O Bobsled, considerado a fórmula 1 do gelo, nasceu no final do século XIX. Era praticado em Nova Iorque, nos Estados Unidos e em St. Moritz, na Suíça. Foi nesta cidade suíça, no continente europeu, que o esporte se desenvolveu e onde foi criado o primeiro Club de Bobsled, no ano de 1897.
Alguns anos se passaram, e em 1914, as primeiras competições de Bobsled começaram a ser organizadas em várias pistas da Europa, principalmente nos Alpes europeus.
No ano de 1923 foi fundada a Federação Internacional de Bobsled e Tobogã (FIBT).
Em 1924, nos Jogos Olímpicos de Chamonix (foto acima), na França, que foi a primeira edição das Olimpíadas de Inverno, o bobsled de 4 pessoas (4-man) foi incluído como modalidade esportiva. Já o Bobsled de 2 pessoas (2-man) fez a sua estréia em 1932, nos Jogos Olímpicos de Lake Placid, nos Estados Unidos.
A participação feminina neste esporte veio apenas em 2002, nos Jogos Olímpicos de Salt Lake, nos Estados Unidos, na modalidade de 2 pessoas (2-man).
As principais competições que hoje cercam este esporte são: Copa América, Copa Europa, Copa Mundial e Campeonato Mundial, além claro dos Jogos Olímpicos de Inverno que ocorrem de quatro em quatro anos.
Fonte:www.travinha.com.br
"A pista olímpica de bobsled de St. Moritz é a Meca dos pilotos de trenó.
Ela é a mais antiga do mundo, a mais tradicional e a última de gelo natural".
"A diferença entre o canal de St. Moritz e os outros é muito
grande. A pista, de St. Moritz até Celerina, cresceu montanha abaixo
até o nível do vale. As pessoas que nela praticam o esporte
estão em contato com a natureza.
A cada inverno, a estrutura do canal é novamente erguida com neve fresca
e a superfície da pista é formada por uma camada de água
congelada. Já a pista de gelo artificial é uma construção
de concreto, com forma predefinida, coberta por uma camada de gelo de quatro
a seis centímetros de espessura.
Todos os anos, a construção começa na última semana
de novembro. Somos uma equipe bem afinada de 15 pessoas e cada uma com seu
papel bem definido.
O especial deste grupo é que ele foi formado, ao longo das décadas,
com trabalhadores das ferrovias. Eles vêm quase que exclusivamente da
cidade de Naturns, no sul do Tirol. No inverno, eles trabalham como responsáveis
pela construção e manutenção da ferrovia. No verão,
atuam como empregados da construção civil, engenheiros florestais
ou vaqueiros em uma fazenda nas montanhas.
Para darmos início à construção, em primeiro
lugar juntamos a neve. Se ainda não houver neve nesta época,
fazemos montes de neve artificial, produzida pelas máquinas. A seguir
colocamos as estacas demarcando o traçado da pista, setor por setor,
até formarmos a estrutura básica.
A fase seguinte é a etapa mais delicada, na qual se constroem as curvaturas
e saliências de proteção das curvas. Para finalizar, conectam-se
os setores. A pista olímpica entra em funcionamento sempre por volta
do Natal.
As curvas "Sunny Corner" e "Horse Shoe" são bem fechadas e exigem mais
dos pilotos do que de nós, construtores de pistas, já que as
curvas mais difíceis de construir são as abertas, de raios maiores.
Como em 1996 a curva "Horse Shoe" ficou muito perigosa, tivemos que modificar
seu raio, aumentando-o de 15 para 18 metros. As forças atuantes haviam
se tornado tão fortes que os bobsleds, com suas lâminas afiadas,
faziam sulcos na pista. Devido à maior velocidade dos trenós,
a área da chegada também se tornou inadequada. Hoje temos uma
reta de chegada de 300 metros com uma suave inclinação para
ajudar na frenagem.
Em termos de qualidade do gelo, estamos hoje entre os melhores do mundo.
Quanto a esse aspecto, a pista de St. Moritz é igual às pistas
de gelo artificial, ou até melhor. A superfície do gelo ganhou
em qualidade, graças às ferramentas utilizadas. Raspamos o gelo
da mesma maneira que acontece nas pistas de gelo artificial.
Eu conheço a pista não apenas como construtor, mas também
do ponto de vista do piloto. Conduzi apenas trenós mais velhos, sendo
que nos mais modernos andei somente como passageiro. Na verdade eu praticava
eskeleton, por isso conheço muito bem a pista de Cresta, aqui ao lado.
A pista olímpica transmite uma sensação especial. Em
suas curvas pode-se sentir a atuação da força centrífuga,
a chamada força-G. Além disso, nos bobsleds de quatro lugares,
os mais rápidos, pode-se alcançar uma velocidade de 150 quilômetros
por hora.
A mudança climática é uma questão que preocupa
a todos, especialmente a mim. Há mais de 30 anos venho trabalhando
com o esporte de alto nível praticado nas pistas de Cresta e de St.
Moritz. Trabalhando todos os dias no inverno, pude perceber claramente as
mudanças: hoje as quedas de temperatura são mais intensas e
mais rápidas do que antes.
Entretanto, como estamos a 1800 metros de altitude, ainda vai levar algum
tempo antes que a construção da pista seja comprometida. Além
disso, com os canhões de neve, podemos produzir hoje nossa própria
neve artificial, melhor e muito mais resistente que a natural.
O fim da temporada coincide com a primeira semana de março. Depois,
precisamos de um ou dois dias para desmontar tudo antes de voltarmos para
casa."
O canal olímpico de St. Moritz produziu gerações de pilotos
suíços de sucesso, como o medalhista de ouro Hans Hiltebrand.
Registrado por Renat Kuenzi, swissinfo.ch (Adaptação:
Alexandre Hill-Maestrini)
Fonte: www.swissinfo.ch