Também foi D.João de Castro o primeiro a descobrir o desvio de uma agulha, ou seja o efeito que massas de ferro próximas têm sobre uma bússola. Este efeito obrigou a cuidados com o posicionamento desta relativamente a peças de artilharia, âncoras e outros ferros. Era uma das razões para que os morteiros, as caixas que protegem as bússolas, fossem primeiramente em madeira. A bússola consta de leves barras magnetizadas e paralelas que se fixam na parte inferior de um disco graduado. O disco chamado rosa-dos-ventos tem no centro um capitel com um cavado cónico com uma pedra encastrada (rubi, safira, etc.) onde assenta numa haste vertical, o pião, fixada no fundo do morteiro. No vidro ou na parede do morteiro exite um traço vertical chamado linha de fé que indica com rigor a direcção da proa da embarcação.

Bússola francesa 1690
Durante o séc.XVI as nossas bússolas tinham, pelo menos desde 1537, um sistema de balança para manter o morteiro horizontal. Este sistema era similar ao descrito pelo sábio italiano Cardano em 1560 para umas cadeiras a serem usadas a bordo.
O morteiro estava colocado numa coluna de madeira, mais tarde de metal, a bitácula, à frente da roda do leme. A bitácula contêm um sistema dito cardan que permite que o morteiro se mantenha na horizontal apesar das oscilações do barco.
Quando se começou com os cascos em ferro o desvio tinha um efeito considerável e a bússola teve de ser adaptada. A bitácula passou a incluir uns ferros para compensar esse efeito e umas esferas de ferro de maneira a conduzir o fluxo magnético à volta da bússola e atenuar as influências dos ferros envolventes. De maneira a diminuir ainda mais o efeito do balanço do navio, o morteiro pode a ser cheio com um líquido (água e álcool ou petróleo branco) e por isso feito de um metal com reduzido efeito magnético, normalmente latão. As agulhas devem ser sensíveis e estáveis. Sensíveis para acusar qualquer variação e estáveis para não se deslocarem pela acção do balanço ou oscilação do barco. Designam-se preguiçosas quando pouco sensíveis e doidas quando pouco estáveis.
Já no fim deste século apareceram novas bússolas. São as agulhas eletrónicas que aproveitam o efeito indutivo do campo magnético terrestre sobre uma bobine e transformam eletrónicamente a informação. Permitem assim uma ligação a outros equipamentos eletrónicos de bordo, como o piloto automático ou computador que fazem um uso quase ilimitado dessas potêncialidades. Estão no entanto sob as mesmas influências, como o desvio, que as «velhas» agulhas de marear.

Agulha de marcar eletrónica
As bússolas não servem só para seguirmos ou marcarmos rumos. Podem ter ainda acoplados acessórios que nos permitem achar a declinação ou ainda facilitar a marcação de azimutes chamando-se estas de marcar. Em embarcações de recreio usam-se para marcações de azimutes bússolas portáteis. Têm a vantagem de podermos desprezar no cálculo o desvio desta já que podemos escolher um local na embarcação livre, ou quase, de interferências magnéticas.
Modernamente, e devido à instalação das agulhas em paineis quase verticais, deixando assim de estar colocadas em bitáculas, as rosa-dos-ventos têm um rebordo que permite a sua leitura também na horizontal.

Bússola de leitura horizontal com inclinómetro
Mais especializadas são as bússolas tácticas. Muito vantajosas nas bolinas, são usadas em competição principalmente em triângulos olímpicos. A rosa-dos-ventos além da graduação habitual em graus está dividida em 4 quartos de cores diferentes. Cada quinze graus de cada quarto está marcada desta vez com um número. Este tem correspondência em todos os quartos, o que faz com que se decore apenas um número qualquer que seja o bordo em que naveguemos.

Agulha Táctica
Vários fabricantes têm modelos específicos consoante a zona de navegação. Isto porque a atuação das forças do campo magnético não é igual em todos os locais. Isto obriga que para uma maior precisão hajam bússolas afinadas para latitudes diferentes.
A declinação (D) é o ângulo compreendido entre o Norte verdadeiro (Nv) e o Norte magnético(Nm). Varia de local para local e no mesmo local lentamente com o tempo. Conta-se em graus e toma valor positivo (+) quando a partir do norte verdadeiro para o norte magnético cai para E - Leste e negativo quando cai para W - Oeste.

Nas cartas náuticas é indicado a declinação magnética com a sua variação média anual para um determinado local. Atenção! Nas cartas inglêsas a declinação tem o nome de variation.
O desvio (d) é o ângulo compreendido entre o Norte magnético(Nm) e o Norte da agulha(Na). Tal como a declinação é medido em graus sendo positivo para Leste e negativo para Oeste.

A Variação (V) é a soma álgébrica da Declinação com o desvio. É portanto o ângulo compreendido entre o Norte verdadeiro (Nv) e o Norte da agulha(Na). Mede-se também em graus sendo positivo para Leste e negativo para Oeste.

V = D + d
Como se referiu anteriormente as agulhas estão sujeitas ao desvio. Cada barco influência de maneira diferente o comportamento de uma bússola e cada proa, ou seja a direcção do barco, também. Para se compensar corretamente a agulha torna-se necessário determinar uma tabela de desvios. Esta tabela só é válida para o barco para que foi determinada e seguem-se normalmente os passos que se descrevem de seguida:
O barco deve estar nas condições normais de navegação
Aproar o barco a 000º da agulha e deixá-la estabilizar durante
uns minutos
Determinar o desvio comparando com o azimute de um ponto notável
Guinar calmamente por um dos bordos para a proa seguinte (por ex. num intervalo
de 30º)
Determinar de novo o desvio
Continuar a rodar até obter todos os desvios desse bordo
Continuar com estas operações mas agora rodando pelo bordo
oposto
Determinar para cada proa a média dos desvios obtidos nas duas rotações
Curva de desvios |
Pa |
d |
Pa |
d |
![]() |
000 | 1.6 E | 180 | 0.9 W |
| 030 | 0.7 W | 210 | 1.3 E | |
| 060 | 1.9 W | 240 | 2.5 E | |
| 090 | 2.5 W | 270 | 3.1 E | |
| 120 | 2.6 W | 300 | 2.9 E | |
| 150 | 1.8 W | 330 | 2.1 E |
a - Proa da agulha; d - desvio da agulha
A curva do desvio obtém-se marcando os desvios tirados para os diversos rumos e unindo esses pontos numa curva. Temos assim valores do desvio para rumos intermédios.
Fonte: www.ancruzeiros.pt
Uma bússola é um objeto com uma agulha magnética que é atraída para o pólo magnético terrestre.

Em sua maioria, as bússolas são feitas para serem vistas de cima.
Algumas tem até o fundo transparente, para serem colocadas sobre mapas, como a imagem inferior à esquerda.
Como toda regra tem excessão, a bússola mostrada à direita dela foi fabricada para ser vista DE LADO.
A marca branca funciona como uma mira, para alinhar a antena, vista por trás dela.
Qual é o fenômeno que faz a agulha da bússola apontar consistentemente na direção Norte-Sul?
A resposta está na poderosa mas invisível força chamada Magnetismo. A Terra é um imã gigante. Apesar de o magnetismo ter sido descoberto à muito tempo, a sua utilização como auxiliar de orientação é bastante recente.
Descobriu-se que o minério de ferro magnetizado, quando colocado num pedaço de madeira a flutuar num recipiente com água, girava e adquiria sempre uma posição fixa.
A bússola tinha sido inventada!
Não se sabe ao certo quem teve primeiro a idéia de deixar uma pedra de minério de ferro ionizado indicar o Norte. Estudiosos acreditam que os Chineses foram os primeiros a explorar o fenômeno. "Si Nan" é considerada como a primeira bússola. "Si Nan" significa "O Governador do Sul" e é simbolizada por uma concha cuja pega aponta para Sul.
Como a concha era bastante imprecisa, os Chineses começaram a magnetizar agulhas de modo a ganhar mais precisão e estabilidade. De acordo com alguns escritos Chineses, as primeiras bússolas foram utilizadas no mar por volta do ano 850. A invenção foi então espalhada pelo mundo por astrônomos e cartógrafos para ocidente até aos Indianos, Muçulmanos e Europeus.
A bússola foi desenvolvida através dos séculos, e um avanço considerável foi conseguido quando se descobriu que uma fina peça de metal podia ser magnetizada, esfregando-a com minério de ferro.
O passo seguinte foi conseguir envolver e encerrar a agulha num invólucro cheio de ar e transparente, o chamado invólucro da bússola. E desta forma a agulha estava protegida.
Inicialmente, as agulhas das bússolas "dançavam" bastante e demoravam muito tempo a estabilizar. As bússolas modernas são instrumentos de precisão, e a sua agulha, geralmente encerrada num invólucro cheio de líquido, rapidamente se posiciona na direção norte-sul.
O norte magnético, para onde a agulha aponta, não se situa exatamente no Pólo Norte definido pelos meridianos. A maioria dos mapas contem meridianos, que são linhas norte-sul. Estas passam pelo Pólo Norte geográfico. Os meridianos são representados por linhas finas geralmente em preto.
A declinação existe porque o pólo norte e o pólo magnético não coincidem. Esta declinação varia consoante o local do mundo. Em certas zonas do Canadá ultrapassa os 40 graus, mas, por exemplo, na Escandinávia ela é desprezível. Os mapas modernos utilizados para fins lúdicos e para a orientação, são impressos com os meridianos corrigidos para a declinação, e para o norte magnético.
A agulha da bússola pode ser influenciada por depósitos de minério de ferro, linhas de alta-tensão, vedações e outros objetos de ferro. Todos eles provocam uma leitura errada, a menos que o campo magnético externo esteja exatamente em linha com o eixo de orientação (norte-sul) da bússola e de polaridade oposta, mas as possibilidades de isso acontecer são remotas.
| PONTOS CARDEAIS |
||
N |
NORTE |
0º |
L |
LESTE |
90º |
S |
SUL |
180º |
O |
OESTE |
270º |
Obs.: O LESTE também é encontrado como ESTE , e o OESTE como WEST
| NE |
Nordeste |
45º |
| SE |
Sueste |
135º |
| SO |
Sudoeste |
225º |
| NO |
Noroeste |
315º |
| NNE |
Nor-Nordeste |
22,5º |
| ENE |
Lés-Nordeste |
67,5º |
| ESE |
Lés-Sueste |
112,5º |
| SSE |
Su-Sueste |
157,5º |
| SSO |
Su-Sudoeste |
202,5º |
| OSO |
Oés-Sudoeste |
247,5º |
| ONO |
Oés-Noroeste |
292,5º |
| NNO |
Nor-Noroeste |
337,5º |

Fonte: www.openskybrasil.com.br