Uma das operações mais realizadas no homem é a postectomia ou circuncisão, conhecida por muitos pacientes como a “cirurgia da fimose”. Neste procedimento, retira-se a pele que recobre a glande ou a “cabeça” do órgão genital, o prepúcio.
A principal indicação da postectomia é quando a extremidade do prepúcio fica estreitada e é impossível expor a glande.
Esta doença é chamada de fimose, dificulta a higiene e muitas vezes atrapalha a ereção. Outras vezes faz-se esta operação quando o homem apresenta infecções por fungos repetidamente — as balanopostites.
Nestas infecções, o falo fica bastante irritado com manchas avermelhadas, secreção e dor.
Normalmente estes quadros são tratados com cremes e comprimidos. Mas, em alguns pacientes, esta infecção repete-se com muita freqüência e, então, a solução é a retirada do prepúcio, que deixa a glande permanentemente exposta, facilitando a higiene e impedindo o aparecimento da infecção.
Em diabéticos, as balanopostites podem dificultar o controle da glicemia e a operação deve ser feita rapidamente. Para algumas religiões, como a judaica e a muçulmana, a circuncisão tem significado especial. Para os judeus, a circuncisão é o batizado do menino e é feito no oitavo dia após o nascimento.
Nos recém-nascidos e nos adultos, a operação pode ser feita com anestesia local. Nas crianças maiores, até a adolescência, prefiro utilizar a anestesia geral, por ser menos traumatizante para o paciente. Trata-se de um procedimento bastante simples que não necessita de internação hospitalar. Nos adultos, o pós-operatório pode ser um pouco mais difícil, pois as ereções ficam dolorosas e a atividade sexual é restrita por até um mês.
Apesar de ser uma operação bastante comum e de pequeno porte, a circuncisão ainda é cercada de controvérsias. Nos Estados Unidos, por exemplo, a grande maioria dos recém-nascidos do sexo masculino é submetida a ela ainda na maternidade.
A justificativa seria a melhoria da higiene, prevenção de infecções urinárias, das doenças sexualmente transmissíveis e do câncer peniano.
Entretanto, esta é uma grande polêmica nos meios científicos. Por um lado, a operação facilita a higiene, que está relacionada à prevenção do tumor do órgão genital e das DSTs. Mas se o menino ou o homem consegue puxar o prepúcio para trás e expor a glande, ele conseguirá lavar o órgão genital sem grande dificuldade e assim manter sua higiene e evitar aquelas doenças.
Portanto, não é necessário fazer a postectomia em todo mundo, afinal o prepúcio tem uma função, que é a de proteger a uretra, principalmente nos primeiros anos de vida.
O câncer órgão genital masculino é sem dúvida uma doença relacionada à falta de higiene. No nordeste brasileiro, é um dos campeões na incidência deste tumor. A presença de fimose facilita o seu aparecimento.
Assim nas regiões onde este tumor aparece com grande freqüência, deve-se buscar operar as crianças e os adultos que sofrem de fimose e incentivar a prática da higiene íntima nos que têm prepúcio normal.
A postectomia não deve ser confundida com a operação que se faz quando existe um freio ou “cabresto” curto. O freio é uma dobra de pele que fica na parte debaixo do órgão genital e que liga a glande ao prepúcio. Algumas vezes este freio é curto, fica muito esticado na ereção e pode romper durante a relação sexual.
A cirurgia para cortar o freio é simples, não tem conseqüência, pode ser feita com anestesia local e é chamada frenuloplastia. No passado, a postectomia foi realizada para tratar a ejaculação precoce, pois diminuiria a sensibilidade peniana. Hoje, se sabe que, na maioria dos casos, a ejaculação rápida está relacionada à ansiedade e a retirada do prepúcio não resolve o problema.
Tanto isto é verdade que a freqüência de ejaculação rápida em Israel, onde quase toda população masculina é circuncidada, é a mesma do resto do mundo.
Fonte: www.diariosp.com.br