Embora estejam freqüentemente incluídas em textos sobre DST, a candidíase e a vaginose bacteriana não são transmitidas por esta via. Também não existe qualquer comprovação de que o tratamento do parceiro traga algum benefício para a paciente nestas situações. Ao que parece, também não existiria benefício deste tratamento nem mesmo nas recidivas.
Estas afirmações estão fundamentadas e possuem embasamento científico.1,2,3 Então, tratar o parceiro assintomático de mulher com candidíase ou vaginose recorrente não apresenta indicações consistentes. Entretanto, na presença da balanopostite por candida, o tratamento é indicado, aliás, mesmo que sua parceira não apresente a candidíase, este deverá receber atenção adequada. Na realidade, esses dois agentes, ou seja, Candida albicans e Gardnerela vaginalis que é um dos principais anaeróbios que compõem a vaginose bacteriana, podem ser encontrados no ambiente vaginal (microbiota vaginal) em condições fisiológicas. Micoplasmas e ureaplasmas, igualmente, podem fazer parte da microbiota normal. Entretanto, caso estes agentes, por qualquer motivo, aumentem a sua população na genitália (laboratorialmente identificada em cultura com mais de 104 unidades formadoras de colônias UFC no caso da candidíase) podem se tornar sintomáticos e trazer uma série de conseqüências desagradáveis para as pacientes.
Estas situações são, inclusive, de maior impacto quando ocorrem durante a gestação, pois além de ter o potencial de determinar problemas para a gestante podem, igualmente, contaminar o recém-nascido.4
1. As pacientes com essas enfermidades, sobretudo no caso da candidíase vaginal, apresentam maior chance de contrair o vírus HIV, pois, com a mucosa inflamada, aumentam os riscos de ocorrerem microtraumatismos que facilitam a penetração viral.
2. Essas doenças se traduzem como possíveis marcadores da presença concomitante de algumas DST, pois, mais freqüentemente, se observa, associação de candidíase, sobretudo recorrente, e infecção por HPV além do que, nesta situação, a imunossupressão deve ser pesquisada e eventualmente o HIV poderia, igualmente, estar associado.5 Também nos casos de recorrência da candida, a infecção endocervical por clamídia deveria ser afastada como sendo um possível fator da manutenção do fungo em excesso no órgão genital feminino. Além disso, devido à alteração do ambiente vaginal ocasionada pelo tricomonas na genitália ou pela clamídia na endocérvice, poderia ser observado com mais freqüência a tradução deste desequilíbrio pela da ocorrência da vaginose bacteriana.6 Além disso, também, a presença de Herpes vírus tipo II tem sido relatada em associação com a vaginose bacteriana.7
3. O ato sexual funciona como um fenômeno abrasivo, ou seja, após cada relação sexual existe algum tipo de perda de epitélio vaginal, e na ocorrência de coitos subseqüentes e em curto intervalo, as novas abrasões poderiam responder por um dos mecanismos de alteração da flora vaginal. Sabidamente a vaginose bacteriana
está associada com pacientes que apresentam maior freqüência de coitos e, sobretudo se subseqüentes. Igualmente, a candidíase vaginal apresenta maior dificuldade de condução na manutenção do ato sexual durante o tratamento. Além da freqüência exagerada de coitos, outros agentes químicos ou físicos podem alterar o meio vaginal, e uma evidência disso é o aumento dos casos de candidíase após verão e temporada de praias.
Saber que, pelo fato de não se tratarem de DST, não existe benefício em tratamento dos parceiros assintomáticos, ainda que na recidiva. Todavia, fazer uma consulta com o casal quando um deles tem qualquer alteração na esfera sexual não deve ser uma atitude descartada. Até porque, inúmeras outras situações podem coexistir.
Interpretar que ambas as situações são conseqüências de algum tipo de alteração do meio ambiente vaginal e que, na manutenção desta alteração, mesmo com o tratamento adequado, as recidivas poderão ocorrer. Portanto, nesses casos torna-se obrigatória a descoberta da causa deste desequilíbrio e não a prescrição indiscriminada de medicações polivalentes.
Lembrar que algumas DST podem estar associadas e que, caso não seja diagnosticada, além do prejuízo da própria doença, poderá existir recidiva de alguma dessas situações.8 Que a candidíase recorrente (quatro ou mais episódios nos últimos 12 meses) pode estar associada a diabetes ou ser uma primeira sintomatologia da infecção pelo HIV.
Ter consciência de que o tratamento e a resolução dessas situações conduzem à prevenção da infecção pelo HIV, uma vez que a mucosa vaginal, apresentado fenômenos inflamatórios, apresenta maior suscetibilidade de contrair o vírus ou outro agente de transmissão sexual, como por exemplo, o vírus da Hepatite B.
Concluindo, embora a candidíase e a vaginose bacteriana possam fazer parte da microbiota vaginal, na evidência clínica ou laboratorial dessas situações deveremos estar atentos, pois algum desequilíbrio do meio ambiente vaginal poderá estar se instalando e, eventualmente, se associando com graves situações para esta paciente.
NEWTON SERGIO DE CARVALHO
1. Workowski KA, Berman SM. Sexually transmitted diseases treatment guidelines, 2006. Centers for Disease Control and Prevention. MMWR Recomm Rep. 2006; 55(RR-11): 1-94.
2. Potter J Should Should sexual partners of women with bacterial vaginosis receive treatment? 1999; 49(448): 913-8.
3. Almeida Filho G L & Val ICC. Abordagem Atual da Candidíase Vulvovaginal. J bras Doenças Sex Transm 2001; 13(4): 3-5.
4. Carvalho MHB, Bittar RE, Andrade PP et al. Associação da Vaginose Bacteriana com o Parto Prematuro Espontâneo. Rev Bras Ginecol Obstet 2001; 23(8): 2-8.
5. McClelland RS, Lavreys L, Katingima C, Overbaugh J, Chohan V, Mandaliya
K, Ndinya-Achola J, Baeten JMJ Contribution of HIV-1 infection to acquisition
of sexually
transmitted disease: a 10-year prospective study. Infect Dis 2005; 191(3):
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6. Brotman RM, Erbelding EJ, Jamshidi RM, Klebanoff MA, Zenilman JM, Ghanem KG. Findings associated with recurrence of bacterial vaginosis among adolescents attending sexually transmitted diseases clinics. 2007; 20(4): 225-31.
7. Cherpes TL, Meyn LA, Krohn MA, Hillier SL. Risk fators for infection with herpes simplex virus type 2: role of smoking, douching, uncircumcised males, and vaginal flora. 2003; 30(5): 405-10.
8. Koumans EH, Sternberg M, Bruce C, McQuillan G, Kendrick J, Sutton M, Markowitz LE. The prevalence of bacterial vaginosis in the United States, 2001-2004; associations with symptoms, sexual behaviors, and reproductive health. 2007; 34(11): 864-9.
Fonte: www.uff.br
A candidíase (infecção por leveduras, monilíase) é uma infecção causada pelo fungo Candida, antes denominado Monilia. Geralmente, a Candida infecta a pele e as membranas mucosas (p.ex., revestimento da boca e do órgão genital feminino). Raramente, ela invade tecidos profundos ou o sangue, causando uma candidíase sistêmica potencialmente letal. Essa infecção mais grave é comum entre os indivíduos com depressão do sistema imune (p.ex., indivíduos com AIDS e aqueles submetidos à quimioterapia). A Candida é um habitante normal do trato digestivo e do órgão genital feminino e, normalmente, não causa qualquer dano.
Quando as condições ambientais são particularmente favoráveis (p.ex., tempo úmido e quente) ou quando as defesas imunes do indivíduo encontram-se comprometidas, o fungo pode infectar a pele. Como os dermatófitos, a Candida cresce bem em condições quentes e ú midas. Às vezes, os indivíduos que fazem uso de antibióticos apresentam infecções por Candida, pois os antibióticos matam as bactérias que normalmente habitam nos tecidos, permitindo que a Candida cresça sem qualquer resistência. O uso de corticosteróides ou um tratamento com imunossupressores após um transplante de órgão também pode deprimir as defesas do organismo contra as infecções fúngicas. As mulheres grávidas, os indivíduos obesos e os diabéticos também apresentam uma maior probabilidade de serem infectados pela Candida.
Os sintomas variam de acordo com a localização da infecção. As infecções nas pregas cutâneas (infecções intertriginosas) ou no umbigo causam freqüentemente uma erupção vermelha, muitas vezes com placas delimitadas que exsudam pequenas quantidades de um líquido esbranquiçado. Pode ocorrer a formação de pequenas pústulas, especialmente nas bordas da erupção, e a erupção pode ser pruriginosa ou produzir uma sensação de queimação.
Uma erupção por Candida em torno do orifício retal pode ser pruriginosa, deixar a pele em carne viva e apresentar uma coloração esbranquiçada ou vermelha. As infecções vaginais por Candida (vulvovaginite) são comuns, especialmente em mulheres grávidas, em diabéticas ou naquelas que estão fazendo uso de antibióticos.
Os sintomas dessas infecções incluem uma secreção vaginal branca ou amarela, uma sensação de queimação, prurido e hiperemia ao longo das paredes e na á rea externa da genitália. As infecções penianas por Candida afetam mais freqüentemente os homens com diabetes ou aqueles cujas parceiras sexuais apresentam infecções vaginais por Candida.
Habitualmente, a infecção causa uma erupção descamativa, vermelha e algumas vezes dolorosa na parte inferior do órgão genital masculino. No entanto, uma infecção peniana ou vaginal pode ser assintomática.
O sapinho é uma infecção por Candida localizada no interior da boca. As placas brancas cremosas típicas do sapinho aderem a língua e a ambos os lados da boca e, freqüentemente, são dolorosas.
As placas podem ser facilmente removidas através da raspagem com um dedo ou uma colher. O sapinho não é incomum em crianças saudáveis, mas, nos adultos, pode indicar um comprometimento do sistema imune, possivelmente causado pelo diabetes ou pela AIDS. O uso de antibióticos que matam as bactérias competidoras aumenta a possibilidade do indivíduo apresentar sapinho. O perlèche (boqueira) é uma infecção dos cantos da boca por Candida, a qual produz fissuras e pequenos cortes. O perlèche pode ser conseqüência de próteses dentárias mal adaptadas que deixam as comissuras da boca úmidas o suficiente para permitir o crescimento de fungos. Na paroníquia por Candida, o fungo cresce nos leitos ungueais, produz uma inflamação dolorosa e a formação de pus. As unhas infectadas com Candida podem tornar-se brancas ou amarelas e podem descolar do leito ungueal, seja na mão ou no pé.
Geralmente, o médico consegue identificar uma infecção por Candida através da observação de sua erupção característica ou do resíduo espesso, pastoso e branco produzido pela infecção.
Para estabelecer o diagnóstico, o médico pode raspar parte da pele ou do resíduo com o auxílio de um bisturi ou de um abaixador de língua.
Em seguida, a amostra é examinada ao microscópio ou colocada em um meio de cultura para se identificar a causa da infecção.
Em geral, as infecções cutâneas causadas pela Candida são facilmente curadas com cremes e loções medicamentosas. Freqüentemente, os médicos prescrevem um creme com nistatina para as infecções cutâneas, vaginais e penianas. Geralmente, o creme é aplicado duas vezes ao dia durante 7 a 10 dias.
Os medicamentos antifúngicos para tratar as infecções fúngicas vaginais ou anais também são produzidos sob a forma de supositórios.
Os medicamentos para tratar a monilíase oral (sapinho) podem ser aplicados sob a forma de um líquido para a higiene bucal que é, a seguir, cuspido ou sob a forma de pastilhas que se dissolvem lentamente na boca.
Para as infecções cutâneas, pomadas de corticosteróides (p.ex., hidrocortisona) são utilizadas concomitantemente com cremes anti-fúngicos, pois as pomadas reduzem rapidamente o prurido e a dor (embora elas não ajudem a curar a infecção em si).
Manter a pele seca ajuda a eliminar a infecção e impede o retorno do fungo. Um talco em pó simples ou um pó contendo nistatina pode ajudar a manter a superfície afetada seca.
Fonte: www.msd-brazil.com
Coceira na genitália, sensação de ardor, presença de corrimento esbranquiçado, sem cheiro e experiência de dor durante a relação sexual são os principais sintomas da candidíase, uma infecção causada por fungos que afeta principalmente as mulheres adultas mais jovens, na faixa entre 18 e 35 anos.
Há dúvidas entre os estudiosos sobre se o contato sexual seria uma das formas de contrair a doença. Parece que sim. Mas a deficiência no sistema de defesas do organismo é de longe a causa mais importante de candídiase. Algumas mulheres, inclusive, teriam uma deficiência imunológica específica para desenvolver a candidíase, o que explicaria os casos de repetição freqüente da doença. Tanto que os tratamentos recentes visam melhorar a resistência feminina, antes de tudo.
Uma infecção vaginal caracteriza pelo crescimento exagerado de fungos no órgão genital feminino, que produzem inflamação e sintomas desagradáveis.

A genitália saudável contém naturalmente microorganismos (bactérias e fungos), que não conseguem se desenvolver devido à presença dos lactobacilos de Doderlein, que são agentes do bem e defendem o ambiente vaginal de invasores nocivos. Existem ainda na genitália anticorpos, células de defesa e substâncias químicas que ajudam os lactobacilos na defesa do meio vaginal e previnem o desenvolvimento das colônias de bactérias e fungos causadores de infecções.
A proliferação dos fungos que dá origem a candidíase está associada com a diminuição dessas defesas no ambiente vaginal. A baixa resistência é o principal fator de risco para que os fungos presentes no meio, em pequena quantidade, se multipliquem de modo exagerado. Alguns estudiosos acreditam que é possível adquirir a infecção por meio do contato sexual, quando o parceiro está infectado por fungos e os transmite à mulher através do sêmen.
Coceira na vulva e cretal vaginal, corrimento branco, que lembra a coalhada, ardor e desconforto para urinar além de dor nas relações sexuais são os sintomas mais comuns da candidíase. As mucosas vaginais ficam bastante inflamadas e a vulva, às vezes, pode ficar com o mesmo aspecto das "assaduras" de crianças que usam fralda e apresentar fissuras.
O processo inflamatório facilita a contaminação por agentes de doenças sexualmente transmissíveis, inclusive do HIV.
O uso de determinados antibióticos pode diminuir ou mesmo acabar com a flora de lactobacilos que protege o órgão genital feminino dos microorganismos nocivos. Roupas íntimas de material sintético, calças compridas apertadas, desodorantes íntimos predispõem algumas mulheres ao problema. Doenças que diminuem a imunidade da mulher também favorecem o desenvolvimento dos fungos. As alterações hormonais que ocorrem durante a gravidez ou uso de hormônios para tratamento de distúrbios ou como anticoncepcional pode, em alguns casos, facilitar o aparecimento da doença. Pessoa diabéticas tem mais propensão a candidíase porque os níveis elevados de açúcar em circulação no organismo estimulam a proliferação dos fungos.
A candidíase também está associada a processos alérgicos e pessoas com predisposição a ter alergias são mais vulneráveis à infecção vaginal por fungos. O tipo de agente causador da alergia não importa. Pode ser algum medicamento, alimento ou substâncias químicas.
Há mulheres que desenvolvem alergia às proteínas do sêmen do parceiro sexual ou até a remédios consumidos por eles, cuja substância lhes chegam através do sêmen.O estresse e a nicotina do cigarro são outros dois fatores de risco para a infecção, uma vez que contribuem para diminuir as defesas imunológicas, particularmente na região vaginal. A infecção aparece ainda associada ao HPV, o papiloma vírus humano, uma vez que esse vírus diminui a resistência do organismo.
Além dos fatores de risco que predispõem à doença, pesquisadores vem demonstrando que algumas mulheres possuem uma deficiência específica para candidíase. Elas teriam um sistema imune capaz de defender o meio vaginal de outros agentes infecciosos, mas não dos fungos.
As pesquisas mais recentes, feitas pelo ginecologista e professor da Universidade de Cornell, em Nova York (EUA), Steven Witkin, revelam que tal deficiência é resultado de uma pequena alteração genética em células de defesa imunológica, o que os cientistas denominam de polimorfismo genético. O defeito no gene explicaria, provavelmente, a maior parte dos casos de reaparecimento da doença, as chamadas recorrências, após o tratamento, segundo Witkins, que já está usando um teste para detectar a alteração genética, na Universidade de Cornell.
Uma tendência de pesquisa para acabar com a candidíase envolve o uso da substância acetilcisteína, um potente antioxidante que melhora a defesa imunológica, informa a ginecologista Iara Linhares, do serviço de ginecologia do Hospital das Clínicas de São Paulo e também pesquisadora da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos.
O ginecologista recorre ao exame clínico e de laboratório e a análise dos sintomas da paciente para diagnosticar a candidíase. Existem várias opções de tratamento, envolvendo em geral medicamentos de aplicação local - os cremes vaginais. A dra Iara Linhares adverte para a importância de seguir orientação médica no tratamento de todo e qualquer problema vaginal.
E nunca buscar a orientação de balconistas de farmácias ou usar cremes vaginais sugeridos por amigas ou que já foram utilizados em tratamentos anteriores. "Com freqüência as mulheres confundem os sintomas de outras infecções ou mesmo de alergias vaginais com candidíase e se automedicam com cremes ou outros medicamentos inadequados que usou antes. Eles podem até representar alívio, ao melhorar os sintomas, mas na verdade estão mascarando a doença que vai reaparecer lá na frente."
Alguns cuidados com a alimentação e os hábitos de vida podem ser estratégicos para quem tem problemas de repetição com a candidíase. A ginecologista Iara Linhares aconselha suas pacientes a diminuir o consumo de carboidratos e açúcar e de alimentos ácidos, álcool e cigarro neste caso. O uso de papel higiênico perfumado e de absorventes internos são absolutamente contra-indicados. Quem faz atividade física com regularidade deve usar malhas e calcinha de algodão durante os exercícios.
Fonte: www2.uol.com.br