Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Cagaita - Página 4  Voltar

Cagaita

2.4 Propagação

2.4.1 Propagação assexuada

Melo et al. (1998) e Ribeiro et al. (1996) não conseguiram resultados satisfatórios utilizando AIB e AIA no enraizamento de estacas caulinares de plantas adultas dessa espécie.

Cunha (1986) também não obteve enraizamento tratando estacas de cagaiteira, oriundas de material rejuvenescido a partir de brotações de raízes e de tronco de árvores adultas, e também de material juvenil e de mudas de um ano e meio de idade, com solução de AIB de até 10.000 ppm.

A enxertia seria uma técnica de propagação vegetativa bastante indicada para a formação de mudas dessa espécie, por promover uniformidade nas características das plantas e dos frutos, bem como no seu desenvolvimento e produtividade.

Embora tenha apresentado sucesso inicial para algumas frutíferas do Cerrado, a eficiência dessa técnica para a cagaiteira ainda não foi devidamente comprovada.

Métodos alternativos de multiplicação vegetativa, como a propagação in vitro, representam uma possibilidade real para a obtenção de mudas de cagaiteira mais vigorosas e com melhor padrão fitossanitário. Segundo Melo et al. (1998), técnicas de cultura de tecidos são indicadas para determinadas espécies do Cerrado, principalmente quando suas características botânicas impedem ou dificultam a propagação pelas vias clássicas.

Várias são as aplicações da cultura de tecidos. Atualmente, a de maior interesse na propagação de plantas nativas do Cerrado é a micropropagação, que reúne características importantes como, multiplicação rápida de plantas selecionadas, obtenção de mudas livres de patógenos que acompanham outros métodos de propagação vegetativa, conservação e transporte de germoplasma, entre outros.

A técnica de micropropagação para a cagaiteira vem sendo objeto de estudo do Laboratório deCultura deTecidos de Plantas doDepartamento deBiologia daUFLA.

Martinotto (2004) encontrou como a combinação mais eficiente para a indução de brotações em segmentos nodais de cagaiteira, as concentrações de 2,0 mg L-1 de BAP (6-benzilaminopurina) e 0,1 mg L-1 de ANA (ácido naftalenoacético) (Figura 4).

Cagaita
Figura 4 Aspecto visual de brotações obtidas a partir de segmentos nodais de cagaiteira. (MARTINOTTO, 2004 - UFLA).

Estudos desta natureza são importantes para a propagação de clones superiores e no melhoramento genético da espécie, fixando caracteres desejáveis sem a ocorrência de segregação. Através desta técnica é possível obter maior uniformidade no plantio e produção de cultivos comerciais.

2.4.2 Propagação sexuada

A cagaiteira apresenta tanto autofecundação quanto fecundação cruzada, sendo a polinização, realizada principalmente no período da manhã (PROENÇA & GIBBS, 1994). Segundo Zucchi et al. (2002), apresenta uma tendência à alogamia que, invariavelmente, aumenta a variabilidade nas progênies obtidas por via sexuada.

Vários autores, estudando características morfológicas e genéticas de populações nativas desta espécie, revelaram grande variabilidade entre plantas, bem como de frutos, tanto dentro quanto entre populações (TELLES et al., 2001).

Souza et al. (2002), avaliando o desenvolvimento e crescimento inicial de cagaiteira, observaram grande desuniformidade, tanto em altura como em diâmetro, de plantas propagadas sexuadamente. Estes dados indicam que a obtenção de mudas para plantios comerciais por via sexuada gera pomares desuniformes, podendo comprometer tais empreendimentos.

Quanto à germinação de sementes dessa espécie, alguns trabalhos relatam a existência de certo grau de dormência de origem tegumentar. Rizzini (1970) verificou que o extrato de embrião de cagaiteira em germinação e o extrato do tegumento de suas sementes inibem fortemente a germinação de feijão-preto.

Além da presença de inibidores, este mesmo autor comenta que, embora o tegumento das sementes de cagaita seja coriáceo, não compõe obstáculo para a passagem de água. Porém, ao embeber-se, torna-se impermeável à trocas gasosas, o que pode diminuir o aporte de oxigênio ao embrião, retardando seu desenvolvimento. Segundo ele, a germinação dessa espécie pode ser acelerada em até duas ou três vezes pela escarificação e ainda mais, pela remoção completa do tegumento que envolve a semente, podendo alcançar 95% de germinação em 40-70 dias. Oga et al. (1992) reportaram que as sementes escarificadas têm melhor germinação quando plantadas entre 1 e 2 cm de profundidade. Nestas condições, a emergência das plântulas teve início na terceira semana e atingiu seu ponto máximo até a décima semana.

Andrade et al. (2003) verificaram que as sementes de cagaiteira apresentam elevado teor de água, entre 47% e 53% e, ao serem dessecadas, perdem completamente a viabilidade ao atingirem entre 18% e 22% de umidade, o que demonstra sua sensibilidade à perda de água e seu caráter recalcitrante.

Farias Neto et al. (1991), em seus estudos com formas de armazenamento, constataram que o melhor tratamento para a conservação da viabilidade das sementes de cagaiteira foi o acondicionamento destas em sacos plásticos armazenados em câmara fria a 10°C e 60% de umidade.

O curto período de armazenamento de sementes de cagaiteira se torna um fator limitante para a propagação sexuada da espécie, exigindo rápida semeadura a fim de evitar grandes perdas na capacidade de germinação. Isto acarreta um prolongado tempo de viveiro, tendo a muda que esperar até a próxima estação chuvosa para ir para o campo, aumentando assim, os custos de produção (FARIAS NETO et al., 1991).

2.5 Produção de Mudas e Plantio

De acordo com recomendações de Silva (1999), as sementes de cagaita devem ser semeadas a 2 cm de profundidade. A germinação é de 95% em um intervalo de 40 a 60 dias, índice considerado elevado para fruteiras do cerrado.

Recomenda-se, preferencialmente, que, na produção de mudas de cagaiteira, a semeadura seja feita diretamente nos recipientes. Podem ser utilizados saquinhos plásticos ou tubetes. Segundo Brito et al. (2003), embora as mudas de cagaiteira apresentem lento crescimento inicial da parte aérea no primeiro ano de viveiro, sua raiz é bastante desenvolvida, sendo recomendável a utilização de sacos plásticos de 20 cm de largura e 30 cm de altura. A produção de mudas de cagaiteira em tubetes com capacidade para 280 cm3 de substrato é viável, já que, mesmo tendo maior custo do que os sacos plásticos podem ser reaproveitados.

O substrato mais usado tem sido a terra de barranco (subsolo), enriquecida com esterco de curral e adubos químicos (BRITO et al., 2003).

A cagaiteira é uma espécie adaptada a solos relativamente pobres, típicos do Cerrado (SILVA, 1999). Mesmo com essa capacidade de adaptação, reage bem à adubação de P e Ca, como comprovado por Melo (1999), em estudos realizados em casa de vegetação, utilizando vasos de 1,2 litros.

Para o plantio no local definitivo, é recomendado o espaçamento de 6 metros entre linhas e 5 metros entre plantas (SILVA et al., 2001).

Silva et al. (2001) recomendam covas com dimensões de 40x40x40 cm, adubadas com: 64 g de calcário dolomítico ou magnesiano (PRNT=100%) + 32 g de P2O5 + 6 g de K2O + 128 mg de zinco + 64 mg de manganês + 32 mg de boro + 3,2 mg de molibdênio e 3 a 6 litros de esterco de curral. Posteriormente ao estabelecimento das mudas, recomenda-se a realização de adubações em cobertura com 5 g de N e 4 g de K2O por cova, a cada 30 dias, até o final do período chuvoso.

A cagaiteira deve ser mantida sempre no limpo. Para isso, nas entrelinhas, fazse uso de enxada ou grade. Se for difícil a manutenção desta limpeza, deve-se efetuar capina em coroamento, com diâmetro um pouco maior que a projeção da copa sobre o solo.

2.6 Doenças e Pragas

2.6.1 Doenças

Em viveiro, as mudas de cagaiteira podem ser acometidas por doenças fúngicas que ocasionam manchas foliares, apodrecimento de raízes e morte de plântulas.

Em estado nativo, segundo Silva et al. (2001), entre as doenças que acometem a cagaiteira, destaca-se a mancha-parda, causada pelo fungo Phloeosporella sp., encontrada também atacando as folhas de mudas em viveiro. O controle, segundo Leão et al. (1998) deve ser feito pelo uso conveniente da irrigação, sempre visando a evitar o encharcamento do colo das plantas e pulverização quinzenal com produtos à base de tiofanato metílico (0,12%) ou oxicloreto de cobre (11%).

2.6.2 Pragas

Após o estabelecimento da cultura, deve-se ter o cuidado de iniciar o combate às formigas, cujos danos constituem um dos fatores limitantes do sucesso de plantações recentes de cagaiteira. Entre os produtos com essa finalidade encontrados no mercado, destacam-se os de forma sólida (granulado ou pó), os líquidos e os gasosos, que permitem combatê-las em qualquer situação.

Os frutos da cagaiteira são bastante atacados por moscas-das-frutas, principalmente, da espécie Anastrepha obliqua (VELOSO, 1997), o que tem limitado o consumo nacional e a exportação destes.

2.7 Colheita e Pós-Colheita

A produção de frutos de cagaiteira tem seu início após o quarto ano de plantio desta frutífera. A época de maturação destes frutos varia de outubro a dezembro, dependendo do ano e do local (BRITO et al., 2003).

Segundo Almeida et al. (1987), os frutos estão aptos para consumo ao caírem no chão ou quando apresentarem coloração verde amarelada ( de vez ), desprendendo-se das árvores ao sacudir levemente os ramos.

O grande problema dos frutos de cagaitera é a sua conservação em condições ambientais naturais. Eles perecem em apenas três dias se conservados a 28°C, mas podem ser conservados por até treze dias quando colocados em geladeira a 15°C (CALBO et al., 1990). A polpa mantém-se em condições de consumo por mais de um ano se for congelada (ALMEIDA et al., 1987).

Para a obtenção da polpa, após devidamente lavados e colocados em uma peneira, sobre uma bacia, os frutos devem ser espremidos e pressionados. Na peneira ficam retidas as cascas e as sementes da fruta (ALMEIDA et al., 1987).

O rendimento da cagaita para produção de suco ou polpa depende da qualidade do fruto (BRITO et al., 2003). De acordo com Siqueira et al. (1997), pode-se obter rendimento de até 60% de suco centrifugado ou 70% de polpa.

2.8 Comercialização

A comercialização da cagaita ocorre quase que exclusivamente em mercados regionais, com produção extrativista, oriunda de áreas de cerrado nativo.

Pequenas indústrias alimentícias já têm explorado essa fruta como matériaprima, com a utilização de sua polpa na fabricação de refrescos e sorvetes.

O mercado consumidor dos produtos processados a partir da polpa de cagaita está hoje restrito à região central do Brasil. A abertura de novos mercados só deverá ocorrer se for associada a uma ampla campanha de divulgação dessa fruta.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A melhoria do sistema de produção da cagaiteira é extremamente necessária, já que se verifica um aumento na procura de espécies nativas para a exploração comercial, atentando-se para um mercado em expansão e à necessidade de novas alternativas econômicas para populações regionais.

Portanto, torna-se necessário investir em trabalhos de domesticação da mesma, para que possa ser cultivada de forma comercial. Estudos de sua fisiologia, levam a um melhor controle da produção e a métodos mais eficientes de propagação, desenvolvimento inicial da muda a campo, bem como aspectos de produção e póscolheita. Assim, evita-se o extrativismo predatório e conserva-se a espécie em seu habitat.

Dessa forma, a cagaiteira se apresenta como uma espécie de grande potencial econômico e social, o que a torna promissora para a exploração comercial.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, S. P. de. Cerrado: aproveitamento alimentar. Planaltina: Embrapa-CPAC, 1998a. 188 p.
ALMEIDA, S. P. de. Frutas nativas do Cerrado: caracterização físico-química e fonte potencial de nutrientes. In: SANO, S. M.; ALMEIDA, S. P. de. Cerrado: ambiente e flora. Planaltina: Embrapa-CPAC, 1998b. p. 247-285.
ALMEIDA, S. P. de; SILVA, J. A. da; RIBEIRO, J. F. Aproveitamento alimentar de espécies nativas dos Cerrados: araticum, baru, cagaita e jatobá. Planaltina: Embrapa-CPAC, 1987. 83 p. (Documentos, 26).
ANDRADE, A. C. S.; CUNHA, R.; SOUZA,A. F.; REIS, R. B.; ALMEIDA, K. J. Physiological and morphological aspects of seed viability of a neotropical savannah tree, Eugenia dysenterica DC. Seed Science & Technology, Zurick, v. 31, n. 1, p. 125-137, 2003.

BARBOSA, A. S. Sistema biogeográfico do cerrado: alguns elementos para sua caracterização. Goiânia: UCG, 1996. 44 p. (Contribuições, 3).
BRANDÃO, M. Plantas medicamentosas do cerrado mineiro. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v. 15, n. 168, p. 15-20, 1991.
BRANDÃO, M.; FERREIRA, P. B. D. Flora apícola do cerrado. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v. 15, n. 168, p. 7-14, 1991.
BRITO, M. A. de; PEREIRA, E. B. C.; PEREIRA, A. V.; RIBEIRO, J. F. Cagaita: biologia e manejo. Planaltina, DF: Embrapa Cerrados, 2003. 80 p.
BUSCHBACHER, R. Expansão agrícola e perda da biodiversidade no cerrado: origens históricas e o papel do comércio internacional. Brasília, DF: WWF Brasil, 2000. 104 p. (Série técnica, 7).
CALBO, M. E. R.; LIMA, J. N. C.; CALBO, A. G. Fisiologia pós-colheita de frutos de cagaita. Revista Brasileira de Fisiologia Vegetal, Brasília, v. 2, n. 2, p. 15-18, 1990.
CORRÊA, M. P. Dicionário de plantas úteis do Brasil. Rio de Janeiro: IBDF, 1984. v. 1, 747 p.C
OSTA, T. R.; FERNANDES, O. F. L.; SANTOS, S. C.; OLIVEIRA, C. M. A.;
LIÃO, L. M.; FERRI, P. H.; PAULA, J. R.; FERREIRA, H. D.; SALES, B. H. N.;
SILVA, M. R. R. Antifungal activity of volatile constituents of Eugenia dysenterica leaf oil. Journal of Ethnopharmacology, [S.l.], v. 72, p. 111-117, 2000.
CUNHA, M. do C. L. Estudo de preservação do poder germinativo de sementes, enraizamento de estacas e anatomia da rizogênese em Eugenia dysenterica DC. 1986. 95 p. Dissertação (Mestrado) Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 1986.
DONADIO, L. C.; MÔRO, F. V.; SERVIDONE, A. A. Frutas brasileiras. Jaboticabal: Novos Talentos, 2002. 19
FARIAS NETO, A. L.; FONSECA, C. E. L.; GOMIDE, C. C. C.; SILVA, J. A. Armazenamento de sementes de cagaita (Eugenia dysenterica DC.). Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal, v. 13, p. 55-62, 1991.
FRANCO, G. Tabela de composição química dos alimentos. 9. ed. São Paulo: Atheneu, 1992. 307 p.
LEÃO, A. J. P.; JUNQUEIRA, N. T. V.; PEREIRA, A. V.; SILVA, J. A.;
RODRIGUES, L. A.; ANSELMO, R. M.; REZENDE, M. E. Controle químico da mancha-parda (Phloeosporella sp.) em mudas de cagaiteira. In:
CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA, 15., 1998, Lavras. Anais... Lavras: UFLA, 1998. p. 161-161.
LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil. 3. ed. Nova Odessa: Plantarum, 2000. v. 2.
MACEDO, J. F. Plantas corticosas do Cerrado e sua utilização. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v. 15, n. 168, p. 33-37, 1991.
MARTINOTTO, C. Cultivo in vitro e aspectos morfofisiológicos de cagaiteira (Eugenia dysenterica DC.). 2004. 84 p. Dissertação (Mestrado em Agronomia/ Fisiologia Vegetal) - Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2004.
MELO, J. T. de. Respostas de mudas de espécies arbóreas do cerrado a nutrientes em latossolo vermelho escuro. 1999. 104 p. Tese (Doutorado) Universidade de Brasília, Brasília, DF, 1999.
MELO, J. T. de; SILVA, J. A. da; TORRES, R. A. de A.; SILVEIRA, C. E. dos S. da; CALDAS, L. S. Coleta, propagação e desenvolvimento inicial de espécies do cerrado. In: SANO, S. M.; ALMEIDA, S. P. (Eds.). Cerrado: ambiente e flora. Planaltina: Embrapa-CPAC, 1998. p. 195-243.
NAVES, R. V. Espécies frutíferas nativas dos cerrados de Goiás: caracterização e influências do clima e dos solos. 1999. 206 f. Tese (Doutorado) - Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 1999.
OGA, F. M.; FONSECA, C. E. L. da; SILVA, J. A. da. Influência da profundidade de semeadura e luminosidade na germinação de sementes de cagaita (Eugenia dysenterica Mart.). Revista do Instituto Florestal, [S.l.], v. 4, n. 2, p. 634-639 1992. 20
PROENÇA, C. E. B.; GIBBS, P. E. Reproductive biology of eight sympatric Myrtaceae from central Brazil. New Phytologist, Cambridge, v. 126, p. 343-354, 1994.
RIBEIRO, J. F.; FONSECA, C. E. L.; ALMEIDA, S. P.; PROENÇA, C. E. B.; SILVA, J. A. da; SANO, S. M. Espécies arbóreas de usos múltiplos da região do cerrado: caracterização botânica, uso potencial e reprodução. In:
CONGRESSO BRASILEIRO SOBRE SISTEMAS AGROFLORESTAIS NOS PAÍSES DO MERCOSUL, 1., 1994, Porto Velho. Anais... Colombo: Embrapa-CNPF; Porto Velho: Embrapa-CPAF-RO, 1994. p. 335-355.
RIBEIRO, J. F.; FONSECA, C. E. L. da; MELO, J. T. de; ALMEIDA, S. P. de; SILVA, J. A. da. Propagação de fruteiras nativas do cerrado. In: PINTO, A. C. de Q. (Coord.). Produção de mudas frutíferas sob condições do ecossistema de cerrados. Planaltina: Embrapa-CPAC, 1996. p. 55-80. (Documentos, 62).
RIBEIRO, J. F.; PROENÇA, C. E. B.; ALMEIDA, S. P. Potencial frutífero de algumas espécies frutíferas nativas dos cerrados. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA, 8., 1986, Brasília, DF. Anais... Brasília, DF: Embrapa- DDT; CNPq, 1986. v. 2, p. 491-500.
RIZZINI, C. T. Efeito tegumentar na germinação de Eugenia dysenterica DC (Myrtaceae). Revista Brasileira de Biologia, Rio de Janeiro, v. 30, n. 3, p. 381- 402, set. 1970.
SANO, S. M.; FONSECA, C. E. L. da; RIBEIRO, J. F.; OGA, F. M.; LUIZ, A. J.
B. Folhação, floração, frutificação e crescimento inicial da cagaiteira em Planaltina, DF. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 30, n. 1, p. 5-14, jan. 1995.
SILVA, D. B.; SILVA, J. A.; JUNQUEIRA, N. T. V.; ANDRADE, L. R. M. Frutas do Cerrado. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2001. 178 p.
SILVA, R. S. M. Caracterização de sub-populações de cagaita (Eugenia dysenterica DC.) da região sudeste do estado de Goiás, Brasil. 1999. 107 f.
Dissertação (Mestrado) Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 1999.
SIQUEIRA, M. I. D. de; GERALDINE, R. M.; QUEIROZ, K. da S.; TORRES, M. C. L.; SILVEIRA, M. F. A. Processamento de geléia, doce de corte e pastoso e néctar de cagaita. Goiânia: UFG, 1997. 21
SOUZA, E. B.; NAVES, R. V.; CARNEIRO, I. F.; LEANDRO, W. M.; BORGES, J. D. Crescimento e sobrevivência de mudas de cagaiteira (Eugenia dysenterica DC.) nas condições de Cerrado. Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal, v. 24, n. 2, p. 491-495, ago. 2002.
TELLES, M. P. C.; DINIZ-FILHO, J. A. F.; COELHO, A. S. G.; CHAVES, L. J.
Autocorrelação espacial das freqüências alélicas em subpopulações de cagaiteira (Eugenia dysenterica DC, Myrtaceae) no Sudeste de Goiás. Revista Brasileira de Botânica, São Paulo, v. 24, n. 2, p. 145-154, abr./jun. 2001.
VELOSO, V. R. S. Dinâmica populacional de Anastrepha spp e Ceratitis capitata (Wied., 1824) (Díptera, Tephritidae) nos cerrados de Goiás. 115 f. Tese (Doutorado) Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 1997.
ZUCCHI, M. I.; BRONDANI, R. P. V.; PINHEIRO, J. B.; CHAVES, L. J.; COELHO,
. S. G.; VENCOVSKY, R. Estrutura genética e fluxo gênico em Eugenia dysenterica DC. utilizando marcadores microssatélites. In: CONGRESSO NACIONAL DE GENÉTICA, 48., 2002, Águas de Lindóia, SP. Anais... Ribeirão Preto: Sociedade Brasileira de Genética, 2002.

Cristiano Martinotto
Renato Paiva
Fernanda Pereira Soares
Breno Régis Santos
Raírys Cravo Nogueira

Fonte: www.editora.ufla.br

Cagaita

Cagaita - Eugenia dysenterica DC

Família Myrtaceae, mesma da jabuticaba, goiada, araçás, jambo e eucaliptos, por exemplo.

O fruto da cagaita é delicioso e muito suculento. Quando morava num sítio em São João d’Aliança – Chapada dos Veadeiros, fiz um doce de cagaita verde que ficou realmente uma beleza! Comi até o limite da satisfação! Depois deste episódio, aprendi que comer cagaita é bom, mas com moderação! Seus efeitos terapêuticos são “um estouro”!

É uma espécie típica do Bioma Cerrado, ocorrendo em cerrados ralos até cerradões.

Cagaita

Floresce de agosto a setembro.

Frutifica de setembro a outubro.

Árvore hermafrodita de até 10 m de altura, copa compacta e avermelhada quando com predominância de folhas jovens. Tronco com casca de cor castanho acinzentada, com fissuras longitudinais e cristas sinuosas e descontínuas, veios castanhos.

Folhas simples, opostas, glabras (sem pêlos), de margem lisa . Flores isoladas ou reunidas em peuenos fascículos, partindo nas axilas foliares.

Fruto é uma baga de 2-3 cm de diâmetro, amarelo quando maduro, com 1-4 sementes, normalmente com remanescente do cálice floral seco.

Cagaita

Os frutos são bastante consumidos, tanto ao natural como na forma de doces, geléias, sorvetes e sucos, podendo ter sua polpa congelada por até um ano.

Atenção quanto à quantidade de frutos ingeridos, principalmente quando quentes ao sol, grande quantidade gera efeito laxante, responsável tanto pelo nome popular como pelo científico.

A árvore é também medicinal, melífera, ornamental e madeireira. A casca serve para curtumes, sendo uma das corticeiras do Cerrado, com até mais de 2 cm de espessura.

Além de efeito laxante dos frutos, seu uso medicinal está associado à ação anti-diarréica de suas folhas.

O aproveitamento alimentar da espécie é popularmente consagrado na região e seu valor econômico/comercial já não é mais potencial. Sorveterias de Goiânia e Brasília fabricam sorvetes com os frutos da espécie, catados no chão. Os frutos utilizados por uma das sorveterias de Brasília são catados de árvores que compõe a arborização da própria cidade.

Bom exemplo de benefícios com a utilização de espécies fruteiras no paisagismo público. Tais benefícios são especialmente aumentados quando a espécie em questão é nativa, uma vez que são atraídos polinizadores e dispersores, promovendo uma integração efetiva e positiva da cidade com o cerrado do entorno.

Referências e sugestões bibliográficas sobre a cagaita::

Almeida, S.P. 1998. Cerrado: Aproveitamento Alimentar. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. 188p.
ALMEIDA, S.P.; PROENÇA, C.E.B.; SANO, S.M.; RIBEIRO, J.F. , 1998. Cerrado: espécies vegetais úteis. Planaltina: EMPRAPA-CEPAC.
Silva, D.B. da; et al., 2001. Frutas do Cerrado. Brasília: Emprapa Informação Tecnológica.
Silva Júnior, M.C. et al. 2005. 100 Árvores do Cerrado: guia de campo. Brasília, Ed. Rede de Sementes do Cerrado, 278p.

Fonte: www.biologo.com.br

voltar123456789avançar
Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal