
O fígado tem múltiplas funções e uma delas é produzir bile que será eliminada através do intestino. O órgão se constitui de duas porções, chamadas lobos, que por sua vez se subdividem em vários segmentos.
A via biliar é um conjunto de canais que se forma dentro do fígado e que confluem de modo completamente similar a um rio. Começam com canalículos, dentro dos diversos segmentos, que vão confluindo até formar dois canais maiores que drenam o lobo hepático direito e o lobo hepático esquerdo.
Já ao saírem do fígado, esses dois canais se unem para formar um canal hepático comum que, depois de receber o canal da vesícula biliar, continua com o nome de colédoco.
Este nada mais é do que a última porção da via biliar que desembocará no duodeno, sendo este a primeira porção do intestino delgado.
Nessa junção do colédoco com o duodeno, há um músculo circular, denominado esfíncter de Oddi, que regula a passagem de bile para o intestino. O colédoco reforçado por esse esfíncter, ao entrar no duodeno, forma uma saliência visível designada papila duodenal.
A vesícula biliar é uma bolsa, localizada sob o fígado, fora deste, comparável a um lago, que se comunica com a via biliar comum por um canal próprio, o ducto cístico. Na vesícula biliar a bile se concentra no intervalo das refeições e é esguichada, logo após as mesmas, para o intestino.
Cálculos biliares podem existir em qualquer porção da via biliar, mas aparecem comumente na vesícula e com menor freqüência no colédoco.
A bile tem três componentes básicos: bilirrubina, sais biliares e colesterol. A bilirrubina é um pigmento derivado da destruição dos glóbulos vermelhos do sangue, efetuada no baço. Através da circulação, é levada para o fígado que a elimina pelos canais biliares; ela dá a cor à bile.
O fígado produz os sais biliares que são importantes no processo de digestão dos alimentos, especialmente das gorduras.
O colesterol é eliminado pelo fígado, através da bile. Há um equilíbrio físico-químico entre essas três substâncias que mantêm a bile em estado líquido. Rupturas nesse equilíbrio provocam precipitação de seus componentes, dando origem aos cálculos.
Os componentes dos cálculos, entre outros, são sais de cálcio e colesterol. Conforme a predominância, serão cálculos colesterólicos, cálcicos ou mistos.

Os cálculos biliares podem permanecer silenciosos durante anos ou se manifestarem a qualquer momento. Quando um cálculo da vesícula biliar obstrui o ducto cístico, seu canal de drenagem pára o colédoco, provocando contração da parede muscular da vesícula que se traduz por dor em cólica - cólica biliar.
Quando o cálculo se encrava no ducto cístico, impedindo a passagem de bile, esta é retida e desencadeia um processo inflamatório agudo - colecistite aguda. Habitualmente, nessa bile retida, crescem bactérias e a vesícula obstruída se comporta com um abscesso e pode ser o desencadeamento de doença grave.
A colecistite aguda pode regredir ou não. Quando for persistente, vai se comportar como um abscesso local. Pode romper, ficando bloqueada sob o fígado ou romper para dentro do abdômen provocando peritonite aguda.
Quando um cálculo localizado no colédoco obstrui esse canal, a bile não passa para o intestino e reflui através das células hepáticas para a corrente circulatória. A bilirrubina refluída para o sangue provoca uma cor amarelada típica da pele - icterícia. Essa bile retida pode infectar, provocando doença grave designada colangite aguda.
O câncer da vesícula biliar não é freqüente e o câncer em canais biliares é ainda mais raro. Seu índice de cura é muito baixo. Câncer da vesícula biliar é relacionado à presença de cálculos em seu interior, habitualmente presentes há muito tempo.
A litíase biliar sintomática deve ser tratada. Seu tratamento habitual é cirúrgico.
A litíase de colédoco pode ser tratada por endoscopia: o endoscopista faz uma incisão na papila duodenal, corta o esfíncter de Oddi e, por essa abertura, retira os cálculos. Houve mudança importante na abordagem cirúrgica da via biliar com o desenvolvimento da cirurgia laparoscópica. A ressecção laparoscópica da vesícula biliar é totalmente similar à extração do órgão por cirurgia tradicional, aberta.
Com essa nova abordagem cirúrgica (videolaparoscopia), há menos dor pós-operatória, recuperação mais rápida para as atividades normais, menor tempo de internação hospitalar e evitam-se complicações inerentes a extensas incisões cirúrgicas no abdômen.
O nome é pouco conhecido: colelitíase.
Muitas pessoas podem estranhar se souberem que esta doença afeta cerca de 20% da população.
No entanto, ao conhecerem seus apelidos: pedra na vesícula ou cálculos biliares, lembrarão de imediato.
É que o distúrbio é responsável por boa parte dos atendimentos nos consultórios de doenças digestivas.
Muito embora o tratamento do problema dependa necessariamente da realização de uma operação de retirada da vesícula, modernas técnicas cirúrgicas tornam essa uma medida bastante simples.
A vesícula é um dos órgãos que compõem o aparelho digestivo do corpo humano. Ele tem a função de armazenar a bílis, que é produzido no fígado. O órgão expulsa a bílis e auxilia na digestão das gorduras, principalmente, esclarece o cirurgião Mário Toscano.
Por seu lado, a vesícula com cálculo não executa corretamente a sua função. Assim que ela é estimulada, esses cálculos começam a se movimentar dentro da vesícula, às vezes são expelidas, promovendo uma inflamação, um processo obstrutivo, causando dor, vontade de vomitar, empachamento e vários outros sintomas, salienta o médico.
As pedras na vesícula atingem, principalmente, as mulheres por questões hormonais, mas não é exclusividade do sexo frágil. A proporção é de quatro mulheres para cada homem na faixa etária reprodutiva, mas com a idade, esta proporção vai diminuindo, chegando a quase igualar entre os idosos.
Embora não se saiba com certeza quais são as causas do distúrbio, o certo é que são mais freqüentes em mulheres com mais de 40 anos, que tiveram muitos filhos, com excesso de peso e diabéticas.
Segundo o cirurgião do aparelho digestivo Eduardo Akaishi, as pedras que se depositam na vesícula normalmente são formadas pela desproporção dos componentes da bile (líquido produzido pelo fígado, que auxilia na digestão dos alimentos, principalmente dos gordurosos), como o colesterol, fosfolipídeos e sais biliares.
Há dois tipos de pedras: pigmentadas (bilirrubinas, de coloração negra) e as de colesterol (coloração amarelada), que são mais comuns, manifestando-se em cerca de 80% dos casos, explica Akaishi, fazendo questão de ressaltar que a formação do cálculo de colesterol não tem nenhuma ligação com as taxas de colesterol no sangue.
A maioria dos portadores da pedra na vesícula não faz idéia de que possui o problema, pois 80% dos doentes não têm nenhum tipo de sintoma. Já os outros 20% podem apresentar dor, vômito e icterícia (pele e olhos amarelados como na hepatite).
A ingestão de alimentos gordurosos pode desencadear as crises dolorosas em quem é portador de pedra na vesícula, mas não tem nenhuma influência na formação das pedras, esclarece o especialista.
Alguns fatores favorecem a formação de pedras como o excesso de peso e de calorias ingeridas, predisposição genética, idade, paridade, longos períodos de jejum e pessoas que passaram por cirurgia do intestino ou estômago.
É importante lembrar que, embora seja raro, o câncer de vesícula biliar pode ocorrer em pacientes que sofrem de colelitíase. De acordo com os especialistas, não há comprovação científica de que as pedras possam induzir ao câncer.
Então, quando se retira a vesícula é importante observar o exame microscópico da vesícula para assegurar que não existe nenhum tipo de lesão ou algum tumor já instalado.
O tratamento pode ser cirúrgico ou com medicamentos que ajudam a dissolver as pedras, sendo o último procedimento atualmente em desuso pela pouca eficiência, afirma Akaishi. A melhor forma de tratamento é a cirurgia em que a vesícula é retirada junto com as pedras.
O procedimento é rápido, varia de 30 a 60 minutos, e no outro dia o paciente tem alta hospitalar. O único cuidado nos primeiros dias é com a alimentação que deve ser controlada com refeições leves.
Como a vesícula biliar armazena a bile e a joga no intestino somente quando há necessidade, com a sua retirada o próprio fígado se encarrega de enviar o líquido digestivo.
Mesmo com o tratamento avançado, as pessoas podem prevenir as complicações da doença. As principais atitudes são não exceder o peso, evitar longos períodos de jejum, realizar exames de ultra-sonografia abdominal sempre que necessário e consultar um especialista após os 40 anos de idade, principalmente se há casos de pedra na vesícula na família.
Alimentos que devem ser consumidos com moderação
Carnes gordurosas
Queijos amarelos, requeijão, leite integral
Biscoitos, pastéis, pães folhados
Embutidos, como lingüiça e salames
Ovos fritos
Manteiga, maionese
Amendoim, castanha-do-pará
Bebidas alcoólicas
Agora, os amigos
Frutas
Carnes magras, peixes
Alimentos fibrosos
Pão e arroz integral
Leite desnatado
Café, chá, sucos de frutas
Mel, Iogurte e coalhada
Fonte: www.antonioviana.com.br

Ilustração de cálculo biliar no duto da vesícula
A vesícula biliar é uma pequena bolsa em formato de pêra, localizada abaixo do fígado. Sua função é o armazenamento da bílis (um emulsificante que é lançado no intestino para auxiliar a digestão de gorduras , depois de lançada no intestino).
Os cálculos da vesícula biliar se formam quando a bílis fica muito saturada de colesterol, que se cristaliza e forma pequenas pedras. Normalmente estes cálculos não são detectados, mas se, durante uma contração da vesícula para liberar bílis, estes também são impulsionados com ela para o duto que a leva para o intestino delgado ou fígado, o indivíduo passa por cólicas dolorosas (que podem permanecer minutos ou horas e algumas vezes acompanhada de náuseas e vômitos).
Esta situação pode se reverter caso o cálculo retorne à vesícula biliar , mas também pode se agravar se o cálculo bloquear o duto ou causar uma inflamação. Dependendo da complicação pode ser necessário uma intervenção cirúrgica para a retirada do cálculo ou mesmo da vesícula biliar completa.
Hereditariedade
Obesidade
Avanço da idade
Maior prevalência em mulheres (especialmente obesas) * Dieta alimentar rica em gorduras e colesterol
Manter boa ingestão de fibras (verduras e legumes, fibrosos, frutas, grãos integrais) para controlar o colesterol.
Preferir o consumo de proteínas de origem vegetal (soja, feijões, lentilha, ervilha, grão de bico). As proteínas vegetais reduzem o grau de saturação do colesterol da bílis. * Uso de pequenas doses de álcool (metade de um copo de vinho) pode auxiliar a quebra do colesterol, tornando-o menos disponível para formação de cálculos biliares.
Evitar cafeína (café, chá mate e refrigerantes) pois esta estimula as contrações da vesícula biliar.
Consumir um pouco de azeite de oliva nas saladas. Os ácidos graxos monoinsaturados desestimulam a formação de cálculos. Não aquecer o azeite de oliva para não saturar a gordura.
Não permanecer longos períodos em jejum e não deixar de fazer o café da manhã. Sem o estímulo dos alimentos a vesícula biliar não libera ácidos biliares "solubilizantes" para manter o colesterol dissolvido e impedir a formação de cálculos.
Perda de peso gradativa no caso de sobrepeso ou obesidade. O excesso de peso leva à maior produção interna de colesterol, que é secretado pela bílis, transformando-se em possíveis cálculos. Quando as taxas de triglicérides estão altas e a de HDL-colesterol (bom colesterol) estão baixas, maiores ainda as chances de formação dos cálculos.
Evitar perda de peso rápida através de dietas de drástica redução calórica e de gorduras (abaixo de 800-600 Kcal/dia e com menos de 3 g de gordura ao dia). Além de não se obter um resultado efetivo através destas dietas (o indivíduo quase sempre volta a ganhar peso novamente), como a gordura é o estimulante das contrações da vesícula biliar, na sua falta a mesma tende a deixar de se contrair e acumular maior quantidade de bílis, aumentando a tendência à formação doa cálculos.
Fonte: www.nutrinfo.com.br