O câncer de colo de útero se inicia no colo uterino da mulher, que é a parte do útero que fica no fundo da aparelho sexual feminino. O útero é o órgão que envolve o bebê durante a gravidez e ao nascer de parto vaginal, o bebê passa pelo cretal central do colo uterino.
Este tipo de câncer costuma apresentar crescimento lento. Durante vários anos, células da superfície do colo do útero se tornam anormais. No início, estas anormalidades ainda não se caracterizam como um câncer e são denominadas displasias.
Porém algumas dessas alterações ou displasias podem dar início a uma série de alterações que podem levar ao aparecimento do câncer de colo de útero.
Algumas displasias se curam espontaneamente, sem tratamento, mas sendo algumas pré-cancerosas, todas necessitam de atenção para evitar o aparecimento do câncer.
Geralmente o tecido displásico pode ser retirado ou destruído sem atingir tecidos saudáveis, mas em alguns casos, a histerectomia (retirada total do útero) pode ser necessária.
Tamanho da lesão e quais tipos de alterações ocorreram nas células
Se a mulher planeja ter filhos no futuro.
A idade da mulher
A saúde geral da mulher
A preferência pessoal da mulher e do seu médico
Se células pré-cancerosas se transformam em células verdadeiramente tumorais e se espalham mais profundamente no colo uterino ou outros órgãos e tecidos, a doença é chamada de câncer de colo uterino ou cervical (vindo da palavra cérvix, outro sinônimo para colo de útero).
O câncer cervical está dividido em dois tipos principais, baseados no tipo de célula do qual o câncer se originou:
Carcinoma de células escamosas - representa de 85% a 90% de todos os casos
Adenocarcinomas - cerca de 10%
No ano de 2003 aproximadamente 12200 mulheres serão diagnosticadas com câncer de colo de útero e estima-se que 4100 morrerão da doença nos EUA. Entre 1955 e 1992 a incidência deste câncer caiu em 74% devido ao aumento do exame Papanicolau.
Desde 1982 o número de mortes por câncer de colo está em contínua queda para uma média de 1,6% ao ano. Porém a incidência deste câncer permanece alta no Brasil. Estimam-se 20.000 casos novos por ano no país, ocupando o terceiro lugar entre os cânceres mais incidentes no sexo feminino.
Ainda é a terceira causa de morte por câncer em mulheres no Brasil, com 3.300 óbitos estimados anualmente. Em São Paulo, perfaz 5,9% dos óbitos femininos por câncer; se forem somadas as mortes atribuídas a todos os cânceres do útero, chega-se a 1.233 óbitos (10,2% do total).
Os fatores de riscos aumentam as chances do aparecimento do câncer do colo de útero nas mulheres. Alguns destes fatores estão relacionados ao estilo de vida.
O fator de risco mais importante é a infecção pelo papilomavírus humano, o HPV. O HPV é transmitido de uma pessoa a outra através de relação sexual.
Se inicia atividade sexual muito jovem
A mulher tem muitos parceiros (ou tem relações com um homem que teve muitas parceiras)
A mulher que tem relações sexuais com homem que apresente verrugas no sistema reprodutor masculino ou outra doença sexualmente transmissível também apresenta maiores chances de desenvolver câncer de colo uterino.
A Infecção por HIV (o vírus da AIDS) também constitui um fator de risco. Uma mulher HIV positiva possui um sistema imunológico menos capaz de lutar para eliminar cânceres iniciais.
Mulheres fumantes têm duas vezes mais chance de câncer de colo do que as não-fumantes.
Outros fatores de risco estão relacionados á circunstâncias fora do controle da mulher:
Mulheres com sistema imunológico suprimidos devido ao uso de corticóides sistêmicos, transplantes ou terapias para outros tumores ou AIDS.
Mulheres de baixo nível sócio-econômico têm maiores riscos, provavelmente por não fazerem exames preventivos regulares.
Meninas menores que 15 anos tem baixo risco deste tipo de tumor. O risco aumenta dos 20 aos 35 anos. Acima de 40 anos as mulheres ainda têm riscos e devem continuar fazendo Papanicolau regularmente.
A maioria das mulheres não apresenta qualquer sinal ou sintoma na fase de displasia ou no câncer de colo inicial. Os sintomas aparecem quando o câncer invade outros tecidos ou órgãos.
Pequenos sangramentos fora do período menstrual
Menstruação mais longa e volumosa que o usual.
Sangramento após relação sexual ou ducha vaginal ou exame vaginal.
Dor durante a relação
Sangramento após a menopausa
Aumento de secreção vaginal
Quando apresentam alguns destes sintomas muitas mulheres tendem a ignorá-las por parecer que estão relacionados com condições pouco sérias.
Quanto mais tempo de leva para diagnosticar o câncer de colo e mais tempo se demora em iniciar o tratamento, piores são as chances de cura. Qualquer destes sintomas deve ser relatado ao médico.
O exame ginecológico regular é o melhor método para o diagnóstico precoce. Toda mulher sexualmente ativa deve realizar os exames preventivos de acordo com o calendário estabelecido pelo seu médico (a cada 1 a 3 anos).
Se o medico percebe alterações no colo de útero durante o exame ginecológico e no Papanicolaou, ele pode tratar como infecção e depois repetir mais uma vez o exame após o tratamento.
Se o exame continuar alterado, uma colposcopia será feita para checar o colo uterino, procurando áreas suspeitas. O colposcópio é o instrumento que é inserido no sistema reprodutor feminino para o exame.
Este exame não é doloroso e não apresenta qualquer efeito colateral. O colposcópio dá uma visão aumentada e iluminada dos tecidos da aparelho sexual feminino e colo de útero.
O próximo passo pode ser a realização de uma biópsia. A biópsia é um pequeno fragmento retirado de áreas suspeitas para exame microscópico. Se a lesão for pequena, o medico poderá tentar retirá-la totalmente durante a biópsia. Para a biópsia o médico pode utilizar alguns métodos:
Usar um instrumento para extrair um fragmento do colo de útero.
Dentro co cretal do colo o medico poderá recolher material com uma pequena curetagem, raspando material do cretal cervical.
A biópsia em cone ou conização remove uma parte do colo de útero em forma de cone. Esta técnica é bastante usada para tratamento de lesões pré-cancerígenas ou tumores iniciais.
Com exceção da conização, estes procedimentos geralmente são realizados no consultório medico usando anestesia local. Podem causar sangramento e desconforto semelhante á cólicas menstruais. A conização é feita com anestesia geral ou parcial (peridural, raquianestesia), necessitando hospitalização.
Se a biópsia confirma câncer de colo uterino, o paciente pode ser encaminhado para um especialista para tratamento. O especialista poderá pedir e fazer exames adicionais para avaliar se o câncer está além do colo de útero.
Após o diagnósticos exames adicionais com radiografias podem ser realizadas para avaliar se o tumor se espalhou para outras áreas do corpo. O câncer é estadiado conforme a sua extensão de acometimento. Sabendo do estágio, o medico pode decidir sobre o melhor tratamento e avaliar prognósticos.
No Estadiamento uma ferramenta chamada de sistema TNM é freqüentemente empregada. É uma maneira de descrever o tumor primário e o acometimento de outras área do corpo.
TNM é a abreviação de tumor (T), linfonodo (node, em inglês) (N), e metástases (M). Baseado no TNM, o câncer é classificado nos estágios:
Estágio 0
O tumor é denominado carcinoma in situ. Em outras palavras, o câncer está superficial no colo do útero, não atingindo camadas mais profundas de tecidos.
Estágio I
O tumor atinge tecidos mais profundos, mas se limita ao útero.
Estágio II
O tumor invade áreas vizinhas ao colo uterino como a aparelho sexual feminino, mas ainda está dentro da área pélvica.
Estágio III
O tumor se espalhou para a parte inferior da aparelho sexual feminino ou da parede pélvica. O tumor pode estar bloqueando os ureteres (tubos que levam a urina dos rins até a bexiga).
Estágio IV
O tumor atinge a bexiga ou o reto ou já atinge órgãos distantes, com os pulmões.
Os termos recorrência ou recaída significam a volta da doença após já ter sido tratada. Ela pode voltar tanto no colo de útero quanto em outra parte do corpo.
Uma vez que o câncer de colo do útero tornou-se invasivo, ele pode envolver localmente a parte superior do aparelho sexual feminino, parede pélvica, podendo atingir até a bexiga, e ureteres (a ligação dos rins com a bexiga), causando obstrução e insuficiência renal.
O tumor pode também invadir o sistema linfático, atingindo linfonodos na parede pélvica. Metástases através do sangue, atingindo outros órgãos, são muito raras.
Dentre os tratamentos mais comuns para o câncer de colo de útero estão a cirurgia e a radioterapia, mas a quimioterapia e a terapia biológica também são usadas em alguns casos.
O tipo de tratamento que o doente receberá depende do estadio da doença, tamanho do tumor e fatores pessoais como idade de desejo de filhos no futuro.
A cirurgia remove o tecido tumoral.
Para o câncer cervical que estejam restritos ao colo, os seguintes procedimentos podem ser usados:
A criocirurgia destrói as células tumorais por congelamento.
A cirurgia a laser destrói o tumor usando um feixe de luz intensa.
A conização retira um pedaço do colo em forma de cone para remover o tecido tumoral.
A histerectomia remove o útero e colo. A salpingo-ooforectomia bilateral retira as duas trompas e os dois ovarios e é realizada no mesmo tempo cirúrgico com a histerectomia.
Para tumores que atingem estruturas além do colo, outras opções de cirurgia são usadas:
A histerectomia radical remove o colo do útero, útero, parte do orgão sexual feminino, e linfonodos regionais.
A exanteração pélvica, que remove útero, orgão sexual feminino, colon baixo, reto ou bexiga, geralmente feita após radioterapia.
A radioterapia utilize-se de radioatividade para matar as células tumorais e impeder o seu crescimento. Na radioterapia externa a radiação vem de um grande aparelho posicionado para direcionar feixes radioativos em determinada direção.
A radioterapia interna ou braquiterapia usa materiais radioativos que são colocados diretamente no colo de útero através de tubos ou agulhas.
A quimioterapia usa drogas ou medicamentos para matar as células tumorais. Ela pode ser indicada como tratamento único em doenças mais avançadas.
Uma droga ou combinação de várias drogas podem ser usadas, dependendo de cada caso. A eficácia da quimioterapia, no entanto, para o tratamento da doença metastática é baixa.
A quimioterapia, ultimamente, tem sido utilizada na potencialização do tratamento radioterápico, aumentando a eficácia e as taxas de cura de pacientes com doença em estágios intermediários.
A taxa média de sobrevida de um ano das pacientes com tumor de colo uterino é de 89%. A taxa de sobrevida em 5 anos é de 71% (dados americanos).
A chance de sobrevida em 5 anos, em casos iniciais é de praticamente 100%. Para tumores localizados, essa taxa chega a 90%. Para o tumor já invasivo, vai de 10 até 50%, dependendo do grau de infiltração.
Fonte: andre.sasse.com
O câncer de colo uterino é o câncer mais comum entre as mulheres no Brasil, correspondendo a aproximadamente 24% de todos os cânceres.
Pode ser do tipo epidermóide, o mais comum, mas também pode ser do tipo adenocarcinoma, o qual é bem menos freqüente. O primeiro pode ser diagnosticado na sua forma pré-invasora: NIC (neoplasia intraepitelial cervical), geralmente assintomático, mas facilmente detectável ao exame ginecológico periódico.
Os principais fatores de risco para o câncer de colo uterino são: baixo nível sócio-econômico precocidade na primeira relação sexual promiscuidade (múltiplos parceiros) parceiro sexual de risco multiparidade primeira gestação precoce tabagismo radiação prévia infecção por papilomavírus herpes vírus
A prevenção do câncer de colo uterino passa por cuidados e informações sobre o uso de preservativos, a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e a orientação sexual desestimulando a promiscuidade. A nível secundário de prevenção está o exame ginecológico periódico.
O quadro clínico de pacientes portadoras de câncer de colo uterino pode variar desde ausência de sintomas (tumor detectado no exame ginecológico periódico) até quadros de sangramento vaginal após a relação sexual, sangramento vaginal intermitente, secreção vaginal de odor fétido e dor abdominal associada com queixas urinárias ou intestinais nos casos mais avançados da doença.
O diagnóstico é predominantemente clínico. A coleta periódica do exame citopatológico do colo uterino (também chamado de exame pré-câncer ou Papanicolau) possibilita o diagnóstico precoce tanto das formas pré-invasoras (NIC) como do câncer propriamente dito.
No exame ginecológico rotineiro, além da coleta do citopatológico, é realizado o Teste de Schiller (coloca-se no colo do útero uma solução iodada) para detectar áreas não coradas, suspeitas.
A colposcopia (exame em que se visualiza o colo uterino com lente de aumento de 10 vezes ou mais) auxilia na avaliação de lesões suspeitas ao exame rotineiro e permite a realização de biópsia dirigida (coleta de pequena porção de colo uterino), fundamental para o diagnóstico de câncer.
Nas pacientes com diagnóstico firmado de câncer de colo uterino é necessária a realização de exames complementares que ajudam a avaliar se a doença está restrita ou não ao colo uterino: cistoscopia, retossigmoidoscopia, urografia excretora e, em alguns casos, a ecografia transretal.
O tratamento das pacientes portadoras desse câncer baseia-se na cirurgia radical e radioterapia. A quimioterapia tem sido empregada em protocolos de pesquisa. O tratamento a ser realizado depende das condições clínicas da paciente, do tipo de tumor e de sua extensão. Quando o tumor é restrito ao colo do útero os resultados da cirurgia radical e da radioterapia são equivalentes.
O tratamento cirúrgico consiste na retirada do útero, porção superior do sistema reprodutor feminino e linfonodos pélvicos. Pode ser realizada via abdominal ou via vaginal com laparoscopia. Os ovários podem ser preservados nas pacientes jovens.
O tratamento radioterápico pode ser efetuado quando o tratamento cirúrgico for contra-indicado e nos demais casos. Nas pacientes com envolvimento da bexiga e/ou reto a radioterapia pode preceder à cirurgia.
Fonte: www.abcdasaude.com.br