
Um interior funcional e sem os exageros que se viam no porte e na
mecânica: Ettore entendia que os méritos do automóvel
deviam se provar na prática, não na aparência
Enquanto o protótipo era modificado, um chassi definitivo com menores distância entre eixos (4,27 metros) e bitola (de 1,65 para 1,60 m) estava para ficar pronto. O motor também perdeu um pouco de sua "exuberância métrica": passava para 12.763 cm³, com curso de 130 mm. Mas a potência se mantinha nos mesmos patamares.
O primeiro Royale efetivamente vendido seria vestido com uma carroceria "sedã de viagem" confeccionada pela própria Bugatti. Outro foi adquirido por um médico alemão, que não se privou de pagar mais que o dobro do valor do mais caro Rolls-Royce.
Esta unidade foi entregue na forma de um Cabriolet branco da Weinberger, empresa de Munique. Ainda na linha mais esportiva, Jean Bugatti, filho de Ettore, criou o mais inusitado dos Royales: um roadster sem faróis para um afortunado comerciante de peças de vestuário, Armand Esders. O cliente jamais dirigia à noite.
Dos seis modelos de série, somente mais uma terceira unidade seria de fato vendida: uma limusine cuja carroceria levou a assinatura da Park Ward. Bugatti manteve em seu acervo pessoal dois Royales. Um deles "trajava" Kellner, produtor alemão de carrocerias. Foi esse sedã sóbrio que bateria o recorde de valor pago por um carro em leilões em 1987.

O Napoléon de Jean Bugatti inspiraria a carroceria da francesa
Binder, adotada pelo segundo dono do conversível de Esders
O outro tinha o compartimento do motorista aberto, estilo chamado de Coupé De Ville, e a parte coberta posterior bastante iluminada graças a um teto solar de quatro janelas. Jean Bugatti foi o autor dos traços dessa unidade, fazendo dela o mais autoral e reverenciado Royale. É o chamado Coupé Napoléon. De todos os seis Tipos 41 produzidos, apenas o curioso exemplar de Esders sofreria modificações posteriores à venda: o segundo dono do carro trocou a carroceria roadster original por outra fortemente inspirada no Napoléon. Também ao estilo De Ville, essa nova roupagem foi realizada pela Binder de Paris, que guardou a carroceria roadster até ela ser encontrada destruída após a Segunda Guerra.
Nenhum membro da realeza chegou a adquirir um Royale. O rei Zog, da Albânia, chegou a visitar Bugatti na esperança de adquirir um, mas, ao ver os modos do rei à mesa, o projetista italiano se recusou a tê-lo como cliente. Já o Coupé Napoléon é alvo de outro episódio nebuloso.
Reza a lenda que ele teria sido encomendado pelo rei Carol da Romênia, mas é fato que acabou nas mãos da família Bugatti. Contudo, se o carro criado para os mais nobres dos proprietários não teve espaço em nenhuma garagem real, isso tampouco seria preciso.
O Royale foi capaz de se tornar o mais suntuoso dos carros nos anos em que existiu. Enfrentou a grave crise econômica dos anos 30, conseqüência da queda da Bolsa de Valores de Nova York em 1929, com toda pompa e circunstância.
Mas estava reservado a ele um panteão de honras que em nada dependem do número de unidades produzidas ou vendidas. E como quem já foi rei não perde a majestade, seu legado e seu mito continuam tão intactos quanto, aparentemente, inatingíveis na estratosfera das grandes obras-primas já produzidas sobre quatro rodas.
| Ficha técnica | ||
|---|---|---|
| Royale 1926 (protótipo com carroceria Packard) |
Royale 1930 (carroceria Weinberger) |
|
| MOTOR | ||
| Posição e cilindros | longitudinal, 8 em linha | |
| Comando e válvulas por cilindro | no cabeçote, 3 | |
| Diâmetro e curso | 125 x 150 mm | 125 x 130 mm |
| Cilindrada | 14.726 cm3 | 12.763 cm3 |
| Taxa de compressão | ND | |
| Potência máxima (estimada) | 300 cv a 2.000 rpm | |
| Torque máximo | ND | |
| Alimentação | carburador | |
| CÂMBIO | ||
| Marchas e tração | 3, traseira | |
| FREIOS | ||
| Dianteiros e traseiros | a tambor | |
| SUSPENSÃO | ||
| Dianteira | eixo rígido, molas semi-elíticas | |
| Traseira | eixo rígido, molas em quarto de elipse | |
| RODAS | ||
| Pneus | 7,50-24 | |
| DIMENSÕES | ||
| Comprimento | 5,99 m | ND |
| Entreeixos | 4,57 m | 4,29 m |
| Peso | 2.250 kg | 3.190 kg |
| DESEMPENHO | ||
| Velocidade máxima | ND | 200 km/h |
| Aceleração de 0 a 100 km/h | ND | |
| ND = não disponível | ||
Fonte: www2.uol.com.br
| MOTORIZAÇÃO | |||
|---|---|---|---|
| Motor | 14.7, 8 cilindros em linha, 24 válvulas (3 por cilindro), carburador, gasolina | ||
| Cilindrada | 14.726 cm³ | Potência | 300 cv a 2.000 rpm |
| Potência Específica | 23,6 cv/litro | Torque | Não disponível |
| CARROCERIA | |||
| Comprimento | 5.994 mm | Peso | 2.250 kg |
| Largura | Não disponível | Porta-Malas | Não disponível |
| Altura | Não disponível | Tração | Traseira |
| Freios | Tambor nas quatro rodas | Câmbio | Manual de 3 marchas |
| DESEMPENHO | |||
| Velocidade Máxima | 201 km/h | Aceleração | Não disponível |
O Tipo 41 "Le Royale" foi a obra-prima de Ettore Bugatti: era um carro gigantesco, com 4,32 metros de entreeixos. O carro pesava mais de 3 toneladas e custava o equivalente a três Rolls-Royce Phantom II.
Todas suas peças recebiam banhos de prata, já que cromo era considerado vulgar demais para os Bugatti. Seu motor, baseado num motor de avião, tinha 8 cilindros e media 1,42 metro de comprimento. Apenas seis unidades foram produzidas e uma delas tinha 6,23 metros de comprimento.
Fonte: br.geocities.com