
Um assombro. Assim pode ser descrita a experiência de dirigir um automóvel de um milhão de euros com 1.001 cv de potência, 127,4 m.kgf de torque, 0 a 100 km/h em menos de três segundos e 406 km/h de máxima — recordes mundiais de desempenho para um carro de série. Estamos falando do EB 16/4 Veyron, que resgata uma das mais célebres marcas de carros sofisticados que já existiu: a francesa Bugatti, hoje sob comando da Volkswagen. O Veyron estabelece novos patamares de desempenho, enquanto resgata a aura de carros de sonho que tiveram no Bugatti Atlantic o ápice em esportividade, estilo e exclusividade.
O Atlantic, que levava dois ocupantes, era uma série limitada do Type 57. Na verdade, seu nome completo era Bugatti Type 57SC Atlantic, uma idéia tão fascinante que ganhou luz própria e status de mito. Ele é encarado como um modelo à parte da família criada pelo italiano Ettore Bugatti de 1898 em diante, por seus atributos técnicos de ponta e, em especial, por seu desenho singular. Tanto que ficou conhecido apenas como Atlantic, nome que é atribuído a uma homenagem a Roland Garros. Este ás da aviação francesa na Primeira Guerra Mundial morreu num acidente no Oceano Atlântico.
A gama da família Type 57, ao se encerrar em 1940, contabilizava 710 unidades produzidas. Ela nascera em 1934 das pranchetas de Jean Bugatti, o filho de Ettore. A série de modelos sobre essa plataforma foi das mais variadas e criativas da marca e rendeu frutos como o também aclamado Atalante. Com enormes 3,3 metros de distância entre eixos, o carro usava um motor de oito cilindros em linha com duplo comando de válvulas, câmaras de combustão hemisféricas e 3.257 cm³ (diâmetro e curso de 72 x 100 mm), que também equipava a maior parte dos modelos 57. A potência era de 135 cv e a velocidade máxima de 153 km/h, marcas vibrantes para a época.

Do primeiro Atlantic não se tem notícia, mas o segundo (na foto),
depois de mudar de cor várias vezes, foi restaurado conforme o padrão
original de 1936
O propulsor do Type 57 era o mesmo do Type 59 de corrida, derivado do que equipava o Type 49, com profundas modificações no projeto original feitas por Jean Bugatti. Diferente dos motores de duplo comando acionado a corrente do Type 50 e do 51, o do Type 57 usava engrenagens para transmitir o movimento do virabrequim ao trem de válvulas. Inicialmente operados por cabos, os freios passavam para sistema hidráulico em 1938. As versões de rua pesavam em torno de 950 kg. Essa configuração básica do modelo estaria em 630 unidades das 710 de toda a série.