Doenças causadas por vírus
Mosaico (Vírus do mosaico da cana-de-açúcar)
A doença conhecida como mosaico possui registros de ocorrência já no início do século XX. Os países produtores, nesta época, incluindo o Brasil, cultivavam variedades de cana conhecidas como nobres (Saccharum officinarum), que eram altamente suscetíveis ao mosaico, registrando grandes perdas. Com o avanço dos programas de melhoramento genético e a hibridação surgiram novas variedades, resistentes ao vírus.
O agente causador da doença é o vírus do mosaico da cana-de-açúcar. Existem descritas, até o momento, 14 linhagens diferentes deste vírus, definidas por letras de A a N, sendo que no Brasil a mais comum é a linhagem B. A intensidade da infecção, grau dos sintomas e perdas variam entre estas linhagens.
Os sintomas da infecção pelo vírus do mosaico apresentam-se nas folhas, na forma de áreas com intensidades contrastantes de verde (Figura1).

Fig.1. Sintomas de mosaico nas folhas.
Foto: Hasime Tokeshi
Na maioria dos casos aparecem áreas de verde muito intenso cercadas por áreas de um verde mais claro, ou até mesmo cloróticas, sendo que estas são mais evidentes na base das folhas e nas lâminas foliares. Em um grau mais avançado a doença pode tornar as folhas avermelhadas e até provocar necrose.A transmissão natural do vírus se dá por meio de pulgões, sendo estes os vetores da doença. Pulgões que possuem o vírus no organismo transmitem-no para uma nova planta ao picarem sua folha. Outra forma importante de disseminação é a utilização de mudas de canas infectadas, seja para a formação de viveiros ou canaviais comerciais.
O método mais eficaz para controlar o mosaico é a utilização de variedades resistentes. Aplicação de inseticidas para controle de pulgão não apresenta nenhuma eficiência. Quando o nível de infecção no canavial é baixo a prática do roguing (retirada de plantas doentes) é muito utilizada.
Vírus do amarelecimento foliar da cana-de-açúcar
O amarelecimento foliar da cana-de-açúcar, também conhecido por “amarelinho”, começou a prejudicar a cultura canavieira brasileira a partir do início da década de 90. A doença foi inicialmente relatada em 1989 e começou assumir caráter epidêmico em 1993, em plantações comerciais no Estado de São Paulo, com perdas de até 50% da lavoura. O vírus é transmitido pela espécie de afídeo (pulgão) Melanaphys sacchari.
As plantas afetadas apresentam amarelecimento da nervura central das folhas na face inferior, seguido do limbo foliar. Folhas mais velhas, sexta ou sétima a partir do ápice, apresentam uma coloração vermelha na face superior da nervura central. Posteriormente, uma perda de pigmentação distribui-se pelo limbo foliar, progredindo da ponta para a base, sendo eventualmente seguida pela necrose do tecido. As raízes e colmos mostram crescimento reduzido e, conseqüentemente, a produção é muito prejudicada. Como não apresenta sintomas específicos, pode ser confundida com deficiência nutricional, compactação do solo ou outros problemas. Os métodos de controle mais eficazes são o uso de variedades resistentes ou tolerantes e o rouguing.
Mancha Amarela – Fungo Mycovellosiella koepkei
Esta doença já foi relatada em 37 países. Sua importância é maior nas regiões úmidas em que a cana floresce. No Brasil, a mancha amarela predomina na zona litorânea chuvosa do Nordeste e na região da Bacia Amazônica.
Embora a infecção ocorra nas folhas novas, os sintomas são visíveis somente nas folhas mais velhas e são evidenciados por manchas vermelho-amareladas, irregulares e de tamanho variado. As manchas localizam-se em uma das faces das folhas e na face oposta desenvolvem-se manchas cloróticas (brancas ou amareladas), visíveis contra a luz. Em ambientes favoráveis, as manchas podem cobrir quase toda a folha, que fica com aspecto aveludado e cinza.
Nas regiões tropicais úmidas, quentes e nubladas, onde a cana-de-açúcar floresce no período de chuvas, só o cultivo de variedades resistentes tem controlado a doença. Altas doses de nitrogênio favorecem o desenvolvimento da doença.
Mancha ocular – Fungo Bipolaris sacchari
A mancha ocular ocorre em pequena escala na maioria dos invernos chuvosos. No Brasil, a doença é mais freqüente no Estado de Santa Catarina, vale do Rio Itajaí, na região norte do Paraná e, apenas ocasionalmente, no Estado de São Paulo.
O sintoma mais típico da doença manifesta-se nas folhas, na
forma de numerosas manchas redondas, o que evidencia morte do tecido vegetal.
Essas manchas são, inicialmente, pardas e, mais tarde, tornam-se marrom-avermelhadas.
O tamanho das lesões varia de 0,5 a três centímetros.
Em variedades muito suscetíveis podem aparecer estrias de até
60 centímetros.
Quando as condições são favoráveis, a mancha ocular atinge as folhas novas do ponteiro, causando a morte dos tecidos jovens, do colmo imaturo e até da touceira jovem. O fungo também pode causar queda de germinação.
O método mais prático para controlar a doença é o uso de variedades resistentes. Deve-se evitar o excesso de nitrogênio na adubação e o plantio de variedades suscetíveis nas margens de lagos, rios e baixadas, onde o ar frio e a neblina acumulam-se durante o inverno.
Autores
Antonio Dias Santiago
Raffaella Rossetto
Fonte: www.agencia.cnptia.embrapa.br