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Locais Turísticos de Cabo Verde

 

Cada ilha tem algo de interesse para o viajante que decide visitá-las, São Tiago, por exemplo, é muito africana e é onde vive a maioria da população preta.

Os mercados são muito coloridos e vale a pena informar-se das datas dos festivais locais em homenagem a vários deuses.

A música é uma parte integrante destas festividades.

Devido a sua escarpada costa, só há algumas praias: a mais bela é a de Farrofal em São Tiago.

Outra bela praia é a de areia preta vulcânica na costa oeste de Fago, ao sul de São Filipe, o principal centro da ilha. O vulcão oferece espetaculares vistas.

ILHA DE SAL

Esta plana ilha deserta, lugar onde fica o aeroporto internacional, é um destino típico. A localidade de Santa Maria é quem atende e recebe. Os viajantes independentes podem dirigir-se à principal localidade, Espargos, onde não há nenhuma dificuldade para encontrar alojamento ou restaurante e onde a juventude ainda passeia cada noite.

ILHA DE SANTO ANTÃO

Esta é a mais verde das ilhas, sobretudo no lado norte; aliás, o sul é bastante seco. As montanhas do centro estão cheias de uma bela vegetação de altos pinhos africanos, plantados em 1950 e entre os quais descobre-se algumas casas. Devido à conservação de seu meio ambiente, que tem permitido uma alta porcentagem de sua população ficar nela, é das menos estragadas de todas as ilhas. Recomenda-se fazer uma excursão desde Porto Novo até Ribeira Grande para viver a experiência de dirigir sobre a parte mais alta do Delgadinho, uma crosta rochosa onde pode-se dar uma olhada a um abismo de quase 1.000 metros de altitude.

Ribeira Grande é a cidade mais importante da ilha e nela existem vários hotéis e alojamentos agradáveis onde ficar.

A localidade de Paúl é uma das maiores atrações da ilha. Nela encontra-se uma arquitetura portuguesa perfeitamente conservada, embora ninguém seja capaz de lembrar a época em que viveram os portugueses. A água é abundante, há palmeiras e praias rochosas, e um canyon para o centro montanhoso da ilha.

ILHA DE SÃO TIAGO

Esta é a ilha principal e o lugar onde encontra-se a capital, Praia. Não é a mais bonita das duas cidades do arquipélago, mas é um agradável lugar com seu centro plantado sobre uma planície rochosa conhecida como Plato. Dispõe de duas praias, Praiamar e Quebra-Canela, ao oeste do centro rochoso, onde têm suas casas a maioria dos estrangeiros.

A uns 20 quilômetros para o interior, desde Praia, encontra-se a localidade de São Domingos, o vale agrícola mais próximo à cidade.

São Jorge é um belo vale não longe de São Domingos. Aqui encontra-se o complexo nacional de ordenadores, uma escola de agricultura da FAO e a presidência da vila.

O segundo assentamento maior da ilha, no extremo norte, é Tarrafal, famosa pelas praias e os antigos campos de concentração para presos políticos portugueses. Pode-se chegar de ônibus desde Praia (80 quilômetros).

SÃO VICENTE

MINDELO

A cidade de Mindelo, talvez a mais bela do arquipélago, é uma reminiscência de uma cidade de províncias portuguesa, embora também com claras influências britânicas. Cruzando a rua desde o parque central há um centro de artesanato e galeria de arte. Se é possível, recomenda-se visitar Mindelo em finais de fevereiro, quando os locais do lugar se orgulham de si próprios e de sua mini versão dos "Carnavais do Rio".

Fonte: www.rumbo.com.br

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Mindelo, Cabo Verde

Segunda cidade do país, a cidade do Mindelo, na ilha de São Vicente, Cabo Verde é a capital cultural mais conhecido por sua música. é de fato o berço do famoso Cesária Évora. Como você anda pelas ruas de Mindelo, você vai notar os afrescos muitos decorando as paredes. Influências britânicas e Português são visíveis aqui em cada esquina. Mindelo é muito vibrante, com o ritmo destes nocturna única em todo o arquipélago.

Elementos notáveis da cidade: o lugar da Igreja, o verdadeiro berço da cidade é do mesmo lugar que as primeiras casas foram construídas de Mindelo.

Muitos belos edifícios da cidade são característicos de estilos arquitetônicos do século passado, incluindo: O Placio do Povo, Cidade hotel, replicado a Torre de Belém, em Lisboa (Avenida Marginal) ... Você também pode visitar o edifício mais antigo da cidade de Mindelo, ou seja, Fortin King. O centro nacional de artes e ofícios, um verdadeiro museu traçar a história de Cabo Verde riqueza de arte (cerâmica, tapeçarias, pinturas etc.) Minledo Um cruzamento nunca é completa sem um passeio ao longo de suas praias Lajinha, Calhau Tupim e São Pedro.

Praia, Cabo Verde

Maior cidade de Cabo Verde , bem como o capital, o centro administrativo e comercial, a cidade da Praia está localizado na ilha de Santiago, uma da maior ilha habitada do arquipélago. O nome significa Praia, Português, praia. Na verdade, a cidade é conhecida por suas belas praias, especialmente aqueles Quebra-Canela, Gamboa (local onde um dos dois festivais anuais de música da ilha), e Mulher Prainha Branca. O centro da cidade é simbolizado pela "Praça 12 de Março" quadrado verdadeiro coração da cidade, com suas lojas, cafés e bares típicos. É o ponto de encontro de toda a população local. A cabo-verdiana de capital manteve a sua herança Português particularmente visível na arquitetura das suas casas, jardins e ruas, todos imbuídos de um colonial alma. Não perca uma visita à igreja paroquial, em todo o lugar "Praça 12 de Março". Você também vai notar a construção do Banco do Banco de Cabo Verde. Também fez uma viagem para o mercado de Sucupira, o mercado Africano, onde você pode encontrar tudo e qualquer coisa.

Brava, Cabo Verde

No meio do Oceano Atlântico, a mais pequena do arquipélago de Cabo Verde, a ilha vulcânica de Brava é conhecida como a "ilha das flores" de Cabo Verde. É também conhecida como "o Brava selvagem" para o seu isolamento e encanto misterioso muito especial. Um pequeno pedaço de terra, apenas 64 km ², onde as cores são simbiose tão perfeita. A principal atração da ilha é a pequena cidade de Nova Sintra , um pequeno canto tranquilo de casas bonitas e jardins decorados com flores. A Nova Sintra que você pode sair nos bares e discotecas animadas da noite na cidade, particularmente animada.

Outros locais que merecem visita: Furna (habitação área de pesca do porto da ilha), Fonte do Vinagre e Fajã d'Água. Uma ilha perfeita para caminhadas e onde a reunião de seus habitantes fazem sua visita memorável.

Como chegar: Pode chegar Brava da ilha do Fogo barco.

São Vicente, Cabo Verde

Sétimo maior ilha de Cabo Verde , ilha de São Vicente, com uma área de 227 km ², é uma obrigação para qualquer visita a Cabo Verde. Cidade de bairros vibrantes, bares famosos, restaurantes e discotecas, São Vicente também foi capaz de manter as suas casas tradicionais e lojas no charme em um turista bem equipado. Um símbolo da cidade, uma pequena capela em basalto localizado na foz de um rio que atravessa a cidade. Em passeios de São Vicente são um verdadeiro prazer das ruas de paralelepípedos da vila e sua igreja, conhecer o seu povo conhecido por sua hospitalidade, ou o tempo gasto em cafés ou bares Português são todos os momentos simples e pequenas especial . De passeios também podem ser apreciadas na floresta Laurissilva através das montanhas.

Como chegar: Você pode ir para São Vicente pela 101 Nacional de Santana e Porto Moniz.

Fonte: www.cityzeum.com

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Costa Brava de Capo Verde

Cidade Velha-Cidade Velha é o primeiro assentamento europeu nos trópicos, ganhando o status de Patrimônio Mundial da UNESCO. As ruínas da cidade oferecem um gateway para a época passada. Fortaleza Real de São Filipe, localizado em um penhasco de destaque em São Filipe, é uma reminiscência do passado colonial Português e do comércio atlântico.

Servindo como o centro cultural da nação é Mindelo. Rodeado por montanhas áridas em uma porta em forma de lua, Mindelo orgulha de ruas de paralelepípedos e doces coloridos prédios coloniais.

Monte Fogo, o ponto mais alto em Cabo Verde, é um vulcão ativo, suas encostas são cobertas com cinzas. Ele prevê uma jornada de aventura-se a sua inclinação, e premia o visitante com uma vista incrível. Uma das estruturas mais impressionantes do país é o Palácio de Presidente, a casa do conselho de governo de São Vicente. Sua fachada, ornamentado rosa é muito atraente, tirando sua inspiração de arquitetura indiana.

Fonte: www.placesonline.com

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Cabo Verde é um arquipélago localizado ao largo do Senegal e composto por nove ilhas totalmente distintas. Da cultura e animação nocturna do Mindelo, em São Vicente, aos resorts de luxo das ilha dos Sal ou Boavista, do vulcão do Fogo à minúscula ilha de Maio, da Praia e do Tarrafal, em Santiago, às montanhas de Santo Antão, tudo são boas razões para viagens a Cabo Verde. Sem esquecer o mítico festival da Baía das Gatas.

Mindelo, coração de São Vicente

O Mindelo, localizado na ilha de São Vicente, barlavento cabo-verdiano, é uma povoação cosmopolita.

Cidade bela, histórica e com um povo caloroso, tem a reputação de acolher as noites mais animadas e os principais pólos de atividade cultural do arquipélago de Cabo Verde. Terra de Cesária Évora, de mornas, funaná e coladeras, e do festival da Baía das Gatas.

Sejam bem-vindos a um pedaço de África em pleno Atlântico, com uma atmosfera singular e cativante: o Mindelo, em Cabo Verde.

A doce e morna Mindelo

Cidade doce e morna, com um inconfundível toque colonial, o Mindelo é o destino ideal para quem goste de combinar diversão, praia e história. É a segunda maior cidade de Cabo Verde e tem a fama de ser a mais cosmopolita de todas - e, provavelmente, também a menos africana, destacando-se antes por um toque muito brasileiro.

Um dos principais ícones da vida local é, aliás, o calçadão da baía da Laginha, em torno da qual a cidade se espraia.

É aqui que os residentes se dedicam ao culto do bem-estar físico: os culturistas exercitam-se em máquinas de musculação improvisadas na praia; há um corrupio constante de senhoras fazendo jogging e footing até ao pôr-do-sol; e, logo pela manhã, dezenas de crianças correm no areal aquecendo os músculos para as aulas de natação.

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Réplica da Torre de Belém e estátua de Diogo Afonso, na Avenida Marginal do Mindelo, Cabo Verde

Descoberta em 1462, a ilha de São Vicente permaneceu desabitada até meados do século XIX, altura em que os ingleses, para comemorarem o desembarque na homônima praia nortenha portuguesa (que permitiu a vitória dos liberais sobre os absolutistas), criaram a cidade do Mindelo.

Estão ainda bem conservados os traços desta herança portuária e colonial: as velhas casas mantêm-se impecavelmente preservadas e pintadas em tons pastel, com portadas de ripas de madeira nas janelas, ocasionalmente sombreadas por acácias rubras em flor; há uma réplica da portuguesa Torre de Belém junto à estátua do descobridor Diogo Afonso, nas imediações do Mercado do Peixe; a praça principal, rebaptizada em homenagem ao herói da independência Amílcar Cabral, mantém os bustos de Camões e Sá da Bandeira, o coreto de traça lusitana e o quiosque que serve de ponto de encontro dos mindelenses até ser noite alta; há, aqui e ali, praças com igrejinhas brancas; o antigo Mercado Municipal, de dois pisos e com o telhado seguro por traves de madeira, foi objeto de recuperação recente; e mesmo o antigo Palácio do Governador, agora a funcionar como tribunal, resplandece em branco e rosa, enquadrado por belas buganvílias.

COSMOPOLITISMO MINDELENSE

O Mindelo tem a fama de acolher as noites mais animadas e os principais pólos de atividade cultural do arquipélago, o que facilmente se comprova em locais como o Café Mindelo, situado num edifício centenário da zona portuária e recentemente recuperado, a Kaza d'Ajinha, junto à Praça Amílcar Cabral, o Café Lisboa, a discoteca Syrius (onde o "hip-hop", o "rap", a "coladeira" e o "kuduro" se sucedem sem danos para a animação) ou o Quiosque da Praça Nova, cuja esplanada permanece repleta até às 2h00.

A casa da cantora Cesária Évora é também um ponto habitual das peregrinações turísticas, embora, do lado de fora, não se veja mais do que as janelas e as paredes de um banalíssimo apartamento. E não se espante se o jantar no restaurante Archote for acompanhado por um belíssimo grupo de mornas.

LAZER EM CABO VERDE

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Pescando no Mindelo, Cabo Verde

Saindo da cidade, a estrada conduz à zona do Calhau, no sopé do vulcão extinto há cerca de um século, mas cujo cone negro continua a infundir respeito.

O caminho faz-se por um vale entre esmagadoras e áridas paredes vulcânicas, na orla das quais se situam as principais explorações agrícolas da ilha, onde é possível, mesmo, avistar alguns embondeiros.

O Calhau e a vizinha Vila Miséria funcionam, refira-se, como locais de veraneio para os mindelenses. Os areais não são grandes, mas há boas condições para a prática de surf e bodyboard em ondas de um azul cristalino. Na Praia Grande, no sopé do cone do vulcão, existe ainda uma piscina natural.

O caminho agreste e montanhoso repete-se nos 15 quilómetros que é preciso percorrer entre o Mindelo e a célebre Baía das Gatas, local onde, todos os anos, no mês de Agosto, decorre a mais famosa manifestação cultural cabo-verdiana.

A elevação mais alta do caminho, o Monte Verde, tem 800 metros de altitude, mas todo o trajeto é igualmente árido e pedregoso, abrindo o apetite para um mergulho na verdadeira piscina que o mar forma na bonita baía. A água é morna, cristalina, transparente, de um azul difícil de descrever. Igual ao dos sonhos, decerto.

Os passeios podem ser feitos a solo, ou recorrendo a empresas especializadas como a Cabtur ou a Cabo Verde Leisure, especializada em programas turísticos de natureza e aventura, mergulho, pesca de fundo, surf, bodyboard, windsurf, passeios de BTT e circuitos pedestres.

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Baía da Laginha vista a partir do Alto do Fortinho, Mindelo

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Praia na ilha S. Vicente, arquipélago de Cabo Verde

Ilha da Boa Vista, Amor a Bubista

O título, retirado de um barco de pesca, é sinonimo da emoção com que se parte da Boa Vista, dona de metade das praias de Cabo Verde, todas elas magníficas. Uma ilha fantástica para partilhar a dois - ou a quatro, como foi o caso.

Praia de Diante. A placa de madeira exibe com orgulho o nome óbvio do pequeno areal localizado frente a Sal Rei. Deve ser este o lugar mais frequentado da vila, quiçá da ilha inteira, com exceção do campo de futebol em dias de jogo e das minúsculas povoações do interior quando há festa.

Ao fim da tarde, depois da escola ou do trabalho, a praia e o cais adjacente são o retrato da geografia humana de Cabo Verde, cuja média de idade ronda os 23 anos. Jovens e crianças espalham uma alegria contagiante com os seus jogos, corridas, saltos acrobáticos para a água e competições improvisadas de natação que não raras vezes acabam em beijos roubados e risinhos maliciosos partilhados por bandos de raparigas.

De manhã, no mesmo sítio, o cenário é outro. Somos normalmente os primeiros a chegar, tendo a sensação de inaugurar a areia clara com as nossas pegadas. Mais cedo, porém, já os pescadores partiram nos seus barcos coloridos, benzendo-se antes de entrar na água, e chegaram com a faina matinal - chicharro, pargo, garoupa -, distribuída pelas bacias de plástico das vendedoras.

Apesar do Sol já ir alto, por uns bons momentos seremos os únicos a desfrutar da quietude, do mar morno e da paisagem de beleza hipnótica da enseada. Mas não tardará que chegue a revoada dos miúdos do costume para nos levar os brinquedos e os filhos, levando-os à água com gestos cuidadosos ou ensinando-lhes a fazer figuras bizarras com areia molhada a escorrer entre os dedos.

Sabe bem a ajuda destes inesperados baby-sitters, tal como é engraçado ver o nosso catraio de dois anos perder o medo de entrar no mar para se juntar a uma lourita italiana com o dobro da idade. É pela companhia (e porque o alojamento fica a poucos metros de distância) que voltamos a este sítio, de forma alguma o melhor da ilha.

Vamos aos fatos: a Boa Vista conta com 55 quilómetros de praias perfazendo 52% do total de areais do arquipélago. Tendo em conta que fica à distância de um voo de 15 minutos do aeroporto internacional do Sal, a mais turística das ilhas, é surpreendente que em meados de junho conseguíssemos estar em várias outras praias sem ver vivalma ou, quando muito, partilhando a costa com uma mão-cheia de viajantes.

Um segredo bem guardado, como anunciam os prospetos? Nem por isso, pelo menos para os italianos que a descobriram (literalmente, mas já lá iremos) e formam agora a maior comunidade estrangeira.

Não estaremos no pico da estação turística? Talvez. Certo é que o turismo de massas só há pouco chegou à ilha e os turistas de pulseira tudo-incluído raramente se atrevem a sair das fronteiras do resort.

Antes que o leitor prossiga a leitura deixe-me fazer algumas perguntas. Na escolha do destino de férias privilegia a diversão noturna, em esplanadas dispostas lado a lado e restaurantes abertos todo o dia? Boas estradas para percorrer no carro alugado? Praias com vigilância e mesas com os pés na areia? Nesse caso, a Boa Vista não será para si.

Não porque esta seja uma viagem “só para intrépidos”, difícil ou perigosa. Pelo contrário, raramente me senti tão segura e bem acolhida. No entanto, digamos que dá algum trabalho. Há restaurantes (e bons) mas onde, na maioria, é necessária a reserva com várias horas de antecedência. Para compensar têm-se a garantia de mesas disponíveis e comida acabada de fazer.

Há pouco para “ver”, no sentido cultural do termo, e uma das menos povoadas das ilhas cabo-verdianas (cerca de 9.000 habitantes) é também uma das mais pobres. Se nada disto o demove, procura tranquilidade e um destino pouco explorado, bem-vindo então à Ilha Fantástica, como lhe chamou o escritor Germano Almeida num livro que retrata o lugar onde nasceu e cresceu.

Boa Vista, Nas Brumas da Memória

Se este texto não começou como devia, ou seja, pelo princípio, chegou a hora de o fazer. Estou no aeroporto à espera das malas. Lá fora, há uma pickup à espera e dentro em breve estaremos a atravessar as poucas ruas de Sal Rei, a capital, até sermos recebidos pelos olhos azuis de Cristiano.

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Os mares de Cabo Verde são ricos em peixe

O Migrante guesthouse. Encontrei-o numa daquelas navegações felizes pela internet que me trouxeram a bom porto.

Hei de confirmá-lo na manhã seguinte, depois de uma noite descansada e um pequeno-almoço retemperador, quando escrever no diário de viagem: “Temperatura agradável. Uma brisa leve atravessa o pátio onde me encontro sozinha. Fecho os olhos e o único som que ouço é o dos ramos da buganvília a roçar na parede. Um cão ladra ao longe. Um assobio. Silêncio de novo”. A própria casa, que é efetivamente um oásis de paz e bom gosto, está intimamente ligada à história da ilha.

Entre as brumas da memória e datas que se multiplicam por documentos diversos, relata-se a versão mais corrente. Das cinco ilhas descobertas em 1460 por Diogo Gomes e António di Noli, navegador genovês ao serviço da coroa portuguesa, contava-se aquela que viria a ser batizada de S. Cristóvão, padroeiro dos marinheiros da sua cidade natal.

Cristóvão Colombo será o primeiro turista italiano ilustre. Aquando da sua terceira travessia do Atlântico, faz uma breve paragem na ilha para tentar obter cura para a lepra que o afligia; acreditava-se que a carne e o sangue das tartarugas eram bons remédios para a doença. Na altura, e por muito tempo ainda, pouco mais do que aves e animais habitavam este território de 620 km2, o terceiro maior do país. Meio século depois apenas 50 almas eram mencionadas, criadores de gado por certo.

O povoamento “a sério” dá-se por volta de 1620, quando um grupo de ingleses começou a explorar o sal de alta qualidade aí encontrado, cujo comércio haveria de atingir o pico em meados do século XIX. Nessa ocasião, Sal Rei chegou mesmo a ser apontada como possível capital de todo o arquipélago, dada a importância do seu porto no tráfego (negreiro e não só) entre a África e a América.

É neste contexto que se instalam Abraham e Esther Ben' Oliel, judeus sefarditas de Rabat e fundadores do pequeno império familiar que viria a influenciar a estrutura econômica e social deste pedaço de terra. Descanso agora na casa que ergueram, porque é aí que fica o Migrante, com decoração de influência marroquina a prestar-lhes homenagem.

Do velho esplendor a vila pouco conserva. É um lugar pachorrento, de trânsito escasso, que se cruza num instante. Há a Igreja de Santa Isabel, bonita de tão simples, o antigo edifício da alfândega frente ao mar, algumas casas coloniais habitadas por gatos e plantas indomáveis. O resto são moradias coloridas, ruas de terra à sombra de acácias, mercearias com meia dúzia de prateleiras, grupos de homens a jogar uril (um jogo tradicional) pela tarde dentro, o mercado de fruta e legumes, duas esplanadas na praça.

Volta à ilha da Boa Vista

Luís conduz-nos estrada fora. É homem de poucas falas, mas não lhe faltarão sorrisos e conversa sempre que encontrar uma crioula bonita pelo caminho.

Tem, no entanto, o que precisamos: paciência para responder a incontáveis perguntas e pedidos de paragem frequentes - fotografia oblige. A primeira faz-se na Praia de Chaves, para ver a antiga fábrica de cerâmica, obra dos Ben' Oliel, cujo único vestígio é a chaminé que sobressai da areia como um farol insólito a tentar resistir aos avanços do tempo. A tradição de moldar o barro segundo métodos tradicionais prossegue agora na oficina-escola de Rabil, a poucos minutos dali.

Morro de Areia. O deserto à beira-mar, num cenário de cortar a respiração, onde o epíteto de Ilha das Dunas ganha sentido. Do promontório avista-se um autêntico mar de areia, de vagas moldadas pelo vento, com o azul profundo do Atlântico a acenar um convite difícil de resistir.

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Dunas de areia na Boa Vista

A paisagem que se segue é de uma beleza lunar.

A estrada: uma reta interminável rodeada de pedras, pedregulhos, um ou outro arbusto ressequido, leitos de ribeiros que raramente conhecem a alegria da água. Ao fundo, o traço de basalto desaparece entre dois montes sem sinal algum de presença humana a perturbar-lhe o sossego. De longe parecem montanhas despidas mas é só ilusão desta terra chã onde o ponto mais alto, o Pico Estância, não ultrapassa os 390 metros.

Povoação Velha descreve-se em poucas palavras. Dizê-las demora mais do que o tempo que leva a atravessar as duas ruas, de casas baixas com galinhas e burros sonolentos nas traseiras, zurrando entre as acácias. Berço do primeiro povoado é também lugar da festa maior da ilha, o Santo António, celebrado numa capela do sopé do monte com o mesmo nome.

Passa o primeiro jipe com turistas, vindos da praia de Santa Mónica, nomeada assim em honra do areal homônimo da Califórnia. Segundo o meu guia de viagem a “versão boavisteira é sem dúvida magnífica mas um pedaço mais vazia”. Isso mesmo, magnificamente vazia, sem ninguém à vista em todos os seus 18 quilómetros de extensão. Não existe um guarda-sol, uma toalha, nenhum sítio onde comprar água ou uma sandes (por isso previna-se, se pretende ficar por umas boas horas).

Praias paradisíacas há muitas no planeta e esta não tem coqueiros melancólicos, nem granito rosa a proteger enseadas. É “apenas” uma enorme língua de areia muito branca, finíssima, lambida por água morna e mansa, que traz cardumes de peixinhos aos nossos pés. Nunca conheci outra onde tanto apetecesse gritar de felicidade.

É o reino pacífico de milhares de caranguejos claros, rápidos como flechas a esconder-se nos seus buracos; várias espécies de tartarugas que vêm desovar nas noites de verão; e de muitas aves marinhas, migratórias ou nidificantes, como a cagarra, o alcatraz ou a rara fragata. Um verdadeiro éden.

A ideia de verem uma “gruta de piratas” venceu a resistência dos miúdos em sair dali. Aos pais bastou-lhes a visão de um embondeiro - “só há três na Ilha”, informa o Luís - pequeno para os padrões da terra-mãe, mas mesmo assim uma promessa de África.

Tal como Cabo Verde, que é África e não é bem. É-o nas corres garridas das fachadas e dos panos que cobrem as mulheres, nos batuques ouvidos nas ruas, em tradições e ritmos gravados nos genes. Mas depois sentimos a Europa infiltrada no sangue e na língua, nas paixões (ah, o futebol!), numa certa forma de estar, nos níveis de literacia, saúde e economia bem acima dos demais países da África oriental.

De súbito, vem-me à memória uma cena do dia anterior. Uma jovem cabo-verdiana na praia, linda, de longos cabelos negros aos caracóis, a quem o namorado moldou uma cauda de sereia, numa cuidadosa escultura de areia.

Quando cedi ao pedido para lhes tirar uma foto, vi que ela tinha tatuado todo o arquipélago na omoplata.

A conversa posterior revelou que, tal como a maioria dos cabo-verdianos, também eles eram emigrantes.

De que ela própria era a metáfora perfeita: dividida entre o conforto de uma vida melhor e o calor da terra natal, com o país gravado na pele. Ou no coração, tanto faz.

Afinal a Ponta da Varadinha tinha mesmo grutas, suficientemente grandes para fazer sonhar com tesouros escondidos enquanto o almoço desaparecia sob uma fome voraz. Ataques de piratas também os houve, em número e gravidade suficiente para justiçar a construção do forte dos Duques de Bragança, no ilhéu frente a Sal Rei, hoje apenas um punhado de destroços que pode se visitado se algum pescador nos quiser lá levar.

Uma outra fortaleza esconde-se no fundo mar. Abrigo de largos cardumes de peixes e mariscos, os extensos bancos de coral são responsáveis por dezenas de naufrágios ao longo dos séculos. O cargueiro espanhol Cabo de Santa Maria é apenas a sua vítima mais recente. A rota com destino ao Brasil foi interrompida em 1968, deixando no litoral norte um navio fantasma em luta constante com as vagas e o vento, de casco fincado na areia e mastros erguidos ao céu, poiso seguro para ninhos de gaivotas.

Calcula-se que cerca de 40 naufrágios tenham ocorrido em redor da Boa Vista, alguns tão trágicos como o de Cicília, em 1863. Numa antevisão local do Titanic, o salão de baile e os seus ocupantes foram fechados por ordem do capitão, ao aperceber-se do desastre iminente. Melhor sorte teve James Cook que, após várias horas de desespero, conseguiu passar o Baixo de João Leitão e prosseguir a terceira viagem em direção aos mares do sul.

As povoações mais interessantes são as do “Norte”, denominação enigmática da zona situada no interior leste. João Galego, Fundo das Figueiras, Cabeço de Tarafes dormem à sombra de uma vegetação “luxuriante” pelos padrões locais. A silhueta esguia das tamareiras é o primeiro sinal verde a assinalar a presença de uns quantos campos cultivados, do pouco que é possível fazer medrar nos 5% de solo fértil do território ilhéu. Seguem-se acácias onde as cabras fazem a vez de pássaros, mordendo folhas duras com gestos lentos.

O calor traz vontade de um café, feito na hora e servido na cozinha das traseiras de uma mercearia/bar/restaurante-quando-é-preciso. Da rua chega o ruído surdo de um pilão a moer milho para a cachupa. Olhos curiosos espreitam das janelas de casas bicolores (amarelo/azul, rosa/verde, vermelho/ocre, verd'azul) com buganvílias a trepar pelas paredes. Apetece ficar por aqui, cumprindo a vontade da lassidão que invade os ossos.

A lista inicial de lugares a visitar vai sendo cortada, à medida que a canícula aumenta. Ficou por ver a Baía das Gatas de onde, em certos meses, se avistam dezenas de tubarões junto à costa; e o Morro Negro, ponto do arquipélago mais próximo de África, a 455 quilómetros de distância.

Impossível era falhar a Ponta do Ervatão, segundo o guia: “mais do mesmo, uma praia impossivelmente bonita”.

Chegar ao paraíso tem os seus custos: neste caso é preciso atravessar um oceano de pedra e pó, regressando pelo mesmo caminho.

O final feliz poderá ser no deserto de Viana, um Sara em miniatura, com os seus pequenos oásis, palmeiras solitárias e dunas formadas com a areia que o vento harmatão traz do continente negro.

Ou na praia. Ou até na biblioteca do Migrante, onde as palavras de Germano Almeida fazem todo o sentido “... a herança [da Boa Vista] é de uma certa preguiça, de não fazer agora o que se pode deixar para mais logo.” Bem vistas as coisas, para quê contrariar o espírito do lugar?

Turismo sustentável na ilha da Boa Vista

Dizer que o turismo move montanhas não é uma figura de estilo. A atividade econômica com mais futuro, aquela em que todos os governos apostam, não só é capaz de ultrapassar montanhas de burocracia (basta obter a declaração de utilidade pública para ser possível erguer um hotel numa zona até ali interdita à construção), como ocupar falésias, arrasar dunas, erguer barreiras a impedir o acesso a áreas que são patrimônio de todos.

A paisagens desfiguradas chama-se progresso, com a alegação de que a atividade traz benefícios a todos: aos que viajam, porque o podem fazer com todas as comodidades e preços relativamente reduzidos, e às populações locais, a quem se garante emprego e aumento do nível de vida.

Infelizmente, a realidade é outra. Os resorts que oferecem estadias com tudo-incluído acabam por centralizar todos os serviços (mesmo as atividades lúdicas) dentro dos limites do estabelecimento, ficando a maior parte dinheiro gasto nas mãos das cadeias hoteleiras internacionais (não é à toa que elas se propõem investir nos locais onde se instalam, com a construção de infraestruturas e financiamento de aeroportos).

Se pretende mesmo ajudar as comunidades locais da Boa Vista, comece na escolha do alojamento, ficando instalado em unidades pequenas (como as sugeridas neste artigo). Prove a gastronomia local em restaurantes distintos, alugue um barco a um pescador, pague os serviços de guia a alguém que viveu ali deste sempre. Aí sim, terá a certeza de que todos ficarão um pouco mais ricos - incluindo você.

Santo Antão, das montanhas e sua vida interior

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Santo Antão

Santo Antão é uma ilha de andar, mais do que de (circun-)navegar, que é bravo o mar que a cerca.

Ilha de andarilhos, com caminhos sem conta, só em jornadas pedestres pelas ravinas do litoral ou entre vales e ribeiras se pode descobrir o que torna Santo Antão única no arquipélago de Cabo Verde.

De passagem por Santo Antão

“Antes de mais, um pouco de paisagem. O grande livro aberto, só cores e linhas, sem palavras. Cada um ponha as frases que entender no grande livro aberto da Natureza. Não há palavras que encham as suas páginas... Visão sempre virgem para os olhos tontos do citadino embasbacado...”.

É a humildade do verbo que assim é enunciada, a aridez da fala que mais não pode que reconhecer a incomensurável tarefa da personagem, o cronista mindelense de passagem por Santo Antão num conto de Manuel Lopes escrito em 1946. Desamparo grande o da pena que cruzou o canal em busca de inspiração na que é, entre as dez do arquipélago, a ilha dos grandes excessos cénicos e um palco onde em primeiro plano se desenrola o milenar drama da luta com os elementos naturais.

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Vista do vale do Paul, ilha de Santo Antão, Cabo Verde

Santo Antão mantém essas dimensões que emudeceram a personagem de «Galo cantou na baía» e que a singularizam entre as demais ilhas: uma ruralidade pouco afetada pelos contatos com exterior ou por reflexos da emigração. Ou, já agora, pelos efeitos de um turismo quase invisível, na medida em que também ele, nas suas expressões mais ligeiras, mal dá pela ilha.

Alguns (turistas) vêm por aí acima, pela estrada que sobe até à Cova e se contorce depois em centenas de curvas até à Ribeira Grande, deitando olhares de relance às majestades telúricas, quase sem parar, ausentes os miradouros artificiais que tanto jeito dariam a esses voos breves.

Ora, ao imberbe escriba do conto de Manuel Lopes, ansioso pela crônica acabada em dois tempos, bem o avisaram: “...as descrições duma montanha feitas por um homem que a galgou percorrendo os seus atalhos, e por outro que a conhece de longe, não correspondem ao mesmo padrão...”.

O conselho foi mais longe, e só por extrapolação, que aqui tem a servidão de separar águas, vai completa a citação: “É por isso que te aconselho a tomares lição nessa gente para depois falares, com propriedade, da sua vida e das suas lutas. Se queres falar de dor, sofre primeiro. Sem isso não mereces o mandato”.

Entre as ravinas e os vales de Santo Antão

Separar as águas, pois, quando falamos em viajar pelo arquipélago de Cabo Verde.

Cada ilha tem seus dons, com que se alimenta e alimenta as quimeras dos viajantes: para uns céus azuis, sol a rodos, mares azul-turquesa, patrimônio cultural e arquitetônico; para outros, outras modas e motivações. Santo Antão tem vindo a inscrever-se nas rotas internacionais do trekking ou das caminhadas de montanha.

É a ilha mais montanhosa do arquipélago, aí se ergue o segundo pico mais alto (com quase dois mil metros), a variedade cénica é superlativa, a hospitalidade sem par.

Na última edição do Bradt Travel Guide, a terceira sobre o país, pode ler-se esta sentença tão eufórica quanto subjetiva, mas com fundamento inequívoco:The rugged peaks and canyons of northeast Santo Antão are one of the world's great landscape dramas...

Para a gente que desembarca em Porto Novo de mochila às costas, Santo Antão é mais do que a promessa de distância da algazarra do turismo de massas. E é-o nas jornadas por trilhos rasgados nos flancos das fragas vulcânicas, sob um sol escaldante, ou através dos vales luxuriantes das ribeiras. Com a vantagem incomparável de a viagem poder tanto significar uma imersão na natureza como proporcionar uma “intimidade” com as gentes e os seus modos de vida, a sua cultura, profundamente ligada à terra.

Agora, co

“... os caminhos perdidos nos cabeços das montanhas envolventes, ziguezagueando nas vertentes ásperas, descendo e subindo as margens íngremes das ribeiras, sumindo-se nas chãs por entre os rabos-d'asno e barbas-de-bode... O vale é uma orquestra de mímicas e trejeitos, com a sua música e zumbidos estridentes, chilreios, conversas atrás de muros, cacarejos domésticos, sons surdos de enxada rasgando a terra...”

Percursos em Santo Antão: Da Cova ao Paúl

Há duas vantagens em começar por este percurso: o sentido é o de uma aproximação a uma das zonas mais atrativas da ilha, com várias opções de caminhadas, e o grau de dificuldade é bastante menor do que se for feito ao contrário. O acesso a transportes públicos é também mais facilitado.

O primeiro passo é arranjar transporte até ao topo da montanha. Convém aproveitar a saída das carrinhas que esperam no cais a chegada do barco matinal do Mindelo e que partem em direção à Ribeira Grande.

Ao fim de uma hora a subir, a paisagem árida começa a dar lugar a bosques de coníferas e cedros. É no cruzamento com a estrada que liga ao Pico da Cruz que começa o trilho.

Consoante o ritmo de marcha, há que contar com quatro a cinco horas.

O primeiro trecho contorna, por dentro, a Cova, uma cratera vulcânica que é chão de cultivos vários, inhame, feijão, batata, milho. A estradinha esgueira-se por entre duas ou três casas e transforma-se num trilho irregular que galga a encosta.

Um quilómetro depois atinge-se uma crista estreita povoada de cedros, uma espécie de lâmina rochosa a dividir a cratera da Cova e o vale do Paúl, um bordado verde que se estende até ao mar.

Visão surpreendente pelo contraste com quase toda a paisagem que ficou para trás: as culturas estiolam de sede, a penedia arde ao sol, mas aos nossos pés, no fim do carreiro que serpenteia por ali abaixo, o vale é como um milagre, um extenso oásis húmido de cana sacarina, bananais, milho.

Duas horas e meia depois, escutando-se já o cantar da água nas levadas, alcança-se o primeiro povoado, Cabo da Ribeira.

Ao longo da estrada, que um pouco mais abaixo já permite trânsito motorizado, seguem-se outros núcleos habitados do vale: Passagem, Chã de Manuel dos Santos, Chã João Vaz, Passagem, Eito, e, finalmente, Vila das Pombas, uma espécie de fajã, escondida entre a montanha e o mar.

Percursos em Santo Antão: Da Cruzinha da Garça à Ponta do Sol

Primeiro, há que arranjar transporte bem matinal na Ribeira Grande e rumar a Chã de Igreja e Cruzinha da Garça. O trilho que liga a Cruzinha até à Ponta do Sol, com mais de uma dezena de quilómetros, requer umas seis horas.

O trajeto entre Chã de Igreja e a Cruzinha é um caminho poeirento que corre por vezes entre vales apertados. A descida para a Cruzinha, a pique, com o mar ao fundo, é panorama bem-vindo depois da paisagem despojada que se atravessa antes.

Da Cruzinha parte uma picada de terra que logo se vai afunilando até ser delimitada, sobre o mar, por um muro de pedra.

Perto da povoação, uma pequena baía, com praia de areia branca, é bom poiso para refrescar os caminhantes que escolherem vir em sentido contrário. Ao longo do trajeto surgem outras praias, de areia negra, belíssimas e solitárias. Mas há o senão do tempo - pode-se, no ir e vir do desvio, consumir-se uma a duas horas.

Ao longo da jornada avista-se quase sempre o trilho à distância, talhado nas falésias, o que confere a este percurso um especial sabor paisagístico. Aqui e ali, as veredas tornam-se exíguas e o piso irregular. Em sítios onde pequenas ribeiras (secas a maior parte do ano) atingem ao mar, os trilhos acabam em escadas que descem em ziguezague, para depois voltar a subir em abrupta escalada, como acontece antes das Formiguinhas.

Desse povoado, de pouco mais do que uma dúzia de casas, até ao Corvo ainda sobra uma boa meia hora. O Corvo é um núcleo de camponeses abençoados por uma ribeira fértil, cultivada, como em quase toda a ilha de Santo Antão, em socalcos.

A chegar às Fontainhas o trilho lembra o caminho inca. A povoação, funâmbula, está encavalitada num relevo, cercada de alta montanha e emoldurada pelas rugas dos socalcos. O caminho até à Ponta do Sol corre depois a uma cota elevada - os barquinhos são pontos minúsculos no mar - e ainda toma mais uma a duas horas, com duas subidas bastante íngremes.

Trilhos e outras andanças

Santo Antão é ilha de andarilhos, e não só desses que vêm de fora. São muitas as veredas, agora revalorizadas pelo ecoturismo, e parte delas é ainda utilizada pela gente local.

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Vista da costa norte de Santo Antão, no caminho para a Ponta do Sol

A rede de trilhos abrange boa parte do nordeste da ilha, permitindo muitas combinações de percursos. No interior começa a desenvolver-se também a oferta de alojamento, ainda que muitas vezes modesto, por iniciativa dos habitantes.

Como exemplo da complementaridade dos percursos, assinalamos cinco que, além de variados, apresentam diferentes graus de dificuldade. O mais fácil é o de Vila das Pombas até à Pontinha da Janela.

É uma caminhada de pouco mais de oito quilómetros, ao longo do litoral e sem grandes desníveis, de pouca exigência física. Pouco antes da Janela há uma ribeira verdejante que merece visita. Para o interior parte um trilho, bastante mais difícil (14 km), que segue a Ribeira do Penedo e sobe até ao Pico da Cruz (1585m), perto da Cova.

Na Cova, há uma alternativa (10 km) ao percurso que atravessa o vale do Paúl. O ponto de partida é Água das Caldeiras e o primeiro trecho cruza uma floresta de pinheiros. Desce-se até à Ribeira da Torre, sempre com panoramas de fragas, socalcos e picos à volta, continuando-se para a Ribeira Grande.

De Boca-de-Ambas-as-Ribeiras, no caminho para Chã de Igreja, saem dois trilhos. O primeiro corta caminho para Chã de Igreja, através de Selado do Mocho e não sendo trajeto longo é duro pelos declives.

O outro é dos mais difíceis, com trajeto de altitude e panoramas espetaculares, ligando a Espongeiro (14 km). A jornada de Coculi a Espongeiro (10 km) vale também a pena, mas exige boa forma física. Aí se desenham algumas das melhores paisagens de Santo Antão.

“Como é bom perder-se a gente por entre as bananeiras...”

As características orográficas de Santo Antão e o regime de chuvas modelaram o povoamento da ilha, atravessada por uma cordilheira montanhosa orientada de nordeste para sudeste.

O espaço insular divide-se em duas regiões que se distinguem pela fertilidade do solo e pela ocupação humana.

O quadrante nordeste concentra a maioria dos núcleos habitados, enquanto a parte ocidental é árida, quase desértica e, até certo ponto, remota. São escassas as vias de comunicação e quase não há povoamento no terço mais ocidental.

Os cinquenta mil habitantes da ilha vivem, assim, na região compreendida entre Porto Novo, onde acostam os barcos vindos de São Vicente, a Ponta do Sol e a Ribeira Grande. A ligação entre a primeira e a última povoação é feita pela sinuosa estrada interior, a única via com que contam as principais atividades econômicas que ocupam os habitantes, a agricultura e a pesca.

As principais culturas - plantações de cana, bananais - estão localizadas nas ribeiras mais férteis do nordeste. Aí se produz o melhor grogue cabo-verdiano - a bebida emblemática do arquipélago, aguardente feita a partir de cana-de-açúcar. A visita a uma produção artesanal é assunto a inscrever na agenda do viajante, que tem à mão, na Vila das Pombas, no Paúl, o velho trapiche do Sr. Ildo, que assina grogues e ponches de trazer para casa.

Vida de Fajã

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Descendo para o vale do Paul, na ilha de Santo Antão

Há alternativas de alojamento na Ribeira Grande, na Ponta do Sol e na Cruzinha da Graça, mas a Vila das Pombas é, tanto pela tranquilidade como pelo enquadramento paisagístico, uma boa opção para base das atividades andarilhas.

A estância é recatada, com sorte não haverá mais do que um ou dois turistas por ali, e a localização ideal para organizar as caminhadas. Para o interior estende-se o vale do Paúl; para sudeste a estradinha litoral que vai até à Pontinha de Janela, passsando pela Fajãzinha e pelas Ribeira de Pedro Dias e do Penedo; para noroeste, continuando pela orla, acede-se à Ribeira Grande, a uma dezena de quilómetros, e depois à Ponta do Sol. Ao longo da costa há algumas pequenas praias de areia negra, mas o mar é agitado, embora menos nas pequenas enseadas.

Para quem deseje adicionar à estância outro tipo de animação, se sobrar fôlego das andanças pelas veredas, há alguma animação nocturna na Ribeira Grande, na Ponta do Sol ou em Porto Novo, por vezes com música ao vivo. O mais certo é desejar-se sossego e silêncio, coisas que não falham na vida de fajã das Pombas, óptima para retemperar corpo e espírito.

Voltemos, uma vez mais, a Manuel Lopes, e à sua personagem, que acabou por perceber que Santo Antão, ilha de andarilhos, não é lugar que caiba facilmente em escritas e crônicas e que o melhor mesmo era render os sentidos às evidências: “Como é bom perder-se a gente por entre as bananeiras, à beira da corrente, ou estender-se sobre a relva, nas sombras de pé-de-rocha. Ou devorar uma papaia, chupar cana sacarina...”.

Ilha do Sal, o trópico mora ao lado

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Ilha do Sal

A ilha do Sal é cada vez mais um destino eleito para o turismo balnear português e europeu. A meio do Atlântico, flutuando entre águas transparentes, de tons azul-turquesa, dessas que brilham habitualmente e espelham céus edénicos nos folhetos das agências de viagens. Relato de uma tranquila viagem ao Sal, no arquipélago de Cabo Verde.

É sina de arquipélago. Cada ilha tende a singularizar-se, por uma ou outra razão, de cariz geológico, climático, paisagístico. Assim é, também, em Cabo Verde, onde as dez ilhas (nove habitadas) que constituem esta constelação única entre África e Europa se apresentam como um impressionante mosaico e, por conseguinte, como um reservatório inesgotável de experiências de viagem. São, bem se pode escrever, ilhas para todos os gostos e paixões. E a mais popular - entendida aqui a que regista maior número de visitantes, é fatalmente a ilha do Sal.

Fatalmente, porque é aí que o turismo de massas encontra um mais acentuado potencial de expansão, quer pela existência de um aeroporto internacional, que recebe voos da Europa (a três horas de Lisboa), África e do continente americano, quer, sobretudo, pelas praias de areia branca e fina e águas cálidas e tropicais que as banham. O Sal, não registando as enchentes que caracterizam destinos de praia como as Caraíbas ou as Canárias, é uma ilha cada vez mais procurada por turistas que para as suas férias não desejam ocupar o tempo com mais do que uns mergulhos e uns diários abandonos aos raios solares, ainda que possam sempre acrescentar outros devaneios hedonistas ou, até, algumas práticas desportivas que têm o mar como cenário privilegiado.

A muito menos horas de viagem do que as suas concorrentes brasileiras ou das Caraíbas, as estâncias de veraneio cabo-verdianas apresentam ainda uma outra indiscutível particularidade: oferecem o ensejo de uma imersão num universo cultural onde as referências africanas e europeias (portuguesas, principalmente) se mesclaram de forma exemplar e única.

Santa Maria: sal, mar e sol

Do aeroporto de Espargos a Santa Maria, na costa sul, não são mais do que vinte minutos por uma novíssima estrada de quatro vias.

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Santa Maria do Sal

A povoação tem reagido ao aumento da procura expandindo-se ao longo da costa, e para interior, com novos resorts, vivendas de férias e uma oferta crescente de restaurantes e vida nocturna. Os investimentos estrangeiros na área do turismo constituem, efetivamente, a fatia principal do motor econômico da ilha.

Historicamente, até aos dias de hoje, foi o sal a única riqueza explorada na ilha e a que justificou o povoamento, intensificado há cerca de cento e cinquenta anos. As salinas de Pedra de Lume, junto à costa leste, situadas num belíssimo cenário de cratera vulcânica, são memória desse tempo e um dos pontos de visita obrigatória para os turistas.

A construção do aeroporto, em meados dos anos 40, e a sua utilização como escala em voos transatlânticos, veio dar ao Sal uma renovada importância, mas foi, finalmente, a exploração do seu potencial turístico que colocou a ilha nos mapas internacionais de veraneio.

Águas cálidas, transparentes, de tonalidade azul-turquesa, imediata referência quando se pensa em destinos de férias balneares, fazem parte do cenário mais trivial da ilha, caracterizado também por paisagens despojadas.

As principais atividades com que os visitantes podem ocupar o tempo de vilegiatura estão, portanto, relacionadas com o mar. Praias de grandes extensões de areia - como a que se desenrola junto de Santa Maria - convidam a descontraídos mergulhos ou a passeios a pé ao longo do litoral.

Mas há um rol significativo e variado de propostas de agências locais que farão parecer breve o tempo de estadia: pesca em alto mar (sobretudo entre Julho e Outubro, a melhor época), windsurf, mergulho subaquático em vários pontos, incluindo recifes, onde abunda exuberante vida marinha, ou passeios de barco ao largo da ilha ou, ainda, até à vizinha Boavista, em excursões com a duração de um ou dois dias. Há, ainda, a possibilidade de agendar visitas de um dia (por via aérea) às ilhas de Santiago, Fogo ou São Nicolau. Extensões a essas ilhas ou a outras como São Vicente e Santo Antão, utilizando as ligações regulares diárias dos TACV, são igualmente opções disponíveis, e aliciantes, para quem não desejar preencher todo o tempo de férias apenas com prazeres balneares.

Ilhas de Cabo Verde - nunca chove, noutras também não

Um exagero, bem entendido.

Se haverá sempre um cabo-verdiano que se lembre do remoto ano em que viu água a cair do céu, há pelo menos duas ilhas que registam um regime mais ou menos regular de chuvas: Santo Antão e São Nicolau.

São as ilhas mais verdes, com vales férteis marcados por culturas tropicais (sobretudo na primeira) que contrastam com relevos montanhosos a que sobra majestade, mesmo na sua proverbial aridez. Parece que Darwin, quando por lá passou, há uma centena de anos, terá valorizado, justamente, essa escassez de vegetação e essa elementaridade cénica.

Santo Antão é uma das mais cativantes ilhas do arquipélago, com a sua gente afável e hospitaleira (como, aliás, em todas as outras ilhas), os seus trilhos espetaculares rasgando falésias e vales, os trapiches (artesanais) de grogue, o clima temperado em comparação com o das suas congéneres.

São Nicolau é também uma ilha calma, boa para os amantes de caminhadas e trekkings. Ambas têm vindo a tornar-se populares entre viajantes do norte da Europa.

O interior de Santiago, mais seco, encerra também paisagens memoráveis, com os seus estranhos picos cortando céus por vezes embrumados. A pequena e bela praia do Tarrafal merece uma estância de alguns dias.

O campo de concentração, que tem um museu evocativo da barbárie colonialista, vale também a visita, quanto mais não seja para ajudar desmontar o mito dos brandos costumes portugueses - o sítio é, efetivamente, sinistro, e uma espécie de modesto e lusitano fac-simile dos congéneres nazis.

Ainda em Santiago, o Plateau - o centro histórico da Praia, a capital do país - merece um breve passeio pela arquitetura colonial que ali se conserva. A pouco mais do que uma dezena de quilómetros está a Cidade Velha, a primeira cidade portuguesa construída fora do espaço europeu. As autoridades cabo-verdianas estão a trabalhar na sua candidatura a Patrimônio Mundial.

A ilha da Boavista é cenário de infindáveis extensões de areia branca e fina - por essa razão, também aí o turismo balnear está em expansão e os investimentos estrangeiros ameaçam perturbar a tranquilidade dos ilhéus - o preço a pagar pelas receitas esperadas.

A Brava, montanhosa e de vales profundos, tem também trilhos e uma pequena e tranquila povoação, Vila Nova Sintra, que conserva arquitetura dos tempos coloniais.

Mas nesse capítulo, São Filipe, a capital do Fogo, é um relicário único de velhos sobrados coloniais, bem conservados num centro histórico que se orgulha da sua harmonia. E o Fogo é, claro, das ilhas mais bonitas do arquipélago também pelo vulcão (por ora adormecido) e pela imensa e fértil cratera onde, em Chã das Caldeiras, se produz um precioso vinho branco.

Fonte: www.almadeviajante.com

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