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Ó trevas, que enlutais a Natureza

bocage

Ó trevas, que enlutais a Natureza,

Longos ciprestes desta selva anosa,

Mochos de voz sinistra e lamentosa,

Que dissolveis dos fados a incerteza;

Manes, surgidos da morada acesa

Onde de horror sem fim Plutão se goza,

Não aterreis esta alma dolorosa,

Que é mais triste que voz minha tristeza.

Perdi o galardão da fé mais pura,

Esperanças frustrei do amor mais terno,

A posse de celeste formosura.

Volvei, pois, sombras vãs, ao fogo eterno;

E, lamentando a minha desventura,

Movereis à piedade o mesmo Inferno.

Fonte: www.revista.agulha.nom.br

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