Facebook do Portal São Francisco Twitter do Portal de Educação Curtir
Home  Budismo  Voltar

Budismo

Sidarta Gautama, o Buda

Sidarta Gautama, o Buda
Sidarta Gautama, o Buda

Filho do Hinduísmo, o Budismo foi fundado na Índia em cerca de 528 AC, por Sidarta Gautama, conhecido como “o Buda” (“o iluminado”). Os adeptos e devotos do Budismo também lhe chamam de “Bhagara” (senhor) e “Tathagata” (vencedor).

Segundo alguns autores, Sidarta Gautama teria nascido em 563 AC e morrido em 483 AC, aos 80 anos, vítima de uma terrível diarréia causada, segundo a lenda, por cogumelos venenosos. Esses cogumelos teriam sido considerados uma “bênção” para Gautama, pois lhe teriam aberto os “portais do Nirvana”.

Nascido em Lumbini, nas cercanias do Nepal, ainda segundo a lenda, Gautama possuía 40 000 garotas dançarinas a seu dispor.

Sidarta Gautama vagueava desnorteado pelo seu palácio até que teve um encontro com um velho mendigo doente. Esse encontro mudaria a sua vida a ponto de, aos 29 anos de idade, deixar seu palácio, mulher e filho, e sair pelo mundo vagueando, juntamente com dois mestres da Yoga (Hinduísmo), em busca das explicações para o sofrimento, em busca da felicidade e da paz.

Sidarta teria se tornado um mendigo ele próprio, e aos 35 anos, como diz a lenda, assentou-se debaixo de uma figueira, começou a meditar e, “repentinamente”, encontrou seu caminho e passou a ser “o iluminado”. Após essa experiência em baixo da “árvore da sabedoria”, os problemas e as dúvidas existenciais teriam, simplesmente, desaparecido. Já não havia mais enigmas para “o Buda”.

Os fundamentos hinduístas das doutrinas do Budismo são, essencialmente, os mesmos. São, na realidade, apenas mais uma dentre as muitas expressões doutrinárias dos Vedas, com outros formatos.

Porém, o Budismo possui um caráter um pouco menos complexo em seu conjunto ritualístico e supersticioso. Embora seja, possivelmente, a religião oriental campeã em número e quantidade de escritos filosófico-religiosos.

Há no penduricalho de escritos do Budismo uma grande coleção de literatura, dentre as quais se destacam: O Tripitaka (com 100 volumes) (!), o Mahayana, o Vajrayana e a Literatura Tibetana (uma coleção com 300 volumes) (!!!), e ainda a Coleção dos Escritos dos Seis Conselhos Budistas (esta última com 400 volumes) (!!!!).

Segundo o Budismo, a vida é para ser vivida e aproveitada na terra, não nos céus, pois o Budismo nega a existência dos céus. O carro chefe do Budismo, o fantástico Nirvana, não é um lugar, mas sim “um estado de mente” onde os desejos e os sofrimentos cessariam de existir.

O Nirvana do Budismo é o mesmo conceito hinduísta do moksha.

Para o Budismo, o atingimento do Nirvana só pode se dar através de uma vida de amor e de compaixão aqui na terra, embora Deus nem sequer seja mencionado.

A liberação dos ciclos reencarnacionistas, segundo a doutrina do Budismo, é o mesmo conceito presente no moksha do Hinduísmo. Para se atingir o moksha, há três caminhos diferentes.

E o primeiro deles é o karma yoga. Este é um caminho bastante popular de “salvação” no Hinduísmo. Segundo acreditam, pela observância de deveres familiares e sociais, e ainda pela obediência a vários rituais, o indivíduo suplanta o peso do “karma ruim” e há regras e rituais encontrados no Código de Manu para orientar a prática do karma yoga.

O segundo caminho para escapar das terríveis transmigrações da alma é o “caminho do conhecimento” ou jnana yoga. A premissa básica deste segundo caminho é que a causa do cativeiro humano preso ao horrendo ciclo das reencarnações seria a ignorância (avidya).

Entre os adeptos praticantes do jnana yoga a ignorância consiste fundamentalmente no erro em se supor que as pessoas são individuais e não “um com o todo” (Brahman). E esta “ignorância” seria a causa originadora de más ações que resultam no “karma ruim”.

A “salvação” ou escape dos ciclos reencarnacionistas seria então obtida através do atingimento de um estado de “consciência” pelo qual se obtém o reconhecimento da identidade do homem com Brahman. E isto seria conseguido através da meditação profunda, esta última parte integrante da disciplina da Yoga.

O terceiro e último caminho para a obtenção da “libertação” é o bhakti yoga. Esta terceira “opção” significa a devoção do indivíduo a um ou a uma ou a uns dos diversos deuses do Hinduísmo.

Este terceiro caminho é bastante popular no grande segmento hindu da sociedade indiana. A devoção é expressa através de atos de adoração (puja) nos templos, nas casas, na participação em rituais e em festas em honra aos deuses e por peregrinações a um dos muitos lugares “sagrados” da Índia.

A devoção a algum (ou a alguns) deus do Hinduísmo tem por finalidade a obtenção de favores desse deus (ou deuses) dentre os quais favores figura a libertação dos ciclos de reencarnações.

O Budismo também possui seus lugares de peregrinação, destacando-se as peregrinações ao local de nascimento do Buda, em Lumini, nas cercanias do Nepal, o lugar onde Gautama teria atingido a “iluminação”, em Bihar, na Índia e ao lugar onde “o iluminado” teria iniciado suas pregações, em Sarnath.

Atualmente são também considerados como lugares de peregrinação muitos templos famosos dedicados ao Buda, na China, no Japão, no Sri Lanka, na Índia, em Burma, no Camboja e em Java.

Para os hindus a entrada no Nirvana ou a liberação dos ciclos da transmigração da alma significa a absorção do indivíduo pela “consciência divina”, perdendo assim o indivíduo a sua própria consciência e passando a ser “Brahman”.

Os Vedas hindus ensinam que Brahman é a “realidade divina” e que dentro dos seres existe uma “identidade divina” a que chamam de Atman.

Atman, por vezes é uma referência à alma humana, porém seu significado para os Hinduístas e Budistas não é o mesmo significado de alma como nós cristãos o entendemos.

E o que os Hinduístas chamam de "realidade divina" nada tem a ver com Deus. Antes o Hinduísmo e o Budismo são doutrinas agressivamente opositoras ao verdadeiro Deus e chegam ao ponto de negar a Sua existência. O conceito Hinduísta de "realidade divina" ou "consciência divina" é uma referência ao que chamam de Brahman, e Brahman não é Deus. Tal conceito de “divindade” é idêntico no Nirvana budista.

Não há no Budismo um corpo doutrinário voltado para a vida além da morte, e a alma humana também é fortemente negligenciada pelas doutrinas Budistas. O que há é a promessa (exatamente como no Hinduísmo) da cessação dos “ciclos reencarnacionistas”, que pode ser obtida após várias reencarnações e uma vida de pobreza, castidade e caridade. Esse seria o “caminho para a iluminação”.

Não há (e nem poderia haver) nada extraordinário em relação a Sidarta Gautama, o Buda. Gautama, se é que realmente existiu, não passou de mais um dos muitos monges hindus que vagueavam (e que ainda vagueiam) sem rumo, sem Deus e sem esperança.

“Jesus, pois, lhes afirmou de novo: Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não lhes deram ouvido. Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem.

O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. Eu sou o bom pastor.

O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. O mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge; então, o lobo as arrebata e dispersa. O mercenário foge, porque é mercenário e não tem cuidado com as ovelhas.

Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas.”

Senhor Jesus Cristo, João 10:7-15

Dr Leadnet

Fonte: drleadnet.com

Budismo

O Budismo é a religião pregada pelo Buda, um Príncipe hindu, de aproximadamente três mil anos atrás, quando a Índia era o berço de uma brilhante civilização, igualável à da Grécia antiga. O Rei, pai de Buda, deu-lhe todos os meios para gozar a vida e todas as diversões da época, mas ele preferiu meditar sobre como enfrentar os sofrimentos inevitáveis como: o nascimento, a velhice, a doença e a morte. Praticou então toda sorte de penitências, levando uma vida de meditação. Porém, percebeu que era inútil tentar obter a liberdade espiritual martirizando o corpo, pois seria contra a natureza humana. Após meditação e reflexão de longa data descobriu a verdade eterna e pregou durante 50 anos, dos seus 80 anos de existência, ensinamentos que são chamados de Sutras.

Buda ensina que descobriu a verdade e não a inventou e que, logo, qualquer pessoa poderá, também, descobrir seguindo seus ensinamentos. O que significa que a verdade já existia desde o início das épocas, tal como o átomo, mas que somente foi descoberta aos poucos e lentamente. E, quando se descobre , você tem a certeza de que ela faz parte de ti e que você pode representá-la. Crer em Buda, não significa crer e adorar a sua imagem, mas sim a verdade que ele descobriu e que constitui a Lei da Natureza. Esta crença que tem por centro as Leis da Natureza é que se denomina NAMU-MYOU-HOU-REN-GUE-KYOU.

Ao descobrir esta Lei Eterna da Natureza, Buda passou por inacreditáveis sofrimentos. Na época muitos estudavam, arduamente, para obter os ensinamentos que apresentaremos a seguir: Resumindo a descoberta do Buda, podemos dizer: "isto existe porque ele existe, ele existe porque isto existe." A esta relação dá-se o nome de "en-gui" (Leia da Interdependência ou Ciclicidade Universal). Fazemos parte desta relação e o Namumyouhourenguekyou nos reintegra a essa natureza universal.

Para que exista o desabrochar de uma flor, e possamos nos deleitar diante de sua beleza, é necessário que se tenha terra e semente.

Na realidade o principal fator que contribui para um belo desabrochar é a condição climática.

Neste caso a terra e a semente são "IN", ou seja , a causa direta e a primavera será o "EN", ou seja, a condição indireta para o belo desabrochar. Tudo indica que na vida somos dependentes do “IN” e do “EN”, isto é, somos dependentes do ciclo da causa e da condição.

Notamos que, com as nossas possibilidades, preparando corretamente todas as causas diretas, no "momento certo", o resultado será uma conseqüência natural e infalível.

Nosso esforço estará sempre voltado para o "IN" enquanto que do "EN", que está fora de nosso domínio e poder, a nossa Fé cuidará.

Na oração do Namumyouhourenguekyou encontra-se compactada toda a causa e a essência para o nosso desabrochar humano, mesmo que todas as circunstâncias externas sejam aparentemente adversas.

Buda ensina que devemos pensar sempre nessas facetas, conjuntamente, para conhecermos a verdade. Como seres humanos estamos sempre à procura da felicidade e procuramos nos desviar dos sofrimentos e das tristezas. Em se tratando de doença, verificamos que graças à existência da dor ficamos sabendo que estamos doentes, quando então chamamos um médico para nos examinar e localizar a causa. Se não sentíssemos a dor, a doença progrediria até nos fazer sucumbir.

Portanto:

1º A existência de dor nos possibilita chamar um médico, de imediato.

2º Inicia-se o tratamento e ficamos ansiosos pela cura.

3º Suportamos todo tipo de tratamento, por mais penoso que seja.

4º Uma vez curados, tomamos precauções para não haver recaída ou para não contrairmos novamente a doença.

Buda faz com que o homem perceba as dificuldades da vida para que conheça a verdadeira felicidade.

O homem fortalece seu caráter através do sofrimento, como uma condição inevitável à aquisição e acúmulo de virtudes. Ensina-nos como enfrentá-lo e para isso procura indagar a causa do sofrimento através do passado. A seguir, ensina qual a atitude a tomar no presente e esclarece a conseqüência futura

Mostra-nos qual o caminho a trilhar em nosso desconhecido mundo, porém, o mesmo em que deveremos encontrar a plena e mútua felicidade.

BUDA

O Termo "Buda" é um título, não um nome próprio. Significa "aquele que sabe", ou "aquele que despertou", e se aplica a alguém que atingiu um superior nível de entendimento e a plenitude da condição humana. Foi aplicado, e ainda o é, a várias pessoas excepcionais que atingiram um tal grau de elevação moral e espiritual que se tranformaram em mestres de sabedoria no oriente, onde se seguem os preceitos budistas.

Porém o mais fulgurante dos budas, e também o real fundador do budismo, foi um ser de personalidade excepcional, chamado Sidarta Gautama. Siddharta Gautama, o Buddha, nasceu no século VI a. C. (em torno de 556 a. C.), em Kapilavastu, norte da Índia, no atual Nepal. Ele era de linhagem nobre, filho do rei Suddhodana e da rainha Maya.

Logo depois de nascido, Sidarta foi levado a um templo para ser apresentado aos sacerdotes, quando um velho sábio, chamado Ansita, que havia se retirado à uma vida de meditação longe da cidade, aparece, toma o menino nas mãos e profetiza: "este menino será grande entre os grandes. Será um poderoso rei ou um um mestre espiritual que ajudará a humanidade a se libertar de seus sofrimentos". Suddhodana, muito impressionado com a profecia, decide que seu filho deve seguir a primeira opção e, para evitar qualquer coisa que lhe pudesse influenciar contrariamente, passa a criar o filho longe de qualquer coisa que lhe pudesse despertar qualquer interesse filosófico e espiritual mais aprofundado, principalmente mantendo-o longe das misérias e sofrimentos da vida que se abatem sobre o comum dos mortais. Para isso, seu pai faz com que viva cercado do mais sofisticado luxo. Aos dezesseis anos, Sidarta casa-se com sua prima, a bela Yasodhara, que lhe deu seu único filho, Rahula, e passa a vida na corte, desenvolvendo-se intelectual e fisicamente, alheio ao convívio e dos problemas da população de seu país. Mas o jovem príncipe era perspicaz, e ouvia os comentários que se faziam sobre a dura vida fora dos portões do palácio.

Chegou a um ponto em que ele passou a desconfiar do porquê de seu estilo de vida, e sua curiosidade ansiava por descobrir por que as referências ao mundo de fora pareciam ser, às vezes, carregadas de tristeza.

Contrariamente à vontade paterna - que tenta forjar um meio de Sidarta não perceber diferença alguma entre seu mundo protegido e o mundo externo, o jovem príncipe, ao atrevessar a cidade, se detém diante ante a realidade da velhice, da doença e da morte.

Sidarta entra em choque e profunda crise existencial. Derepente, toda a sua vida parecia ser uma pintura tênue e mentirosa sobre um abismo terrível de dor, sofrimento e perda a que nem mesmo ele estava imune. Sua própria dor o fez voltar-se para o problema do sofrimento humano, cuja solução tornou-se o centro de sua busca espiritual. Ele viu que sua forma de vida atual nunca poderia lhe dar uma resposta ao problema do sofrimento humano, pois era algo artificialmente arranjado. Assim, decidiou, aos vinte e nove anos, deixar sua família e seu palácio para buscar a solução para o que lhe afligia: o sofrimento humano. Sidarta, certa vez, em um dos seus passeios onde acabara de conhecer os sofrimentos inevitáveis do homem, encontrara-se com um monge mendicante. Ele havia obervardo que o monge, mesmo vivendo miseravelmente, possuia um olhar sereno, como de quem estava tranquilo diante dos revezes da vida. Assim, quando decidiu ir em busca de sua iluminação, Gautama resolveu se juntar a um grupo de brâmanes dedicados a uma severa vida ascética. Logo, porém, estes exercícios mortificadores do corpo demonstraram ser algo inútil.

A corda de um instrumento musical não pode ser retesada demais, pois assim ela rompe, e nem pode ser frouxa demais, pois assim ela não toca. Não era mortificando o corpo, retesando ao extremo os limites do organismo, que o homem chega à compreensão da vida.

Nem é entregando-se aos prazeres excessivamente que chegará a tal. Foi ai que Sidarta chegou ao seu conceito de O Caminho do Meio : buscar uma forma de vida disciplinada o suficiente para não chegar à completa indulgência dos sentidos, pois assim a pessoa passa a ser dominada excessivamente por preocupações menores , e nem à autotortura, que turva a consciência e afasta a pessoa do convívio dos seus semelhantes. A vida de provações não valia mais que a vida de prazeres que havia levado anteriormente. Ele resolve, então, renunciar ao ascetismo e volta a se alimentar de forma equilibrada. Seus companheiros, então, o abandonam escandalizados.

Sozinho novamente, Sidarta procura seguir seu próprio caminho, confiando apenas na própria intuição e procurando se conhecer a si mesmo.

Ele procurava sentir as coisas, evitando tecer qualquer conceitualização intelectual excessiva sobre o mundo que o cercava. Ele passa a atrair, então, pessoas que se lhe acercam devido a pureza de sua alma e tranquilidade de espírito, que rompiam drasticamente com a vaidosa e estúpida divisão da sociedade em castas rígidas que separavam incondicioanalmente as pessoas a partir do nascimento, como hoje as classes sociais e dividem estupidamente a partir da desigual divisão de renda e, ainda mais, de berço.

Diz a lenda - e lendas, assim como mitos e parábolas, resumem poética e figuradamente verdades espirituais e existenciais - que Sidarta resolve meditar sob a proteção de uma figueira, a Árvore Bodhi. Lá o demônio, que representa simbolicamente o mundo terreno das aparências sempre mutáveis que Gautama se esforçava por superar, tenta enredá-lo em dúvidas sobre o sucesso de sua tentativa de se por numa vida diferente da de seus semelhantes, ou seja, vem a dúvida sobre o sentido disso tudo que ele fazia. Sidarta logo se sai dessa tentativa de confundí-lo com a argumentação interna de que sua vida ganhou um novo sentido e novos referenciais com sua escolha, que o faziam centrar-se no aqui e agora sem se apegar a desejos que lhe causaria ansiedade.

Ele tinha tudo de que precisava, como as aves do céu tinham da natureza seu sutento, e toda a beleza do mundo para sua companhia.

Mas Mara, o demônio, não se deu por vencido, e, ciente do perigo que aquele sujeito representava para ele, tenta convencer Sidarta a entrar logo no Nirvana - estado de consciência além dos opostos do mundo físico - imediatamente para evitar que seus insights sobre a vida sejam passados adiante.

Aí é possível que Buda tenha realmente pensado duas vezes, pois ele sabia o quanto era difícil as pessoas abandonarem seus preconceitos e apegos a um mundo resumido, por elas mesmas, a experiências sensoriais. Tratava-se de uma escolha difícil para Sidarta: o usufruto de um domínio pessoal de um conhecimento transcendente, impossível de expor facilmente em palavras, e uma dedicação ao bem-estar geral, entre a salvação pessoal e uma árdua tentativa de partilhar o conhecimento de uma consciência mais elevada com todos os homens e mulheres.

Por fim, Sidarta compreendeu que todas as pessoas eram seus irmãos e irmãs, e que estavam enredaddos demais em ilusórias certezas para que conseguissem, sozinhos, uma orientação para onde deviam ir. Assim, Sidarta, o Buda, resolve passar adiante seus conhecimentos.

Quando todo o seu poder argumentativo e lógico de persuasão falham, Mara, o mundo das aparências, resolve mandar a Sidarta suas três sedutoras filhas: Desejo, Prazer e Cobiça, que apresentam-se como mulheres cheias de ardor e ávidas de dar e receber prazer, e se mostram como mulheres em diferentes idades (passado, presente e futuro).

Mas Sidarta sente que atingiu um estágio em que estas coisas se apresentam como ilusórias e passageiras demais, não sendo comparáveis ao estado de consciência mais calma e de sublime beleza que havia alcançado. Buda vence todas as tentativas de Mara, e este se recolhe, à espreita de um momento mais oportuno para tentar derrotar o Buda, perseguindo-o durante toda a sua vida como uma sombra, um símbolo do extremo do mundo dos prazeres.

Sidarta transformou-se no Buda em virtude de uma profunda transformação interna, psicológica e espiritual, que alterou toda a sua perspectiva de vida. "Seu modo de encarar a questão da doença, velhice e morte mudo porque ele mudou" (Fadiman & Frager, 1986).

Tendo atingido sua iluminação, Buda passa a ensinar o Dharma, isto é, o caminho que conduz à maturação cognitiva que conduz à libertação de boa parte do sofrimento terrestre. Eis que o número de discípulos aumenta cada vez mais, entre eles, seu filho e sua esposa. Os quarenta anos que se seguiram são marcadas pelas intermináveis peregrinações, sua e de seus discípulos, através das diversas regiões da Índia.

Quando completa oitenta anos, Buda sente seu fim terreno se aproximando. Deixa instruções precisas sobre a atitude de seus discípulos a partir de então:

"Por que deveria deixar instruções concernetes à comunidade? Nada mais resta senão praticar, meditar e propagar a Verdade por piedade do mundo, e para maior bem dos homens e dos deuses. Os mendicantes não devem contar com qualquer apóio exterior, devem tomar o Eu - self - por seguro refúgio, a Lei Eterna como refúgio... e é por isso que vos deixo, parto, tendo encontrado refúgio no Eu".

Buda morreu em Kusinara, no bosque de Mallas, Índia. Sete dias depois seu corpo foi cremado e suas cinzas dadas as pessoas cujas terras ele vivera e morrera.

BUDA PRIMORDIAL

O Buda Primordial (Kuon no Honbutsu) como o próprio nome diz é "Primordial" é "Original". Não tem começo nem fim. É a divindade única que rege o cosmos e que na história da humanidade, no momento da pregação dos Oito Primeiros Capítulos do Caminho Primordial do Sutra Lótus (Honmon Happon e somente durante este trecho) através do corpo físico do Buda Histórico revelou sua existência, identidade e acima de tudo, pessoalmente nos transmitiu os ensinamentos.

Portanto, podemos dizer que vimos pessoalmente a divindade e que, pela soberba compaixão e presença fez da Terra a Terra Pura ao nos pregar os ensinamentos -(o Namumyouhoureguekyou)- fez de nós os seres mais privilegiados dentre os seres.

Já o Buda Histórico, dentre incontáveis mundos do universo é o Buda encarregado (pelo Buda Primordial) aqui da terra. É claro que é uma emancipação do Buda Primordial, ou seja, uma manifestação física e transitória que nasceu com a missão de nos ensinar sob a mesma forma "humana" e passando pelos mesmos obstáculos mundanos, conseguiu atingir a iluminação e, principalmente expandi-Ia.

Justamente por ser transitório não é correto tê-lo como objeto de veneração. Justamente por isso que nos templos da Butsuryu-Shu não existem estátuas de Buda , ao contrário de tantos outros templos budistas. Não podemos venerar algo temporário, sujeito a mutabilidade e, por mais iluminado que seja, essa iluminação não pode ter acontecido agora pela primeira vez.

A forma de venerarmos o Buda Primordial é venerando-o na sua forma espiritual , a do Gohonzon. Não na estátua de Buda, pois o próprio Buda baniu tal forma de devoção. Toda vez que oramos o Odaimoku incorporamos o Buda Primordial e recebermos a virtude da sua iluminação.

BUDISMO NO BRASIL

A modernidade está envolta em tecnologia, racionalismo e materialismo. Como se soubesse deste perigo, Buda deixou ensinamentos e métodos de prática que proporcionam a felicidade, mesmo em circunstâncias adversas à iluminação. Estes ensinamentos estão nos capítulos de 15 a 22 do Sutra Lótus que falam da fé e de compaixão (solidariedade) como práticas fundamentais.

A própria Flor de Lótus é um símbolo disso. Ela desabrocha em mangues e nem por isso a flor se macula com as impurezas do local. O mundo impuro seria este em que vivemos, tomados pelos três venenos, e a Flor de Lótus é a prática transformadora na fé e na compaixão, em sintonia com Buda. Assim essa flor jamais se manchará. É importante salientar que esta flor possui a característica de desabrochar junto com a semente do próximo fruto. Portanto se perpetua, assim como deve se perpetuar e gerar frutos as práticas dos budistas.

Desta forma, podemos concluir que o Buda, como uma mera imagem, não é alvo de veneração, assim como ele próprio ressaltou. A grande contribuição do Budismo para o mundo neste novo milênio é a concepção não fragmentada de ser humano, que prioriza o "Ser" independente da sua imperfeição e que têm como meta: "orar pela harmonia do universo, através da prática das virtudes, do aprimoramento espiritual e da solidariedade dos seres".

Devemos compreender também que o Budismo deve se vincular diretamente aos ensinamentos de Buda e não das interpretações dos fundadores das facções ou de seus seguidores.

A religião budista é exclusivamente fundada pelo Buda primordial e fundamentada pelos ensinos primordiais. Buda deixou oitenta e quatro mil ensinamentos, mas segundo ele mesmo falou, a essência da doutrina está no ensinamento do Sutra Lótus. Este texto começa dizendo: "As portas da iluminação se abrirão para todos, indiscriminadamente, com uma única condição: a fé e a compaixão" fé como sentimento que nos une através da essência, e compaixão como atividade que nos une através da prática e vivificação desta essência.

Portanto, a religião budista não é meramente filosofia ou um exercício como algumas vezes é interpretada, mas sim algo que parte da experiência religiosa e atinge a prática, na vida de qualquer um.

O mundo continuará a se transformar, porém, as pessoas também precisarão da transformação no universo do espírito com uma conseqüente prática transformadora. Isto não significa tornar-se um super-homem, mas num verdadeiro homem de fé e de compaixão, que desempenha, com afinco, suas atividades neste único e real momento.

Fonte: www.budismo.com.br

voltar 12345avançar
Sobre o Portal | Politica de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal