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Caifazes

Era uma rede clandestina extremamente organizada. Ramificava-se em vários setores da sociedade para tramar investidas ilegais contra o patrimônio privado.

Armava sequestros, rebeliões e fugas em massa. Seu líder, ex-juiz e ex-delegado de polícia, conhecia as artimanhas do poder e tinha o suporte de influentes figuras da elite. Também contava com apoio popular. As ousadas investidas de seu grupo desestabilizaram a economia da época. Os caifazes – assim eles eram chamados – causavam pânico e despertavam ódio nos senhores da terra.

Mas esta era uma milícia do bem. Sua missão: libertar escravos, escondê-los, prover seu sustento e arranjar-lhes emprego assalariado. Assim como Caifás, o personagem bíblico que inspirou o nome do grupo, sua “traição” se destinava a um fim nobre. No Evangelho está escrito que Caifás pagou Judas para que entregasse Jesus Cristo. O resultado foi a salvação da Humanidade. Já os caifazes de Antonio Bento formaram uma inédita força abolicionista no final do século XIX, em São Paulo.

Com o fim da Guerra do Paraguai, em 1870, cresciam as rebeliões escravas no estado. Em seis anos, o conflito dizimara milhares de soldados brasileiros – e entre eles os negros eram tantos que formavam, segundo a propaganda racista paraguaia, “um exército de macacos”. Eram os “Voluntários da Pátria”, escravos alforriados pelo imperador para irem lutar na guerra, ou mandados para o combate em lugar dos filhos de gente abastada, que assim escapava à “recoluta”, o temido recrutamento militar. A eles era prometida a liberdade quando retornassem.

Promessa não cumprida: o fim da guerra os devolvera à amarga realidade da chibata e do tronco nas fazendas de café, a base do novo poder econômico paulista.

Agitações e fugas de escravos tornaram-se frequentes, e cada vez mais numerosos os seus apoiadores. Entre estes destacou-se Antonio Bento de Souza e Castro (1843-1898). Filho de uma abastada família paulistana, ele era visto como excêntrico por seus modos e sua aparência. “Magro, estreitado, do tornozelo à orelha, no longo capote preto como num tubo, chapéu alto, cabeça inclinada, mãos nos bolsos, quebrando contra o peito pela fenda da gola o rijo cavaignac de arame, o olhar disfarçado nos óculos azuis como uma lâmina no estojo, marcha retilínea de passo igual tirado sobre articulações metálicas...”, como foi descrito pelo escritor Raul Pompéia.

Formado bacharel em Direito em 1868, Antonio Bento logo assumiu a promotoria pública da comarca de Botucatu, sendo em seguida transferido para a de Limeira. Três anos depois já era juiz municipal em Atibaia. Tinha então 29 anos. Acumulando as funções de juiz e delegado de polícia, tornou-se figura controversa na cidade – em meio a disputas políticas de conservadores, liberais e republicanos –, especialmente por seus despachos favoráveis aos escravos, sustentando que era ilegal manter nessa condição os africanos introduzidos no país após as leis de 1831 e 1850, que proibiram o tráfico. Também costumava nomear abolicionistas para arbitrar o preço das cartas de alforria. Eram motivos suficientes para desencadear contra o juiz a fúria das elites locais, dos escravocratas e de magistrados favoráveis a seus interesses. Antonio Bento chegou a sofrer tentativas de assassinato, e em 1875 acabou demitido, “a bem do serviço público”, por pressão dos desafetos. Mal sabiam que, longe de suas funções oficiais, o ex-juiz cairia nos braços da militância abolicionista mais aguerrida.

E se tornaria célebre por isso.

Radicado em São Paulo desde 1877, dedicando-se à advocacia e ao jornalismo – como editor, entre outros, do jornal A Redenção –, conheceu o abolicionista Luiz Gama em 1880. Dois anos depois, juraria diante do túmulo do amigo ocupar seu lugar à frente da luta contra a escravidão. Mas estava disposto a agir por métodos distintos da batalha jurídica travada por Gama. Nascia ali a ideia de organizar seus caifazes.

Negando o instrumento legal da alforria como única via de emancipação, o grupo valia-se da força e da astúcia para atacar diretamente a propriedade escrava.

Para isso, contava com centenas de colaboradores anônimos. Organizados em pequenos grupos de ação nas cidades ou disfarçados de caixeiros-viajantes no interior – os chamados “cometas” –, promoviam fugas em massa das fazendas, roubavam escravos em casas de família e realizavam mirabolantes resgates em estações ferroviárias. Depois ajudavam os fugitivos a chegar a refúgios seguros, como o Quilombo do Jabaquara, organizado e mantido por abolicionistas santistas a partir de 1882, e por onde se calcula que passaram cerca de 10 mil escravos fugidos.

Um dos segredos de Antonio Bento para costurar sua vasta rede de solidariedade era circular por diferentes setores sociais. Se por um lado era integrante da Maçonaria, filiado à loja Piratininga, e provedor da poderosa Irmandade de Nossa Senhora dos Remédios, convivendo de perto com membros da elite, também participava ativamente das confrarias religiosas negras de Nossa Senhora do Rosário, Santa Ifigênia e Santo Elesbão. O movimento dos caifazes contava assim com a ação de magistrados, advogados, chefes de polícia, parlamentares, jornalistas, comerciantes, donos de armazéns, controladores da Alfândega, empregados em serviços de navegação costeira e de longo curso e até mesmo membros de famílias de fazendeiros e corretores de café, mantendo também, ao mesmo tempo, uma vigorosa rede de apoio popular. 

Os mais abastados bancavam os deslocamentos dos caifazes e “cometas”, a fuga e o refúgio aos escravos foragidos e até as custas dos processos para conseguir sua libertação ou a compra das cartas de alforria. Tratavam também de conseguir para os escravos resgatados colocações como trabalhadores livres em fazendas de café de outras regiões, no porto ou em pequenos serviços urbanos, como carregadores, carroceiros, pedreiros ou vendedores.

Por sua vez, a arraia miúda do povo, organizada em torno das irmandades negras, dava ao movimento um apoio invisível, mas vital. Era o caso dos modestos empregados das estradas de ferro – ironicamente, a última novidade destinada a incrementar a exportação do café. Graças àqueles caifazes, os trens se tornaram o principal meio para as fugas de escravos, que eram conduzidos clandestinamente até a capital ou o porto de Santos. Cocheiros e carroceiros das estações eram outros a favorecer escapadas espetaculares, em resgates feitos em plena luz do dia. Houve mesmo um caso em que se juntaram a cerca de 500 populares na astuciosa armação de um conflito de rua, onde destemidos capoeiras desbarataram um grupo de policiais e capitães do mato para impedir que dez escravos por eles recapturados, depois de chegarem a Santos escondidos em tonéis de vinho, fossem embarcados no trem que iria conduzi-los de volta a fazendas do interior.

Em Santos, gente do povo e até imigrantes se encarregavam de cuidar das necessidades cotidianas da população flutuante de fugitivos do Quilombo do Jabaquara. Era o caso da negra Brandina, uma dona de pensão, e seu amásio, Santos “Garrafão”, português empregado numa casa de comércio de um influente abolicionista. Juntos, Brandina e o português mantinham um pequeno quilombo na Ponta da Praia e forneciam alimentos e cuidados de saúde na Santa Casa de Misericórdia para os refugiados no Jabaquara. “Garrafão” era um dos principais articuladores entre os caifazes de Antonio Bento em São Paulo e os abolicionistas santistas.

Ao confiscar a mão de obra escrava e inserir os recém-libertos no mercado de trabalho assalariado, Antonio Bento e seus caifazes conseguiram desarticular as bases da economia cafeeira paulista na década de 1880.

Suas ações refletiam um sentimento que cada vez mais se generalizava entre todas as classes sociais: o repúdio à escravidão. Quando as próprias forças de segurança começaram a se recusar a perseguir os escravos fugidos tal o seu número, não era difícil antever a proximidade da abolição. Muito mais que uma concessão do poder imperial, ela foi, em São Paulo, uma conquista do povo e dos próprios escravos.
 
Maria Lucia Montes

Bibliografia:

MACHADO, Maria Helena Pereira Toledo. “Cometas, Caifazes e o movimento abolicionista”. In: Escravos e cometas. Movimentos sociais na década da abolição. Tese de doutorado, Departamento de História, FFLCH/USP, 1991.
QUINTÃO, Antonia Aparecida. Irmandades negras: outro espaço de luta e resistência (São Paulo: 1870-1890). São Paulo: Annablume, 2002.
SANTOS, Francisco Martins dos. História de Santos [1937]. São Vicente: Ed. Caudex Ltda., 1986.

Fonte: www.revistadehistoria.com.br

Caifazes

A Perpetuação da Vitoria de Caifaz !

Na sexta-feira chamada de santa, como em todos os outros dias da semana, dos meses, dos anos, dos séculos e do milênio,que se sucederam desde o assassinato legal perpetrado com a aquiescência do estado jurídico e principalmente pela maioria da população de então, de um homem inconformado com as canalhices de seu tempo, que eram perpetradas tanto pelo povo quanto pelas lideranças políticas, militares e a cima de tudo pelas religiosas de então; e exatamente por seu inconformismo com o estado de coisas em seus dias que foi julgado por seus pares ( os judeus de então) e condenado ao sofrimento, a humilhação e a dor insuportáveis pelo crime de não conformar-se com a ausência de caráter e com o espírito pecuniário dos religiosos de seus dias, que eram os rabinos liderados por um dos grandes pulhas da história chamado Caifaz.

Caifaz era o líder de todos os rabinos nos dias em que Jesus vivia e pregava em sua postura ao contrario do chefe da quadrilha religiosa a humildade e a coerência,enquanto o cabeça da malta de rabinos resplandecia em pompa e circunstância ao lado dos invasores Romanos, usufruindo das benesses do vassalismo, da sub serviencia e dos favorecimentos que lhe eram concedidos devido ao fato de induzir a plebe obtusa e ignara ao conformismo e a servilidade ante a dominação e a injustiça levadas a cabo pelos opressores de então, este mesmo Caifaz que induziu o estado Romano, na pessoa de Poncius Pilatos a colocar ao povo judeu uma escolha de cartas marcadas que certamente favoreceria aos seus interesses pois sabia ele ser Jesus muito mais perigoso do que o simplório Barrabas e assim sendo induziu a escória judaica a escolha que mais convinha aos seus planos.

Jesus desde a idade de treze anos já era um inimigo declarado de Caifaz, quando expulsou os cambistas que trocavam as várias espécies de então pela moeda da Judéia, única aceita pelos rabinos como oferendas trazidas pelos judeus de todas as partes para a sinagoga maior daqueles dias como fazem hoje os incautos fieis com seus dízimos, que sustentam os Caifazes dos dias de hoje que pululam em todas as religiões ditas judaico cristãs. Canalhas abjetos como Edir Macedo, RR Soares, Paiva Neto, Henry Sobel, os Papas e todos aqueles que induzem os fracos a seus controles e principalmente a suas ganâncias pessoais travestidas de lideranças espirituais, mesmo que assim procedendo contradigam ética, filosófica e moralmente os ensinamentos daquele que foi crucificado por ser contra todos os ditames de Caifaz.

Vivendo nos dias de hoje, vejo a vitória de Caifaz por perpetuação e a derrota de Jesus por incompreensão, já que tudo o que foi dito por um é seguido a risca por seus seguidores vorazes pelas mentiras e pelas benesses dos falsos profetas e vendilhões de todos os templos que pululam na vida daqueles que por fraqueza entregam suas vidas seus destinos e seus dinheiros e sua fé a voracidade destes seguidores da ignorância e da ganância; enquanto o segundo é crucificado a cada dia nas cidades do mundo a cada vez que um inocente é morto, injustiçado ou quando seu nome é proferido pelos discípulos de Caifaz e trocado por dinheiro, o que faz crer que continua não sendo propositadamente compreendido e conseqüentemente ignorado principalmente devido a manipulação que se repete por parte daqueles que vêem no lucro fácil das mentiras proferidas em nome de um e com a visão canalha e manipuladora daquele que venceu uma vez e perpetua sua vitória sangrenta covarde e medíocre a 1972 anos .

Fonte: www.usinadeletras.com.br

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