Houston; de Arte Contemporânea Brasileira nas Coleções do Rio, no MAM, Rio de Janeiro; de MoMA at El Museo: Latin American and Caribbean Art from the Collection of The Museum of Modern Art, no Museo del Barrio, New York; e faz as individuais Antonio Dias, na Galeria Silvia Cintra, Rio de Janeiro; e Antonio Dias 2 + 2, na Galeria Artur Fidalgo, Rio de Janeiro.

2005 Realiza exposição individual na Galeria Luisa Strina; participa das coletivas Arte em Metròpolis, no Instituto Tomie Ohtake, Sao Paulo; Artecontemporanea, na galeria Mercedes Viegas Arte Contemporanea, Rio de Janeiro; O Corpo na Arte Contemporânea, no Itaù Cultural, Sao Paulo; e Mùltiplos, na Galeria Arte 21, Rio de Janeiro.

2006 Seus trabalhos compoem as seguintes exposiçoes coletivas: Dor, Forma e Beleza, na Estaçao Pinacoteca, Sao Paulo; Entre a Palavra e a Imagem, no ECCO - Espaço Cultural Contemporaneo, Brasìlia; Sites of Sculpture in Modern Brazil, no Henry Moore Institute, Leeds - UK; e a exposiçao Tropicàlia: A Revolution in Brazilian Culture é apresentada no Barbican Center, em Londres.

Fonte: www.antoniodias.com

Antônio Dias

1944

«Hoje, trabalho de vez em quando. Não me interessa o ato de pintar em si. Pintar me chateia. Só pinto por necessidade de dizer. Considero a pintura uma profissão. Mas se quiserem afirmar a pintura como um trabalho diário, então não sou profissional.»

Essa declaração, partindo de um dedicado e consagrado artista, pode soar até como uma heresia. Quem a fez, foi Antônio Dias, por ocasião de mostra realizada em Belo Horizonte (MG), em 1966.

Desânimo ou desilusão com as artes plásticas? Negação do trabalho realizado? Nada disso. Apenas um sentimento característico dos pintores de vanguarda, em que o presente é apenas uma plataforma para alterar o futuro, traindo a necessidade interior de mutação constante. O mais importante não é o que se fez, mas é ainda aquilo que não foi realizado e que há de ser, inevitavelmente, a ruptura com o presente.

A busca do inatingível e o eterno inconformismo, unidos ao talento e profissionalismo, é que fizeram deste pintor uma das figuras mais importantes da pintura contemporânea, com obras figurando em museus de todo o mundo.

O despertar de um artista

Antônio Dias nasceu em Campina Grande (PB) em 1944. As circunstâncias da vida nordestina, rigorosa e incerta, fizeram dele e de sua família um grupo de nômades, pois os primeiros anos de sua vida se passaram vagando de uma cidade para outra, no sertão alagoano, na orla marítima e também nos Estados de Alagoas e Pernambuco.

Aprendeu os primeiros traços de desenho com seu avô e, criança ainda, conseguiu dar sentido prático à arte, para ganhar uns trocados, chegando a desenhar rótulos para bebidas.

Aos 14 anos, transferiu-se para o Rio de Janeiro,buscando internação numa escola de ensino elementar e já no ano seguinte arrumou seu primeiro serviço como desenhista, ao mesmo tempo em que participava do Ateliê Livre de Gravura da Escola Nacional de Belas Artes.

Em 1962, participava de sua primeira exposição no Salão Nacional de Arte Moderna, ainda com trabalhos bem comportados, seguindo fielmente as tendências do modernismo na época. Não duraria muito tempo essa submissão.

Nasce um rebelde

As portas lhe foram abertas por inteiro ao participar do 20º Salão Paranaense de Artes Plásticas, em que não só foi contemplado com a medalha de ouro, como com o prêmio de aquisição de desenho. Assim, a honraria veio acompanhada de dinheiro que chegou em boa hora.

Mas o mais importante mesmo, foi o contato com a juventude: «Larguei tudo e parti para conhecer gente de minha idade. Até então, eu só havia andado com gente mais velha do que eu – era um contido.»

A geração de jovens dos anos sessenta era privilegiada por viver momentos significativos da vida nacional, mas, ao mesmo tempo, tinha de viver momentos de perplexidade entre os ideais que levava consigo e os conceitos impostos como o políticamente correto.

Tal dualidade de pensamentos atingiu em cheio o artista, que começou a pintar o homem em raio-x: eram visceras, o ser humano ferido, a contradição entre a justiça e a força, levando suas ferramentas de trabalho a um engajamento político total.

Essa visão política da arte vem acompanhando-o através dos tempos: «Sentia-me preso e descobri, de repente, que milhares de jovens lutavam para a libertação, lutavam por fazer alguma coisa que fosse resultante de suas idéias e de suas relações com o mundo.»

Pelos caminhos da vida

Sem o desejar, e sem que isso estivesse planejado, Antônio Dias tornou-se um lider e um parâmetro aos jovens artistas de seu tempo. Mas a situação política brasileira vinha, ano-a-ano, tornando-se mais tensa e, em 1967, mudou-se para París, onde estivera pela primeira vez, dois anos atrás, participando de exposição.

Politicamente, París não vivia, também, tempos de paz e tranqüilidade. Após uma série de conflitos estudantis, mantidos sob controle, estourou a revolta maior dos estudantes, no Quartier Latin, que durou várias semanas e chegou a por em xeque a 5ª República francesa.

O pintor mudou-se, então para a Itália, montando seu ateliê em Milão, onde residiu por vinte anos. Finalmente, em 1988, transferiu-se para Colônia, na Alemanha, onde reside até hoje.

Antônio Dias foi um dos raros artistas de vanguarda que, praticando uma arte de contestação, se arriscou em firmar âncoras na Europa, e se deu bem com isso.

Pintura sem limites

A arte de Antônio Dias é um desafio permanente ao convencional. Seus quadros não obedecem às regras elementares das duas dimensões. Em alguns deles figuram como medidas a altura, o comprimento e também a profundidade.

Na maioria das obras, o artista apela para a tridimensionalidade, usando gesso, colagem e todos os recursos ao alcance das mãos. A técnica mista – uma expressão generalizada que por si não significa nada – em suas mãos, ganha uma diversidade que chega ao paroxismo: relevo em massa, colagem sobre tecido, óxido de ferro, grafite, pigmentos de toda natureza, que se misturam e se combinam. O importante é jamais ser igual, o essencial é mudar a todo instante.

A experiência é a sua própria alma: participou de filmes, gravou disco, foi à Índia, ao Tibet e ao Nepal para aprender coisas diferentes, como a produção de papel artesanal ou a preparação de pigmentos através de vegetais. Mergulhou, enfim, em procedimentos milenares escondidos no mais profundo dos mistérios da Ásia.

Tudo isso valeu-lhe o reconhecimento mundial, com o nome mencionado e as obras incluídas no acervo dos principais museus de arte contemporânea no mundo. Em Colônia, Alemanha, ele reside com sua esposa, a cantora lírica ítalo-brasileira Lica Secato.

Se toda sua obra não fosse o bastante, Antônio Dias tem importância na arte contemporânea por haver participado e, involuntariamente, liderado uma revolução nas artes plásticas, invertendo a rotação da terra e sacudindo, como um terremoto, os valores tradicionalmente aceitos.

Fonte: www.pitoresco.com

Antônio Dias

1944

Nascido em 1944 em Campina Grande, Paraiba (Brasil). Até 1957 passa a infância em diversas localidades do alto sertão e da costa de Alagoas, Pernambuco e Paraíba. Aprende as técnicas elementares do desenho com o avô e as põe em prática desenhando alguns primeiros trabalhos, entre eles o rótulo para uma aguardente-de-cana da região.

1958/59 estuda em regime de internato no Rio de Janeiro. Com 15 anos começa a trabalhar como desenhista de arquitetura e gráfico. Estuda sob orientação de Oswaldo Goeldi no Atelier Livre de Gravura da Escola Nacional de Belas Artes. Passa a fazer ilustrações e desenhar capas de livros, entre outros para obras de Bertolt Brecht, Clarice Lispector, Gregory Rabassa e Eduardo Portella. 1964: a sua segunda exposição individual na Galeria Relêvo, no Rio de Janeiro, é apresentada por Pierre Restany.

1965: primeira exposição individual na Europa na Galerie Houston-Brown, em Paris. É vencedor do prêmio da exposição Jovem Desenho Brasileiro do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, assim como do prêmio de pintura da Bienal de Paris. Recebe bolsa do governo francês. Reside até 1968 em Paris, depois transfere-se para Milão, onde mantém um atelier até hoje. Trabalhos adquiridos para a coleção do Museum of Modern Art, Nova lorque.

1971 participa da 6th International Exhibition do Guggenheim Museum, Nova lorque. Edita um disco (Record: The Space Between) e inicia uma série de filmes em super 8 intitulada The Illustration of Art. Em 1972, uma bolsa da Simon Guggenheim Foundation lhe possibilita residir e trabalhar durante um ano em Nova lorque. Recebe o prêmio da International Exhibition of Original Drawing em Rijeka, na Croácia (antiga Yugoslávia).

1977: viagens para a Índia e o Nepal. Em Barabishe-Tatopani, um campo de trabalho nas imediações da fronteira entre o Tibet e o Nepal, Antonio Dias estuda as técnicas de produção artesanal de papel com as tribos Sherpa, Tamang e Newari. Com tapeceiros tibetanos aprende as técnicas de coloração vegetal. Publica a edição Tramas de xilografias em Kathmandu.

1978: retorno ao Brasil. Professor da Universidade Federal da Paraíba, para quem cria o Núcleo de Arte Contemporânea, um grupo de trabalho cuja proposta era a difusão da arte contemporânea, nacional e internacional, naquele Estado.

1980: convite para participar da Bienal de Veneza.

1981: retorno a Milão

1983: lançamento de uma publicação a respeito de seus trabalhos em papel com texto de Catherine Millet, assim como de uma monografia sobre pintura e trabalhos em papel, com textos de Sandro Spoecati e Helmut Friedel.

1984: em Munique, extensa individual de seus trabalhos na Städtische Galerie im Lenbaehhaus. É convidado pelo Museum of Modern Art, Nova lorque, a participar da mostra An International Survey ofrecent Painting and Sculpture, com a qual o museu celebra a sua reabertura.

1985: individual no Taipei Fine Arts Museum em Taiwan, assim como participação na retrospectiva A Generation in Italian Art, apresentada em diversos museus da Finlândia. 1986: participa da Prospect 86 na Kunstverein de Frankfurt.

Em 1988 é bolsista do DAAD e reside em Berlim durante um ano. Neste período, a Staatliche Kunsthalle desta cidade promove uma exposição retrospeciva dos seus trabalhos em papel dos últimos dez anos.

Em 1989 muda-se para Colônia, onde reside até hoje, com eventuais estadias em Milão.

1990: participa da mostra Geqenwart / Ewiqkeít no Martin-Gropius-Bau em Berlim.

1992: é convidado a participar da Bilderwelt Brasilien na Kunsthaus de Zürich e da Latin American Artists in the Twentieth Century no Museum Ludwig em Colônia e no Museum of Modern Art, Nova lorque. Professor da Sommerakademie für bildende Kunst em Salzburgo e, em 1993, da Staatliche Akademie der bildenden Künste em Karlsrube.

Fonte: www.museuvirtual.com.br

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