As células hepáticas produzem e secretam a bile, que é captada em complexo sistema canalicular, que se une e formam os ductos biliares intra e extra hepáticos (canais hepáticos e colédoco). Através destes canais a bile é conduzida para o tubo digestivo, onde se mistura com os alimentos. Pelo canal cístico, a bile é desviada para a vesícula biliar, pequeno órgão com a forma de uma pêra, onde é acumulada e concentrada, local de formação de cerca de 90% dos cálculos biliares.
Anatomia
A bile é uma mistura (micelar) instável de água, colesterol, sais biliares e lecitinas. A alteração nas proporções destes elementos propiciará a precipitação, pelo processo de cristalização os cálculos se formam e progressivamente aumentam de tamanho. Dentre suas funções, destacam-se: facilitar a excreção do colesterol, solubilizar a gordura ingerida aumentando sua absorção intestinal. Os ácidos biliares são reabsorvidos no intestino, especialmente no íleo terminal constituindo o ciclo entero-hepático.
Litíase Biliar
É a presença de cálculos biliares na vesícula biliar e/ou na via biliar principal intra ou extra-hepática.
Os cálculos biliares, nos EUA, ocorrem em cerca de de 20% das mulheres e 8% dos homens maiores de 40 anos de idade.
Cerca de 80% dos cálculos biliares tem como componente principal o colesterol (cálculos de colesterol e mistos) e os demais são constituídos por pigmentos biliares (bilirrubinato de cálcio)
Formação Dos Cálculos
O mecanismo básico responsável pela formação dos cálculos é a supersaturação da bile, com componentes excedendo sua solubilidade máxima - Bile litogênica.
No mundo ocidental os cálculos mais comuns são de colesterol
ou mistos, estes últimos também com porcentagem significativa
de colesterol. Os de colesterol, em geral são cálculos grandes
arredondados e de cor clara. Já os mistos podem ser múltiplos
e facetados, também de cor esbranquiçada.
Crescem de 2 a 5 mm por ano, demorando cerca de 5 a 20 anos para o aparecimento
de sintomas.
Os cálculos pigmentados são muito mais comuns na Ásia do que nos países ocidentais, têm como componente básico os sais de bilirrubinato de cálcio. Costumam ser pequenos, facetados e de cor escura. Quando formados fora da vesícula biliar, têm aspecto terroso, se fragmenta fácil e é de cor marrom.

Vesícula biliar retirada por videolaparoscopia

Vesícula Biliar aberta, retirada por videolaparoscopia com cálculo único no seu interior.

Vesícula Biliar aberta, retirada por videolaparoscopia, com múltiplos microcálculos de colesterol


Vesícula Biliar aberta, impregnada de colesterol em sua parede - colesterolose
|
Idade avançada |
Sexo feminino |
Múltiplas gestações |
Obesidade |
Drogas como o clofibrato |
Perda de peso abrupta |
Predisposição étnica |
Anticoncepcional oral |
Ressecção do íleo
terminal |
Diarréia crônica |
Cirrose Biliar Primária |
Vagotomia troncular |
Jejum prolongado |
Gravidez |
Discinesia de vesícula |
Diabetes mellitus |
Nutrição parenteral
total |
Hemólise |
Infecção biliar crônica |
Divertículo de duodeno |
Parasitos |
Cisto de colédoco |
Muitas pessoas são portadoras de cálculos biliares e não apresentam nenhum sintoma. A cada ano, 10% destes iniciam quadro sintomático.
A manifestação dos sintomas da litíase da vesícula biliar (colelitíase) está ligada à obstrução pelo cálculo, da saída da bile, quando vesícula se contrai, após a ingestão de alimentos gordurosos.
O sintoma de litíase biliar mais específico e característico é a cólica biliar - dor tipo cólica, súbita de forte intensidade, do lado direito do abdômen, logo abaixo das costelas, com freqüente irradiação para as costas e ombro homolateral. Freqüentemente acompanhada por náuseas ou vômitos.
Sintomatologia menos intensa pode ocorrer, em especial dor na boca do estômago, com ou sem náuseas e vômitos. São queixas freqüentes: digestão difícil, dor de cabeça, sensação de estar estufado após as refeições.
Muitas são as complicações decorrentes da presença dos cálculos biliares na vesícula biliar ou mesmo dentro do hepato-colédoco.
Animação
A ultra-sonografia da vesícula biliar é muito acurada na identificação de colelitíase. Cerca de 98% dos casos de cálculos na vesícula biliar são diagnosticados através deste exame. É inócuo e não invasivo, a presença de icterícia não interfere no diagnóstico.
É menos sensível no diagnóstico dos cálculos
no colédoco (coledocolitíase),
imagens
COLANGIOPANCREATOGRAFIA RETRÓGRADA ENDOSCÓPICA (CPRE)
A colangiopancreatografia retrógrada endoscópica é o melhor método para se determinar o diagnóstico de coledocolitíase, sendo uma ferramenta diagnóstica e terapêutica, uma vez que permite a retirada dos cálculos. Possui uma sensibilidade e especificidade de 95% para a detecção de cálculos no ducto biliar comum.

Ultra-som em 3D: Vesícula biliar com cálculos biliares empilhados

Vesícula Biliar com múltiplos cálculos agrupados com sombra acústica

Vesícula Biliar com múltiplos cálculos alinhados e sombra acústica

Vesícula Biliar com mícrocálculos - observar o pontilhado claro (cálculos) dispersos no fundo escuro (bile)

Ultra-som gestacional, demonstrando feto com vesícula biliar repleta de cálculos

Ultra-som demonstrando canal do colédoco com cálculo no seu interior e sombra acústica