A bronquiolite é uma infecção das vias respiratórias, causada geralmente por uma infecção viral, provoca dificuldade ao respirar, sobretudo ao expirar (deitar fora o ar).
Ao respirar o ar entra pelo nariz, passa pela nasofaringe, laringe e ao nível do pescoço, desce por um tubo que é a traqueia. No tórax, a traqueia divide-se em dois tubos – brônquios, um vai para o pulmão direito e o outro para o esquerdo.
Dentro do pulmão, cada brônquio ramifica-se e torna-se mais estreito - bronquíolo. Os bronquíolos levam o ar a todo pulmão.
A bronquiolite afecta crianças até aos 18 meses, mas com maior frequência nos bebes com menos de 6 meses. É mais frequente nos meses de Outono e Inverno.
O vírus sincicial respiratório é o principal microorganismo nesta doença. Pode causar infecções pulmonares também em adultos saudáveis. Nestes casos costumam ser leves, mas, em crianças ou pessoas com diminuição do sistema de defesa do organismo pode ser grave. Contudo, a taxa de mortalidade reduziu bastante na última década.
Este vírus é muito contagioso, passa de pessoa em pessoa através das secreções contaminadas dos olhos, nariz e boca.
Outros vírus podem causar esta doença como o parainfluenza, o influenza e o adenovírus.
Costuma aparecer depois de uma constipação, que é uma infecção nas vias respiratórias altas.
Surge uma repentina dificuldade em respirar, sobretudo ao expirar, o bebe começa a respirar mais rápido, aumenta os batimentos do coração e a tosse é seca. A criança fica com muito sono e febre, cansa-se mais facilmente e a respiração é pouco profunda e ineficaz.
Pode haver desidratação (falta de líquidos) devido à febre ou menor ingestão de líquidos.
O diagnóstico é feito com base no exame dos sintomas. Poderá ser necessário recorrer à radiografia para confirmar a doença e/ou excluir outras. Também poderá ser preciso realizar colheita de secreções do nariz ou pulmões, para se confirmar a presença do vírus.
São vários os factores de risco que proporcionam o surgimento desta doença como, o bebe ter menos de 6 meses, a exposição em ambientes com fumo ou com muitas pessoas, prematuridade (nascer antes das 37 semanas) e não ter mamado.
Os adultos e as crianças mais velhas geralmente não precisam de tratamento. Colocar a cabeceira da cama elevada para facilitar a respiração da criança. O nariz deve ser limpo de secreções, através da aplicação de soro fisiológico e a criança hidratada. A comida deve ser dada em pouca quantidade várias vezes ao dia, sem insistir.
Geralmente, usa-se medicação apenas para o alívio dos sintomas. Actualmente, não existe medicação eficaz para impedir a evolução da doença.
As crianças pequenas podem precisar de internamento para acompanhamento da evolução da doença e tratamento. Em certos casos pode ser necessário recorrer ao uso de oxigénio e nebulizações com adrenalina, broncodilatadores e corticoides. Se a doença agravar pode ser necessário utilizar a ventilação mecânica (aparelho que ajuda a criança a respirar através de um tubo colocado na boca até à traqueia).
A dificuldade em respirar costuma desaparecer após o terceiro dia e os sintomas uma semana.
Deve ir ao médico se a criança estiver prostrada (sem reacção), a respiração for rápida, se meter a pele entre as costelas para dentro na respiração, abrir e fechar as assas do nariz, apresentar cor azulada dos lábios ou da pele e se tiver febre superior a 38,5º durante 3 dias.
Fonte: www.conhecersaude.com
Bronquiolite é uma infecção respiratória aguda, de etiologia viral que compromete as vias aéreas de pequeno calibre. Ocorre mais freqüentemente em crianças até um ano de idade, sendo mais grave nos primeiros seis meses de vida e especialmente em prematuros. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é de longe o agente mais comum. Vírus parainfluenza e influenza, adenovirus, clamídea, micoplasma, ureaplasma, e pneumocistis são causas menos comuns de sibilância.
O curso usual da bronquiolite por VSR é 1-2 dias de febre, rinorréia e tosse, seguidas por sibilância, taquipnéia, e disfunção respiratória. Batimentos de asa do nariz, cianose, retrações e creptantes podem estar presentes, junto a prolongamento da fase expiratória, dependendo da intensidade da doença. Alguns lactentes jovens apresentam apnéia e poucos achados na ausculta, mas podem subseqüentemente desenvolver creptações, roncos, e sibilância expiratória.
O diagnóstico de bronquilite viral aguda é essencialmente clínico. A identificação viral pode ser realizada pela imunofluorescência direta ou indireta das secreções respiratórias. O leucograma pode ser normal ou pode mostrar uma leve linfocitose. O raio X tipicamente mostra hiperinsuflação com leve infiltrado intersticial, mas atelectasias segmentares são comuns.
Os quadros leves e moderados são tratados em casa, com uma boa hidratação, controle da febre e observação clínica. Recomenda-se dieta leve e fracionada, principalmente nos portadores de refluxo gastro-esofágico. A hospitalização seria requerida em crianças com menos de 2 meses de idade, pacientes com hipoxemia em ar ambiente, história de apnéia, taquipnéia moderada com dificuldade para alimentação, marcada disfunção respiratória com retrações ou desordens cardiopulmonares crônicas de base.
A hidratação endovenosa deve ser dada com cuidado, evitando líquidos em excesso. Se possível, via oral, em volumes pequenos e freqüentes. É importante sempre manter a criança tranqüila. A administração de antibióticos não tem influenciado o curso da doença e existe pouca razão para seu uso. O emprego de oxigênio, uma adequada hidratação, um mínimo de manuseio e o tratamento precoce das complicações são fundamentais. Considerando que a hipoxemia é o principal resultado do processo obstrutivo, a administração de oxigênio passa a ser de fundamental importância no tratamento, reduzindo também o sofrimento respiratório. Deve ser administrado aquecido e umidificado, com concentrações inferiores a 40% na maior parte dos casos, através de catéter nasal, máscara, campânula, ou oxitenda. São necessárias aferições freqüentes de saturação por oximetria de pulso, visando mantê-la acima de 93-95%.
Os broncodilatadores, apesar de empregados há mais de 40 anos no tratamento da bronquiloite, tem sua eficácia clínica ainda controversa. Alguns estudos demonstraram que os broncodilatadores melhoram a função pulmonar, diminuindo o uso da musculatura acessória e aumentando a saturação de oxigênio após a primeira dose de salbutamol. Em outros estudos, demonstraram uma queda da saturação de oxigênio maior e mais prolongada nos pacientes. Dentre os diversos trabalhos hoje disponíveis, ainda não dispomos de dados suficientes que nos permitam estabelecer o papel da terapêutica com drogas beta 2 agonistas na bronquiolite viral aguda. Porém, o persistente uso desta terapia de questionável eficácia tem sido justificável porque 15-25% dos pacientes com bronquiolite desenvolverão asma. Em acréscimo, histórias retrospectivas indicam que 9-44% das crianças asmáticas mais velhas tiveram seu primeiro episódio de sibilância no primeiro ano de vida.
Na admissão de um paciente em nível hospitalar, devemos avaliar com muito critério o estado clínico do paciente, antes e após a instituição da terapêutica com broncodilatadores, como padrão respiratório, sinais vitais, tolerabilidade ao procedimento e níveis de saturação de oxigênio. A terapêutica só é continuada quando o paciente responder de maneira inequívoca à sua utilização, assim como deve ser suspensa, quando o paciente não melhorar ou apresentar sinais clínicos de deterioração.
Quanto ao uso da adrenalina, não se encontram dados suficientes na literatura para atribuir a esta uma posição de droga broncodilatadora de eleição para os pacientes portadores de bronquiolite. Ainda permanecem também muitas dúvidas a serem respondidas: dose ideal, tempo de uso e intervalo de administração.
O uso de corticoesteróides no tratamento da bronquiolite não tem mostrado resultados significativos.
A disponibilidade de um teste diagnóstico rápido para detecção do VSR pode permitir uma intervenção precoce com terapia antiviral. A Ribavirina tem mostrado um amplo efeito provavelmente por inibir a síntese da proteína viral. Usada por inaloterapia, se mostrou eficaz em reduzir a presença do VSR sem, contudo, modificar expressivamente o quadro clínico e a mortalidade. Candidatos ao tratamento incluem lactentes de alto risco; aqueles com displasia broncopulmonar, mucoviscidóticos, imunodeficientes, cardiopatas e lactentes que estão severamente doentes. Porém, pela necessidade de equipamentos especiais e pelo seu alto custo, não é uma prioridade em nosso meio.
Nos últimos anos, desenvolveram-se imunoglobulinas por técnicas monoclonais que permitem a prevenção de formas graves. Estas estão indicadas em crianças com condições debilitantes tais como prematuridade e displasia broncopulmonar, nas quais o uso mensal ( intramuscular ou intravenoso- dependente do tipo) reduz o risco de formas graves de infecção pelo VSR. Seu alto custo torna seu uso limitado.
As indicações para intubação e ventilação mecânica são sobretudo clínicas, quando se observam apnéias, má perfusão e, especialmente, queda do nível de consciência. PaO2 menor que 50mmHg, PCO2 acima de 60mmHg com pH abaixo de 7,2 também são critérios que corroboram a os achados clínicos.
Em torno de 50 a 80% das crianças hospitalizadas por BVA apresentam sintomas obstrutivos na alta (tosse e sibilância). É importante que a família seja informada da permanência de sintomas por algumas semanas. Nos casos mais intensos com sinais de melhora com broncodilatadores durante a internação recomenda-se administrá-los sob a forma inalatória nas semanas subsequentes, de acordo com a necessidade. Em situações nas quais o paciente recebeu corticóides sistêmicos e que pioraram com sua retirada pode-se indicar (conforme avaliação especializada) corticóides inalatórios em dose de 200 a 400 mcg ao dia.
Evandro Thomsen Antunes
Laerte Costa Alberton
Fonte: www.drashirleydecampos.com.br