A 1 de Março de 1884 a construção do canal, iniciada por Ferdinand de Lesseps, continuava. E as dificuldades não paravam. O Occidente daquela data referia-se ao projecto como a seguir se transcreve:
Assim como o istmo de Suez, unindo a África à Ásia por milhares de séculos, era um embaraço para a fácil comunicação entre o Oriente e o Ocidente, assim também a estreita língua de terra, que se chama o istmo de Panamá e une a américa setentrional à meridional é um obstáculo à rápida comunicação da Europa com as costas ocidentais da América, com o Oceano Pacífico e a Polinésia.

Cidade do Panamá
O génio empreendedor de Fernando de Lesseps conseguiu depois de uma luta gigantesca abrir o primeiro, empresa julgada impossível e ridicularizada antes pelos sorrisos zombeteiros da Europa, hoje está empenhado na abertura do segundo, também combatido pela vaidade americana, e já contrariado com os projectos de um novo canal e de um caminho de ferro para transporte de navios de um mar para o outro.
Já na pág.176 do nosso 4º volume, dando uma ideia desta última tentativa, haviamos prometido tratar da abertura do canal; não o tendo podido fazer até hoje, cumprimos agora a nossa promessa.
Para se proceder a uma obra de tal importância, é claro que, depois de formada a necessária companhia, se havia de proceder a estudos minuciosos e conscienciosos.
Não menos de onze traçados foram feitos e acuradamente examinados, desde o golfo de Tehuantepec até à baía do Chiri-chiri no Oceano Pacífico e entre o golfo de Campeche até Quiabo no Atlântico.
O 1º traçado entre o golfo de Campeche e o de Tehuantepec, seguia o rio Coatzacoalcos até Ventosa no México.
O 2ª muito mais ao sul seguia o curso do rio S.João, atravessava o lago, e ia sair abaixo da cidade de Nicarágua, no estado deste nome.
O 3º seguia o rio Macho, atravessando o estado de Costa Rica, para desembocar no golfo de Nicoya.
O 4º parte da baía do Linson a sair pelas bocas do rio Grande, junto à cidade do Panamá no golfo deste nome.
O 5º começava no golfo de S.Brás até ao mesmo golfo.
Os 6º, 7º e 8º tinham por começo os rios Morti e Sucubti e o golfo de Derieu, para irem desembocar ao sul do mesmo golfo.
Os 9º, 10º e 11º foram procurados em diversos pontos estreitos desta lingua, tendo por termo as baías de Copica e do Chiri-chiri.
Seria muito longo referir as razões técnicas e econimicas que influiram na escolha de um dos projectos, o que não podia deixar de ser, basta-nos para informar os nossos leitores, dizer que o projecto adoptado foi o que acima enuciámos com o nr.4, e que pode ser reconhecido com este número na pequena carta que damos na pág.53 e onde se poderão ver as posições relativas dos diversos traçados.
A planta da pág.53 dá a direcção geral do canal, que, partindo de próximo à cidade de Colon e cortando o rio Chagres em vários pontos vai depois cortar o rio Grande.

Planta do Canal

Perfil Longitutinal
A distância de mar a mar é de setenta e cinco kilometros, ou quinze léguas, a distância de Lisboa a Santarém. Decorre ele através de vales, de planícies, pântanos, rochas e desfiladeiros imponentes.
O observador que suba a qualquer cabeço próximo a Panamá, abraça com a vista um panorama magnífico: o Pacífico sobre cuja superfície ondulante flutua uma névoa transparente, que reflecte os raios dourados e as rosadas tintas do sol e dos trópicos; Panamá, antiga cidade fundada pelos espanhois, cujas ruínas se estendem ao longo da costa, hoje linda povoação, constando de elegantes edifícios, sobre os quais se destaca a sombria mole da catedral, que resistiu às injúrias do tempo; a ampla baía semeada de ilhotas, e rodeada de magnífica vegetação, dá uns longes do formoso golfo de Nápoles.
Mas as dificuldades impostas pela grandiosidade desta obra não pararam.
Os interesses políticos dos norte-americanos também não ajudaram e o descalabro financeiro consumou-se. Um grande escândalo na época tomado e julgado na altura como uma grande fraude financeira.
Fonte: www.edinfor.pt
Atalho para a Ásia, o Canal do Panamá foi a materialização de um antigo sonho da navegação do mundo ocidental. Ligou os oceanos Atlântico e Pacífico e encurtou distâncias entre o Ocidente e o Extremo Oriente.
O canal tem 80 quilômetros de extensão e é percorrido aproximadamente em oito horas, dependendo do tráfego. Por ele passam anualmente 12 mil navios, cargueiros e também luxuosos transatlânticos, com turistas de todo o mundo. Em suas extremidades ficam a Cidade do Panamá, no Pacífico, e Colón, no Atlântico (Mar do Caribe).
Até a construção do canal, para se navegar da costa leste para a oeste dos EUA era preciso enfrentar mais 15 mil quilômetros, contornando toda a América do Sul e se aventurando pelas águas gélidas do temido Estreito de Magalhães, na Patagônia, extremo sul das Américas.
O Canal do Panamá foi uma obra de engenharia que virou realidade em 1914, após dez anos de trabalho pesado em meio a uma selva fechada, e que custou 20 mil vidas para a febre amarela.
A construção acabou por financiar a independência deste pequeno país centro-americano da Colômbia, que desde então viveu na órbita dos norte-americanos.
A primeira tentativa de ligação entre o Atlântico e o Pacífico foi capitaneada pelos franceses em 1878, na esteira do sucesso na construção do Canal de Suez, que liga o Mediterrâneo ao Mar Vermelho.
Para construir o canal, os franceses formaram a Companhia do Canal Interoceânica e recrutaram 15 mil pessoas. O financiamento foi feito com dinheiro da venda de ações na Europa.
Durante dez anos, os franceses abriram com dinamites grandes caminhos entre as montanhas que separavam as duas costas. A idéia original era construir uma passagem no nível do mar, exatamente como haviam feito com sucesso em Suez.
A empreitada, porém, fracassou em 1889, derrotada pelas dificuldades em construir uma via aquática artificial em região montanhosa, pela febre amarela e pela malária, que não tinham cura na época. Pelo menos 20 mil operários morreram.
Após a falência da companhia francesa, os EUA compraram por US$ 40 milhões os direitos para a construção do canal.
Os americanos, porém, desistiram de lutar contra as montanhas e decidiram construir eclusas, uma espécie de elevador aquático que eleva e rebaixa o nível da água, para fazer os navios subirem e depois descerem as montanhas.
Para evitar as doenças e saques de grupos indígenas e bandidos, enviaram tropas para ajudar a então província do Panamá a conseguir sua independência da Colômbia.
Investiram também em infra-estrutura sanitária para combater as doenças. Foi nessa época que descobriu-se que a malária e a febre amarela eram transmitidas por mosquitos, o que facilitou o trabalho de combate às enfermidades.
Vencidas as dificuldades, o canal foi construído em dez anos e inaugurado em 1914. Permaneceu em poder dos norte-americanos até 1999, período em que foi administrado por uma agência governamental e protegido pelo Exército dos EUA.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o canal serviu de base para os navios norte-americanos que partiam em direção ao Japão. Nessa época, os EUA chegaram a ter cerca de 65 mil soldados na região. Na década de 90, não passavam de 10 mil.
A travessia do Canal do Panamá é feita por três eclusas, onde a água funciona como um elevador. Vindo do Atlântico, por exemplo, o navio entra na comporta com a água no mesmo nível do oceano.
Os portões são fechados e as válvulas de enchimento abertas. A água entra através de poços do piso, elevando o navio 26 metros, até o nível do Lago de Gatun. As válvulas são fechadas e os portões superiores abertos.
O navio sai da comporta para o lago e segue para as outras comportas, onde acontece o processo inverso de descida até o nível do Oceano Pacífico.
Os 85 anos da presença norte-americana deixou ao Panamá muito mais que o Canal.
Junto com o Canal, os panamenhos herdaram em 1999 uma completa infra-estrutura de ferrovia, rodovias, duas hidrelétricas, uma base aérea, e mesmo vilas militares, que mais tarde se transformaram em hotéis de alto padrão.
Visitar o Canal é quase uma obrigação. Além de um museu que conta a história de sua construção, há passeios de barcos, com cinco horas de duração, saindo de Balboa ou Gatun, no Atlântico, ou de Miraflores-San Miguel, no Pacífico, até o Lago Miraflores.
Mais conhecido pelo canal que empresta nome, o Panamá é um pequeno país cujo maior patrimônio é sua geografia particularmente privilegiada: está no umbigo das Américas, liga o norte e o sul do continente, e permite a passagem das águas mornas do Caribe para o mar bravo do Pacífico.
Tal vocação não poderia resultar senão numa das mais cobiçadas porções de terra de todo o continente americano, que muito cedo despertou interesse dos mais poderosos povos. Conviveu 85 anos com tropas do Exército norte-americano, que guardavam o canal.
O Panamá é hoje o país mais internacionalizado da América Latina, segundo o Índice de Globalizacão das Nações Unidas. Adota o dólar como moeda corrente, o inglês é falado nas ruas e tem gente de todo o mundo chegando e partindo de seus portos, rodovias e aeroportos.
É também um dos países mais prósperos e que mais cresce no sofrido subcontinente latino-americano. Tem apenas 2,8 milhões de habitantes. Desde a deposição do ditador Manuel Noriega, em 1989, não tem mais Forças Armadas.
O canal sozinho já chegou a representar 14% do PIB anual do Panamá nos anos 80, mas hoje rende pouco mais de 6%.
O país aposta agora em seu potencial turístico, no ecoturismo e na prática de esportes radicais como fonte de renda. Em 2003, por exemplo, trouxe o concurso Miss Universo para a Cidade do Panamá. É estimado que o setor já some 10% do PIB (Produto Interno Bruto).
Entre as atrações, o Panamá dispõe as águas mornas e transparentes do Mar do Caribe, paraíso dos mergulhadores, cruzeiros luxuosos e dos esportes aquáticos.
As praias do Caribe têm as areias mais brancas e os resorts mais procurados do país. Portobello e Isla Grande são as mais famosas. A mais procurada para o surfe é Santa Catalina.
Pouco mais de 80 quilômetros do Atlântico --ou uma hora de distância-- é possível se chegar até a costa do Pacífico, onde o mar revolto tanto agrada aos surfistas.
Para explorar o potencial do turismo, o Panamá colocou à disposição a infra-estrutura herdada durante os 85 anos de dominação norte-americana e transformou as vilas militares em hotéis de alto padrão.
É o caso da antiga Escola das Américas, onde os ditadores latino-americanos recebiam treinamento, que hoje abriga o Meliá de Colón. Em seu prédio, nenhum sinal do passado sombrio.
Outra atração do tipo é o hotel Gamboa Rain Forest, que fica dentro do parque nacional Soberania, de 5.500 hectares, 340 deles ocupados pelo hotel, no qual foram investidos US$ 25 milhões.
Em meio a uma floresta tropical que abriga mais de 700 espécies de pássaros, o hotel transforma os índios em atração: os turistas podem visitar uma aldeia e assistir demonstrações dos costumes e rituais das tribos locais.
O governo do Panamá quer atrair 2 milhões de visitantes anuais --ou cerca de 650 navios de cruzeiro aos quatro novos terminais instalados nas costas do Atlântico e do Pacífico, que custaram cerca de US$ 60 milhões.
Além da visita a uma reserva indígena, o país conta com uma natureza exuberante, compras em lojas “duty-free”, o passeio em uma ferrovia do século 19, sem falar no próprio Canal, cuja visita é uma experiência de interesse turístico e cultural à parte.
Considerado pelos panamenhos como uma das maravilhas do mundo, o Canal do Panamá é uma obra de engenharia que impressiona tanto pela extensão, como pelo seu mecanismo de funcionamento. Em uma rápida visita, não se demora para descobrir porque o imenso projeto demorou dez anos para ser concluído pelos americanos.
A cada ano, cerca de mil embarcações cruzam seus 79,6 km de extensão, que possuem três sistemas de eclusas --Gatún, Pedro Miguel e Miraflores.
As eclusas servem para subir ou descer em etapas os navios, já que o canal está 26 metros acima do nível do mar. Na eclusa de Miraflores, em área reservada para visitantes, os turistas têm a oportunidade de ver de perto os enormes transatlânticos em operação.
O clima equatorial, úmido e quente o ano todo, chama a atenção para as praias e ilhas. As praias e ilhas de areias brancas do Caribe, do lado do Atlântico, são as mais procuradas.
E os preços são baixos, com uma infra-estrutura que estimula a proliferação de cabanas rústicas, sem telefone e eletricidade, perfeita para se desligar do mundo.
Entre as ilhas, a mais bela é a Isla Grande, também no mar caribenho. A pouco mais de 50 quilômetros da capital, para se chegar até lá é preciso embarcar em um dos botes-táxis, que ficam atracados na praia La Guaira.
Ainda no Atlântico, destacam-se os arquipélagos Bocas Del Toro e de San Blas, que têm 365 ilhas cercadas pelas águas cristalinas azul turquesa do mar do Caribe.
Do lado do Pacífico, o destaque fica para Playa Blanca, a cerca de duas horas da Cidade do Panamá. A Ilha Taboga, San Miguel e Del Rey estão entre as mais procuradas.
Uma comida cheirosa, leve e saudável, que mistura ingredientes doces e salgados, temperados com especiarias de origem creóle, que chegaram ao país junto dos negros vindos do Caribe para construir o canal.
Essa é a cozinha panamenha, em que não faltam arroz, castanhas, leite de coco e muita banana.
Tem purê de banana, banana frita, assada, refogada, al dente ou soutée, como acompanhamento de carnes, aves e pescados.
Nos restaurantes panamenhos, há desde banana recheada com carne, risoto de banana e até pamonha de banana, enrolada em palha de milho e tudo.
Sempre banana verde, claro, que tem uma consistência parecida à da batata inglesa, porém, mais nutritiva e com gosto mais refinado. Afinal, banana tem vitamina, engorda e faz crescer.
Fonte: www1.folha.uol.com.br