A medicina hiperbárica tradicionalmente dedica-se ao estudo e ao tratamento de doenças decorrentes do mergulho e do trabalho em situação de pressurização.
Oxigenoterapia hiperbárica (OHB) é uma modalidade terapêutica que pertence à medicina hiperbárica e consiste na respiração de oxigênio puro a 100% intermitentemente, a pressões maiores que a pressão atmosférica ambiente no nível do mar, com o paciente colocado no interior de uma câmara hiperbárica. As câmaras são de paredes rígidas, hermeticamente fechadas e resistentes a pressões.
A pressão máxima de 3 Atmosferas Absolutas (ATA) para tratamentos clínicos corresponde a um mergulho de 20 metros de profundidade.
Este recurso terapêutico tem sido utilizado em várias patologias e em diversos países, inclusive no Brasil.
Em 1967 foi fundada nos EUA a "Undersea and Hyperbaric Medical Society", inicialmente para estudar a troca de dados da fisiologia e medicina do mergulho comercial e militar. Em 1976 foi criado o Committee on Hyperbaric Oxygenation, responsável pela revisão anual dos vários estudos clínicos e experimentais que comprovem a eficácia da OHB, pela definição dos protocolos de tratamento e pelas normas de segurança dos procedimentos.
No Brasil, o marco histórico da oxigenoterapia hiperbárica ocorreu em 15 de setembro de 1995, quando o Conselho Federal de Medicina emitiu a Resolução CFM n 1.457/ 95 sobre as indicações clínicas atualmente reconhecidas da oxigenoterapia hiperbárica.
Pode ser realizado tanto em câmaras monoplace quanto multiplace. No tipo monoplace, coloca-se um único paciente dentro da câmara pressurizada com oxigênio a 100%, e o paciente respira o oxigênio diretamente na câmara. No tipo multiplace, colocam-se dois ou mais pacientes e a câmara é pressurizada com ar comprimido, enquanto os pacientes respiram oxigênio a 100% via máscara ou capuz de acrílico.
O emprego de oxigênio puro em câmaras hiperbáricas provoca múltiplos efeitos terapêuticos, como proliferação de fibroblastos, neovascularização, osteogênese, lise de bactérias e fungos, entre outros.
A oxigenoterapia hiperbárica é indicada, como tratamento principal ou coadjuvante, em inúmeras patologias agudas ou crônicas, de natureza isquêmica, infecciosa, traumática ou inflamatória.
1. Embolias gasosas;
2. Doença descompressiva;
3. Embolias traumáticas pelo ar;
4. Envenenamento por monóxido de carbono ou inalação de fumaça;
5. Envenenamento por cianeto ou derivados cianídricos;
6. Gangrena gasosa;
7. Síndrome de Fournier;
8. Outras infecções necrotizantes de tecidos moles: celulites, fasciites e miosites;
9. Isquemias agudas traumáticas: lesão por esmagamento, síndrome compartimental, reimplantação de extremidades amputadas e outras;
10. Vasculites agudas de etiologia alérgica, medicamentosa ou por toxinas biológicas (aracnídeos, ofídios e insetos);
11. Queimaduras térmicas e elétricas;
12. Lesões refratárias: úlceras de pele, lesões pé diabético, escaras de decúbito, úlcera por vasculites auto-imunes, deiscências de suturas;
13. Lesões por radiação: radiodermite, osteorradionecrose e lesões actínicas de mucosas;
14. Retalhos ou enxertos comprometidos ou de risco;
15. Osteomielites;
16. Anemia aguda, nos casos de impossibilidade de transfusão sangüínea.
O tratamento é realizado em sessões diárias com a duração de 120 minutos com pressão variando de 2 a 3 ATA. O número de sessões varia de acordo com a patologia e o quadro clínico do paciente. Nas lesões agudas, o número de sessões varia de 10 a 30, sendo no máximo de 90, e nas crônicas, de 30 a 60, podendo chegar a 180 sessões.
O custo do tratamento é relativamente baixo, se comparado ao custo médio/dia de um paciente internado na terapia intensiva, que pode chegar a um valor correspondente a cerca de 10 a 20 sessões de OHB. Se levarmos em consideração que no paciente tratado com OHB há redução do tempo de internação, do consumo de antibióticos e do número de procedimentos cirúrgicos, verificaremos uma diminuição substancial no custo total do paciente tratado com OHB.
Outro marco importante foi a realização do Fórum de Segurança e Qualidade em Medicina Hiperbárica realizado em outubro de 2003 em São Paulo, organizado pela Sociedade Brasileira de Medicina Hiperbárica, quando foi elaborado um documento sobre as Diretrizes de Segurança e Qualidade em Medicina Hiperbárica.
A literatura médica sobre o assunto registra trabalhos bem-feitos com estudos demonstrando resultados positivos. Faglia et al., em 1996, publicaram um artigo de destaque, randomizado e duplo-cego, onde foram estudados 35 pacientes com pé diabético tratados com OHB e 33 com ar sob pressão. Estes autores demonstraram que o índice de amputações foi de 8,6% (3/35) nos pacientes tratados com OHB e de 33,3% (11/33) no grupo controle (p = 0.016).
No Brasil, recentemente teses de mestrado e doutorado foram defendidas na Universidade de São Paulo e na Universidade de Ribeirão Preto tendo como tema a oxigenoterapia hiperbárica, o que demonstra a importância que o tema tem adquirido no meio acadêmico.
Fonte: www.praticahospitalar.com.br