Quando se fala de motor ciclo Otto e turbo, para muitos a primeira imagem que vem à mente é do Porsche 911. Este carro realmente foi o responsável pela viabilização e popularização dos motores turbocomprimidos em carros de produção esportivos e de alto desempenho, mas não foi o precursor desta tecnologia em carros de rua. Esta honra é de um BMW, justamente uma das marcas mais conhecida por seus motores de alta potência específica mantendo a aspiração natural. O carro em questão é o 2002 Turbo, o primeiro europeu de rua a receber este item.
O 2002 veio do 1600-2, e oferecia bom desempenho, estabilidade e bom espaço para quatro pessoas mais bagagem a um preço razoável. Por esta razão, foi um sucesso de vendas, tanto na Europa quanto nos EUA. O 2002 teve 2 versões. A mais simples possuía um motor 2.0 de 100 cv, 4 marchas, era capaz de ir de 0 a 100 km/h em aproximadamente 10 segundos e chegava a 170 km/h de velocidade final. A versão intermediária, 2002tii, possuía 130 cv, 5 marchas, precisava de 8,2s para atingir 100 km/h saindo da imobilidade e chegava a 190 km/h de velocidade final. Um desempenho digno, ainda mais na época em que este carro foi vendido (entre 1968 e 1975).

BMW 2002 Turbo
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Para a versão Turbo, a BMW partiu do motor da 2002 tii. Reduziu a taxa de compressão de 9,5:1 para 6,8:1, utilizou válvulas de escape refrigeradas a sódio (para quem acha que isto é uma novidade de carros modernos), instalou radiador de óleo, adotou um turbo KKK trabalhando a 0,55 bar de pressão, mas sem válvula de alívio de pressão (!) e injeção mecânica Kugelfischer, para 170 cv a 5800 rpm. Além disso, freios maiores, rodas mais largas, pneus 185 R13 e diferencial traseiro auto-bloqueante faziam parte do pacote, que incluía volante e assentos esportivos, manômetro de turbo, spoilers dianteiro e traseiro pronunciados e faixas azuis e vermelha ao longo do carro.
Essas cores, posteriormente, viraram símbolo da divisão M, responsável pelas versões mais apimentadas dos carros da fábrica bávara. A BMW chegou a considerar a hipótese de colar adesivos “2002? e “turbo” em grafismo invertido no spoiler dianteiro, para que os motoristas que estivessem à frente já vissem logo quem estava pedindo passagem e se retirassem, mas isto foi considerado politicamente incorreto nos anos 70 (!) e abandonado.
O carro era conhecido pelo seu comportamento bipolar e por ser muito difícil de guiar. Antes do turbo entrar em ação, até mais ou menos 3800 rpm, tinha-se um carro dócil, tranquilo de guiar e até certo ponto apático, comportamento que mudava radicalmente quando o turbo começava a trabalhar, com o giro crescendo rápido, as frequentes perdas de tração mesmo com o diferencial auto-bloqueante, as saídas de traseira e o comportamento arredio. Carro de macho!
Vendeu pouco devido à crise do Petróleo (ele consumia muito), e até hoje algumas unidades são impecavelmente mantidas por entusiastas.

BMW 2002 Turbo
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A própria BMW depois deste carro utilizou turbo em carros de rua apenas em seus motores diesel e da série 7 (E23 745i turbo) do começo dos anos 80. Somente nos dias de hoje que ela retomou o uso deste equipamento, seguindo o conceito de “downsizing”, na 135i coupé (E82/E88), 335i (E90) e 535i (E60), com injeção direta e turbos de baixa inércia, para um comportamento mais linear e sem tantos sustos como no velho guerreiro 2002.
Fonte: felipebitu.wordpress.com

1973 BMW 2002 TURBO
| BMW 2002 Turbo | |||
|---|---|---|---|
| MOTORIZAÇÃO | |||
| Motor | 2.0, 4 cilindros em linha, 8 válvulas (2 por cilindro), turbocompressor, injeção mecânica, gasolina | ||
| Cilindrada | 1.991 cm³ | Potência | 170 cv a 5.800 rpm |
| Potência Específica | 85 cv/litro | Torque | 24,3 kgfm a 4.000 rpm |
| CARROCERIA | |||
| Comprimento | 4.229 mm | Peso | 1.035 kg |
| Largura | 1.620 mm | Porta-Malas | Não disponível |
| Altura | 1.422 mm | Tração | Traseira |
| Freios | Discos ventilados na dianteira e tambor na traseira | Câmbio | Manual de 4 marchas |
| DESEMPENHO | |||
| Velocidade Máxima | 210 km/h | Aceleração | 6,9 segundos |
Em 1961, a BMW apresentava o 1500, um sedã de porte médio e quatro portas posicionado entre o pequeno Isetta e os grandes sedãs de luxo. Logo foi apresentado uma versão cupê, chamada 1602, de linhas elegantes, faróis redondos e a grade "duplo rim" típica da marca. Mais tarde chega o 2002 Turbo, o primeiro carro europeu com turbocompressor. Essa versão vinha com um enorme spoiler substituindo o pára-choque dianteiro, pára-lamas mais largos, inscrição 2002 Turbo gravada invertida (para ser lido nos retrovisores de quem andava à frente) e faixas decorativas da Motorsport (vermelho, azul e violeta). Mas o 2002 pagou um preço pelo pioneirismo. Havia problemas no turbo, que demorava para agir, mas despejava toda potência de uma única vez, deixando o carro muito arisco.
Fonte: br.geocities.com/capri7002