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Café



 Nome popular: cafeeiro

 Nome científico: Coffea arabica L

 Família botânica: Rubiaceae

 Origem: África

"E eu sinto o gosto, o aroma,o sangue quente de São Paulonesta pequena noite líquida e cheirosaque é a minha xícara de café." MARTIM CERERÊ Cassiano Ricardo

Características da planta

Arbusto de até 4 m de altura, caule reto de casca cinzenta e rugosa. Copa cônica com ramos laterais pendentes. Folhas onduladas nos bordos e de coloração verde-acinzentada quando jovens, verde-brilhante posteriormente. Flores brancas aglomeradas ao longo dos ramos, aromáticas e atrativas para abelhas.

Fruto

Forma ovóide, verdes passando a vermelho e tornando-se preto de acordo com as fases de maturação. Casca lisa e brilhante, contendo sementes de coloração acinzentada, branco-amarelada ou amarelo- esverdeada, envoltas por polpa branca, adocicada.

Café

Cultivo

Prefere regiões de clima ameno, não suporta geadas. Necessita de solos férteis, drenados e arejados. Desenvolve-se melhor em locais sombreados. Há muitas variedades e delas obtém-se os diversos sabores e aromas do grão . Frutifica de maio a julho.

"As mais aprofundadas investigações históricas têm permitido estabelecer que o uso da beberagem feita com as sementes do cafeeiro foi iniciado pelos árabes do Yemen, no sétimo século da nossa era,portanto entre os anos 600 e 700. O "kahwah" ou "cavé"fora, então, para ali trazido de longe,de sua pátria, das terras altas da misteriosa Abissínia, onde não se Ihe conhecia qualquer préstimo"  DICIONÁRIO DAS PLANTAS UTÉIS DO BRASIL e das exóticas cultivadas M. Pio Corrêa (1926)

Embora existam ainda algumas divergências quanto ao local e à época exatos em que se iniciou o cultivo e o uso sistemático do café , parece certo que a África foi o berço da espécie Coffea. É certo, também, creditar-se ao povo árabe tal façanha.

Parece que foram os próprios árabes, em seus processos expansionistas, os grandes disseminadores da espécie por todo o mundo conhecido em sua época. E é por esse motivo que uma das espécies mais conhecidas e cultivadas comercialmente hoje em dia, a primeira a ser descrita pelos árabes e a chegar ao continente europeu, tenha sido justamente batizada como Coffea arabica.

Tudo leva a crer que exemplares nativos dessa espécie podiam ser encontrados em toda a faixa equatorial que atravessa o continente africano, desde a Etiópia até o Congo, alcançando o sul de Angola.

A partir de seus centros de origem e de dispersão, o café iniciou sua grande migração ao redor do mundo. Com os árabes, seu cultivo foi levado para as regiões litorâneas do Mar Vermelho. Em 1690, foi dali para as ilhas de Java, Bornéu e Sumatra, na Indonésia, levado pelos holandeses. Da indonésia, rapidamente partiu para as terras do atual Sri Lanka, no Oceano ndico, por onde chegou à Índia e penetrou no continente asiático.

No início do século XVII, o café proveniente dessas regiões alcançava altos preços no mercado europeu e já era fartamente comercializado pelos holandeses e venezianos, que se apressaram a juntar os sacos do grão preciosas especiarias trazidas do Oriente.

"Quedê o sertão daqui? Lavrador derrubou.Quedê o lavrador? Está plantando café.Quedê o café? Moça bebeu.Mas a moça onde está? Está em Paris." MARTIM CERERÊ Cassiano Ricardo

Reputado como produto de grandes propriedades medicinais, revigorador do intelecto e excitante, o café foi introduzido na Europa e passou a ser cada vez mais consumido: os grãos de café, torrados e moídos, eram colocados na água quente e consumidos à moda dos árabes, o que incluía a aromatização com canela e cravo da Índia.

Logo as cidades européias ganharam cafeterias em profusão, onde se reuniam escritores, filósofos e artistas em torno da bebida em suas variadas preparações.

Desde então, ou até mesmo muito antes disso, o café já tinha encontrado sua verdadeira vocação: o aroma e o sabor do líquido escuro, sorvido em pequenos goles, têm a capacidade de reunir as pessoas e, mesmo que por poucos minutos, instaurar o silêncio e fazer refletir.

Entre 1706 e 1718, período curto considerando-se as distancias e as dificuldades de transporte da época, o café foi levado, pelas mãos dos holandeses, da Indonésia até a América, passando antes pelos jardins botânicos europeus.

Nas possessões da França e da Holanda na América do Sul e nas Antilhas, iniciou-se prontamente o seu cultivo e, por questões de segurança e de monopólio, tornou-se proibida a venda de qualquer café que fosse capaz de nascer, crescer e produzir.

Apesar de tantos cuidados, menos de 10 anos depois o café chegou ao Brasil, mais precisamente em Belém do Pará, pelas mãos do sargento-mor Francisco de Melo Palheta, que obteve mudas e sementes não se sabe ao certo de que forma. No mesmo ano de 1727, o café começou a ser cultivado em terras brasileiras, expandindo-se logo em seguida para outras regiões: Maranhão, Ceará, Vale do São Francisco, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Nesses primeiros tempos, no entanto, a importância do café na economia do país ainda era inexpressiva. Em tempos de parcos conhecimentos e de poucos recursos e nas oscilações dos preços internacionais, a cultura do café não se estabeleceu facilmente.

Cultura nômade e exigente - "polvo com milhões de braços" como disse Monteiro Lobato em seu livro "A onda verde" - o café caminhava sempre em busca de terras novas, à medida em que se exauriam os solos. Essa é, aliás, uma das principais características da história da lavoura cafeeiras o nomadismo.

No final do século XVIII, o café estava chegando ao Vale do Paraíba, no Estado de São Paulo: era o início da grande saga do café do Brasil.

Alguns anos depois, na região de Campinas, porta de entrada para as áreas paulistas de "terra roxa", as plantações de café começaram a mostrar todo o seu potencial econômico. Em pouco tempo, na metade do século XIX, São Paulo já aparecia nas listas dos grandes produtores e exportadores de café.

As plantações foram se diversificando: os governos e os produtores começaram a investir em pesquisas para o melhoramento da espécie e para a criação de novas linhagens e no desenvolvimento de técnicas de plantio, colheita e beneficiamento.

As altas sucessivas do preço internacional do café , conseqüência da expansão do mercado norte- americano, foram empurrando e ampliando a cafeicultura para o Oeste, por todo o interior do Estado de São Paulo e adjacências.

O volume de capital gerado e movimentado com a atividade cafeeira e com o estabelecimento das grandes fazendas modificou completamente o modo de vida das regiões produtoras e levou os "Barões do Café" a ocuparem lugares de proeminência na cena política nacional.

Em 1920, o Brasil passou a ocupar o primeiro lugar entre os países exportadores de café de todo o mundo posigão esta que manteve por muitos anos - e que ligou seu nome, de maneira definitiva, com a imagem do café.

Desde que atingiu seu apogeu no Brasil, com períodos de maior ou de menor crise, pode-se dizer que a cultura do café aí se manteve. Prosseguindo seu movimento de migração, o café passeou por muitas regiões, atingindo um pico impressionante em algumas delas e, rapidamente, entrando em declínio, como foi o caso do Estado do Paraná após a grande geada de 1975.

Hoje em dia seu cultivo avança nas terras dos cerrados de Minas Gerais, onde o clima e o solo favorecem sobremaneira o plantio do Coffea arabica, conquistando uma altíssima qualidade, já reconhecida pelo mercado internacional.

Existem inúmeras variedades de cafés conhecidos como Arábica: tipos e linhagens diferentes de cafés; de maior ou menor produtividade, rusticidade e resistência às pragas e às intempéries; mais ou menos exigentes de cuidados; e dos quais se obtêm grãos, pós e bebidas de qualidades e preços também extremamente variados.

Algumas dessas variedades - muitas vezes obtidas . através de experimentos de seleção, cruzamentos, hibridação ou por puro acaso genético - nasceram e se desenvolveram em terras e solos brasileiros, tais como o Amarelo de Botucatu, o Maragogipe Vermelho, o Maragogipe Amarelo, o Caturra Vermelho, o Caturra Amarelo, o Bourbon Amarelo, o Mundo Novo, o Catuaí Vermelho, o Catuaí Amarelo, entre outros.

"Um cafeeiro de Amsterdã, deu origem aos cafezais de Suriname, da Güiana e do Brasil.Novamente, foi de um cafeeiro do Rio de Janeiro que se originaram as primeirasplantações dos Estados do Rio, Minas Gerais e São Paulo. Também uma única planta deJundiaí deu origem aos cafezais de Campinas e regiões circunvizinhas. Os cafezaisbrasileiros constituíram assim, enorme progênie de um só cafeeiro, C. arabica cv. Arábica,café também conhecido como Nacional, Crioulo e Típica."  HISTÓRICO DE DESENVOLVIME.NTO DO CULTIVO DO CAFÉ NO BRASIL

 Alcides Carvalho 

Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

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A descoberta do café

café nasceu em Kaffa, província da Etiópia, no ano 850. Na época, o pastor Kaldi, observando suas cabras, notou que elas ficavam alegres e saltitantes e que esta energia extra se evidenciava sempre que mastigavam os frutos de coloração amarelo-avermelhada dos arbustos existentes em alguns campos de pastoreio.

Kaldi comentou sobre o comportamento dos animais a um monge da região, que decidiu experimentar o poder dos frutos. O monge começou a utilizá-los na forma de infusão, percebendo que a bebida o ajudava a resistir ao sono enquanto orava ou em suas longas horas de leitura do breviário.

Esta descoberta se espalhou rapidamente entre os monastérios, criando uma demanda pela bebida. Porém, os africanos não tiveram muito interesse em plantar o café . Com isso, os árabes foram os primeiros a cultivá-lo e apresentá-lo para o resto do mundo. Inclusive, Coffea Arabica é o nome científico de uma das mais importantes espécies de café, em homenagem a seus primeiros cultivadores.

Café

Na atualidade, é uma das bebidas mais consumidas em todo o mundo e o Brasil desempenha o importante papel de maior produtor de café  do mundo.

O café no Brasil

Café

No Brasil, o café chegou em 1727, pelas mãos de Francisco de Melo Palheta, sargento-mor do exército. Durante uma missão oficial na Guiana Francesa, foi convidado a percorrer plantações de café. Na volta, trouxe sementes e mudas que foram plantadas em Belém, onde morava.

Em 1731, o Brasil, através do Maranhão e do Pará, já exportava café para Portugal. A partir de 1760, o café chegou também ao Rio de Janeiro, capital do Brasil Colonial, e de lá se espalhou para o Espírito Santo, São Paulo e Paraná. Em 1800, o Triângulo Mineiro também já possuía cafezais.

Após a Proclamação da República, em 1889, o Brasil já produzia 5.586 mil sacas de 60kg de café .
O chamado "ouro verde" tornou o país, já nessa época, o maior produtor mundial do fruto.

Durante muito tempo, o café permaneceu como o maior produto da economia brasileira e ditou os rumos políticos do país.
Hoje, o país possui torrefadoras que estão entre as maiores e mais modernas do mundo.

Fonte: www.mogyana.com.br

Café

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Café

Como o café é cultivado

O café é cultivado em diversas partes do mundo, mas apenas entre o Trópico de Câncer e o Trópico de Capricórnio.

A região onde o café é cultivado influencia diretamente seu sabor - o solo, o clima e os métodos de processamento usados no cultivo fazem com que os grãos tenham sabores distintos. Um produtor de vinhos francês chamaria isso de “goût de terroir” – o “gosto da terra”.

Geograficamente, existem três regiões globais de cultivo de café : o leste da África e a península arábica, o sudoeste da Ásia e o Pacífico, e a América Latina.

O pé de café

Como muitas outras frutas, as cerejas de café nascem em árvores. O solo, clima, altitude e as plantas ao redor influenciam no sabor do café que será produzido.

Cada pé de café produz grãos apenas suficientes para meio quilo de café torrado por colheita. É preciso um ano inteiro para um pé de café produzir o que a maioria das pessoas consome em uma única semana!

Arábicas e robustas

Existem dois tipos de café comercialmente importantes: o café arábica e o canephora (robusta). O arábica cresce melhor em altitudes altas, tem um sabor mais refinado e possui cerca de 1% de cafeína em sua composição. Já a robusta, como o nome indica, é uma espécie mais resistente e floresce em menores altitudes, produzindo cafés com um sabor mais rústico. A Starbucks compra apenas os cafés arábica da melhor qualidade.

Lá vem a colheita

Na época da colheita, os pés estão tomados por cerejas vermelhas de café. O grão de café é apenas o miolo da cereja.

A pele da cereja de café é muito fina, com um suave sabor amargo. A fruta sob a pele, ao contrário, é muito doce e tem a textura de uma uva. Por dentro da fruta existe a semente protegida por outra camada. Removendo-se esta camada, você normalmente vai encontrar dois grãos de café prontos para serem lavados e torrados.

Fonte: www.starbucks.com.br

Café

CAFÉ  Coffea arabica L 

Partes Usadas: Sementes

Família:Rubiáceas

Características: Planta perene, originária da Etiópia e do Sudão. Pode atingir até 5 m de altura. Suas flores são brancas, seus frutos são drupas vermelhas com duas sementes.

Dicas de Cultivo: Época de semeadura: maio-outubro; de plantio das mudas: nas chuvas ou com irrigação na seca. O espaçamento varia dependendo da condução da planta e do cultivar utilizado.

Outros Nomes:Cafeeiro, café. Port .: cafeeiro; Esp .: cafeto, café; Fr .: caféier, café; Ing .: coffe tree.

Princípios ativos: Cafeína, óleo essencial.

Propriedades: Estimulante do sistema nervoso, do aparelho circulatório, aumenta secreção de sucos gástricos. Seu uso habitual está relacionado com o câncer da bexiga, do pâncreas, do cólon e com o aumento do colesterol do sangue.

Indicações

 O emprego medicinal do café excepcionalmente justifica-se desde que não haja outros tratamentos com menos efeitos secundários: 

Intoxicação alcoólica aguda, onde o café pode neutralizar os efeitos depressivos do álcool

Desmaio, desfalecimento por esgotamento físico e fadiga (infusão dos grãos verdes ou torrados)

cefaléia, enxaqueca, congestão cerebral por gripe ou afecções catarrais, febre, também em infusão

Fonte: :www.cantoverde.org

Café

história do café é marcada por interessantes acasos e coincidências.

Sua origem é estimada em cerca de mil anos e está associada aos árabes, que primeiro cultivaram a fruta. A região de Kafa, no Oriente Médio, parece ser o berço do café , tendo inclusive emprestado seu nome à bebida.

Mas interessante mesmo são os primeiros registros acerca do café , nos quais podemos perceber como a observação dos animais inspira nosso cotidiano.

Café

Tudo começou na Etiópia, quando um pastor percebeu que suas cabritas gostavam de comer certo fruto pequenino, vermelho e arredondado. Estas mesmas cabritas se mostravam mais espertas e resistentes depois de comê-lo.

Quando o pastor resolveu experimentar as frutas (esmagou-as com manteiga e fez uma pasta), conheceu os efeitos estimulantes do café . A versão bebida, porém, vem dos árabes.

Isto foi no século XV. Com o passar do tempo, o café seria não só saboreado, como estudado em seus efeitos estimulantes e revigorantes.

Através do comércio dos árabes com os europeus, o consumo do café foi se ampliando e, com as grandes navegações, chegou às Américas Central e do Sul.

 Café é coisa brasileira. Determinou grandes momentos da nossa história, ditou políticas e comportamentos, é da nossa cultura. Nós não temos o hábito do chá das cinco, como os ingleses, mas é só chegar uma visita em casa, que corremos para fazer um café fresquinho, "passado na hora".

Durante muito tempo o nosso simpático cafezinho ficou sem prestígio. Sua imagem foi associada a idéias negativas, como estresse e distúrbios do sono.

Alguns estudos, aliados a programas de controle de qualidade do café consumido no Brasil, conseguiram mudar este quadro. O produto reconquistou o respeito da população. Revigorado, com novo marketing, ganhou novas versões para atingir consumidores mais exigentes: agora, você pode escolher se seu café é descafeinado, ou orgânico, ou liofilizado; granulado, solúvel, torrado e moído, torrado em grão; café 

Café

Do cafezal à nossa mesa

O futuro do café é ser reduzido a pó. Nada mau para uma bebida tão apreciada! Desde seus tempos de frutinha vermelha, com aspecto de cereja, até ser torrado, moído e bebido, o café passa por várias peripécias.

Para ser um bom café, primeiro é necessário um bom clima: temperado. O relevo, se for montanhoso, é mais propício. Depois de plantado, esperam-se dois ou três anos para que o pé de café dê os frutos, que são colhidos geralmente nos meses de abril a junho.

A maneira de colher varia: há a colheita mecânica, também chamada colheita forçada, ou a manual, que pode ser do tipo derriça, com pano (catado), ou por varrição.

Então, os grãos são secos. Se a produção é pequena, isto pode ser feito em terreiro. Para grandes quantidades, utiliza-se um secador.

A próxima etapa é a retirada de cascas e impurezas. Depois, o café cru é classificado de acordo com o tipo de peneiras por onde passa. Depois desta classificação, o café é comercializado em sacas de 60 quilos.

café que compramos costuma ser uma mistura de grãos, chamada de blend, que resulta no sabor que cada produto oferece. Feito o blend, ele é torrado a mais de 250oC. De acordo com a intensidade da torra, os grãos ganham aparência clara, média ou escura; perdem 20% do peso e dobram de tamanho.

A próxima etapa é a moagem, para então o café ser empacotado e levado ao consumidor.

O que é que o café tem

A composição química do café inclui, além da famosa cafeína, outras substâncias cujos efeitos foram temas de inúmeras pesquisas.

Você já ouviu falar das lactonas? Pois é, todo mundo fala do efeito estimulante da cafeína, mas, na composição do café , as lactonas possuem um efeito estimulante sobre o sistema nervoso central que é tão ou mais significativo do que o da cafeína.

Outros componentes são a celulose, que estimula os intestinos; os minerais, importantes para o metabolismo; os açúcares e o tanino, que contribuem para o sabor; e os lipídeos, que dão aquele aroma especial.

Bom para a cabeça

Segundo o professor Darcy Roberto de Lima, que escreveu vários estudos sobe o café, quatro xícaras da bebida por dia, regularmente, podem aumentar a capacidade de atenção, concentração e de formação de memória em adultos e crianças. Além disso, tomar café diminui a incidência de apatia, desânimo e depressão.

Já o uso sem regularidade aumentaria a atenção apenas por um determinado período. Por isto, o professor recomenda um uso diário e moderado - bem mais eficiente do que uma eventual superdose, típica das vésperas de prova!

Para desfrutar dos efeitos benéficos para o aprendizado, recomenda-se beber o café pela manhã, na primeira hora após acordar. Com leite, os efeitos são os mesmos; o valor nutritivo é que aumenta. Por isto, café com leite é uma boa opção para crianças e adolescentes.

Ainda de acordo com o professor, o café atuaria sobre as áreas do cérebro que induzem ao desejo de superação, fazendo com que o humor fique mais bem equilibrado e evitando os sentimentos de depressão e de necessidade de consumir estimulantes. Por isso, ele assegura que jovens com o perfil de potenciais consumidores de drogas (problemáticos e agressivos) podem se beneficiar dos efeitos preventivos do café em relação aos tóxicos.

Na dose certa

Tudo bem, você achou ótimos os efeitos do café e tudo mais que você pode fazer com ele (já descobriu as receitas?). Mas não abuse: veja as doses máximas diárias recomendadas para cada idade.

 De 6 a 10 anos: 3 xícaras por dia.

 De 10 a 20 anos: 6 xícaras por dia.

 De 20 a 60 anos: 9 xícaras por dia.

 Acima de 60 anos: 6 xícaras por dia.

Dicas e curiosidade

 Para preparar seu cafezinho, não se esqueça destas dicas quentes: 

Evite a água da torneira para o preparo do café . O excesso de cloro na água pode alterar o sabor, por isto prefira água filtrada ou mineral

O pó não deve ser reaproveitado.

Não recircule a bebida, isto a deixa amarga.

Quando for utilizar pela primeira vez um coador de pano, ferva-o em água misturada com café , para tirar o cheiro do tecido.

Consuma o café logo que for feito, pois ele começa a perder suas características 15 minutos depois de pronto. Se não vai beber muito, faça um pouquinho de cada vez.

Antes de servir o café , agite-o levemente para uniformizar a mistura.

café já ficou pronto? Agora veja para que mais serve o pó e a borra de café!

Para clarear e limpar a pia e o chão de cozinha, utilize a borra do café.

O pó de café , colocado num copinho dentro da geladeira, ajuda a eliminar os maus cheiros

 Um bom adubo: borra do café em vasos de flores e plantas

Lendas do café

 Café forte 

Dizem que o café foi criado pelo arcanjo Gabriel, que quis oferecer ao profeta Maomé uma bebida que o revigorasse. Parece que o efeito foi bom mesmo: Maomé bebeu o café e tornou-se capaz de derrubar quarenta cavaleiros e conquistar quarenta mulheres. A lenda só não diz quanto o profeta teve que beber para conseguir a façanha!

 Café santo 

Quando o café chegou à Itália, no século XVII, foi boicotado por alguns cristãos fanáticos, que achavam que o produto era uma "invenção de Satanás". Só que, quando o Papa experimentou, gostou tanto que resolveu abençoar o café para vencer Satanás - e tornar o café a bebida cristã.

 Café com música 

Na Alemanha, o café era servido com música. O casamento das duas paixões alemãs é a " Cantata ao Café ", composta por Johann Sebastian Bach para ser tocada nos estabelecimentos onde a bebida era servida - as Kaffehaus.

 Café misterioso 

Os turcos conheciam bem o café e foram um dos povos a levá-lo Europa. Ocuparam Viena, mas tiveram que abandonar a cidade quando chegaram as tropas libertadoras. Foi o maior alvoroço e, na pressa, deixaram várias sacas de um produto misterioso. O que seria? Um homem que já havia vivido no Oriente reconheceu ali o café e aproveitou para vendê-lo, com açúcar e chantilly. Este é o famoso café vienense.

 Café brasileiro 

café chegou ao Brasil no século XVIII, envolto em lendas e romance. A fruta, que já era plantada na Guiana Francesa, estava proibida aos portugueses. O sargento-mór Francisco de Melo Palheta foi designado para trazê-la e, conta-se, só teria conseguido porque a esposa do governador da Guiana, apaixonada por Palheta, o teria presenteado com sementes do "ouro negro". Não se pode ter certeza sobre a paixão da primeira-dama, mas seu papel foi fundamental no contrabando das sementes proibidas.

 Café brasileiro II 

café foi o produto que veio a substituir a exploração do ouro e da cana-de-açúcar na era pós colonial, acompanhando assim o desenrolar da economia da época. Espalhou-se pela Região Sudeste, em que o clima era bastante propício, e por conta disto surgiram e se desenvolveram importantes cidades. Junto com o desenvolvimento, porém, trouxe o desmatamento. Nossa Mata Atlântica foi dizimada. A Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, é a maior floresta urbana do mundo, mas não sobraria muita coisa para contar a história se não fosse pelo processo de reflorestamento, que recuperou a mata devastada pelas plantações.

Receitas selecionadas

 Café com suco de laranja 

 Ingredientes 

500 ml de suco de laranja

10 cubos de gelo de café (pequenos)

3 colheres de sopa de creme de leite

3 colheres de sopa de açúcar

Enfeites

 Modo de preparo 

Bata no liquidificador, decore com enfeites e sirva na hora.

 Creme de café 

 Ingredientes 

4 colheres (de sopa) de manteiga

1 xícara de açúcar fino

1 xícara de café forte

1 colher (de café) de baunilha

 Modo de preparo 

Derreta em uma panela a manteiga e junte, aos poucos, o açúcar. Em seguida, adicione o café até ficar cremoso. Coloque a baunilha e mexa bem.

Você pode usar esse creme para rechear ou cobrir um bolo.

 Frapê de café 

 Ingredientes 

2 xícaras de café forte frio

2 xícaras de sorvete de creme

 Modo de preparo 

Coloque os copos para o frapê na geladeira antes de começar a prepará-lo.

Bata o sorvete com o café no liquidificador, em alta velocidade, até que fique espumoso. Se desejar, adicione açúcar a gosto. Sirva nos copinhos geladinhos.

 Café vienense 

 Ingredientes 

4 pedacinhos de chocolate meio amargo

Açúcar a gosto

4 colheres (sopa) de creme de leite

4 xícaras de café bem forte

Chantilly, canela, cacau ou raspa de laranja a gosto

 Modo de preparo 

Derreta o chocolate, o açúcar e o creme em fogo brando. Junte o café e leve ao fogo sem deixar ferver. Coloque em xícaras grandes. Guarneça com chantilly e, sobre ele, coloque a canela, o cacau em pó ou a raspa de laranja, em pequena quantidade.

 Salada de Frango com Café 

 Ingredientes 

1 1/4 kg de peito de frango

30ml de café preparado forte

150ml de creme de leite fresco

30g de açúcar mascavo

100ml de maionese

175g de nozes descascadas

6 talos de aipo cortados em cubos de 2,5cm

sal e pimenta moída a gosto

 Modo de preparo 

Corte os pedaços do frango em pequenos cubos e disponha-os em uma única camada, em um prato refratário. Numa tigela, misture o creme de leite, o café e o açúcar mascavo. Derrame tudo sobre o frango e leve ao forno a 180º C, por 25 a 30 minutos. Retire do forno e espere esfriar. Transfira para um outro prato e incorpore maionese, o aipo, as nozes, o sal e pimenta. Misture bem e leve à geladeira, por 4 horas. Na hora de servir, verifique o sal e a pimenta.

Rende aproximadamente 5 porções.

 Batatas gratinadas com café 

 Ingredientes 

1 kg de batatas cozidas
100g de mussarela cortada em cubinhos
100g de presunto cortado em cubinhos
1 cebola picada
1 tomate picado
1 peito de frango cozido e cortado em cubinhos ou desfiado
1 lata de creme de leite
1/3 xícara de café preparado forte
150g de queijo ralado, sal, orégano, cheiro-verde a gosto
1/2 lata de milho verde

 Modo de preparo 

Coloque em um refratário uma camada de batata e em outro misture o queijo, o presunto, o frango, a cebola, o tomate e os temperos. Em uma vasilha misture o café , o queijo e o creme de leite. Faça camadas alternadas com a batata, o queijo e por último o creme de leite. Leve ao fogo para gratinar.

Rende aproximadamente 20 porções.

Fonte: www.ibge.gov.br

Café

LENDA

Reza uma antiga lenda sobre as origens do café que há mais de 1.300 anos, nas montanhas de Abissínia, hoje Etiópia, no nordeste da África, um jovem pastor árabe chamado Kaldi.

Certa noite, ele ficou ansioso quando suas cabras não retornaram ao rebanho. Quando saiu para procurá-las, encontrou-as saltitando próximo a um arbusto cujos frutos estavam mastigando e que obviamente foi o que lhes deu a estranha energia que Kaldi nunca vira antes. Então, ele mesmo resolveu experimentar alguns frutos e descobriu que eles o enchiam de energia, como tinha acontecido com o seu rebanho.

Kaldi, evidentemente, levou essa maravilhosa "dádiva divina" ao mosteiro local, mas as reações não foram favoráveis e ele ateou fogo nos frutos, dizendo serem "obra do demônio". O aroma exalado pelos frutos torrados nas chamas atraiu todos os monges para descobrir o que estava causando aquele maravilhoso perfume e os grãos de café foram rastelados das cinzas e recolhidos.

Café

O abade, então, mudou de idéia. Sugeriu que os grãos fossem esmagados na água para ver que tipo de infusão eles davam, e os monges logo descobriram que o preparado os mantinha acordados durante as rezas e períodos de meditação.

E notícias dos maravilhosos poderes da bebida espalharam-se de um monastério a outro e aos poucos se espalharam por todo mundo.

O primeiro "cafezinho"

As evidências botânicas sugerem que a planta originária do café vem da Etiópia Central, onde ainda crescem vários milhares de pés acima do nível do mar. Entretanto ninguém sabe precisar ao certo quando foi experimentado o primeiro "cafezinho". Alguns registros dizem que foi na sua própria terra nativa em meados do século XV. Também é sabido que foi cultivado no Iêmen (antes conhecido como Arábia), com a aprovação do governo, aproximadamente na mesma época.

À medida que o café tornou-se cada vez mais popular, salas especiais nas casas dos mais abastados foram reservadas para se tomar café, e estabelecimentos para degustação desta saborosa bebida começaram a aparecer nas cidades. A primeira abriu em Meca, no final do século XV e início do XVI e, embora originalmente fossem lugares de reuniões religiosas, esses amplos saguões onde os clientes se sentavam em esteiras de palha ou colchões sobre o chão, rapidamente tornaram-se centros de música, dança, jogos de xadrez, gamão etc.

Café

Sua popularidade espalhou-se pelo Cairo, Constantinopla e para todas as partes do Oriente Médio, apesar dos muçulmanos desaprovarem todas as bebidas tóxicas, incluindo o café. Para os mulçumanos as casas de café eram uma ameaça à observância religiosa. Frequentemente esses centros populares de diversão eram atacados e destruídos por fanáticos religiosos. Alguns governantes chegavam a apoiar a proibição do café impondo aos que desobedecessem punições aterrorizadoras como açoites ou até mesmo amarrar os "infiéis" dentro de sacos de couro e atirá-los nas águas do estreito de Bósforo.

Da Europa para o mundo

Enquanto isso na europa, comerciantes da Holanda, Alemanha e Itália estavam certamente exportando grãos e tentando introduzir a lavoura em suas colônias. Os holandeses foram os primeiros a iniciar o cultivo comercial no Sri Lanka, em 1658, e posteriormente em Java, em 1699. Por volta de 1706, já exportavam café de Java e estendiam a produção para outras partes da Indonésia.

Em 1714, os holandeses bem-sucedidos presentearam Luís XIV da França com um pé de café que cresceu numa estufa em Versailles. Quando deu frutos, as sementes foram espalhadas e as mudas foram levadas para o cultivo na ilha de Réunion, na época chamada de Ilha de Bourbon. A variedade de arbustos de café que se desenvolveu daquela árvore em Paris e tornou-se conhecida como o café Bourbon, sendo a fonte original de grãos atualmente conhecidos no Brasil como Santos e no México como Oaxaca.

Muito em breve, esses preciosos grãos viriam para o Brasil, onde seus frutos renderiam um verdadeiro legado econômico e cultural para o país, mesclando-se em muitos momentos, com a própria história do Brasil e dos brasileiros.

Como o café chegou ao Brasil

Em 1727 os portugueses compreenderam que a terra do Brasil tinha todas as possibilidades que convinham à cafeicultura. Mas não possuíam nem plantas nem grãos. O governo do Pará então encontrou um pretexto para enviar Palheta, um jovem oficial a Guiana Francesa, com uma missão simples: pedir ao governador M. d’Orvilliers algumas mudas.

Café

O governador seguindo ordens expressas do rei de França, não atende ao pedido de Palheta. Porém a Madame d’Orvilliers, esposa do governador da Guiana Francesa, não resiste aos atrativos do jovem tenente e quando Palheta já regressava ao Brasil, ela envia-lhe um ramo de flores onde, dissimuladas pela folhagem, se encontravam escondidas as sementes a partir das quais haveria de crescer o poderoso império brasileiro do café - um episódio bem apropriado para a história deste grão tão sedutor.

Do Pará, a cultura passou para o Maranhão e, por volta de 1760, foi trazida para o Rio de Janeiro por João Alberto Castelo Branco, onde se espalhou pela Baixada Fluminense e posteriormente pelo Vale do Paraíba.

Do cultivo à exportação

O surto e incremento da produção do café foram favorecidos por uma série de fatores existentes na época da Independência:

As culturas do açúcar e do algodão estavam em crise, batidas no mercado internacional pela produção das Antilhas e dos EUA; por isso, os fazendeiros precisavam encontrar outro produto de fácil colocação no mercado internacional.

A decadência da mineração libertou mão-de-obra e recursos financeiros na região Centro-Sul (Minas Gerais e Rio de Janeiro, principalmente), que então poderiam ser aplicados em atividades mais lucrativas.

Em âmbito internacional, a produção brasileira foi favorecida pelo colapso dos cafezais de Java (devido a uma praga) e do Haiti (devido aos levantes de escravos e á revolução que tornou o pais independente).

Outros fatores decisivos foram a estabilização do comércio internacional depois das guerras napoleónicas (Tratado de Versalhes, 1815) e a expansão da demanda europeia e americana por uma bebida barata.

A importância econômica do café refletiu-se na sua expansão geográfica. No início, difundiu-se pelo Vale do Paraíba (Rio de Janeiro e São Paulo), Sul de Minas e Espírito Santo. Depois, atingiu Campinas, no "Oeste Velho" de São Paulo; dali, expandiu-se para o chamado "Oeste Novo" (Ribeirão Preto e Araraquara) e passou, mais tarde, para as regiões de terra roxa do Norte do Paraná e Mato Grosso.

Hoje, as áreas de cultivo localizam-se nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo e Bahia. Após a grande geada de 1975, houve um deslocamento das principais zonas produtoras do Norte do Paraná para áreas de clima mais favorável, como o sul de Minas Gerais e o interior capixaba.

A exportação brasileira do café começou a crescer a partir de 1816. Na década de 1830-1840, o produto assumiu a liderança das exportações, com mais de 40% do total; o Brasil tornou-se, em 1840, o maior produtor mundial de café.

Na década 1870-1880, o café passou a representar até 56% do valor das exportações. Começou então o período áureo do chamado ciclo do café que durou até 1930; no final do séc. XIX, o café representava 65% do valor das exportações do pais, chegando a 70% na década de 1920.

O "crack" de 29

Contudo, o crack da Bolsa de Nova York em 1929 forçou a queda brusca no preço internacional do café , que continuou em queda até menos de 40% em 1931. Apenas 15 anos mais tarde, em 1947 os preços voltariam aos níveis de 1928. Essa situação agravou a crise de superprodução do café, cujos primeiros sinais apareceram no início do séc. XX.

Para enfrentar essa crise, os governadores dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro reuniram-se (fevereiro de 1906) no chamado Convênio de Taubaté, que definiu uma política para a valorização do produto: os governos estaduais comprometeram-se a comprar toda a produção e usar os estoques como instrumentos para impedir quedas e oscilações no preço do produto, além de proibir novos plantios.

O Convênio de Taubaté representou a primeira intervenção oficial em defesa do café . Mais tarde, após a crise de superprodução mundial de 1957, os países produtores e os grandes consumidores criaram o Acordo Internacional do Café (1962), que estabeleceu quotas de exportação para os países-membros.

O "ciclo" do Café

O chamado "ciclo do café " teve repercussões econômicas e sociais importantes no Brasil. A expansão da lavoura levou à ampliação das vias férreas, principalmente em São Paulo; os portos do Rio de Janeiro e de Santos foram modernizados para sua exportação; a necessidade de mão-de-obra trouxe imigrantes europeus, principalmente depois da Abolição dos escravos.

café foi o primeiro produto de exportação controlado principalmente por brasileiros, possibilitando o acúmulo de capitais no pais. Em conseqüência, criou-se um mercado interno importante, principalmente no Centro-Sul, que foi o suporte para o desenvolvimento de atividades industriais, comerciais e financeiras. O café, sobretudo, consolidou a hegemonia política e econômica do Centro-Sul, transformando-o na região brasileira onde o desenvolvimento capitalista foi pioneiro.

Em 1996 o consumo mundial supera a barreira dos 100 milhões de sacas. Em 1997 o Brasil atinge quase 3 bilhões de dólares na exportação de café , tendo a Alemanha superado os Estados Unidos como maior importador.

Em 1998 o comitê do Conselho da Bolsa de New York coloca na pauta o café despolpado brasileiro.

Atualmente, o Brasil se encontra soberano na posição de produtor número 1de café , responsável por 40 % de toda a produção mundial. Apenas em 2005, o país exportou cerca de 26 milhões de sacas de café e 15 milhões foram consumidas internamente.

Para 2006, a projeção é incrementar ainda mais esses números, pretendendo aumentar as vendas em pelo menos 75%, representando exportações na ordem de US$ 29 milhões, contra US$ 16,5 milhões faturados em 2005.

Todos esses resultados evidenciam vocação da indústria brasileira para o sucesso, com produtos de alta qualidade tanto para consumo interno quanto para a exportação, fortalecendo cada vez mais a hegemonia nacional na produção de café .

Fonte: www.sobesa.com.br

Café

Café no mundo

Existem várias lendas a respeito da descoberta do café .

A mais difundida diz que, por volta do ano 800, nas montanhas da Abissínia, um jovem pastor de nome Kaldi observou que suas cabras ficavam mais alegres e saltitantes quando comiam folhas e frutos de um certo arbusto. Ao provar do fruto, o pastor sentiu uma forte vivacidade e muita disposição para o trabalho.

O conhecimento do efeito daquele precioso fruto espalhou-se pelo norte da África e chegou ao mundo árabe, primeiros povos a fazerem uso do café , em meados do século XV (1440). No início, os frutos eram consumidos como uma pasta fortificante e usada para que os árabes ficassem acordados orando para Alá, seguindo os conselhos do seu profeta Maomé.

A proibição de bebidas alcoólicas pela religião muçulmana ajudou a difundir o café , que passou a ser largamente consumido.

A fama dos frutos foi se alastrando, chegando aos mosteiros, onde os monges passaram a preparar uma infusão das folhas juntamente com o fruto em forma de chá. Certo dia, um dos monges levou alguns ramos de café carregados de frutos para perto do fogo para tentar secá-los a fim de guardá-los e usá-los durante o período de chuvas. Porém, distraiu-se, deixando os grãos torrarem, de onde exalou um aroma extremamente agradável.

Os monges tiraram os grãos do fogo e trituraram-nos, transformando-os em pó e preparando a bebida. Daí surgiu a forma de tomar o café como o conhecemos hoje.

Nos séculos XIV e XV, iniciaram-se os primeiros cultivos comerciais de café , na região do Iêmem e os doutores da época passaram a receitá-lo no combate aos problemas de digestão, para alegrar o espírito e afastar o sono.

No século XVI, o café já havia chegado a Istambul. O Cairo era, então, o maior mercado de distribuição do produto.

Embora os árabes tenham tomado certas medidas para manter o monopólio da produção do café – só permitindo a exportação de frutos previamente fervidos, para evitar que germinassem em outras terras –, os holandeses conseguiram contrabandear frutos frescos para suas colônias asiáticas (Java, Ceilão e Sumatra) e, posteriormente, para as Antilhas Holandesas, na América Central.

Os holandeses foram os primeiros a iniciar o cultivo comercial no Sri Lanka, em 1658, e então em Java, em 1699, e por volta de 1706 eles estavam exportando o primeiro café de Java e estendendo a produção para outras partes da Indonésia.

Em 1714, os holandeses bem-sucedidos presentearam Luís XIV da França com um pé de café que cresceu numa estufa em Versailles e quando deu frutos, as sementes foram espalhadas e as mudas foram levadas para o cultivo na ilha de Réunion, na época chamada de Ilha de Bourbon.

Graças aos holandeses, o café começou a ser conhecido no mundo. Levado para a Europa, foi consumido inicialmente como remédio para vários males. Só a partir do século XVII passou a ser adotado como bebida.

Café no Brasil

Desde sua descoberta, na Abissínia, o café levou cerca de nove séculos até sua chegada ao Brasil, em 1727. Entrou no país pelo estado do Pará, trazido da Guiana Francesa pelas mãos do sargento-mor Francisco de Melo Palheta que, a pretexto de resolver oficialmente questões de fronteiras, havia sido enviado àquele país para conseguir mudas da planta.

A missão foi difícil, já que naquele país as mudas de café eram inacessíveis a qualquer estrangeiro.

Inicialmente plantado em Belém do Pará, o café adaptou-se ao solo, mesmo não tendo um clima tão propício à sua cultura, tanto que, em 1731, já era cultivado em extensas áreas nos arredores da capital.

Da região Norte, o café foi para o Nordeste, passando pelo Maranhão, Ceará, Pernambuco e Bahia, até chegar, em 1773, ao Rio de Janeiro. Expandiu-se pela Serra do Mar, atingindo, em 1825, o Vale do Paraíba, daí alcançando os estados de São Paulo e Minas Gerais, onde encontrou condições para o seu desenvolvimento.

Tipos de Café

 Café tradicional : São os mais comuns. Podem ser formados por diferentes espécies de grão, a torra geralmente é mais escura, e o gosto não é muito adocicado. O equilíbrio (doçura e amargura) é variável.

 Café superior : Apresenta certa flexibilidade no "blend" (mistura de grãos), podendo ter até 20% da variedade de grão robista, mais utilizada em  cafés solúveis . A torra não é muito escura, e o sabor é suave, porém mais amargo que o do gourmet.

 Gourmet (ou especial) : É produzido com 100% de grãos do tipo arábica, considerado o mais nobre dos cafés .

Produz uma bebida normalmente mais doce, chegando muitas vezes a dispensar o uso de açúcar. O aroma e o sabor podem lembrar cereais torrados, flores, frutas ou achocolatados. São encontrados geralmente em embalagens valvuladas, com mecanismo interno que impede a saída dos gases do café e a entrada de ar. A torra varia de moderadamente clara a moderadamente escura.

 Café aromatizado : Contém aromatizante de amêndoa, chocolate com trufas, creme irlandês, menta, canela, damasco, entre outros.

 Café funcional : Fazem parte desse grupo os descafeinados, com baixo teor de cafeína, e os orgânicos, produzidos sem uso de agrotóxicos e sem prejudicar o ambiente.

 Café inovador : Levam esse título os cafés do tipo cappuccino, "mocaccino" (café quente, com espuma de leite e um bombom de chocolate sem recheio ou tablete de chocolate meio amargo), gelado, entre outros.

Características Agronômicas

Aspectos botânicos

café pertence à família botânica Rubiaceae. Desde a primeira descrição do café, no século 18, os botânicos não têm conseguido fazer uma classificação precisa. Há provavelmente 25 espécies principais, indígenas, da África e de algumas ilhas do Oceano Índico.

As dificuldades na classificação e na designação de uma planta como membro verdadeiro do gênero Coffea ocorre por causa da grande variação nas plantas e nas sementes. As duas mais importantes espécies econômicas de café são o arábica (Coffea arábica), que representa mais de 70% da produção, e o robusta (Coffea canephora).

Outras duas espécies produzidas em pequena escala são a Coffea liberica e a Coffea dewevrei.

Café Arábica

café arábica foi descrito a primeira fez por Linnaeus, em 1753. Crescem em altitudes de 900 a dois mil metros. Têm teor de cafeína relativamente baixo (entre 0,9% e 1,5%). Os frutos são redondos, suaves, levemente amargos, de cor achocolatada, com crosta lisa e perfume intenso.

 Há duas variedades botânicas distintas: 

Arábica (typica)

Bourbon

Historicamente, o typica foi cultivado na América Latina e na Ásia, visto que o bourbon chegou à América do Sul e na África mais tarde, através da colônia francesa do bourbon (Reunion).

Destas variedades saíram muitas cultivares, como a caturra (Brasil e Colômbia), a Mundo Novo (cruzamento entre a typica e a bourbon, encontrada no Brasil), a Tico (América Central) e a anão San Ramon e montanha azul (na Jamaica e Quênia).

Outras cultivares desenvolvidas para ter o máximo de retorno econômico e para condições regionais específicas são a Kent (Índia) e a Catuai (um híbrido da Novo Mundo e da Caturra).

A planta média é um arbusto grande com as folhas ovais verde-escuros. As frutas são ovais e ficam maduras em 7 a 9 meses; contêm geralmente duas sementes lisas (os feijões de café).

café arábica é encontrado na América Latina, na África Central e do Leste, na Índia e em alguma extensão em Indonésia.

Café Robusta

Mais precoce, mais resistentes e mais produtiva que a arábica. É cultivada em terrenos baixos, com plantas de maior envergadura. Seus grãos são menos perfumados. A quantidade de cafeína é maior (entre 2% e 4,5%).

O termo “ robusta ” é o nome de uma variedade cuja árvore tem frutas arredondadas e que demoram até 11 meses para amadurecer. As sementes são ovais na forma e menores do que aquelas da arábica.

café robusta é encontra na África Ocidental e Central, no Sudeste Asiático e a algumas extensões no Brasil, onde é conhecido como Conillon. A identificação das cultivares é confusa, mas as duas mais reconhecidas são robusta e Nganda.

Híbridos do arábica e robusta

Café

 Cafés produzidos para melhorar as características de crescimento, floração, rendimento, tamanho do feijão e forma, índice de cafeína, resistência a doenças e seca.

 Cruzamento entre o arábica e o robusta confere resistência e vigor a doenças.

híbrido Timor se assemelha ao arábica.

Já o Catimor é o cruzamento do caturra e do híbrido timor, sendo resistente à oxidação da folha do café.

híbrido Ruiru 11 foi desenvolvido no Quênia, é resistente doença da baga do café e à oxidação da folha.

Por sua vez, o híbrido Icatu é resultado do cruzamento do arábica e robusta híbridos com as cultivares Mundo Novo e Caturra.

Fonte: www.cncafe.com.br

Café
 Porção:  100 g
 Kcal:  5.3
 HC:  0.8
 PTN:  0.3
 LIP:  0.1
 Colesterol:  0
 Fibras:  0 
 Gordura:  0,01

Valores Nutricionais

café é uma planta originária da Etiópia, na Africa, mas sua difusão começou na Arábia onde era muito consumido. Em 1554, o café já era conhecido na Europa, e começou a ser cultivado pelo Europeus na suas colonias, no Ceilão, Java e Sumatra.

No decorrer do século XVII, o café chegou ãs Antilhas e ã América Central, de onde passou ao Brasil, entrando na região do atual Estado do Pará.

Cem anos depois, pôr volta de 1860, a produção do Vale do Paraíba tinha crescido tanto que a província de São Paulo se transformou no principal produtor de café do país, iniciando um novo ciclo da economia brasileira.

A partir de 1890 o Brasil se tornou o maior produtor mundial de café.. Entretando a centralização da ecomnomia brasileira só durou até 1929, pois o colapso da Bolsa de Nova York acabou atingindo duramente a economia do café.

Destaque Nutricional

A composição do Café é bastante complexa.

Ele contém elementos energéticos , alguns sais minerais , vitaminas e alcalóides, como a cafeína.

Porém, com a torrefação toda sua riquesa nutritiva se perde. Em compensação a cafeína se concentra, aumentando suas propriedades estimulantes.

 Fonte :www.rgnutri.com.br

Café

PROCESSAMENTO DO CAFÉ

O preparo dos frutos de café , após a colheita, pode ser feito de dois modos: por via seca, resultando nos "cafés de terreiro" ou "cafés naturais", ou por via úmida, dando os "cafés despolpados" ou os "cafés cerejas e descascados" (CD). Ambos exigem várias operações que visam transformar os frutos colhidos em grãos secos e beneficiados.

As principais etapas do processo são: lavagem/separação, despolpamento/descascamento, secagem e beneficiamento, que são feitas utilizando-se instalações e equipamentos próprios, que são detalhados em seguida.

A) VIA SECA

Na cafeicultura brasileira predomina, em mais de 90%, a preparação do café por "via seca" e, nesse processo, a qualidade do produto vai depender das condições ecológicas da zona de produção (umidade, temperatura, etc.), especialmente as condições climáticas durante o período de colheita (chuva e umidade do ar) e dos cuidados adotados na colheita e durante o preparo dos cafés  colhidos, para evitar fermentações indesejáveis, que ocorrem na mucilagem açucarada dos frutos.

Essas fermentações podem ser de natureza lática, acética, butírica e propiônica, aí influindo a flora de microorganismos presente, as condições climáticas e o tempo decorrido da maturação até a secagem dos frutos.

Nas regiões como de cerrado, em Minas, com inverno frio e seco, a florada, a frutificação e a maturação são mais uniformes e o tempo de secagem do café é menor. Esses fatores determinam, de forma natural, maior facilidade na obtenção de café de qualidade, com bom corpo e aroma nos cafés de terreiro, exigindo menos cuidados no seu preparo.

Nessas condições, ocorrem nos frutos apenas os dois primeiros tipos de fermentação (lática e acética), diferentemente de regiões úmidas, onde ocorrem as fermentações butírica e propiônica, que resultam em bebida inferior.

O preparo "por via seca" não dispensa, totalmente, o uso de água no processo, pois é indicado usar o lavador/separador, seguindo-se a secagem, o armazenamento e o beneficiamento.

B) VIA ÚMIDA

O processo via úmida leva à preparação dos cafés despolpados, retirando-se a casca e a mucilagem, fontes de fermentação e que atrasam a secagem. Com isso, torna-se fácil a obtenção de boa bebida, independente da zona de produção.

Esse sistema utiliza bastante água, sendo os frutos separados no lavado/separador e os frutos verdes separados no cilindro separador de verdes.

café despolpado é degomado para a retirada da muscilagem, seguindo-se a secagem, o armazenamento e o beneficiamento.

O preparo dos cafés chamados "cerejas descascados" é uma variável no processo "via úmida", em que os maduros entram num equipamento semelhante ao despolpador, com o cilindro na vertical, que tira a casca e o café em pergaminho não passa pelo processo de degomagem, indo direto para a secagem.

Assim, obtém-se um café com características de cor e corpo semelhantes ao de terreiro, porém, com possibilidades de obtenção de melhores padrões de bebida, especialmente nas zonas não propícias aos cafés de bebidas finas

Lavagem e separação do café

Na primeira etapa, são retiradas impurezas, como galho, folhas, torrões e separados os cafés mais leves (bóias) dos pesados (frutos cerejas e verdes).

O lavador mecânico possui uma bica separadora sobre um tanque metálico, tendo ainda uma bica de jogo em sua parte frontal, para separar impurezas grandes, um conjunto de bomba para recircular (e economizar) a água e um dispositivo mecânico ou pneumático para a retirada contínua das impurezas pesadas (terra e pedras) do fundo do tanque.

A melhoria da qualidade é obtida pelo preparo em separado do café cereja e pela separação dos grão chochos, mal granados pela seca mais uniforme dos grãos.

Despolpamento e descascamento

Nesse processo, além de da possibilidade de melhoria de qualidade, há uma grande redução no trabalho de secagem do café . A permanência da mucilagem permite a manutenção da característica de corpo acentuado, típica dos cafés de terreiro.

Processo de retirada da casca e separação do verde

café colhido deve ser despolpado ou descascado o quanto antes, dentro de, no máximo, 24 horas após a colheita. Os frutos maduros (cerejas), com pequena porcentagem de verdes, assim colhidos ou, então, obtidos por separação nos lavadores, entram no despolpador pela moega, juntamente com a água. Nos despolpadores que possuem separadores de verde, os frutos passam da mega para um cilindro janelado, tipo gaiola, onde, por pressão, os verdes são separados e saem lateralmente.

Os frutos verdes passam pela lateral do cilindro, já os maduros rompem e a casca com a semente passam pela abertura da parede do cilindro.Os maduros seguem para o elemento despolpador, separando a polpa de um lado e os grãos envolvidos pelo pergaminho do outro.

Os grãos despolpados passam por uma peneira cilíndrica, que acaba de separá-los dos restos de cascas, que não foram despolpados.

Degomagem ou desmucilagem

A degomagem mecânica é feita em equipamentos que produzem atritos dos grãos em injeção sob pressão, causando assim a retirada da mucilagem.

Despolpamento simplificado

O processo consiste em submeter o café maduro a pressão, dentro de um cilindro janelado, tipo gaiola, contendo um rolo interno, que pressiona o fruto contra parede, por onde só passam os frutos prensados, com suas sementes deslocadas e com parte deles com sementes soltas (despolpados).

Secagem

É uma operação importante, que deve ser bem feita para evitar prejuízos ao cafeicultor.

Logo após a lavagem, o café deve ser esparramado no terreiro em camadas finas de três a quatro centímetros de espessura. Este deve ser revolvido a cada hora, aproveitando ao máximo o solo.

O tempo de secagem no terreiro varia de dez a vinte dias, dependendo da umidade do café e das condições climáticas do local.

A determinação final de seca é quando os grãos atingem 12% de umidade para cafés arábica e 13% para o conillon.

Secagem Mecânica

A secagem em secadores mecânicos apresenta as vantagens de: reduzir o tempo de secagem, viabilizar as secas em regiões úmidas e, em períodos de chuvas, reduzir a interferência de condições climáticas sobre a qualidade dos cafés , permitir a redução das ares de terreiros e diminuir a mão-de-obra necessária secagem.

 Fornalha: com fogo direto gastam menos lenha, pois o calor é injetado diretamente no secador; já na de fogo indireto, o fogo esquenta os tubos, por onde passa o ar que, assim, é aquecido diretamente, sem entrada de fumaça no secador.

"Café Negro como o diabo
Quente como o inferno
Puro como um anjo
Doce como o amor"

Estes versos, escritos por Talleyrand no século XVIII, retratam a diversidade de sensações às quais remete esta bebida quente, estimulante, de aroma e sabor característicos. Não se sabe ao certo a origem da palavra café , que pode significar tanto a bebida quanto a planta ou o fruto.

Ela pode vir da palavra kaffa, da Abissínia, atual Etiópia; pode também ser originária do árabe karah (ou gavah), que quer dizer vinho ou, então, kahwah (ou cahue), que significa força, ou pode ainda ter origem no idioma turco, nas palavras koveh ou kaveh, que também denominam o vinho.

Planta da família das Rubiáceas - assim como o jenipapo, a quina e o mulateiro de várzea, muito utilizadas com objetivos farmacêutico e curativo -, tem sua origem nas regiões montanhosas africanas da Abissínia, ou na região de Kaffa e Enária, que hoje compreendem o sudoeste da Etiópia, sudeste do Sudão e norte do Quênia.

Contra o Café , que apregoava os malefícios da "água suja, nauseante, amarga e escura". Chegou-se ao ponto de a bebida ser proibida para consumo pelos cristãos. Na Itália, onde entrou em 1615 através do porto de Veneza, o produto teve que vencer forte resistência da Igreja. Cristãos fanáticos incitaram o Papa Clemente VIII a condenar o consumo da bebida, tida como invenção de satanás. Ao provar o café, porém, o papa declarou: "Esta bebida é tão deliciosa que seria um pecado deixá-la somente para os infiéis. Vençamos satanás, dando-lhe nossa bênção e tornando-a verdadeiramente cristã". Em decorrência dessa bênção papal, os cafés proliferaram em Veneza e Gênova e, no fim do século XVII, eram encontrados em todo o país.

Apesar das campanhas contra o seu consumo, aos poucos, o café se espalhou por todo o mundo, convertendo-se na bebida universal de ricos e pobres, sem distinção de raça, religião ou cultura. Hoje, a bebida está voltando a ser recomendada também como remédio na luta contra o alcoolismo, a depressão e o suicídio e, ainda, na prevenção de doenças, como a doença de Parkinson e o mal de Alzheimer. Isso porque pesquisas recentes estão concluindo que o café é um alimento nutracêutico, ou seja, com valores nutricionais e farmacêuticos. Porém, seus grandes valores continuam sendo seus incomparáveis sabores e aromas, tão característicos para quem aprecia um bom café: negro, quente, puro e doce.

Aspectos Botânicos

Botânica do Cafeeiro

cafeeiro pertence ao grupo das plantas Fanerógamas, Angiospermas, subclasse Dicotiledônea, ordem Rubiales, família das Rubiáceas, tribo Coffeae, subtribo Coffeinae e gênero Coffea.

As espécies do gênero Coffea podem ser agrupadas em quatro seções: Eucoffea, Mascarocoffea, Argocoffea, e Paracoffea, sendo as três primeiras originárias da África e a última da Índia, da Indochina, do Sri Lanka e da Malásia. Elas compreendem, respectivamente, 24, 18, 11 e 13 espécies. A seçao Eucoffea compreende as espécies que possuem cafeína e a seção Mascarocoffes inclui espécies oriundas de Madagascar, apresentando albúmen córneo e baixo teor de cafeína.

A seção Eucoffea é a de maior importância econômica, pois abrange as espécies mais cultivadas para o consumo do café . É dividida nas seguintes subseções: Erythrocoffea, que compreende C.arábica, C. canephora, C. congensis, etc.; Pachycoffea, com C. liberica, etc., Mozambicoffea, com C. racemosa, etc. ; Melancocoffea, com C. stenophylla, etc. e Nanoffea, C. Montana, etc.

cafeeiro é uma planta de porte arbustivo ou arbóreo, de caule lenhoso, lignificado, reto e quase cilíndrico. Os ramos são dimórficos, sendo o seu dimorfismo relacionado à direção dos ramos ortotrópicos, que formam as hastes ou troncos. Os ramos laterais, produtivos, saem dessas hastes, crescem na horizontal e são chamados ramos plagiotrópicos.

Sobre o caule da planta podem crescer novos ramos ortotrópicos, os chamados ramos ladrões, oriundos, principalmente, da quebra da dominância apical (meristemática), decorrente de eliminação do ponteiro do cafeeiro , seja por poda ou por ataque de insetos, doenças, etc. Além disso, sempre que a haste fica mais exposta ao sol (por cinturamento da planta) ou, então, sofre efeito de machucaduras (chuva de granizo, cortes por ferramentas), ocorre maior formação de ‘ladrões’, exigindo desbrotas corretivas.

A cultivar Conillon, quando submetida a podas contínuas dos ponteiros e a constantes desbrotas, dá origem a ramos ortotrópicos saídos de ramos laterais, o que é comum em cafeeiros arábica .

Os ramos plagiotrópicos dão origem a ramos terciários, formando o “palmetamento”, uma característica desejada, já que aumenta a área produtiva da planta.

As plantas do cafeeiro são opostas, inteiras, coriáceas e persistentes (na maioria das espécies), tendo coloração verde mais escura e brilhante na parte superior do limbo e mais clara e opaca, com nervuras salientes, na parte inferior.

Nos ramos laterais e nas axilas da folhas são formadas as gemas florais, que dão origem à floração e à refrutificação. As flores são normalmente brancas, podendo ser amareladas e rosa-claro (como em algumas seleções de C.canephora); são tubulosas, com a parte livre da corola dividida em um número variável de lóbulos e apresentando cinco pétalas em C.arabica. As flores hermafroditas crescem em glomérulos (rosetas) e abrem-se de 8 a 10 dias após chuva ou irrigação, tendo duração efêmera (3 a 4 dias)

fruto do café é uma drupa, normalmente com duas sementes, que são planoconvexas (sementes chatas), desde que não haja abortamento de um lóculo, formando-se, nesse caso, sementes arredondadas, chamadas de moca.

O sistema radicular do cafeeiro é pivotante e as raízes finas são superficiais, localizando-se, em sua maioria (70% a 80%), a até 30 a 40 cm de profundidade do solo.

CAFÉ DE QUALIDADE

Os consumidores em diversos setores da economia estão cada vez mais exigentes, sendo assim, os produtos de qualidade superior são os mais procurados.

Como o café vem acompanhando o novo cenário mundial, cabe aos produtores almejarem ao longo prazo a produção dos cafés de qualidade superior.

Durante muito tempo, esses cafés apresentavam um nicho de mercado e eram direcionados apenas para o mercado externo e internamente se consumiam pequenas quantidades. Porém, felizmente o quadro vem se modificando nos últimos anos, pois temos um aumento significativo no consumo dos Cafés Superiores e Gourmet em todo o mundo, incluindo o Brasil, onde é possível encontrarmos em cafeterias, supermercados, dentre outros, o produto com qualidade de bebida e aroma diferenciados.

Assim, temos hoje concursos de café de qualidade que premiam com excelente remuneração esses cafés que recebem cuidados extras.

Para melhorar a qualidade e conseguir produzir um café de qualidade superior recomenda-se o seguinte:

No pré-colheita

 Identificar as lavouras com maior potencial de produção de cafés de qualidade superior, tais como: 

 As características de maior altitude - lavouras das partes mais altas da propriedade;

 Baixa umidade relativa do ar - evitar beira de represas, córregos, dentre outros;

 Variedade do café - Bourbon, Icatú Amarelo e Mundo Novo são os mais sugeridos;

 Amadurecimento - escolha daquelas que apresenta um amadurecimento mais homogêneo, ou seja, que apresentam mais cerejas na época da colheita;

 Tratos culturais - as que receberam adubação equilibrada (de acordo com análise foliar e do solo), com controle de pragas e de doenças (evitando aquelas que foram afetadas por ferrugem e cercóspora) e com controle de plantas daninhas, pois as daninhas competem pelos nutrientes do cafeeiro e deixam os grãos chochos.

Colheita

Não misturar as lavouras na colheita, ou seja, colher separadamente para evitar a mistura entre variedades diferentes, altitudes diferentes, lavouras que sofreram estresse hídrico, geadas, doenças ou pragas, dentre outros e lavouras com produtividade muito alta e excesso de grãos pequenos.

Optar pela colheita seletiva, ou seja, colher apenas os grãos maduros.

Levar o café colhido em no máximo duas horas para o lavador.

Colheita Mecânica

Regular a velocidade de vibração da máquina, a fim de derriçar apenas os grãos maduros.

Dimensionar de forma adequada equipamentos (tratores, carretas, dentre outos) e terreiro para evitar gargalos no fluxo do café depois de colhido e camadas grossas no terreiro.

Lavagem

A lavagem deve ser feita o mais rápido possível para que sejam retiradas impurezas e grãos chochos.

Evitar que o café fique amontoado ou na moega por mais de duas horas antes da lavagem.

Trocar diariamente a água do lavador.

Descascamento

O descascador deve ser regulado para evitar o descasque de grãos verdes;

Escolher a melhor peneira com relação ao tamanho dos grãos;

Lavar o descascador após o uso e procurar utilizar produtos que evitem a proliferação de fungos e bactérias nos equipamentos.

Secagem no Terreiro

Secar os lotes separadamente, rodando o máximo possível de vezes principalmente na fase inicial de secagem;

Evitar equipamentos pesados sobre o café , para que os grãos não sejam quebrados, amassados ou descascados.

Os terreiros devem ser feitos em locais bem ventilados, sem sombras nem umidade e em partes altas da propriedade, pois assim o sol incide quase o dia todo.

Secagem no Secador

Conferir os termômetros

Monitorar a temperatura na massa do café , que não pode exceder os 40ºC

Utilizar preferencialmente secador rotativo para cafés descascados

Fazer secagem intermitente, descansando a noite e com descanso mais prolongado em tulha de madeira antes da fase final de secagem.

Armazenamento

Limpar para retirar grãos remanescentes de safra anterior; separar os lotes de acordo com o aspecto e qualidade e aspecto de cada um;

Deixar os lotes em descanso pelo menos 30 dias e monitorar a umidade nesse período.

Beneficiamento

Se o desejo é participar de concurso, o beneficiamento deve ser feito o mais próximo possível da data.

Beneficiar de acordo com a capacidade do equipamento, sem forçar o rendimento da máquina a fim de evitar quebras de grãos, boa limpeza e boa classificação.

Rastreabilidade

Para a produção de Cafés Especiais , é importante que o lote de café possa ser rastreado, para que o comprador e o consumidor final saibam quem e como produziu o produto, com responsabilidade social e proteção ao ambiente.

A rastreabilidade é a identificação da origem da produção de um alimento através de documentação que a comprove, do campo até a mesa do consumidor.

A rastreabilidade mostra como o alimento foi produzido, pois identifica o produto, onde ele foi produzido, as características de produção, identificação dos defensivos utilizados, condições ambientais de produção que atendam às exigências ambientais e condições sociais e trabalhistas em questões salariais, de saúde e segurança no trabalho.

Certificação

A comprovação do padrão de qualidade do produto é confirmada pela certificação que é emitida por empresas ou associações já conhecidas que autorizam produtores e compradores a utilizarem os selos de certificação.

A certificação é recebida após uma auditoria de terceira parte onde são indicadas as conformidades e não conformidades da propriedade e se ela está apta a receber a certificação.

Como certificações temos hoje: BSCA, UTZ, KAPEH, EUREP GAP, IMAFLORA, ISSO 14000, FAIR TRADE e SA8000 e para cafés orgânicos: IBD AAO, BCS E JAS.

Para algumas certificações já existe um prêmio a ser pago pelo café do produtor certificado.

Os custos para a certificação variam de acordo com o porte da propriedade em relação as questões sociais e ambientais. As exigências são muitas e é necessário que o produtor persista nas mudanças que devem ser feitas para alcançar a certificação, mas que certamente são viáveis, pois o resultado é propriedades sustentáveis, eficientes, com respeito ambiental e social.

Café Sustentável

Está nas mãos da humanidade fazer o desenvolvimento sustentável, buscar encontrar as necessidades e aspirações do presente sem comprometer a habilidade das futuras gerações.

O conceito de desenvolvimento sustentável implica em limites, mas não limites absolutos e sim limitações que a tecnologia ou a organização social, e a capacidade da biosfera têm de absorver os efeitos das atividades humanas. Tanto a tecnologia como a organização social podem ser organizadas e aprimoradas para que haja um novo caminho aberto para uma nova era de crescimento econômico.

 Assim, três dimensões são responsáveis pela sustentabilidade no setor cafeeiro: 

Dimensão econômica

Acesso ao mercado

Dimensão ecológica

Proteger o meio ambiente
Conservar os recursos naturais

Dimensão social

Direitos humanos e padrões sociais
Condições de moradia
Condições de trabalho decentes

Código de conduta

Existem diferentes códigos de conduta e padrões no setor agrícola e no próprio setor cafeeiro .

A maioria deles lida com aspectos ecológicos e sociais, como também com café específico, regiões específicas ou métodos de produção específicos.

O objetivo é desenvolver dimensões sociais, ecológicas e econômicas de sustentabilidade da produção, processo e marketing de café verde, por meio de um processo participatório que servirá como um código de conduta.

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

A Comissão Brundtland, de 1987, da ONU, “Nosso Futuro Comum”, define o desenvolvimento sustentável como sendo “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras de atenderem s suas próprias necessidades”.

O conceito de desenvolvimento sustentável, expresso dessa maneira, embora tenha conotação forte, não é operacional. A Agenda 21 é mais específica ao determinar que o desenvolvimento sustentável deve levar em conta o resultado econômico, a preservação ambiental e o interesse social. Dessa forma, a diretriz básica do desenvolvimento sustentável, que deverá estar presente também na cafeicultura, é a de conciliar as três coisas.

A tecnologia de produção de café desenvolvida no Brasil tem todas as condições para se adaptar a essas novas exigências, mas, para isso, terá que estabelecer o seu código de conduta, de forma que toda a cadeia produtiva possa receber a necessária certificação. Assim, a participação no comércio internacional com diversos produtos agropecuários, inclusive o café, pressupõe, cada vez, mais uma postura correta em relação ao ambiente, ao trabalhador e à segurança dos produtos ou, em síntese, em relação ao desenvolvimento sustentável.

Embora o café já tenha tradição na busca da garantia de qualidade, a busca do “café sustentável”, no sentido mais amplo do termo, exige um esforço bem maior de organização e acompanhamento.

Alternativas para o café

Para produzir dentro das exigências do desenvolvimento sustentável, podem-se visualizar duas etapas. A primeira consiste em definir as boas práticas de produção, ou código de conduta, termo também usado, e adotá-las efetivamente. A segunda consiste em conseguir, por meio de uma terceira parte, certificação de que o café está sendo produzido de acordo com o que foi estabelecido.

A produção integrada é um desses sistemas, visando uma possível implantação da produção integrada de café (PIC). Trata-se de um sistema que estabelece boas práticas e permite a certificação, além de apresentar importante conotação agroecológica. Cabe ressaltar que a produção integrada, como qualquer sistema similar, embora de adesão voluntária, exige intensa participação de todos os envolvidos, na formulação das normas, na sua implementação e no contínuo aperfeiçoamento.

Há três organizações internacionais que têm interesse declarado em café: A EurepGap – Euro Retailer Produce Working Group – Good Agricultural Practices (Boas Práticas Agrícolas do Grupo de Trabalho de Atacadistas Europeus) – já vem atuando com café. A Fundação Utz Kapeh, que é uma ONG e entidade certificadora, possui um código de conduta para café .

Sustainable Development Initiative (SAI - Iniciativa de Desenvolvimento Sustentável), formada inicialmente pelas empresas de alimentos Nestlé, Unilever e Danone, conta hoje com diversas outras empresas.

A Common Codes for the Coffee Community (CCCC, Códigos Comuns para a Comunidade Cafeeira) é uma iniciativa importante, liderada pela German Technical Cooperation(GTZ), organização de cooperação internacional da Alemanha. É uma iniciativa de grande porte, que conta com a participação expressiva da indústria, dos produtores, de organizações governamentais, de organizações não governamentais e da sociedade civil.

O código de conduta apresenta uma série de orientações, visando estabelecer um conjunto de normas para a condução da cultura e manuseio em toda a cadeia produtiva, tendo em vista, além dos aspectos técnicos da cultura, a preservação ambiental e as condições sociais do trabalho.

Ecologia

café é uma planta tropical que cresce entre as latitudes 25ºN e 25ºS, e requer condições ambientais muito específicas para seu cultivo. Temperatura, chuva, sol, vento e solo são essenciais, mas variam de acordo com as variedades.

A temperatura ideal para cultivo varia entre 15 e 24ºC para o Café Arábica, e entre 24 e 30ºC para o Robusta, o qual pode sobreviver em condições mais secas e quentes, mas não tolera temperatura abaixo de 15ºC, como o Arábica, que resiste em curtos períodos.

café é prejudicado por geadas, um perigo tanto no sul do Brasil, quanto perto da Linha do Equador, em altitudes por volta dos 2.000m.

café necessita de chuvas anuais entre 1.500 a 3.000mm. O Arábica precisa de menos que as outras espécies.

Enquanto o café Robusta pode crescer a nível do mar, o arábica cresce melhor em altitudes mais elevadas. Todos os tipos de café necessitam de boa drenagem, mas podem crescer em solos com diferentes profundidades, pH e conteúdo mineral.

Pragas

Bicho Mineiro das Folhas

O bicho-mineiro adulto é uma pequena mariposa branca-prateada, que durante o dia fica escondida na folhagem, e ao entardecer aparece voando junto ao cafeeiro , quando as fêmeas fazem a postura, na face superior das folhas.

Cada mariposa põe, em média, 36 ovos em um período de até 25 dias, sendo pequena a longevidade da fase adulta (média de 15 dias). Os ovos são ovais, compridos e translúcidos, e eclodem sobre tecido entre as epidermes, deixando um vazio, que vai crescendo à medida que a lagarta se desenvolve.

Essa área destruída seca aos poucos, e forma lesões ou manchas de cor marrom, conhecidas como “minas”, dando o nome à praga como bicho-mineiro ou minador das folhas. As minas são muito pequenas no início, aparecendo como pequenos pontos negros (1-2mm de diâmetro), crescendo irregularmente, e ao se juntarem chegam a tomar quase toda a área da folha. Essas minas podem, em regiões úmidas, servir de entrada para o desenvolvimento de fungos, que ampliam as lesões, tornando-as escuras, quase negras.

Ao fazer a remoção, com auxílio de uma pequena lâmina da epiderme superior da folha, na área da mina, pode-se verificar as larvas, uma ou mais por mina (quando as lesões se coalescem). Elas são de cor creme-transparente e de corpo achatado, chegando ao tamanho de 4-5mm por 0,75mm de largura.

Quando completa seu desenvolvimento, a lagarta sai da mina por uma abertura (fenda), na parte superior da planta, e se encristalisa, normalmente na parte baixa do cafeeiro , onde chega pendurada em uma crisálida branca, sendo protegida por um casulo em forma de X, tecido com fios de seda, podendo formar-se, também, sobre folhas de outras plantas ou em ciscos sob o cafeeiro ou no próprio solo.

A retirada ou a queda das folhas (desfolha) acelera a passagem da fase de larva para crisálida. Por isso é possível haver interação do ataque de outras doenças e da própria estiagem, as quais acelerando a desfolha, tendem a elevar a incidência de bicho-mineiro.

Broca do Café

broca do café é um pequeno besouro (coleóptero) de cor escura brilhante. A fêmea fecundada perfura o fruto do café, normalmente região da coroa, faz uma galeria no seu interior, onde põe os ovos, dos quais surgem as larvas, que se alimentam das sementes. Os ovos são de cor branco-leitosa, as larvas são também brancas. As pupas são brancas de início e quando próximas a se tornar adultos, ficam de cor amarelo-pálido.

O adulto macho (menor) mede de 1,0-1,25mm e a fêmea de 1,4-1,85mm. Logo depois de emergido, o adulto tem cor café-claro e depois de 4-5 dias já fica bem escuro. A fêmea tem asas e voa, e o macho não.

A fecundidade média da fêmea é de 74 ovos e a longevidade média de 156 dias. Ela põe 2 ovos por dia e o número por câmara não ultrapassa de 20. O ciclo médio da praga ocorre em 27,7 dias, variando de 17-46 dias, sendo que o número de gerações por ano ou ciclo produtivo do café pode chegar a 7, sendo muito influenciado pela temperatura na região.

Nematóides

Os nematóides são pequenos vermes que atacam as raízes do cafeeiro , sendo que as espécies mais freqüentes são: Meloidogyne incognita, M. exigua, M. paranaensis, M. coffeicola, M/ hapla, M. arabicidae e M. arenaria, Pralylenchus brachiurus e P. coffea, Xiphinema krugi, Helycotilenchus dihistera, Aphalenchus sp e Criconemoides sp.

A espécie de maior importância no Brasil é Meloidogyne incognita, que ocorre com maior gravidade nas regiões de solo arenoso, no Paraná e São Paulo, assim como em áreas restritas no Sul e Alto-Paranaíba em Minas Gerais.

Outras áreas de solo arenoso (como Oeste da Bahia) são potenciais para o ataque desse nematóide. M. incognita afeta drasticamente o sistema radicular do cafeeiro , onde causa necroses e rachaduras, ficando as raízes com aspecto de cortiça, reduzindo sua absorção de água e nutriente, afetando o desenvolvimento e a produção das plantas, que se tornam fracas, depauperadas e chegam até a morrer, já que o nematóide destrói até as raízes principais (sistema radicular grosso).

As lavouras atacadas tornam-se, gradativamente, anti-econômicas, acabando por ser erradicadas e geralmente substituídas por outras culturas. Esse nematóide possui várias raças (4-5 já identificadas), o que dificulta o trabalho de seleção de variedades tolerantes. Uma das raças tidas como M. incognita foi recentemente caracterizada como uma nova espécie, M. paranaensis.

Meloidogyne exigua é uma espécie que causa pequenas galhas no sistema radicular fino do cafeeiro , causando menores perdas de produção e não chegam a depauperar a lavouras em médio prazo, podendo haver uma convivência com esse nematóide, sem necessidade de erradicar a lavoura, a curto prazo.

Ocorrem problemas sérios em plantios feitos sobre áreas de cafezal velho, infectado. Essa espécie encontra-se presente em todas as regiões produtoras, com exceção daquelas de café Robusta/Conillon, resistentes a esse nematóide. Algumas áreas de café Conillon foram constatadas com ataque de M. paranaensis

M. incognita tem amplo espectro de hospedeiros, sejam plantas cultivadas (algodão, batata, feijão, fumo, girassol, milho, mamona, sorgo, soja etc.), sejam árvores de proteção, como a Grevillea e o Kiri, ou ervas daninhas no meio do cafezal (capim pé-de-galinha, falsa-serralha, maria-pretinha, beldroega, mentrasto etc), o que dificulta o controle através de rotação de culturas, pois a população da praga pode manter-se na área tendo como hospedeiro essas plantas.

A disseminação dos nematóides pode ocorrer através de mudas de café e de plantas de sombra infestadas, através de enxurradas e pelo trânsito de implementos agrícolas, que levam o solo infestado (com ovos e larvas) para outras áreas, assim como os trabalhadores, que transferem solo infestado, agarrado às botas, nos dias de chuva.

M. coffeicola, uma espécie considerada inicialmente muito grave, já que danifica o sistema radicular primário do cafeeiro , teve sua importância reduzida, face ao seu pequeno espectro de hospedeiros e à sua baixa permanência na área, sendo suficiente a rotação de culturas, em curto prazo, para acabar com o problema.

Não se conhece bem, nas condições da cafeicultura brasileira, a importância das demais espécies de nematóides aqui citadas. Na Colômbia e América Central, Pratylenchus ocorre com gravidade, e na Costa Rica ocorre a associação de ataque de Meloidogyne com fusariose, dando a doença chamada de “corchosem”, que é provável estar ocorrendo em cafezais em nossas condições, conforme observação efetuada em cafezais no Sul de Minas, associação bem conhecida em outras culturas no Brasil (em pimenta-do-reino, maracujá etc.).

Cigarras

As cigarras são insetos de vida adulta muito curta (alguns dias) que são conhecidas pelo seu canto agradável na primavera-verão, quando saem do solo onde as suas formas jovens (larvas e ninfas) viveram por longo período (1-5 anos) aí sugando a seiva das raízes de árvores, onde se inclui o cafeeiro .

Esse ataque ao cafeeiro se dá, provavelmente, devido à eliminação das matas/cerrados, cujas árvores tinham a preferência de ataque, tanto assim que plantas como café próximas a matas tem maior infecção.

Os gêneros mais comuns são: Quesada, Carineta, Fidicina e Dorisina, sendo maiores os insetos de Quesada (6-7 cm), médios os de Carineta e menores (2-3 cm) os de Fidicina e Dorisiana, e os de Quesada que tem o canto estridente e continuado, e os demais com ruído menor e intercalado.

Na época da revoada, de setembro a março, o macho emite o seu canto para atrair a fêmea, visando o acasalamento. As fêmeas põem os ovos nos troncos das plantas, estes eclodem e as ninfas descem ao solo, penetram no chão e se fixam a raízes, próximo ao tronco, nelas introduzindo o estilete, para sucção da seiva. As ninfas possuem as pernas anteriores desenvolvidas, através delas escavam galerias (panelas), onde ficam alojadas junto às raízes.

Esta é a fase de ninfas móveis, dura de 1-2 anos e, quando estão para se transformar em adultos, elas cavam furos até a superfície do solo, saem e se fixam ao tronco, onde trocam a casca (exuvia), que fica presa ao tronco, as quais juntamente com os furos no solo, sob a copa do cafeeiro , constituem sinais da presença do ataque.

Plantas de café atacadas apresentam fraqueza na parte aérea, com amarelecimento e deficiências nutricionais nas folhas, ramos secos e baixa produção. Fazendo com o enxadão pequenas covas no solo, junto às raízes grossas, pode-se verificar a presença de ninfas de vários tamanhos, de coloração clara, muitas delas “agarradas” às raízes, sendo comum observar mais de 300 ninfas por planta, em alguns casos mais de 1000. As de espécies maiores causam danos sensíveis a partir de 20-30 ninfas por planta e a das menores a partir de 60 a 80 por cova.

Ácaros

As espécies de ácaros mais freqüentes e com prejuízos sobre cafezais são: Ácaro vermelho - Oligonichus (o) ilicis, Ácaro branco - Polyphagotarsonemus latus e o Ácaro da leprose (ácaro plano)- Brevipalpus phoenicus.

O ácaro vermelho ataca as folhas do cafeeiro , especialmente os ponteiros da planta. Sobre as folhas podem-se observar espécimes, que são muito pequenos e se movimentam rapidamente, sendo as fêmeas de cor vermelho-escuro e os machos mais claros. As plantas atacadas apresentam folhas de cor bronzeada e sem brilho, podendo verificar, sobre a face superior das folhas, as finas teias tecidas pelos ácaros e os restos de suas ecdises (troca de pele ou do inóculo que reveste o ácaro). As folhas atacadas (as novas) diminuem de tamanho, as ranhuras reduzem a área foliar e a fotossíntese, ocorrendo queima de folhas e perda de produção.

O ácaro vermelho foi constatado, recentemente, atacando também os frutos em cafeeiros Conillon .

O ataque ocorre em reboleiras ou em toda a plantação, sendo mais atingidas as plantas com maior carga. Os períodos de maior incidência são o inverno e as épocas de veranico (períodos secos), já que em épocas de chuva ou quando irrigadas por aspersão, estas podem, lavando as folhas, eliminar parte da população de ácaros.

As regiões mais quentes e secas apresentam maiores problemas de ataque de ácaro vermelho, como é o caso de áreas de café Conillon (robusta), na qual a praga é séria, especialmente em plantas novas. Trabalho de pesquisa na Zona da Mata de Minas Gerais mostrou que na mesma área o ataque do ácaro vermelho foi de 60,5% maior de folhas afetadas no Conillon e 10,8% no Catuaí.

O uso exagerado de fungicidas cúpricos e, também de piretróides causa problemas, aumentando muito a população de ácaros, embora alguns dos piretróides sejam também acaricidas e não provoquem esse desequilíbrio. O uso de inseticidas do grupo dos neonicotinóides, mesmo via solo especialmente para o ativo Thiametoxan, causa maior ataque do ácaro vermelho, provavelmente por alterar o conteúdo de aminoácidos ou hormônios no cafeeiro .

O ácaro branco é freqüente encontrado em viveiros de café , atacando também plantas no campo. Vive na parte inferior das folhas, principalmente das mais novas, onde se pode observar com dificuldade, a olho nu ou com lupa, pequenas espécimes de cor branco-leitoso, que se movimentam rapidamente. As folhas atacadas tornam-se encurvadas, deformadas e ásperas. As folhas ficam de tamanho reduzido e ocorre pequena queda de folhas.

Através do uso correto e restrito de defensivos protege-se os inimigos naturais dos ácaros- microjoaninhas, microorganismos e ácaros predadores.

O ácaro da leprose é importante apenas como vetor da doença da leprose do cafeeiro , à semelhança do que ocorre na leprose dos citrus. A sua população é encontrada em maior escala no final do período seco, em agosto/setembro, e o ácaro pode ser identificado sob lupa por ser mais plano e principalmente por uma mancha escura que apresenta no meio do seu dorso. É comum encontrar os ácaros em associações mais dentro da planta, junto às rosetas.

É freqüente a observação de outros ácaros presentes nas plantas de cafés, tratando-se quase sempre de ácaros predadores, sendo mais comuns os da família Phytoseiidae.

Cochonilhas

 As cochonilhas que atacam mais comumente os cafeeiros são: 

 Coccus viridis - Cochonilha verde

 Planococcus citrie/ou Planococcus minor - cochonilha branca ou dos frutos

 Cerococcus catenarius - Cochonilha-de-cadeia

 Dysmicoccus cryptus - Cochonilha-de-raiz.

As cochonilhas verde e parda atacam os ramos e as folhas novas e nessas se localizam ao longo da nervura principal. As cochonilhas-de-cadeia se aglutinam em forma de fileira (cadeia) ao longo dos ramos tronco. O ataque ocorre normalmente em reboleiras.

cochonilha branca ataca ramos novos, folhas, botões florais e frutos. Nas frutificações, o inseto se instala dentro das rosetas, sugando o pedúnculo e a base dos frutos, onde se pode observar substância branca em forma de lã, secretada pelo inseto e que serve para proteger os ovos junto ao adulto.

cochonilha-de-placa , a Orthezia, ataca os ramos, as folhas e mesmo os frutos. É uma praga séria para os citrus e tornou-se grave em algumas áreas de café Conillon, no Espirito Santo, devido a desequilíbrios causados, em certos anos, por estiagens prolongadas. A fêmea é branca, comprida (com 3 a 5mm), e quando jovem, fica presa à face inferior das folhas e à base do tronco do cafeeiro .

Os machos são alados e voam sobre os ramos ao fim da tarde.

cochonilha-de-raiz aparece principalmente em solos arenosos e se localiza sobre as raízes principais do cafeeiro .

Tem cor rósea e cinza, sendo recoberta por nodosidades chamadas pipocas. Os sintomas aparecem no período seco, observando-se plantas amarelas, murchas, desfolhadas e fracas. Arrancando-se essas plantas, observa-se nodosidades escuras sobre a raiz principal, logo abaixo do solo, com presença de formigas.

Os prejuízos causados pelas cochonilhas são devidos à sucção de seiva, que enfraquece a planta, chegando até a matar os cafeeiros (no caso de cochonilha-de-placa e de raiz). Um líquido açucarado é excretado em suas fezes e dá origem ao crescimento de fungos do gênero Capnodium, a fumagina, que recobre as folhas com uma camada escura, reduzindo a fotossíntese das plantas.

Esse mesmo açúcar atrai colônias de formigas, que entram em simbiose com as cochonilhas, muitas vezes protegendo-as com terra, e carregando-as também de um lado para outro, facilitando sua disseminação. A cochonilha dos frutos causa graves perdas pelo chochamento dos frutinhos, chegando à secas complemente as rosetas.

A cochonilha verde é mais freqüente no período chuvoso e a branca no período de crescimento dos frutos, a partir de fevereiro-março.

São favoráveis ao ataque de cochonilhas as condições climáticas adversas, especialmente os períodos de estiagem prolongada, bem como os desequilíbrios causados pelo uso inadequado de defensivos, que reduzem os inimigos naturais das cochonilhas (fungos e insetos).

Doenças

Ferrugem

A ferrugem é uma doença que ocorre no cafeeiro sob a forma de ferrugem farinhosa, causada pelo fungo Hemileia coffeicolla, ainda não constatada em cafezais no Brasil, e ferrugem alaranjada, causada por Hemileia vastatrix, enfermidade grave na cafeicultura brasileira a partir da sua constatação, em 1970.

A ferrugem ataca as folhas inferiores com uma massa de esporos (cerca de 150mil por pústula) que são as sementes do fungo. As lesões provocam a morte dos tecidos, começando pelo seu centro, que se torna marrom-escuro. Nas lesões velhas pode ocorrer o fungo Verticillium hemileae tornando-as de aspecto esbranquiçado. Esse fungo se alimenta do micélio da ferrugem, sem, entretanto, oferecer um controle efetivo da doença.

Os esporos são disseminados a longas distâncias pelo vento, pelos insetos, pelo homem e por outros animais. Na mesma plantação, de uma planta a outra e de folha em folha, a maior disseminação da doença ocorre pelas gotas de chuva.

 Os fatores climáticos favoráveis à doença são: 

A temperatura, na faixa de 20-24 ºC, umidade necessária à germinação dos esporos favorecida pelas chuvas freqüentes, principalmente as finas, pelo orvalhamento noturno e por ambientes sombrios.

 Nas lavouras, a doença é beneficiada por: 

 a) Sistemas de plantio e condução que tornam o ambiente (microclima) mais sombrio e úmido, como os sistemas adensados e as plantas com muitas hastes

 b) A adubação e os tratos mal feitos tornando as plantas mais susceptíveis à doença

 c) A presença de inóculo do ano anterior, que influi antecipando e agravando o ciclo da doença

 d) A carga pendente, que é o fator mais importante por tornar o cafeeiro mais susceptível, uma vez que as reservas de carboidratos e componentes importantes da resistência são deslocados para a frutificação

 e) A variedade, sendo que dentre as susceptíveis, o Catuaí suporta mais o ataque que o Mundo Novo. Esses fatores favoráveis influem tanto no nível de dano causado, quanto na forma de controle.

Na região de café arábica no centro sul do país, a doença evolui de dezembro a maio/junho, coincidindo com o período chuvoso, com temperaturas mais altas e com maior susceptibilidade das plantas.

Os prejuízos da ferrugem resultam da redução da área foliar das plantas, pelas lesões e pela desfolha, sendo mais visíveis na safra no ano seguinte. Apenas em ataques severos e precoces ocorrem perdas na granação dos frutos e no rendimento (coco/beneficiado), no mesmo ano.

A desfolha acentua a seca de ramos laterais e provoca, gradualmente, a deformação das plantas (acinturamento) e o aparecimento de ramos ladrões, exigindo desbrotas e antecipação de podas.

As plantas desfolhadas têm reduzido seu abotoamento, florescimento e pegamento dos frutos, o que afeta a produtividade. Em certos anos, as perdas são maiores, devido a ataques mais graves no ano anterior.

Porém, os cafeeiros com carga mais baixa são menos afetados e se recuperam, melhorando a produção no ano seguinte, o que compensa aquelas perdas e diminui o prejuízo médio, considerando várias safras.

Essa perda média devido à ferrugem, obtida de quatro ou mais safras em ensaios experimentais, ocorre na faixa de 20-50%, variando conforme a variedade, a região, o nível de trato, etc.

Cercosporiose ou Mancha de Olho pardo ou Olho de Pomba

A cercosporiose é uma doença causada pelo fungo Cercospora coffeicola (Berk e Cooke) que ataca folhas e frutos, causando prejuízos em mudas e em plantações no campo, principalmente em cafezais jovens (até terceiro ano) e em regiões com falta de água. A doença se apresenta nas folhas, iniciando-se com pequenas manchas circulares de coloração marrom-escura, que crescem rapidamente, ficando o centro das lesões cinza-claro, com um anel arroxeado ou amarelado em volta da lesão, o que lhe confere a aparência de um olho.

Algumas lesões são bem escuras e não formam o centro claro, dando origem ao que se chama cercospora negra, o que deve estar relacionado com outra raça de fungo. As lesões variam muito de tamanho, desde poucos milímetros, no início, até 1 cm no final, podendo-se observar, nessa fase, no centro das lesões, pequenos pontos pretos, que são as frutificações do fungo. As folhas atacadas caem rapidamente, ocorrendo desfolhas e secas de ramos (Die Back). A desfolha é causada pela grande produção de etileno no processo de necrose, sendo que basta uma lesão por folha para causar sua queda.

Nos frutos, as lesões começam a aparecer quando estão ainda pequenos, aumentando o ataque no início de sua granação, sendo que as lesões permanecem até o amadurecimento do fruto. As lesões são a principio pequenas, de cor marrom-claro ou arroxeadas, deprimidas, e crescem no sentido polar do fruto, com maior incidência nos ramos expostos ao sol. As manchas velhas são deprimidas, escuras e de aspecto ressecado, fazendo com que a casca, nessa parte, fique aderente à semente, o que em ataques mais severos, causa o seu chochamento.

Phoma ou Requeima e Mancha de Ascochyta

A Phoma é uma doença causada pelo fungo Phoma spp, que ataca folhas, flores e frutos novos, extremidades de ramos e botões florais, sendo que a penetração do fungo pode ocorrer ainda no ponto de abscisão das folhas, nos cinco primeiros nós, em desfolhas causadas por outras doenças ou pragas.

Nas folhas do primeiro ou do segundo par, ocorrem lesões típicas que têm forma irregular e cor escura, localizando-se normalmente nas margens das folhas, impedindo o crescimento nessa área e fazendo com que a folha fique retorcida. As lesões, ao serem observadas com lupa, revelam a presença de pontuações salientes, de coloração marrom-clara, que constituem a frutificação do fungo, e de onde saem os esporos que contaminam as outras folhas.

Quando o ataque ocorre na inserção das folhas, sobre o ramo, a lesão progride e o ramo começa a secar, do ponto atacado em direção à extremidade, que, às vezes, permanece verde. Paralelamente, podem ocorrer infecções de outros fungos, como Colletotrichum e de bactérias como Pseudomonas seringae, agravando o quadro, que resulta em forte seca de ramos laterais (ponteiros).

Nas flores, na infrutescência, no pedúnculo dos frutos e nos frutinhos, a Phoma causa lesões escuras, mumificações e queda de chumbinhos. Nos frutos novos, as lesões são escuras, fundas e de aspecto úmido.

A mancha de Ascochyta é uma doença causada por Ascochita spp, fungo semelhante ao Phoma, cujos sintomas são distintos no que se refere às lesões, de cor marrom-clara, de formato mais arredondado, com anéis concêntricos e situadas mais no meio do limbo foliar, também em folhas velhas.

As duas doenças, que às vezes ocorrem juntas, são problemas nas regiões de altitude elevada, de inverno úmido. São favoráveis, portanto, temperaturas baixas e umidade alta, causadas principalmente por chuvas finas e contínuas durante o período de inverno e da primavera, sendo críticos os meses de maio a novembro. Na época do florescimento, a presença de vento sul e sudeste, com entrada de frentes frias, favorecem o ataque, em uma fase em que os prejuízos incidem mais diretamente sobre a produção.

Por isso, as faces voltadas para o sul (mais frias) ou outras mais batidas pelos ventos, e as lavouras auto-sombreadas, sofrem maior ataque efetivamente mais grave no lado da planta mais sujeito a essas condições. No Espírito Santo, na Zona da Mata e no Sul de Minas, sempre nas regiões de altitude mais elevada, são mais problemáticas as faces de exposição sul e leste, por não ser atingida pelo sol da manhã, o que mantém por maior tempo a umidade do orvalho noturno sobre a folhagem. Nessa condição estão também os fundos de bacias, onde a neblina se acumula. Na Bahia e no Triângulo Mineiro, a doença é favorecida nas lavouras de chapadão, expostas ao vento.

Os prejuízos causados nas regiões de altitude elevada, no Espírito Santo e no Sul de Minas, evidenciaram aumentos de produção na faixa de 75 a 148%, quando a Phoma é controlada. No Alto Paranaíba, em Minas, onde a Ascochyta é mais freqüente, os dados de controle evidenciaram redução de perdas na faixa de 30-50% nos anos problemáticos. Em anos secos, o prejuízo é pequeno.

Seca de Ponteiros e Ramos Laterais

A seca de ponteiros e de ramos laterais, conhecida também por Die Back, é causada por um complexo de fatores, sobressaindo-se as condições climáticas desfavoráveis, má nutrição (real ou induzida) das plantas e ocorrência de pragas e doenças.

A doença ocorre em duas épocas principais: nos períodos de inverno chuvosos, que prolongam o ciclo vegetativo da planta, quando as folhas novas são mais sujeitas ao frio, aos ventos e à entrada de fungos e bactérias, e na época de granação dos frutos, quando os ramos carregados se esgotam, desfolham e apresentam morte descendente (da ponta para a base).

Nesse caso, a gravidade é maior em lavouras com as primeiras produções, quando as relações sistema radicular/parte aérea e folhas/frutos são pequenas, nas áreas mais quentes, em que a granação é rápida e quando os solos apresentam algum impedimento (muito argilosos, muito arenosos, camadas adensadas, etc.).

O ataque de um complexo de fungos e bactérias pode ser primário ou secundário, nesse caso agindo sobre os tecidos já debilitados por causas fisiológicas (desnutrição, frio, etc.). Podem estar associados à seca de ponteiros os fungos Colletotrichum coffeanum ou C. gloesporioides, Cercospora coffeicolla, Phoma sp, Ascochita sp e a bacteria Pseudomonas seringae pv. Garcae, sendo comum encontrar vários juntos. Os ramos atacados apresentam, nos internódios, manchas escuras e deprimidas, que evoluem para o pecíolo das folhas e para o pedúnculo dos frutos, mumificando-os.

No caso específico do Colletotrichum, ele é encontrado como saprófita, habitando a casca (extremidades) dos ramos do cafeeiro e passando a atacar ramos, folhas e frutos, penetrando-os através de ferimentos ou lesões de outras doenças e pragas ou tecidos já enfraquecidos, principalmente em períodos de umidade elevada.

A antracnose, doença típica de frutos, causada por estirpes virulentas de Colletotrichum, não ocorre como problema para a cafeicultura brasileira, sendo, contudo, a principal doença em países como Quênia, onde causa Coffee Berry Disease, o agente causador dessa doença sendo o Colletotrichm kahawae.

Os prejuízos causados pela seca de ponteiros são as quebras de safra e de produção do ano seguinte, causadas pela perda de ramos produtivos.

Nos últimos anos, têm sido observados problemas mais críticos e prejudiciais em gemas florais e chumbinhos, com queima, apodrecimento e queda de frutos, atribuídos ao ataque de Phoma/Ascochyta e ainda, à presença de diferentes isolados de Colletotrichum, que também ocorre em folhas, com lesões escuras, e em ramos secos. Estudos novos são necessários para avaliar se o ataque do Colletotrichum constitui a causa primária desses problemas.

Roseliniose ou mal de quatro anos

A roseliniose é causada por fungos do gênero Rosellinea, ocorrendo em nossas condições, as espécies R. bunodes e R. pepo, que atacam o sistema radicular do cafeeiro , a partir de rizomorfas (uma espécie de cordões escuros), que crescem em tocos e em restos de plantas em decomposição. Por isso a doença é mais comum em áreas de derrubada de cerrados, e mesmo em solos úmidos.

O nome “mal de quatro anos” veio da origem da doença, que se instala primeiramente nos tocos de árvores em decomposição e a partir desses propaga-se para o cafeeiro .

Esse processo se estende por um período longo (4 anos), só atingindo os cafeeiros de 4 anos de idade.

Contudo, mesmo em cafeeiros novos, com um ano ou mais, a doença pode ocorrer, desde que tocos ou pequenas raízes tenham permanecido em decomposição há mais tempo, sob o solo, na área de plantio.

As plantas atacadas começam a mostrar, na parte aérea, sintomas de deficiências nutricionais, ficam amareladas, começam a perder folhas e depois murcham. Os ramos secam e morrem, as raízes ficam escuras, com a casca bem solta. Retirada a casca, pode-se observar, sob o lenho da raiz principal, filamentos ou cordões de cor escura ou negra ramificados até o colo da planta (rizomorfas), que quando mais novas são brancas. Em alguns pontos do lenho, o fungo chega a penetrar, formando pontuações ou linhas negras. Os prejuízos são causados pela morte, criando, conseqüentemente, falhas na lavoura. Entretanto, a percentagem de ataque em uma lavoura é muito pequena.

Mancha aureolada e outras bacterioses

A mancha aureolada é uma doença causada pela bactéria Pseudomonas seringae pv.garcae, antigamente classificada como Pseudomonas garcae, que ataca folhas, rosetas, frutos novos e ramos de cafeeiro , atingindo mudas no viveiro e plantas no campo e ocorrendo principalmente nas regiões mais frias, no Paraná, em São Paulo, em Minas gerais (sul) e no Mato Grosso do Sul, sem problemas nas demais regiões cafeeiras. Recentemente, foi efetuada a primeira constatação em região de altitude elevada na Zona da Mata em Minas.

Nas folhas, a bactéria causa mancha de coloração pardo-escura, de 5 a 20mm de diâmetro, com necrose no centro. Pela ação do vento, muitas lesões ficam furadas. Em volta das manchas forma-se um halo amarelado, podendo ser facilmente observado, ao olhar a folha contra a luz, sendo essa a principal característica que distingue a doença de outras lesões parecidas. O maior número de lesões é localizado nas bordas das folhas, por onde, em ferimentos causados por danos mecânicos (agitação pelo vento), a bactéria encontra maior facilidade de penetração.

As lesões de outras pragas e doenças também constituem porta de entrada para esse patógeno. A doença ocorre em períodos frios, quando a queda de temperatura vem associada a chuvas finas, sendo maior o ataque no período de julho a setembro. A doença é favorecida também quando tem início a retirada da cobertura das mudas, ficando essas sujeitas à variação de temperatura. As mudas atingidas ficam desfolhadas e o ponteiro morre, e como a sua recuperação é lenta, muitas chegam a morrer.

As lavouras novas, com até 3-4 anos de idade, são as mais atingidas, ocorrendo desfolha, seca de ponteiros, superbrotamento e retardamento no desenvolvimento das plantas.

Outras bacterioses de menor importância que ocorrem em viveiro são causadas por Pseudomonasccichorii.

Nas condições de campo, o controle deve ser preventivo com instalação de quebra-ventos, sobretudo na fase de formação do cafezal , adotando-se pulverizações adicionais de fungicidas cúpricos, quando houver a bacteriose, já que o cobre metálico é tóxico para as bactérias e controla outros males a elas associados (cercosporiose, antracnose).

Nas mudas deve-se proteger bem o viveiro e usar pulverizações com produtos cúpricos, associados ou não a antibióticos. Também tem sido eficiente o produto Kazumin.

Leprose do Cafeeiro

Desde muito tempo é conhecida a doença denominada mancha anular, causada por vírus, que provoca sintomas nas folhas, com anéis cloróticos ou zonas amareladas irregulares ao longo das nervuras e em baixo relevo. A doença até pouco tempo ficava restrita a poucas folhas em certas plantas, sem qualquer importância econômica.

A partir de 1991/92 e com o ataque crescente nesses últimos anos, foi relatada uma nova sintomatologia com maior gravidade para a mancha-anular, dando origem ao nome de uma nova doença, denominada leprose do cafeeiro , devido à semelhança nos sintomas do agente causal e do transmissor em relação leprose dos citrus.

As lesões da leprose aparecem principalmente nos frutos verdes, na granação. São irregulares e deprimidas, de cor inicialmente marrom bem claro (cor de ferrugem) e depois chegam a quase negras, em função de ataques de fungos sobre a lesão (Colletorichum etc) podendo nos períodos úmidos apresentar uma massa de esporos (brancos) de fungos saprófitas. Também aparecem lesões amareladas nos frutos maduros.

Nas folhas aparecem lesões de dois tipos: algumas pequenas como pontos amarelados, outras na forma de anéis amarelados e manchas irregulares acompanhando as nervuras, associadas a necroses claras que aparecem na face inferior das folhas, junto às lesões, sobre a nervura principal, o que acelera a desfolha, bastante significativa nas plantas dos focos mais atacados. Esta desfolha ocorre de dentro para fora no pé de café , que parece ficar oco. Os ramos finos também apresentam lesões.

Associado à leprose, a exemplo do que ocorre em citrus, ocorre o ácaro transmissor do vírus causador da doença Brevipalpus phoenicus. É um ácaro plano, de coloração avermelhada, podendo ser distinguido dos demais pela presença de uma pequena mancha negra no dorso (as fêmeas).

O significativo ataque da doença deve estar ligado a fatores causadores de desequilíbrio, como clima muito seco e uso de defensivos, provocando aumento na população de ácaros vetores.

A leprose já foi constatada no Alto Paranaíba (região de maior ataque), no Sul e na Zona da Mata de Minas, no Espírito Santo (em Arábica e Conillon), na Bahia e no Estado do Rio de Janeiro. Focos também têm sido observados na Alta Paulista, em São Paulo e no Norte do Paraná.

Fonte:www.cicbr.org.br

Café

Origens

A história documentada do café teve início no século XIV. Porém, há lendas e suposições sobre a utilização do café muito mais antigas.

É o caso da lenda de Kaffa, uma província no sudoeste da Etiópia. Esta lenda conta que por volta do século III d.C., certo pastor de cabras percebeu que os animais estavam mais despertos e agitados que de costume.

O pastor pediu a ajuda de monges de um mosteiro vizinho para saber o que estava acontecendo. Os monges, então, descobriram um arbusto, de cujas bagas os animais se alimentavam.

Pensaram que eram “frutos do demônio” e os jogaram na fogueira. O cheiro agradável chamou a atenção dos monges que passaram a ferver os frutos na água e a beber a poção, a qual fazia com que ficassem por mais tempo acordados para suas orações.

Ainda há dúvidas se o nome “ café ” é originário da Kaffa, local de origem da planta, ou da palavra árabe qahwa, que significa vinho.

Dispersão

Acredita-se que, no ano de 525, invasores etíopes cruzaram o mar Vermelho levando com eles o café , dali levado por mercadores e viajantes Arábia do Sul (atual Iêmen). Também são muitas as lendas árabes envolvendo o café, mas o fato é que os árabes realmente dominavam o cultivo e o preparo do café.

Em 1000 d.C., os árabes começaram a preparar uma infusão com as cerejas, fervendo-as em água. Somente no século XIV, na Pérsia, o processo de torrefação foi desenvolvido, e finalmente a bebida adquiriu um aspecto mais parecido com o dos dias de hoje.

Durante muito tempo o consumo de café ficou restrito a região árabe. No final do século XV, surgiram as primeiras casas de café em Meca de onde o café se expandiu para o mundo islâmico e depois para o restante do Oriente Médio.

A entrada no mundo cristão

Por volta de 1600, o café foi objeto de inúmeras discussões doutrinárias entre líderes católicos europeus, pelo fato desta bebida ser consumida pelos “infiéis mulçumanos”, povo considerado pagão para os cristãos. Para decidir a questão - se a população cristã poderia ou não beber café - o Papa Clemente VIII experimentou a bebida e, ao invés de condenar, abençoou o café.

A partir de 1706 as colônias holandesas, que haviam começado suas plantações em 1658, passaram a abastecer toda a Europa, tornando-se o primeiro grande produtor e exportador mundial de café .

Lojas para servir café foram abertas nas grandes cidades européias ao longo do século XVII e algumas se tornaram famosas graças à clientela que reuniam.

Da França o café foi para a Martinica, nas Antilhas, e para a América Central, Guiana Francesa e Ilhas Maurício. Foram os franceses que também plantaram café em Tonquim, hoje Vietnã.

café chegou aos Estados Unidos por volta de 1668. Porém, as primeiras cafeterias surgiram mais de vinte anos depois, em 1691, em Boston. Com o tempo esse país passou a ser o maior consumidor mundial de café.

A planta só chegou à Colômbia, atualmente um dos maiores produtores de café , no final do século XVIII, por padres espanhóis.

No Brasil

Em 1727, a Coroa Portuguesa enviou à Guiana Francesa uma expedição, cujo principal motivo era tentar trazer sementes de café , extra-oficialmente, já que na época não era permitida a comercialização dos mesmos. Assim foi feito e as plantas foram cultivadas no Pará e no Maranhão, dando início à cafeicultura no Brasil.

No Rio de Janeiro também vieram plantas da Índia e, a partir de então, a cultura expandiu-se de maneira rápida. Incentivados pelo Vice-Rei Marquês do Lavradio, e pelas condições climáticas favoráveis, o café passou a ser cultivado por fazendeiros do sul e sudeste. As plantações de café foram fundadas em grandes propriedades monocultoras trabalhadas por escravos. E, antes mesmo das primeiras discussões sobre a abolição, cafeicultores iniciaram o assentamento de imigrantes nas fazendas de café, com o intuito de prover seus empreendimentos de mão-de-obra.

Constituiu-se, assim, um dos ciclos econômicos mais importantes do Brasil. Desde então, a produção de café no país apresentou tempos de expansão e de crise de acordo com as variações na economia mundial. Hoje os principais estados produtores de café são Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Curiosidades sobre a história do café

 1. O primeiro café público na Inglaterra surgiu em 1650. Desde então, as casas de cafés eram freqüentadas assiduamente por homens profissionais como médicos, físicos, artistas, matemáticos, filósofos, conservadores e revolucionários... Em 1674, as mulheres de Londres publicaram um documento contra o café, alegando que os homens preferiam ficar se divertindo nas cafeterias a ficar em casa cumprindo seus deveres.

 2. Em 1475, foi promulgada uma lei árabe permitindo à mulher pedir o divórcio, se o marido fosse incapaz de lhe prover uma quantidade diária da bebida.

 3. A Floresta da Tijuca, bem como o complexo formado pelo Morro da Urca e do Pão de Açúcar, já abrigaram extensos cafezais durante o século XIX. Um militar, comandando um pequeno grupo de escravos, foi incumbido de repovoar com espécies nativas toda a região, seguindo a orientação de Dom Pedro II. Este temia que o desmatamento acarretasse o desabastecimento de água potável para o Rio de Janeiro.

 4. O historiador Afonso de Taunay é o autor da maior obra sobre um único tema: História do Café no Brasil – com 15 volumes e 6.650 páginas.

 5. Alberto Santos Dumont era filho de um grande cafeicultor da região de Ribeirão Preto, estado de São Paulo. Dizem que Santos Dumont descobriu sua vocação para mecânica enquanto brincava de montar e desmontar a máquina de beneficiamento de café.

 6. Com a “Crise de 29”, milhões de sacas de café estocadas foram queimadas e milhões de pés de café foram erradicados no Brasil, na tentativa de estancar a queda contínua de preços provocada pelos excedentes de produção.

 7. O Brasil é o maior produtor e o segundo maior consumidor de café do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos.

 8. Os primeiros expressos em Portugal foram vendidos no café A Brasileira, em Lisboa. Muitos clientes acharam o gosto do produto um tanto amargo. Para contornar o problema, a direção da cafeteria criou um slogan para atrair os clientes: Beba Isso Com Açúcar. A campanha deu certo e a frase ficou tão marcada que o uso das iniciais de cada palavra - bica - passou a ser sinônimo de cafezinho no país.

 9. O café coado é o mais consumido no Brasil (93%), seguido do instantâneo (15%), do cappuccino (11%) e do expresso (8%).

 10. Em 24 de maio é comemorado o Dia do Café.

 11. A designação "espresso" com ‘s' é a usualmente correta, pois significa café retirado sob pressão, diferente do "expresso" com ‘x', que significa rapidez no preparo. O nome “espresso” surgiu na Itália, onde o processo foi popularizado em 1946, quando o seu inventor, Achille Gaggia, começou a vender máquinas de café sob pressão.

TIPOS DE CAFÉ

Espécies de café

Existem inúmeras espécies de café cultivadas no mundo, mas no Brasil conhecemos apenas duas: o café Arábica (Coffea Arábica) e Café Robusto (Conillon). Cada espécie, por sua vez, tem um grande número de variedades e linhagens.

O Arábica produz cafés de melhor qualidade, mais finos e requintados. Tem grãos de cor esverdeada, é cultivado em regiões com altitude acima de 800m e é originário do Oriente, de onde resulta seu nome (Etiópia, Yemem).

O robusta é originário da África, tem um trato mais rude e pode ser cultivado ao nível do mar (altitudes mais baixas). Não possui sabores variados e refinados como o arábica, dizendo-se que tem um “sabor típico e único”. Sua acidez é mais baixa e, por ter mais sólidos solúveis, é utilizado intensamente nos cafés solúveis . Seu teor de cafeína é maior do que nos arábicas.

Misturas

Grãos de diferentes variedades, origens e tipos de preparo geralmente são combinados para formar diferentes blends do produto final.

O blend, ou liga, é o grande segredo da qualidade da bebida, já que é o responsável pela característica e qualidade de determinada marca de café , e pela fidelidade do consumidor a esta marca.

No caso da Indústria Café Damasco , cada marca de café tem o seu próprio blend e todos de boa qualidade.

Tipos de Café

 Pó de Café (torrado e moído) 

Dependendo do grau de moagem, esse tipo pode ser utilizado para preparar o café de coador ou o espresso.

 Grãos de café torrado 

Os grãos de café são apenas torrados, mas não moídos. Mais comum para café espresso, esse tipo de produto também está na preferência de consumidores de café coado que não dispensam pó sempre fresco.

 Café solúvel 

Os grãos são torrados e moídos, depois seus sólidos solúveis são extraídos e solubilizados, resultando o produto na forma de grânulos ou pó.

 Café aromatizado 

Café com adição de aroma.

 Café gourmet 

Trata-se de uma indicação comercial de que o produto é o melhor dentro de uma determinada marca ou categoria.

 Café orgânico 

Produzido em lavouras sem o uso de agrotóxicos fertilizantes químicos.

 Café descafeinado 

A cafeína é extraida dos grãos verdes de café , antes de eles serem torrados. Para ser chamado de descafeinado, um café tem que ter mais de 97% de sua cafeína retirada.

Preparo do café

 Café Percolado 

Nesse caso a água passa pelo café torrado e moído , extraindo-lhe parte das substâncias que irão compor a bebida.

 A preparação do café percolado pode ser: 

 A frio 

café torrado e moído é deixado em infusão em água fria por um período de cerca de 12 horas. O resultado é um café muito forte, geralmente utilizado no preparo de bebidas frias ou servir como ingrediente em culinária.

 A quente sem pressão e com filtro 

Neste tipo de preparo obtém-se o café filtrado , despejando água quente (não fervida) sobre o café torrado e moído que se encontra em um filtro ou coador.

 Café espresso 

Neste método o café é percolado a quente, mas sob pressão em máquina apropriada. A máquina pode ser comercial ou doméstica.

 Café instantâneo 

Também chamado café solúvel , os grânulos de café preparado industrialmente são simplesmente dissolvidos diretamente em água fervente.

Características do café

 As variações de Bebida 

 Mole: tem um sabor agradável brando e doce.

 Dura: apresenta um conjunto de todos os requisitos de aroma e sabor da bebida mole, porém mais acentuados.

 Riado: é um café com leve sabor típico de iodo.

 Rio: apresenta cheiro e gosto acentuados de iodo.

 Rio Zona: tem a característica de bebida bem mais acentuada que as outras.

Características da Bebida

A bebida pode ser caracterizada por vários fatores como a doçura, o amargor, acidez, corpo e aroma.

 Doçura : São cafés mais finos, mais adocicados e permitem a degustação sem adição de açúcar. O excesso de grãos verdes, pretos ou ardidos, não apresenta doçura perceptível

 Amargor : É o gosto produzido pela cafeína, que é mais equilibrado nos cafés de melhor qualidade. O café com amargor muito forte, que incomoda a garganta, é proveniente de café de baixa qualidade ou de uma torra muito acentuada .

 Acidez : É a sensação obtida na parte lateral da língua mais desejável pelo consumidor europeu.

 Corpo : É uma sensação na boca causada por uma persistência no paladar, o que enriquece a bebida.

 Aroma :Os bons cafés têm um aroma bem pronunciando. A maior acidez do café permite maior percepção ao aroma, que pode ser – frutado, florado, achocolatado ou outros.

Classificação do café

A classificação por tipo admite 7 valores decrescentes, de 2 a 8, resultantes da apreciação de uma amostra de 300gr de café beneficiado (segundo normas da Tabela Oficial Brasileira de Classificação). Cada tipo corresponde a um maior ou menor número de defeitos que podem ser grãos imperfeitos ou impurezas.

Além da classificação por “tipo”, tem classificação por bebida que é o fator mais importante na determinação da qualidade do produto. A avaliação é realizada por degustadores - profissionais que têm um perfil bastante peculiar e possuem um paladar e olfatos bastante aguçados.

DO PÉ À CANECA

Agroindústria

A agroindústria do café compreende desde o plantio, uma atividade essencialmente agrícola, até a embalagem do produto final, uma atividade basicamente industrial. O conjunto dessas atividades desenvolvidas em sítios/fazendas, unidades de beneficiamento e indústrias de torrefação e moagem, constitui a agroindústria do café.

Pé de café

semente de café é, na verdade, o mesmo grão que dá origem ao café torrado. As sementes se originam apenas dos frutos maduros (cereja), que em seguida são lavados, despolpados e secos, quando então estarão aptos para o semeio.

Depois do plantio acontece a florada, que pode se repetir de três a quatro vezes. Da flor surge uma pequena infrutescência que vai desenvolver-se ao longo de 6 a 8 meses, transformando-se no grão de café .

Um pé de café começa a produzir cinco anos depois de ter sido plantado. Ele produz em média 2,5 Kg de frutos por ano. Esses 2,5 Kg renderão 0,5 Kg de café verde (grãos), o que corresponde a cerca de 0,4 Kg de café torrado. A qualidade e sabor do café alteram de acordo com a variedade da planta, clima, altitude e processamento do grão.

Colheita

 Existem duas formas de se colher os frutos do café: 

 Derriça 

Consiste em retirar os frutos do galho, correndo a mão de cima para baixo fazendo com que os frutos caiam em uma peneira. Essa é a maneira tradicional de colher café manualmente no Brasil. Também pode ser feita mecanicamente. Para retirar o excesso de material estranho jogam-se os frutos várias vezes para cima com a peneira.

 Colheita seletiva ou a dedo 

Consiste em colher manualmente apenas os frutos maduros. Os frutos são jogados em cestos ou panos que ficam sob as plantas. Como resultado há um produto de melhor qualidade, porém o custo de colheita é bem maior.

Processamento

O processamento deve iniciar logo após a colheita, pois a fermentação dos frutos pode estragar o sabor do produto final.

 Há três métodos de processamento: 

 Processo seco 

Os frutos são secados ao sol em terreiros;

 Processo úmido 

Os frutos da colheita seletiva são despolpados em uma máquina própria e submetidos a um processo de fermentação aquosa em tanques apropriados. Após isso o café é secado

 Processo semi-seco 

Método intermediário em que os frutos descascados são secos ao sol em vez de serem fermentados.

Beneficiamento

Consiste num conjunto de operações que retira do café em coco (seco), a casca, elimina as impurezas e separa os grãos em diferentes tamanhos de favas, sendo posteriormente ensacados em sacos de juta de 60kg.

 O beneficiamento, que pode ser feito na própria fazenda, consiste em duas etapas: 

Remoção da casca externa

Classificação

Armazenamento

O café pode ser armazenado antes ou depois do beneficiamento. Para não prejudicar o produto, o local deve ter temperatura, ventilação e umidade adequadas.

Torrefação

Geralmente os grãos são torrados em uma instalação industrial, embora também possam ser torrados artesanalmente. A torrefação influi consideravelmente na qualidade final da bebida.

Moagem

Depois de torrados os grãos devem ser moídos para que a bebida possa ser preparada. De um modo geral, a moagem pode ser classificada em grosseira, média e fina.

Para fazer o café torrado e moído os grãos são moídos na própria indústria torrefadora e embalados para comercialização.

No caso do café espresso os grãos podem ser moídos nas próprias máquinas de café espresso. Há também alguns estabelecimentos que servem o café moído na hora.

Embalagem

O café torrado é extremamente sensível à ação do oxigênio, podendo se oxidar com facilidade. Por isso o produto deve ser embalado e conservado adequadamente em embalagens laminadas, plásticas, de vidro ou em latas.

A embalagem plástica possui poros muito pequenos por onde o oxigênio pode penetrar, acelerando a oxidação. Ao se envolver o plástico com película de alumínio (embalagem laminada) os poros são fechados, impedindo a passagem de oxigênio. Essas embalagens são denominadas “almofadas”.

Há ainda a embalagem a vácuo na qual o ar é retirado da embalagem, eliminando assim, qualquer possibilidade de contato entre o oxigênio e o produto. De um modo geral, quanto melhor a embalagem, maior o tempo de duração do produto, porém maior é o seu custo.

Pó de Café , ou seja, o café torrado e moído, geralmente possui embalagem laminada (plástico aluminizado), embalagem plástica ou ainda embalagem de papel, esta última raramente utilizada nos dias de hoje.

Grão torrado de café geralmente é comercializado em embalagem laminada, de plástico ou em lata.

embalagem do Café solúvel deve ser de vidro, lata, envelopes com doses individuais ou embalagem laminada (como refil de reposição).

O MUNDO TOMA CAFÉ

África

Especiarias, tais como canela e cardomomo, alho ou gengibre são acrescentadas a fim de acentuar o sabor do café.

Alemanha

Muitas vezes o café é servido com leite condensado ou chantilly.

Arábia

 Café açucarado, feito com água fervida, canela e cardamomo (semente aromática da Índia).

Áustria

Bebe-se o café com chantilly. O destaque fica para os acompanhamentos: figos secos, sendo que em Viena, a capital do país, é uma tradição o oferecimento de bolos e doces.

Bélgica

café é servido com um pequeno pedaço de chocolate, colocado na chávena para derreter quando o café é nela despejado.

Brasil

O famoso cafezinho geralmente é servido puro em pequenas xícaras.

Cuba

Neste país o café é apreciado bem forte e doce. Bebe-se em um só gole.

Escócia

Uma receita típica é: Café misturado com açúcar, licor de creme de café, whisky escocês e creme de leite, decorado com nata batida e pistaches picados.

Espanha

 Café misturado com um pouco de licor de creme catalão. Em algumas províncias também é costume acrescentar leite condensado.

Estados Unidos

Café mais fraco e aguado que o normal. É servido em maior quantidade.

França

O produto, na maioria das vezes, é consumido com chicória, resultando uma bebida mais amarga.

Grécia

café geralmente é acompanhado por um copo de água gelada.

Inglaterra

País de origem do famoso café Royal de Londres. Consiste em colocar um pão de açúcar na taça que se impregna até a metade de café quente e a parte superior se umedece com conhaque, flamba-se e cobre-se com nata. Se não há pão de açúcar, deve ser utilizado o açúcar branco misturado com café e conhaque flambado.

Irlanda

Um barman irlandês, em 1964, decidiu incorporar whisky e nata a um café quente e açúcar.

Itália

café espresso preto é servido em xícaras pequenas, acompanhadas de tiras de limão.

Japão

Um preparo mais elaborado compreende café , leite condensado, licor 43, brandy, canela, uma rodela de limão e alguns grãos de café.

México

Em muitos lugares, o café é oferecido gratuitamente e pode ser consumido em grandes quantidades. O chamado café americano é o mais consumido e é uma cópia do que se bebia até poucos anos nos Estados Unidos: aguado e com pouco sabor.

Suiça

Adiciona-se ao café um licor, o "kirsch".

Turquia

Coloca-se o pó finíssimo de café misturado com açúcar em um bule, adicionar a água e ferver.

Deixar repousar e beber sem filtrar.

Fonte: www.cafedamasco.com.br

Café

A LENDA DO CAFÉ

Não há evidência real sobre a descoberta do café , mas há muitas lendas que relatam sua possível origem.

Uma das mais aceitas e divulgadas é a do pastor Kaldi, que viveu na Absínia, hoje Etiópia, há cerca de mil anos. Ela conta que Kaldi, observando suas cabras, notou que elas ficavam alegres e saltitantes e que esta energia extra se evidenciava sempre que mastigavam os frutos de coloração amarelo-avermelhada dos arbustos existentes em alguns campos de pastoreio.

O pastor notou que as frutas eram fonte de alegria e motivação, e somente com a ajuda delas o rebanho conseguia caminhar por vários quilômetros por subidas infindáveis.

Café
 Pastor Kaldi e suas cabras 

Kaldi comentou sobre o comportamento dos animais a um monge da região, que decidiu experimentar o poder dos frutos. O monge apanhou um pouco das frutas e levou consigo até o monastério. Ele começou a utilizar os frutos na forma de infusão, percebendo que a bebida o ajudava a resistir ao sono enquanto orava ou em suas longas horas de leitura do breviário.

Esta descoberta se espalhou rapidamente entre os monastérios, criando uma demanda pela bebida. As evidências mostram que o café foi cultivado pela primeira vez em monastérios islâmicos no Yemen.

OS PRIMEIROS CULTIVOS DE CAFÉ

A planta de café é originária da Etiópia, centro da África, onde ainda hoje faz parte da vegetação natural. Foi a Arábia a responsável pela propagação da cultura do café .

O nome café não é originário da Kaffa, local de origem da planta, e sim da palavra árabe qahwa, que significa vinho. Por esse motivo, o café era conhecido como "vinho da Arábia" quando chegou à Europa no século XIV.

Os manuscritos mais antigos mencionando a cultura do café datam de 575 no Yêmen, onde, consumido como fruto in natura, passa a ser cultivado. Somente no século XVI, na Pérsia, os primeiros grãos de café foram torrados para se transformar na bebida que hoje conhecemos.

Café
 Degustação de café na Etópia 

café tornou-se de grande importância para os Árabes, que tinham completo controle sobre o cultivo e preparação da bebida. Na época, o café era um produto guardado a sete chaves pelos árabes. Era proibido que estrangeiros se aproximassem das plantações, e os árabes protegiam as mudas com a própria vida. A semente de café fora do pergaminho não brota, portanto, somente nessas condições as sementes podiam deixar o país.

Café
 Antigos instrumentos árabes para preparo de café 

Café
 Antigos instrumentos árabes para preparo de café 

A partir de 1615 o café começou a ser saboreado no Continente Europeu, trazido por viajantes em suas frequentes viagens ao oriente. Até o século XVII, somente os árabes produziam café .

Alemães, franceses e italianos procuravam desesperadamente uma maneira de desenvolver o plantio em suas colônias.

Mas foram os holandeses que conseguiram as primeiras mudas e as cultivaram nas estufas do jardim botânico de Amsterdã, fato que tornou a bebida uma das mais consumidas no velho continente, passando a fazer parte definitiva dos hábitos dos europeus.

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 Muda de café cultivada no Jardim Botânico de Amsterdã 

A partir destas plantas, os holandeses iniciaram em 1699, plantios experimentais em Java. Essa experiência de sucesso trouxe lucro, encorajando outros países a tentar o mesmo. A Europa maravilhava-se com o cafeeiro como planta decorativa, enquanto os holandeses ampliavam o cultivo para Sumatra, e os franceses, presenteados com um pé de café pelo burgomestre de Amsterdã, iniciavam testes nas ilhas de Sandwich e Bourbon.

Com as experiências holandesa e francesa, o cultivo de café foi levado para outras colônias européias. O crescente mercado consumidor europeu propiciou a expansão do plantio de café em países africanos e a sua chegada ao Novo Mundo. Pelas mãos dos colonizadores europeus, o café chegou ao Suriname, São Domingos, Cuba, Porto Rico e Guianas. Foi por meio das Guianas que chegou ao norte do Brasil. Desta maneira, o segredo dos árabes se espalhou por todos os cantos do mundo.

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 Mercadores de café - século XVI 

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 Colheita de café nas colônias - quadro de Debret 

A CULTURA DA BEBIDA CAFÉ

Segure uma xícara exalando o aroma de um bom café e você estará com a história em suas mãos.

Apenas um pequena gole dessa saborosa bebida fará com que você possa fazer parte de uma enorme cadeia de produção, romantismo e lances de muito arrojo, iniciada há mais de mil anos na Etiópia.

O hábito de tomar café foi desenvolvido na cultura árabe. No início, o café era conhecido apenas por suas propriedades estimulantes e a fruta era consumida fresca, sendo utilizada para alimentar e estimular os rebanhos durante viagens. Com o tempo, o café começou a ser macerado e misturado com gordura animal para facilitar seu consumo durante as viagens.

Café

Em 1000 d.C., os árabes começaram a preparar uma infusão com as cerejas, fervendo-as em água. Somente no século XIV, o processo de torrefação foi desenvolvido, e finalmente a bebida adquiriu um aspecto mais parecido com o dos dias de hoje. A difusão da bebida no mundo árabe foi bastante rápida.

café passou a fazer parte do dia-a-dia dos árabes sendo que, em 1475, até foi promulgada uma lei permitindo à mulher pedir o divórcio, se o marido fosse incapaz de lhe prover uma quantidade diária da bebida. A admiração pelo café chegou mais tarde à Europa durante a expansão do Império Otomano.

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 Preparo da bebida café 

Café
 Transporte de café entre cidades árabes 

AS CAFETERIAS

Foi em Meca que surgiram as primeiras cafeterias, conhecidas como Kaveh Kanes. Cidades como Meca, eram centros religiosos para reza e meditação e a religião muçulmana proibia o consumo de qualquer tipo de bebida alcoólica. Desta forma, os Kaveh Kanes se transformaram em casas onde era possível se passar à tarde conversando, ouvindo música e bebendo café .

A bebida conquistou Constantinopla, Síria e demais regiões próximas. As cafeterias tornaram-se famosas no Oriente pelo seu luxo e suntuosidade e pelos encontros entre comerciantes, para a discussão de negócios ou reuniões de lazer.

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 Casa de café em Constantinopla 

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 Casa de café na Turquia - início do século XVIII 

café conquistou definitivamente a Europa a partir de 1615, trazido dos países árabes por comerciantes italianos. O hábito de tomar o café, principalmente em Veneza, estava associado aos encontros sociais e à música que ocorriam nas alegres Botteghe Del Caffè. Em 1687 os turcos abandonaram várias sacas de café às portas de Viena, após uma tentativa frustrada de conquista, e estas foram usadas como prêmio pela vitória. Assim é aberta a primeira coffee house de Viena e difundido o hábito de coar a bebida e bebê-la adoçada com leite - o famoso café vienense.

As cafeterias desenvolveram-se na Europa durante o século XVII, enquanto florescia o Iluminismo e se planejava a Revolução Francesa. Durante tardes inteiras, jovens reuniam-se em torno de várias xícaras de café , discutindo o destino das nações, declamando poemas, lendo livros ou simplesmente passando o tempo. Atualmente, algumas casas famosas como o Café Procope, em Paris, e o Café Florian, em Veneza, ainda preservam o glamour dessa época.

Café
 Comércio de café entre
árabes e europeus - 1690
 

Café
 Hábito de consumo de café se
espalha pela Europa - 1730
 

Café
 Cafeteria - Europa, século XVIII 

Café
 Cafeteria - Europa, século XIX 

Café
 Café em Veneza 

Café
 Café em Veneza 

Até hoje os cafés são locais onde pessoas se reúnem para discutir assunto importantes ou simplesmente passar o tempo, sendo o ritual do cafezinho uma tradição que sobreviveu a todas as transformações.

Nos últimos anos, houve uma onda provocada pelas modernas máquinas de café expresso, que revolucionaram o hábito do cafezinho, permitindo um crescimento vertiginoso das cadeias de lojas de café.

A técnica de gerenciamento por meio do sistema de licença da marca também permitiu um rápido desenvolvimento dessas lojas especiais, voltadas para um mercado mais exigente, o de café Gourmet .

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 Antiga máquina de expresso 

O CAFÉ NO BRASIL

café chegou ao norte do Brasil, mais precisamente em Belém, em 1727, trazido da Guiana Francesa para o Brasil pelo Sargento-Mor Francisco de Mello Palheta a pedido do governador do Maranhão e Grão Pará, que o enviara s Guianas com essa missão. Já naquela época o café possuía grande valor comercial.

Palheta aproximou-se da esposa do governador de Caiena, capital da Guiana Francesa, conseguindo conquistar sua confiança. Assim, uma pequena muda de café Arábica foi oferecida clandestinamente e trazida escondida na bagagem desse brasileiro.

Café

Assim, uma pequena muda de café Arábica foi oferecida clandestinamente e trazida escondida na bagagem desse brasileiro. Devido às nossas condições climáticas, o cultivo de café se espalhou rapidamente, com produção voltada para o mercado doméstico. Em sua trajetória pelo Brasil o café passou pelo Maranhão, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Minas Gerais. 

Num espaço de tempo relativamente curto, oapenas com recursos nacionais,   café  passou de uma posição relativamente secundária para a de produto-base da economia brasileira. Desenvolveu-se com total independência, ou seja, sendo, afinal, a primeira realização exclusivamente brasileira que visou a produção de riquezas.

Em condições favoráveis a cultura se estabeleceu inicialmente no Vale do Rio Paraíba, iniciando em 1825 um novo ciclo econômico no país. No final do século XVIII, a produção cafeeira do Haiti -- até então o principal exportador mundial do produto -- entrou em crise devido à longa guerra de independência que o país manteve contra a França. Aproveitando-se desse quadro, o Brasil aumentou significativamente a sua produção e, embora ainda em pequena escala, passou a exportar o produto com maior regularidade. Os embarques foram realizados pela primeira vez em1779, com a insignificante quantia de 79 arrobas. Somente em 1806 as exportações atingiram um volume mais significativo, de 80 mil arrobas.

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 Francisco de Mello Palheta 

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 Armazenagem de café - Brasil, século XIX 

Por quase um século, o  café  foi a grande riqueza brasileira, e as divisas geradas pela economia cafeeira aceleraram o desenvolvimento do Brasil e o inseriram nas relações internacionais de comércio. A cultura do café ocupou vales e montanhas, possibilitando o surgimento de cidades e dinamização de importantes centros urbanos por todo o interior do Estado de São Paulo, sul de Minas Gerais e norte do Paraná. Ferrovias foram construídas para permitir o escoamento da produção, substituindo o transporte animal e impulsionando o comércio inter-regional de outras importantes mercadorias. O café trouxe grandes contingentes de imigrantes, consolidou a expansão da classe média, a diversificação de investimentos e até mesmo intensificou movimentos culturais. A partir de então o café e o povo brasileiro passam a ser indissociáveis.

A riqueza fluía pelos cafezais, evidenciada nas elegantes mansões dos fazendeiros, que traziam a cultura européia aos teatros erguidos nas novas cidades do interior paulista. Durante dez décadas o Brasil cresceu, movido pelo hábito do cafezinho, servido nas refeições de meio mundo, interiorizando nossa cultura, construindo fábricas, promovendo a miscigenação racial, dominando partidos políticos, derrubando a monarquia e abolindo a escravidão.

Além de ter sido fonte de muitas das nossas riquezas, o  café  permitiu alguns feitos extraordinários. Durante muito tempo, o café brasileiro mais conhecido em todo o mundo era o tipo Santos.

A maioria das pessoas acredita ser a cidade de Santos, porto exportador de café, a origem do nome. Na realidade, a marca Santos deriva de Alberto Santos Dumont, que além de ter sido um pioneiro da aviação, foi também " o rei do café ".

Café
 Santos Dumont em seu avião, 14 Bis 

Implantado com o mínimo de conhecimento da cultura, em regiões que mais tarde se tornaram inadequadas para seu cultivo, a cafeicultura no centro-sul do Brasil começou a ter problemas em 1870, quando uma grande geada atingiu as plantações do oeste paulista provocando prejuízos incalculáveis.

Depois de uma longa crise, a cafeicultura nacional se reorganizou e os produtores, industriais e exportadores voltaram a alimentar esperanças de um futuro melhor. A busca pela região ideal para a cultura do  café  se estendeu por todo o país, se firmando hoje em regiões do Estado de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo, Bahia e Rondônia. O café continua hoje, a ser um dos produtos mais importantes para o Brasil e é, sem dúvida, o mais brasileiro de todos. Hoje o país é o primeiro produtor e o segundo consumidor mundial do produto.

O TRAJETO DO CULTIVO DO CAFÉ NO BRASIL

O primeiro plantio ocorreu em 1727, no Pará. Devido às nossas condições climáticas, o cultivo de  café  se espalhou rapidamente.

O ponto de partida das grandes plantações foi o Rio de Janeiro, com as matas da Tijuca tornando-se grandes cafezais. O café estende-se para Angra dos Reis, Parati e chegou a São Paulo por Ubatuba. Em pouco tempo, o vale do rio Paraíba se tornou a grande região produtora da lavoura cafeeira no Brasil. Esta região com altitude e clima excelentes para o cultivo, possibilitou o surgimento de uma área centralizadora de culturas e população. Subindo pelo rio, o  café  invadiu a parte oriental da província de São Paulo e a região da fronteira de Minas Gerais. Na época o Rio de Janeiro era o porto de escoamento do produto e centro financeiro.

Entretanto, a cultura do café em áreas com declive acentuado e o total descuido quanto à preservação do solo gerou uma erosão intensa. Por este motivo, as terras se esgotaram rapidamente e a cultura cafeeira migrou para um outro local, o oeste da província de São Paulo, centralizando-se em Campinas e estendendo-se até Ribeirão Preto.

Campinas passou a ser então o grande pólo produtor do país. As culturas estendiam-se em largas superfícies uniformes, cobrindo a paisagem a perder de vista, formando os famosos "mares de  café ". Na região, os cafezais sofriam menos com esgotamento dos solos pela superfície plana da região, que facilitava ainda a comunicação e o transporte e proporcionava uma concentração da riqueza. Enquanto no Vale do Paraíba foi estabelecido um sistema complexo de estradas férreas, nessa nova região foi implantada uma boa rede de estradas rodoviárias e ferroviárias. Com este novo pólo produtor, o café mudou seu centro de escoamento, sendo toda a produção do oeste paulista a enviada a São Paulo e depois exportada a partir do porto de Santos.

Café
 Embarque de café no
Porto de Santos - 1908
 

Café
 Transporte de café pela
ferrovia Santos-Jundiaí - 1860
 

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 Pregão na Bolsa do Café, em
Santos (atual Museu do Café)
 

A cafeicultura no centro-sul do Brasil enfrentou problemas em 1870, quando uma grande geada atingiu as plantações do oeste paulista provocando grandes prejuízos, e, mais tarde, durante a crise de 1929. No entanto, após se recuperar das crises, a região se manteve como importante centro produtor. Nela se destacam quatro estados produtores: Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Paraná. Como a busca pela região ideal para a cultura do  café  cobriu todo o país, a Bahia se firmou como pólo produtor no Nordeste e a Rondônia na região Norte.

AS GRANDES FAZENDAS DE CAFÉ

As plantações de café foram fundadas em grandes propriedades monoculturais trabalhadas por escravos, substituídos mais tarde por trabalhadores assalariados: as grandes fazendas de café.

Estas fazendas ficaram famosas por sua arquitetura típica e seus equipamentos. Tanques em que o grão é lavado logo depois da colheita, terreiros para secagem, máquinas de seleção e beneficiamento fazem parte desse ambiente. A senzala dos escravos ou colônias de trabalhadores livres finalizam a caracterização das fazendas cafeeiras. A fazenda de  café , desde a semente até a xícara, era um pequeno mundo, quase isolado.

Café
 Sede de antiga fazenda de café 

Café
 Terreiro de antiga fazenda de café 

O desenvolvimento da produção cafeeira esteve intimamente relacionado com a quantidade de mão-de-obra disponível. Para incentivar a produção de café, a administração do Estado de São Paulo fez da questão imigratória o projeto central de suas atividades, estabelecendo um sistema que oferecia auxílio formal à imigração européia, principalmente à italiana. Por meio de um programa que cuidava da propaganda em seu país de origem, os imigrantes eram trazidos desde seu domicílio na Europa até a fazenda de  café .

A imigração ajudou na conquista de áreas ainda não exploradas, permitindo rápido desenvolvimento do Estado de São Paulo.

Com a mão-de-obra imigrante a cultura ganhou impulso e durante três quartos de século, quase toda riqueza do país se concentrou na agricultura cafeeira. O Brasil dominava 70% da produção mundial e ditava as regras do mercado. Nessa época os fazendeiros de  café  se tornaram a elite social e política, formando umas das últimas aristocracias brasileiras. A opulência dos plantadores de café permitiu a construção dos grandes e bonitos casarões das fazendas e de mansões na cidade de São Paulo e financiou a industrialização no sudeste do país.

A CRISE DE 29

A quebra na bolsa de Nova York em outubro de 29 foi um golpe para a estabilidade da economia cafeeira.O  café  não resistiu ao abalo sofrido no mundo financeiro e o seu preço caiu bruscamente. As lavouras de café enfrentaram a verdadeira dimensão do mercado.

Nesse processo, milhões de sacas de  café  estocadas foram queimadas e milhões de pés de café foram erradicados, na tentativa de estancar a queda contínua de preços provocada pelos excedentes de produção.

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 Quadro de preços - Bolsa Oficial de Café 

Quando a economia mundial conseguiu se recuperar do golpe de 1929, o Sudeste do país voltou a crescer, desta vez com perspectivas lastreadas na cafeicultura e na indústria, que assumia parcelas maiores da economia. O  café  retomou sua importante posição nas exportações brasileiras e, mesmo perdendo mercado para outros países produtores, o país ainda se mantém como maior produtor de café do mundo.

Das suas épocas áureas, ainda nos restam as belas sedes das fazendas coloniais, um extenso material técnico-científico, plantações centenárias e o hábito nacional do cafezinho.

O CAFÉ BRASILEIRO NA ATUALIDADE

Atualmente o Brasil é o maior produtor mundial de  café , sendo responsável por 30% do mercado internacional de café, volume equivalente soma da produção dos outros seis maiores países produtores. É também o segundo mercado consumidor, atrás somente dos Estados Unidos.

As áreas cafeeiras estão concentradas no centro-sul do país, onde se destacam quatro estados produtores: Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Paraná. A região Nordeste também tem plantações na Bahia, e da região Norte pode-se destacar Rondônia.

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 Cafezal - detalhe de linha de plantio 

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 Cafezal - sistema de irrigação 

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 Cafezal - vista aérea 

A produção de  café  arábica se concentra em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia e parte do Espírito Santo, enquanto o café robusta é plantado principalmente no Espírito Santo e Rondônia.

As principais regiões produtoras no Estado de São Paulo são a Mogiana, Alta Paulista Região de Pirajú. Uma das mais tradicionais regiões produtoras de  café , a Mogiana está localizada ao norte do estado, com cafezais a uma altitude que varia entre 900 e 1.000 metros. A região produz somente café da espécie arábica, sendo que as variedades mais cultivadas são o Catuaí e o Mundo Novo. Localizada na região oeste do estado, a Alta Paulista tem uma altitude média de 600 metros. A região é produtora de café arábica, sendo que a variedade mais cultivada é a Mundo Novo. A região de Piraju, a uma altitude média de 700 metros, produz café arábica, com cerca de 75% sendo da variedade Catuaí, 15% da variedade Mundo Novo e 10% de novas variedades, como Obatã, Icatu, entre outras.

Em Minas Gerais, as principais regiões produtoras são: Cerrado Mineiro, Sul de Minas, Matas de Minas e Jequitinhonha. A altitude média do Cerrado Mineiro é de 800 metros e dentre o  café  arábica cultivado, a predominância é de plantas das variedades Mundo Novo e Catuaí. O Sul de Minas também produz apenas café arábica e a altitude média é de aproximadamente 950 metros. As variedades mais cultivadas são o Catuaí e o Mundo Novo, mas também há lavouras das variedades Icatu, Obatã e Catuaí Rubi. A região das Matas de Minas e Jequitinhonha está a uma altitude média de 650 metros e possui lavouras de arábica das variedades Catuaí (80%), Mundo Novo, entre outras.

O Paraná chegou a ter 1,8 milhão de hectares dedicados ao cultivo de café. Hoje esse número é de apenas 156 mil hectares, mas o café  ainda está presente em aproximadamente 210 municípios do estado e é responsável por 3,2% da renda agrícola paranaense. O café é cultivado nas regiões do Norte Pioneiro, Norte, Noroeste e Oeste do Estado. As áreas de cultivo são muito extensas, o que justifica a grande variação de altitudes. A altitude média é de aproximadamente 650 metros, sendo que na região do Arenito, próximo ao rio Paraná, a altitude é de 350 metros e na região de Apucarana chega a 900 metros. No Estado é cultivada a espécie arábica e as variedades predominantes são Mundo Novo e Catuaí.

A cafeicultura na Bahia surgiu a partir da década de 1970 e teve uma grande influência no desenvolvimento econômico de alguns municípios. Há atualmente três regiões produtoras consolidadas: a do Planalto, mais tradicional produtora de café arábica; a Região Oeste, também produtora de café arábica, sendo uma região de cerrado com irrigação e a Litorânea, com plantios predominantes do café  robusta (variedade Conillon).

Na Região Oeste, um número expressivo de empresas utilizando alta tecnologia para café irrigado vem se instalando, contribuindo, assim, para a expansão da produção em áreas não tradicionais de cultivo e consolidando a posição do Estado como o quinto maior produtor com, aproximadamente, 5% da produção nacional.

No  parque cafeeiro estadual  predomina a produção de  café  Arábica com 76% da produção (com 95% sendo da variedade Catuaí) contra 24% de Café Robusta.

No Espírito Santo, os principais municípios produtores são Linhares, São Mateus, Nova Venecia, São Gabriel da Palha, Vila Valério e Águia Branca. O café foi o produto responsável pelo desenvolvimento de um grande número de cidades no Estado. São cultivadas no estado as espécies arábica e robusta (Conillon), tendo sido marcante a produção desta última, que se expandiu principalmente nas regiões baixas, de temperaturas elevadas.

Atualmente as lavouras de robusta ocupam mais de 73% do  parque cafeeiro estadual  e respondem por 64,8% da produção brasileira da variedade. O Estado coloca o Brasil como segundo maior produtor mundial de Conillon.

No Estado de Rondônia a produção de  café  está concentrada nas cidades de Vilhena, Cafelândia, Cacoal, Rolim de Moura e Ji-Paraná. No cenário nacional, Rondônia representa o sexto maior estado produtor e o segundo maior estado produtor de café Robusta, com uma área de 165 mil hectares e uma produção de 2,1 milhões de sacas, constituídas exclusivamente pelo café robusta (variedade Conillon).

LINHA DO TEMPO DO CAFÉ

Lenda de Kaldi, um pastor de cabras que descobre o valor estimulante do  café .

O  café , utilizado como alimento cru, começa a ser cultivado em grande quantidade no Yêmen.

Tribos da Etiópia consomem a fruta macerada, misturada com banha, como alimento.

Descobre-se a infusão de  café . A fruta é mergulhada em água fervida, e esta infusão é usada com fins medicinais.

O hábito de beber  café  torna-se popular em Constantinopla, levado pelo Império Otomano.

Primeiro  café  do mundo é aberto em Constantinopla, o Kiva Han. As leis turcas permitiam que a esposa pedisse o divórcio caso o marido não fosse capaz de prover um cota de café.

A bebida é preparada da mesma forma que conhecemos nos dias de hoje. O  café  se torna popular na Arábia, e como o Alcorão proíbe as bebidas alcoólicas, passa a ser bastante utilizado em cerimônias religiosas.

Khair Beg, governador de Meca, tenta proibir o consumo de  café . O sultão, sabendo do ocorrido, decreta uma lei torna o café uma bebida sagrada e condena o governador à morte.

O  café  é levado para Mokha, onde se inicia um grande cultivo.

Prospero Alpino descreve o  cafeeiro  no livro De Plantis Aegypti, publicado em Veneza.

A primeira importação de  café  para Europa é feita pelos Venezianos.

A prática da torrefação e moagem de  café  espalha-se pela Europa. Um dos responsáveis por esta divulgação foi a "Botteghe del Caffè". No Cairo, inicia-se o uso de açúcar para adoçar o café.

Abre-se o primeiro  café  de Londres, Pasquar Rose, que causou conflito religioso, já que o café era considerado uma bebida impura por alguns religiosos da Inglaterra.

Os holandeses conseguem algumas mudas de  café  de Mokha.

O  café  invade a América do Norte, levado pelos holandeses.

Em Nova Amsterdã (Nova York) e Filadélfia, são abertas as primeiras coffee shops.

Nova York inicia um grande mercado de grãos de  café  em Wall Street, a Exchange Coffee House.

O exército otomano cerca Viena. Franz Georg Kolschitzky, um vienense, escapa do cerco turco e sai em busca de reforço. Os turcos recuam, deixando para trás várias sacas de  café  que Franz declara suas como "recompensa" pela vitória. Assim é aberta a primeira coffee house de Viena e difundido o hábito de coar a bebida e bebê-la adoçada com leite.

É aberto o primeiro  café  de Paris, o Procope, que atualmente é um restaurante em que se pode sentir a tradição das primeiras cafeterias européias.

Da estufa do jardim botânico de Amsterdã, saem alguns pés de  café  e, em 1699, inicia-se plantio experimental em Java e posteriormente em Sumatra.

O rei francês Louis XIV é presenteado com plantas de  café  pelo burgomestre de Amsterdã. Estas são colocadas na estufa dos jardins de Versailles. Destas mudas, os franceses levam o café para as Ilhas de Sandwich e Bourbon.

Holandeses levam o  café  para o Suriname, região nordeste da América do Sul, que se transforma em um grande centro produtor.

Floriano Francesconi inaugura o café Florian na Piazza San Marco, em Veneza, até hoje uma tradição.

Gabriel Mathieu de Clieu, capitão da marinha francesa, viaja para a Martinica levando mudas de café. A viagem é longa e algumas mudas morrem. O capitão resolve dividir com elas a sua ração de água para que chegassem ao continente. As plantas sobrevivem à viagem e se adaptam muito bem ao clima local. Infelizmente o capitão, que já tinha 80 anos na época da viagem, não ficou vivo o suficiente para ver o resultado de seus esforços, que deram origem a grandes plantações, que seriam as ancestrais da América.

Primeira plantação de  café  em terras brasileiras. O café começa a ser cultivado no Pará, a partir de uma muda trazida do Suriname, por Francisco de Melo Palheta.

Ingleses iniciam plantações na Jamaica, dando origem ao famoso  café  Blue Mountain.

Johann Sebastian Bach compõe a Contata do Café. As cafeterias já haviam se tornado um local para apreciação da música.

Mudas de Goa são trazidas para o Rio de Janeiro. O  café  é plantado na Gávea e na Tijuca por João Alberto Castello Branco.

O cientista alemão Ferdinand Runge descobre a cafeína a partir do café.

Depois de avançar pelo Vale do Paraíba, o  café  torna-se uma commodity importante para os brasileiros e chega a Campinas consagrando-a como a capital da cafeicultura paulista.

Brasil torna-se uma grande potência exportadora de café com 26 milhões de pés plantados.

Inaugurada a Estrada de Ferro Santos Jundiaí, que unia o principal porto de exportação à região produtora de  café .

Ludwig Roselius coloca no mercado o primeiro  café  sem cafeína.

Santos Dumont realiza seu primeiro vôo com o 14 Bis e reforça sua imagem de maior cafeicultor do mundo, conhecido como o "rei do café ", divulgando a sua marca "Santos" por toda Europa.

Com a crise de 29, decorrente da quebra na bolsa, há uma desestabilização do mercado. O financiamento junto aos bancos estrangeiros é interrompido, e os preços despencam, levando o setor para uma enorme crise.

Fim do domínio brasileiro no mercado de  café .

Começa nos EUA a popularização do  café expresso,  com a difusão de redes de cafeterias.

As máquinas de  café expresso  automáticas ganham presença no mundo todo.

Consumo mundial supera a barreira dos 100 milhões de sacas.

Brasil atingiu recorde de quase 3 milhões de dólares na exportação de  café , tendo a Alemanha superado os Estados Unidos como maior importador.

Comitê do Conselho da Bolsa de Nova York coloca na pauta o  café  despolpado brasileiro. A quantidade de lojas especiais para café na América do Norte supera a casa das 10 mil.

Fonte: www.abic.com.br

Café

O  café , bebida saborosa e aromática, com propriedades tonificantes, sempre provocou paixões e controvérsias.

O  café  é uma planta nativa da Etiópia, país do leste da África - antiga Absínia. Estima-se que seja conhecido há mil anos no Oriente Médio, especialmente na região de Kafa, daí, certamente, o nome "Café". Contudo, o primeiro registro comprovado que se tem, data do século XV. Por essa época, foi "descoberto" - casualmente, por pastores de cabras, onde perceberam que ao comerem daquela pequena cereja (o fruto do café), os animais tornavam-se mais espertos e resistentes.

É claro que Kaldi, o nome atribuído a um destes pastores, passou a colher as cerejas do café e preparar, para consumo próprio, uma tonificante pasta feita com as cerejas esmagadas e manteiga. Os vizinhos árabes, no Oriente Médio, foram os primeiros a "cultivar" o café (daí Coffea arabica - nome científico de uma das mais importantes espécies de café).

Os árabes foram também os primeiros a beber  café  - em vez de comer ou mascar, como os pioneiros. Chegou à Europa levado por navegantes e aventureiros holandeses, alemães e italianos. No Oriente motivou guerras. No Ocidente, perseguições e censura. Houve época de ser considerada bebida demoníaca e seu consumo proibido pela igreja, mas o Papa Aurélio, apreciador de um bom café, o absolveu de qualquer culpa, liberando o consumo para os fiéis católicos.

A partir do século XVII, o café tornou-se uma das bebidas mais consumidas no velho continente, passando a fazer parte definitiva dos hábitos dos europeus, apreciado por todos e consagrado por gente importante como J. Sebastian Bach, Voltaire, Rousseau, reis e nobres e muitas outras celebridades.

Do velho ao novo foi um pulo. Primeiro os holandeses, depois os franceses o trouxeram para as colônias que possuíam nas Américas, para aproveitar o clima apropriado ao cultivo.

Café
 Café, apreciado por todos e consagrado
por gente importante como 
J. Sebastian Bach
 

O  café  começou, desta maneira, a florescer em nosso continente. Mas, segundo um velho costume, desde a época dos turcos, não se vendia café em grão para que não fosse plantado. Por isso, o café demorou mais um pouco a chegar no Brasil. Entretanto, o governador do Pará, em 1727, incumbiu Francisco Mello Palheta, um oficial aventureiro luso-brasileiro, de, a pretexto de resolver, oficialmente, questões de fronteiras com os franceses da vizinha Guiana, trazer, extra-oficialmente, algumas sementes do precioso arbusto.

Palheta cumpriu a risca sua missão: tornou-se amigo íntimo da esposa do governador da Guiana francesa, Mme. Dorveliers e, com a cumplicidade da primeira dama, contrabandeou nossas primeiras sementes.

Em pouco tempo o  café  tornou-se o mais importante produto brasileiro, vindo a ser cultivado no sudeste e sul do país, estimulado pelo Vice-Rei Marquês do Lavradio que convenceu muitos fazendeiros a investir no produto. Iniciou-se, assim, um dos principais ciclos econômicos da nossa história: o Ciclo do café.

ESPÉCIES DE CAFÉ: Arábica X Robusta

As duas espécies de  café  cultivadas no mundo são a Coffea Arábica ou, simplesmente, café Arábica, e a Coffea Canephora, o café Robusta ou Conillon.

O Arábica produz cafés de melhor qualidade, mais finos e requintados. Possui aroma intenso e os mais variados sabores, com inumeráveis variações de corpo e acidez. Por isso, os cafés de melhor qualidade, como os que são oferecidos nas mais refinadas cafeterias, utilizam somente combinações Coffea arábica.

O Robusta é um café originário da África Central, tem trato mais rude e pode ser cultivado ao nível do mar (altitudes inferiores a 400 metros). Não possui sabores variados nem refinados como o Arábica - diz-se que tem um "sabor típico e único".

Sua acidez é mais baixa e, por ter mais sólidos solúveis, é utilizado intensamente nos  cafés solúveis . Seu teor de cafeína é o dobro do Arábica, por isso possibilita cafés com predominância de mais amargor e maior tintura. As empresas, utilizam da arte de combinar estas duas espécies para definição dos seus produtos.

DICAS PARA O PREPARO DA BEBIDA

O café

Quanto melhor a qualidade da matéria-prima, mais suave, deliciosa e aromática será a bebida.

O sabor do  café  depende da qualidade (blend) da marca adquirida.

Café

O ponto de torra e a moagem são importantes na determinação de um  café  de qualidade.

Café

O prazo de validade ideal para o  café  embalado a alto vácuo tem durabilidade de até um ano.

O  café  moído se deteriora facilmente em função do ar, da umidade, do calor, do tempo e do contato com odores estranhos. Por isso ele deve ficar acondicionado sempre distante desses riscos.

Uma vez aberta a embalagem, o pó de café deve permanecer dentro dela, em recipientes plásticos herméticos, num local fresco ou, preferencialmente, na geladeira.

Hoje, você possui a facilidade de compor seu próprio blend de  café , nas lojas especializadas.

A água

Evite utilizar água de torneira devido ao excesso de cloro. O cloro da água pode alterar o sabor da bebida.

Use preferencialmente água filtrada ou mineral.

Os melhores filtros de água são os de cerâmica, carvão ativado e prata.

As impurezas da água ficam no interior da cafeteira ou na própria bebida, contaminando-a e alterando seu sabor.

O tempo de preparação do café é diretamente influenciado pela moagem. Em uma moagem muito fina a água levará mais tempo para passar pelo pó, resultando numa extração superior. A temperatura final da bebida pode diminuir, tornando-a desagradável. Porém, se for muito grossa, a água passará rapidamente pelo pó, não permitindo que a extração seja ideal. Por isso, a moagem deve ser adequada ao equipamento utilizado.

Cuidados

Quanto melhor o café, maior é a extração e melhor o sabor da bebida.

A preparação da bebida consiste na extração do sabor e aroma do  café  torrado e moído através de água quente.

A água deve estar numa temperatura entre 90C e 100C (não deixe ferver). Prepare somente a quantidade de bebidas que vai ser consumida imediatamente ou, no máximo, durante a hora seguinte.

Utilize 50 a 100g de pó para 1 litro de água (uma colher de sopa cheia equivale, aproximadamente, a 12 gramas).

Se a bebida ficar amarga, áspera ou desagradável, diminua o tempo de contato da água com o  café , diminuindo a quantidade de pó.

Pelo pó de café deve passar somente água quente e jamais o café já preparado. A recirculação torna a bebida muito amarga, áspera e desagradável.

O pó de café usado ( café esgotado, borra ), é o pior inimigo do sabor e aroma, e da sua saúde. Nunca o reutilize, sequer misturando-o ao pó de café fresco. Para garantir a qualidade ideal, o pó de café já usado e a bebida preparada devem ficar sempre separados.

Nunca prepare a bebida em recipientes sujos ou sobre bebida velha.

Deguste com prazer um  café  preparado na hora, ou o mais recente possível. A característica da bebida é a de ir deteriorando-se lentamente e, por isso, um café preparado a mais tempo não tem o mesmo sabor agradável de um café fresco.

Nunca deixe a bebida ferver. Não a submeta a mudanças bruscas de temperatura. Não deixe armazenada por longo período de tempo, mesmo que em garrafas térmicas. O ideal é mantê-lo à temperatura constante entre 75ºC e 85ºC, no máximo por uma hora.

Se a cafeteira possuir partes de alumínio ou cobre em contato com a bebida, passe-a para um recipiente de material inerte, como, por exemplo, de vidro ou esmaltado.

Nunca prepare ou armazene a bebida já adoçada, porque se formará uma crosta de caramelo nas paredes do recipiente que causará um mau sabor no  café .

Habitue-se a tomar a bebida sem adoçá-la ou, pelo menos, a prová-la pura algumas vezes, para certificar-se de suas qualidades.

Dentro do conceito de cafeicultura racional o controle às pragas do  cafeeiro  ocupa lugar de destaque.

O  cafeeiro  é atacado por muitas pragas, que, se não combatidas devidamente, ocasionam grandes prejuízos e em muitos casos limitando a produção.

O grau da importância das pragas apresentadas nesta página varia com as diferentes regiões cafeeiras do país sendo que o Bicho Mineiro, a Broca e Cochonilhas são problemas destacados, praticamente em todas as regiões onde se cultiva o  café ; os Nematóides, principalmente o M. incógnita, são problemas seríssimos no Paraná e São Paulo; o M. exigua ocorre em São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Bahia e Ceará; ataques de ácaro vermelho e bicho mineiro tem se intensificado com a utilização de fungicidas cúpricos, para o controle da ferrugem do  cafeeiro .

Tem se notado o aparecimento de outras pragas atacando o café, como diversas espécies de lagartas, provavelmente devido ao desequilíbrio biológico, causado pela grande utilização de produtos químicos. Sabe-se das muitas possibilidades e vantagens do controle biológico, mas ainda não se dispõe de informações suficientes para sua aplicação prática. São dotados, entretanto, nas recomendações de controle químico, cuidados para a preservação ao máximo dos inimigos naturais.

Deste modo, o controle às pragas deve ser feito quando o seu nível populacional vai atingir o nível de dano econômico, encaixando-se dentro do sistema de "Manejo de Pragas".

Sistemas de manejo de pragas visam desenvolvimento de uma estratégia global de ação, que lança mão de um elenco de táticas de controle, tais como vários métodos : químicos, biológicos, culturais, uso de variedades resistentes ou de metas de interferências nos processos fisiológicos e ecológicos dos insetos. Estas táticas são selecionadas e integradas em programas harmônicos que tiram a máxima vantagem das características das plantas e dos fatores naturais de mortalidade.

BICHO MINEIRO ( Perileucoptera coffeella )

Praga de origem africana, constatada no Brasil a partir de 1851, quando aqui entrou, provavelmente através de mudas de  café , provenientes as Antilhas e da ilha de Bourbon. Atualmente encontra-se disseminada por todas as regiões cafeeiras do país. É encontrada também em muitos outros paises das Américas e da África, sendo talvez a praga cafeeira de maior disseminação no globo. É uma praga monófaga, atacando somente o  cafeeiro .

O Bicho Mineiro na fase adulta é uma mariposa de cerca de 6,5 mm de envergadura e 2,2 mm de comprimento, de coloração geral branco-prateado. As extremidades das asas anteriores apresentam faixas amarelas orladas de preto e uma mancha ocelar também preta.

Durante o dia as mariposas escondem-se na folhagem, instalando-se na página inferior das folhas do  cafeeiro , ou de outros vegetais. A tarde ou ao anoitecer deixam o abrigo e iniciam a postura, na página superior das folhas do cafeeiro.

A lagarta ao nascer passa diretamente do ovo para o interior da folha, alimentando-se então do tecido existente entre as duas epidermes e deixando um vazio na área em que se nutriu.

As regiões destruídas vão secando e a área atacada vai aumentando com o próprio desenvolvimento da lagarta. Esta lesão é caracteristicamente denominada "mina", e pode ser reconhecida pela facilidade em levantar-se sua película superior, observando-se desta forma as lagartas e o espaço vazio deixado por elas.

É normal encontrar-se várias lagartas numa mesma mina devido a coalescência de lesões.

A lagarta desenvolvida mede 4 a 5 mm de comprimento e 0,75 mm de maior largura. Possui corpo achatado, levemente amarelado e transparente; sai para o exterior por uma fenda em forma de semi-circulo, que a lagarta faz na epiderme superior,e, em seguida, se encrisalida na parte inferior desta mesma folha ou em outras mais próximas do solo, e, neste caso, a elas chegam pendurando-se por um fio de seda produzidos por ela.

Esta fase de desenvolvimento do inseto (pupa ou crisálida) pode ocorrer também em folhas de outros vegetais, no solo, em detritos ou folhas secas. É facilmente reconhecida pela presença de um casulo em forma de X, feito pela lagarta, com fios de seda brancos, para proteção da pupa.

Os adultos surgem após o período pupal e tem longevidade média de 15 dias embora possam viver mais de um mês. O ciclo evolutivo varia, de acordo com a temperatura, de 19 a 87 dias.

O período de eclosão vai de 5 a 21 dias. Cada mariposa põe em média 36 ovos, no máximo 90 e no mínimo 3, podendo o período de ovoposição chegar até 25 dias. A postura média por noite é de 7 ovos, colocados isoladamente um do outro. O período larval varia de 9 a 40 dias e o período pupal de 5 a 26 dias. No campo, quando as condições são favoráveis, chega a ocorrer 7 ou mais gerações por ano.

Os danos causados ao  cafeeiro  verificam-se pela diminuição da área foliar fotossintética (ativa), e principalmente pela queda de folha. O reflexo na produção é patente e normalmente se caracteriza na próxima safra.

Dados sobre experiências realizadas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, revelaram uma redução de 37%, 53% e até 80% de capacidade produtiva do  cafeeiro , respectivamente.

Os prejuízos causados pelo Bicho Mineiro variam principalmente pela intensidade, duração do ataque e época de ocorrência

BROCA ( Hypothenemus hampei )

Originária da África, onde foi referida como praga em 1901 no Congo, a broca do  café  atingiu o estado de São Paulo, por volta de 1913, em sementes importadas da África e de Java. Somente a partir de 1924 foram sentidos os prejuízos causados pela praga, constando-se então a sua gravidade. De São Paulo, a broca do café espalhou-se por todas as regiões cafeeiras do pais.

O inseto, na sua forma adulta, é um pequeno besouro de coloração escura e brilhante, tendo o corpo cilíndrico, robusto, recurvado para a região posterior, com o primeiro seguimento do tórax bem desenvolvido e recobrindo a cabeça.

O corpo é revestido de escamas e cerdas e com os élitros sulcados longitudinalmente. A fêmea possui aproximadamente 1,65 mm de comprimento por 0,73 mm de largura. O macho é um pouco menor, tem as asas rudimentares, não voando, vivendo no fruto onde se origina.

Cada macho copula com 10 fêmeas ou mais, dentro do fruto. A razão sexual é de 1 macho para 9,75 fêmeas.

A fêmea fecundada perfura o fruto na região da cicatriz floral ou coroa, fazendo uma galeria através da polpa, ganhando o interior de uma das sementes. A larga, então, a galeria, transformando-a em uma pequena câmara onde realiza a postura. A fecundidade média das fêmeas é de 74 ovos (31 a 119 ovos) e a longevidade média, de 156 dias (81 a 282 dias).

A fêmea coloca 2 ovos por dia e o numero de ovos por câmara dificilmente ultrapassa a 20.

O período médio de incubação dos ovos é de 7,6 dias (4 a 16 dias).

O período larval é de 13,8 dias em média (9 a 20 dias) e o período pupal de 6,3 dias em média (4 a 10 dias). O número de gerações, em nossas condições, pode chegar até a 7 por ano, sendo que 4 a 5 evoluem no período de novembro-dezembro a julho-agosto.

O ciclo evolutivo médio da praga é de 27,7 dias (17 a 46 dias).

A broca ataca o  café  nos vários estágios de desenvolvimento : frutos verdes, maduros e secos. Frutos chumbinhos não são os preferidos, mas também são atacados. Neste estágio a praga faz uma galeria rasa, ficando com a parte posterior do corpo para fora.

Ocorre quedas de frutos, mas via de regra não ovopositam por estarem nos frutos muito aquosos. O ataque se acentua na fase de granação e maturação.

Após a fêmea penetrar no fruto e fazer galerias com a respectiva câmara de postura, surgem as larvas que vão destruir total ou parcialmente a semente. Altas infestações diminuem a porcentagem de grãos perfeitos e aumentam a de grãos perfurados, de escolha e de grãos quebrados, determinando, em conseqüência, uma sensível perda de peso além do mal aspecto e sabor. Normalmente um lote de  café  coco com 85% de infestação de broca, apresenta uma perda de peso, após o beneficiamento, de aproximadamente 20%. Evidentemente infestações menores acarretam proporcionalmente menores redução de peso.

Outro prejuízo atribuído a broca é aquele referente a queda de frutos. Durante o desenvolvimento dos frutos observou-se que a broca foi responsável pela queda de 46% dos frutos em um  cafezal  com 61% de infestação no final da safra, e a proporção da queda entre frutos broqueados e frutos sadios foi de 4,6 : 1 para aquela infestação, verificando-se uma proporção de 3 por 1 entre frutos broqueados que caíram e frutos broqueados que permaneceram.

A inferiorização do tipo é também um dos prejuízo, pois a cada 5 (cinco) grãos perfurados atribui-se um defeito. Um lote de  café  pode passar do tipo 2 ou 3 para o tipo 7 ou 8, devido exclusivamente ao ataque da praga. Observa-se, portanto, que além de se ter menor quantidade de café devida a redução do peso e à queda de frutos, consegue-se menor preço pelo produto devido à perda da qualidade.

COCHONILHAS

 Cochonilha Verde (Coccus viridis) 

A cochonilha verde é um inseto oval, achatado, tendo 2 a 3 mm de comprimento. É encontrada normalmente em ramos e folhas novas, ao longo da nervura principal. Após sua fixação, o inseto perfura as folhas com seu aparelho bucal e inicia a sucção da seiva. O seu período de postura é de 50 dias e cada fêmea é capaz de colocar 150 ovos, neste período. Reprodução sexuada ou partenogênica.

 Cochonilha Branca ( Planococcus citri ) 

A cochonilha branca possui de 3 a 5 mm de comprimento. Caracteriza-se por apresentar, lateralmente, 17 apêndices de cada lado, de coloração branca pulverulenta e outros dois apêndices terminais maiores que os laterais.

Localizam-se nos ramos mais novos, folhas, botões florais e preferencialmente frutos, desde os estágios chumbinho à maduro, instalando-se na base dos mesmos e nos pedúnculos. O ataque na lavoura é facilmente reconhecido face secreção de uma substância lanuginosa, de cor branca, que serve para proteger os ovos junto ao corpo do inseto. As formas jovens possuem coloração rosada e as adultas castanha amarelada.

Sua capacidade de ovoposição é cerca de 400 ovos e seu ciclo evolutivo completo é de 25 dias em média. Reprodução sexuada.

 Cochonilha da raiz ( Dysmicoccus cryptos ) 

Muito semelhante à cochonilha branca, a cochonilha da raiz do  cafeeiro  na fase adulta mede de 2,5 a 3 mm de comprimento por 1,5 a 2 mm de largura . Sob a cerosidade branca que a envolve, apresenta uma coloração rosada ou ainda cinza esverdeada.

Esta espécie excreta um líquido açucarado, que condiciona o desenvolvimento de um fungo do gênero Bornetina, formando assim uma cripta sobre a colônia. A sucessão de criptas, também chamadas pipocas, se apresenta com aspecto de nodosidade das raízes, e servem para alojar o inseto.

Segundo os dados de Nakano (1972), o inseto pode dar até 5 gerações anuais. Em um período de 52 dias cada indivíduo pode dar origem a outros 253. Reprodução partenogenética.

 Cochonilha de placa ( Orthezia praelonga ) 

A cochonilha de placa foi encontrada atacando  cafeeiro s arábica no norte do Paraná (1979/80) e cafeeiros robusta no Espírito Santo (1983).

Esta é conhecida por apresentar placas ou lâminas cérias, simetricamente disposta sobre o corpo, constituindo, na parte posterior um saco cério calcáreo, semelhante a uma cauda, com o nome de ovissaco (4,5 mm).

Corpo com 2 mm de comprimento e largura máxima de 2 mm. Ataca ramos, folhas e até frutos. Até o momento, apresenta importância reduzida em  café , devido a baixa freqüência de ocorrência; entretanto é uma das pragas mais sérias de citrus.

Os danos causados por estes insetos manifestam diretamente pela sucção contínua da seiva, contribuindo para o depauperamento da planta, chegando até ao seu extermínio, conforme a gravidade do ataque.

O definhamento da planta, manifesta-se através do amarelecimento, queda de folhas, de frutos, chochamento de frutos e seca de ponteiros. Naturalmente que estes sintomas vão aparecer com maior ou menor intensidade, dependendo da capacidade de resistência de sugar a seiva e da intensidade do ataque. Estes insetos segregam um líquido açucarado, que cai sobre as folhas e serve como meio de cultura ao fundo chamado fumagina, que reveste a folhagem de uma camada preta prejudicando a fotossíntese e a respiração da planta.

As picadas sucessivas nas plantas podem favorecer também a penetração de microorganismos, causadores de doenças. A presença de formigas é uma constante nas áreas atacadas.

A cochonilha verde ocorre com maior freqüência no período chuvoso, nos meses de novembro a janeiro. Quanto a cochonilha branca, a época de maior incidência tem sido a partir de março, com as primeiras estiagens : o ataque muitas vezes prolonga-se até o início da estação chuvosa.

No caso da cochonilha de raiz os sintomas de ataques são mais evidentes no inverno, quando ha problemas de falta d'água e de menor circulação da seiva.

NEMATÓIDES

Os nematóides assumem importância destacada na cafeicultura nacional. Normalmente o ataque ocorre em reboleiras, sendo a sintomatologia da parte aérea mais evidente no período seco, devido à menor circulação de seiva e menor quantidade de água disponível no solo.

Esses nematóides apresentam ataque mais severo em regiões de solo arenoso, bem como em solos já degradados, com nível baixo de matéria orgânica. Essas degradações provocam mudanças na biologia do solo, que podem favorecer o aumento das populações destas espécies.

A espécie de maior importância é Meloidogyne incognita que, pela agressividade dos ataques, ocasionam redução na produção e muitas vezes a morte das plantas.

Seguem-se, em importância, as espécies M. exigua e M. coffeicola, que também reduzem a produção.

M. exigua : ocorre em todas as regiões cafeeiras do Brasil principalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia.

Admite-se a existência de duas ou três raças fisiológicas desta espécie, afetando variedades de Coffea arábica, bem como outras culturas : chá, pimentão, melancia, cebola e outras culturas e importância econômica.

Produz pequenas galhas nas raízes dos  cafeeiros , facilmente visíveis, que entretanto podem passar despercebidas quando as raízes sofrem dissecamento. As plantas infestadas apresentam o sistema radicular reduzido e às vezes fendilhadas. A parte aérea pode apresentar-se decadente com folhas cloróticas e queda de folhas, principalmente em períodos de seca e frio.

M. incognita : constatada atacando  cafeeiros  arábica nos Estados do Paraná, São Paulo e Minas Gerais, além de numerosas progênies de outras espécies de gênero Coffea.

No Espírito Santo aparece atacando  cafeeiros robusta  e não os arábicas. Existem constatadas 4 - 5 raças deste nematóide. As galhas produzidas por esta espécie são menores que as do M. exigua. As raízes se apresentam engrossadas, com rachaduras e com o aspecto de cortiça. Esse sintoma aparece ao longo das raízes, intercalado com partes sadias. Clorose e depauperamento geral da planta são observados.

O M. incognita esta sendo considerado como nematóide que causa maiores prejuízos cafeicultura; além disso foi também constatado que este nematóide é problema em inúmeras outras culturas como : abóbora, algodão, feijão, trigo, etc.

Já foi constatado até o presente o seu ataque nas seguintes ervas daninhas na região do Paraná, tais como : capim pé de galinha, maria pretinha, fedegoso, marmelada de cavalo, mentrasto. É provável que futuramente esta lista seja ampliada. Como podemos notar não é fácil fazer rotação de culturas com  café  infestado de M. incognita

 A disseminação dos nematóides do gênero Meloidogyne através da própria locomoção ( na fase de larvas ) é lenta, sendo que os processos normais de cultivo das lavouras podem contribuir para acelerar a disseminação através de : 

a) Mudas infestadas

Muito perigosas devido a distância que podem ser transportadas pelos cafeicultores.

b) Água da chuva

As enxurradas provenientes de estradas ou formadas na própria lavoura podem arrastar junto com as partículas do solo as larvas e os ovos, que em condições propícias contaminam os  cafeeiros  sadios.

c) Os implementos agrícolas e seus operadores

Em suas movimentações, de lavouras infestadas para a sadia, podem acelerar a disseminação do solo contaminado.

d) O plantio de mudas de Kiri ou de outras essências

Que estejam contaminadas com nematóides nocivos ao  cafeeiro , para quebra ventos ou em beira de carreadores, pode contaminar as lavouras de  café , principalmente o kiri, pois resta essência é multiplicada vegetativamente ( seções de raízes ) e já se constatou nela ataque de M. incognita e M. arenaria.

Fonte: www.agrobyte.com.br

Café

Originário da Abissínia, onde aparece como planta selvagem, o  café  tem sua história envolta em mistérios e lendas. Uma delas conta que a bebida foi criada pelo arcanjo Gabriel, a fim de restaurar as forças de Maomé, que após ingeri-la tornou-se capaz de derrubar quarenta cavaleiros e conquistar igual número de damas.

As qualidades desse fruto, como fonte de vigor e ânimo, foram descobertas pelo pastor etíope Caldi. Ao perceber estarem suas cabras particularmente agitadas, notou que comiam folhas e grãos de um arbusto até então ignorados por todos : eram pés de  café .

Monges que viviam na região prepararam uma infusão com o fruto, passando a tomá-la assiduamente, pois esta os mantinha despertos para melhor enfrentar as longas noites de vigília e oração. A planta, descendo das montanhas da Etiópia, aclimatou-se muito bem no Iêmen, surgindo nessa região uma produção em larga escala.

Devido à proibição de bebidas alcoólicas pela religião maometana, o  café  tomou conta do mundo árabe, passando a ser consumido por todos: nos lares ao amanhecer, nas mesquitas durante os cultos religiosos, nas estações para reconfortar os viajantes ou nas casas de café instaladas nas grandes cidades. Conhecida como Vinho do Islã, a bebida sofreu no início do século XVI sua primeira perseguição, chegando a ser proibida durante algum tempo pelos maometanos.

De Meca, o  café  espalhou-se, durante o século XVI, pelo mundo oriental, atingindo Damasco, Alepo, Istambul e a cidade do Cairo, que se tornou o grande mercado distribuidor do produto. Para manter o monopólio da rubiácea, os árabes somente permitiam que saíssem do país grãos previamente fervidos, que não germinariam em outras terras. Esta medida, porém, não impediu que os holandeses levassem a planta para Java, Sumatra e Ceilão e, posteriormente, para as Antilhas Holandesas, atingindo as colônias uma produção de cerca de 500 toneladas anuais.

Inicialmente o  café  foi conhecido na Europa por suas propriedades medicinais, de grande e variado poder curativo, que alçaram-no à categoria de verdadeira panacéia, atingindo preço elevadíssimo.

A partir do século XVII, porém, o mundo europeu passara a adotar o  café  como bebida. Sua introdução na Europa, em moldes comerciais, deve-se aos holandeses, responsáveis também pela divulgação do  cafeeiro  pelo mundo. De um arbusto, trazido de Java para o Jardim Botânico de Amsterdã, foram tiradas mudas posteriormente ofertadas aos principais jardins botânicos europeus. Na Itália, onde entrou em 1615 através do porto de Veneza, o produto teve que vencer forte resistência da Igreja. Cristãos fanáticos incitaram o Papa Clemente VIII a condenar o consumo da bebida, tida como invenção de Satanás.

Ao provar o  café , porém, o papa declarou: "Esta bebida é tão deliciosa que seria um pecado deixá-la somente para os infiéis. Vençamos Satanás, dando-lhe nossa bênção e tornando-a verdadeiramente cristã".

Em decorrência dessa bênção papal os  cafés  proliferaram em Veneza e Gênova e, no fim do século XVII, eram encontrados em todo o país. Em 1650, em Oxford, um judeu libanês chamado Jacobs instalou o primeiro estabelecimento de venda do produto na Europa.

 Dois anos depois, o grego Pasquá Rosée abre em Londres o primeiro café europeu e manda publicar, no The Publish Adviser, o mais antigo anúncio de café de que temos notícia: 

"Na Travessa Bartolomeu, por detrás da Bolsa Velha, pode-se tomar a bebida chamada  café , muito saudável e portadora de excelentes virtudes: fecha o diafragma, aumenta o calor interno, ajuda a digestão, aguça o espírito, dá leveza ao coração, é boa para dor d'olhos, tosse, gripe, resfriados, tuberculose, dor de cabeça, hidropisia, gota, escorbuto, escrofulose e muitas outras moléstias. É vendida tanto de manhã como às três horas da tarde."

O hábito de tomar café agradava ao espírito pragmático dos ingleses, pois, como observavam, era uma bebida inocente, que, ao contrário do álcool, não perturbava as atividades vespertinas daqueles que a ingeriam durante o almoço. Paralelamente ao sucesso obtido pela bebida, surgem movimentos de contestação, como aquele promovido pelas mulheres inglesas, que, talvez insufladas pelos cervejeiros, insurgiram-se contra o seu uso.

Segundo elas, o  café  "gasta a força viril dos homens e torna-os áridos como as areias da Arábia, de onde veio esse grão maldito".

Em Paris, um levantino instalou, no Petit Chatelet, uma boutique para venda de  café em grão  ou como  infusão , contribuindo muito para a divulgação do produto, que em breve passou a ser grandemente apreciado pelos reis e pela nobreza francesa, a ponto de o Cardeal Mazzarino mandar vir da Itália um especialista no preparo da bebida. Durante o reinado Luiz XIV, Paris inteira comentava os jantares oferecidos à corte pelo embaixador de Maomé IV, Solimão Agá Mustafá, nos quais o ponto alto era a cerimônia de preparação do café , servido por belos escravos, vestidos moda turca.

O  café  arraigou-se nos hábitos do povo alemão, que preferia a bebida misturada com leite.

Em 1680, instalou-se em Hamburgo o primeiro  café  para venda ao público. Nas Kaffehaus, pequenas orquestras começam a se apresentar, unindo a bebida a outra paixão dos alemães: a música.

Entre esses grupos podemos destacar o Collegium, de Leipzig, cujo diretor, Johann Sebastian Bach, compôs, em 1732, sua célebre Cantata ao  Café , para ser tocada nessas ocasiões. Frederico, o Grande, da Prússia, preocupado com a evasão de divisas decorrentes da importação de café, promulgou um decreto, em 1781, proibindo o uso de café que não fosse torrado em estabelecimentos oficiais. Como estes cobravam um preço exorbitante, o produto passou a ser inacessível ao bolso das classes populares, diminuindo, assim, o consumo da bebida no país.

O uso do  café  em Viena teve origem quando, após o cerco de 1683, os turcos abandonaram a cidade deixando entre despojos algumas sacas de um produto desconhecido, inicialmente confundido com forragem para animais. Frans George Kolschitzky, que tendo vivido no Oriente conhecia os grãos, apoderou-se das sacas e procedeu à elaboração e venda do produto, ao qual juntou açúcar e creme chantilly, assim nascendo o tão apreciado  café  vienense.

Nos Estados Unidos, o café passou a ser conhecido em meados do século XVII, trazido pelos holandeses, que ocupavam Manhattan, então chamada New Amsterdan. Nova Iorque tornou-se um grande mercado da rubiácea e, já em 1732, funcionava em Wall Street a Exchange Coffee House of New York, depois substituída pela Merchant's Coffee.

O  café  só chegou ao Brasil em 1727, trazido da Guiana Francesa pelo sargento-mór Francisco de Melo Palheta, especialmente enviado, pelo governo, ao país vizinho para conseguir mudas do produto.

A obtenção das sementes, que eram proibidas aos portugueses, está envolta em uma aura de romantismo: a esposa do governador da Guiana, tendo-se apaixonado por Palheta, o teria presenteado, na despedida, com um punhado de sementes de  café .

Nos primeiros tempos o  cafeeiro  se desenvolvera apenas nas províncias do norte do país, em plantações de reduzida importância.

O  café  chegou ao Rio de Janeiro no início do século XIX, e foi plantado em chácaras na Tijuca, Gávea, Andaraí e Jacarepaguá. Devemos destacar as plantações do francês Louis François Leceane, antigo fazendeiro em São Domingos e Cuba, que introduziu modernas técnicas agrícolas em suas terras na Gávea Pequena, ao mesmo tempo em que se prontificava a orientar os que quisessem aprimorar seus cafezais. A chegada de D. João VI provocou um grande êxodo da população carioca, obrigada pela inexorável ordem PR (Príncipe Regente), colocada nas fachadas, a desocupar casas, em favor dos recém-chegados.

Muitos desses moradores partiram para suas propriedades rurais, onde se dedicaram cafeicultura, dando início à marcha vitoriosa do café  pela terras fluminenses e paulistas do Vale do Paraíba.

Em 1850, o Brasil já era o maior produtor mundial da rubiácea, participando com 40% da produção total, percentagem que atingirá 81% no início do século XX. Baseando-se na mão-de-obra servil, o  café  será o sustentáculo de uma aristocracia rural tão opulenta quanto a dos senhores de engenho, composta de ricos fazendeiros do Vale do Paraíba e da região de Campinas, muitos dos quais se tornaram titulares do Império - os chamados barões do café.

Nestas propriedades, verdadeiros feudos, desenrolava-se uma vida de luxo e riqueza comparável à da corte, propiciada pelos imensos cafezais, alguns com mais de mil pés, que se estendiam a perder de vista. Nas últimas décadas do século XIX, vários fatores como o esgotamento das terras, a dificuldade em obtenção de mão-de-obra escrava, a Abolição e a República provocaram a decadência e abandono dessa região.

O  café , porém, continuou sua marcha em direção ao oeste paulista, onde as manchas de terra roxa propiciavam uma produtividade excepcional. As dificuldades com o transporte do café, em carros de boi e lombo de muares, provocaram o interesse dos fazendeiros paulistas na construção de estradas de ferro.

Em 1867, inaugurou-se a Santos - Jundiaí, que unia Santos, principal porto de exportação de  café , às zonas de produção. Outras ferrovias surgiram como a Paulista, a Mogiana, a Sorocabana e a Noroeste, cujos traçados orientaram a direção de novas lavouras; mais tarde os cafezais atingiram também o norte do Paraná. São Paulo tornou-se a Metrópole do café. O progresso atingiu também as cidades do interior, onde surgiram bancos e casas bancárias para atender à estrutura financeira que a produção exigia.

A riqueza cafeeira atraiu grande número de imigrantes, sobretudo italianos, que para aqui vieram nos fins do século passando em busca de novas perspectivas, contribuindo com seu trabalho e alegria para dar novo colorido à vida de nossas fazendas. Em 1908, chegaram os primeiros imigrantes japoneses para trabalhar nas plantações do interior paulista.

A apanhadora de  café , de saia rodada e chapelão de palha, tornou-se o símbolo da riqueza paulista, enquanto as crianças eram embaladas pela canção: Dorme nenê, que a cuca vai pegar, papai foi na roça, mamãe no cafezá. Com o advento da República, os coronéis do café, através da chamada política do café-com-leite, passaram a dividir e alternar-se com os mineiros na condução dos destinos do país.

A crise de 29, porém, veio a afetar profundamente a cafeicultura. Levando muitos fazendeiros à miséria e ao desespero, contribuiu para a eclosão da revolução de 30, que trouxe uma nova ordem de idéias, da qual a oligarquia cafeeira não irá participar. Em sua trajetória pelo mundo, o  café  constituiu fonte de inspiração para artistas e literatos.

No Brasil, esteve sempre presente, seja em nossas moedas e brasões, seja como tema para escritores e pintores melhor registrarem os aspectos mais característicos da vida brasileira.

Os cafés, ponto de encontro

O  café , por sua capacidade de estimular o cérebro e alegrar o espírito, é, sem dúvida, uma bebida essencialmente agregativa, incentivadora da sociabilidade e de uma boa conversa. É natural, portanto, que os locais de consumo dessa bebida se tornassem pontos de encontro e centros da vida política, literária e artística, onde predominava um ambiente de descontração e alegria. Os pioneiros do gênero foram, sem dúvida, as escolas de sábios, onde sorvendo lentamente a bebida, à qual costumava-se adicionar essências como cravo, canela, anis, ou cardamono, os levantinos discorriam sobre os últimos poemas ou relembravam fábulas e lendas.

Observando a atmosfera dos  cafés  nos diferentes países, podemos concluir que eles refletem a mentalidade e o espírito de cada povo. Thomas Macaulay, ao discorrer sobre os cafés ingleses, notava : "Naquele tempo, o café londrino bem podia ser considerado uma instituição política", e continua: "Cada coffee house tinha um ou mais oradores, cujos discursos eram ouvidos com admiração e elas logo se transformavam naquilo que os jornalistas de nosso tempo chamam de o quarto Estado ."

Havia na Inglaterra  cafés  para todos os gostos e profissões. Em alguns , médicos famosos atendiam seus clientes, em outros, judeus vindos de Amsterdã entabulavam negócios. Naqueles freqüentados por puritanos, onde era proibido praguejar, discutiam-se as condenações eternas, enquanto conjuras eram tramadas nos freqüentados pelos papistas.

Em Viena, os  cafés  constituem ainda hoje um dos pontos de atração da cidade, destacando-se pelo bom gosto e requinte das instalações. Todo vienense tem seu café predileto, onde pode ao mesmo tempo sentir-se no aconchego do lar e participar da vida das ruas, sendo por isso o local preferido pelos idosos, tão numerosos nessa cidade.

Uma característica típica dos  cafés vienenses  é a leitura dos jornais. Este costume foi instituído por Cramer, que punha à disposição de seus fregueses não apenas jornais austríacos, mas de todas as capitais da Europa, propiciando aos clientes tomar conhecimentos e discutir os principais acontecimentos mundiais.

Entre os  cafés vienenses  destacam-se o Imperial, preferido por Brahms, e o Café D'Argent, onde , desde as panelas até os cabides, tudo era de prata. Será em Paris que os cafés irão respirar mais espiritualidade, mais arte, mais literatura.

Ao  café  ia-se para beber, mas sobretudo para conservar, trocar idéias e participar da aura criadora que envolvia esses ambientes.

Um marco na vida dos  cafés parisienses  foi a inauguração, em 1675, do Procope, de propriedade do siciliano Francesco Procopio Dei Coltelli. O luxuoso estabelecimento era ornamentado com enormes espelhos, ricas tapeçarias e belos lustres de cristal; e a proximidade da Comédie Française propiciava a freqüência de atores comediantes e espectadores.

Também eram assíduos comensais de suas mesas de mármores escritores famosos, como La Fontaine, Diderot, D'Alembert e Voltaire, que tinha no  café  a sua bebida favorita. Freqüentados, nos tempos revolucioná- rios, por Danton, Marat e Robespierre, de suas salas partiu a ordem para o ataque à Tulherias.

E, quando a calma retornou à cidade, o Procope voltou a ser ponto de encontro de escritores como George Sand, Musset, Verlaine e Anatole France.

Os  cafés  proliferaram em Paris.

Entre os mais famosos estavam o Café Laurent, ponto de encontro de literatos, o  Café  de la Regence, conhecido pelas partidas de dados e jogos de dama, e o Café de Foy, preferido por oficiais e homens de negócios.

Outros estabelecimentos devem ser lembrados, como o  Café Della Rotonde e o Divan , este o preferido de Balzac, e já no nosso século XX o Deux Magots e o Flore, epicentros do existencialismo, enquanto o La Cupole era o ponto de reunião dos pintores cubistas.

O primeiro  café italiano  foi o Veneza Triunfante, fundado em 1720 por Floriano Francesconi.

Deu origem ainda hoje famoso  Café Florian , palco dos grandes momentos da vida italiana, que dividiu com o  Café Quadri  a preferência de artistas e literatos.

O mais famoso e antigo  café romano  é o  Greco , em cuja saleta, denominada o sacrário del Greco, brilharam uma plêiade de celebridades como Goethe, Stendal, Goldoni, Mark Twain, enfim, o que havia de mais importante na música e literatura mundiais.

Em Padova, encontramos o  Café Pedrocchi , conhecido como a mais linda casa de café do mundo.

Verdadeiro monumento arquitetônico tem, inclusive, uma sala de concertos e mantinha no século passado um jornal, II Caffé Pedrocchi, dedicado à arte e literatura.

Em Turim, os  cafés  tiveram importante papel na história do Rissorgimento Italiano, destacando-se o Café Flório, quartel-general de Cavour e seus companheiros, enquanto que em Florença, terra das artes, o Café Michelangelo reunia um grande círculo de artistas.

O primeiro  café norte-americano  foi o London Coffee House, de Boston, logo seguido pelo King's Arms, instalado em 1696 na Broadway.

Interessante destacar que os  cafés americanos  funcionavam como locais para o julgamento das questões judiciais e assembléias populares.

A história política e social de Portugal fez-se à volta das mesas dos  cafés , onde nasceram os movimentos que agitaram o país no século XIX. Havia o Nicola, preferido por Bocage, e Martinho, ponto de encontro de Eça de Queiroz, Fialho de Almeida e João de Deus, onde mais tarde também se reuniram os participantes do movimento Modernista, tendo à frente Fernando Pessoa.

No Brasil, a cidade em que os  cafés  tiveram maior importância como centro de atividades literárias e políticas foi o Rio de Janeiro. Segundo Luiz Edmundo, no seu Rio de Janeiro do meu Tempo, "o café, no começo do século, era meio casa de família, meio grêmio, meio escritório, sempre cheio, ponto agradável de reunião e de palestra, onde se recebiam recados, cartas, amigos, conhecidos e até credores. Daí a intimidade verdadeiramente doméstica que se estabelecia entre freqüentadores e empregados, que acabavam sabendo da vida de todos".

O coração da cidade era esquina das ruas Ouvidor e Gonçalves Dias, e nesse ponto é que se instalou o famoso Café do Rio. Em estilo art noveau, ornamentado com os infalíveis espelhos, em suas mesas de mármore, com cadeiras Thonet, reuniam-se todas as tardes o que a cidade tinha de mais representativo, no meio de um barulho e confusão gerais, tão a gosto dos cariocas. A freqüência das três às seis da tarde era composta de estudantes da Escola Militar e da Politécnica; mais tarde surgiram os políticos como Pinheiro Machado, Flores da Cunha, Francisco Glicério, Barbosa Lima e Lauro Müller; músicos como Júlio Reis; pintores como Antônio Parreiras e Bernardelli, e tantos outros.

Também famoso era o  Café de Paris , no Largo da Carioca, ponto de reunião da boêmia da época, freguesia composta de artistas, pintores e jornalistas que, segundo Luis Edmundo, "devido às suas parcas posses era consumidora de poucas xícaras de café e muitos copos d'água". Outros cafés célebres teve a cidade.

No beco das Cancelas, o  Café das Cascatas  apresentava uma harpista que executava músicas eruditas. Na rua 1º de março ficavam o Globo, com suas animadoras tertúlias, e o Carceler, pioneiro em adotar a moda das mesas na calçada.

Na Rua do Rosário, o  Café do Amorim , onde se bebia o melhor cafezinho da cidade, freqüentado por tabeliães, funcionários e negociantes portugueses.

O  Café Papagaio , na Rua Gonçalves Dias, foi sem dúvida o mais típico dos cafés brasileiros, onde os freqüentadores eram saudados pelo irreverente Bocage, ave que deu nome ao estabelecimento. Um conjunto composto de harpa, flauta e dois violinos executava músicas de Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga, animando um ambiente descontraído, do qual participavam Paula Nei, Bastos Tigre, Raul Pederneiras, Olegário Mariano e outras personalidades de destaque da Capital da República.

Na década de vinte, a vida do Rio de Janeiro passou por modificações que provocaram o desaparecimento do espírito dos  cafés  e o fechamento dos estabeleci- mentos mais tradicionais. Outros surgiram, porém, como o Lamas, o Amarelinho e o Nice, que serão os últimos cafés da cidade.

Enquanto o Lamas, situado no Largo do Machado, era reduto de estudantes, o  Café Nice , na Avenida Rio Branco, era o ponto de reunião dos artistas da música popular, no tempo áureo do rádio brasileiro.

Em São Paulo, por volta de 1850, apareceu o primeiro local de venda da bebida na cidade: a casa de Maria Punga, situada na Rua da Imperatriz, hoje 15 de Novembro, onde o  café  era servido na varanda, a 40 réis a xícara, para uma freguesia composta de acadêmicos de Direito, empregados do comércio e negociantes.

Em 1876 foi inaugurado o  Café Europeu , o primeiro café da cidade, instalado num ambiente de muito luxo e requinte, na esquina do Beco do Inferno com a Rua da Imperatriz, em pleno coração de São Paulo. O Acadêmico, na Rua de São Bento, e o Girondino, no Largo da Sé, eram os preferidos pela mocidade sonhadora e ruidosa da academia de Direito, que ao lado de pintores, músicos e intelectuais que formavam a boêmia da época, varavam a noite em animadas tertúlias, quebrando a monotonia da provinciana paulicéia.

Na Ladeira de São João ficava o  Café Brandão , ponto de reunião de homens de negócios, figurões da política e fazendeiros endinheirados. Outros estabelecimentos surgiram, como o  Café Guarani , o  Java , o  América  e, mais tarde, o  Café Viaduto , na Rua Direita, lugares agradáveis onde os paulistanos reuniam-se para uma boa conversa.

Havia um lugar, porém, em que o assunto abordado pelos freqüentadores era um só: o  café .

Eram os  cafés  situados em Santos, na zona do alto comércio  cafeeiro , onde corretores, comissários, exportadores e fazendeiros discutiam e trocavam idéias sobre os negócios que envolviam a preciosa rubiácea.

Os  cafés  tiveram, sem dúvida, grande importância através dos tempos. Ao redor de suas mesas, discutiram-se teorias, tramaram-se revoluções e surgiram idéias que marcaram profundamente a história da humanidade.

Fonte: www.tulha.com.br

Café

Há cerca de trezentos anos, o  café  tem sido uma bebida popular em todo o mundo civilizado, mas pouco se sabe sobre a maneira exata como foi descoberto.

Talvez você tenha ouvido algumas lendas antigas sobre cabras pastando nas montanhas, comendo os frutos do  cafeeiro , e em seguida dando cabriolas devido às propriedades estimulantes do  café .

Existem outras narrativas que falam sobre um fanático religioso expulso de Moca que se refugiou nas montanhas da Arábia. Ele provou alguns frutos estranhos que cresciam num arbusto. Como eram amargos, ele tentou melhorar o sabor tostando-os sobre o fogo. Isso os tornou quebradiços, e ele tentou amolecê-los na água, e quando a água na qual os grãos estavam imersos se tornou marrom, este Sr. Omar (pois este era o seu nome) bebeu e descobriu como aquilo era bom e revigorante. Isso foi lá pelos idos do século treze.

Muito antes disso o  café  crescia à vontade na Abissínia.

O  café , até o final do século dezessete, vinha totalmente da Arábia e era conhecido como Moca, o nome da cidade de sua origem. Mais ou menos naquela época, espertos mercadores holandeses, percebendo a crescente demanda e as perspectivas de um novo comércio, induziram seu governo a experimentar a plantação de café nas possessões das Índias Orientais Holandesas. O governador da Ilha de Java distribuiu sementes em várias partes da Ilha e devido à fertilidade do solo e as condições climáticas favoráveis, logo as plantas se desenvolveram.

De Java, o  café  espalhou-se para as Índias Ocidentais e finalmente para a América do Sul e Central, onde o clima era particularmente propício ao rápido desenvolvimento do  cafeeiro .

Ali o seu cultivo foi feito de maneira extensiva, até agora, e provavelmente 90% de todo o café cultivado vem do Hemisfério Ocidental.

Assim o centro da produção se mudou do antigo mundo para o novo e, com um começo promissor, o  café  atualmente é uma das produções mais rentáveis do comércio mundial. O consumo chega a 2 bilhões de quilos, dos quais cerca de 57% são fornecidos pelo Brasil. Os Estados Unidos lideram como país consumidor de café, com cerca de metade de toda a quantidade consumida mundialmente. O consumo per capita excede 7 quilos por ano.

O  cafeeiro  é plantado com as sementes totalmente amadurecidas, selecionadas com esta finalidade. Quando as mudas atingem trinta centímetros de altura, são levadas para a plantação e dispostas em fileiras, com três metros de distância entre elas. Quando estão totalmente crescidas, atingem a altura de 3 metros ou pouco mais.

Cada arbusto produz anualmente até um quilo e meio de  café , depois do quarto ou quinto ano.

Os  cafeeiros  podem produzir até os 100 anos de idade, mas seu período mais produtivo vai do 5º ao 50º ano. A folhagem é de um verde escuro brilhante. As flores são pequenas em formato de estrelas, perfumadas, e crescem em cachos.

O desenvolvimento do fruto exige cerca de seis meses e, quando maduro, tem uma cor vermelho profundo e é conhecido como "cereja". Durante a estação da colheita, os serviços de todos os trabalhadores da fazenda e suas famílias são necessários para que o fruto possa ser colhido rapidamente e encaminhado para os preparativos finais.

 O café é preparado de duas maneiras: 

 1 -  O processo natural.

 2 -  O processo de lavagem.

O café natural " é obtido permitindo-se que os frutos permaneçam na planta após terem amadurecido. O sol tropical em pouco tempo faz com que a umidade da polpa se evapore, e o fruto se torne enrugado e preto. Neste estágio os trabalhadores fazem os frutos caírem ao chão, onde as mulheres e crianças os varrem e ensacam. São em seguida enviados para o "benefício", ou fábrica, para tratamento. Este consiste de uma rápida lavagem para remoção dos gravetos e outras substâncias estranhas.

As sementes são então espalhadas num pátio de cimento para secar, e permanecem expostas ao sol durante cerca de sete dias. Todas as noites, porém, são juntadas e cobertas com lonas para protegê-las do orvalho, pois a umidade neste estágio seria prejudicial.

Quando o  café  está totalmente seco, a película externa torna-se quebradiça e pode ser removida facilmente por uma máquina debulhadora.

Os frutos são então separados de acordo com o tamanho e qualidade, após o qual são empacotados para exportação. O processo natural de seleção é usado quase que inteiramente no Brasil.

O café lavado " exige um manuseio totalmente diferente, como o nome sugere, uma verdadeira lavagem ocorre durante a secagem.

Em vez de tirar os frutos secos dos galhos, como é feito com o "café natural", cada fruto maduro é apanhado individualmente, transportado para uma máquina de polpa, bastante similar à que processa as cerejas. Esta máquina remove a polpa. Deixando o grão de café envolvido numa casca dura como o couro. Os grão são colocados em grandes tanques de cimento ou barris cheios de água. Os frutos permanecem nestes tanques por cerca de vinte a trinta horas. Durante a imersão, ocorre uma fermentação que muda o sabor, produzindo aquilo que se conhece como "acidez".

Depois que o processo de lavagem é completado, o método de secar e debulhar é parecido com o do " café natural ". Na aparência, porém, o grão lavado mudou por completo. Está muito mais limpo e com melhor aparência, e quando devidamente lavado e curado, fica de um verde escuro e tem mais valor que o grau correspondente de "café natural". Seu valor aumenta ainda mais quando os grãos imperfeitos ou danificados que não puderam ser removidos pela máquina são retirados à mão. Isso é conhecido como "catar à mão".

O  cafeeiro  exige clima quente e pode ser cultivado com lucro num cinturão de vinte graus ao norte ou ao sul da linha do Equador. A condição do solo, local da plantação e altitude, todos são vitais para o cultivo do  café , e todos têm maior ou menor influência na qualidade do café produzido.

Os  cafés  mais finos vêm das plantações situadas a mil ou mil e quinhentos metros acima do nível do mar, onde os dias são quentes e as noites frescas, e onde os  cafeeiros  são plantados num solo gradualmente inclinado para melhor drenagem.

A colheita em cada país é similar em aparência e sabor de ano para ano, embora o excesso de chuvas ou a sua falta possa modificar de alguma forma a aparência, e o excesso de umidade durante a estação seca possa provocar um efeito prejudicial na qualidade da bebida.

Há uma grande diferença, especialmente na xícara, do produto de cada país. Cada qual tem suas características peculiares e sabor individual. A mistura do  café  é realmente uma arte em si. Ao juntar sabores distintos e individuais, em proporções exatas, os especialistas produzem um café delicioso.

Suave estimulante

Os estimulantes são substâncias que excitam os nervos e alguns órgãos do corpo. Os nervos estimulados enviam mensagens ao cérebro e dele para outras partes, com muita rapidez. Isso faz a pessoa agir e pensar de maneira mais alerta e animada.

O  café  (como o chá) contém cafeína que eleva a pressão sanguínea e age como um leve estimulante. Uma ou duas xícaras diárias de café provavelmente é algo inofensivo para a maioria das pessoas. Porém algumas pessoas acham que beber café antes de ir para a cama pode causar insônia.

Os médicos às vezes aconselham determinados pacientes a se absterem completamente de  café , ou a beberem um café descafeinado. Em muitas fábricas e escritórios, portanto, "a pausa para o café" é fornecida aos empregados s custas da empresa. Isso é considerado boa política - e bom investimento, pois a pausa para o café recobra as energias e estimula os trabalhadores a trabalharem com maior eficiência. Para muitas pessoas, o café é simplesmente uma bebida deliciosa, mas para nós ele possui também uma mensagem especial, relacionada à nossa vida espiritual.

Na vida espiritual e religiosa também é possível ficar cansado e desgastado por realizar sempre os mesmos deveres. Durante as preces diárias e o cumprimento de nossas mitsvot podemos nos tornar mecânicos, sem vitalidade e entusiasmo.

Uma "pausa para o  café " espiritual, portanto, é necessária. Quais são os estimulantes espirituais que podem renovar a alma como o café renova o corpo?

A própria Torá, com toda a certeza, é o maior estimulante da vida religiosa e espiritual, mas algumas partes da Torá são ainda mais estimulantes para determinadas pessoas. Estas partes são Mussar (ética religiosa) e especialmente a Chassidut, que despertam as qualidade que fornecem vitalidade e entusiasmo no cumprimento de todas as mitvsot.

Existem também alguns dias do ano que agem como estimulantes em nossa vida judaica.

Shabat e Yom Tov, o mês de Tishrei, e ocasiões similares são nossas doses, nossas "xícaras de  café " no sentido espiritual. Seu objetivo não é fornecer estimulantes espirituais temporários, mas inspiração para o ano inteiro. No entanto, é provável que o efeito desapareça sob o estresse da rotina diária, que lida principalmente com coisas materiais. Portanto uma "pausa para o café" espiritual, reavaliando nossa atuação no estudo e na prática é uma necessidade vital e permanentemente estimulante.

Fonte: www.chabad.org.br

Café

1. Quem começou tudo, judeus ou islâmicos?

É difícil determinar exatamente quando o  café  foi identificado e consumido pelo homem pela primeira vez, dando início ao hábito natural mais importante e saudável do mundo: o de tomar café.

Alguns historiadores e curiosos acreditam que a planta foi descoberta na região de Kaffa na Etiópia em torno do ano 600 de nossa era (A.D.= Anno Domini), quando um pastor chamado Kaldi observou que suas cabras ficavam excitadas após comerem os grãos de uma plantinha vermelha, o  café .

Kaldi também comeu os grãos de  café  e sentiu seus efeitos estimulantes, ficando nem humorado e desperto todo o dia. Para viajar resolveu torrar os grãos e preparar uma bebida - pronto, estava descoberto o café?

Café

Mas a planta Coffea arabica e C. robusta precisam apenas de água, solo quente, iluminação e ventilação para crescer. Por isto a planta talvez existisse há milhares de anos antes do pastor Kaldi, sendo consumida esporadicamente. No Pentateuco, elaborado por Moisés, o quarto livro, NÚMEROS, recebeu este nome por causa dos dois censos a que foi submetido Israel no deserto e narra a vida de um povo ainda em formação e suas peregrinações a caminho da Terra Prometida, liderados por Moisés, onde o nazireato (Nazireu é toda pessoa consagrada a Deus) foi institucionalizado e regulamentado por lei (NÚMEROS 6:1-21). O livro cita um trecho, onde Deus falou a  Moisés  (Séc. XIV a XIII a C.) que quem quisesse fazer um voto especial de nazireu, deveria abster-se de vinho e de bebida forte.

Isto ocorreu em torno de 1275 a . C (antes de Cristo). Seria esta bebida forte o  café  ? Naquela época não haviam bebidas destiladas (alto teor alcoólico) e o vinho era bastante consumido, pois a água era muito contaminada.

Será que os hebreus ferviam a água com grãos de  café  para torná-la forte e pura?.

Alguns séculos mais tarde, após o reinado do primeiro Rei de Israel, Saul, assumiu Davi, o maior de todos os reis de Israel, que reinou de 1000 até 962 a. C. Em sua juventude Davi foi um atleta e depois um grande músico, pois sua reputação era tal que tocava para o rei Saul, o qual sofria de depressão e melhorava ao ouvir a música.

Davi possuía um grande talento poético e escreveu algumas das maiores obras primas da literatura espiritual. Em toda a história da humanidade nenhuma poesia tem sido tão constantemente usada como os Salmos de Davi. Também foi um general capaz e conduziu com grande êxito suas campanhas militares. Perseguido pelo rei Saul, Davi viveu durante um período uma perigosa vida de um fugitivo. Mas soube ser generoso ao poupar duas vezes a vida de Saul, seu perseguidor (1 SAMUEL 24:1-15 ; 26:1-20) Deus o escolheu como sucessor do rei Saul e, humildemente foi ungido pelo profeta Samuel (1 SAMUEL 16:12-13).

Café

Depois da morte de Saul, tornou-se primeiro rei de Judá, tornando-se alguns anos mais tarde rei de toda Israel. Tomou Jerusalém e a estabeleceu como capital e levou a arca de Deus para lá. David teve várias esposas e diversos filhos e amou também o filho de Saul, Jônatas. Mais tarde enfrentou a rebelião de seu filho Absalão, que havia assassinado seu irmão por parte de pai, Amnom, pois este tentara seduzir sua meia-irmã, Tamar.

Davi era um grande chefe político e militar experiente, mas um pai fraco. Absalão queria o trono de Israel e iniciou uma campanha militar contra o pai, o qual queria que seu outro filho, Salomão, assumisse o trono de Israel. Durante a luta, Davi cruzou o rio Jordão, perseguido pelo exército de seu filho Absalão. Quando Davi chegou a Maanaim, cansado e deprimido, foi-lhe oferecido uma bebida feita de grãos torrados, que bem poderia ter sido  café :

"E sucedeu que, chegando Davi a Maanaim, Sobi, filho de Naás, de Rabá, dos filhos de Amom, e Maquir, filho de Amiel, de Lo-Debar, e Barzilai, o gileadita, de Rogelim, 28 Tomaram camas e bacias, e vasilhas de barro, e trigo, e cevada, e farinha, e grão torrado, e favas, e lentilhas, também torradas, E mel, e manteiga, e ovelhas, e queijos de vacas, e os trouxeram a Davi e ao povo que com ele estava, para comerem, porque disseram: Este povo no deserto está faminto, cansado e sedento"  (2 SAMUEL 17: 27-29) 

É muito provável que a bebida feita com grão torrado naquela época, 1.000 a. C., fosse o  café .

Assim, Davi e seus homens ganharam forças para enfrentarem Absalão. Os exércitos de pai e filho de defrontam, o filho rebelde é derrotado e morto, apesar das ordens contrárias do rei. Uma lição fica evidente neste trecho Bíblico: a de que os filhos não devem se rebelar contra os seus pais, mesmo que estes tenham suas fraquezas.

Café

2. Quem continuou tudo , cristãos ou islâmicos?

Sem dúvida alguma quem iniciou e continuou o consumo regular de  café  foram os árabes, lentamente convertidos ao Islamismo e ao hábito saudável de tomar café.

Este consumo se iniciou na Arábia a partir do ano 600 de nossa Era (Anno Domini, A.D.). Era comum o consumo de  café  nos atos religiosos e durante campanhas militares.

Acredita-se que o Arcanjo Gabriel ofereceu café ao profeta Maomé (570 a 632), o qual estava muito doente e recobrou seu vigor após tomar a bebida, chamada quawa. Enquanto os Israelitas e Cristãos tomavam vinho em abundância, os Islâmicos bebiam  café , pois bebidas alcoólicas eram proibidas (e o café ajudava-os a perder o desejo de consumir bebidas alcoólicas). MAOMÉ compreendeu o valor da nova descoberta e, após caracterizar a real ausência de efeito tóxicos do produto, ao invés de adotar medidas repressivas, aconselhou ao pastor e seus seguidores, a ferverem os grãos em água e preparar uma bebida quente com a substância.

Aconselhou aos usuários, excitados e com insônia devido ao consumo de  café , que dedicassem suas horas de vigília a preces e meditação, no que foi prontamente atendido.

Em torno do ano 900 os livros médicos árabes recomendavam o uso do  café  para quase todos os problemas, desde apatia até doenças como rubéola.

O combate ao consumo do  café  começou no mundo ocidental, por se tratava de uma bebida dos Sarracenos ou Pagãos, segundo os Cristãos. Os árabes, como os francos, os saxões e os normandos foram bárbaros que assimilaram os conhecimentos gregos juntamente com o desenvolvimento de sua nova religião. A capacidade de assimilação do povo árabe entretanto, era mais desenvolvida do que a dos demais povos e na virada do milênio quando o Cristianismo começou a estimular as Cruzadas contra os árabes, estes últimos representavam o povo mais civilizado do mundo medieval.

O conhecimento da medicina grega foi transmitido para os árabes através dos cristãos sectários oriundos do Império Bizantino, os quais traduziam atores gregos para linguagens semíticas como o siríaco e o hebreu para o desenvolvimento de sua própria literatura médica clássica.

Grandes escritores árabes surgiram como RHAZES, AVICENA e AVERROES. O conhecimento médico da época recebeu profunda influência da astrologia, o que determinou o surgimento de pseudociências como a alquimia. A alquimia procurava descobrir a relação do homem com o cosmos combinando ciência e astrologia de tal maneira que a astrologia analisava a relação do homem com os planetas e a alquimia, com a natureza terrestre.

Acreditavam existir uma relação entre o microcosmo e o macrocosmo, de tal maneira que os sete planetas conhecidos (Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Saturno e Vênus) correspondiam aos sete dias da semana e aos sete metais conhecidos na época (ouro, prata, ferro, chumbo, estanho, cobre e níquel). Os alquimistas ficavam até altas horas da noite tomando  café  e fazendo experiências pois acreditavam que todos os metais eram gerados nas entranhas da Terra, sob a influência apropriada dos planetas e que podiam transmutar-se.

O objetivo era descobrir a pedra filosofal para ser possível transformar os demais metais em ouro. Extrapolando para o homem a idéia da transmutação, os alquimistas acreditavam ser possível tornar o homem imortal e eternamente jovem, através da descoberta do elixir da longa vida. Mas na procura do elixir da longa vida, sempre tomando muito  café , os alquimistas fizeram inúmeras descobertas importantes em química, iniciando a moderna química farmacêutica.

A pesquisa incessante neste campo e o contato amplo dos alquimistas árabes com diferentes povos e costumes, permitiram a descoberta e introdução de um fabuloso número de novos produtos e medicamentos para uso em medicina. O próprio elixir da vida, embora não tenha sido descoberto, passou a ser chamado Al Kohol (mais tarde latinizado para álcool) e os médicos e pacientes árabes tomavam imensas bebedeiras deste elixir, para usufruírem uma vida bem longa, algo que nunca deu certo.

Na atualidade o consumo de álcool é uma das maiores pragas da humanidade e mata mais que qualquer outra doença. Mas mesmo não comprovando que o álcool era realmente o elixir da longa vida, pelos menos descobriram que a bebedeira poderia ser uma fórmula de imensa, temporária e enganosa de felicidade (e de uma grande ressaca no dia seguinte ).

O movimento alquimista culminou na obra de PARACELSO (1493-1541), médico suíço que se esforçou em vincular a medicina a alquimia, levando ao surgimento de uma nova ciência: a química medica ou iatroquimica. Durante sua existência, a alquimia esteve ligada de um lado a química e de outro a religião mística. O primeiro centro dominante do islamismo foi BAGDAH, aonde dois grandes lideres reinavam: AL MANSUR (712-775) e HARUN AL RACHID (764-809), o califa das Noites da Arábia. Estes governantes encorajavam e apoiavam a cultura em geral, o que levou a preservação da Antigüidade clássica. A atividade intelectual era imensamente ajudada pelo consumo regular e moderado de  café  entre os Islâmicos.

3. Islâmicos famosos e o café

As obras gregas e romanas passaram a ser traduzidas para o árabe. Córdoba no Ocidente tornou-se um centro proeminente do Islamismo, a medida que o califado de Bagdah perdia influência. A religião Islâmica reconhecia uma vida após a morte, logo a dissecção do corpo humano era proibida. Mas muitas especulações sobre a natureza dos órgãos internos foi efetuada por médicos como IBN NAFIS, que formulou a hipótese da circulação pulmonar.

Como não era permitida a dissecção do corpo humano, os médicos árabes acreditavam nos conhecimentos anatômicos de GALENO. A existência de tabus entre os médicos impedia a manipulação dos genitais femininos por homens, de tal maneira que a obstetrícia e a ginecologia eram exercidas por mulheres.

O mundo islamita desenvolveu escolas e livrarias como instituições separadas ou vinculadas a mesquitas e hospitais. Nestes centros de prática e ensino da medicina, grandes nomes se destacaram. O persa RHAZES ( 860-932) foi um grande médico e professor. Defendia e aconselhava seus alunos afirmando que: "...tudo que esta escrito nos livros é importante, mas de menor valor que a experiência de um médico sábio...". Escreveu mais de 200 livros sobre medicina e tornou-se muito popular, principalmente por atender os pobres gratuitamente, algo que era praticado apenas pelos cristãos.

Café

Mas o maior nome da medicina árabe foi AVICENNA, cujo nome completo era ABU-ALI AL HUSAYN IBN-SINA (980-1037). Seu prestígio para a medicina islâmica e mesmo cristã foi igual ao de GALENO ( 130-200 AD). AVICENNA desde a infância foi um prodígio. Aos 10 anos conhecia profundamente o Alcorão (Al-Quran) e com 21 escreveu uma enciclopédia científica onde incluía gramática, poesia, geometria, astronomia, anatomia, fisiologia, matéria medica e cirúrgica.

Embora tenha praticado e clinicado no início de sua carreira, AVICENNA dedicou-se principalmente a compilar e escrever textos científicos. O CANON de Avicenna é uma obra constituída de 100 livros que incluía todo o conhecimento médico da época. Esta obra foi utilizada como fonte de ensino médico nas Universidades Cristãs, incluindo as ilhas Britânicas, até o Século XVII. Parece que o grande Avicenna era um grande admirador e consumidor de  café .

Outros grandes nomes e contribuições também existiram, como ISSAC JUDAEUS, que defendia a terapêutica hipocrática não intervencionista; AL BUCASIS, o maior escritor sobre cirurgia do mundo islamita e AVENZOAR, que contestou muitos dos ensinamentos de ARISTÓTELES e GALENO, afirmando que o médico devia confiar apenas na sua própria experiência ao invés de doutrinas tradicionais. AVERROES (1126-1198), aluno de AVENZOAR, foi um filósofo que também estudou medicina e direito. Escreveu um compêndio médico baseado em ARISTÓTELES mas suas obras principais foram em teologia e direito.

Como possuía idéias consideradas revolucionárias para a época, tanto na religião como na ciência, tanto o islamismo como cristianismo rejeitaram parcialmente as inovações de AVERROES, o que não aconteceu com os judeus, que ajudaram até a divulgar suas idéias pela Europa quando foram expulsos da Espanha. MAIMONIDES (1135-1204) , cujo nome completo era ABU IMRAN MUSA IBN MAYMUN IBN UBAYD ALLAH , foi o mais famoso médico judeu da medicina árabe, tornando-se médico do sultão Saladin, responsável pela reconquista de Jerusalém dos cristãos após a II Cruzada. MAIMONIDES foi autor de inúmeras obras onde abordava filosofia, religião e medicina. Sua principal característica foi tentar reconciliar o raciocínio científico com a fé religiosa.

Uma de suas contribuições consideradas importantes na sua época foi a de que ninguém devia dormir durante o dia. E que toda pessoa nunca devia dormir em decúbito, quer dorsal ou ventral, mas sempre lateral, sendo do lado esquerdo no início da noite e do lado direito no final da noite. E que ninguém devia dormir depois de uma refeição, devendo esperar pelo menos três horas antes de dormir, senão poderia ter pesadelos.

Na Idade Média, a saúde geral da população e as condições de higiene eram bastante semelhantes na Europa Latina e no mundo islâmico. Há inúmeros relatos de doenças oculares e cutâneas, o que sugere uma maior prevalência destes problemas, por contágio direto. Na Idade Média, ser cliente de grandes médicos era um privilégio apenas dos ricos e dos nobres. A exceção de RHAZES, poucos eram aqueles que davam atenção aos menos afortunados. O Islamismo foi superior ao Cristianismo em um aspecto importante - o sistema hospitalar.

Comparados com a assistência médica em monastérios, onde a principal preocupação era o tratamento da alma, os hospitais islâmicos de Bagdah, Cairo e Damasco, possuíam uma organização evoluída e elegante, com quartos particulares, enfermarias e bibliotecas. Algumas pessoas sadias simulavam doenças apenas para serem hospitalizadas e usufruíssem a excelente e barata cozinha dos hospitais islâmicos. Parece que também serviam  café  a todos os enfermos que apreciavam muito a revigorante bebida.

O hospital MANSUR no Cairo, no Século XIII, possuía enfermarias especializadas para febres, doenças oculares, diarréias, ferimentos e doenças de mulheres. Ao ter alta, o paciente recebia cinco peças de ouro para ajudar a manter sua saúde. Uma característica importante dentro do islamismo era a tolerância a toda crença religiosa e conhecimentos científicos. Isto permitiu um intercâmbio e preservação de clássicos da Antigüidade.

O conhecimento atual da obra de GALENO foi transmitido em árabe, pois os originais em latim foram perdidos.

Café

4. Cristãos adotam o café

O  café  era uma bebida consumida intensamente pelos turcos, que também se converteram ao Islamismo, sabendo que assim ficavam mais despertos e ativos para as lutas.Por isto o café era evitado com veemência pelos cristãos. Apenas no final do século XVI é que seu consumo regular foi permitido entre os cristãos, depois que o Papa Clemente VIII (1592-1605) provou e gostou da bebida, que lhe permitia ficar acordado até mais tarde para se dedicar as suas orações a Deus. O Papa aconselhou os cristãos a fazerem o mesmo e o consumo de café começou a aumentar de forma vertiginosa no mundo ocidental.

Introduzido no Novo Mundo pela Companhia das Índias Orientais, o  café  passou a se tornar um dos principais produtos agrícolas de todos os países. Mas como seu cultivo era difícil na Inglaterra e França, pelo clima frio, este se desenvolveu mais nos países tropicais.

A partir do Século XVII, o consumo de  café  passou a se disseminar por todo o mundo, vindo a se tornar lentamente na mais importante, saudável e barata bebida natural do planeta.

No aspecto médico, o Século XVII também foi brilhante. Foi no Século XVII que começou o surgimento da fisiologia e da anatomia microscópica. A descoberta do microscópio permitiu a visualização e facilitou a substituição da observação passiva pela experiência ativa.

A anatomia evoluiu para a "anatomia animada " ou fisiologia. O conhecimento da estrutura foi ampliado e enriquecido com o conhecimento da função. NICOLAUS KOPPERNIGK (1473-1543 ) ou COPÉRNICO , estudou medicina em Pádua e também se dedicou a astronomia. Criou o conceito de que a terra girava em torno do Sol, hipótese que foi comprovada por GALILEO através do uso do telescópio. GALILEO GALILEI (1564-1642 ) foi educado num monastério perto de Florença antes de estudar medicina na Universidade de Pisa e matemática com um professor particular ( tutor ). Aos 25 anos tornou-se professor de matemática da universidade de Pádua.

Lá desenvolveu o telescópio e passou a defender as idéias de COPÉRNICO, de que era a Terra junto com os demais planetas que giravam em torno do sol, contrariando o conceito geocêntrico da época. Acabou a última década de sua vida em prisão domiciliar por ordem da Igreja, por defender as idéias absurdas de COPÉRNICO e contrariar o que ensinava a Igreja. Até então era aceito o conceito criado pelo astrônomo grego PTOLOMEU de que a Terra estava localizada imóvel no centro do universo e que os planetas giravam ao redor dela.

Café

O maior avanço científico do século foi a descoberta da circulação do sangue e o desenvolvimento da metodologia científica pelo inglês WILLIAM HARVEY (1578 -1657), um grande admirador e consumidor de  café .

Embora menções existissem sobre a circulação do sangue, a elaboração não apenas da teoria mas a comprovação morfológica e experimental da circulação do sangue por HARVEY criou uma nova era no pensamento humano - a Era da Experimentação Clínica. HARVEY legou para a história da medicina o raciocínio lógico, onde o médico não é obrigado a aceitar uma teoria apenas porque ela é bonita e conveniente, ou porque ela foi elaborada por alguém famoso e influente. HARVEY rejeitou definitivamente a teoria de GALENO sobre a circulação do sangue e ensinou a todo médico que ele não deve acreditar em tudo que lhe é informado.

Deve confirmar tudo que for possível. Esta é a única maneira de existir progresso, evolução e conhecimento. HARVEY entretanto, como um bom médico, cometeu alguns erros.

Era um monarquista convicto e não apoiou partidos de oposição. Os políticos da época exigiam mudanças na Inglaterra, pois havia muita concentração de renda, enquanto que o povo padecia de problemas comuns de saúde e existiam poucas medidas reais visando beneficiar a saúde da população. Como HARVEY insistisse em se omitir de participação política, sua descoberta recebeu violenta oposição principalmente pelos grandes nomes da época e seguidores de GALENO e outras autoridades do passado, munidos de grande dose de inveja e cobiça. HARVEY tratou-os com indiferença, preferindo não criar polêmica, pois seus colegas que estavam mais interessados em combatê-lo do que em provar que estava errado, mesmo no campo político. HARVEY afirmava que a discussão iguala um gênio e um tolo, e que os tolos sabiam disso, sendo esta a única forma de conseguirem igualdade. Defendia a idéia de que a melhor atuação política era a produção, e não a discussão, algo comum naquela época. HARVEY era um político monarquista amigo do rei CARLOS I e continuou seu trabalho.

A descoberta da circulação de HARVEY levou a duas conclusões lógicas: a possibilidade do uso intravenoso ( IV) de medicamentos, uma pesquisa efetuada em 1656 por Sir CHRISTOPHER WREN, assistido por BOYLE e WILKINS; e a possibilidade da transfusão de sangue. Harvey recomendava o consumo de  café  para todas as pessoas e todos os seus pacientes.

Fonte: www.cafeesaude.com.br

Café

A lenda de Kaldi

Diz a lenda que o  café  foi descoberto por um jovem pastor de cabras da cidade de Kaffa, na região da atual Etiópia. Mesmo assim é difícil determinar quando o café foi identificado como bem de consumo ou quem preparou a primeira infusão, sabemos apenas que a história popular aponta para meados do século III, tendo Kaldi como personagem de um feliz acaso.

Conta-se que ele ficou intrigado com a vitalidade das cabras que comiam folhas e frutos de um arbusto comum nas montanhas abissínias, elas ficavam saltitantes e conseguiam percorrer longas distâncias sem demonstrar sinais de cansaço ou qualquer outra reação.

Para observar melhor, Kaldi passou a alimentar o rebanho com os frutos vermelhos e, ao final de alguns dias, também quis experimentar. Como você deve imaginar, o pastor gostou do efeito estimulante que os frutos proporcionaram. Sentiu-se alegre, bem disposto, e passou a mascar  café  todos dias, principalmente para resistir ao sono nas noites de oração. Ele contou sua descoberta para um dos monges do monastério local e a notícia não demorou a romper fronteiras.

Café

O curioso é que apesar do nome de batismo ser semelhante ao da cidade onde a história começa, a palavra  café  deriva da palavra árabe qahwa, que significa vinho.

Os árabes foram os primeiros a cultivar cafezais e pioneiros no hábito de beber  café .

Daí o nome científico de uma das espécies mais importantes, a Coffea arabica, e a razão por que o  café  foi chamado de "vinho da Arábia" pelos europeus. Registros históricos datam os primeiros cultivos em 575 d.C., no Iêmen, mas a bebida que conhecemos hoje surgiu no século XVI, quando os persas começaram torrar grãos.

O café no mundo

Quando as primeiras sacas de  café  chegaram ao Ocidente em 1615, já havia colônias européias tentando introduzir plantios à revelia do mundo árabe, que mantinha o segredo do cultivo trancado a sete chaves. Foram os holandeses que conseguiram as primeiras mudas cultivadas na Europa, que cresceram em estufas do jardim botânico de Amsterdã.

Os holandeses iniciaram o cultivo comercial em 1658, primeiro no Sri Lanka, depois em Java, o que encorajou outros países a tentar o mesmo. Por volta de 1706, sua produção abrangia grandes áreas da Indonésia e a maior parte do  café  javanês era exportada para outros países da Europa e para a América.

O primeiro  pé de café  a crescer na França foi presente dos bem sucedidos holandeses ao rei Luís XV. A planta decorou a estufa de Versailles por muitos anos, até suas mudas serem cultivadas nas ilhas de Sandwish e de Bourbon.

O famoso  Café Bourbon  é a fonte original de grãos brasileiros e mexicanos, como o Santos e o Oaxaca, mas levou tempo até as sementes chegarem aqui, de um jeito pouco convencional.

O  café  foi trazido ao Brasil pelo oficial luso-brasileiro Francisco de Mello Palheta, que em 1727 recebeu a incumbência de ir à Guiana Francesa para tratar de questões fronteiriças como pretexto para trazer sementes de café. Naquela época, assim como sucedeu com os árabes, a produção cafeeira só era permitida em colônias européias, com um alto faturamento comercial, por isso Portugal armou seu plano.

Palheta ficou íntimo da esposa do governador de Caiena e voltou ao Brasil com sementes de  café arábica  clandestinamente escondidas no vaso de planta presenteado por Madame D’Orvilliers. Hoje o Brasil é o maior produtor do planeta e estima-se que mais de 20 milhões de pessoas trabalhem na indústria cafeeira ou em seus negócios correlatos mundo afora.

VIAGEM DO CAFÉ

ORIGEM

Os grãos arábicos, suaves e aromáticos, vêm da América Central e do Sul. Os grãos Robusta, de sabor forte e bem encorpardo, vêm da África e da Ásia. Cada grão tem seu próprio sabor, que aflora somente depois de torrado

BLENDING

O  café  se diferencia de país a país, de colheita a colheita. Nossos provadores de café julgam todos os grãos verdes em seus diferentes aspectos para obter o blend (combinação) ideal.

Desta forma, asseguram que o seu  Café Pilão  seja sempre igual e delicioso.

TRANSPORTE

Os  grãos de café  são transportados em sacos de juta e também em containers. Os grãos são então separados dos detritos como folhas, talos, pedaços de corda ou metal.

TORREFAÇÃO

É durante a torrefação que os grãos de  café  obtém seu aroma e sabor. Os grãos são expostos a ar quente de até 250 C e o resultado deste processo é determinado pela temperatura e pela duração da torrefação.

RESFRIAMENTO

Para interromper o processo de torração os grãos recebem um pequeno jato d'água e são resfriados com ar. O vapor produzido é explido pela chaminé da fábrica.

SECAGEM

Os grãos tornam-se muito mais leves após torrados devido a perda de umidade. Por um pequeno espaço de tempo, os grãos são deixados em descanso, até que sejam moídos ou embalados (como grãos de café).

MOAGEM

A moagem dos grãos de  café  acontece nos rolos de moagem. Os grãos são levados a dois rolos de moagem ondulados com distâncias diferentes, que controlam a granulação da moagem.

EMBALAGEM

O  café torrado  e  moído  pode então ser embalado, tanto à vácuo, que preserva seu aroma e sabor por 1 ano, quanto na tracional embalagem almofada, que o preserva por 3 meses.

CAFÉS AO REDOR DO MUNDO

Quer um Expresso Doppio ou Con Panna? Que tal um Ristretto?

 Conheça os diversos tipos de café consumidos no mundo: 

Americano

 Café Expresso  semelhante ao café filtrado, que leva um pouco mais de água na diluição do pó, mas preserva o sabor do típico do Expresso.

Café Creme

 Café comum  com uma camada cremosa do tipo Expresso.

Café Frappé

Meia dose de  café  forte com meia porção de sorvete.

Café Lungo

Café de "extração-longa", que permite fluir mais água através do pó, sem exaurir sua essência. É servido nas quantidades de 100 ml e 120 ml.

Café Ristretto

Expresso curto, tirado da "cabeça de extração" da máquina, até a quantidade de 25 ml.

Cappuccino

Um terço de  Café Expresso , com a mesma medida de leite evaporado e de creme de leite.

Carioca

 Meio Expresso  com a mesma medida de água quente, servido em xícara de 50 ml.

Con Panna

 Café Expresso  com chantilly.

Demi-tasse

 Café expresso  em xícara de café comum.

Doppio ou Duplo

Dose dupla de  Café Expresso .

Flavoured Latte

 Café com leite  aromatizado com cereja, baunilha ou outra essência. Servido em quantidade variável.

Kapuziner

 Café preto  com um pouco creme de leite.

Pingado

Meia dose de  café comum  com a mesma medida de leite. Também conhecido como Caffe Latte ou Café au Lait.

Latte Macchiato

 Café Expresso  acrescido a um copo de leite quente. É uma variação do Cappuccino também conhecida como Latteccino.

Macchiato

 Café Expresso  com duas colheres de creme de leite.

Mocha

Um terço de  Café Expresso  com a mesma medida de creme de leite e de chocolate em pó dissolvido.

Romano

 Café Expresso  servido com uma casquinha de limão.

Schlagobers

 Café forte  com creme de leite batido.

Schwarzer

 Café puro .

Wiener Melange

 Meia dose de café comum  com a mesma medida de leite morno e chocolate. Também conhecido como Vienense.

DÚVIDAS FREQUENTES

Qual a melhor forma de guardar café?

O segredo para apreciar a qualidade do  café  é assegurar que ele permaneça o mais fresco possível. Nós recomendamos que após de aberta a embalagem ela seja fechada e colocada em um recipiente selado e mantido no rerigerador, longe de produtos químicos e odores fortes. Para usufruir o máximo do sabor e do aroma, consuma seu café em até 30 dias depois de aberto.

Quantas xícaras por pacote?

Um pacote de 250g pode preparar até 30 xícaras de  café . Esta quantidade varia para cada gosto.

Quantas formas diferentes existem para "fazer" café"?

Há muitas formas diferentes para preparar  café , algumas das quais são relacionadas a costumes culturais. Os mais comuns são os métodos que utilizam o filtro e a cafeteira. Recentemente, o método de extração expresso tem se tornado conhecido devido, predominantemente, ao mercado comercial. É importante que você utilize a granulação e o método de extração mais adequado para obter o sabor de café da sua preferência.

Por quê a granulação do café é importante e qual eu devo comprar?

O tamanho da granulação do  café  exerce um efeito significativo na qualidade do sabor. Você deve sempre utilizar a granulação correta para o tipo de equipamento que possui.

A moagem expôe as paredes celulares dos grãos e prepara os grãos para liberarem seu sabor durante o processamento. Devido às variações no ciclo do processamento a temperatura da água e o seu padrão de agitação, cada método de processamento requer diferentes graus de granulação.

Já que há muitas formas diferentes de processsar  café , escolher a granulação correta é essencial para obter o melhor sabor durante sua extração.

 O grau de extração depende de três fatores: 

Integridade da moagem

Relação café/água

Extensão do tempo em que os grãos estão em contato com a água.

Em geral, quanto menor o ciclo de processamento, menor a granulação necessária para produzir uma extração de sabor maximizado. Quanto maior o ciclo de processamento, maior a granulação necessária. A granulação mais fina expõe mais a área de superfíce do café à agua e os seus óleos essenciais são liberados mais tarde. Métodos de processamento mais longos requerem uma granulação mais grossa para evitar a extração demasiada. Uma granulação incompatível com o método de extração pode produzir um café extra forte ou um bem fraco e destituído de sabor.

Como é produzido o café solúvel?

O  café solúvel  foi lançado no mercado nos anos 50. Uma xícara de café solúvel pode ser preparada fácil e rapidamente, sem processamento, uma vez que isso já foi feito na fábrica. Há 2 técnicas usadas para produzir café solúvel: Secamento congelado e secamento por spray.

Secamento Congelado

Neste sistema os grãos são torrados, moídos e processados resultando num gigantesco tanque de  café . Então as partículas de café são extraídas e o líquido remanescente é evaporado através de um método avançado de secagem por congelamento.

Durante o processo de secagem por congelamento o  café líquido  é congelado a 40 graus centígrados negativos, o que faz com que as partículas de água no café concentrado forme cristais de gelo. Através de um método conhecido como sublimação o gelo é extraído dos grânulos congelados utilizando uma câmara especial que seca as partículas a uma pressão muito baixa. O que permanece é o café solúvel.

Secamento por Spray

Para criar o nosso  café solúvel  usamos uma combinação única de grãos, torramos, moemos e o processamos através da secagem por spray, o que produz um café de melhor qualidade e de sabor mais marcante.

Durante esta secagem o  café concentrado  é lançado no topo de uma alta torre junto com ar quente. Devido ao calor a água evapora ao cair, de forma que o que permanece é o  café solúvel .

O café contém aditivos, tais como conservantes?

Não, o  café  é sempre 100% natural e não contém nenhum aditivo. Café é simplesmente a semente da planta de café (o grão de café), torrado e moído.

 Café  descafeinado ou "sem cafeína" é café puro do qual foi removida a cafeína.

O  café  permanece fresco graças à embalagem a vácuo e, portanto, não precisa de conservantes. Quando o café contém aditivos isto tem que estar impressso na embalagem.

O que é a cafeína do café?

Cafeína é uma substância naturalmente contida em várias plantas diferentes, inclusive naquelas que produzem  café , chá e chocolate.

No  café , ela é apenas uma das mais de 1500 substâncias que os tecnologistas em alimentos puderam isolar e que se combinam para dar ao café seu distinto caráter.

A Cafeína também age como um estimulante moderado, aumentanto o alerta mental e acelerando o processo do raciocínio. É por isso que algumas pessoas preferem beber  café  descafeinado, principalmente à noite, quando desejam relaxar e dormir do que estarem alertas. A cafeína não tem cor nem sabor, nem odor ou aroma, mas se sua remoção não for feita com muito cuidado a extração pode afetar o delicioso sabor e aroma que a gente espera em um café verdadeiro.

 Indicação das quantidades de cafeína por porção/xícara: 

 Mg de cafeína/porção 

Café (por xícara de 150 ml) - torrado e moído ~80

Café (por xícara de 150 ml) - solúvel ~60

Café descafeinado (por xícara de 150 ml) (ou torrado ou moído ou solúvel) ~3

Chá (por xícara de 150 ml) ~40

Refrigerante de Cola (por lata de 330ml) ~30

Chocolate simples (50g) ~20

Há diversos produtos encontrados no mercado tais como analgésicos que também contêm cafeína.

Como é produzido o café descafeinado?

O  café  contém naturalmente um suplemento ativo, a cafeína. Grãos normais de café contêm entre 0,8 % e 2,5% de cafeína dependendo da sua origem e variedade. Um café descafeinado não está totalmente livre de cafeína. Nos países da Comunidade Européia, café torrado descafeinado pode conter 0.1% de resíduo de cafeína e 0,3% de extrato de café.

Para produzir café sem cafeína o suplemento estimulante precisa ser extraído dos grãos. Já que o café revela a maior parte do seu sabor durante a torração, a cafeína é extraída dos grãos verdes do café. Existem vários métodos para conseguir isso, dos quais os métodos mais utilizados são o da água-carbono (H2O/C) e o do diclorometano, (comumente conhecido como DCM). Métodos modernos de descafeinação não causam nenhum efeito no sabor e no aroma do café. Então, um bom café descafeinado tem quase o mesmo sabor de um café contendo cafeína.

O método Água-Carbono

Este processo usa água (H2O) como solvente. Os grãos verdes são lavados com água por um longo tempo, durante o qual a cafeína se dissolve na água. A água, com a cafeína dissolvida é, então, bombeada através de um filtro de carvão ativo (C) que absorve a cafeína. Os grãos descafeinados são secados com ar morno e então rersfriados com ar frio. São então torrados, moídos e embalados da forma usual. A água é reutilizada para outros processos de descafeinação.

O processo do Diclorometano

Este método emprega o diclorometano (DCM) como solvente e foi desenvolvido para atender a requisitos de determinadas indústrias. Os grãos verdes são umedecidos com água para tornar sua superfície porosa e então imersos no solvente por 30 minutos. Isto se repete várias vezes. Os grãos são removidos do solvente depois que a cafeína é dissolvida. Vapor é aplicado durante algum tempo para remover qualquer traço do solvente. Depois disso os grãos são secados usando ar morno e resfriados com ar frio. São então torrados, moídos e embalados da forma usual. O diclorometano é re-utilizado para posterior descafeinação.

Cafeína afeta o sono?

Como a cafeína é um estimulante moderado, algumas pessoas percebem que levam mais tempo para adormecer depois de tomarem  café  à noite. Outras pessoas bebem seu café com prazer após a refeição noturna sem sentir qualquer problema. De fato, a pesquisa tem demonstrado que o sono dos indivíduos varia imensamente em suas reações ao café assim como outros fatores como o ruído, a temperatura e o stress podem, igualmente, predispor ao retardamento do sono. O café descafeinado está disponível para essas pessoas particularmente sensíveis à cafeína.

Café faz mal?

Não há nenhuma evidência conclusiva que indique que uma quantidade moderada de café faz mal à sua saúde. A ciência moderna identifica os efeitos da cafeína, tais como o estímulo do metabolismo e o aumento na habilidade para reagir. Beber  café  normalmente não causa nenhuma consequência perigosa ao indivíduo sadio, embora nem todos possam tolerar a cafeína tão bem.

O café contém calorias?

Não, mas a adição de leite e açúcar numa xícara de  café  adiciona calorias.

Quantos países no mundo cultivam café?

O café cresce exclusivamente em regiões tropicais e sub-tropicais. O atual cinturão da produção de  café  ao redor do mundo compreende cerca de 70 países envolvidos no cultivo e está circunscrito entre as latitudes de 23 graus norte e 25 graus sul.

O Brasil é o maior produtor mundial de café. Produz, em média, cerca de 28% do total da produção mundial. A Colômbia segue em segundo, com cerca de 16%, a Indonésia, em terceiro, com 7%, e o México, no 4º lugar, com cerca de 4%.

Qual a diferença entre os cafés?

A qualidade de grãos e sua combinação, que deve ter seleção especial, sendo que cada  café  tem seu segredo, sua receita, seu blend.

Qual é o melhor café?

Não tem o " melhor café ". Cada produto tem seu sabor próprio. É como comer 02 tortas de limão, sendo uma com creme de leite Vigor e outra com creme de leite Paulista, no final um terá sua preferência.

O que é blend?

É uma combinação de grãos de diversas regiões (nunca usar a palavra mistura). Mistura é entendida como cevada ou produtos que não fazem parte do blend de  café .

O que faz um café ser mais caro ou mais barato?

O tipo de grão que faz parte da saca de  café verde  comprada com mais ou menos defeitos de café.

Por que existem eventuais pontos mais claros misturados ao pó de café?

Pontos mais claros encontrados no  café  são provenientes da película que compõe o grão. Como essa película encontra-se na etapa de torração ela vai escurecer com menos intensidade e ficará visível na moagem.

Fonte: www.cafepilao.com.br

Café

Tipo de café

Arábica

Sem duvida a espécie mais conhecida e que representa cerca de 3/4 da produção mundial de  café . A altura das suas árvores variam entre três e cinco metros. O tronco é liso, com ramos esguios e compridos. Esta é uma espécie que se adapta facilmente às diferentes condições meteorológicas e que prefere as mudanças de estação. A espécie Arábica pode ser cultivada até uma altitude entre os 900 e os 2000 metros, onde a temperatura gira entre os 15° e os 24°C.

O  café  verde Arábica tem uma riqueza aromática inconfundível.

Robusta

Uma espécie bastante comum, não como sendo a melhor, mas a mais dura. No estado selvagem, a sua altura pode variar entre os sete os treze metros; as suas folhas são finas, com um formato elíptico.

Ao contrário do Arábica, o Robusta é cultivado a baixa altitude - entre 200 e 600 metros - precisamente porque esta espécie não se dá bem com a temperatura alcançada em locais de alta altitude, procurando temperaturas constantes, entre os 24° e os 29°C.

Particularmente sensível do ponto de vista climático, a espécie Robusta é, contudo, menos propensa a doenças, e requer de poucos cuidados. A espécie Robusta é rica em fenol alkylpirrols, cafeína (1.6-3.2%, e até mais) e outros componentes. Depois de torrado, estes elementos marcam a diferença ao nível do aroma e do paladar, que passam a estar mais evidenciados.

Como é cultivado

A árvore do café pode ser reproduzida através da plantação ou da poda. No primeiro caso, o fruto é colhido quando está completamente maduro; depois a casca é retirada e são selecionados os melhores grãos à mão, com a ajuda da água (os grãos que flutuarem, depois de mergulhados na água, são os de pior qualidade). Em seguida são colocados em caixas de madeira e cobertos com terra e folhas, esperando o brotar de novas plantas.

No segundo caso, por outro lado, é colocado no chão pequenos ramos da árvore adulta. São dispostos um a um num viveiro. A futura árvore de café fica em viveiro durante um ano, para depois ser transferida para as plantações, onde começará a dar fruto, seguindo-se mais 3 anos de climatização.

Colher, escolher ou extrair

Colher o café é, sem dúvida, o processo mais caro e que mais pesa a quem cultiva o café. Existem várias técnicas que garantem os níveis de qualidade exigidos.

A escolha da colheita é o método mais caro, uma vez que é feito apenas manualmente. Contudo, é um método bastante preciso, porque apenas são selecionados e colhidos os frutos vermelhos e devidamente amadurecidos. A técnica de extração é mais bruta, mas é menos dispendiosa, quer em dinheiro, quer em tempo. Tudo é extraído dos ramos com as mãos - desde os frutos mais verdes aos mais maduros. O resultado é a excelência da qualidade da colheita.

 Processo: método seco ou molhado 

Existem 2 métodos de escolha: o processo seco ou molhado. O primeiro, é o café natural, enquanto o segundo produz café previamente demolhado. O método utilizado afeta, obviamente, as características do grão. Anteriormente, os frutos são separados de tudo o que foi recolhido durante o processo mais duro. Para tal, os frutos têm de ser peneirados e depois recebem um poderoso jato de ar ou submersos em tubos com água corrente.

Depois de obter apenas os frutos, são colocados em terrenos especiais, expostos diretamente ao sol, até secarem por completo. Depois são misturados e cobertos com panos resistentes a água, evitando assim que fiquem novamente molhados com a chuva.

Por fim, os grãos vêem finalmente a luz do dia. A maior parte da polpa é eliminada, com recurso a uma máquina especial. Depois, o fruto é submerso em tubos cheios de água, durante dois ou três dias. Neste processo, a polpa restante, que foi submetida à fermentação, é retirada, deixando aparecer o grão. É necessária muita atenção durante este processo, para que o fruto não seja destruído, o que pode acontecer se o fruto for exposto a um longo processo de fermentação.

Os grãos são depois lavados e secos depois da fermentação. Um detalhe importante: os grãos molhados, obtidos através do processo de secagem são, garantidamente, de excelente qualidade, com um aroma especial e inconfundível. De qualquer forma, o café obtido no final de todo o processo é designado por café verde, e está quase pronto para ser exportado.

Seleção, armazenamento e grau

O café verde quando armazenado tem de ser sujeito a uma seleção adicional, que pode ser feita manual ou eletronicamente, mediante a cor, excluindo os grãos excessivamente maduros ou fermentados.

De seguida, o produto é selecionado e classificado - tendo em atenção que cada país tem o seu próprio método estabelecido, mas o proposto pelo New York Coffee e pelo Sugar Exchange é um dos mais importantes e dos mais utilizados - sendo necessário fazer o depósito do produto, com a garantia de uma boa conservação.

Antes de ser transportado, o café verde tem 11-12% de umidade, e deve ser preferencialmente armazenado em locais com baixa umidade relativa (de preferência inferior a 50%) com uma temperatura constante. Não significa, no entanto, que tenha uma resistência excepcional com o passar do tempo. Quanto menor for o tempo de armazenamento, melhor será a qualidade, mesmo com uma umidade relativa extrema.

Como preparar um bom café

Falar de café espresso é falar de uma bebida que tem características únicas e incomparáveis. O protagonista na sua preparação é, indiscutivelmente, o café mas, a escolha do blend certo, a dosagem correta e a máquina que o produz são também fatores decisivos. O café espresso é a verdadeira experiência para os sentidos.

O melhor café? Tem de ter um creme denso e espesso, com cor, com um intenso e refinado aroma e um corpo aveludado. Como é que reconhece estas características? Treinando os seus sentidos: saborear um café espresso é uma arte.

O café espresso perfeito, de acordo com o Instituto Italiano do Café espresso

Aqui é encontrado o perfil de um café espresso perfeito, definido pelo Instituto Italiano do Café espresso, organização que representa o café espresso em todo o mundo, promovendo a sua cultura.

 Dose ideal de café em grão:  7 g +- 0.5

 Temperatura da água na saída do grupo de café:  88 °C +- 2 °C

 Temperatura da bebida na xícara :  67 °C +- 3 °C

 Pressão da água :  9 bar +- 1

 Tempo de extração:  25 seg +- 2.5 seg

 Mililitros na xícara (incluindo a espuma):  25 ml +- 2.5

Curiosidade

Felizmente as cabras pensaram nisso...

Não, não estamos brincando. Nem sequer estamos enganados. Uma das lendas mais conhecidas sobre o café e a sua origem está intimamente ligada a estes animais de pasto.

A história conta que, um dia, na cidade Iemenita de Moka, um pastor chamado Kaldi ou Kaddi viu que uma das suas cabras mais mansas, depois de voltar do pasto, mastigava alguns grãos de café e estava alegre e com energia extra. Após esse episódio o pastor levou os grãos para um monge da região, o qual decidiu fazer uma infusão com os frutos.

Surpreso com o delicioso aroma e com a capacidade que obteve de se manter acordado após tomar a bebida, o monge divulgou a novidade para todo monastério. Surgindo assim uma das bebidas mais consumidas no mundo.

A origem do nome... e que continua a ser uma lenda

Existem diversas teorias que procuram chegar à etimologia da palavra café, embora não haja uma opinião consensual sobre o assunto. O senso comum diz-nos, no entanto, que talvez tenha tido origem do clássico Arábica qawha, que significa "que estimula, que eleva o espírito". A evolução desta palavra ao longo dos anos acabou por transformar-se na palavra Turca kahweh, cuja pronúncia tinha uma sonorização semelhante à palavra café dos tempos de hoje.

Café e saúde

Uma maçã por dia, é sinônimo de saúde.... se o mesmo fosse verdade para uma xícara de café? Talvez duas ou três porque, quando o café é bom, é um prazer que proporcionamos a nós mesmos, diversas vezes ao longo do dia. Alguns tomam no café da manhã, outros durante a pausa no meio da manhã, outros ainda depois do almoço.

Há também quem substitua o tão apreciado chá das cinco britânico por um bom café, ou até mesmo depois do jantar... Todas as ocasiões são boas para os amantes de café. Existem ainda aqueles que bebem café para se manterem acordados, e outros que tomam café para sentirem uma explosão de energia. Por último, há ainda quem não consuma a bebida para não fazer subir a tensão arterial.

Há outras pessoas que vêem o café como um medicamento perfeito para as dores de cabeça, outros como o tratamento ideal para o colesterol. Depois há também quem beba café com a esperança de acalmar a fome durante uma dieta. Por último, para uma vida saudável, há quem consuma café quando tira uma pausa para relaxar. Mas, acredite, com todas estas verdades e ficções, pensamos que cada um de nós deve tomar as suas próprias decisões e formar os seus próprios juízos.

O nosso corpo e o café

O café acelera os batimentos cardíacos, estimula o cérebro, aumenta o fluxo urinário, a produção de ácidos digestivos, relaxa os músculos lisos e os que controlam os vasos sanguíneos e as vias respiratórias. Através de certos mecanismos, causa sensação de revigoramento.

Ao atingir o córtex sensorimotor, diminui a fadiga e ao atuar sobre os receptores do hormônio adenosina, situados nas células nervosas, exerce uma ação inibidora desse hormônio, impedindo que ele aja como redutor da frequência cardíaca, da pressão sanguínea e da temperatura corporal, fatores responsáveis pela sensação de torpor e do sono.

Por outro lado, a cafeína exerce um efeito sobre a descarga das células nervosas e a liberação de neurotransmissores e de alguns hormônio tais como a adrenalina. Age sobre a enzima lipase, uma lipoproteína que mobiliza os depósitos de gordura para utilizá-la como fonte de energia no lugar do glicogênio muscular.

Esse efeito de poupar o glicogênio, torna o corpo mais resistente à fadiga, aumenta a capacidade mental e a concentração, melhora por um determinado período de tempo o desempenho atlético aumentando a força e a resistência muscular e evita crises de asma, relaxando os músculos bronquiais obstruídos.

Um café no final da refeição

Um dos maiores prazeres em tomar um café no final de uma refeição tornou-se também um dos maiores aliados no processo digestivo. Esta é uma das conclusões presentes em diversos estudos sobre o tema, onde ficou provado que esta bebida estimula a produção de sucos gástricos, facilitando a atividade do pâncreas, responsável pela boa digestão.

Assim sendo, depois de uma refeição farta, o café é um excelente aliado, contribuindo para uma boa disgestão. Depois de qualquer refeição é comum sentirmos sonolência, que faz com que queiramos fazer uma cochilo depois do almoço. Mas, se o trabalho espera por nós, o melhor é beber uma boa xícara de café.

Fonte: www.saeco.com.br

Café

Originário da Etiópia, onde já era utilizado em tempos remotos, o  café  atravessou o Mediterrâneo e chegou à Europa durante a segunda metade do século 17. Era a época do Barroco e das monarquias absolutas, e a expansão do comércio internacional enriquecia a burguesia.

Já no início do século 18, os  Cafés  tornaram-se centros de encontro e reunião elegante de aristocratas, burgueses e intelectuais.

Precedido pela fama de "provocar idéias", o  café  conquistou, desde logo, o gosto de escritores, artistas e pensadores. Lord Bacon atribuía-lhe a capacidade de "dar espírito ao que não o tem". os enciclopedistas eram adeptos fervorosos do café e dos Cafés, que Eça de Queiroz chegou a afirmar, muito depois, que foi do fundo das negras taças "que brotou o raio luminoso de 89", referindo-se às discussões entre iluministas que precederam a Revolução Francesa.

No Brasil

No Brasil, o  café  anda, derruba matas, desbrava as terras do Oeste.

Foi em 1727 que o oficial português Francisco de Mello Palheta, vindo da Guiana Francesa, trouxe as primeiras mudas da rubiácea para o Brasil.

Recebera-as de presente das mãos de Madame dáOrvilliers, esposa do governador de Caiena. Ora, como a saída de sementes e mudas de  café  estava proibida na Guiana Francesa, é licito pensar que o aventureiro português recebeu de Madame não só os frutos, mas outros favores talvez mais doces. As mudas foram plantadas no Pará, onde floresceram sem dificuldade.

Mas não seria no ambiente amazônico que a nova planta iria tornar-se a principal do país, um século e meio mais tarde.

Café

Enquanto na Europa e nos Estados Unidos o consumo da bebida crescia extraordinariamente, exigindo o constante aumento da produção, o  café  saltou para o Rio de Janeiro, onde começou a ser plantado em 1781 por João Alberto de Castello Branco. Tinha início, assim, um novo ciclo econômico na história do país.

Esgotado o ciclo da mineração do ouro em Minas Gerais, outra riqueza surgia, provocando a emergência de uma aristocracia e promovendo o progresso do Império e da Primeira República.

Penetrando pelo vale do rio Paraíba, a mancha verde dos cafezais, que já dominava paisagem fluminense, chegou a São Paulo, que, a partir da década de 1880, passou a ser o principal produtor nacional da rubiácea ( café ). Na sua marcha foi criando cidades e fazendo fortunas. Ao terminar o século XIX, o Brasil controlava o mercado cafeeiro mundial.

Nas cidades surgem  Cafés . E o culto ao "ouro verde"

"No começo do século o  Café  Lamas é um cenáculo de (...) irrequietos boêmios: estudantes, artistas, bancários, rapazes do esporte, do funcionalismo público e do comércio. Funciona dia e noite. Suas portas não se fecham, nem se abrem. De tal sorte que, uma vez, quando se amotina a Escola Militar em 1904, durante a Revolta da Vacina e a notícia corre que, sob o comando do general Travassos, descem os alunos pela.rua da Passagem, caminho do Catete, as portas do estabelecimento, de tanto viverem sem (...) movimento, não podem fechar, perras, imobilizadas nos seus gonzos. E assim é que se manda chamar, para fazer movê-las, um esperto carpinteiro". (Luiz Edmundo.).

Na madrugada carioca, os caminhos de todos os boêmios convergiam, ziguezagueantes e trôpegos, para o  Café Lamas . Depois da meia-noite era para ali que avançavam, a passo vacilante, notívagos e intelectuais saídos de outros  Cafés famosos , como o Papagaio, o Cascata, o Café Paris e muitos mais.

Nos movimentados  Cafés  tomava-se de tudo, inclusive café, servido por ágeis e animados garçons, que talvez não tivessem plena consciência de seu papel na complexa estrutura econômica do Brasil, mas cuja função representava o último elo, fumegante, negro e aromático, da ampla cadeia do café.

Financiando, armazenando e vendendo, as Casas Comissárias reinam sobre o  café 

Contemplando certo edifício em Buenos Aires, Olavo Bilac - então em viagem oficial á Argentina - exclamava em 1910: "Casa querida! Como tu lembras, aqui, no estrangeiro, todas as casas da minha vida". Referia-se à sede do  Café Paulista , empresa de comercialização fundada por Octaviano Alves de Lima na capital portenha.

Notável propagandista, Alves de Lima conseguira aumentar o consumo do  café brasileiro  pelos argentinos, divulgando o slogan " Café Paulista (Brasil) - O melhor do mundo ".

O  café  era o símbolo do Brasil no exterior.

Café

Entre a fazenda produtora e o consumidor estrangeiro, o  café  passava por uma série de etapas, mudando várias vezes de mão. Depois de conduzido em lombo de burros ou em carros de boi até a estrada de ferro mais próxima, que passava com freqüência pela própria fazenda, era embarcado em vagões, que desciam para o porto de Santos ou do Rio de Janeiro. Mas não era imediatamente exportado. Fazia, antes, um estágio nos armazéns de alguma Casa Comissária e era então vendido aos exportadores.

Os comissários de  café  - geralmente comerciantes portugueses e brasileiros, ou grandes fazendeiros que diversificavam suas atividades metendo-se no comércio e fundando bancos - financiavam plantações sob hipoteca e por conta da produção a ser vendida. Vendendo o café aos exportadores, os comissários tiveram papel decisivo, particularmente no primeiro período de expansão dessa lavoura (final do século XIX), quando a maior parte dos fazendeiros ainda não se mudara para a cidade e vivia isolada nas casas-grandes de suas fazendas. .

Os comissários cobravam dos fazendeiros comissão pela venda, despesas de armazenamento e juros pelo financiamento da plantação. Houve um momento em que foi muito estreita a relação de dependência pessoal do produtor para com o comissário, tomando-se este uma espécie de conselheiro daquele. "Daí persistir em 1890 o costume de grandes casas comerciais hospedarem, nos seus andares superiores, senhores rurais ou pessoas de suas famílias. Quando em visita ás cidades, era aí ou nas próprias residências dos seus comissários (...) que se instalava essa gente do interior". (Gilberto Freyre.) '.

Entre as mais importantes Casas Comissárias estavam a Prado Chaves, que era também exportadora - chegando a exportar, em 1910, 1,5 milhão de sacas de  café -, a Whitalter & Brotero, a Companhia Intermediária de Café de Santos e a Companhia Paulista de Armazéns de Santos, controlada por ingleses.

Embora a presença estrangeira pudesse ser notada entre os comissários, era, porém, no comércio de exportação que mais forte se fazia sentir sua intervenção. Das dez maiores firmas exportadoras, em 1907, apenas uma era brasileira, a Prado Chaves, que ocupava o sétimo lugar. Todas as outras, como a Theodor Wille (alemã) e a Neumann & Gepp (inglesa), pertenciam a estrangeiros. As vendas externas proporcionavam enormes lucros, pois a própria cotação do  café  era manipulada pelos exportadores, numa época em que as trocas de informações entre os continentes mostravam-se precárias.

Apesar das crises econômicas conjunturais, o consumo mundial de  café  crescia constantemente. Os lucros dos exportadores, entretanto, não subiam na mesma proporção, pois, entre 1891 e 1900, a exportação de 74 491 000 sacas de café rendeu a cifra de 4691906 contos de réis, enquanto na década seguinte, isto é, entre 1901 e 1910, houve uma queda para 4 179 817 contos de réis no pagamento da exportação de uma quantidade maior de café (130 599 000 sacas). Em 1906, o providencial Convênio de Taubaté viria salvar a situação. E os exportadores poderiam, outra vez, dormir em paz.

Na alta, fortuna. Na baixa, falência. Um convênio irá equilibrar essa balança?

Mas, afinal, o que estava acontecendo com o  café ? perguntava-se, perplexo, o homem da rua, em fins de 1902. Não era ele o "ouro verde" de que tantos falavam? Que anúncios de crise eram aqueles? Onde estava a antiga euforia, aquela impressão de riqueza sem limites, proporcionada pelo café, e que foi a marca dos últimos decênios do século XIX?

E, com efeito, aquilo que parecia impossível na década de 1880 estava de fato acontecendo. A cotação internacional do  café  caía constantemente, enquanto as fazendas lançavam no mercado quantidades crescentes do "ouro verde". A safra dos anos 1901/1902 havia superado a marca de 16 milhões de sacas, para um consumo mundial ligeiramente superior a 15 milhões. E a cotação do produto no mercado externo, que havia sido de 102 francos-ouro em 1885, caíra para 33 francos-ouro em 1902. De fato, desde 1893, os preços internacionais vinham caindo sistematicamente como conseqüência dos problemas econômicos dos Estados Unidos, nosso principal cliente, e da expansão mundial da produção de café.

Mas durante alguns anos a queda dos preços havia sido compensada pela desvalorização do mil-réis. Os cafeicultores recebiam menos em libras ou em francos, mas o montante de suas rendas em moeda nacional não se alterava substancialmente. Essa desvalorização do dinheiro era provocada pelo "encilhamento" - política de farta emissão de papel-moeda adotada na gestão de Ruy Barbosa no Ministério da Fazenda (1889-1891), durante o governo de Deodoro da Fonseca.

Visando a aumentar a quantidade de dinheiro em circulação, para incentivar o estabelecimento de indústrias e possibilitar o pagamento da massa assalariada que começava a substituir os escravos, o "encilhamento" gerou um galopante processo de inflação. Essa política caracterizou-se também pelo estímulo oficial à constituição de sociedades por ações, o que gerou desenfreada especulação na Bolsa de Valores. (Daí o nome "encilhamento", que se refere ao momento em que são apertadas as selas dos cavalos antes das corridas nos hipódromos - e o ritmo das apostas se torna frenético.) No final do século XIX, depois de um período de euforia, as ações começaram a baixar - e muitos cafeicultores abriram falência.

Para restaurar as finanças, o presidente Campos Salles, logo que tomou posse, em 1898, passou a aplicar uma política deflacionária, forçando a revalorização do mil-réis. Ora, revalorizar a moeda significava - caso a tendência baixista na cotação do  café não fosse modificada - reduzir fortemente a renda dos cafeicultores. E era o que estava começando a acontecer, agora que a política "saneadora" de Campos Salles apresentava seus primeiros resultados.

A opulência do passado entra em crise

Em 1902, olhando os jornais do dia, ao tomar o fumegante  café da manhã , os homens de negócios não podiam esconder seu temor diante dos fatos. E preciso fazer alguma coisa! exclamava o fazendeiro, franzindo o cenho. E preciso fazer algumas coisas! repetiam, como um eco, deputados e senadores, presidentes de Estado, potentados do café. Pois era a rubiácea o sustentáculo da jovem República, assim como o fora do Império.

Expandindo-se em ondas verdes em direção do Oeste durante a segunda metade do século XIX, os cafezais haviam ocupado enormes espaços geográficos do Rio de Janeiro e de São Paulo. Uma nova classe dirigente surgiu daí, muito mais poderosa e opulenta do que os antigos barões do açúcar. Mais urbana do que estes e muito ligada á vida cultural e social da Europa, essa nova classe contribuiu poderosamente para modificar a paisagem das cidades. Sua ação fez surgir um novo estilo arquitetônico, copiado de modelos europeus, e levou o fausto da casa-grande senhorial às chácaras e sobrados urbanos. No Rio de Janeiro, por exemplo, Antonio Clemente Pinto, Barão de Nova Friburgo, possuidor de vinte fazendas, fez construir o Palácio do Catete, entre 1858 e 1865, por 8000 contos de réis.

A ação urbanizadora do  café  permitiu também a modernização das grandes cidades e motivou a revolução nos transporte com a implantação das primeiras estradas de ferro. As ferrovias paulistas - a primeira das quais, ligando Santos a Jundiaí é de 1867 -, abrindo caminho para o oeste, acompanharam a plástica fronteira verde. E foram plantando cidades em seu avanço. Só em São Paulo, entre 1891 e 1900, foram criados 41 municípios.

A salvação vem de Taubaté

Em 1906, a crise atingiu seu ponto culminante. A  safra de café  desse ano ultrapassou os 20 milhões de sacas, para um consumo mundial inferior a 16 milhões, enquanto os preços continuavam a cair. Em fevereiro, reuniram-se em Taubaté os presidentes Jorge Tibiriçá (São Paulo), Nilo Peçanha (Rio de Janeiro) e Francisco Salles (Minas), procurando encontrar uma saída para o impasse. Precedida de intensas pressões dos cafeicultores sobre o presidente da República, Rodrigues Alves - que tomara posse em 1902 - para que fosse aprovado um plano de valorização do  café , proposto pelo industrial paulista Alexandre Siciliano, a reunião estabeleceu princípios que iriam modificar inteiramente a orientação econômica do Governo federal.

Rodrigues Alves, apesar de paulista e cafeicultor, opunha-se à valorização, pois queria dar continuidade política deflacionária do governo anterior, de Campos Salles. No entanto, obedecendo aos reclamos do "complexo do café", os presidentes Tibiriçá, Peçanha e Salles firmaram acordo que representava literalmente a "salvação da lavoura".

 Conhecido como Convênio de Taubaté, esse acordo fixou os seguintes princípios: 

 a)  preço mínimo para a saca de café

 b)  negociação de um empréstimo externo de 15 milhões de libras esterlinas para custear as compras de café a serem feitas pelos Governos estaduais, com a finalidade de retirar do mercado uma parte do produto

 c)  estabelecimento de um fundo para a estabilização do câmbio, impedindo assim que o mil-réis fosse revalorizado; esse fundo seria a Caixa de Conversão; d) imposição de uma taxa proibitiva para impedir o surgimento de novas plantações.

"Depois de alguma luta para demover os opositores do plano, o Convênio foi finalmente aprovado pelo Congresso Nacional, não sem certa resistência de Rodrigues Alves. Tal resistência, aliás, custou-lhe o mando político do país. Durante aquele ano ocorreria a sucessão presidencial e os representantes dos grandes Estados rejeitaram o candidato preferido de Rodrigues Alves, escolhendo Affonso Penna, inteiramente identificado com a valorização do  café . Empossado em novembro, Penna honraria fielmente seus compromissos com cafeicultura.

Durante os três anos seguintes foi implantada a Caixa de Conversão e os Estados conseguiram dos banqueiros europeus o ansiado empréstimo de 15 milhões de libras, com o qual puderam efetuar compras maciças de  café  excedente. Em 1909, surgiram os primeiros efeitos da política de valorização.

Os preços internacionais do  café  começaram a subir, enquanto a Caixa de Conversão conservava o câmbio artificialmente baixo. No entanto, o país endividara-se no exterior. Os grandes bancos europeus passaram a controlar o comércio do  café .

Muitas fazendas foram vendidas a estrangeiros, pois o esquema valorizador enriqueceu apenas uma parte dos produtores.

Os principais beneficiários da nova política econômica foram basicamente os banqueiros internacionais e as casas comissárias, que, comprando o  café  na baixa e vendendo-o na alta, auferiram lucros fabulosos. Algumas delas, aliás, tornaram-se grandes proprietárias de fazendas. A Prado Chaves, por exemplo, adquiriu, nesse período, catorze fazendas, vendidas a baixo preço por cafeicultores arruinados, com um total de 3,5 milhões de pés de café.

Fonte: www.historianet.com.br

Café

Arbusto que alcança geralmente 4 metros de altura, caule direito com casca cinzenta.

Copa em forma de cone com ramos laterais, que partem do principal num ângulo aproximado de 90°. Folhas opostas onduladas nos bordos, verde-acinzentadas quando jovens, verdes escuros e brilhantes mais tarde.
As flores brancas e perfumadas surgem em grande profusão, aglomeradas ao longo dos ramos, o que a torna também uma planta ornamental.

A florada é a fase mais importante do  cafeeiro .

Ocorre geralmente, entre Setembro e Novembro, podendo repetir-se por três ou quatro vezes durante esse período.

Nessa época, cada galho da planta se torna um bouquet branco com cheiro de jasmim.

As flores desabrocham numa só manhã, agrupadas em um pequeno feixe. Da flor resulta o surgimento do chumbinho, pequeno infrutência que vai desenvolver-se ao longo de 6 a 8 meses, transformando-se no grão de café.
Frutos tipo baga, ovoíde, com 10 a 15 mm de diâmetro, por 17 e 18 mm de altura. Tem a cor vermelha quando maduro, por isso a denominação de grão "cereja, tornando-se pretos quando secos.

Casca lisa e brilhante.

Cada fruto contem duas sementes coladas, de coloração acinzentada, branco-amarelada ou amarelo-esverdeada, envoltas por polpa branca, adocicada.

As sementes torradas e moídas produzem uma bebida estimulante - o  café. 
 Frutificação :  de maio a agosto

O Café Torrado

O  café , para seu consumo, necessita obrigatoriamente ser torrado.

Antes de torrados, os grãos são selecionados, passam por triagem e calibragem.

O processo de torra consiste em submeter o grão à elevação progressiva e rápida da temperatura, fazendo com que sua umidade interna chegue a 3%.

Durante o processo, os grãos são mexidos continuamente para que a torra seja uniforme.

Esta fase é determinante na característica final da bebida, pois o grau de torra evidencia e/ou esconde muitas propriedades do grão.

 

 

Café

 

 

Fonte: www.arara.fr

Café

O efeito de duas xícaras grandes de  café  tomadas de manhã pode durar todo o dia. Uma xícara de café depois do almoço ajuda a combater sonolência e a melhorar a atividade mental.,

O  café  é a terceira bebida mais consumida no mundo depois da água e do chá. Os pés de café são arbustos reconhecíveis por suas folhas, opostas e freqüentemente bem desenvolvidas. Suas flores são pequenas, tubulares e brancas.

O fruto é pequeno, arredondado, com duas nozes e com polpa açucarada.

Coffea

O arbusto da região tropical, pertencente à família das rubiáceas, que possui 500 gêneros e 8.000 espécies, se conhece como cafeeiro ou pé de café.

Um desses gêneros é o Coffea, constituído por árvores, arbustos e trepadeiras, que compreende umas 10 espécies civilizadas, isto é, cultivadas pelo homem, e 50 espécies silvestres.

Café

 O fruto do pé de café, que no estado de maturidade toma uma cor avermelhada, cujas sementes são torradas e moídas para serem utilizadas para o consumo humano, está composto por: 

Uma capa exterior de cor vermelha ou amarela, denominada casca
Uma substância gelatinosa açucarada, denominada polpa
Uma cobertura dura conhecida como pergaminho
Uma cobertura mais delgada e fina chamada pele
E, finalmente, o grão ou amêndoa que é a parte do fruto dura e de cor esverdeada que uma vez torrada e moída se utiliza para a produção da bebida do café.

A cafeína

Um subproduto do  café  é o alcaloide estimulante conhecido como cafeína, quimicamente muito similar à teína, que também está presente no chá; a mateína do chimarrão, consumido na Argentina, no Brasil, no Chile e no Uruguai e a teobromina do cacau.

O ritual do café

Desde sua descoberta, o  café  se converteu num dos principais sabores da Humanidade.

Na África, por exemplo, o  café  é empregado em ritos de fertilidade. Em muitos países, o café se posiciona não somente como um produto indispensável na boa mesa, para terminar um jantar com uma deliciosa xícara do café, mas também como o principal ingrediente de diversas e deliciosas receitas.

Nome do café

O grão escuro, torrado e moído, usado em todo mundo para preparar uma bebida aromática estimulante, é o café.

Segundo a história, os árabes tinham começado a beber café no século XV.

Devido às primeiras preparações do café similar ao do vinho, foi dado nome kahwa. Um século depois, o café se estendeu ao Egito, à Síria e à Turquia e seu nome mudou a kahvé.

O nome e classificação da planta do café se estendeu graças ao botânico sueco Carlos de Linneo.

Hoje em dia, a denominação espanhola desta deliciosa bebida que faz famosa a Colômbia, é café.

 Nos demais idiomas a grafia varia, mas sempre mantém a mesma raiz: 

Café em castelhano, português e francês;
Cffea em latim (seu nome científico);
Coffee em inglês;
Kaffee em alemão;
kaffe em sueco.

Lenda da descoberta do café

Conta a lenda que há mais de 1300 anos, no território de atual Etiópia, um jovem pastor árabe Kaldi observou uma tarde como suas cabras atuavam de uma forma estranha, correndo e dando saltos como loucas, depois de comer arbustos de frutos vermelhos.

O pastor, intrigado pelo que ocorria, decidiu levar as mostras de folhas e frutos a um mosteiro chamado Cheodet, onde os monges por curiosidade puseram os grãos para cozinhar. Ao provar a bebida, acharam tão ruim que jogaram ao fogo o que sobrou.

Café

 Planta do café na Colômbia 

Mas os grãos, à medida que se queimavam, despediam um agradável aroma. Os monges tentaram então voltar a preparar uma bebida com os grãos torrados e ficaram fascinados com o resultado.
Ao tomar-se o  café , as orações dos monges já não foram suaves e calmas, mas recitadas em coro com alegria.
A lenda conta que o abade do mosteiro deu o nome de Kaaba à bebida, que em árabe quer dizer pedra preciosa de cor  café. 

Conservação do café

O  café  torrado e moído se deteriora facilmente por causa do ar, da umidade, do calor, do tempo e aromas de outros produtos.

 Para conservá-lo, lembre do seguinte: 

Café

 Conservação do café 

 Café molido: 
O café torrado, embalado em bolsas normais, moído, tem garantida a sua composição até por um mês. Em semente, até por dois meses. Em bolsas especiais com válvula de saída que protege o aroma, pode ser guardado por até seis meses. O café embalado a vácuo se conserva até por um ano.

 Conservação do café: 
Uma vez aberto o pacote, armazene o café em recipientes herméticos no lugar mais frio e seco disponível, preferivelmente na geladeira ou no congelador.

 Porcão individual: 
Se você utiliza o  café  torrado em semente, deve ser moída somente a quantidade que você vai precisar para a preparação individual.

Preparação do café

 Para preparar uma boa xícara de café, leve em consideração os três passos de seu processo que apresentamos a seguir: 

 A água: 
O passo mais importante na preparação do  café  é a água fria e limpa. Esta água deve ser fervida para poder receber o café torrado e moído, com o fim de extrair as substâncias que caracterizam o sabor deste produto. A temperatura mais adequada para que a água entre em contato com o café está entre 92° e 96°, isto é, exatamente depois de ferver.

 Os utensílios: 
Todos os elementos, utensílios e equipamentos utilizados para a preparação do  café , devem ser lavados regularmente, devido a que o café tem um importante conteúdo de gordura. Qualquer sabão que se use para lavar as coisas deve ser eliminado completamente.

 A preparação: 
Sente-se melhor o sabor do café quando está recém preparado. Deve ser tomado o quanto antes, pois o café se deteriora quando se guarda por mais de uma hora. Lembre-se que nunca se deve tomar um café requentado.

Fonte: www.colombia.travel

Café

A Origem do Café

Bebida aromática, de forte sabor, estimulante do sistema nervoso, o café é hoje um hábito disseminado por todo o mundo e sua produção e comercialização têm peso relevante na economia internacional, constituindo um dos principais produtos de exportação de cerca de quarenta países menos desenvolvidos.

Café

A Cafeína

Presente em algumas bebidas largamente consumidas, como  café , chá, guaraná e refrigerantes à base de cola, a cafeína induz à dependência por reduzir a sensação de fadiga.

A  cafeína  é um composto orgânico do grupo dos alcalóides, substâncias que têm efeitos fisiológicos marcantes e que se encontram em certas plantas já consumidas como estimulantes pelos antigos. A cafeína apresenta-se sob a forma de um pó branco ou pequenas agulhas, que derretem a 238°C e sublimam a 178°C, em condições normais de temperatura e pressão. É extremamente solúvel em água quente, não tem cheiro e apresenta sabor amargo.

Uma xícara média de café contém, em média, cem miligramas de cafeína. Já numa xícara de chá ou um copo de alguns refrigerantes encontram-se quarenta miligramas da substância. A cafeína estimula o sistema nervoso central, o coração, vasos sangüíneos e os rins. Sua rápida ação estimulante faz dela poderoso antídoto depressão respiratória em conseqüência de intoxicação por drogas como morfina e barbitúricos. A ingestão excessiva pode provocar, em algumas pessoas, efeitos negativos como irritabilidade, ansiedade, agitação, dor de cabeça e insônia.

O Fruto

Café é fruto do cafeeiro, arbusto da família das rubiáceas, gênero Coffea, do qual existem mais de sessenta espécies e inúmeras variedades, podendo chegar a até dez metros de altura. As principais espécies de importância econômica são a Coffea arabica e a Coffea robusta ou canephora, sendo a primeira de maior cotação no comércio internacional por suas qualidades de aroma e sabor.

A planta cultivada cresce bem menos do que em estado nativo mas fornece maior quantidade de frutos. O caule tem casca cinzenta e rugosa e as folhas, agudas e onduladas nas margens, são verde-escuras; possui flores brancas, que se unem em cimeiras na axila das folhas superiores. O fruto, baga ovóide, é vermelho quando maduro e quase preto depois de seco, e contém duas sementes, achatadas ou ovóides, revestidas de tegumento amarelado ou acinzentado.

Aplicações

Além do consumo universal da infusão, o café tem outras aplicações, já que, por conter cafeína e outros alcalóides em sua composição química, atua no sistema nervoso e circulatório, estimulando a atividade cerebral e cardíaca, além de servir como diurético. É empregado contra dor de cabeça, embriaguez, asma, tosse e como antídoto do ópio e da morfina.

Em algumas regiões do Brasil, as folhas do cafeeiro, usadas em forma de banhos, combatem os resfriados e reumatismos. Entretanto não tem valor nutritivo e, se consumido em excesso, pode causar gastrite, nervosismo e alterações no ritmo cardíaco. O resíduo da infusão serve como adubo.

Origem do café

A história do café é vaga e obscura. A palavra café parece derivar do árabe qahwah, embora etimologistas a relacionem com Kaffa, província da Etiópia de onde a planta é nativa. De lá passou para a Arábia e admite-se que os árabes hajam começado a tomar café já no século XV. O cultivo se desenvolveu e o Iêmen permaneceu como principal fornecedor mundial até o século XVII.

Uma das lendas em torno da descoberta do efeito estimulante do café é a do pastor Kaldi. Ao ver a agitação das cabras de seu rebanho, após a ingestão de alguns frutos do cafeeiro, Kaldi provou os frutinhos avermelhados, comprovando seu poder excitante. Isso teria ocorrido no ano 850. Outras fontes, entretanto, contam ter sido um monge árabe o primeiro a preparar uma infusão com sementes de café, a fim de livrar-se do sono que o impedia de realizar suas orações noturnas.

Em Meca, cidade santa dos muçulmanos, no início do século XVI o café era muito consumido, mas não tardou a ser condenado pelas seitas mais ortodoxas do islamismo e, a pretexto de contrariar o Alcorão, seu uso foi proibido. Em 1526 a proibição foi abolida e tanto a agricultura como o comércio do café desenvolveram-se em toda a península arábica, até chegar à Turquia e depois à Europa, no decorrer dos séculos XVI e XVII.

Quem primeiro divulgou as propriedades do café na Europa foi Leonard Rauwolf, alemão que viajou pelo Oriente em 1592, seguindo-se a ele o botânico italiano Prospero Alpini. Admite-se que em Veneza, no fim do século XVI, consumia-se café. A planta parece ter sido levada para o continente americano, em 1607, pelo capitão John Smith, fundador da Virgínia. No princípio do século XVII, os navios da Companhia das Índias Orientais traziam grandes cargas de café do Oriente.

Foi em Constantinopla (hoje Istambul, Turquia) que se abriu o primeiro estabelecimento para servir café ao público, em 1550. Na Europa as primeiras casas de café surgiram em Veneza, em 1591; Londres, em 1652; e Marselha em 1671. A partir de 1670, estabelecimentos semelhantes difundiram-se pelas grandes cidades dos Estados Unidos.

Com a popularização do uso do café seu cultivo espalhou-se pelo mundo.

Conta-se que sua chegada ao Novo Mundo deve-se ao capitão francês Gabriel-Mathieu de Clieu, responsável pela introdução da primeira planta, na Martinica. Entre 1720 e 1723, De Clieu, que servia na guarnição da Martinica, visitou a França, onde soube que os holandeses haviam transplantado com êxito o café para as ndias Orientais, cujo clima se assemelha ao da Martinica.

Resolveu então iniciar a cultura nessa colônia; mas os poucos cafeeiros então existentes em Paris eram conservados com muito cuidado, em estufas, pelos jardineiros de Luís XV. Só a muito custo ele conseguiu algumas mudas e durante a viagem de volta à Martinica foi obrigado, durante mais de um mês, a dividir a sua cota de água no navio com os cafeeiros, finalmente plantados na ilha e tratados com cuidado até a produção das primeiras bagas. Elas originaram a maior parte das atuais plantações daquela região.

Distribuição Geográfica

O cafeeiro prospera em climas tropicais e em terras de média altitude. O solo deve ser úmido, rico em matéria orgânica e poroso, para evitar a acumulação de água, que apodrece a raiz da planta.

Até a primeira metade do século XX, era generalizada a crença entre os lavradores brasileiros de que o café só podia ser cultivado eficientemente em terras virgens, após a derrubada das matas, limpeza do terreno e abertura das covas para receber diretamente as sementes ou mudas, sem necessidade de adubação devido à fertilidade do solo. Essa crença está superada e o café é hoje produzido dentro das mais modernas técnicas de plantio, de correção do solo e de irrigação e drenagem.

O habitat natural das espécies de maior importância econômica é a zona tropical da África, numa faixa que se estende desde a Guiné até a Etiópia e, ao sul, até Angola. Na Etiópia ainda subsistem florestas de cafeeiros nativos e em algumas regiões da Ásia (Myanmar, Indonésia) certas espécies vegetam espontaneamente.

Existem culturas comerciais em cerca de setenta regiões, do equador aos trópicos, faixa ultrapassada, ao sul, apenas no Brasil e em Moçambique e ao norte em Formosa. As principais espécies estão distribuídas geograficamente como se segue:

 Coffea arabica:  Predomina no Ocidente, onde 27 países a cultivam isoladamente e 31 associam-na a outras espécies. No continente africano floresce nos planaltos da Etiópia, sudeste do Sudão, Camarão, Angola, região oriental do Zaire, Ruanda, Burundi, Quênia e Tanzânia. Na Ásia quase se extinguiu quando os cafeeiros foram atacados pela ferrugem, uma doença que dá nas folhas do arbusto, mas subsiste em certas regiões das Filipinas e da Indonésia. No Brasil as variedades mais cultivadas são: typica, mundo novo, caturra, maragogipe e bourbon.

Coffea robusta ou canephora: Concentra-se na Ásia e África, predominando no Benin, Togo, Gabão, Congo, Angola, Madagascar, Uganda, Costa do Marfim, Camarão, Libéria, Tanzânia, Guiné, Indonésia, Vietnam, Filipinas, Sri Lanka, Nova Caledônia, Ilhas Comores, além de Trinidad e Martinica. Essa variedade também é cultivada nas Antilhas, Equador e Brasil.

 Coffea liberica:  De importância econômica reduzida no quadro mundial, é a única espécie existente na Guiana. Seu cultivo se estende a cerca de 17 países, sendo os maiores produtores Suriname, Malásia, Libéria, Filipinas, Guiné Equatorial e São Tomé.

Condições de cultivo

Como planta tropical, o café não se adapta ao clima frio e à seca. As regiões mais favoráveis são as que apresentam temperaturas médias anuais entre 18 e 20o C e em que as mínimas absolutas raramente descem abaixo de zero. As geadas freqüentemente são prejudiciais. Como planta de clima úmido aceita índices pluviométricos da ordem de 1.500mm anuais e as estiagens não podem ser muito longas, já que a seca prejudica mais as lavouras que a umidade excessiva. Quando plantado em condições de solo apropriadas, o cafeeiro começa a produzir no terceiro ano em quantidade apreciável. Seu período de rendimento pleno tem início entre o sétimo e o oitavo ano e sua vida útil situa-se entre 15 e 20 anos. Em algumas regiões do Brasil os cafezais produzem acima dessa idade, por outros vinte anos, aproximadamente.

Os cafeeiros são cultivados atualmente com novos métodos; as mudas crescem em viveiros e são depois transplantadas em fileiras, o que vai facilitar a colheita, além de que a abertura de valas ajuda a controlar a erosão. A qualidade da terra, a seleção de fertilizantes, a irrigação artificial, assim como a proteção contra as geadas e a ferrugem, são fatores de crescente importância na moderna cafeicultura.

A colheita

 A colheita do café é feita de três maneiras: 

 (1)  derriça, quando os frutos são arrancados à mão e jogados ao chão, para, em seguida, com auxílio do rastelo (um instrumento agrícola com dentes de madeira ou ferro) serem juntados e peneirados, de modo a se expurgarem as folhas, torrões de terra e outras impurezas

 (2)  colheita no pano, quando o apanhador de café desprende os frutos do galho e os apara com um pano, normalmente preso à cintura

 (3)  a dedo, quando se colhem os frutos maduros (cor de cereja), guardando-os em cestos, sacos ou peneiras. É um processo de colheita mais lento, mas melhor apurado. Os grãos depois de colhidos devem ser limpos e esse trabalho pode ser a seco, com o uso de máquinas especiais, ou por processo hidráulico, em lavadouros.

Os processos de secagem dos grãos variam, mas no Brasil, Costa do Marfim e Angola é comum a colocação dos grãos ao sol, em terreiros previamente limpos, onde, durante dez ou 12 dias, são remexidos, espalhados e finalmente amontoados.

Do terreiro o café é levado para as tulhas (uma espécie de depósito), onde "descansa" por um período aproximado de quarenta dias, para depois ser beneficiado, classificado e ensacado. Atualmente, na maioria dos grandes centros produtores, entre os quais destacam-se no Brasil os estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, as diversas etapas do beneficiamento, como secagem, seleção, despolpamento e torrefação, são realizadas mecanicamente.

Fonte: www.cafearanas.com.br

Café

ORIGEM DO CAFÉ

Planta foi descoberta por pastores de cabras

 Café  no estado "cereja" os primeiros frutos foram descobertos na Etiópia e eram comidos pelos pastores na forma de pasta com manteiga

Sabe-se que, atualmente, o Brasil é o maior produtor de café do mundo. Mas quem teria sido o primeiro país a cultivar a planta?...

Segundo a publicação "Cultura de Café", editada pelo Instituto Campineiro de Ensino Agrícola, o chamado "ouro negro" foi introduzido pelos árabes, inicialmente na região da Etiópia, antiga Absínia (África) e Iêmen (Arábia), às margens do Mar Vermelho.

Planta estimulante

Estima-se que o café seja conhecido há mil anos no Oriente Médio, especialmente na região de Kafa (daí o nome "Café"). Mas o primeiro registro comprovado da existência da planta é do século XV (por volta do ano de 1.400 d.c.). Nessa época, o café foi descoberto por pastores de cabras etíopes. Eles notaram que quando os animais comiam uma pequena cereja (o fruto do café) tornavam-se mais espertos e resistentes.

Kaldi (nome de um desses pastores) passou a colher as cerejas do café e preparar, para seu próprio consumo, uma tonificante pasta feita com cerejas esmagadas e manteiga. Os árabes, vizinhos do Oriente Médio, foram os primeiros a cultivar o café (por isso o nome Coffea arabica – nome científico de uma das mais importantes espécies de café). Os árabes foram também os primeiros a beber o café – em vez de comer ou mascar, como faziam os pioneiros pastores da Etiópia.

Café é o remédio

É interessante notar que na África, berço do café, houve pouco interesse no cultivo da planta até a Primeira Guerra Mundial. Só depois de 1918 é que se iniciou naquele continente a expansão cafeeira, estimulada pelas metrópoles européias. A sabedoria dos nativos africanos porém, já levava-os a explorar as propriedades medicinais da planta há pelo menos dois séculos antes. Quando os europeus chegaram ao ex-Congo Belga, por exemplo, as tribos já haviam descoberto há muito tempo os efeitos estimulantes de bebidas preparadas com folhas de cafeeiros

Origem da palavra Café

No mundo árabe, o fruto cafeeiro era chamado de QUAHWAH, cujo significado quer dizer força e vigor. Posteriormente os Turcos e outros orientais passaram a pronunciar CABEUH, cuja palavra adaptou-se ao francês sem a demasiada inspiração dos HH, vindo essa palavra a dar origem a palavra CAFÉ no Português, Francês, Italiano e Espanhol; COFFEE em Inglês; KAFFE em Alemão; KAVE no Húngaro; KOHI no Japonês e KIAFEY no Chinês.

Fonte: www.graominas.com.br

Café

Café
 Desenvolvimento do café 

Café

 

Plantio

Escolha do local

 Na escolha do local da futura lavoura, devem ser evitadas as seguintes situações: 

 1.  terrenos voltados para faces sujeitas a ação dos ventos frios que são prejudiciais ao  cafeeiro 

 2.  locais que tenha tido cafezais há menos de 5 anos, porque essa condição poderá favorecer o aparecimento de pragas e moléstias no novo  cafezal principalmente os nematóides

 3.  baixadas úmidas

 4.  topografias muito íngremes, solos rasos, pedregosos ou muito erodidos.

Sistemas de Plantio

Para a maioria das regiões cafeeiras de São Paulo, o sistema de plantio de  café  que pode ser recomendado de modo geral é o de livre crescimento.

Neste sistema o espaço básico indicado é o de 4 x 2,5m para as variedades Mundo Novo e Bourbon Amarelo, podendo entretanto essa distancia sofrer pequenas alterações para mais ou menos em função de condições locais e dos tratos a serem dispensados ao  cafezal e que poderio influir no seu desenvolvimento.

O número de mudas por cova deverá ser de 2 a 3, sempre dispostas no sentido das linhas e mantendo entre si uma distancia de 20 a 25 cm.

Para as regiões altas (acima de 650 metros) e menos sujeitas a períodos de secas prolongadas, especialmente aquelas situadas ao longo da divisa com o Estado de Minas Gerais, poderá ser recomendada o plantio no espaçamento de 3 x 2m, com 2 plantas por cova e condicionado ao decote das plantas a uma altura máxima de 1,5m do solo quando as mesmas apresentarem tendência para o fechamento nas ruas.

Este decote deverá ser renovado em ciclos de 3 a 5 anos e sempre após uma safra elevada, ou na previsão de uma pequena produção no ano seguinte. Essa operação deverá ser efetuada nos meses de agosto ou setembro após o término da colheita.

Esse sistema proporciona uma maior produção por áreas especialmente nos primeiros anos. Favorece também a operação da colheita quando a mesma é feita por derriças a mão ou em cereja.

Por se tratar de sistema mais intensivo é indispensável uma assistência mais efetiva do técnico.

Bourbon Vermelho

Apresenta pouco interesse para a formação de novas lavouras. O seu porte é menor que o do Mundo Novo. A sua capacidade produtiva é bastante inferior s linhagens daquela variedade (50% em média). As melhores linhagens selecionadas pelo Instituto Agronômico de Campinas são: LC e LC 662.

Bourbon Amarelo

Distingue-se do Bourbon Vermelho por apresentar frutos amarelos, maior porte e vigor. É também mais produtivo que aquele, porém não alcança a produtividade do Mundo Novo, apresentando também frutos menores. A sua maturação é mais precoce que a do  café Mundo Novo , essa característica pode ser vantajosa nas regiões mais frias, possibilitando o início da colheita mais cedo. As linhagens do café Bourbon Amarelo que apresentam interesse são as seguintes: LCJ-3; LCJ-1O; LCJ-22; LCJ-9 e LCJ-19.

Híbrido Catuaí

Obtido pelo cruzamento entre o Mundo Novo e o Caturra. O seu porte é intermediário entre aquelas duas variedades.

É mais produtivo e mais rústico que o Caturra, parecendo adaptar-se bem às regiões altas (acima de 700 metros).

 As seguintes linhagens do Catuaí estão sendo recomendadas: 

 Catuaí Vermelho:  H 2077 - 2-5-24; H 2077 - 2-5-44; H 2077-2-5-81e H 2077-2-5-99.
 Catuaí Amarelo:  H 2077- 2-5-17; H2077-2-5-65; H 2077-2-5-86 e H 2077-2-5-100.

Formação das Mudas

Escolha do Local do Viveiro

O local para viveiro deve ter boa topografia; ser de fácil acesso para facilitar as inspeções e saída de mudas; sem umidade excessiva; com facilidade de água para irrigação e fora da região de influência das enxurradas e transito que provenham de lavouras já instaladas.

Construção do Viveiro

Como regra geral deve-se construir o viveiro com material de menor custo e de fácil obtenção. Os esteios poderão ser de eucaliptos, bambu grosso etc.

Cobertura

A cobertura é feita a mais ou menos 2 m de altura com ripas de madeira, bambu, colmos de capim napier ou colonião, folhas de indaiá, ou outros materiais dispostos no sentido norte-sul transversalmente, portanto ao caminhamento do sol, para possibilitar insolação uniforme às mudas. A densidade de cobertura deve ser tal que forneça, inicialmente 50% de sol e 50% de sombra, aproximadamente.

Escolha das Sementes

Dar preferência a sementes de variedades ou linhagem selecionadas, despolpadas, de origem conhecida e do mesmo ano, pois sementes com mais de 6 meses de colhidas, apresentam considerável perda de poder germinativo.

Recipientes

Os mais usados são: laminados de madeira e saquinhos de plástico (polietileno). As dimensões usuais são: nos laminados 10x30 cm e nos saquinhos 11x20 cm, com espessura mínima de 0,006 cm, devendo apresentar furo na sua metade inferior para drenar o excesso de água.

Em terras arenosas, o uso de plásticos requer maiores cuidados, exigindo manuseio mais cauteloso.

 Os recipientes devem ser cheios com a seguinte mistura: 

 Terra peneirada  = ¾ (75%); esterco de curral = 1/4 (25%) do volume total. Para cada metro cúbico dessa mistura acrescentar 2,5 quilos de fosfato simples e 0,5 quilos de cloreto de potássio.

 Semeadura:  Pode ser direta ou indireta.
 Semeadura direta:  é aquela em que as sementes são colocadas diretamente nos recipientes.
 Serneadura indireta:  é aquela em que as sementes são semeadas em germinadores de areia, ou canteiros, para posterior repicagem das mudas para os recipientes. Os germinadores de areia são caixas ou compartimentos de dimensões variáveis, cheios com areia grossa de rio e sobre essa areia colocam-se as sementes de  café , cobrindo totalmente toda a superfície.

Nestas condições pode-se semear até 2 quilos de sementes por m2 (metro quadrado). Em qualquer dos dois tipos, as sementes devem ser cobertas com uma camada de areia grossa, de espessura entre 1 e 2 cm.

É conveniente, após a semeadura, cobrir o local da semeação com capim seco ou material equivalente, para conservar melhor a umidade e impedir que as sementes sejam descobertas pelo impacto da água de irrigação. Assim que se perceba o inicio da germinação essa camada de capim deve ser removida.

Condução do viveiro

As regas devem ser de tal ordem que não encharquem e nem deixem faltar água s mudas.

O controle da moléstia chamada tombamento das mudas pode ser feito preventivamente, pulverizando-se um fungicida adequado.

Pode-se forçar um desenvolvimento mais rápido das mudas, irrigando-as, quinzenalmente, a partir da formação do 3º par de folhas, com uma solução de sulfato de amônia a 0,3% (30 gramas em 10 litros d'água) ou com outros adubos nitrogenados nas quantidades equivalentes.

Cerca de 50 dias antes do plantio definitivo no campo deve ser iniciada a retirada da cobertura do viveiro, a qual deverá ser feita em etapas, descobrindo-se 1/3 de cada vez, com intervalos de uma semana. As mudas devem ficar, no mínimo, 20 dias a pleno sol antes de irem para o campo.
Para o plantio no campo devem ser usadas mudas escolhidas de tamanho uniforme. As menores devem ser mantidas nos canteiros e plantadas posteriormente.

Conservação do solo

A erosão dos solos foi no passado e talvez ainda o seja no presente, o maior fator de desgaste e decadência dos cafezais brasileiros.

Os prejuízos causados pela má conservação do solo afetam diretamente o cafeicultor, podendo comprometer irremediavelmente o sucesso de seu empreendimento.

Nestas condições, a primeira providência na instalação de um  cafezal  seria a de localizá-lo em terrenos capazes de suportá-lo com segurança, mediante o emprego de práticas conservacionistas simples e relativamente pouco dispendiosas.

Os solos muito íngremes ou pedregosos, pelas dificuldades que apresentam para um controle eficiente da erosão e para a execução dos trabalhos normais dentro da lavoura, são contra-indicados para a cafeicultura.

Para os solos de pequena declividade, o plantio em nível, nos espaçamentos recomendado conjugados com a utilização de certas práticas de execução simples, é suficiente para um controle eficiente das enxurradas e da erosão do solo.

 Essas práticas são as seguintes: 

 Redução das capinas:  durante o período chuvoso, ao mínimo necessário para reduzir o arrastamento de terra pelas águas da chuva.

 Alternância das capinas:  consiste em se capinar (nas lavouras plantadas em nível) rua sim rua não. Na capina seguinte o processo é invertido, fazendo-se a capina nas ruas não trabalhadas da primeira vez e assim sucessivamente. Esse processo mantém sempre os talhões de  café  com metade das ruas protegidas por uma barreira vegetal formada pela vegetação espontânea, a qual diminui a velocidade das enxurradas evitando a erosão do solo.

 Culturas intercalares:  durante a formação do cafezal, pode plantar culturas ou adubos verdes plantados em linhas contínuas e que apresentem boa capacidade cortar o escorrimento das enxurradas, favorecendo a infiltração da água no solo.

 Herbicidas de pré-emergência:  deve evitar o emprego, pois contribuem com a compactação do solo, aumentando a erosão e o escorrimento da enxurrada, prejudicando a cultura.

 Adubações:  efetuar as adubações adequadas para dar à cultura principal e às intercalares um desenvolvimento vegetativo vigoroso.

Além de um determinado declive calculado em função do tipo de solo, deverão ser empregadas práticas mecânicas de conservação de solo, levando em consideração as particularidades do relevo e do tipo de solo, devendo ser consultado um técnico especializado no assunto.

Preparo do Terreno

O preparo do terreno, para o plantio de  café , dependerá do uso anterior do solo. Assim, se o solo vier sendo cultivado com culturas anuais, bastará uma aração e gradagem. Em locais de pastagem ou em solos compactos, para se descompactar o solo poderá ser necessário mais de uma aração e gradagem ou até uma subsolação.

No caso do terreno de derrubadas, de mata natural ou floresta artificial, é dispensável a aração, bastando uma limpeza e coveamento.

Antes de iniciar o preparo, é aconselhável providenciar a análise do solo, para que as adubações sejam feitas mais correta e economicamente.

O preparo do terreno deverá ser iniciado a partir de abril. A seguir faz-se a locação, marcando-se as covas, que deverão ser alinhadas em nível. Também os carreadores deverão ser locados. Os carreadores em nível deverão ter uma largura média de 6 a 7 metros. Os carreadores pendentes terão uma largura média de 5 a 6 metros.

A distância entre os dois carreadores em nível, dependerá da declividade, localização e tamanho do  cafezal , mas de um modo geral, essa distância deverá estar entre 8 e 15 ruas de  café .

O intervalo aconselhável entre os carreadores pendentes é de 50 a 70 covas. A locação dos carreadores pendentes deverá ser feita em pequenos lances, cada um unindo apenas dois carreadores em nível.

Os carreadores pendentes em lances muito compridos poderão favorecer a formação de enxurradas erodindo o solo.

Preparo das Covas

Normalmente a abertura das covas para o plantio é feita com o auxílio de enxadões. Pode-se, entretanto, sulcar o terreno no espaçamento desejado com um sulcador do tipo usado para o plantio de cana.

Esses sulcos, assim abertos, são de espaço em espaço, aprofundados e "acertados" com enxadões, transformando-se em covas.

O uso de sulcadores aumenta muito o rendimento da abertura de covas, tornando mais econômica essa operação.

Em condições normais as covas deverão ter 60cm de comprimento, 40cm de profundidade e 40cm de largura. Em caso de solos muito compactados (duros) as dimensões deverão ser maiores.

Plantio

Deverá ser efetuado durante os meses de chuva, com o solo úmido. Deve-se dar preferência para o plantio nos dias encobertos ou com chuviscos leves. Dentro das covas abrem-se covetas em número de 3, dispostas no sentido das linhas e distantes entre si de 20 a 25cm.

Adubação e Calagem

Tanto a adubação da cova como as adubações nos anos após o plantio, deverão ser baseadas na análise do solo e no estado geral da lavoura. Assim o técnico, com base nesses elementos poderá indicar a adubação mais adequada para cada caso especifico.

A adubação e calagem do  cafeeiro  devem ser estabelecidas pela análise do solo.

Calagem

Deve-se aplicar calcário para elevar o índice de saturação em bases (V) até 70%. Não ultrapassar 05 ton/ha/ano. Aplicar 50% da porção sobre o solo antes da aração e a outra metade depois da aração e antes da gradagem. Posteriormente, nas covas plantio, misturar 1,5 gramas por litro da terra que se vai encher as covas.

Em lavouras já instaladas distribuir o calcário sobre a superfície do solo, ao redor da planta, na estação chuvosa.

Cultivo

Culturas lntercalares

O cultivo intercalar de outras plantas dentro do  cafezal  é admissível somente durante a formação deste, objetivando uma renda compensatória ao cafeicultor enquanto não tem o  café  produção.

As culturas intercalares variam bastante quanto ao prejuízo que podem causar ao  cafeeiro .

As principais culturas intercalares, na ordem crescente do prejuízo, que podem causar ao  cafeeiro  são: feijão, amendoim, soja, arroz, algodão, milho, girassol e mamona.

Durante o período chuvoso é admissível o cultivo, por rua do  cafezal , de 2 linhas de milho ou 3 de arroz ou algodão ou 4 de feijão ou outra leguminosa de baixo porte. No segundo ano poderá ser plantada uma linha de milho ou de arroz ou 3 de leguminosa. No terceiro ano apenas 1 ou 2 linhas de leguminosas, sendo contra-indicado o cultivo intercalar a partir do 4º ano.

Capinas

As ervas daninhas podem causar grandes prejuízos ao  cafezal  se não forem adequadamente controladas. Contudo, quando o seu crescimento não for excessivo, o seu efeito na lavoura pode ser benéfico, controlando a erosão, contribuindo para manter o nível de matéria orgânica do solo e evitando o aquecimento demasiado deste e sua compactação.

Durante os meses de seca as ervas invasoras concorrem com os  cafeeiros  no consumo da água disponível do solo, razão pela qual as lavouras devem ser mantidas, nessa época, livres de qualquer vegetação estranha.

A eliminação das ervas daninhas é feita pelas capinas, geralmente em número de 3 a 5 durante o período chuvoso. As capinas podem ser manuais, mecânicas ou por meio de herbicidas.

Capina manual

São feitas normalmente com o emprego da enxada. O rendimento do trabalho com a enxada é pequeno, dependendo principalmente do tamanho das ervas daninhas. A capina manual é aconselhada para o desmatamento dos cafezais antigos, plantados em espaçamentos largos e em quadra, tendo em vista que a mecanização dessas lavouras favorece a erosão.

Capina mecânica

São aconselháveis apenas para os cafezais plantados em nível e em espaçamentos funcionais, onde as distâncias entre linhas são maiores do que aquelas entre as covas nas linhas, o que permite a passagem das máquinas no sentido do terreno.

Podem ser feitas por máquinas à tração animal ou motorizada. A única máquina de tração animal que deve ser usada nas capinas do cafezal  é o cultivador de 5 enxadinhas, também denominada carpideira ou planet.

As máquinas de tração motorizada só podem ser usadas em cafezais plantados em espaçamentos mais largos ou naquelas em formação.

Herbicidas

O combate de ervas daninhas pode também ser feito por meio de substâncias químicas chamadas herbicidas encontrados no mercado, obedecendo a época certa e as quantidades indicadas por técnico.

Poda

A poda é uma operação de rotina entre os cafeicultores de vários países. Vários sistemas de poda são empregados e o seu objetivo principal quase sempre é o de promover a renovação dos ramos produtivos ou de limitar o crescimento da planta, para facilidade na colheita.

A poda como é feita nos outros paises, não é conhecida nem praticada pelo cafeicultor brasileiro, pois aqui se faz mais uma operação de limpeza dos ramos mortos ou decadentes e quando muito um desbaste dos ramos considerados excessivos.

Desbaste

É feito quando há excesso de brotação no tronco (ramos ortotrópicos, ponteiros ou ladrões). O aparecimento de um ou outro ramo ladrão na planta não é prejudicial, servindo, em muitos casos, para a renovação de sua parte aérea. A ação de fatores externos, como seca, eficiência mineral, geada etc., pode, entretanto, provocar uma brotação excessiva, sendo aconselhável no caso, um desbaste, deixando 1, 2 ou 3 ramos por planta, conforme haja maior ou menor número de plantas por cova.

Cobertura Morta

É uma prática agrícola que consiste em cobrir todo o solo do  cafezal , ou somente a parte exposta à ação dos raios solares, como uma camada de espessura variável de material orgânico, geralmente de capinas, restos de culturas ou resíduos do próprio cafezal.

 Como resultado do emprego da cobertura morta, devem ser esperados os seguintes efeitos sobre o solo e sobre a cultura: 

 1.  Conservação da umidade da parte superficial do solo;
 2.  Enriquecimento de matéria orgânica nas camadas superficiais do solo;
 3.  Aumento no teor de alguns nutrientes do solo, em função da natureza do material empregado e sua quantidade;
 4.  Baixa nas temperaturas diurnas das camadas superficiais do solo;
 5.  Redução do excesso do teor de manganês trocável;
 6.  Redução ou extinção das ervas más da lavoura
 7.  Dependendo da natureza do material utilizado e outros fatores, o emprego da cobertura morta poderá resultar em aumentos significativos na produção da lavoura e,
 8. Controle da erosão.

 Os inconvenientes da cobertura morta são os seguintes: 

 1.  Grande quantidade de material necessário à sua execução. No caso de ser empregado o capim é preciso uma área de 2 a 3 hectares de capineiras, para cada hectare de café a ser coberto;
 2.  Custo elevado, pelo transporte do material e mão-de-obra necessária;
 3.  Aumento da incidência da geada e
 4.  Perigo de fogo.

Sombreamento

O cultivo do  cafeeiro  nas principais regiões cafeeiras do globo, com exceção do Brasil e do Quênia é feito como norma, em regime de sombra, proporcionada por árvores protetoras plantadas especialmente para essa finalidade, e que reduzem em maior ou menor grau, a incidência dos raios solares sobre a cultura.

Como árvores de sombra são empregadas essências de espécies diversas principalmente da família das leguminosas.

A questão do sombreamento dos  cafeeiros  têm atraído a atenção de inúmeros pesquisadores, havendo os que defendem e outros que combatem essa prática. Em São Paulo, em razão das campanhas realizadas em favor do sombreamento, inúmeros cafeicultores, convencidos das vantagens do emprego dessa prática experimentam o sombreamento de suas lavouras. Os resultados obtidos dos casos foram, contudo, negativos ou pouco convincentes.

Determinações do teor em água disponível do solo, feitas por FRANCO em vários cafezais sombreados e a pleno sol do Estado de São Paulo, levaram-no a concluir que a concorrência em água que a árvore de sombra faz ao  cafeeiro  é a razão principal do fracasso de inúmeras lavouras sombreadas.

No entanto, em alguns cafezais em bom estado, mesmo durante a seca, foi verificado que não havia falta de água disponível no solo.

 Nesses casos, é inegável que o sombreamento apresenta algumas vantagens entre as quais salientam-se as seguintes: 

 a)  Fornecimento abundante de matéria orgânica ao solo
 b)  Controle eficiente da erosão
 c)  Redução na infestação de ervas daninhas
 d)  Duração maior dos frutos no estado de cereja
 e)  Menor queda de frutos no chão 
 f)  Custeio mais reduzido

Em contraposição a essas vantagens o sombreamento apresenta um sério inconveniente: a redução da produção, que em certos casos, onde a árvore de sombra age como concorrente do  cafeeiro , no consumo de água disponível do solo, pode cair a níveis irrisórios, sem significação econômica. Outro inconveniente do sombreamento é o de favorecer o aumento de infestações da broca.

Algumas Pragas do Cafeeiro

O  cafeeiro  é a planta cultivada que melhor responde aos tratos culturais a ela implementados, desde que as condições agronômicas da cultura sejam satisfatórias. Essas condições se baseiam em exaustivos estudos experimentais e em pesquisas bem conduzidas, permitem que uma das facetas da cultura seja grandemente facilitada, a do conhecimento e do controle das pragas.

Apesar de estarem catalogadas umas três dezenas de espécies de insetos como pragas do cafeeiro e do  café , sabe-se com segurança que, em culturas tecnicamente conduzidas e em armazéns bem construídos, apenas quatro ou cinco dessas espécies são economicamente importantes, sobressaindo -se, dentre elas, a broca do café. O caruncho das tulhas, que tantos prejuízos tem ocasionado nos armazéns, vem em segundo lugar, como praga importante do café propriamente dita. Como pragas de certa importância, podem ser citadas: o bicho mineiro, a cochonilha verde, o piolho branco e a mosca do Mediterrâneo.

Broca do Café Hypothenemus hampei (Ferrari, 1867)

A broca deve ter sido introduzida em São Paulo em 1913 em partidas de sementes importadas da África e de Java. De 1913 a 1924 ela atingiu muitos cafezais de Campinas e espelhou-se por vários municípios vizinhos,causando os primeiros prejuízos ao  café  da safra de 1923-24.

De Campinas, espalhou-se por todo o território paulista. As boas condições das primitivas zonas infestadas, de Campinas e seus arredores, proporcionaram-lhe os meios de progredir em sua invasão, aumentar a população e provocar os tremendos e alarmantes prejuízos que ocasionou.
De São Paulo a broca avançou para os cafezais de Minas Gerais, Rios de Janeiro, Paraná, Espírito Santo e Bahia. Hoje, meio século após sua introdução a broca se encontra no Ceará e ao que parece, em alguns cafezais do Pará.

 Importância Econômica:  Quando o  café  é beneficiado aparecem 3 categorias de café: a de grãos perfeitos ou sãos, a de broqueados, em mistura com os primeiros e o café escolha.

Além dessas categorias, que implicam em perfeição ou em defeitos do lote considerado, há que ser levada em conta, uma quarta categoria: a parte do  café  que foi destruída, que desaparece e que determina "perda de peso" ocasionada pela broca. Quando o grau de infestação é muito alto, diminui a porcentagem de grãos perfeitos e aumenta a de grãos inteiros, porém perfurados, a de café escolha e a de grãos quebrados. Um progressivo aumento da perda de peso se verifica à medida que o grau de infestação cresce.

Do ponto de vista comercial, o  café  broqueado entra com grande parcela da desqualificação do tipo, portanto, na depreciação comercial, pois cinco grãos perfurados constituem um defeito.

 Comportamento Natural:  O ataque aos frutos novos tem início a partir de outubro, dependendo do grau de desenvolvimento desses frutos. O ataque inicial é mais intenso, de acordo com a grandeza numérica da população existente no cafezal, abrigada nos frutos velhos da safra anterior.

 Essa população, representada por volume maior ou menor de indivíduos é, até certo ponto, controlada ou determinada pelos seguintes fatores: 

Quantidade de frutos velhos da safra anterior
Intensidade da queda pluvial durante os meses de inverno
Intensidade da infestação da safra anterior

As chuvas precoces de julho, agosto e setembro, quando ocorrem, causam umidade aos frutos velhos, permitindo a reprodução a partir dessa época.

Os  cafeeiros  beneficiados também pelas boas condições florescem mais cedo. Quando os frutos atingem o grau de "verdolengo-granados", a população de broca, formada pelos indivíduos remanescentes da safra anterior é intensificada pela reprodução no início da nova frutificação, já é maciça e o ataque inicial é intenso. Em tais condições, a infestação já é elevada, em novembro-dezembro.

Ao contrário, faltando chuva até outubro-novembro, a população inicial é pequena e formada apenas pelos indivíduos que conseguiram transpor os meses de entressafras, abrigados nos frutos velhos. Tal condição, se repetida vários anos seguidos, faz com que a infestação não chegue a amedrontar, pois a broca não consegue formar densa população.

Combate: Para reduzir a população no início de cada frutificação, são recomendadas algumas medidas cujo beneficio e alcance nem todos compreendem muito bem. Uma dessas medidas, recomendada não só por causa da broca, mas também porque faz parte da cafeicultura regional, é a prática da colheita aprimorada, cujo objetivo é reduzir a população na entressafra e no início da frutificação. Os repasses, que nada mais eram que colheitas complementares tinham essa finalidade.

Atualmente o combate à broca é feito com o emprego do BHC a 1,5%, 40 kg/ha, sob a forma de polvilhamento. A primeira aplicação é feita quando o grau de infestação atinge a 5% dos frutos. Outras aplicações podem ser necessárias e normalmente são determinadas pela queda das chuvas.
Outros inseticidas podem ser recomendados, mas a maneira de aplicá-los sob a forma de pulverização, nem sempre é possível em lavouras deficitárias.

Bicho Mineiro

Perileucoptera Cofeella (Guerin-Meneville)

Ao bicho mineiro tem sido dada grande importância, principalmente nos anos de graves surtos. Levando-se em conta porem que as graves incidências coincidem sempre com anos de grande seca, conclui-se que aquela importância está intimamente ligada a fatores metereológicos, muito mais importantes do que a praga.

Durante um longo período de seca a população de "ninfas" ou estragos feitos pelo bicho mineiro é muito grande e se atribui à queda excessiva de folhas, ao ataque mais intenso. No entanto, atendendo-se às perturbações fisiológicas da planta, determinadas pela falta de umidade no solo, conclui-se que as folhas caem como recurso fisiológico do  cafeeiro , para economizar água.

O bicho mineiro é a lagarta de uma mariposa. O ovo é posto na página superior da folha e a lagartinha que dele eclode penetra através da cutícula e se aloja no parênquima, de cujos tecidos se alimenta. Ao completar o desenvolvimento, a lagarta abandona a "mina" que abriu e, desprendendo-se por um fio de seda, procura empupar numa das folhas mais próximas do solo.
Nos anos normais, com quedas regulares de chuvas durante o inverno, existe o problema do bicho mineiro. Nos anos de seca quando sua ocorrência é mais grave, o combate é pouco compensador, pois as folhas caem da mesma maneira, estejam ou não atacadas.

Cochonilha Verde

Este coccídeo pode adquirir alguma importância econômica, mas sua incidência no  cafezal  formado decorre, quase sempre, das más condições das plantas, ocasionadas pelas deficiências nutritivas ou, ao que parece, pelas alterações que surgem na relação quantitativa entre os elementos NPK. A cochonilha verde pode ser encontrada em  cafeeiros  aparentemente sadios, aparece sempre em maior abundância nas plantas cloróticas (amareladas), depauperadas e pouco produtivas.

É nos viveiros que a praga pode tornar-se importante. Quando as mudas transplantadas são muito infestadas, podendo haver uma mortandade acima do normal. É que as plantinhas, saídas do ambiente sombrio e úmido dos viveiros, passam por um período de adaptação no novo ambiente ensolarado e menos úmido. Se muito infestadas elas morrem, pois o sistema radicular ainda deficiente ainda não as alimenta suficientemente, sobrevindo os distúrbios acima citados.

A cochonilha verde é um inseto que se alimenta de seiva que é retirada dos tecidos das folhas e das extremidades tenras dos ramos por meio de estiletes que compõem o aparato bucal. Quando a população é muito grande, as quantidades de seiva retiradas são muitas elevadas e a planta não pode suportar o ataque por não poder repor a seiva retirada.

O combate à cochonilha verde deve ser praticado nos viveiros nos 30 dias que antecedem ao transplante, aplicando-se, duas ou três vezes, emulsão de leo (óleo miscível) a 1%. O Folidol-óleo é um preparado composto de óleo miscível e Folidol, que dá resultados imediatos.

Na lavoura já formada, deve-se aplicar adubos minerais e orgânicos, para revigorar as plantas e em seguida, aplicar o Folidol-óleo, na concentração específica na embalagem. Duas ou três aplicações são necessárias para um completo controle.

Caruncho das Tulhas- Araecerus fasciculatus (De Geer)

Este coleóptero ataca frutos, raízes e tubérculos secos, tais como laranjas, maçãs mumificadas de algodão, cacau, batata doce seca, batatinha,  café  além de muitos outros produtos vegetais.

Até pouco tempo o  café  só era atacado nas tulhas. Com o benefício, desaparecia a praga. Ha alguns anos o caruncho começou a aparecer em grande quantidade nos armazéns de Santos e do planalto, com vultuosos prejuízos ao café beneficiado e neles depositados.

O ataque tem inicio na lavoura, em frutos que entram na fase de seca. A fêmea põe os ovos na polpa melosa ou já seca. Do ovo eclode a larva que a princípio se alimenta da mucilagem e depois penetra na semente, onde abre uma galeria relativamente grande. Terminado o período larval, o inseto passa à fase de pupa dentro de uma câmara preparada pela larva. Alguns dias depois de emergir, o adulto abandona o fruto, abrindo, para isso, um orifício de 4mm no pergaminho e na casca, pela qual alcança o exterior.

Quando o  café  em coco é deixado muito tempo na tulha, o inseto continua a reprodução e ocasiona sérios prejuízos. Ao contrário, quando o benefício se processa sem demora, não se notam senão vestígios dos danos ocasionados pelo caruncho. O beneficiamento do café era considerado como a única operação capaz de controlar a infestação, mas depois da adaptação do caruncho ao café beneficiado, principalmente dos armazéns, outras medidas se impõem.

Uma delas seria a remodelação dos armazéns, para torná-los mais claros e mais ventilados, com janelas teladas e com aparelhamento moderno de fumigação.

Outra medida seria a regulagem da descida de  café  para armazéns do porto de Santos-SP, para evitar a prolongada estocagem até que a praga seja extinta. Isso conseguido, só café livre da praga seria enviado para aquele porto, cujas condições de umidade e temperatura favorecem o rápido crescimento da população. Não fosse a adaptação ao café beneficiado, o caruncho continuaria a ser a praga que sempre foi de insignificância econômica.

Mosca do Mediterrâneo-Ceratitis capitata (Wiedmann)

A mosca do Mediterrâneo, cujas larvas são os bichos das frutas, é de alta importância para a fruticultura em geral. A exportação de laranja era dificultada quando os pomares de Campinas, Limeira, Araras, Araraquara, Bebedouro, etc., eram formados próximos a cafezais, pois estes são os mais eficientes criadouros de moscas. Pouco antes do início da colheita de  café , em maio e junho, a enorme população de moscas criada nos cafezais, invadia os pomares e infestavam as laranjas que estavam amadurecendo.

Para o  café , cuja infestação em certas zonas alcança 95% das cerejas maduras (Noroeste, Alta Paulista e Sorocabana), a mosca tem importância relativa.

O  café  colhido cereja e seco, logo em seguida, não é prejudicado. Mas o que fica na lavoura, principalmente em contacto com o solo, sofre profundas alterações, quanto a qualidade.

E que pelos orifícios de saída das larvas de moscas entra o fungo Fusarium concolor, que além de manchar os grãos de coloração rósea, altera a bebida sempre para pior, tornando o  café  "duro" e mesmo 'riado".

Doenças causadas por bactérias

Mancha Aureolada (Mancha bacteriana)

É a doença que foi constatada pela primeira vez no município de Garça-SP, em 1955. Provocou, na ocasião, justificado alarme, embora de expansão muito restrita. É causada pela bactéria Pseudomonas garcae.

 Sintomas:  São suscetíveis à infecção das folhas, frutos novos e extremidades em crescimento. Nas folhas aparecem manchas pardas, s vezes escuras, quase pretas, de contorno mais ou menos arredondado, que de 5 a 20mm de diâmetro, cujo centro torna-se necrosado e o e pode se destacar, deixando furos. Ao redor da mancha forma-se um amarelado (auréola), que no princípio é muito largo, em relação à própria mancha. Quando a infecção se dá nos bordos, a queda dos tecidos secos confere contorno irregular, semelhante às deformações causadas por ventos do destas pelo halo amarelo. Folhas novas e em crescimento estio de Pseudomonas garcea.

Nos ramos produz uma seca das extremidades, que adquire cor escura. A doença causa a desfolha dos ramos atacados. Favorecem a "mancha bacteriana" fatores climáticos, como o frio e na entressafra. Lesões nos bordos das folhas devidas ao roçar de umas outras, por ação do vento, abrem caminho infecção.

 Controle:  Erradicação das partes doentes para eliminar focos de infecção, complementados por adubações racionais e aplicação da mistura de bactericidas.

Doenças causadas por virus

Mancha Anular

Observada em 1938 em cafezais de Caçapava, não tem, entretanto, expressão econômica.

 Sintomas:  As manchas foliares são de coloração verde amarelada e apresenta, no centro, um pequeno ponto claro, circundado por um anel estreito verde escuro. Podem atingir até 20mm, de forma irregular ou ovalada com o eixo maior, na direção das nervuras secundárias. A mancha se compõe de linhas concêntricas, alternadamente claras e escuras, sendo a linha periférica mais larga, de cor verde pálida ou pardacenta.

É interessante observar que nas folhas amarelas há uma aparente inversão de coloração da mancha, que é escura, sobre o fundo claro das folhas. A doença parece ser mais comum ou mais acentuada nas regiões úmidas.

Manchas de Óleo (pinta)

Foi observada, pela primeira vez, em 1938, na Alta Sorocabana, não tendo, até hoje, passado de simples constatações em nosso cafezal .

É, provavelmente, causada por vírus. Entre nós não foi ainda reproduzida experimentalmente. No país Costa Rica foi transmitida, experimentalmente, por enxertia.

 Sintomas:  Aparecem nas folhas e frutos, sendo mais evidentes nas primeiras. São manchas pequenas, arredondadas, com 2 a 3 milímetros de diâmetro, bem definidas e de cor verde claro. São bem visíveis mesmo distância, tendo o aspecto de uma mancha oleosa. Quando velhas, ficam mais amareladas e o tecido do centro toma cor parda.

Doenças não infecciosas

Afogamento do Colo (asfixia)

É uma doença de caráter não infeccioso, decorrente de uma falha cultural, que vem sendo registradas com certa gravidade nos novos cafezais, formados em terras denominadas "velhas ou cansadas".

A formação de cafezais em terras dessa natureza pode criar um problema considerada importante para o desenvolver da planta. À medida que o húmus vai sendo consumido, vai havendo rebaixamento do solo e do nível do plantio da muda, de modo que a planta fica muito enterrada; dá-se também por vezes, o soterramento do tronco, em virtude do enchimento prematuro das covas, pela terra conduzida por erosão, pelas chuvas etc. Em conseqüência, pode resultar, por asfixia de raízes, atraso no desenvolvimento da planta, que apresenta sintomas evidentes de estar sofrendo um distúrbio, pela vegetação rara e folhas pequenas, de cor verde amarelada. Estas, mais tarde, caem ficando as pontas dos galhos enegrecidas e secas.

Esses  cafeeiros  revelam, na região enterrada do caule, um desmesurado engrossamento, como conseqüência de uma reação à asfixia, em virtude de não emitirem raízes na parte soterrada. Nesta, observa-se em muitos casos, a presença de fungos, os quais concorrem para o mais rápido definhamento do  cafeeiro .

Controle

Recomenda-se ajustar o nível da terra do balainho ou laminado ao nível do solo. Na lavoura já formada aconselha-se a retirada da terra nova até aparecerem as primeiras raízes laterais; manter, em seguida, as covas desobstruídas até o 3º ou 4º ano. Para melhor defesa da cova, deve-se fazer a "meia lua" da terra, cortando as águas. Complementam-se essas medidas com adubações racionais, acompanhadas de calagem, na base de 2 quilos de pó calcáreo por cova.

Colheita

Processamento

É sabido que os fatores ecológicos tais como a altitude, a temperatura ambiente e a umidade relativa, exercem influência sobre a qualidade da bebida; é sabido também que uma cultura de  café  conduzida racionalmente em ambiente favorável, poderá produzir café de má qualidade, se o processo de preparo for inadequado.

O  café  é um dos produtos agrícolas cujo preparo requer especial atenção, a fim de que sejam preservadas as suas qualidades.

Da colheita ao beneficiamento, o preparo do  café  envolve uma série de operações e, de sua execução racionalmente conduzida depende a obtenção de um produto que as características de tipo e de qualidade exigidas para a sua boa comercialização.

Dois são os métodos de preparo de  café  conhecidos: via seca e via úmida. As operações comuns a ambos compreendem limpeza, separação, secagem, armazenamento, beneficiamento e classificação. Especificamente, o método por via úmida inclui trabalhos de separação de café em cereja, despolpamento, remoção da mucilagem e lavagem do produto.

No processo por via seco, utilizado entre nós para o preparo dos chamados  cafés  de terreiro, as faces de seu processamento poderão prescindir do emprego da água. No processo por via úmida, para obter os chamados cafés lavados ou despolpada é indispensável o uso da água.

O preparo do  café  depende, essencialmente, do produto da colheita. Tratando-se, por conseguinte de operação que se destaca como fundamental ao objetivo visado, especialmente no caso de se utilizar o método por via úmida, a colheita será apreciada em suas linhas gerais.

Colheita

 Normalmente são praticados três sistemas de colheita:  derriça no chão, colheita no pano e a "dedo".

Derriça no Solo

É a prática de uso generalizado, que inclui a "arruação", a derriça propriamente e as operações complementares de rastelação e abanação. De maneira geral, pode-se admitir que o tempo total gasto na colheita é assim distribuído: 60 a 70% na derriça, 20 a 30 % na rastelação e 10 a 15% na abanação. Esta última, apesar de mais rápida, constitui trabalho penoso para o colhedor. A arruação é feita por ocasião da última capina.

Em algumas zonas de terra arenosa e de clima quente e seco onde o  café  seca rapidamente na planta, este sistema é admissível e apresenta rendimento satisfatório, não exigindo maior esforço. Tal não acontece, porém, naquelas em que a maturação se processa desigualmente: a derriça se torna mais trabalhosa e ocasiona, pela natureza violenta com que é executada, a derrubada de grande quantidade de folhas e a quebra de ramos, danos esses de que a plante precisará se refazer, em prejuízo certamente, da produção futura.

O produto desse sistema de colheita se constitui de uma mistura de "verde", "cereja", "passa", "bóia", "coquinho", "casquinhas", além de impurezas, tais como folhas, pauzinhos, terra, torrões e pedras, devido a rastelação e pela imperfeição da abanação. Neste tipo de colheita, é indicado proceder a uma rastelação cuidadosa, antes da derriça, de modo a ser evitada a mistura do  café caído no chão, com o produto da derriça.

Colheita no Pano

Com relação ao sistema anterior, a diferença está que o emprego do pano de colheita, no qual é derriçado o  café , impede o seu contato com o solo, evitando possível mistura com o café caído, seco, do chão e "casquinha", que influi negativamente na qualidade do produto.

Nessa diferença que esse sistema de colheita de rendimento, talvez, pouco menor, o aumento despesa que venha onerar a sua prática, pelo emprego do "pano", é largamente compensado pela melhoria da qualidade do  café .

O material usado para pano de colheita poderá ser qualquer tecido grosso e resistente, preferivelmente lona, e deverá ter as dimensões de 4 x 2 metros, sendo dois panos para cada pé de  café .

O " café da roça " assim obtido, livre de impurezas do chão é constituído mistura de "verde", "cereja", "passa" e "bóia".

A colheita indiscriminada, com alta porcentagem de frutos verdes resulta diminuição da produção da lavoura, provocando ainda sérios inconvenientes presença do "verde", em detrimento da qualidade do produto.

No sistema de colheita no pano, também se poderão derriçar somente os maduros. Neste tipo de colheita, o operário destaca dos ramos os frutos maduros deixando, na medida do possível os frutos verdes.

Em conseqüência, será diminuídos consideravelmente a porcentagem de verdes e o rendimento da lavoura será maior. É evidente que este sistema implicará em uma série de colheitas, sendo o seu emprego indicado quando a maturação for igualada e se pretende a produção de despolpados.

Colheita "a dedo"

Restringindo-se à apanha de frutos em estado de "cereja" (maduros), recolhidos em cestos apropriados, sacos ou peneiras, é o sistema ideal para obtenção de boa matéria-prima. Todavia, a sua difusão, entre nós, encontra dificuldades devido, principalmente, a carência de mão-de-obra disponível, de vez que o período de maturação é relativamente curto na maior parte das regiões cafeeiras.

A colheita a dedo fornece matéria prima ideal para o despolpamento e, muito embora o seu rendimento seja menor, o produto é mais limpo que o obtido pela colheita no pano, facilitando consideravelmente as operações posteriores de preparo. Evitar o "verde" é importante em qualquer sistema de colheita adotado, pois um fruto que não teve completa a sua maturação é um fruto imperfeito; constitui problema difícil a sua eliminação após a colheita.

Benefício

Método da via seco

Os cafés de terreiro constituem a quase totalidade da produção brasileira de  café  e a melhoria dessa produção, em tipo em qualidade, somente é possível com o emprego de métodos racionais de colheita, secagem e beneficiamento.

Limpeza e separação

O  café  vem da roça sempre acompanhado de impurezas as mais diversas e deverão ser eliminadas. Ao mesmo tempo em que se procede a sua limpeza, poder-se-á proceder a formação de lotes mais ou menos homogêneos, quanto ao teor de umidade, o que será de grande valia para a secagem. A separação poderá ocorrer por dois processos: um, a seco, por meio de ar e peneiras, que são os seletores; o outro, por meio de água, que são os lavadores.

Seletores

Os seletores são máquinas constituídas de peneiras e ventiladores que retiram do  café da roça  as impurezas, tais como: casquinhas, coquinhos, terra, e, pedras, paus, etc., classificando-o em lotes de café mais leve e mais pesado. A seleção de "café da roça" que se baseia nas diferenças de tamanho e de peso específico, concorre também, para facilitar a secagem que será mais rápida e igual de vez que o produto é mais homogêneo.

Estas máquinas funcionam bem nas regiões em que a maturação dos frutos é uniforme. Mesmo que o sistema de colheita não seja o mais perfeito, o produto se apresenta isento de muitas impurezas. Numa colheita com pequena quantidade de  café maduro  e com predominância de secos, obtém-se bons resultados com os seletores.

Havendo grande porcentagem de café maduro o funcionamento da máquina poderá ser prejudicado pelo entupimento das peneiras, por conseguinte, estas máquinas não funcionam a contento para a classificação de " café da roça ", proveniente de colheita desigualada. Os seletores poderão ser utilizados com muito bons resultados, quando se empregam cafés, que sofreram "meia seca" no terreiro.

O produto da separação efetuada pelos seletores se constitui de verdes em mistura com "cereja", devido à pequena diferença de densidade; seco, chocho, coquinho e impurezas.

Lavadores

Os lavadores poderão ser do tipo "Maravilha" ou mecânicos. Dos vários tipos de lavadores em que a água é o veículo para a condução do " café da roça ", destaca-se o lavador "I A", modificação, simplificada do lavador "Maravilha"; de um tanque de alvenaria com capacidade de um metro cúbico, com fundo inclinado para facilidade de limpeza, e de um separador de madeira ou chapa adaptado às suas paredes.

É indispensável que o tanque receba suprimento extra de água, a fim de que seja mantido o nível conveniente de água. Sendo o lavador, um aparelho cujo consumo de água é elevado, três litros de água por litro de  café , em média, a sua instalação é indicada para onde haja abundância do líquido.

Secagem

A secagem natural ou artificial, é uma das operações de maior importância no preparo de um produto de boas características, devendo-lhe ser dispensada bastante atenção, dada a influência na coloração do  café , e, provavelmente, da qualidade da "bebida".

O teor de umidade do " café da roça " varia conforme o estado de maturação de seus componentes, podendo-se admitir os limites de 50 a 60% no"cereja", de 35 a 50% no "passa" e de 25 a 30% no "bóia".

A secagem será tanto melhor quanto mais homogênea for a matéria prima utilizada. Portanto, para se obter uma boa secagem, a matéria prima deve ser a mais uniforme possível.

 Uma boa secagem deve ser conduzida de modo que sejam observados os seguintes pontos: 

Evitar fermentação durante o processo

Evitar excessos de temperatura

Secar até obter o teor de umidade conveniente

Obter um produto que depois de beneficiado se apresente uniforme quanto cor.

 Analisando-se, separadamente cada um destes itens, pode-se dizer que: 

Geralmente, as fermentações durante a operação de secagem são ocasionadas pelo calor e umidade, quando ocorrem simultaneamente, verificando-se tanto na secagem natural como na artificial. No primeiro caso, quando o  café  é amontoado muito úmido e, no segundo, quando o café úmido fica muito tempo na tulha de descanso. A fermentação poderá ocorrer nos secadores quando a secagem se processa muito lentamente, em grandes massas e com pequena ventilação ou em ambientes de elevado teor de umidade.

Os excessos de temperatura que se verificam com relativa freqüência na secagem artificial, poderão prejudicar o tipo do  café , tornando-o heterogêneo, com coloração pálida.

A secagem deve ser feita até teor de umidade conveniente. Com relação ao término da secagem, deve-se ter em conta a umidade com que pode o  café  armazenado sem o perigo de deterioração por fermentações ou por ataque de microorganismos, prejudiciais ao tipo e à bebida. Por medida de segurança, recomenda-se recolher o café às tulhas com teor de umidade da ordem de 15 a 18%. A secagem em excesso pode ser inconveniente sob o ponto de vista econômico, poderá prejudicar o tipo de café, conferindo-lhe coloração pálida e desuniforme, desvalorizando-o comercialmente.

Para se obter um produto uniforme depois de beneficiado, é evidente que o principal fator é a matéria prima utilizada. Se for constituída unicamente de o produto final será, provavelmente, homogêneo.

O  café  tal como é colhido comumente, é sempre heterogêneo e nestas condições a marcha da secagem deverá se processar a possibilitar a homogeneização do produto. Como esta homogeneização se processa lentamente, a secagem não deverá ser rápida a fim de que o café adquira boa aparência.

 

Secagem natural

Como é realizada em terreiros, assim a construção e localização dos terreiros na propriedade é de vital importância, pois são indispensáveis em uma propriedade cafeeira, mesmo que nela exista de secadores. A sua utilização se faz na seca de pequenos lotes separados ou quando da paralisação dos secadores. Deverá haver facilidade de acesso do  café da roça , de modo que o seu transporte não seja muito longo e complicado; dentro do possível todos os talhões de café devem ser igualmente acessíveis ao terreiro.

O local de sua instalação deve ser o mais plano possível para evitar grandes movimentos de terra, encarecendo a sua construção. O terreiro deverá ser locado de maneira a receber o máximo de insolação diária, devendo as suas margens ser livres de árvores de grande porte que ocasionem sombra.

Pode-se recomendar as seguintes dimensões: de 25m de comprimento por 15 até 20m de largura. O formato retangular é o mais comum. A subdivisão de um terreiro é necessária, primeiro porque é muito difícil ser encontrado um local plano para a construção de todo o terreiro num só nível; segundo, porque a subdivisão facilitará o escoamento de águas pluviais, que são prejudiciais ao bom andamento da secagem, além de facilitar ou obrigar a formação de lotes menores de  café da roça  durante a operação de acordo com a sua origem e o teor de umidade.

A secagem natural se realiza, em terreiros, pela ação do calor, do sol e, não havendo, por conseguinte, normas rígidas para os trabalhos no terreiro, uma vez que os fatores que a determinam (temperatura, umidade do ar e ventilação), sujeitos a variações, são incontroláveis. Por isso, as operações normais de esparramação, movimentação, devem ser acompanhadas, de modo que sejam evitados possíveis contratempos.

A esparramação tem por fim submeter o fruto á ação dos raios solares e do vento, pois o calor absorvido provoca a evaporação da água nele contida.
Quando excessivamente rala, a esparramação pode acelerar e secagem, em prejuízo do grão.

A amontoa, que é a operação que tem por finalidade provocar uniformização dos diferentes teores de umidade da massa é normalmente feita à tarde, após os grãos terem armazenado calor absorvido durante o dia.

A amontoa do  café  úmido facilita o desenvolvimento da fermentação em detrimento da qualidade. Evidentemente, só a prática orienta sobre o momento em que se deve fazer a esparramação ou enleiramento e, mesmo sobre o número de horas em que se deve deixar o café esparramado ou enleirado.

De modo geral, a esparramação deverá ser tanto mais freqüente quanto mais úmido o  café , até que atinja umidade que permita a amontoa.

Fator de grande importância no processamento da secagem é a uniformidade do grão.

Se o  café , inicialmente, possui grande quantidade de cereja com pouca ou nenhuma quantidade de seco, deverá ser esparramado em camadas bem finas e somente deverá ser amontoado após alguns dias. Se, pelo contrário houver predominância de café mais seco, a amontoa poderá ser feita desde o primeiro dia.

Em fim, para uma correta secagem, o  café , chegando ao terreiro, deverá ser imediatamente esparramado em camadas de 2 a 3 centímetros de altura, nos primeiros dias e mexido com freqüência, nos dois sentidos, pare garantir melhor e mais uniforme exposição aos raios solares; no final da tarde, deverá ser enleirado no sentido da declividade do terreiro. À medida que a secagem do grão se acentue, a esparramação poderá ser feita em camadas mais espessas, sendo ao fim do dia, amontoado e coberto com lona.

Quando o grão atingir 50% da secagem necessária ("meia seca"), o  café  terminará a secagem em montes. Uma vez por dia deve ser feito o tombamento para aquecimento dos montes de café, isto é, o café deve ser revirado, feito um meio amontoamento, deixando tomar 2 a 3 horas de sol; em seguida será amontoado e coberto novamente. Esse tombamento deve ser feito nas horas mais quentes do dia. A lona, além de proteger os montes de café das intempéries (sereno, chuva e vento) possibilita a retenção do calor absorvido pelo produto durante as horas quentes do dia, de importância na uniformização da secagem.

Secagem artificial

A secagem com o emprego deste processo consiste em submeter o grão a ação de uma corrente de ar quente, que atravessa a massa de  café .

Diversas são as causas que influi no rendimento da secagem pelo ar de um lado, a altura da camada de  café  a ser atravessada pelo ar quente; de um lado, a altura da camada de café a ser atravessada pelo ar quente e a sua velocidade, determinam o rendimento térmico do secador e, de outro lado, o grau de umidade, o peso específico, a forma e as quantidades do produto tem a sua influência ligada à rapidez e à perfeição da secagem.

Para se obter uma boa secagem é indispensável que os grãos se apresentem homogêneos quanto ao teor de umidade, observando-se que a secagem lenta, com temperatura mais baixa, favorece a obtenção do um produto de melhor aspecto.

A secagem artificial pode ser contínua, quando o  café  somente é retirado do secador depois de completada a secagem e intermitente ou parcelada quando é submetido ao ar quente, durante certo tempo e a seguir é colocado em deposito até o esfriamento; uma vez frio volta ao secador, repetindo-se a operaçãoaté o final da secagem. A secagem intermitente ou parcelada, mais trabalhosa e mais complicada, permite melhor uniformização do produto, mondo maior o rendimento térmico do secador, bem como propicia aumento da sua capacidade de secagem.

O emprego da secagem artificial propicia ao agricultor a possibilidade de prever com antecedência as demais fases da operação de processamento do  café , bem como elimina ou diminui a influência dos fatores atmosféricos na secagem, além de permitir um melhor controle e uniformidade da sua porcentagem de umidade. No entanto, tem ela um custo inicial mais elevado, além da necessidade de suprimento de energia elétrica ou motorizado, para colocar em funcionamento o aparelhamento.

Secadores

Em princípio, todo secador é composto de um aquecedor ou fornalha e de estufa ou câmara de aquecimento da massa de  café . Alguns secadores possuem câmaras de descanso, local onde o café previamente aquecido, é deixado para resfriamento na secagem parcelada ou intermitente.

O aquecedor ou fornalha tem por finalidade aquecer o ar ambiente, podendo ser a fogo direto e a fogo indireto. No primeiro caso, o ar ambiente misturado aos produtos de combustão, pelo que se torna necessária a filtragem do ar quente, de modo a impedir a absorção pelo  café , do gosto ou cheiro característicos de uma combustão imperfeita; neste caso, quando o combustível é lenha, deve ter o cuidado de ser empregada somente lenha bem seca de modo a não permitir que o café venha a se impregnar pelo cheiro da fumaça. Quando o fogo é indireto, não se dá a mistura referida, porque o ar aquecido redor dos quais circula o fogo, porém, o rendimento térmico do aquecedor, menor, resultando daí maior consumo de combustível.

Quando se empregam secadores a fogo indireto, os tubos avariados aquecedor deverão ser imediatamente eliminados e substituídos, a fim eliminar a impregnação de fumaça na massa do  café , fato que somente percebido quando do término da secagem. Este defeito da fornalha deverá estar presente na memória do operador da máquina, pois, pode ocorrer inesperadamente.

Para satisfazer a sua finalidade, o secador deve propiciar perfeito contacto do ar quente com o produto, pelo tempo suficiente a que seja retirado o máximo de umidade.

Na aquisição de um secador, é útil considerar, além do preço de custo, possibilidades de controle de temperatura, sua construção, acabamento, rendimento térmico e facilidade de assistência por parte da firma fornecedora.

Como norma para o bom funcionamento de um secador, não deve ser nele introduzido para a secagem, lotes de  café  com grande porcentagem de água de lavagem devendo ser, portanto, a massa de café escorrida ou submetida a uma secagem parcial em terreiros, antes de ser introduzida no secador. Isto porque os grãos muito maduros ou molhados excessivamente aderem as paredes internas do secador, onde devido a sua construção torna-se difícil sua remoção. Quando em virtude de mau tempo ou por insuficiência de terreiro for imprescindível a introdução no secador, de partidas de café muito úmidas, a temperatura de secagem deverá ser progressivamente aumentada, evitando-se temperaturas elevadas, no início, que provocariam a perda do poder germinativo dos grãos, o que segundo alguns autores é um fator que diminui a qualidade do produto.

A secagem do  café  também pode ser conduzida por meio de consorciação do terreno e secador, de terreiro e tulhas secadoras ou ainda de secadores e visando unicamente dar ao produto uma secagem lenta, que sem dúvida irá beneficiar sua qualidade.

Preparo no método da via úmida

O método de preparo por via úmida consiste, essencialmente no despolpamento, que é a operação que se pratica com o objetivo principal de livrar o grão de  café  de seu invólucro exterior (epicarpo ou polpa) e da mucilagem (mesocarpo).

Evidentemente, a sua utilização fica na dependência da quantidade de  café  estado de "cereja" de que se possa dispor. Esse método, largamente empregado nos países produtores de café, onde as peculiaridades da cultura ou a fartura de mão de obra possibilitem a colheita exclusiva de frutos maduros. Apresenta as seguintes vantagens: redução do volume de café em cerca de 60%; área de terreiro menos extensa; diminuição considerável no tempo de secagem; menor perigo de eventuais fermentações nocivas; maior rendimento da máquina de beneficiamento e melhor uniformidade do produto.

Este processo foi utilizado pela primeira vez pelos colonizadores holandeses, nas Índias Ocidentais e constitui o método empregado hoje, não só nessa parte do Mundo, como também pelos países da América Central e na Colômbia. Sendo um tipo de  café  reputado nos mercados consumidores, há necessidade da ter no Brasil de uma certa quantidade desses cafés bem produzidos, de bebida fina, que contribuirá para diminuir o estimulo ao plantio por outros países, ao mesmo tempo em que nos colocará em boa posição no mercado de cafés de fina qualidade.

O método de via úmida ou despolpamento, quando bem empregado consiste no melhor meio de se obter  café fino , que é aquele isento de defeitos e de bom paladar. Este processo deve ser aplicado em zonas cafeeiras em que a maturação se processa num período mais dilatado.

Constituindo o  café  "cereja", maduro, a matéria prima para obtenção dos despolpados, a colheita deve ser a mais esmerada possível evitando-se, quanto possível, frutos verdes, secos etc. O sistema de colheita a ser empregado pode variar de acordo com as condições locais, devendo, no entanto, ser no "pano" ou em "cestos".

Limpeza e Separação: O assunto foi considerado anteriormente, entretanto, para este processo, esta limpeza e separação deverá ser a mais perfeita possível, Para este processo, a limpeza e separação deverá ser perfeita, empregando-se um dos meios preconizados anteriormente. Quando a colheita se processa com "cerejas", o  café  pode ser encaminhado diretamente para os despolpadores; no entanto, quando a colheita é feita não só de "cerejas", mas de misturas, aliás, como se faz na maioria de nossas fazendas de café, há necessidade de separar o "cereja" do resto do café. Para tanto, o café da roça é colocado em depósitos construídos de madeira ou alvenaria, cuja capacidade poderá ser igual ao volume da colheita máxima diária, estimada. Este volume poderá ser reduzido de acordo com o sistema adotado para o despolpamento.

Desse depósito, o  café  é conduzido pela égua, por meio de canaletas ate o lavador, onde será separado em dois grupos: cerejas e verdes, mais pesados que a água e o "bóia", mais leve, além de limpá-lo, retirando as pedras es terra. O "cereja" pode ir diretamente para os despolpadores, que podem funcionar a qualquer momento, independente do lavador, permitindo ainda, regular a entrada do café na maquina. O "bóia", pode ir diretamente para o terreiro ou passar por um despolpador, pois no seu meio existem muitos grãos maduros, que flutuam devido à falta de uma semente de café em seu interior (chocho). Este despolpador deve ser seguido de um peneirão a fim de separar o farelão exigindo uma regulagem adequada, porque esses grãos de café, normalmente são bem desenvolvidos.

Canaletas

Podem ser construídas de madeira ou concreto. A inclinação varia conforme o comprimento, podendo ser de 0,5 a 2%. A melhor inclinação deve escolhida de modo que a velocidade da água ao chegar ao lavador seja da ordem de 0,5 metro por segundo. As canaletas são de seção regular e quando de madeira podem ter a base de 14cm (metade da largura da tábua), ou 28cm (largura da tábua). Uma canaleta de 14cm poderá transportar para um funcionamento, a produção de cerca de 50 alqueires de  café  por hora.

Despolpamento

O despolpamento se faz em máquinas denominados despolpadores. São máquinas simples, nas quais os cereja são submetidos a uma pressão entre um cilindro de cobre com mamilos e um encosto de borracha ou de ferro. Ao passar entre essas duas peças, a casca sai de um lado (posterior) e o café despolpado sai de outro lado (anterior). Durante esta operação, juntamente com o  café  deverá ser introduzida no despolpador uma certa quantidade de água, a fim de facilitar a operação e a separação da casca.

Atualmente o mercado possui dois tipos básicos de despolpador: o de discos e o de cilindro com mamilos. Geralmente, o despolpador é acompanhado de uma peneira cilíndrica, de comprimento variável, de marca para marca, de oblongos, por cujos crivos se escoa o despolpador, sendo recebidos na de da peneira o "verde" e a casca não separada pelos mamilos do despolpador, que constitui o farelão.

Para se obter da máquina eficiência qualitativa, além das recomendações do fabricante, com relação ao funcionamento, é imprescindível observar a regulagem das suas peças, de modo a evitar a saída de grãos sem despolpar ou mal despolpado, a saída de grãos de  café juntamente com a casca, excessiva por de grãos quebrados, excesso de casca acompanhando o despolpado etc. O aparecimento de qualquer desses defeitos evidencia a má regulagem da máquina. Essa regulagem é em geral, operação muito simples e rápida; varia de com as diversas marcas de despolpadores, devendo ser executada por quem tenha conhecimento das possíveis causas dos efeitos.

Sendo o grão verde um problema quase inevitável na colheita, a maneira de elimina-los, ou diminuir a sua porcentagem no despolpado, será a colocação de peneirões após o despolpador, o qual não deverá trabalhar com a ajustagem muito 'apertada".

É encontrado no comércio um separador verde, especialmente construído para essa finalidade, no qual os grãos verdes por resistirem ao despolpamento serão separados e eliminados.

Eliminação da Mucilagem

A mucilagem do grão de  café  constitui uma delgada capa de 0,5 a 2mm de espessura, fortemente aderida ao pergaminho. O café recém despolpado desliza facilmente devido a presença dessa camada.

A remoção da mucilagem é importante e necessária, isto porque, ao se secar uma massa de  café  despolpado, sem a sua remoção, as enzimas naturais e dos microorganismos que se desenvolvem na mucilagem tenderão a modifica-la. Com a progressão dessa transformação formar-se-á uma solução açucarada altamente viscosa, que fará com que os grãos grudem uns aos outros fortemente principalmente depois de secos.

Sem que se proceda a sua remoção vários inconvenientes apresentar-se-ão, indicando a necessidade de procedê-la e da maneira mais perfeita possível. Alguns desses inconvenientes são: a mucilagem tem a propriedade de reter fortemente a água, além da tendência que tem de observar a água da umidade do ar ambiente, dificultando por esse motivo a secagem; a ação de microorganismos é tão prolongada como se secagem se processasse com o  café  cereja, dando um produto escuro; com a formação de açucares e conseqüente aderência dos grãos, o beneficiamento será dificultado.

A remoção da mucilagem do  grão de café  despolpado poderá ser feita por meios enzimáticos (fermentação), pela ação de agentes químicos e por meios mecânicos.

Remoção Enzimática (fermentação)

Pode ser natural e artificial ou controlada. A primeira ocorre quando a fermentação espontânea se processa na massa do  café provocada por microorganismos, os quais encontram meio favorável para o seu desenvolvimento. Este tipo de fermentação é de duração longa, de 18 a 36 horas ou mais, sendo influenciada, principalmente pela temperatura ambiente. Cuidados especiais devem ser tomados de maneira que a fermentação não se prolongue demasiado e desnecessariamente, o que poderá ocasionar sérios prejuízos à "bebida" do café. Recomenda-se, portanto, a aceleração desse fenômeno, o que se consegue com a adição de leveduras ou preparados enzimáticos, donde a remoção artificial é controlada. Com isto, pode-se diminuir o tempo de fermentação para até 3 horas.

Esta fermentação se opera em tanques apropriados de alvenaria onde o café é depositado. As experiências não têm revelado diferenças no tempo de fermentação, a seco ou com água, desde que essa quantidade seja apenas o suficiente para atingir o nível da massa de café, enchendo os interstícios. O seu excesso retarda a fermentação.

O café está em condições de ser lavado quando, ao tacto se percebe o desprendimento da mucilagem. O café nessas condições se apresenta áspero ao tacto; na prática, se diz que, quando limpo, produz um ruído característico "cascalhos", ao ser esfregado entre os dedos, e a palma da mão. A determinação "ponto" de lavagem do  café  em fermentação deverá ser encarada com bastante atenção, devendo o operário responsável, proceder à coleta de amostras em diferentes pontos e profundidades do tanque de fermentação, para ter idéia exata de que o material se encontra em condições de ser lavado.

A remoção da mucilagem do café despolpado pode ser efetuada também com auxílio de água quente, á temperatura variável de 50 a 600C. Esse poderá se dar com o emprego de serpentinas de vapor ou de água quente, quando a mucilagem terá a sua remoção reduzida para 4 a 5 horas fermentação. Isto porque, o aumento da temperatura da massa, até um determinado limite, ativa a ação dos microorganismos, acelerando a remoção da mucilagem.

O tanque deve dispor de registro duplo para saída da água e do  café  despolpado, devendo as suas paredes ser de um tijolo.

Lavagem

Concluída a fermentação ou o tratamento químico, a massa de despolpado precisa ser lavada até a retirada completa da mucilagem, com o de bastante égua. Sabe-se que o  café  está bem lavado, tomando-se um punhado na mão e verificando que está bem limpo e áspero. A lavagem imperfeita retarda a secagem e possibilita o início de fermentaç6es prejudiciais.

A lavagem pode ser feita manualmente, no próprio tanque fermentação, com a utilização de rodo de madeira, em movimentos enérgicos com bastante água, ou mecanicamente, em tanque provido de batedor mecânico que se constitui de um eixo horizontal, com hastes dispostas formando um helicoidal e dotadas de movimento giratório. Em qualquer dos casos, a água deve ser substituída tantas vezes quanta forem necessárias ao esmero do trabalho.

Com bons resultados quanto à limpeza e à rapidez da lavagem, vem rn usado o batedor hidráulico, que consta de um tanque de alvenaria, capacidade de 1 metro cúbico, de fundo piramidal, em cujo vértice é adaptado um injetor de água, e sendo preso no centro, um conduto de madeira, provido de dispositivos para regular a sua altura.

Para movimentar o batedor hidráulico, a diferença de nível entre o reservatório de égua e o fundo do tanque deve ser de, no mínimo 8m dependendo da vasão da água; caso contrário faz-se necessário a instalação de uma bomba.

O seu funcionamento se dá da seguinte maneira: colocado o  café  no tanque, em quantidade correspondente à metade do seu volume, a água pressionada através do injetor, provoca a formação de uma corrente ascendente de café no conduto de madeira, promovendo um atrito entre os grãos soltando a sua mucilagem. Terminada a lavagem, que se completa em cerca de 30 minutos, o café é retirado por uma calha adaptada à extremidade superior do conduto, e a égua suja é escoada.

Após a lavagem, o  café  deverá ser encaminhado ao terreiro, para a secagem. Mesmo empregando-se secadores, a sua esparramação prévia no terreiro é recomendável, pois a água envolvente deverá ser eliminada antes de entrar para o secador. Pode ser usado para essa esparramação, carrinho apropriado, o qual por abertura inferior regulável, permite a esparramação em camadas uniformes e finas. Para facilitar a carga desses carrinhos, a saída dos tanques ou então dos lavadores devem estar a uma altura não inferior a 80 cm, sobre um ralo.

Secagem

As mesmas normas indicadas para o preparo por via seca devem ser observadas. Tratando-se de material mais valioso, e mais sensível do que o  café  em "coco", evidentemente, maior atenção precisa ser dispensada à sua secagem.

No caso de se utilizar secagem em terreiros, estes devem estar bem limpos e bem lisos, sem defeitos. O café deve ser distribuído em camadas de 2 a 3cm de altura, mexido com freqüência nos dois sentidos, nos primeiros dias; ao entardecer, desde que completamente enxutos, pode ser enleirado, em leira, de 30cm de altura, no sentido da declividade do terreiro. Quando esparramados, principalmente nos dois primeiros dias, o  café  deve ser mexido com freqüência a fim de evitar um ressecamento rápido do pergaminho e conseqüentemente, o seu rompimento. Este rompimento, além de prejudicial durante a secagem, também contribui, durante o manuseio do café, para permitir o descascamento prematuro de um grande número de grãos, em prejuízo da qualidade. Uma vez atingida a metade da secagem, o café deverá ser recolhido em montes e cobertos com encerado de lona.

Como no caso do  café  em "coco", diariamente deve-se fazer o tombamento e o aquecimento dos montes, de preferência nas horas mais quentes do dia. No fim da secagem os montes podem ser esparramados por algumas horas, em dia de sol quente, para ser recolhido às tulhas. Normalmente o teor de umidade do café despolpado e lavado é de 50 a 52% e, ao final da secagem, deve conter entre 12 e 15%.

Armazenamento

Embora o  café  em coco possa ser armazenado com teor de umidade até de 24%, recomenda-se que isso ocorra com 15 a 18%, evitando-se, assim, possíveis alterações no armazém.

A sua localização deve ser tal que facilite o recebimento do café, bem como a sua descarga, não somente para o beneficiamento como para o ensaque direto. Deve estar junto ao terreiro, na sua parte inferior e próximo das vias de acesso.

A capacidade dos armazéns pode ser igual a um terço do volume total de  café  a ser produzido na fazenda, em média. Assim, uma lavoura de 50.000 pés de café, com produção média estimada em 100 sacos em coco por 1.000 pés, de 100 litros cada, necessitariam de, aproximadamente, 166 metros cúbicos de tulha (1/3 de 5000 sacos em coco). Para um melhor aproveitamento da tulha, na separação de lotes de café de origens diferentes devem ser construídas 4 células (1/4 de 166 metros cúbicos) cada.

O local para sua instalação deve ser seco e ensolarado a fim de ser evitada umidade no seu interior, podendo ser construída de alvenaria, revestida de madeira ou inteiramente construída de madeira, material indicado por ser mal condutor de calor e resistente ao desgaste. O seu fundo, pode ser totalmente inclinado, formando com o plano horizontal um ângulo de 35º, aproximadamente, ou somente uma pequena porção (1 metro quadrado) do piso, inclinada, em um dos cantos da célula, nesse mesmo ângulo anterior, sendo o restante do piso, horizontal. Neste caso, o armazém estando cheio de  café , este escoará normalmente, até um determinado momento, quando então, um operário amontoará o restante do café existente, sobre a parte inclinada. Com isto, a perda de espaço útil para armazenamento é muito reduzida em relação ao primeiro sistema.

Um armazém deve possuir, o telhado perfeito, evitando-se goteiras; piso isolado do chão, a fim de ser evitada umidade, boa ventilação, tanto na parte inferior como na parte superior do armazém; revestimento interno bem feito, evitando quanto possível as frestas e facilidade de carga e descarga.

Beneficiamento

Pelo beneficiamento cuidadosamente executado, são eliminados os defeitos que, por quaisquer circunstâncias, não o tenham ocorrido nas operações anteriores. Em geral o beneficiamento, se faz com  café  cujo teor de umidade esteja entre 12 e 13%; no entanto, o café em "coco" é beneficiado com facilidade quando possui teor de umidade ao redor de 18% ou menos. O beneficiamento se processa nas seguintes operações:

Limpeza: consiste na retirada das impurezas leves, terra e torrões, através de chapas crivadas, na bica de jogo e das impurezas mais pesadas no catador de pedras.

Descascamento: efetuado por descascadores, que trabalham por fricção ou pancada. No primeiro caso, as cascas são retiradas por atrito entre os grãos e contra grãos ativos do descascador; no segundo, os grãos recebem pancadas que rompem a casca. As cascas são eliminadas para fora da máquina por meio de ventiladores. O descascador, geralmente, é acompanhado de uma peneira circular denominada "sururuca", que separa, através do seu movimento ocilatório, o  café  descascado do não descascado (ou marinheiro), que retorna ao descascador. Conforme se trabalhe com café em "coco" ou despolpado, deve ser executada a modificação necessária no descascador para se obter bom beneficiamento. Nesta operação podem aparecer defeitos, como excesso de grãos quebrados ou de marinheiros, corrigidos por meio de regulagem adequada do descascador, de acordo com especificação do fabricante; café beneficiado junto com a palha, devido à ventilação excessiva. Observa-se que grãos muitos secos darão também excesso de quebrados.

Classificação: é a operação final na fazenda, que ocorre no classificador, máquina constituída por um conjunto de peneiras e colunas de ventilação, de modo a classificá-lo pelas dimensões e forma, bem como separá-lo do  café  mais leve (café escolha). Essas máquinas são constituídas por uma série de peneiras cilíndricas ou planas, com crivos de diferentes medidas, cada, que separam o café em tamanho, depois passá-lo em uma coluna de ar, a fim de retirar as impurezas. Esses crivos são oblongos (ovais), que separam o café moca e circulares e os "chatos", as suas medidas são dadas em 1/64 de polegada. O número de peneira corresponde ao numerador desta fração, a saber: Peneira 19= 19/64 de polegada; Peneira 18 = 18/84 de polegada etc.

O classificador comum dá os seguintes tipos: Chato 18, Chato 17, Chato 16, Chato 15, Chato 14, Chato 13, moca graúdo, moca médio e moca miúdo, além de escolhas (leves) e "cabeça" (maiores que peneira 18).

Podem aparecer alguns defeitos nesta operação, tais como grãos imperfeitos acompanhando o  café  "escolha" rico em grãos perfeitos, corrigido por meio da regulagem de coluna de ar; grãos de penaras diferentes, encontrados juntos, numa mesma bica, que significa peneiras com sobrecarga ou peneiras gastas ou rompidas.

A cada peneira corresponde uma bica de ensaque, havendo possibilidade de se juntar duas ou mais peneiras, numa mesma bica.

A proporção entre palha e café beneficiado, em peso, corresponde a de cerca de 55% de palha para 45% de café, sendo necessários, portanto, cinco e meio litros de café em "coco" para se obter um quilo de café beneficiado. No café em pergaminho (despolpado), essa relação varia em torno de 20 para 80%, sendo precisos cerca de 1,260 Kg, ou três e meio litros para um quilo de beneficiado. O peso específico aparente do  café  beneficiado é da ordem de 0,7 e o real é pouco superior a 1.

Rebeneficiamento

Este repasse pode ser feito pelas mesmas máquinas usadas no beneficiamento ou por meio de seletores a ar flutuante, que consta de uma peneira inclinada, dotada de movimento vibratório intenso, recebendo uma injeção de ar por baixo.

O  café  beneficiado é despejado na parte superior da peneira e recebendo a corrente de ar por baixo, adquire características de fluidez; os grãos pesados vão para o fundo e os leves tendem e permanecer em cima da camada.

Os  cafés  pesados alcançando a posição inferior da camada, entram em contacto com a peneira, a qual por seu movimento ocilatório transmite a este grão um caminhamento inverso ao dos grãos leves; os pesado tendem a caminhar para e parte superior da peneira, enquanto que os leves, descendo, são recolhidos na e inferior. Quanto mais pesado o grão, maior será a tendência a subir, podendo ser feita uma seleção mais perfeita, de acordo com a posição em que são os mesmos retirados da máquina. É o sistema chamado "Air Float", que elimina os defeitos por diferença de densidade.

A catação manual é um meio que pode ser executada em mesas coletivas ou individuais, sendo que estas últimas permitem um melhor controle do serviço executado pelas catadeiras. A qualidade do trabalho apresentado na catação manual varia com fatores pessoais e com a qualidade do  café , daí a vantagem das mesas de catação que permitem o controle individual. Este tipo de serviço é, normalmente executado por mulheres, e o seu rendimento varia com o café a ser catado, podendo ser tomado como média, o rendimento de 1,5 saca por dia, para cada operária.

Hoje se encontram no mercado catadeiras de café eletrônicas, importadas, nas quais o grão é submetido ao exame feito por células fotoelétricas, sendo rejeitado o grão que esteja em desacordo com o padrão de cor pré-estabelecido na máquina. O rendimento das máquinas encontradas atualmente no mercado, varia entre 1 a 1,5 sacas de  café  beneficiado, por hora. Este sistema de catação oferece oportunidade da formação de lotes de café, dentro de um padrão de coloração desejada e selecionada de maneira rigorosa.

Armazenamento do café beneficiado

O café beneficiado, normalmente com teor de umidade em torno de 11 a 12%, é acondicionado em sacos de juta, com peso de 60 quilos, e guardados em armazéns limpos e bem ventilados. Os lotes de  café  devem ser empilhados separadamente, segundo a sua origem.

Quanto à área necessária ao armazenamento, recomendam as normas técnicas brasileiras a construção de armazéns com pé direito de 6,00 metros de altura e das pilhas não superior a 4,50 metros. Nessas condições, cada metro quadrado de armazém comporta 35 (trinta e cinco) sacos, estando prevista a área destinada a corredores.

Classificação Comercial

A classificação comercial do  café  depende dos cuidados dispensados execução das praticas indicadas para o preparo do café, objetivando a sua melhoria em tipo e em qualidade. Isto, porque, o café brasileiro é classificado principalmente em relação à bebida e ao tipo.

O tipo é determinado tendo em conta o número de defeitos numa amostra de 300 gramas, de acordo com a tabela de equivalência dos grãos imperfeitos e impurezas, a saber:

Equivalência dos grãos imperfeitos e impurezas

Obedecendo á tabela da classificação da Bolsa Oficial de  Café  e Mercadorias, adotada no país, aos tipos de café, de 1 a 8, correspondem os seguintes números de defeitos:

A obtenção de um bom café, quanto ao tipo, depende exclusivamente do produtor. Os melhores tipos de café podem ser obtidos em qualquer região cafeeira, uma vez conduzida convenientemente, a eliminação dos defeitos.

Com as maquinas existentes no mercado para tal finalidade, não se justifica a presença dos defeitos, no meio do  café , pois podem facilmente, ser eliminados. Resta saber se o produtor tem condições financeiras e estímulo para essa produção.

A qualidade é conhecida em provas de xícaras, recebendo o café, conforme as características da "bebida", a classificação de "mole", "duro", rio e "riado".

A bebida significa o sabor, o aroma do  café , o qual depende em grande parte das operações anteriores ao benefício, tais como colheita, preparo e secagem, principalmente nas zonas típicas de bebidas inferiores. Nessas regiões, como é o caso da Zona da Mata, do Vale do Paraíba, a bebida é normalmente de qualidade inferior, quando o café é colhido, pelo sistema de derriça, sem um preparo conduzido racionalmente, tendo nos seus meio, grãos ardidos ou pretos, que mais prejudicam a qualidade da bebida.

Conclui-se, portanto, que nas operações anteriores ao beneficiamento e as posteriores a ele, se bem aplicadas, implicará na obtenção de café  de bom tipo e boa qualidade, principalmente naquelas regiões onde as condições ecológicas são desfavoráveis.

Fonte: www.criareplantar.com.br

Café

Expansão no mundo

 575 d.C. 

 história do café  é repleta de lendas e mitos, que são transmitidos de geração em geração. A mais antiga relata que a descoberta do consumo da planta ocorreu em 575 d.C, onde um pastor chamado Kaldi percebeu que suas cabras ficavam mais dinâmicas após o consumo dos frutos vermelhos dos arbustos.

 1000 

Aproximadamente partir desse ano, é feita a  infusão do café  e ele é consumido para fins medicinais.

 De 1400 a 1500 

Em 1400 aproximadamente, o  café  começou sua trajetória pelo mundo. É nesse século que o café começa a ser torrado.

Diz a lenda que um sacerdote católico jogou os grãos na lareira por considerá-los uma bebida demoníaca, porém, ao entrar em contato com o fogo, o  café  começou a passar por todas as transformações de aroma e sabor. Conseqüentemente, o sacerdote mudou de opinião e começou a achar o café uma bebida dos deuses.

Em Constantinopla (atual Istambul, na Turquia) inaugura-se a primeira cafeteria, chamada Kiva Han.

O  café  passa a ser utilizado em cerimônias religiosas devido proibição do consumo de bebidas alcoólicas pelo Alcorão.

 De 1500 a 1600 

Nessa época, há a expansão do  café  da Arábia para a Europa. Próspero Alpino lança em Veneza o livro De Plantis Aegypti, que fala sobre o café.

O café é levado para Mokha, onde se inicia um grande cultivo.

Café

 De 1600 a 1700 

Cresce o consumo de  café  na Europa e também popularizam-se a torra e a moagem do café. A partir desse século, a Cultura cafeeira espalha-se pelo mundo, abrindo cafeterias famosas, tais como Prócope, em Paris. Um peregrino indiano, Baba Budan, leva algumas sementes para a Índia.

No Cairo o  café  começa a ser consumido com açúcar. Os holandeses conseguem uma muda de café de Mokha e iniciam seu cultivo no Sri Lanka e Suriname. Posteriormente, em Java.

 De 1700 a 1800 

Nessa época os holandeses dominam o comércio de  café  na Europa. Este é o período de expansão do café pelo mundo, incluindo o Brasil. Além disso, todo o fervor cultural existente na Europa ocorriam nos cafés, onde formadores de opinião, políticos, músicos e aristocracia se reuniam nesse locais. Tanto que Johann Sebastian Bach compõe BWV 211 Cantata do café. (Cantata é uma ópera não encenada).

Neste século o café se espalha pelo mundo, começando por Suriname (1718) situado no nordeste da América do Sul, trazido pelos holandeses. Em 1717 , os franceses levam as mudas para Ilha Reunião, e, em 1721 Capitão Clieu introduz a planta na Ilha Martinica.

Em 1727, o  café  é trazido para o Brasil por Francisco de Melo Palheta. Enquanto isso os ingleses iniciam o cultivo em Java (1730), o famoso Blue Mountain. Os missionários espanhóis levam o café para Cuba (1748).

Depois o café se espalha por outros países das Américas Central e do Sul: Porto Rico (1755), Guatemala (1760), Costa Rica (1779), Venezuela (1784), Colômbia (1794), México (1796) e Havaí (1825 ).

 De 1800 a 1900 

Esse foi o século da expansão da cafeicultura no Brasil, resultando nos barões do  Café , exportação dos grãos para o mundo. Na Alemanha descobre-se a cafeína a partir do café.

 De 1900 até os dias de hoje 

Populariza-se o consumo de café no mundo. O Crash da Bolsa de Nova York resulta em mudanças bruscas, tais como crise na exportação, desenvolvimento do café solúvel e redução da produção mundial.

Esse século também traz o desenvolvimento de equipamentos para o preparo de  café , filtros, panos, cafeteiras elétricas e principalmente a máquina de expresso, que surge aproximadamente em meados de 1950. Devido tecnologia das máquinas de café, surgem novas formas de consumo da bebida, como os cappuccinos, e novas profissões, como os baristas.

Espécies

As duas espécies de  café  cultivadas no mundo são o Café Arábica (Coffea arábica) e o robusta (Coffea canephora). O Brasil é um dos países que produz essas duas espécies.

O arábica é o café mais fino e produz os grãos que contêm o mais requintado aroma e os mais intensos sabores. Toda a delicadeza, os variados sabores possíveis e as variações de corpo e acidez são encontrados somente no  café  arábica. Por isso, os cafés de melhor qualidade, bem como aqueles oferecidos nas mais refinadas cafeterias, utilizam somente combinações de café arábica.

O arábica tem grãos de cor esverdeada, é cultivado em regiões com altitude acima de 800 metros e é originário do Oriente ((Etiópia, Yêmen), de onde resulta seu nome. Exige clima cuja temperatura média varia entre 15 a 22 º C.

O robusta é um  café  originário da África, tem um trato mais rude e pode ser cultivado ao nível do mar (altitudes mais baixas). Não possui sabores variados e refinados como o arábica. Diz-se que tem um "sabor típico e único". Sua acidez é mais baixa e, por ter mais sólidos solúveis, é utilizado intensamente nos cafés solúveis. Seu teor de cafeína é o dobro do que nos arábicas. Esta espécie suporta temperaturas entre 24 e 29º C.

Variedades

A escolha da variedade a ser plantada dependerá de vários fatores, tais como: ambiente, resistência a pragas, produtividade, tamanho do grão e sabores (características organolépticas).

As interferências de sabores pelas variedades não são muito perceptíveis. A grande diferença sensorial ocorre entre as espécies Coffea Canephora e Coffea Arábica.

As três primeiras variedades do Arábica eram: typica, bourbon e mokka.

O primeiro híbrido (cruzamento genético) foi realizado no Brasil numa cidade chamada Mundo Novo (que deu o nome à variedade), hoje conhecida como Urupês (interior de São Paulo), que foi originária do cruzamento da typica com Bourbon vermelho. Este cultivar é conhecido até hoje com o nome da cidade: Mundo Novo.

Da mutação do Bourbon obteve-se o caturra, que tem uma maior produtividade.

Do cruzamento entre Mundo Novo e o caturra, surgiu o catuai, que em guarani significa “muito bom”.

De um híbrido de arábica com robusta, que foi cruzado em seguida com mundo novo e depois com o catuai surgiu o icatu, que é resistente à ferrugem e ao frio.

Do cruzamento do icatu com o catuai , produziu-se o catucai, que é bem resistente s pragas e de alta produtividade.

Do cruzamento entre o Sumatra e o Bourbon vermelho, surgiu o acaiá.

Temos também o maragogype, que é uma mutação do typica, ocorrida na Bahia. Porém seus grãos são bem maiores do que os de todas as outras variedades.

Outro cruzamento é o híbrido do Timor com o caturra, resultando no catimor.

Alguns especialistas consideram o Bourbon com um sabor diferenciado, mais frutado e adocicado, porém é uma planta mais sensível ao ambiente e pragas.

Mudas e sementes

O  café  é plantado a partir de mudas produzidas em viveiros. As mudas são o resultado de uma cuidadosa seleção das melhores sementes, que podem gerar árvores sadias e resistentes.

A primeira fase do crescimento do  café  é chamada de “palito de fósforo”, cuja semente se desenvolve e germina. Dentro dela começa a se formar as duas primeiras folhas da árvore, que são arredondadas e chamadas de orelhas de onça.

A muda estará pronta para o plantio no campo quando tiver em média seis pares de folhas.

Flores e frutos

As flores do  café  são brancas e têm um aroma que lembra jasmim ou dama-da-noite. No Brasil, a florada acontece normalmente em outubro.

Após algumas semanas começam a nascer os pequenos grãos de café, chamados de “chumbinhos”. Eles se tornarão os frutos e, quando maduros, ficarão vermelhos ou amarelos.

Colheita

A colheita no Brasil vai de maio a agosto ou setembro, incluídas as fases de colheita dos frutos das árvores, transporte, secagem e limpeza nos terreiros e mais o benefício (remoção da casca e pergaminho) e a preparação por tipos.

No Brasil, a colheita é realizada retirando todos os frutos dos ramos ao mesmo tempo, chamada de derriça.

Nos países produtores das América Latina e Central (Colômbia, Costa Rica, Guatemala, entre outros.), a colheita é feita grão a grão, escolhendo-se somente os que estiverem igualmente maduros. Isso ocorre devido ao clima equatorial.

O trabalho no Brasil é muito mais mecanizado que em outros países, embora o “processo manual” traga um certo valor agregado maior entre os grandes compradores.

Abanação

Logo após a colheita os frutos são colocados em peneiras e “jogados” para cima. Essa é uma cena clássica da colheita. O procedimento tem como objetivo retirar os paus e as folhas que eventualmente estão juntos com os frutos colhidos.

Café natural

Após a colheita, o  café  deve ser espalhado no terreiro, onde ficará ao sol de 15 a 20 dias (ou num secador) até que sua umidade chegue a 12%, no máximo. A partir desse momento o café pode ser armazenado e beneficiado.

O benefício consiste na retirada da casca seca através de equipamentos regulados.

Café via úmida

Na Estado da Bahia, na Colômbia e ainda nos países de clima equatorial (alguns países da África), a via úmida é o tipo de secagem mais utilizado, pois é um método que resulta numa bebida menos encorpada e mais ácida, devido à fermentação resultante das 30 horas (em média) que os frutos permanecem nos tanques de lavagem. A colheita é feita por “picking”, ou seja, só são retirados da planta os grãos que estão maduros. Nesse método, o  café  fica visualmente mais uniforme.

Após a colheita os cafés são levados para os lavadores e para os despolpadores. A partir desse momento deve-se cuidar do processo para que não se altere o sabor do  café . Os cafés despolpados são levados aos tanques de fermentação, onde o tempo e a acidez são controlados cuidadosamente.

Ao chegar à acidez desejada, os  cafés  devem ser lavados para a retirada do mosto resultante da fermentação. Os cafés devem ser levados para os secadores ou para os terreiros suspensos até a umidade aceitável (12%) e posteriormente descascados e separados por tamanhos.

Café cereja descascado

Também utilizado no Brasil, o método cereja descascado separa os cafés imaturos (verdes) durante a passagem pelo descascador, resultando em grãos mais homogêneos.

Os  cafés  colhidos devem passar por esse processo até 12 horas após a colheita para não haver risco de fermentação.

Os  cafés  possuem corpo mais leve e normalmente uma acidez equilibrada.

Esse processo é uma combinação dos métodos citados acima. A diferença é que o Cereja descascado não passa pelo tanque de fermentação. Ele vai direto para o terreiro ou sacador. Dessa maneira, ele é seco com a mucilagem: líquido situado entre a casca e o pergaminho, rico em açúcares. O processo de secagem deve permitir a umidade máxima de 12%. Depois, ele poderá ser armazenado e posteriormente beneficiado. Aconselha-se a retirada do pergaminho o mais próximo da torra para evitar mudança de cor do  café cru. 

Peneira

A classificação por tamanho dos grãos é feita por peneiras, numa escala de 10 a 18, sendo que os menores grãos constituem a “peneira 10” e os maiores grãos constituem a “peneira 18”, que são, portanto, os mais valorizados.

Os  cafés  que possuem todos os tamanhos juntos são chamados de “Bica Corrida”.

Tipo

Através da avaliação visual dos grãos, separam-se os imperfeitos, tais como: imaturos, quebrados, brocados e, a partir dessa separação, são somados os valores referentes a cada defeito e classificados os  cafés  pelo seu “tipo”.

A classificação do  café cru  é feita também pelo tipo dos grãos, pelo tamanho e pela quantidade de grãos mal formados ou defeituosos que um lote pode ter.

Os defeitos dos grãos são de vários tipos — chochos, mal granados, quebrados, brocados —, mas os mais prejudiciais à bebida são os pretos, verdes e ardidos (stinker = fedidos), que não devem existir nos lotes para a indústria em quantidade excessiva, pelo fato de produzirem uma bebida muito ruim.

Os  cafés  considerados de melhor qualidade são os que quase não apresentam defeitos, são eles: Tipo 2/3 (4 defeitos em 300 g de café cru).

Conforme o número de defeitos aumenta, o “tipo” também aumenta, chegando no máximo ao Tipo 8 (360 defeitos em 300 g de café cru) .

Esses valores são determinados pela Classificação Oficial Brasileira – COB.

Características Sensorais

As principais características da bebida são aroma, doçura, acidez, amargor e corpo. Elas são responsáveis pelos gostos e percepções obtidas no paladar quando vamos tomar uma xícara de  café .

Os gostos são percebidos em diferentes regiões da língua: o doce na ponta, acidez na parte lateral e posterior e o amargor no fundo, ao engolirmos.

O corpo e o after taste são sensações na boca, eles abrangem todo o paladar.

 Confira abaixo detalhes de cada uma da características sensoriais: 

 Aroma 

São os elementos perceptíveis pelo olfato. A sensibilidade ao aroma está muito relacionada com a experiência do degustador. Os aromas podem ser: frutado, florado, achocolatado, semelhante ao pão torrado ou outros. Bons  cafés  têm aroma pronunciado.

 Doçura 

Os  cafés  mais finos apresentam um sabor adocicado, o que permite que sejam bebidos sem adição de açúcar. Os cafés podem ter doçura variando de nula (sem doçura) até “muito boa”.

 Amargor 

É o gosto produzido pela cafeína e deve ser leve ou equilibrado nos  cafés  de melhor qualidade. Amargor forte ou muito forte, que molestam a garganta, são provenientes de cafés piores e também de uma torra muito acentuada (escura) ou de um tempo excessivo de contato da água com o pó de café (moagem fina).

 Acidez 

É a sensação obtida na parte lateral da língua e pode ser bastante desejável no  café , especialmente em mercados europeus (Alemanha). No Brasil, os cafés são pouco ácidos e os do Sul de Minas são os que têm maior acidez. Os da região mogiana (parte da região interior de São Paulo) caracterizam-se por uma leve acidez.

 Corpo 

É uma sensação na boca causada pelo “peso” da bebida no paladar, e que enriquece a bebida do  café . Um café pode ter corpo leve, normal ou médio ou encorpado.

 After taste ou sabor residual 

É o sabor que permanece na boca após a degustação do café. Ele pode ser intenso e agradável nos cafés de melhor qualidade. Uma característica de um café com after taste positivo remete à degustação da segunda xícara.

BLEND

Cada tipo de  café  tem atributos especiais cuja combinação resulta numa composição balanceada das melhores qualidades. A arte de fazer um "blend" é a combinação de cafés com características complementares — acidez com doçura, muito encorpado com pouco corpo, torra clara e torra escura — de tal forma que as melhores qualidades de sabor, aroma, corpo e aparência produzam uma bebida deliciosa.

Indústrias de café possuem seus próprios "blends". O grande desafio das indústrias é manter sempre o mesmo "blend", considerando os fatores que envolvem os grãos, e encontrar substitutos à altura daqueles que são impraticáveis ou muito caros. "Blend" é o grande segredo industrial até porque os consumidores são fiéis ao sabor de determinada marca.

O blend do  café  é feito em sua maioria com os grãos crus, podendo também ser feito com os grãos após terem sido torrados.

 EXEMPLOS 

 Blend 1 

 Componente:  Arábica Sul de Minas 
 Característica:  corpo suave, acidez excessiva, aroma regular, bebida mole 
 Componente:  Arábica Mogiana 
 Característica:  encorpado, bom aroma, bebida dura, acidez baixa 
 BLEND :  50% Sul de Minas, 50% Mogiana

 Blend 2 

 Componente:  Conilon 
 Característica:  corpo forte, cor intensa, aroma fraco, sabor neutro 
 Componente:  Arábica Paraná 
 Característica:  encorpado, bebida rio, não muito ácido. 
 BLEND:  20% Conilon, 80% Arábica

TORRA

A torra é um processo de tempo e temperatura, em que ocorrem mudanças nos grãos crus. Os graus de torra são avaliados por sua cor externa, desenvolvimento de sabor e aroma. Também pode ser dito torra leve, média ou escura.

A temperatura é em média de 220º C e o tempo de torra varia entre 12 e 15 minutos.

 Grau de torra e suas características: 

 Clara:  acentua acidez, suavidade do aroma e sabor, menos amargor 
 Escura:  diminui a acidez, acentua sabor amargo, bebida mais escura

A torra escura dá ao grão um aspecto oleoso, que é o resultado da perda dos leos aromáticos do  café , por isso a torra muito escura produz uma bebida com pouco aroma e sabor mais amargo.

A torra clara preserva mais os óleos aromáticos (grãos permanecem secos), mas acentua a acidez da bebida.

A boa torra é aquela que permite e traz as melhores características de sabor e aroma de cada tipo de grão.

Após o processo da torra, o  café  pode ser embalado para ser vendido em grão (para o café expresso) ou passar para a próxima etapa: a moagem.

MOAGEM

Assim como ponto de torra, a moagem é fundamental para obtenção de uma boa bebida. Ambos devem se adequar ao equipamento e a forma de preparo.

O tempo de preparação é influenciado pela moagem, pois, numa moagem muito fina, a água levará mais tempo para passar pelo pó, resultando numa bebida mais amarga. A temperatura final da bebida pode diminuir tornando-a desagradável. Porém, se for muito grossa, a água passará rapidamente pelo pó, não permitindo que a extração seja ideal. Por isso, a moagem deve ser adequada ao equipamento utilizado.

 Veja abaixo o grau de moagem necessário para cada tipo de preparo: 

 Pulverizado:  café árabe, onde o pó não é coado 
 Fina:  filtração (filtros de papel, coador de pano) 
 Média:  café expresso 
 Grossa:  cafeteira italiana

As informações acima são uma comparação das moagens encontradas no Brasil.

Para outros países a relação entre o grau de moagem e a preparação pode ser diferente.

Fonte: www.pacafes.com.br

Café

O CAFÉ NA ECONOMIA BRASILEIRA

A expansão do setor cafeeiro no Brasil ocorre à partir de meados do século XIX com o declínio da economia açucareira no nordeste, a ruína da cultura do algodão e a decadência da mineração. Com os principais produtos da pauta de exportação do país apresentando declínio no mercado externo, a economia nacional atravessa um período de estagnação. Havia uma infra-estrutura subutilizada em função do declínio das atividades econômicas mencionadas - como instalações, transportes, comercialização, terras férteis e disponibilidade de um estoque de mão-de-obra escrava ociosa ou semi ociosa.

Por outro lado, os fatores externos, como o aumento do consumo de  café  na Europa e nos Estados Unidos, e pelo lado da produção, a ruína dos principais produtores mundiais de café como Java (devido a uma praga) e Haiti (por levantes de escravos), contribuíram para transformar o Brasil no maior fornecedor de café do mercado mundial.

É incontestável a importância do  café  para o processo de formação e desenvolvimento da economia brasileira, este produto tornou-se fator determinante no processo de formação do capitalismo brasileiro, sendo por isso, alvo de constantes intervenções e regulamentações face à importância que assumiu no contexto da economia nacional.

O desenvolvimento da economia cafeeira, diferentemente da economia açucareira, propicia o crescimento político e social dos homens de negócio do café, gerando a denominada “burguesia cafeeira”. Assim, a economia e o capital cafeeiros ultrapassam as lavouras. Os principais líderes dessa nova marcha não se limitaram em organizar e dirigir plantações de  café , eram homens com ampla experiência comercial, com interesses bem mais abrangentes, preocupados com aquisição de terras, recrutamento de mão-de-obra, organização e direção da produção, transporte interno, comercialização nos portos, contatos oficiais e interferência na política financeira e econômica.

A expansão do setor cafeeiro determinou, por conseguinte, o desenvolvimento das estradas de ferro em função da necessidade devido a expansão na produção, o desenvolvimento da mecanização, substituindo secadores manuais pelos mecânicos e introduzindo no processo produtivo os classificadores a vapor.

A transferência em massa de trabalhadores europeus para as lavouras cafeeiras ocorrida em 1870, propiciará a mudança da mão-de-obra escrava para a mão-de-obra assalariada, O desenvolvimento do setor cafeeiro exerce, ainda, forte influência nas casas bancárias, através das casas de exportação, cujo capital se constituiria no embrião para o desenvolvimento dos primeiros bancos, conforme pode-se observar, o capital cafeeiro se desenvolve assumindo múltiplas funções, quer seja como capital agrário ou como capital industrial, permitindo ao país reintegrar-se nas correntes em expansão do comércio mundial.

Como forma de estimular o crescimento do consumo interno, em 1952 o Instituto Brasileiro do  Café - IBC, criou o Programa de Aumento do Consumo Interno do Café, este programa consistia em fornecer ao Industrial uma cota de café a um preço menor que o mercado, sendo a qualidade determinada pelos técnicos do IBC. Este programa durou por mais de duas décadas, contribuindo para um crescimento expressivo do consumo nacional, saltando de 2 milhões de sacas em 1952 para 8 milhões de sacas em 1965.

Em 1975, uma das maiores geadas já ocorridas no país, provoca a quebra total da produção paranaense e significativas perdas de produção em São Paulo. Os efeitos negativos desse fato estendeu-se até duas safras seguintes, e repercutiu em todo o setor cafeeiro.

Com a pressão dos exportadores, exigindo garantia de fornecimento, o IBC, decidiu pela extinção da “ Campanha de Aumento do Consumo Interno” extinguindo o subsídio de fornecimento de matéria-prima para a indústria, o que determinou o fim do subsídio do governo quanto à oferta dessa matéria prima, com isso a concorrência no setor tornou-se intensa, aliada ao tabelamento de preços, esses fatores impediam as empresas de investir em modernização, diversificação, na qualidade e no aprimoramento em marketing, iniciando um processo de estagnação do setor. Grande parte das empresas passou a adulterar os seus produtos, adicionando misturas ou impurezas no  café , como conseqüência da baixa qualidade, o consumo nacional cai sensivelmente do período de 1975 a 1989, chegando a um consumo de apenas 6 milhões de sacas.

Revitalização do setor a partir da década de 90

Diante desse quadro a ABIC passou a defender, junto ao IBC, a criação de um programa de auto-fiscalização a fim de garantir a pureza do café. Em agosto de 1989, após quase dois anos de estudos, foi implantado o Programa do Selo de Pureza ABIC. O objetivo da ABIC ao lançar o Selo de Pureza, em 1989, era devolver ao consumidor a credibilidade no produto.

Outro aspecto positivo, que auxiliou o fortalecimento do programa, foi o fim das políticas de intervenção do governo sobre o preço. Foram quase vinte e cinco anos de intervenção direta nos preços do produto final. A partir de 1990, o governo deixa o mercado agir livremente.

Com a melhoria dos  cafés  ofertados no mercado, o consumo interno sofrerá um incremento bastante considerável, passando de 6 milhões de sacas para 13,2 milhões de sacas consumidos em 2.002, sendo o Brasil atualmente o segundo maior consumidor mundial, na frente apenas dos Estados Unidos.

Atualmente, o café é cultivado em várias regiões do país. Em todas as suas etapas (produção, industrialização e comércio interno e externo) gera grandes receitas e milhões de empregos, direta e indiretamente. Continua a ser um dos nossos produtos mais importantes e, sem dúvida, o mais brasileiro de todos.

ESPÉCIES DE CAFÉ

As duas espécies de café cultivadas no mundo são a  Coffea Arábica  ou, simplesmente,  café Arábica , e a  Coffea Canephora , o  café Robusta  ou  Conillon .

O  Arábica  produz cafés de melhor qualidade, mais finos e requintados. Possui aroma intenso e os mais variados sabores, com inumeráveis variações de corpo e acidez. Por isso, os cafés de melhor qualidade, como os que são oferecidos nas mais refinadas cafeterias, utilizam somente combinações Coffea arábica.

O  Robusta  é um café originário da África Central, tem trato mais rude e pode ser cultivado ao nível do mar (altitudes inferiores a 400 metros). Não possui sabores variados nem refinados como o Arábica – diz-se que tem um “sabor típico e único”.

Sua acidez é mais baixa e, por ter mais sólidos solúveis, é utilizado intensamente nos  cafés solúveis .

Seu teor de cafeína é o dobro do Arábica, por isso possibilita cafés com predominância de mais amargor e maior tintura. As empresas, utilizam da arte de combinar estas duas espécies para definição dos seus produtos.

Arábica X Robusta

 Confira as principais diferenças: 

   Arábica   Robusta 
 Aroma  Intenso Suave
 Sabor  Grande variedade de nuances Único, característico
 Cor dos grãos  Esverdeada Marrom pronunciado
 Acidez  Alta Baixa
 Cafeína  Menor quantidade Maior quantidade
 Altitude para cultivo  De 400 a 1000 metros Abaixo de 400 metros

CLASSIFICAÇÃO

O  café  é classificado pelo sabor da bebida e pelo tipo físico dos grãos.

A espécie Arábica pode ter diversos sabores.

 Os padrões da bebida são: 

 Mole : Gosto suave, agradável e adocicado.

 Dura : Gosto áspero e adstringente (sensação de secura na boca).

 Riada : Gosto ligeiramente químico, lembrando o iodo.

 Rio : Gosto mais acentuada da Riada.

 Rio Zona : Forte gosto químico – sabor aproximado de remédio. A classificação é feita, também, pelo tipo dos grãos, pelo tamanho e pela quantidade de grãos mal formados ou defeituosos em um lote.

 Tamanho 

A classificação por tamanho dos grãos é feito por peneiras, sendo que os menores grãos constituem a peneira 8 e os maiores grãos constituem a peneira 17/20, que são, portanto, os mais valorizados pelo tamanho.

 Defeitos 

Os defeitos dos grãos podem ser de natureza intrínseca (preto, ardido, verde, chocho, mal granado, quebrado e os brocados) ou extrínseca (coco, marinheiro, casca, paus e pedras).

Os mais prejudiciais à bebida são os pretos, verdes e ardidos que não devem existir nos lotes para a indústria.

Cafés diferentes têm preços diferentes

São defeitos como  café verde, preto e ardido , grãos quebrados ou pequenos, que interferem no preço e no sabor do café. Estes defeitos interferem na qualidade da bebida e consequentemente apresentam preços diferentes.

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DA BEBIDA

Para o degustador e preparador de  café  é importantíssimo conhecer e saber sentir as características principais da bebida: doçura, acidez, amargor, corpo e aroma.

 Veja o que cada uma delas significa: 

Doçura

Os  cafés  podem ter doçura variando de nula (sem doçura) até doçura muito boa.

 Características 

Os  cafés  mais finos apresentam um sabor adocicado que permite que sejam bebidos sem adição de açúcar.

 Atenção! 

 Cafés  preparados com excesso de grãos verdes, pretos ou ardidos não apresentam doçura perceptível.

Amargor

É o gosto produzido pela cafeína.

 Características 

Deve ser leve ou equilibrado nos  cafés  de melhor qualidade.

 Atenção! 

Amargor forte ou muito forte, que molestam a garganta, são provenientes de  cafés  inferiores e também, de uma torra muito acentuada (escura) ou de um tempo excessivo de contato da água com o pó de café (moagem fina).

Acidez

É a sensação obtida na parte lateral da língua.

 Características 

Bastante desejável no  café , especialmente em mercados europeus (Alemanha).

 Atenção! 

No Brasil, os  cafés  são pouco ácidos. Os grãos do Cerrado Mineiro e os da Mogiana (SP) caracterizam-se por uma leve acidez. No Sul de Minas encontram-se os mais ácidos.

Corpo

É uma sensação causada na sua boca pela persistência no paladar.

 Características 

Enriquece a bebida do  café . Um café pode ser sem corpo, leve, bom corpo ou encorpado, dependendo do seu tipo.

Aroma

São os elementos perceptíveis ao olfato.

 Características 

Os aromas podem ser: frutado, florado, achocolatado, semelhante ao pão torrado ou outros. Bons  cafés  têm aroma pronunciado.

A maior acidez do  café  permite maior percepção do aroma.

 Atenção 

A avaliação pelo aroma depende da experiência do degustador.

LAVOURA

O  café  é uma das culturas que mais emprega mão-de-obra e exige cuidados durante todo o ano.

O  café  é plantado a partir de mudas produzidas em viveiros. As mudas são o resultado de uma cuidadosa seleção das melhores, que podem gerar árvores sadias e resistentes.

O plantio é feito em espaços projetados para permitir um bom crescimento e o trabalho de manutenção das árvores, do solo e da colheita. As áreas destinadas lavoura são sempre as mais nobres e valorizadas de cada região.

O  café  é uma das culturas que mais emprega mão-de-obra e exige cuidados durante todo o ano.

Dois anos após o plantio, o cafezal já produz frutos e pode durar mais de 25 anos, sendo que suas maiores safras são as cinco primeiras.

COLHEITA

A colheita no Brasil vai de junho a outubro, incluindo as fases de colheita dos frutos das árvores, transporte, secagem e limpeza dos terreiros e mais os benefícios (remoção da casca e pergaminho) e a separação por tipos.

No Brasil, a maior parte dos produtores realiza a colheita retirando todos os frutos dos ramos ao mesmo tempo – processo conhecido como derriça.

SECAGEM

 Método por via seca 

Mais utilizado no Brasil. Proporciona a migração dos açúcares da polpa para o grão, resultando numa bebida mais encorpada e menos ácida.

 Método por via úmida 

Resulta numa bebida menos incorpada e mais ácida devido a fermentação resultante das trinta horas que os frutos permanecem nos tanques de lavagem. A colheita é feita por “picking”, isto é, só são retirados da planta os grãos que estão maduros. Neste método o  café  fica visualmente mais uniforme.

TORRA

A boa torra é aquela que permite e traz melhores características de sabor e aroma de cada tipo de grão.É um processo de tempo/temperatura, onde ocorrem mudanças nos grãos crus.
Os grãos de torra são refletidos por sua cor externa, sabor e aroma.

 A torra pode ser: 

 Clara : Preserva mais os óleos aromáticos (grãos permanecem secos) proporcionando suavidade do aroma e sabor , menos amargor e acentuação da acidez da bebida.

 Média  Acentua o aroma e o sabor.

 Escura  Dá ao grão um aspecto oleoso, que é o resultado da perda dos óleos aromáticos do café, por isso a torra muito escura produz uma bebida com pouco aroma, sabor mais amargo e menor acidez.

MOAGEM

A moagem, assim como o ponto de torra, é fundamental para a obtenção de uma boa bebida. Ambos devem se adequar ao equipamento onde será feito o  café  e a forma de preparo.

 Grau de moagem   Preparo 
Pulverizada-fina
Média
Média-grossa
Grossa
Café árabe, onde o pó não é coado
Filtração (filtros de papel, coador de pano)
Café expresso
Cafeteira italiana
 Sabor da bebida em função do ponto de torra e da moagem 
   MOAGEM MÉDIA   MOAGEM GROSSA 
TORRA CLARA BEBIDA FRACA BEBIDA MAIS FRACA
TORRA MÉDIA BEBIDA IDEAL BEBIDA FRACA
TORRA ESCURA BEBIDA MAIS FORTE BEBIDA FORTE

SELO DE PUREZA E SELO DE QUALIDADE ABIC

A proposta da ABIC ao instituir o programa de autofiscalização (em dezembro de 1988), responsável pelo Selo de Pureza ABIC, foi exatamente a de sanear o setor, distinguindo as indústrias preocupadas em produzir um  café  puro e denunciando aqueles que fraudam e misturam seus produtos, confundindo o consumidor. O Selo de Pureza ABIC atesta que um determinado produto é livre de misturas, mas não garante a qualidade do produto.

Para aumentar a oferta de cafés de qualidade aos consumidores, a ABIC lançou o Programa de Qualidade do Café (PQC). Através deste programa, entidades especializadas fazem auditoria nas indústrias para verificarem o cumprimento dos requisitos técnicos essenciais para que seus produtos sejam certificados com o Selo de Qualidade ABIC, uma garantia dada pela ABIC – Associação Brasileira da Indústria do  Café , às indústrias que produzem dentro das normas de qualidade recomendável e com boas práticas de fabricação constantes no Programa de Qualidade do Café (PQC). O Selo de Qualidade ABIC dispensa o Selo de Pureza Abic.

Fonte: www.cafeleticia.com.br

Café

OS BENEFÍCIOS DO CAFÉ PARA SAÚDE

É uma das bebidas mais consumidas em todo o mundo, apesar de alguns preconceitos. Entretanto, tomar um “cafezinho” em doses moderadas pode trazer à saúde mais benefícios que o simples prazer de degustar a tradicional bebida.

O  café  é uma bebida rica em minerais, contém vitamina B, ácidos clorogênicos, antioxidantes naturais, nutrientes que ajudam a prevenir a depressão e suas conseqüências como o tabagismo, alcoolismo e consumo de drogas. A recomendação dos especialistas é de um consumo de 3 a 4 xícaras diárias (cerca de 500 mg de cafeína), o que estimula a atenção, concentração, memória e o aprendizado escolar.

O consumo diário e moderado de  café  pelos adultos também pode ajudar ainda a combater a depressão, a quarta principal causa de morte no mundo atualmente, mas que poderá vir a ser a segunda em 2020, conforme informações da OMS (Organização Mundial da Saúde), depois do infarto do miocárdio.

Fonte: www.bombeiros.mt.gov.br

Café

Características da planta

Arbusto com copa piramidal, atinge até 12 metros de altura; possui caule ereto e casca acinzentada e rugosa. As folhas possuem coloração verde-acinzentado quando jovens e verde-brilhante posteriormente; apresentam formato ovalado-lanceolado e são onduladas nas margens.

O fruto é uma drupa elipsoidal de coloração verde antes de amadurecer, depois torna-se amarelo e depois vermelho. Contém sementes de coloração acinzentada, branco-amarelada ou amarelo-esverdeada, envoltas por polpa branca e adocicada.

Café

Características da flor

Flores brancas, aromáticas, reunidas em número de 2 a 6, formando glomérulos situados na axila das folhas. As flores normais do cafeeiro  abrem-se nas primeiras horas da manhã e permanecem abertas durante todo o dia.

 Origem 

Nativo da Etiópia, e daí levado para a Arábia, de onde se propagou pelo mundo levado pelos árabes.

Planta arbustiva pertencente ao gênero Coffea, tem nas espécies Coffea arabica L. e Coffea canephora Pierre, a sua maior expressão econômica, visto que são as espécies mais cultivadas nos grandes centros produtores de  café .

Embora existam cerca de 60 espécies, nem todas são amplamente conhecidas quanto ao seu potencial econômico.

Cultivo do cafeeiro

Escolha do terreno

Declividade: - maior que 15 a 20 %, inviabiliza a mecanização agrícola;

 Entre 30 e 40%,  manejo realizado com uso de tração animal;

 Entre 60 e 70 %,  manejo realizado apenas manualmente.

Profundidade

A cultura do  cafeeiro  se desenvolve melhor em solos profundos, com boa capacidade de retenção de água. Deve-se evitar solos com mais de 15% de cascalhos e com leito rochoso superficial, fatores que dificultam a mecanização agrícola e prejudicam o bom desenvolvimento da culura.

Calagem e adubação

Devem ser feitas tendo por base os resultados da análise de solo, seja na implantação da cultura ou em culturas já instaladas.

Conservação do solo

Devem ser adotadas práticas conservacionistas baseadas em estudos da área da propriedade. Normalmente são utilizadas 2 tipos de práticas de controle da erosão, complementares entre si - as vegetativas e as mecânicas.

Condições climáticas

O  cafeeiro  se desenvolve melhor em áreas com temperatura entre 18 e 24 oC, não tolerando temperaturas inferiores a 18 oC ou que em alguns dias do ano fique próxima ou abaixo de 0 oC. Áreas sujeitas à geadas não são recomendadas para esta cultura. Para um bom desenvolvimento, a precipitação anual deve estar na faixa de 600 a 1500 mm anuais, bem distribuídos ao longo das estações do ano.

 Época de plantio 

Janeiro a março ou com irrigação durante a seca.

 Época de colheita 

abril a setembro.

Espaçamento

Dependerá da escolha do sistema de plantio, se o convencional ou adensado (cultiva-se de 5 mil a 10 mil plantas por hectare).

Escolha das variedades

Consultar Instituições de Pesquisa ou Órgãos Governamentais ligados à Agricultura, que indicarão as melhores variedades e cultivares para a região onde se situa a propriedade. Estas Instituições realizam pesquisas que visam determinar as espécies, variedades e cultivares mais propícias para cada Estado brasileiro.

 Sementes ou mudas necessárias:  1kg contém de cinco a sete mil sementes despolpadas que produzem cerca de quatro mil mudas aproveitáveis.

Espécies

Coffea arabica L.

Espécie mais cultivada no continente americano.

 Origem:  regiões de altitude mais elevada, de clima úmido e de temperaturas amenas. Apresenta restrições quanto a temperatura média anual, que deve situar-se na faixa de 18 a 22,5 oC.

 Altura:  até 4m.

 Raiz:  uma principal, que se ramifica nas primeiras camadas do solo.

 Ramos:  os primários são longos e flexíveis, havendo ramificações secundárias e terciárias.

Folhas: cor verde escuro, tamanho médio (13,4 x 5,0 cm), opostas, elípticas, com lâmina brilhante.

 Flores:  são agrupadas em inflorescências.

 Frutos:  são de superfície lisa e brilhante, possuem dimensão de 1,5 cm por 1,1 cm; coloração vermelha ou amarela de acordo com a variedade.

 Sementes:  dimensão de 0,9 por 0,7 cm, oblongas, plano-convexas, de cor esverdeada.

Coffea eugenioides Moore

Os arbustos se assemelham aos de algumas das variedades do Coffea arabica, como por exemplo "Laurina" e "Mokka".

 Folhas:  cor verde-clara, pequenas e finas.

 Flores:  pequenas.

 Frutos:  pequenos, medem 1,1 cm de comprimento e 0,8 cm de largura; coloração vermelho-brilhante e superfície lisa.

 Sementes:  são pequenas (aproximadamente 0,5 cm de comprimento) e de cor verde-escuro.

 Região de ocorrência:  países africanos como Uganda, Quênia, Tanzânia, Congo, Ruanda.

Coffea congensis Froehner

 Altura:  em média 4m e normalmente multicaule.

 Folhas:  cor verde-clara, de formas onduladas semelhantes s da C. stenophylla.

 Frutos:  são ovóides, medindo 1,3 cm de comprimento por 0,9 cm de largura; cor vermelho-escuro, quando maduros.

 Sementes:  são de cor verde, e medem 0,8cm de comprimento por 0,7cm de largura.

 Região de ocorrência:  natural das proximidades do rio Congo, se desenvolvendo melhor em áreas inundáveis.

Coffea canephora Pierre

 Altura:  atinge até 5 m em regiões de clima quente e úmido, sendo normalmente multi caule.

 Folhas:  são grandes e medem de 9 a 20 cm, elípticas, lanceoladas com bordos bem ondulados, nervuras salientes e cor de um tom de verde mais claro que o das folhas do Coffea arabica.

 Flores:  são de cor branca, em grande número por inflorescência e por axila foliar.

 Frutos:  formas variadas entre as diferentes variedades. Medem em média 1,5 cm de comprimento por 1,2 cm de largura. Quando maduros são de cor amarela ou vermelha e de superfície lisa.

 Sementes:  são de cor verde-claro e com película prateada aderente; medem em média 1,0 cm de comprimento e 0,7 cm de largura.

 Características e finalidade:  o endosperma é rico em cafeína, menos aromático e apresenta grande quantidade de sólidos solúveis.

O  café  obtido do Coffea canephora, cuja bebida é denominada como neutra, é utilizado como lastro nas misturas com café de sabor mais acentuado, dessa maneira originando um produto de sabor mais agradável.

 Região de ocorrência:  nativo das florestas equatoriais e regiões de savanas da África.

Algumas variedades da espécie Coffea arabica L.

Coffea arabica L. var. ‘Tipica’

 Nomes comuns:  Nacional, Arábica, Comum ou Sumatra.

 Altura:  2 a 3m.

 Ramos:  os laterais primários são levemente pendentes e os secundários e terciários não são muito abundantes.

 Folhas:  cor verde-escuro nas já desenvolvidas e cor bronze nas mais novas.; são elípticas, levemente coriáceas, com lâmina e margem pouco onduladas.

 Flores:  apresentam corola branca.

 Frutos:  de forma oval-elíptica, lisos e brilhantes.

 Sementes:  são de cor verde.

Coffea arabica L. var. ‘Angustifolia’

 Altura:  1 a 2 m

 Folhas:  longas e estreitas; cor bronze e às vezes amarelas, quando novas; adquirem cor verde-escuro ao atingirem o pleno desenvolvimento.

 Flores:  são semelhantes às da variedade ‘Típica’.

 Desvantagem:  pouco vigorosa, às vezes multi-caule, e de baixa produção.

Coffea arabica L. var. ‘Cera’

Suas características são semelhantes às da variedade ‘Típica’, com exceção das sementes que são amarelas.

 Utilidade:  embora não tenha valor comercial, é utilizada nos trabalhos de determinação da taxa de polinização cruzada.

Coffea arabica L. var. ‘Mokka’

O nome desta variedade não está relacionado com o  café  tipo comercial de "sementes moca", caracterizadas pela presença de uma única semente no fruto.

 Altura:  1 a 2m e copa com forma cônica

 Ramos:  os laterais são curtos.

 Folhas:  pequenas.

 Flores:  são um pouca menores que as da variedade ‘Típica’.

 Frutos:  são de formato esférico e pequenos.

 Sementes:  pequenas.

 Finalidade:  produz café de boa qualidade e apresenta maior quantidade de sólidos solúveis.

 Região de ocorrência:  é possível que seja originária da ilha Reunião, localizada no Oceano Índico, na costa Sudeste da África.

Coffea arabica L. var. ‘Erecta’

 Características:  o que a diferencia das plantas da variedade ‘Típica’ é a sua copa de forma ereta, cujos ramos laterais formam, em média, ângulos de 26 o com a haste principal.

 Vantagem:  não apresenta dimorfismo dos ramos, o que a torna propícia para uso na enxertia, por originar plantas sempre eretas.

Coffea arabica L. v. ‘Bourbon’

 Origem:  data de 1859 a introdução desta variedade no Brasil, que a partir de 1875 foi plantada na região de Cravnhos-SP e Ribeirão Preto-SP, daí se expandindo para outras regiões do Estado de São Paulo.

 Características:  a diferenciação das variedades ‘Típica’ e ‘Bourbon’ se torna difícil devido a semelhança das características utilizadas para diferenciá-las.

No entanto algumas diferenças podem ser notadas, entre elas, estão as ramificações secundárias do Bourbon que são mais densas, de internódios curtos e brotação de cor verde. Quanto a folha, esta forma um ângulo maior com a nervura principal e é ondulada nos bordos. Os frutos são menores e as sementes são mais curtas e mais arredondadas.

Alguns cultivares da espécie Coffea arabica L.

Coffea arabica L. cv. Bourbon Amarelo

 Origem:  selecionada na região de Jaú-SP, em populações provavelmente derivadas de híbridos naturais entre ‘Bourbon Vermelho’ e ‘Amarelo de Botucatu’.

 Características produtivas:  a produção entre as progênies é bastante variável. No geral a maturação dos frutos é precoce, no entanto parecem ser mais susceptível à ferrugem que ‘Mundo Novo’ e ‘Catuaí’.

 Finalidade:  cultivar pouco utilizada em plantios de lavouras comerciais, sendo cultivada em regiões de altitude mais elevada, devido precocidade.

Coffea arabica L. cv. Mundo Novo

 Origem:  provavelmente originária do cruzamento natural entre as variedades ‘Sumatra’ e ‘Bourbon Vermelho’. O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) realizou a seleção de plantas matrizes, prosseguindo com os trabalhos de seleção entre e dentro das progênies visando eliminar vários defeitos presentes na população original.

 Características:  a conformação geral da planta do cafeeiro, embora variável entre progênies, é boa e apresenta muitos ramos secundários produtivos. A cor dos brotos é verde-clara ou bronze, de acordo com a progênie.

 Altura:  média de 3 m; desenvolve bom sistema radicular.

 Frutos:  são de cor vermelha.

 Características produtivas:  alta produção de  café  beneficiado, composta de aproximadamente 90% de grãos tipo chatos, aliada a um bom vigor vegetativo e longevidade. Os frutos apresentam boa precocidade e uniformidade de maturação em razão do número de floradas significativas, que são em número de três, com a primeira produzindo 10%, a segunda 80% e a última 10%, propiciando um  café  de melhor qualidade, pela baixa porcentagem de grãos verdes obtidos da colheita.

Coffea arabica L. cv. Acaiá.

 Origem:  obtida a partir de plantas da cultivar Mundo Novo, que tinham como características boa produtividade e sementes grandes.

 Altura:  em média 4,2 m, com ramos secundários menos produtivos que outras progênies de cultivares Mundo Novo.

 Copa:  diâmetro médio de 1,8m.

 Brotos:  em geral são de cor bronze.

Coffea arabica L. cv. Catuaí Vermelho e Catuaí Amarelo

Origem: obtidas pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), através do método de hibridização entre  cafeeiros  da variedade ‘Caturra Amarelo’ selecionados pelo vigor e produtuvidade.

 Altura:  aproximadamente 2m.

 Características gerais:  sistema radicular bem desenvolvido; internódios mais curtos e ramificações secundárias mais abundantes.

 Brotos:  são de cor verde-claro.

 Folhas:  são de cor verde-escura brilhante.

 Características produtivas:  as melhores progênies são de porte reduzido, o que permite plantios adensados, além de terem a mesma capacidade produtiva do ‘Mundo Novo’.

Em regiões de altitude elevada e clima ameno, a maturação é mais tardia e desuniforme, devido a ocorrência de vários florescimentos durante a primavera.

Coffea arabica L. cv. Rubi

 Origem:  obtida do retrocruzamento de ‘Catuí Vermelho’ e ‘Catuí Amarelo’ para ‘Mundo Novo’.

 Altura:  em torno de 2m.

 Diâmetro médio da copa:  1,8m, aos sete anos.

 Frutos:  são de cor vermelha quando maduros.

 Folhas:  quando novas, são de cor bronze.

 Características gerais:  semelhantes as do ‘Catuí’; as ramificações secundárias são abundantes, com angulação de ramos aberta.

 Características produtivas:  alta produtividade e vigor vegetativo; é um pouco mais precoce e uniforme na maturação que a Catuí, com maturação intermediária entre ‘Catuí’e ‘Mundo Novo’.

Coffea arabica L. cv. Topázio

 Origem:  obtida do retrocruzamento de ‘Catuí Amarelo’ para ‘Mundo Novo’.

 Altura:  em média 2m.

 Diâmetro da copa:  1,9 m.

 Frutos:  cor amarela.

 Características gerais:  ramificações secundárias abundantes.

 Características produtivas:  alta produtividade e vigor vegetativo, sem apresentar seca de ramos produtivos. A principal característica é a uniformidade de maturação dos frutos, fator que se deve à maior regularidade de florescimento, e a maturação intermediária entre ‘Mundo Novo’ e ‘Catuí’.

Coffea arabica L. cv. Icatu

 Origem:  obtida pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), tendo como característica resistência à maioria das raças do patógeno causador da ferrugem alaranjada do  cafeeiro .

 Altura:  em média 3m

 Características gerais:  sistema radicular bastante desenvolvido e abundância de ramificações produtivas secundárias.

 Folhas:  quando jovem , a cor é variável, do verde ao bronze escuro.

 Frutos:  de cor verde ou vermelha, conforme a variedade.

 Características produtivas:  em função do período de maturação dos grãos ser variável, foi possível a seleção de cultivares precoces (em média, em 40 dias, antes da cultivar ‘Mundo Novo’), média e tardia (tem as mesmas características do  café ‘Robusta’).

Coffea arabica L. cv. Catimor

 Origem:  produto do cruzamento entre plantas da variedade ‘Caturra’ e do ‘Híbrido de Timor’ (provável cruzamento natural entre as espécies Coffea arabica e Coffea canephora).

 Características produtivas:  são precoces na produção e maturação dos frutos, resistentes ao agente patógeno da ferrugem e produtividade semelhante à do ‘Catuí’, até o quarto ano de produção. No entanto apresentam como pontos negativos baixo vigor vegetativo e pequena longevidade.

Principais Doenças do Cafeeiro

Ferrugem do cafeeiro

Doença de maior impacto econômico na cultura do  café , podendo gerar redução de 20 a 30% na produção por hectare. É causada pelo fungo Hemileia vastatrix. Sua ocorrência está ligada a fatores bióticos ( cafeeiro  e patógeno) e abiótico (ambiente).

 Fatores bióticos relacionados com o cafeeiro 

Alta densidade ou culturas totalmente compostas de variedades de café susceptíveis ao patógeno. Como alternativa para se diminuir a infestação e consequentemente reduzir o número de aplicações de fungicidas, adota-se o plantio de cultivares mais resistentes à doença.

O rápido enfolhamento, devido ao crescimento vegetativo após o início das chuvas, principalmente quando a temperatura está entre a faixa de 21 e 23 0C, propiciam o desenvolvimento do patógeno.

 Fatores bióticos relacionados com o patógeno 

Virulência do patógeno. No Brasil existem aproximadamente 8 raças virulentas ao  cafeeiro , sendo que todas as variedades de café  são atacadas pela doença em maior ou menor intensidade. As espécies de café mais susceptíveis a esta doença são aCoffea arabica e a Coffea liberica.

Algumas espécies de fungos exercem certo controle biológico da Hemileia vastatrix. Assim, é importante o equilíbrio biológico da lavoura, evitando-se a aplicação de produtos químicos (inseticidas, fungicidas e herbicidas) de maneira indiscriminada, evitando-se a diminuição da população de inimigos naturais.

 Fatores abióticos que contribuem para o desenvolvimento do patógeno: 

Os agentes que favorecem a germinação e penetração das formas infestantes através dos estômatos das folhas, são a água, temperatura na faixa de 21 a 23 0C e incidência direta da luz.

 Maneiras de minimizar o desenvolvimento da doença: 

Formar a lavoura utilizando espécies, variedades ou cultivares mais resistentes, recomendadas para cada Estado do Brasil, por Instituições de Pesquisa ou rgãos Governamentais; usar medidas culturais, tratamentos preventivos e controle químico adequado (visando o equilíbrio ecológico da cultura) e adubações adequadas. Ter assistência de um técnico capacitado.

Cercosporiose

Doença causada pelo fungo Cercospora coffeicola Berk e Cook, que provoca a queda de frutos e folhas. É comum em todas as regiões cafeeiras do Brasil e do mundo. Esta doença tem estreita relação com a nutrição mineral das plantas e fatores climáticos.

 Condições que favorecem o desenvolvimento da doença 

Umidade relativa alta, temperatura baixa e excesso de insolação.

A doença se propaga através de insetos e água (chuva e irrigação).

Em viveiros, além dos fatores climáticos, os substratos pobres em matéria orgânica, sem correção do solo ou realizada de maneira inadequada, e em solos muito arenosos ou argilosos, favorecem o surgimento da doença. É comum o ataque dos fungos em plantios realizados no início do período da seca.

O déficit hídrico, os ventos frios ou condições adversas que podem ocorrer após o plantio, predispõem as mudas ao ataque que são mais severos, se o preparo das covas e sulcos de plantio for inadequado.

Em lavouras adultas, além das condições climáticas a nutrição deficiente e/ ou desequilibrada, solos argilosos, arenosos ou compactados, assim como sistema radicular deficiente e pião torto favorecem o desenvolvimento da doença.

Desequilíbrios da proporção nitrogênio/potássio também favorecem o desenvolvimento da doença.

Medidas de controle

 Viveiros 

Devem ser instalados em lugares secos e arejados, evitando umidade alta e baixas temperaturas, ventos frios ou excesso de insolação

O substrato utilizado para o desenvolvimento das mudas deve ser de boa porosidade e textura, rico em matéria orgânica, complementada com adubos químicos.

Realizar adubações de cobertura ou foliares, somente quando necessárias.

Acompanhar o desenvolvimento das mudas e se surgirem sinais da doença realizar o controle, utilizando fungicidas recomendado por técnico capacitado.

 Fases de plantio e pós-plantio 

É necessário um bom preparo do solo, para tanto realizando-se com antecedência análise do mesmo e as correções adequadas de acordo com os resultados da análise. Realizar um bom preparo das covas e dos sulcos de plantio, seguindo sempre um plano de adubação e nutrição, incluindo uma fonte de composto orgânico, seguindo sempre as orientações de técnico capacitado.

Estar preparado para realizar controle químico, principalmente para plantios feitos no final do período chuvoso, pois com o início da estação seca, o excesso de insolação, ventos e deficiência hídrica favorecem a ocorrência da doença.

Quando as mudas estiverem pegas, adubações de cobertura com uma fonte de nitrogênio diminuem a incidência da doença.

 Lavouras adultas 

Planejamento de adubações em proporções adequadas de nitrogênio e potássio, evitando o desequilíbrio da parte aérea e sistema radicular, fator que favorece o desenvolvimento da doença, principalmente por ocasião das primeiras produções dos  cafeeiros . Deve-se ainda realizar periodicamente análise foliar, para avaliação do estado nutricional das plantas.

Roseliniose

Doença também conhecida por mal-de-quatro anos, causada pelo fungo Rosellinia spp, que ataca o sistema radicular. É de maior ocorrência em lavouras novas e em plantios realizados em terras anteriormente ocupadas por florestas. Por ocasião das capinas, ferimentos na região do colo e das raízes superficiais, favorecem a colonização do fungo, sendo as condições ideais para o seu desenvolvimento, altas temperaturas e precipitações, aliada a baixa insolação.

Medidas de controle:

Alguns cuidados devem ser tomados quando a implantação da lavoura for em áreas anteriormente ocupadas por matas ou florestas. Deve-se, quando possível, realizar a remoção total dos tocos de árvores, e a catação de pedaços de madeira e raízes antes e após a aração, pois o fungo se desenvolve em tocos, raízes e matéria orgânica em decomposição.

Em lavouras adultas, os  cafeeiros  atacados devem ser arrancados e queimados.

Mancha aureolada

Doença causada pela bactéria Pseudomonas garçae, caracterizada por um halo amarelo ao redor das lesões. Os prejuízos são maiores quando ataca as mudas do  cafeeiro , embora também ataque a planta adulta.

Fatores que favorecem o desenvolvimento da doença:

Lavouras situadas em áreas de alta altitude, sem proteção contra ventos fortes, com ocorrência de chuvas de granizo e frio intenso, são mais susceptíveis ao ataque da doença.

Medidas de controle

 Viveiros:  devem ser instalados em áreas não sujeitas à ventos frios ou que tenham boa proteção lateral.

 Implantação de lavouras:  quando não for possível formar a lavoura em áreas livres de ventos frios, fazer uso de quebra ventos.

 Controle químico:  para mudas ou lavouras novas é feito através de antibióticos, recomendados por técnico capacitado. Para lavouras adultas, deve-se fazer o cálculo da relação custo/benefício, antes de se decidir por este método de controle.

Phoma do cafeeiro

Doença causada por fungos da espécie Phoma, que penetram e causam infecção em brotos, frutos e folhas, tanto na presença como ausência de ferimentos.

 Fatores ambientais que favorecem a ocorrência da doença: 

Altitudes mais elevadas, susceptíveis a ventos frios

Clima ameno e alta umidade

Períodos intermitentes de frio e vento frio, chuva e altitude acima de 1000m.

Medidas de controle

Evitar a instalação da cultura em áreas sujeitas a ventos frios e fortes;

Em culturas já implantadas, fazer uso de quebra-ventos tecnicamente orientados;

Realizar adubações adequadas, tendo por base o resultado de análise do solo;

O controle químico é recomendado para lavouras situadas em regiões de ocorrência de chuvas contínuas e temperaturas baixas, durante o período de florescimento e início de frutificação, principalmente quando na região é comum a ocorrência da doença.

Mancha de Ascochyta

Doença causada pelo fungo Ascochyta coffeae, detectada pela primeira vez em mudas de viveiros. Além de mudas, ataca o  cafeeiro adulto, provocando a desfolha. É ainda pouco estudada, sendo a sintomatologia confundida com a Phoma sp..

 Condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento da doença: 

Os fungos da espécie Ascochyta se desenvolvem melhor em épocas frias e úmidas.

Medidas de controle

São recomendadas as mesmas medidas utilizadas no controle da Phoma sp., exceto o tratamento químico, que é feito com outros produtos.

Bibliografia

A cultura do Cafeeiro: fatores que afetam a produtividade: anais. Piracicaba: Associação Brasileira para Pesquisa da Potassa e do Fosfato, 447p.,1986.
Café: Variedades e Cultivares. In: Revista Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v.19, n. 193, p.92-96, 1998.
Manejo Integrado das Principais Doenças do Cafeeiro. In: Revista Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v.19, n. 193, p.27-35, 1998.

Fonte: www.agrov.com

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