A bússola é um instrumento destinado a medir ângulos horizontais (azimutes) necessários à orientação no terreno e na carta (mapa). Suas medidas são determinadas por uma agulha magnetizada que indica, por princípios físicos, uma direção chamada Norte Magnético.
A bússola é um equipamento necessário para quem pratica trekking e conhecer seu uso é condição básica para obter perfeita navegação. Apesar de haver vários tipos de bússola, não há diferenças marcantes entre elas, já que todas seguem o mesmo princípio.
Para fins didáticos usaremos como exemplo a Bússola SILVA, uma das mais famosas, que tem seu limbo graduado em graus (0 a 360). Quando trabalhamos com a bússola temos normalmente duas questões básicas:

A bússola é um equipamento fundamental para os trekkers
Quando não há certeza sobre o ponto exato em que se está na carta, a bússola pode ajudar a determiná-lo. Para isso deve-se escolher dois pontos de referência bem característicos do terreno e que sejam identificáveis na carta (morros altos, antenas, etc.).
A seguir, determina-se o azimute entre esses dois pontos e o local onde se está.Ao se transportar para a carta esses azimutes, sua interseção será o ponto onde o navegador se encontra.
Procedimento para determinar um azimute no terreno:
a) Coloca-se a seta de navegação apontada na direção
do ponto de referência escolhido no terreno.
b) Gira-se o limbo móvel até que a seta de orientação coincida com a agulha que aponta sempre para o Norte.
c) Quando isso acontecer faça a leitura em graus no limbo móvel no ponto da seta de navegação. O valor encontrado é o ângulo do azimute.
Para seguir no terreno uma direção (navegar) é necessário obter, na carta, o azimute dessa direção.
a) Coloca-se a bússola sobre a carta, sobre um local plano, de modo que seu lado maior fique ao longo da direção que se deseja seguir, apontando a seta de navegação para o ponto desejado.
b) Gira-se o limbo móvel até que as linhas meridionais fiquem paralelas aos meridianos da carta fazendo com que a seta de orientação aponte para o Norte.
c) Retira-se então a bússola da carta colocando-a horizontalmente à frente do corpo.
d) Nesta posição gira-se o corpo juntamente com a bússola, até que a agulha coincida com a seta de orientação.
e) A direção a seguir estará determinada nesse momento pela seta de navegação.
Observação Na maioria das cartas é necessário introduzir a correção referente à declinação magnética, normalmente indicada na legenda da carta. (Ângulo QM).
Evite aproximar-se de campos elétricos ou objetos com massa de ferro pois podem afetar o funcionamento da bússola.
As distâncias mínimas de segurança são:
Alta tensão: 60 metros
Veículos: 20 metros
Linhas telegráficas: 20 metros
Arame farpado: 10 metros
Transformadores: 60 metros
Fonte: www.escolavesper.com.br
A bússola, mais conhecida pelos marinheiros como agulha, é sem dúvida o instrumento de navegação mais importante a bordo. Ainda hoje. Baseia-se no princípio que um ferro natural ou artificialmente magnetizado tem em se orientar segundo a direcção do campo magnético da Terra.
Os chineses conheceram-na muito antes dos europeus. Foram aqueles os primeiros a fazerem uso da propriedade da magnetite para procurarem os pontos cardeais. O Norte tinha extrema importância na sua cultura e por isso o imperador estava sentado no trono a Norte do palácio olhando para Sul. A bússola chinesa era composta por um prato quadrangular representando a Terra onde uma colher de magnetite poisada no centro indicava o Sul.

Bússola chinesa
Parece que foi através dos árabes que esse princípio entra na Europa, onde se tem notícia do seu uso no séc. XII. Inicialmente era composta por uma agulha de ferro magnetizada que se colocava sobre uma palhinha flutuando numa vasilha cheia de água e que apontava o Norte. Levava-se a bordo pedras de magnetite para se cevar as agulhas à medida que estas iam perdendo o seu magnetismo.
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Pedra de cevar
Apesar de controverso Nápoles reclama que Flávio Gioia em 1302 alterou a bússola para ser usada a bordo ligando os ferros à parte inferior de um cartão com o desenho de uma rosa-dos-ventos. A cidade de Amalfi exibe no seu brasão de armas uma legenda evocando o fato.
Os rumos ou as direcções dos ventos têm origem na antiguidade. Na Grécia começaram com dois, quatro, oito e doze rumos. No início do séc. XVI surgem já 16 e na época do Infante D.Henrique já se usavam rosas-dos-ventos com 32 rumos. Primeiramente o rumo era associado à direcção do vento e só mais tarde aos pontos cardeais. A tradição de decorar o Norte com uma flor-de-lis tem origem nas armas da família Anjou que reinava em Nápoles. Alguns napolitanos adoptaram esse símbolo, cuja moda chegou até aos nossos dias. Em certas rosas-dos-ventos, no local que indicava o Leste, aparecia desenhada uma cruz que indicava a direcção da Terra Santa. A rosa-dos-ventos era marcada com os pontos cardeais e com os quadrantes divididos consoante os rumos. Aos espaços entre cada um dos 32 rumos chamavam-se quartas (11º15') que ainda podiam ser divididas ao meio, as meias-quartas (5º37') e estas em quartos (2º48').

Rosa dos ventos 1569
A declinação de uma agulha é a diferença que uma bússola marca entre o norte geográfico e o norte magnético. Não se sabe quem foi o primeiro a notar essa diferença mas desde o séc.XV que aparecem referências a esse fenómeno. As expressões nordestear e noroestear eram usadas pelos nossos navegadores para se referirem à declinação de uma bússola. Ao longo do tempo veio a verificar-se que a declinação variava com o tempo e o lugar, não sem que se tivesse adiantado entre nós no início do séc.XVI que aquela poderia resolver o problema da longitude. Pensava-se então que esta crescia proporcionalmente de Leste para Oeste e foi D.João de Castro em 1538 demonstrou a falsidade desta hipótese. O valor da declinação era tomada pela observação da estrela polar no hemisfério norte ou da estrela do Pé do Cruzeiro no hemisfério sul ou ainda pela altura do Sol. A esta operação chamava-se bornear a agulha.