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Costa do Sauípe

O nordeste brasileiro tem vindo a transformar-se num destino cada vez mais popular para os turistas portugueses.

No litoral baiano da chamada Costa dos Coqueiros, a norte de Salvador da Bahia, está situado o empreendimento turístico Costa do Sauípe, o maior complexo do género em toda a América Latina. Nas redondezas, a Praia do Forte e o projecto TAMAR constituem um bom complemento para as actividades balneares em Sauípe.

SAUÍPE, A COSTA DOS PRAZERES

A região da Bahia tem uma infinidade de deuses, gente alegre e hospitaleira e um vasto património natural que inclui uma enorme variedade de paisagens e de ecossistemas. No interior, a famosa Chapada Diamantina, um santuário ecológico com belos panoramas, é a menina dos olhos do ecoturismo baiano. A paisagem exuberante dos vales da Serra dos Brejões é seguramente uma das mais empolgantes de todo o Brasil. E quanto a quedas de água, a região é um prodígio, com as cachoeiras do Fraga, do Ferro Doido, da Primavera, da Fumaça ou do Sossego. Grutas, formações rochosas e lagos completam este quadro, que é ao mesmo tempo um manancial de apelos a um vasto conjunto de actividades, como o trekking ou o rappel, que atraem cada vez mais aficcionados.

Reconstituição de arquitectura popular na Costa do Sauípe
Reconstituição de arquitectura popular na Costa do Sauípe

O litoral é outro cenário apelativo. Os quase mil quilómetros de costa do Estado da Bahia oferecem um desfilar contínuo de praias enquadradas por palmeiras, baías e enseadas, e uma infinidade de pequenas ilhas. O clima é agradável todo o ano, com uma temperatura estável à volta dos 27º, e o sol brilha a maior parte do tempo. De sul para norte, podemos imaginar uma navegação abençoada por todos os orixás: a Costa das Baleias, com a formação de corais de Parcel de Paredes e uma série de praias recortadas entre falésias; a cosmopolita e histórica Costa dos Descobrimentos; a Costa do Cacau, com as suas extensas reservas de mata atlântica e as praias de Ilhéus, cenário dos romances de Jorge Amado; a Costa do Dendê, noutros tempos lugar de peregrinação de hippies, cuja capital mantém uma agitada vida nocturna. E, finalmente, a Costa dos Coqueiros, a norte de São Salvador - a capital da Bahia merece um capítulo à parte - com quase duas centenas quilómetros de praias e coqueirais. É precisamente nesta região que se encontra a Costa do Sauípe, o maior complexo turístico da América Latina.

COSTA DO SAUÍPE, UMA PARCERIA COM O MEIO AMBIENTE

Vista da Costa do Sauípe, no litoral norte da Bahia, Brasil
Vista da Costa do Sauípe, no litoral norte da Bahia, Brasil

Como escrevia João Ubaldo Ribeiro há algum tempo atrás numa revista baiana, O Brasil está ainda por inventar, ou em processo de invenção. Fora de causa, por conseguinte, a tese da “descoberta”, já que, como defendia o escritor, “o Brasil foi uma invenção bastante posterior, até agora não inteiramente concluída”... É, afinal, a ideia que poderemos emular a propósito da «Costa do Sauípe».

Localizado a cerca de oitenta quilómetros a norte de Salvador da Bahia, o complexo deve o nome a um rio que desagua na região. Este apadrinhamento que tem como referência um recurso natural e é o primeiro signo de um dos conceitos orientadores do projecto, o que define uma integração harmoniosa no meio ambiente, o respeito tanto quanto possível pelos ecossistemas pré-existentes e uma oferta de actividades que passa também pela fruição do envolvimento natural. Uma das razões da escolha do local para a implantação deste megaprojecto conflui precisamente nas características excepcionais da zona, onde coexistem três tipos de ecossistemas, mata atlântica, restinga e mangal.

A mata atlântica é valorizada pelo elevado índice de biodiversidade, um dos maiores do Brasil, com mais de metade de espécies arbóreas endémicas; as restingas desenvolvem um tipo de vegetação muito particular sobre as dunas de areia, e os mangais acolhem um significativo número de espécies, para além da sua importância paisagística. Este complemento do meio ambiente, com o qual se estabelece, afinal, uma espécie de parceria, revela-se como uma preciosa alternativa para quem opte por diversificar o tempo de lazer na região, acrescentando um pouco de agitação à rotina dos mergulhos no mar ou na piscina. Para os turistas mais inquietos, abre-se um amplo leque de possibilidades: passeios a pé na mata atlântica, pelos seis quilómetros de praia, caminhadas de reconhecimento da flora e da fauna locais, com o acompanhamento de guias especializados, navegação e pesca pelo Rio Sauípe e pelos mangais, cursos e prática de mergulho, rappel e canoagem nas cachoeiras do Recôncavo Baiano.

Perto do empreendimento existe uma pequena aldeia piscatória, Santo António, cuja comunidade acabou envolvida no projecto. Nesse sentido, o complexo Costa do Sauípe firmou acordos com o Instituto de Hospitalidade, uma organização com vocação para o desenvolvimento do turismo fundada em 1997, como resultado da associação de mais de trinta entidades privadas com o governo brasileiro, ONG's e organismos do Estado da Bahia. A parceria visa reforçar um «Programa de Desenvolvimento Sustentado na Costa dos Coqueiros», que envolve cursos de educação básica para a cidadania, cursos profissionalizantes de valorização de competências tradicionais existentes como a pesca, o artesanato, o comércio ou a agricultura. Actualmente, mais de duas mil pessoas estão abrangidas por este programa.

ANIMAÇÃO A LA CARTE NA COSTA DO SAUÍPE

Coqueiros e areais são cenário trivial no litoral da Bahia
Coqueiros e areais são cenário trivial no litoral da Bahia

O complexo ocupa uma área total com mais de 172 hectares e integra cinco hotéis, seis pousadas, um campo de golfe com 18 buracos, um centro de equitação, uma marina e muito espaço para caminhar ou andar de bicicleta - actividade para a qual existe não apenas equipamento disponível gratuitamente para os hóspedes como também circuitos preparados. A oferta de alojamento soma 1.650 apartamentos e o conjunto de todas as actividades disponibilizadas ocupa cerca de três mil pessoas.

Quanto a animação - para quem estiver dependente de sugestões “institucionais” -, há uma oferta generalizada e padronizada: todos os hotéis dispõem equipas multifacetadas habilitadas a afugentar qualquer sinal de tédio. Os programas diários incluem uma variada agenda de actividades, diurnas e nocturnas, que podem até ameaçar a tranquilidade das férias... Há um pouco de tudo para todos os gostos e exigências. Professores e monitores profissionais encarregam-se de proporcionar aulas de ténis, dança, capoeira ou hidroginástica, enquanto um staff de animadores dinamiza desafios de pólo aquático, festas nocturnas na praia, actividades para crianças, pequenos espectáculos de circo, de folclore e de lambada, entre um amplo número de iniciativas menos ortodoxas como uma “fashion party” ou uma “festa do Axé”, inspirada nas tradições locais, que se repetem em certos dias de semana.

A gastronomia local está bem representada nos vários restaurantes do complexo, nomeadamente no «Tropical». Para os inveterados amantes dos sabores baianos, ali mesmo se preparam também, permanentemente, uns deliciosos acarajés, entre outras especialidades baianas.

Talvez não seja caso para dizer que “o paraíso é aqui”, como sugere um cartaz colocado numa das artérias do complexo. Mas ensaie o leitor recitar em voz alta - e com o colorido sotaque brasileiro - este irresistível canto de sereia: “A cervejinha na beira da praia, o coquetel de frutas na piscina, o whisky importado, o vinho mais apropriado para o momento, o jantar à luz das velas, os mais sofisticados cardápios, a diversão com os amigos, tudo está incluído no preço da diária”...

PROJECTO TAMAR - TARTARUGAS EM BERÇO DE OURO

O projecto TAMAR, na Praia do Forte, visa proteger espécies de tartarugas em vias de extinção
O projecto TAMAR, na Praia do Forte, visa proteger espécies de tartarugas em vias de extinção

Para os veraneantes da Costa do Sauípe, não há falta de alternativas de actividades dentro e fora do complexo. Ao longo do litoral, são vários os apelos para os amantes da natureza, sem esquecer a capital da Bahia, Salvador, cujo centro histórico está classificado pela UNESCO como Património da Humanidade.

Uma das alternativas mais aconselháveis é a Praia do Forte, uma pequena povoação piscatória localizada a cerca de trinta quilómetros, entre a foz do Sauípe e Salvador da Bahia, no seio de uma reserva ambiental. A Praia do Forte conserva um certo carisma, apesar da pressão crescente da procura turística, e possui algumas praias muito agradáveis e de águas tranquilas. Um pequeno pantanal nos arredores permite a observação de várias espécies de pássaros e de caimões.

Mas a localidade tem ganho aura sobretudo num outro domínio. Ali se tem desenvolvido um projecto de preservação de várias espécies de tartarugas marinhas ameaçadas. A zona constitui, precisamente, um local de desova destas espécies, agora protegidas pela acção do Projecto TAMAR.

Até final da década de 70, as cinco espécies que vivem em território brasileiro encontravam-se seriamente ameaçadas de extinção por causa da sua captura em actividades de pesca e da destruição dos ninhos nas praias. A partir de 1980 começou a ser feito um levantamento da situação, que culminou na criação de 21 bases de protecção dispersas por oito Estados brasileiros, em pontos estratégicos da costa - locais de alimentação ou de desova destes animais.

O Projecto TAMAR desenvolve programas de pesquisa em parceria com várias universidades e faculta estágios a estudantes recém-formados nas áreas da Biologia, Engenharia de Pesca, Veterinária ou Oceanografia. No sentido da preservação das tartarugas marinhas, o projecto visa essencialmente o estudo do comportamento destas espécies, orientando também as suas actividades para a redução dos efeitos nocivos da acção do homem sobre o meio ambiente, materializados através da pesca sem regras, da iluminação artificial junto à costa (que perturba os ciclos de desova) e do tráfego de veículos nessas zonas sensíveis.

PROJECTO TAMAR NA PRAIA DO FORTE

Costa do Sauípe, Bahia, Brasil
Costa do Sauípe, Bahia, Brasil

O centro do Projecto TAMAR existente na Praia do Forte está aberto às visitas dos turistas e nele se podem observar exemplares das várias espécies que ali são mantidas em cativeiro até serem libertadas no mar. Uma série de painéis e a projecção de um vídeo ajudam os visitantes a inteirarem-se da importância do trabalho do projecto TAMAR, que desde 1995 recebe apoios do WWF.

Vista da lindíssima Praia do Forte, Bahia
Vista da lindíssima Praia do Forte, Bahia

Fonte: www.almadeviajante.com.br

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