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INFORMAÇÕES BÁSICAS

A oxigenoterapia hiperbárica (OHB) é uma modalidade terapêutica cuja aplicação abrange várias patologias e condições clínicas. Trata-se de uma técnica moderna e revolucionária que auxilia a medicina tradicional. A OHB está baseada no uso de oxigênio sob condições ambientais e sob pressão. O número de profissionais de enfermagem que trabalham diretamente com a OHB em unidades e clínicas especializadas parece não ser significativo pois, embora não tenhamos dados estatísticos a esse respeito, é possível visualizar esse quadro tendo em vista as poucas instalações no país, o limitado número de máquinas e os recursos disponíveis. Entretanto, um importante número de profissionais de enfermagem já vivenciaram situações em que cuidaram de pacientes submetidos a OHB, ou no pré-tratamento, encaminhando os pacientes para as unidades especializadas, ou recebendo pacientes pós-tratamento.

Portanto consideramos necessário que os profissionais de enfermagem tenham informações básicas sobre a OHB e os respectivos cuidados de enfermagem para proporcionarem assistência de melhor qualidade. Este trabalho visa fomentar a disponibilidade de informações aos profissionais.

CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A OHB

A OHB é um método terapêutico no qual o paciente é colocado em uma câmara apropriada onde a composição do ar é de 100% de oxigênio e a pressão interna ultrapassa a pressão atmosférica, ou seja, maior que uma atmosfera ou 760mmHg (ao nível do mar o peso do ar que comprime a superfície da terra é de 14,7 psi, o que corresponde a 760mmHg, equivalente a uma atmosfera). Para que ocorra o tratamento pela oxigenoterapia hiperbárica, é preciso que estas duas condições sejam estabelecidas, isto é, a inalação de 100% de oxigênio e a pressão dentro da câmara maior que a pressão atmosférica ( MILLER, 1993; MARTINS et al., 1995; TRIVELLATTO, 1995; SIPAHI et al.,1996; IAZZETTI; MANTOVANI, 1998; ESTEVES, 1999; CENTRO, s/d).

O primeiro registro sobre a câmara hiperbárica data de 1662 na Inglaterra por Henshal. Em 1850 foram desenvolvidas mais de cinqüenta câmaras por toda Europa; em 1860 foi usada no Canadá e posteriormente nos Estados Unidos; em 1878 Paul Bert descreveu os efeitos convulsivos do oxigênio sob pressão; em 1891 J. L. Corning fez um relato do uso do ar comprimido em anestesia; em 1899 Smith descreveu os efeitos pulmonares adversos do oxigênio sob pressão; Iete Boerema, em 1956, empregou o oxigênio hiperbárico para ganhar tempo na cirurgia cardíaca a céu aberto sem o uso de uma bomba extracorpórea; em 1958 Charles Illingmorth usou o oxigênio hiperbárico na cirurgia cardíaca a céu aberto e para tratar a gangrena gasosa, o envenenamento pelo monóxido de carbono e a doença da membrana hialina; em 1960 Jacobson usou o oxigênio hiperbárico para aumentar a eficácia da radioterapia no câncer; em 1964 J. Van Elk desenvolveu uma câmara grande para cirurgia e terapia. No Brasil, médicos da marinha utilizaram a câmara hiperbárica em medicina do trabalho durante a construção da ponte Rio-Niterói em 1971 e, em 1973, em São Paulo, foi utilizada para o atendimento dos trabalhadores da construção do metrô (CENTRO BRASILEIRO DE MEDICINA HIPERBÁRICA, s/d).

De acordo com CANDIDO (2001a), pode-se dividir a medicina hiperbárica em dois grandes ramos.

Um dedicado à atividade profissional de mergulhadores, aeronautas e trabalhadores sob ar comprimido, prevalecendo uma abordagem voltada para a saúde ocupacional, e outro referente às aplicações clínicas da OHB. Neste caso, o desafio tem sido pesquisar e sistematizar protocolos que demonstrem cientificamente o potencial clínico do recurso terapêutico em várias patologias, essencialmente em infecções por anaeróbios ou mistas, isquemias, lesões refratárias e intoxicações.

Os estudos iniciais sobre a OHB partiram da evolução dos mergulhos a grandes profundidades e do desenvolvimento de máquinas capazes de permitir ao homem suportar elevações de pressão e diferenças na taxa de oxigênio disponível. A partir destes conhecimentos adquiridos por médicos da Marinha, as câmaras foram adaptadas para a oxigenoterapia hiperbárica (MARTINS et al., 1995). Atualmente, há dois tipos de câmaras: câmara monoplace ou individual e câmara multiplace ou estacionária. Ambas possuem vantagens e desvantagens.

Câmara monoplace ou individual

Vantagens

Nela somente o paciente é comprimido pela inalação do oxigênio puro e pela pressão relativamente pequena. Poderá ser descomprimido instantaneamente, se for necessário. Basta apenas uma pessoa para operar o equipamento. Uma enfermeira treinada é capaz de acompanhar o funcionamento de várias câmaras simultaneamente. Seu custo é bem menor e o espaço que ocupa em um centro hospitalar é mais reduzido.

Desvantagens

Nesta câmara o paciente fica isolado, porém atualmente existem equipamentos para o controle clínico e ressuscitação, permitindo uma supervisão satisfatória.

Fonte: www.abensp.org.br

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