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Geografia do Brasil

A Geografia do Brasil é um domínio de estudos e conhecimentos sobre todas as características geográficas do território brasileiro.

Mapa Geográfico do Brasil
Mapa Geográfico do Brasil

O Brasil é o quinto maior país do mundo, possui 1,7% do território do globo terrestre e ocupa 47% da América do Sul. Está localizado na porção centro-oriental da América do Sul, com seu litoral banhado pelo oceano Atlântico. O Brasil possui uma área total de 8.514.876 [1] [2] km² que inclui 8.456.510 km² de terra e 55.455 km² de água. O ponto culminante do Brasil é o Pico da Neblina, com 3.014 m; o ponto mais baixo é o nível do mar. O Brasil faz fronteira com nove repúblicas sul-americanas: Argentina, Bolívia, Colômbia, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela e o departamento ultramarino da Guiana Francesa, Por comparação, o Brasil é um pouco menor em extensão territorial em relação aos Estados Unidos da América.

Maior parte de seu clima é tropical, embora algumas podem ser mais temperadas. O maior rio do Brasil, e um dos mais extensos do mundo é o Amazonas. A floresta que cobre a bacia do rio Amazonas constitui quase a metade das florestas equatoriais do planeta Terra.

Geodesia

Área

Mapa-múndi com a relação dos países por ordem de área
Mapa-múndi com a relação dos países por ordem de área.Trata-se de um tema bastante relativo na geografia mundial.

Total: 8.514.876,599 km² (incluindo as águas internas). Terra seca: 8.456.510 km²

(inclui o arquipélago de Fernando de Noronha e também Ilha Grande, Ilha Bela, entre outras menores).

Ocupando uma área territorial de 8.514.876 km², o Brasil é o país mais extenso da América do Sul. É ainda o terceiro das Américas e o quinto do mundo, perdendo somente para a Rússia (com 17.075.400 km²), o Canadá (com 9.970.610 km²), a República Popular da China (com 9.517.300 km²) e os Estados Unidos da América (com 9.372.614 km²).

O Brasil é tão vasto que em seu território caberiam nações, como a Itália, Índia ou a Austrália.

Devido ao fato de apresentar tão grande extensão territorial, o Brasil é considerado um país continental, ou seja, um país cujas dimensões físicas atingem a proporção de um verdadeiro continente, sendo que seu território ocupa 1,6% da superfície do globo terrestre, 5,7% das terras emersas do planeta Terra, 20,8% da superfície do continente americano e 47,3% da superfície da América do Sul.

Localização

Localização do Brasil
Localização do Brasil

O Brasil se encontra nos hemisférios sul, norte e inteiramente no hemisfério ocidental do planeta Terra, está localizado no continente americano, situando-se na porção centro-oriental da América do Sul, entre as latitudes +5º16'20" N e -33º44'32" S e entre as longitudes -34º45'54"O e -73º59'32" O.

É cortado ao norte pela linha do equador, que atravessa os estados do Amazonas, Roraima, Pará e Amapá, e pelo Trópico de Capricórnio, que passa pelos estados de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, aos 23º27'30" de latitude sul. A maior parte do território brasileiro fica no hemisfério sul (93%) e na zona tropical (92%).

Visão geral

O Brasil situa-se na porção centro-oriental da América do Sul e limita-se com todos os países sul-americanos, exceto com o Equador e o Chile. Ao norte faz fronteira com a Guiana, Guiana Francesa, Suriname e a Venezuela; a noroeste com a Colômbia; a oeste com o Peru e a Bolívia; a sudoeste com o Paraguai e a Argentina; e ao sul com o Uruguai. Toda a sua extensão nordeste, leste e sudeste são banhadas pelo Oceano Atlântico.

O espaço geográfico do Brasil é considerado excepcionalmente privilegiado, já que é quase inteiramente aproveitável, não apresentando desertos, geleiras ou cordilheiras - as chamadas áreas anecúmenas, que impossibilitam a plena ocupação do território, como ocorre com a maior parte dos países muito extensos da Terra.

O Brasil possui 23.127 km de fronteiras, das quais 15.719 km são terrestres e 7.408 km são marítimas.

Os países que possuem maiores fronteiras com o Brasil são: Bolívia (3.126 km), Peru (2.995 km) e Colômbia (1.644 km).

As menores fronteiras com o Brasil pertencem aos seguintes países: Suriname (593 km), Guiana Francesa (655 km) e Uruguai (1.003 km).

Eqüidistância

Como o Brasil tem o formato aproximado de um gigantesco triângulo, mais precisamente de um coração, é mais extenso no sentido leste-oeste do que no sentido norte-sul. Entretanto, como essas distâncias são quase iguais, costuma-se dizer que o Brasil é um país eqüidistante.

Distância Leste-Oeste: (em linha reta) 4.328 km.
Distância Norte-Sul: (em linha reta) 4.320 km.

Altitudes e pontos extremos

Pontos extremos do Brasil.
Pontos extremos do Brasil.

As altitudes do território brasileiro são modestas, de modo geral. O território não apresenta grandes cadeias de montanhas, cordilheiras ou similares. O ponto mais elevado no Brasil é o Pico da Neblina, com cerca de 2.994 m de altitude. O ponto mais baixo é às margens de suas praias no Oceano Atlântico, com altitude de 0 m.

Ao norte, o limite é a nascente do rio Ailã, no Monte Caburai, Roraima, fronteira com a Guiana.

Ao sul, o limite extremo é uma curva do arroio Chuí, no Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai.

No leste, o ponto extremo é a Ponta do Seixas, na Paraíba.

O ponto extremo do oeste é a nascente do rio Moa, na serra de Contamana ou do Divisor, no Acre, fronteira com o Peru.

Coordenadas geográficas do Brasil

O Brasil está situado entre os paralelos 5°16'19" de latitude norte e 33°45'09" de latitude sul e entre os meridianos 34°45'54" de longitude leste e 73°59'32" de longitude oeste.

O país é cortado simultaneamente ao norte pela linha do equador e ao sul pelo Trópico de Capricórnio; por isso, possui a maior parte do seu território situado no hemisfério sul (93%), na zona tropical (92%), e a menor parte no hemisfério norte (10%).

Fusos horários

O território brasileiro, incluindo as ilhas oceânicas, estende-se por quatro fusos horários, todos a oeste do meridiano de Greenwich (longitude 0º). Em cada faixa de 15º entre pares de meridianos ocorre a variação de uma hora. Isso significa que horário oficial no Brasil varia de 2 a 5 horas a menos em relação à hora de Greenwich (GMT). O primeiro fluxo engloba as ilhas oceânicas (longitude 30º O) e tem 2 horas a menos que a GMT. O segundo (45º O) tem 3 horas a menos e é a hora oficial do Brasil. Abrange Brasília, Minas Gerais, Goiás, Tocantins e todos os estados brasileiros banhados pelo oceano Atlântico. No terceiro (60º O), que tem quatro horas a menos, estão inclusos os estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Roraima, Rondônia e oeste do Pará. O Amazonas está quase todo na área do quarto fuso horário, exceto pela porção sudoeste, que faz parte do quinto fuso (75º O), assim como o Acre, e tem 5 horas a menos em relação à GMT.

Horário de verão

Desde 1985 o Brasil adota o horário de verão, no qual os relógios de parte dos estados são adiantados em uma hora num determinado período do ano. No período de outubro a fevereiro, é estabelecido o horário de verão nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul. Nesses lugares, durante o verão, a duração do dia é significativamente maior do que a duração da noite, pois a mudança de horário retarda a entrada elétrica, quando de pico de consumo de energia elétrica, quando as luzes das casas são acesas. Com isso o governo espera diminuir em 1% o consumo nacional de energia. Nos outros estados a pequena diferença de duração entre o dia e noite em todas as estações do ano não favorece a adoção do novo horário.

Fronteiras

Localizado na porção oriental da América do Sul, o Brasil tem 23.086 km fronteiras, sendo 15.791 km terrestres e 7.367 km marítimas. A fronteira com o oceano Atlântico estende-se da foz do rio Oiapoque, no cabo Orange, ao norte, até o arroio Chuí, no sul. Com exceção de Equador e Chile, todos os países da América do Sul fazem fronteiras com o Brasil.

A linha costeira do Brasil tem uma extensão de 7.491 km, constituída principalmente de praias de mar aberto.

Fronteiras do Brasil

País Extensão
Argentina 1.223 km
Bolívia 3.400 km
Colômbia 1.643 km
Guiana 1.119 km
Guiana Francesa 673 km
Paraguai 1.290 km
Peru 1.560 km
Suriname 597 km
Uruguai 985 km
Venezuela 2.200 km
Total 14.691 km

Aspectos Físicos

Geologia

O território brasileiro, juntamente com o das Guianas, distingue-se nitidamente do resto da América do Sul pela simples observação do mapa geológico do continente. Na região ocidental situam-se os Andes, que sobressaem como se fossem sua coluna vertebral, formando as cadeias montanhosas mais elevadas da América do Sul.

Larga faixa adjacente aos Andes, no lado oriental, comportou-se, em geral, como área subsidente no Cenozóico e atualmente está coberta por depósitos quaternários, estendendo-se em planícies baixas e contínuas com diversos nomes geográficos (Pampas, Chaco, Beni, Llanos).

Ocorrem pequenas áreas de rochas pré-cambrianas distribuídas ao longo do geossinclíneo Andino (restos do embasamento trazidos à superfície pelos desdobramentos e falhas) e outras dispostas transversalmente ao eixo da grande cadeia. No mais, somente afloram rochas paleozóicas, mesozóicas e cenozóicas, na região andina e na faixa oriental adjacente.

Pré-cambriano

As maiores áreas de afloramento de rochas pré-cambrianas da América do Sul estão no Brasil e nas Guianas. São os escudos. Os terrenos brasileiros mais antigos, constituídos de rochas de intenso metamorfismo, foram denominados em 1915, de complexo Brasileiro, por J.C. Branner. São também designados como embasamento Cristalino, ou, simplesmente, cristalino. A bacia sedimentar do Amazonas, cuja superfície está coberta em grande parte por depósitos cenozóicos, em continuação aos da faixa adjacente dos Andes, separa o escudo das Guianas do escudo Brasileiro.

O escudo das Guianas abarca, além das Guianas, parte da Venezuela e do Brasil, ao norte do rio Amazonas. As rochas mais antigas desse escudo datam de 2.500.000.000 mais ou menos 400 milhões de anos. Boa parte da superfície é coberta por sedimentos horizontais não metamorfoseados, da formação Roraima, que sofreram intrusões doleríticas datadas de 1.700.000.000 de anos. Essa é, portanto, uma área estável desde longa data.

Pequena zona de rochas pré-cambrianas ocorre na faixa dos estados nordestinos do Maranhão e Pará, constituindo o núcleo pré-cambriano de São Luís, com rochas muito antigas, aproximadamente de dois bilhões de anos. Ultimamente, têm-se ampliado muito os conhecimentos sobre o escudo Brasileiro, graças ao incremento das datações radiométricas.

Quase nada se conhece sobre a região pré-cambriana de Guaporé, coberta pela Floresta Amazônica, onde são escassos os afloramentos. As poucas datações radiométricas parecem indicar que rochas sofreram um ciclo orogenético datado, aproximadamente, de dois bilhões de anos.

A região pré-cambriana do rio São Francisco estende por partes dos estados da Bahia, Minas Gerais e Goiás, atingindo a costa da Bahia. Uma unidade tectônica muito antiga dessa região, o geossinclíneo do Espinhaço, que vai de Ouro Preto até a bacia sedimentar do Parnaíba, tem sido muito estudada, principalmente na região do Quadrilátero ferrífero (ver ferro). As rochas mais antigas dessa área constituem o rio das Velhas, com idades que atingem cerca de 2,5 bilhões de anos.

Sobre elas assentam, em discordância, as rochas do grupo Minas, constituídas de metassedimentos que exibem, em geral, metamorfismo de fácies xisto verde. A idade parece situar-se no intervalo entre 1,5 e 1,350 bilhões de anos. Dentro desse grupo é colocada a formação Itabira, de grande importância econômica das jazidas de ferro e manganês que contém.

As rochas do grupo Lavras, colocadas, em discordância, sobre as do grupo Minas, constituem-se de metassedimento que exibem metamorfismo baixo, sendo comuns metaconglomerados, que tem sido interpretados como devidos a glaciação pré-cambriana.

Grande parte da área pré-cambriana do rio São Francisco é coberta por rochas sedimentares quase sem metamorfismo e só ligeiramente dobradas, das quais os calcários constituem boa parcela. Essa sequência conhecida como grupo Bambuí, possui idade que se situa em torno dos 600 milhões de anos. As circunstâncias indicam que a região do rio São Francisco já havia antigido relativa estabilidade nessa época. Nessa época, propriamente dita, assim como em todas as partes do mundo, não existiam ainda cidades, rodovias, ferrovias, estados, países, portos, aeroportos, enfim, tudo o que passou a ter história, a partir da invenção da escrita cuneiforme.

Suspeita-se que um grande ciclo orogenético de cerca de dois bilhões de anos de idade, chamado de Transamazônico, perturbou as rochas mais antigas da faixa pré-cambriana acima referida: a região do rio São Francisco.

As regiões do rio São Francisco e do rio Guaporé eram separadas, no fim do Pré-Cambriano, por dois geossinclíneos, o Paraguai-Araguaia, margeando as terras antigas do rio Guaporé pelo lado oriental.

As estruturas das rochas parametamórficas do geossinclíneo Paraguai-Araguaia estão orientadas na direção norte-sul do Paraguai e sul de Mato Grosso, curvando-se depois para nordeste e novamente para norte-sul no norte de Mato Grosso e Goiás, e atingindo, para o norte, o estado do Pará, através do baixo vale do rio Tocantins. Perfazem extensão de mais de 2.500km. Iniciam-se por extensa seqüência de metassedimentos, constituindo, no sul, o grupo Cuiabá e, no norte, o grupo Tocantins. Essa sequência é recoberta pelas rochas do grupo Jangada, entre as quais existem conglomerados tidos como representantes de episódio glacial. A intensidade do metamorfismo que afetou as rochas do geossinclíneo Paraguai-Araguaia decresce em direção à região do rio Guaporé.

O geossinclíneo Brasília desenvolveu-se em parte dos estados de Goiás e Minas Gerais. Suas estruturas, no sul, dirigem-se para noroeste, curvando-se depois para o norte. A intensidade do metamorfismo de oeste para leste, variando de fácies anfibolito para fácies xisto verde.

A região central de Goiás, que separa o geossinclíneo Paraguai-Araguaia do geossinclíneo Brasília, é constituída de rochas que exibem fácies de metamorfismo de anfibolito. Uma faixa constituída de piroxenitos, dunitos, anortositos, etc., está em grande parte serpentinizada.

Longa faixa metamórfica estende-se ao longo da costa oriental do Brasil, do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul e Uruguai. Essa faixa, chamada de geossinclíneo Paraíba por Ebert, exibe rochas com metamorfismo mais intenso na Serra do Mar, daí decrescendo em direção a nordeste. Cordani separou a região sul do Uruguai a São Paulo, denominando-a geossinclíneo Ribeira.

As rochas de baixo metamorfismo (xistos verdes) são grupadas sob diferentes nomes geográficos: grupo Porongos no Rio Grande do Sul, grupo Brusque em Santa Catarina, grupo Açungui no Paraná e sul do estado de São Paulo e grupo São Roque na área de São Roque-Jundiaí-Mairiporã, no estado de São Paulo.

Os gnaisses e migmatitos da área pré-cambriana do norte, no estado de São Paulo e partes adjacentes de Minas Gerais, constituindo a Serra da Mantiqueira, são ainda insuficientemente conhecidos. Seu conhecimento será muito importante para elucidar entre as rochas parametamórficas dos geossinclíneos Brasília e Paraíba.

A faixa orogenética do Cariri, no Nordeste, possui direções estruturais muito perturbadas por falhas. Um grande acidente tectônico, o lineamento de Pernambuco, separa a faixa do Cariri de uma outra pequena faixa azul, conhecida como geossinclíneo de Propriá [3]. Importante unidade da faixa tectônica do Cariri é o grupo Ceará. Seus metassedimentos exibem metamorfismos que variam de fácies xisto verde a de anfibolito. São recobertos, em discordância, pelas rochas do grupo Jaibara.

A datação das rochas de todos esses geossinclíneos permitiu se estabelecesse que a fase de sedimentação intensa ocorreu no Pré-Cambriano superior. Importante ciclo orogenético marcou o fim desses geossinclíneos, há cerca de 600 milhões de anos. Esse ciclo recebeu o nome de Brasileiro.

As fases tardias do ciclo Brasileiro atingiram o Cambriano e o Ordoviciano. Produziram depósitos que sofreram perturbações tectônicas, adquirindo mergulhos fortes e grande número de falhas, algumas de empurrão. Não se acompanharam, entretanto, de metamorfismo. Em Mato Grosso extensos depósitos calcários dessa época constituem os grupos Corumbá, ao sul, e Araras, ao norte. Em discordância sobre o geossinclíneo Corumbá, assentam as rochas do grupo Jacadigo, constituídas de arcósios, conglomerados arcosianos, siltitos, arenitos e camadas e lâminas de hematita, jaspe e óxidos de manganês.

Na faixa atlântica, há indícios de manifestações vulcânicas riolíticas e andesíticas associadas aos metassedimentos cambro-ordovicianos. Ocorrem também granitos intrusivos, tardios e pós-tectônicos. Os sedimentos cambro-ordovicianos que marcam os estertores da fase geossinclinal no Brasil não possuem fósseis, por se terem formado em ambiente não marinho. Ocupam áreas, restritas, cobertas, discordantemente, pelos sedimentos devoninanos e carboníferos da bacia do Paraná. A maior área encontra-se no estado do Rio Grande do Sul.

A seqüência da base é chamada de grupo Maricá à qual sucede o grupo Bom Jardim. Este consiste em seqüências sedimentares semelhantes às do grupo Maricá, mas caracterizadas por um vulcanismo andesítico muito intenso. Segue-se o grupo Camaquã, cujas rochas exibem perturbações mais suaves que as dos grupos sotopostos. Intenso vulcanismo riolítico ocorreu nas fases iniciais de deposição do grupo Camaquã. Existem, contudo, evidências de fases vulcânicas riolíticas anteriores: os conglomerados do grupo Bom Jardim contém seixos de riólitos. Vulcanismo andesítico intermitente também ocorreu durante as fases de sedimentação das rochas do grupo Camaquã.

Outra grande área de rochas formadas em ambiente tectônico semelhante é a do grupo Itajaí, em Santa Catarina. O grupo Castro, no estado do Paraná, constituído de arcósios, siltitos e conglomerados, parece ter-se formado na época dos grupos acima citados. Riólitos, tufos e aglomerados ocorrem em diversos níveis dessa seqüência. Rochas vulcânicas andesíticas marcam as fases finais. Sobre as rochas do grupo Castro descansa uma seqüência de conglomerados, conhecida com formação Iapó.

Outras pequenas áreas de sedimentos equivalentes aparecem ainda no estado do Paraná. Depósitos aparentemente da mesma idade aparecem ocorrem no estado de São Paulo, entre Guapiara e Ribeirão Branco, na bacia do rio Ribeira do Iguape. Ebert descobriu em 1971, entre Itapira, no estado de São Paulo, e Jacutinga, em Minas Gerais, uma seqüência sedimentar não metamórfica, mas inclinada, a que denominou grupo Eleutério.

Bacia Sergipe-Alagoas

A Bacia de Sergipe-Alagoas situa-se na região nordeste do Brasil e abrange os estados de mesmo nome, Sergipe e Alagoas, separados pelo rio São Francisco. Em sua porção terrestre apresenta uma área de 13.000 km² . A parte submersa se estende por uma área de 32.760 km², até a cota batimétrica de 3.000 metros. A bacia limita-se, a norte, com a Bacia de Pernambuco/Paraíba, pelo Alto de Maragogi; a sul, o limite da porção emersa é constituído pela Plataforma de Estância e, no mar, pela Bacia de Jacuípe, através do sistema de falhas do Vaza-Barris.

A história geológica pós – paleozóica da bacia pode ser divida em duas grandes etapas. A primeira, do Jurássico Superior ao Cretássio inferior, é constituídas por terrenos não marinhos equivalentes ao do Recôncavo; a segunda, do Cretássio Inferior ao Terciário Inferior, é constituída por formações marinhas.

Relevo

O Brasil é um país de poucos desníveis. Cerca de 40% do seu território encontra-se abaixo de 200 m de altitude, 45% entre 200 e 600 m, e 12%, entre 600 e 900 m. Apenas 3% constituem área montanhosa, ultrapassando os 900 m de altitude.

Tradicionalmente, o relevo do Brasil é dividido de acordo com a classificação de Ab'Saber, respeitado geógrafo paulista, pioneiro na identificação dos grandes domínios morfoclimáticos nacionais. Sua classificação identifica dois grandes tipos de unidades de relevo no território brasileiro: planaltos e planícies.

Mais recentemente, com os levantamentos detalhados sobre as características geológicas, geomorfólogicas, de solo, de hidrografia e vegetação do país, foi possível conhecer mais profundamente o relevo brasileiro e chegar a uma classificação mais detalhada, proposta, em 1989, pelo conceituado professor Jurandyr Ross, do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo. Na classificação de Ross, são consideradas três principais formas de relevo: planaltos, planícies e depressões.

As duas subseções seguintes detalham ambas as classificações.

Planaltos

Os planaltos ocupam aproximadamente 5.000.000 km² e distribuem-se basicamente em duas grandes áreas, separadas entre si por planícies e platôs: o Planalto das Guianas e o Planalto Brasileiro.

Vista aérea do Monte Roraima
Vista aérea do Monte Roraima

O Planalto das Guianas está situado no norte da Região Amazônica, prolongando-se para as Guianas, o Suriname, a Venezuela e a Colômbia. Suas altitudes aumentam no sentido sul–norte, alcançando a média de 600 m na fronteira do Brasil com aqueles países. Na parte ocidental, mais elevada, acham-se as serras Parima, serra de Pacaraima e Imeri, destacando-se o Pico da Neblina (3.014 m), o Pico 31 de Março (2.992 m) e o Monte Roraima (2.875 m), respectivamente o primeiro, o segundo e o quarto ponto mais alto do país. Na parte oriental, mais baixa, encontram-se as serras Acaraí e Tumucumaque.

O Planalto Brasileiro corresponde ao conjunto de serras e planaltos localizados ao sul do rio Amazonas. Ocupa mais da metade do território nacional. Suas maiores altitudes encontram-se a leste, nas proximidades do oceano Atlântico, decrescendo suavemente a norte e a oeste. Subdivide-se em cinco planaltos menores: Central, do Meio-Norte, da Borborema, Atlântico e Meridional.

Chapada dos Guimarães
Chapada dos Guimarães

O Planalto Central abrange o sul do Pará, praticamente todo o estado de Mato Grosso e Rondônia, grande parte do Acre, o centro-sul de Goiás, atingindo o vale superior do rio São Francisco. Constitui o divisor de águas entre a bacia amazônica e as dos rios Paraguai e São Francisco. Suas maiores elevações situam-se na Serra Dourada e na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, com altitudes superiores a 1.500 m. Outro ponto importante do Planalto Central é a Chapada dos Guimarães, no centro-sul de Mato Grosso.

O Planalto do Meio-Norte estende-se desde o nordeste do Pará até o noroeste do Ceará, englobando o norte de Goiás, todo o Maranhão e grande parte do Piauí. É caracterizado por uma sucessão de chapadas, que diminuem progressivamente de altitude para oeste e noroeste. Destacam-se as chapadas da Ibiapaba (de 700 a 900 m) e das Mangabeiras (700 m), e as serras dos Cariris Novos (700 m) e Vermelha (600 m).

O Planalto da Borborema é a mais importante elevação do Nordeste brasileiro. Situado entre o litoral e o sertão, estende-se por aproximadamente 350 km, do norte de Alagoas ao sul do Rio Grande do Norte. Sua altitude média oscila entre 500 e 600 m e perde altura no sentido norte–sul. No maciço do Garanhuns, em Pernambuco, e no sul da Paraíba (Pico do Jabre), no entanto, são registradas altitudes em torno de 1.000 m.

Pico da Bandeira
Pico da Bandeira

O Planalto Atlântico compreende todo o conjunto de terras altas que se prolonga da Bahia até Santa Catarina, acompanhando a linha do litoral. Nas bordas do planalto encontram-se duas serras: a do Mar, que corre paralelamente à costa desde o norte do Rio de Janeiro, na altura de Campos, até o sul de Santa Catarina; e a da Mantiqueira e seus prolongamentos, mais para o interior, onde se localizam os pontos mais altos do Planalto Brasileiro: os picos da Bandeira (2.890 m), do Cruzeiro (2.861 m), do Cristal (2.798 m) e das Agulhas Negras (2.787 m).

O Planalto Meridional ocupa praticamente toda a região Sul do Brasil, à exceção do litoral, prosseguindo por São Paulo, sudoeste de Minas Gerais, sul de Goiás e Mato Grosso do Sul. Fora das fronteiras brasileiras, estende-se também pelo Paraguai, Argentina e Uruguai. Sua altitude média é de 600 m, mas certos trechos da Serra Geral, que se prolonga do norte do Rio Grande do Sul ao interior de Santa Catarina e Paraná, apresentam altitudes superiores a 1.200 m.

Relevo segundo Jurandyr Ross

Tendo participado do Projeto Radam e levado em consideração a classificação de Ab'Saber, Jurandyr Ross propôs uma divisão do relevo do Brasil tão detalhada quanto os novos conhecimentos adquiridos sobre o território brasileiro nos dois primeiros projetos. Por isso, ela é mais complexa que as anteriores. Sua proposta é importante porque resulta de um trabalho realizado com o uso de técnicas ultramodernas, que permitem saber com mais conhecimento como é formado o relevo brasileiro. Esse conhecimento é fundamental para vários projetos (exploração de recursos minerais, agricultura) desenvovidos no país.

Ross aprofundou o critério morfoclimático da classificação de Ab'Saber, que passou a fazer parte de um conjunto de outros fatores, como a estrutura geológica e a ação dos agentes externos do relevo, passados e presentes. Esta terceira classificação considera também o nível altimétrico, já utilizado pelo professor Aroldo de Azevedo, embora as cotas de altitude sejam diferentes das anteriores.

Desse modo, a classificação de Jurandyr Ross está baseada em três maneiras diferentes de explicar as formas de relevo:

morfoestrutural: leva em conta a estrutura geológica

morfoclimática: considera o clima e o relevo

morfoescultural: considera a ação de agentes externos.

Cada um desses critérios criou um "grupo" diferente de formas de relevo, ou três níveis, que foram chamados de táxons e obedecem a uma hierarquia.

1º táxon: Considera a forma de relevo que se destaca em determinada área — planalto, planície e depressão.

2º táxon: Leva em consideração a estrutura geológica onde os planaltos foram modelados — bacias sedimentares, núcleos cristalinos arqueados, cinturões orogênicos e coberturas sedimentares sobre o embasamento cristalino.

3º táxon: Considera as unidades morfoesculturais, formada tanto por planícies como por planaltos e depressões, usando nomes locais e regionais.

O relevo de determinada região depende de sua estrutura morfológica. Tendo sido feita uma nova classificação do relevo, a corresponde uma nova análise da estrutura geológica brasileira.

As novas 28 unidades do relevo brasileiro foram divididas em onze planaltos, seis planícies e onze depressões.

Planaltos

Compreendem a maior parte do território brasileiro, sendo a grande maioria considerada vestígios de antigas formações erodidas. Os planaltos são chamados de "formas residuais" (de resíduo, ou seja, do ficou do relevo atacado pela erosão). Podemos considerar alguns tipos gerais:

Planaltos em bacias sedimentares, como o planalto da Amazônia Oriental, os planaltos e chapadas da bacia do Parnaíba e os planaltos e chapadas da bacia do Paraná. Podem ser limitados por depressões periféricas, como a Paulista, ou marginais, como a Norte-Amazônica.

Planaltos em intrusões e coberturas residuais da plataforma (escudos): São formações antigas da era Pré-Cambriana, possuem grande parte de sua extensão recoberta por terrenos sedimentares. Temos como exemplos os planaltos residuais Norte-Amazônicos, chamados de planalto das Guianas nas classificações anteriores.

Planaltos em núcleos cristalinos arqueados. São planaltos que, embora isolados e distantes um dos outros, possuem a mesma forma, ligeiramente arredondada. Podemos citar como exemplo o planalto da Borborema.

Planaltos dos cinturões orogênicos: Originaram-se da erosão sobre os antigos dobramentos sofridos na Era Pré-Cambriana pelo território brasileiro. A serras do Mar, da Mantiqueira e do Espinhaço são exemplos desse tipo de planalto. Fazem parte dos planaltos e serras do Atlântico Leste-Sudeste.

Clima

O clima do Brasil é, em grande parte, tropical, mas o sul do país apresenta clima subtropical.

A região Norte, que compreende os estados do Amazonas, Acre, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Amapá tem clima equatorial, que confere à região uma boa distribuição anual de chuvas, com temperaturas elevadas, e baixa amplitude térmica anual.

A região Nordeste tem clima diverso, variando de equatorial (Maranhão e parte do Piauí) a semi-árido (a região da Caatinga, compreendendo o coração do Nordeste), e tropical, no centro e sul da Bahia. Os estados da região são o Maranhão, Piauí, Bahia, Pernambuco, Ceará, Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte e Paraíba.

A região Centro-Oeste, com os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, além do Distrito Federal, apresenta clima tropical semi-úmido, com destaque para o período de chuvas, que alimenta o Pantanal Mato-Grossense.

Na região Sudeste, que compreende os estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo predomina, nas regiões mais altas, um clima tropical ameno, com quatro estações bem distintas. Já no noroeste do estado de São Paulo e no Triângulo Mineiro predomina o clima tropical semi-úmido semelhante ao do cerrado do Centro-Oeste.

A região Sul do país possui clima subtropical, com baixas temperaturas nas serras gaúchas e serras catarinenses, sendo freqüente a formação de geadas e a ocorrência de neve na região durante o inverno e compreende os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul

Mapa climático do Brasil. Mapa climático do Brasil.

Fonte: pt.wikipedia.org

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