Também chamado cancro venéreo simples ou cancróide, é doença infecto-contagiosa, essencialmente de transmissão sexual, geralmente localizada na genitália externa, às vezes na região retal.
Seu agente etiológico, denominado Haemophilus ducreyi, é um bastonete Gram-negativo, pequeno, imóvel, aeróbio e não encapsulado. Predomina no sexo masculino, numa proporção de 20 a 30 casos masculinos para 1 feminino, sendo a mulher muitas vezes portadora assintomática. Prevalece nas regiões tropicais e nas comunidades com baixo nível de higiene, apesar dos registros em clínicas privadas e em indivíduos de nível universitário estarem aumentando.
Após um período de incubação de um a quatro dias, surge a lesão inicial (mácula, pápula, vesícula ou pústula), que rapidamente evolui para ulceração. Inicialmente única, logo se reproduz por auto-inoculação na vizinhança. As lesões ulceradas são dolorosas, com bordas irregulares, talhadas a pique, fundo purulento e anfractuoso, com base mole. O bacilo tem predileção por pele e semimucosas, sendo raro o acometimento de mucosas.
No homem, acomete principalmente prepúcio e sulco banaloprepucial, e, na mulher, grandes e pequenos lábios, fúrcula e colo uterino. Por vezes as lesões podem complicar-se devido à associação fusoespiralar. Em cerca de 5% dos casos, pode surgir o cancro misto de Rollet. Bubão regional (inguinal), quase sempre unilateral, extremamente doloroso, de evolução aguda, culminando em supuração por uma única fístula, ocorre em 30 a 50% dos casos sendo raro no sexo feminino. A pele sobre a adenite apresenta-se fina e eritematosa. Ausência de sintomatologia geral.
Os exames utilizados são de baixa sensibilidade, predominando a clínica. Baseiam-se principalmente no exame direto e na cultura. O exame bacterioscópico deve ser feito após limpeza da lesão com soro fisiológico, coletando-se, com alça de platina ou espátula, exsudato pururlento do fundo da lesão, preferencialmente sob as bordas. A positividade ocorre em 50% dos casos. É sempre boa norma a pesquisa de T. Pallidum. Quando o bubão estiver presente, pode-se puncioná-lo e proceder ao esfregaço.
Quando da presença de lesões ulceradas, deverá ser feiro com cancro sifilítico, herpes simples, tuberculose e donovanose. Quando da presença de adenopatia, deverá ser feito com adenites piogênicas, linfomas, linfogranuloma inguinal e tuberculose. Por ser, na maioria das vezes, o diagnóstico diferencial feito com o cancro duro, estão relacionadas, na tabela adiante, suas principais características.
| Cancro Sifilítico | Cancro Mole |
|---|---|
| Período de incubação longo (21 a 30 dias) | Período de incubação curto (1 a 4 dias) |
| Geralmente lesão única | Geralmente lesões múltiplas |
| Erosão/exulceração | Ulcerações |
| Borda em rampa | Borda talhada a pique |
| Fundo limpo e liso | fundo sujo, purulento e anfractuoso |
| Indolor | Doloroso |
| Base dura | Base mole |
| Involui espontaneamente sem deixar cicatriz | não involui espontaneamente e cura com sequelas |
| adenopatia constante, indolor, múltipla, dura e aflegmásica | adenopatia em 30 a 50% dos casos, dolorosa, unilateral, supurativa, fistulizante através de orifício único |
Terapêutica sistêmica:
Azitromicina: 1 g VO, dose única
Ceftriaxona: 250 mg IM, dose única
Eritromicina: 500 mg VO, de 6/6 h
Tianfenicol: 2 cápsulas de 500 mg VO, de 8/8 h
Tetraciclinas: 600 mg VO, de 6/6 h
Sulfato de Estrepatomicina: 1 g/dia, IM
O tempo mínimo de tratamento é de 10 dias ou até a cura clínica das lesões e/ou adenite, que, em geral, ocorre após duas semanas de tratamento. Deve ser lembrado que tetraciclina e eritromicina, na dose de 2 g diários por 15 dias, estarão tratando eventualmente outras DST (sífilis, gonorréia, uretrites por Chlamydia sp.)
No caso de gestantes, não representa ameaça para a mãe nem para o feto ou neonato. No tratamento devem ser evitadas as tetraciclinas, o tiafenicol no primeiro trimestre de gestação e as sulfas nas últimas semanas de gestação. Eritromicina, à exceção do estolato, é um medicamento efetivo e isento de risco.
O tratamento tópico das lesões ulceradas é fundamental para acelerar a sua cicatrização. Deve ser feito com compressas de permanganato de potássio diluído em água morna 1:40.000 ou com água boricada a 2%, 3 vezes ao dia, durante 15 minutos. Quanto a adenite, o repouso é importante na recuperação. Caso apresente flutuação ou tamanho maior do que 5 cm, deverá ser aspirado atravpes da pele normal adjacente, evitando assim sua fistulização. Incisão e drenagem estão contra-indicadas por retardarem o processo de cicatrização e pela possibilidade de disseminação da infecção.
Os parceiros sexuais devem ser tratados durante 10 dias com um dos esquemas citados.
A resposta ao tratamento é boa, com esterilização das lesões em 48 horas. No caso de ausência de melhora clínica e laboratorial, é importante a realização de cultura e antibiograma.
Fonte: www.hc.ufpr.br
Ulceração (ferida) dolorosa, com a base mole, hiperemiada (avermelhada), com fundo purulento e de forma irregular que compromete principalmente a genitália externa mas pode comprometer também o orifício retal e mais raramente os lábios, a boca, língua e garganta. Estas feridas são muito contagiosas, auto-inoculáveis e portanto, frequentemente múltiplas.
Em alguns pacientes, geralmente do sexo masculino, pode ocorrer infartamento ganglionar na região inguino-crural (inchação na virilha). Não é rara a associação do cancro mole e o cancro duro (sífilis primária).

Cancróide, cancro venéreo simples, "cavalo"
Haemophilus ducreyi
Não tem.
Relação sexual
2 à 5 dias
Antibiótico.
Camisinha. Higienização genital antes e após o relacionamento sexual.
Fonte: www.dst.com.br