
A história do caju no Brasil inicia-se com publicações de um monge naturalista francês chamado, André Thevet, em 1558. Ele relatou fatos no seu livro Singularidades da França Antártica, a que outros chamam de América, sobre a primeira dominação francesa no Brasil. O monge naturalista fez a primeira ilustração da planta e seu fruto. Outro monge gaulês esteve no Brasil em 1557, Jean de Léry, referindo-se também ao caju em seu livro Viagem a terra do Brasil . O primeiro escritor português a descrever o cajueiro foi Pedro Magalhães Gandavo em 1576, comparou a castanha do caju com a mais saborosa das amêndoas. Outro pesquisador, Fernão Cardim, em 1548, descreveu que as castanhas podem ser comidas assadas, cruas e deitadas em água como amêndoas piladas, podendo-se ainda fazer doces.
Em 1587, o pesquisador, Gabriel Soares de Sousa, escreveu em seu livro Tratado descritivo do Brasil em 1587 , sobre o uso da castanha e o valor medicinal do suco, chamando a atenção para o óleo da casca da castanha.
O cajueiro ficou cada vez mais conhecido: Mauricio de Nassau protegeu os cajueiros, através da resolução que fixou a multa de cem florins por cajueiro derrubado, visto que a fruta tinha uma importância de sustento para os índios e para a exportação de doces cristalizados para a Holanda.
A origem brasileira do cajueiro é aceita por quase todos os autores modernos, o centro de origem e de dispersão é sem dúvidas o litoral Nordestino. Quando os colonizadores aqui chegaram, encontraram o cajueiro no litoral brasileiro. Não existem registros sobre a fruta, durante o domínio espanhol nas ilhas do caribe e parte da América Central e do Sul.
O nome caju, vem do nome original tupi da planta, acá-iu, ou fruto amarelo, que aportuguesado ficou caju, foi adotado em quase todos os idiomas, em algumas localidades em Portugal, chama-se noz portuguesa ou fruto de Portugal, isto indica que foram os lusitanos que para cá trouxeram o cajueiro.
O cajueiro foi aos poucos se espalhando em todo o território nacional. Posteriormente os portugueses levaram o cajueiro para as Índias, iniciando-se sua disseminação pelo mundo, inclusive para a África, espalhou-se pelas costas leste e oeste deste continente e lá encontrou condições muito favoráveis para seu desenvolvimento. Pode-se afirmar que nos dias atuais a área de ocorrência dos cajueiros esta compreendida entre as latitudes de 30o norte e 31o sul, vegetando em estado natural ou sob cultivo em diversos países.
O cajueiro permite o uso de diversas partes da planta, a raiz do cajueiro pode ser usada como purgante, ou mesmo como suporte para facilitar o transporte de mercadorias pelos trabalhadores. A folha serve como curtume, tem um alto teor de tanino, pode também ser usado em redes de pesca, devido sua alta resistência. A folha também pode ser usada como medicinal na terapêutica das avitaminoses. As cascas, também ricas em tanino, podem ser usadas para fazer chás, contra hemorragias, diarréia e úlceras. Quando cozidas, as cascas liberam uma substância tintorial avermelhada-escura, muito utilizada pelos pescadores para tingir suas roupas, redes e linhas de pesca, com isto adquirem maior durabilidade.
O caju é, entre as frutas comestíveis cultivadas, uma das que apresentam maior teor de vitamina C ( acido ascórbico ), a castanha pode ser consumida de diversas formas, seu sabor e valor nutricional são reconhecidos. Além disto o caju possui teores de açucares, taninos e minerais, entre eles o ferro, cálcio e fósforo. Segundo Ventura e Lima, em 1959, o caju possui ainda 14 tipos de aminoácidos, com maior presença da alanina, valina e leucina, segue-se ainda a prolina, triptofano e o ácido glutâmico. O caju tem, portanto, uma importância medicinal, principalmente do sistema nervoso, é um tônico de primeira qualidade e ainda antientérico, diurético e levemente depurador.
A utilização do caju pode ser de diversas formas, como alimento in natura , inteiro, cortado em rodelas, acompanhando pratos como a feijoada e as peixadas, como tira gosto para aperitivo, como suco, com leite, cozido, doces, refrigerante, etc.
O cajueiro ocupa lugar de destaque entre as plantas frutíferas tropicais, em face a crescente comercialização de seus produtos principais: castanha, óleo e a polpa da fruta. O cajueiro é uma planta adaptada a condições adversas, sempre foi cultivado de forma natural, permite uma convivência com diversas outras espécies vegetais e animais, enfim é uma planta com enorme potencial de desenvolvimento em sistemas agroecologicos com base na sustentabilidade ambiental.
Fonte: www.planetaorganico.com.br
Tem início dois a três meses após o florescimento, sendo totalmente manual.
Nas regiões onde é possível o aproveitamento do pedúnculo para a extração do suco, faz-se a colheita no período da manhã.
Posterior ao descastanhamento (separação das castanhas dos pedúnculos), estas são acondicionadas em caixas e enviadas para a indústria, onde serão processadas.
Depois de colhidas, as castanhas devem submetidas a um processo de secagem ao sol durante dois ou três dias.

Os melhores indicadores do ponto de colheita do pedúnculo são a coloração, a firmeza e composição. Na prática, contudo, a colheita é realizada quando o pedúnculo está completamente desenvolvido, ou seja, com o tamanho máximo, textura firme e com a coloração característica do clone.
A colheita deve ser feita nas horas de temperatura mais amenas. Para que o fruto seja colhido corretamente, deve ser feita uma leve torção para que o pedúnculo se solte do ramo da panícula.
Caso o pedúnculo ofereça resistência para soltar-se, ainda não alcançou o estádio de maturação para colheita. O contato direto com a palma da mão também deve ser evitado por elevar a temperatura da polpa, acelerando a deterioração.
Ainda no campo, pode ser feita uma pré-seleção, para separar os cajus destinados ao mercado de mesa daqueles que serão destinados à indústria, inclusive fazendo o descastanhamento. Estas operações devem ser realizadas à sombra e no menor tempo possível.
Os cajus devem ser acondicionados em uma única camada, nas caixas plásticas de colheita (47 cm x 30,5 cm x 12 cm), revestidas internamente por uma camada de espuma de aproximadamente 1 cm de espessura, para não danificar o pedúnculo.
O caju deve ser colhido diretamente na planta com o máximo cuidado para que não sejam derrubados frutos jovens, flores e botões florais.
Devem ser retirados os pedúnculos que apresentem doenças, deformações, defeitos ou ferimentos, formato ou cor não característicos do clone, tamanhos inadequados, verdes ou demasiadamente maduros.
São considerados inadequados pedúnculos de formatos alongados, globosos e os muito pequenos.
No galpão, será observada a seguinte seqüência de operações: seleção e classificação, embalagem, paletização e armazenamento refrigerado.
A classificação é feita com base no número de cajus por bandeja (variando de quatro a oito). Os tipos quatro e cinco (4 ou 5 cajus por bandeja, respectivamente) são os que alcançam os melhores preços (ver foto abaixo).

Os cajus devem ser dispostos em bandejas de 21 cm x 14 cm, envolvidas com filme plástico flexível e autoaderente de PVC. A colocação em bandejas diminui os danos por manuseio excessivo nos locais de comercialização. As bandejas devidamente etiquetadas, em número de três ou quatro, variando de acordo com a exigência do mercado consumidor, devem ser acondicionadas em caixas de papelão tipo peça única, sem tampa, que favoreçam o encaixe e a paletização. Cada bandeja deve conter entre 550 g a 800 g.
A vida útil pós-colheita do pedúnculo quando armazenado em temperatura ambiente não ultrapassa 48 horas; sob refrigeração, a 5ºC e com 85% a 90% de umidade relativa, e devidamente embalado (atmosfera modificada), a vida útil do caju é de cerca de dez a quinze dias.
A castanha não acompanha o pedúnculo e o descastanhamento pode ser feito ainda no campo ou no galpão, após o recolhimento das caixas contendo os pedúnculos colhidos.
Nos dois casos, a colheita deve ser realizada diariamente e iniciada o mais cedo possível em função da alta perecibilidade do pedúnculo, sobretudo daqueles caídos durante a noite.
Não há necessidade de colheitas diárias.
O produtor pode adequar a periodicidade às suas conveniências.
O descastanhamento é mais facilmente realizado com o emprego de pedaço de fio (náilon), de meio metro, o qual é enlaçado no ponto de união entre a castanha e o pedúnculo e, após um puxão para um dos lados, a castanha é liberada do pedúnculo.
Após a colheita, as castanhas devem ser colocadas para secar durante dois ou três dias, em terreiro de secagem e reviradas diariamente.
As castanhas devem ficar em camadas de no máximo 10 cm de altura. Durante a secagem, deve-se atentar para seleção e limpeza das castanhas.
No momento de armazenar, o produtor deve eliminar as castanhas chochas, furadas e enrugadas. Recomenda-se armazenar os sacos de estopa ou pano em locais frescos e ventilados, sobre estrados de madeira e afastados da parede.

1. Classificação (Peneira Selecionadora)
Consiste em selecionar as castanhas nos tamanhos cajuis, pequenas e médias, e gigantes.
2. Autoclavagem (Gerador Vapor / Cozinhador)
Tem por objetivo cozinhar as castanhas, visando facilitar o corte.
3. Bancada/Máquina de corte (Corte Manual)
Nesta operação, 02 (duas) operárias executam o trabalho (uma cortadeira e uma tiradeira).
4. Estufagem (Estufa a GLP)
Visa reduzir a umidade das amêndoas, para que a película se torne quebradiça, facilitando o seu desprendimento.
5. Suporte para bandejas
Local de descanso das amêndoas para seu esfriamento, após a estufagem.
6. Umidificação (Gerador Vapor/Câmara de Umidificação)
Vapor saturado, com objetivo de facilitar o desprendimento da película.
7. Despeliculagem (Despeliculador)
À medida que o rolo vai girando, as amêndoas vão se friccionando uma nas outras, moderadamente, provocando a despeliculagem.
8. Fritador/Centrífuga
Para realizar este processo, utiliza-se óleo de excelente qualidade, de preferência milho ou soja, e as amêndoas devem estar selecionadas por tamanho, a fim de permitir uma fritura uniforme. Após a fritura, realiza-se a centrifugação para secagem.
O produto devidamente processado (fritado e salgado), pode receber embalagens de latas, com pesos variando de 100 a 400 gramas, ou então, embalagens plásticas, tipo propileno, com baixa densidade e também as embalagens metalizadas.
Fonte: cajucultura.com.br