Alguma vez você já se viu perdido, sem saber onde estava ou sem conhecer o caminho de volta? Imagine agora estar perdido no meio de uma floresta, de um deserto ou em alto-mar. Não é à toa que se orientar no tempo e no espaço sempre foi um problema que o homem buscou resolver.
Da observação dos astros aos chamados GPS, modernos aparelhos controlados por satélites, a bússola foi o mecanismo de orientação que causou maior impacto na sociedade. Considerada uma das invenções tecnológicas mais importantes da história, esse instrumento possibilitou uma revolução no comércio do Mediterrâneo e o início da Era das Grandes Navegações. Foi com a ajuda deste aparelho que navegadores mapearam oceanos e descobriram novas terras, incluindo o continente americano.

Antes de você saber como surgiu a bússola e como ela funciona, é preciso que você compreenda que o nosso planeta é uma espécie de ímã gigante. Um ímã é um objeto capaz de atrair materiais metálicos como o ferro, devido à atuação de um campo magnético. A atuação desse campo é mais intensa nas extremidades e, por isso, cada ponta do ímã é chamada de polo magnético.
Existem sempre dois polos num ímã: um denominado polo norte e outro polo sul. Quando dois polos de mesmo nome (norte-norte ou sul-sul) se aproximam, eles se repelem e quando dois polos contrários (norte-sul) chegam perto, eles se atraem. Um aspecto interessante é que os polos de um ímã não podem ser separados, ou seja, mesmo que seja partido ao meio, o ímã continua com duas polaridades.
Pois bem, a Terra também possui um campo magnético. Alexandre Cherman, astrônomo da Fundação Planetário do Rio de Janeiro, explica que esse campo é gerado principalmente pelo núcleo do planeta – uma bola de ferro sólida, sob alta pressão e temperatura, que “flutua” no magma (lava em estado líquido).
Segundo o pesquisador, o campo magnético terrestre exerce uma atração sobre materiais magnetizados e é por isso que, se suspendermos um ímã por um pedaço de barbante, por exemplo, ele se orienta na direção dos polos magnéticos, ou seja, do eixo Norte-Sul. Por convenção, denomina-se norte do ímã o lado que aponta para o polo norte magnético terrestre e sul, o que aponta para o polo sul magnético terrestre.
É exatamente isso o que chamamos de bússola – um ímã orientado no campo magnético terrestre que indica a direção norte ou sul.

Acredita-se que os chineses foram os primeiros a utilizar, anos antes de Cristo, uma barra de minério de ferro com propriedades magnéticas naturais, a magnetita, para localizar o Sul. As primeiras bússolas chinesas, entretanto, não utilizavam agulhas como as atuais e eram mais usadas como recurso mágico para prever acontecimentos futuros. Elas eram compostas por um prato de formato quadrado, representando a Terra, e um objeto com a forma de uma concha, cujo cabo indicava o Sul, representando a Ursa Maior
Séculos depois, os chineses descobriram que podiam fabricar um ímã se esfregassem, em pequenas agulhas de ferro, um pedaço de magnetita ou se aquecessem essas agulhas e deixassem-nas imóveis na direção norte-sul até esfriar.
Não se sabe ao certo como a bússola chegou nos países islâmicos e posteriormente na Europa. Mas já no século 13, o instrumento era amplamente conhecido e utilizado em todo o continente europeu. Apesar das controvérsias, historiadores acreditam que foi Flávio Gioia que em 1302 alterou a bússola para ser usada a bordo, usando a agulha sobre um cartão com o desenho de uma rosa-dos-ventos.
A bússola, atualmente, consiste em uma agulha magnetizada que, flutuando dentro de uma caixinha transparente, tem uma das extremidades pintada de vermelho indicando sempre o “Norte”. Mas este não é precisamente o Polo Norte geográfico da Terra, como veremos adiante.

Data pelo menos do século 15 o conhecimento de que a bússola, na verdade, não aponta exatamente para o Norte Verdadeiro ou Polo Norte geográfico, como muitas pessoas acreditam ainda hoje.
O astrônomo Alexandre Cherman explica que existe uma distância entre o Norte Geográfico e o Norte indicado pela bússola que pode ser pequena ou grande dependendo do lugar. Essa distância, medida em graus, é chamada de declinação magnética, numa referência ao desvio provocado pelo magnetismo.
A declinação foi verificada depois que as bússolas tornaram-se mais precisas e, então, foi possível o confronto com a observação da Estrela Polar. Essa estrela, que pode ser avistada no hemisfério norte do planeta, já era usada há vários anos como referência para localizar o Norte.
Entenda o porquê destas diferenças:
Norte Verdadeiro (TN)
Este é o Norte Geográfico, mais conhecido como Polo Norte, usado como referência nos mapas geográficos.
Norte Magnético (MN)
Ponto de encontro das linhas do campo magnético da Terra. Fica a aproximadamente 11° do Polo Norte Geográfico, mas esta posição não é fixa e varia com o passar dos anos.
Norte da Bússola (CN)
Este é o norte para onde a bússola aponta, que também não coincide necessariamente com o Norte Magnético. Existe uma diferença que pode variar de 0 a algo em torno de 35° conforme a localidade.
Parece meio complicado, mas o que ocorre é o seguinte: as linhas de um campo magnético são curvas, como na figura acima. Mas no caso da Terra, estas linhas são, na verdade, tortas por causa das correntes subterrâneas de magma que alteram o campo e até da interferência de ventos solares (gases expelidos pelo sol). Cherman explica que, para piorar, em alguns lugares, existem grandes minas de minério de ferro que modificam o campo magnético ao seu redor.
Como a agulha da bússola se mantém alinhada com o campo magnético e as linhas deste campo são tortas, o “norte” para o qual a bússola aponta varia muito de um lugar para outro. Veja como é, de fato, o campo magnético terrestre.

Campo magnético terrestre em 1995 (NOAA/NGDC)
Sendo assim, para localizar onde fica realmente o Norte Geográfico, usando uma bússola, é preciso que você saiba qual é o valor da declinação magnética do local, principalmente para percorrer grandes distâncias. Então, para não ter que fazer muitos cálculos, o melhor é comprar uma bússola que venha com parafuso para ajuste de declinação.
E lembre-se, sempre, que metais e circuitos elétricos próximos podem influir na sua medição. Por isso, nunca use a bússola no interior de um veículo ou próximo a linhas de alta tensão.

A bússola é um instrumento usado há séculos para orientação. Ela consiste basicamente em uma agulha que aponta sempre para o Norte. Você mesmo pode construir uma bússola de baixa precisão. Para isso, você vai precisar de um ímã (talvez tenha um na geladeira da sua casa), uma agulha, uma rolha de cortiça ou um pedaço de isopor, uma fita adesiva, uma faca e um vasilhame com água.
Corte a rolha de cortiça ou o pedaço de isopor, deixando-o com cerca de um centímetro de altura, formando um disco.
Depois, magnetize a agulha: passe uma de suas extremidades na parte lateral do ímã cerca de 20 vezes sempre no mesmo sentido, tomando o cuidado de não fazer movimentos de ida e volta.
Usando a fita adesiva, fixe a agulha no disco e coloque-a sobre um vasilhame com água. Se estiver tudo certo, quando você mexer na agulha, ela deve voltar para a mesma posição, ou seja, indicando a direção Norte-Sul.
Maria Ramos
Fonte: www.invivo.fiocruz.br
Não se sabe ao certo quem teve primeiro a idéia de deixar uma pedra de minério de ferro ionizado indicar o Norte. Estudiosos acreditam que os Chineses foram os primeiros a explorar o fenômeno. "Si Nan" é considerada como a primeira bússola. "Si Nan" significa "O Governador do Sul" e é simbolizada por uma concha cuja pega aponta para Sul.
Como a concha era bastante imprecisa, os Chineses começaram a magnetizar agulhas de modo a ganhar mais precisão e estabilidade. De acordo com alguns escritos Chineses, as primeiras bússolas foram utilizadas no mar por volta do ano 850. A invenção foi então espalhada pelo mundo por astrônomos e cartógrafos para ocidente até aos Indianos, Muçulmanos e Europeus.
A bússola foi desenvolvida através dos séculos, e um avanço considerável foi conseguido quando se descobriu que uma fina peça de metal podia ser magnetizada, esfregando-a com minério de ferro.
O passo seguinte foi conseguir envolver e encerrar a agulha num invólucro cheio de ar e transparente, o chamado invólucro da bússola. E desta forma a agulha estava protegida. Inicialmente, as agulhas das bússolas "dançavam" bastante e demoravam muito tempo a estabilizar. As bússolas modernas são instrumentos de precisão, e a sua agulha, geralmente encerrada num invólucro cheio de líquido, rapidamente se posiciona na direção norte-sul.
A bússola atual é uma caixinha circular (cápsula) de material transparente. A agulha encontra-se equilibrada sobre um pino e tem livre movimento horizontal, permitindo que dê voltas de 360 graus. Como a agulha é imantada, ela aponta para o Norte e para o Sul Magnético. Ela possui uma das pontas diferenciada, pintada por exemplo; esta ponta da agulha lhe indicará o Norte. Nas boas bússolas, o interior da cápsula está cheio de um líquido viscoso, destinado a diminuir a "tremedeira" da agulha. As bússolas destinadas a serem sobrepostas aos mapas são feitas em acrílico transparente.
Porém, sabe-se que pólos opostos se atraem. Sabendo disso, não é muito difícil deduzirmos que o pólo sul magnético fique no norte, e o pólo norte magnético fique no sul. Isso explica uma bússola apontar para o norte. Na verdade, ela aponta para o sul magnético, que se encontra ao norte.
Em torno da cápsula, está um anel giratório graduado denominado limbo. No fundo da cápsula há uma série de linhas paralelas. As linhas mais finas servem para alinhar a bússola (ou a cápsula) às linhas norte-sul da grade de coordenadas do mapa. As duas linhas mais centrais são enfatizadas (mais grossas, cor diferente, ou um desenho especial). A faixa entre estas linhas internas chama-se Seta-Guia. A seta-guia normalmente está em perfeito alinhamento com o 0 (zero) ou "N" do limbo. Mas alguns modelos de bússola permitem que a seta-guia seja ligeiramente desviada, para compensar a declinação magnética. Sobre a placa-base da bússola, partindo da cápsula há uma seta apontando para extremidade mais distante: esta é a Linha-de-Fé.
O limbo, dependendo do tamanho da bússola, é graduado de grau em grau ou de 2 em 2 graus, ou mesmo mais. Quanto menor o diâmetro do limbo, mais graus haverá entre cada par de marcas. Assim, comprar uma bússola muito pequena é desnecessário. Também é preciso evitar comprar uma bússola que não tenha um limbo giratório.
Normalmente a escala do Limbo é em graus. Esta escala vai de 0º a 360º (ou a marca N, no limbo), começando e terminando no mesmo ponto, denominado norte-do-limbo. Os valores lidos no limbo são chamados de Azimutes Magnéticos.