Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Capitalismo - Página 3  Voltar

Capitalismo

O capitalismo, ao longo do processo histórico, apresentou três estágios, que seriam o capitalismo comercial, industrial e financeiro.

O capitalismo comercial estruturava-se na circulação de mercadorias. Entre os Séculos XVI e XVIII, a divisão internacional do trabalho apresentava-se polarizada pelas potências comerciais européias, e a periferia preenchida pela Ásia, África e América, formando uma rede de fluxos mundial.

O capitalismo industrial estruturava-se na produção de mercadorias. No Século XIX, a Inglaterra (nação pioneira neste processo) e a Europa Ocidental foram abarcadas pelo processo de Industrialização e uma nova divisão internacional do trabalho foi gerada.

O capitalismo financeiro estrutura-se nos mercados de capitais. No Século XX, a união entre o capital bancário e a indústria, particularmente após a 2ª Guerra Mundial, levou a formação de uma nova divisão internacional do trabalho.
Magnoli (2002), apoiado em Arrighi (1996), defende o conceito de ciclos sistêmicos, como se pode observar na passagem:

“Os quatro ciclos arrighianos são denominados a partir dos componentes centrais do sistema: Gênova, Holanda, Grã-Bretanha e EUA. O ciclo genovês estende-se entre o Século XV e o início do Século XVII; o ciclo holandês, entre o fim do Século XVI e o Século XVIII; o ciclo britânico, entre o fim do Século XVIII e o início do Século XX; o ciclo americano, desde o final do Século XIX” (p. 57).

Neste trabalho, o escopo nos restringe a análise do denominado ciclo americano. O grande evento que possibilitou a consolidação do ciclo americano trata-se da Conferência de Bretton Woods. A transição do padrão ouro para o padrão dólar foi um evento relevante na formação efetiva da hegemon dos EUA. De acordo com Magnoli (2002):

“Entre 1850 e 1914, o fluxo de capitais britânicos para os Estados Unidos – em investimentos e empréstimos – somou 3 bilhões de dólares. Neste período, os EUA remeteram à Grã-Bretanha, como pagamento de juros e dividendos, cerca de 5 bilhões de dólares. Contudo, durante a Primeira Guerra Mundial, a demanda britânica por armamentos, matérias-primas e bens-de-capital foi suprida, parcialmente, pelos Estados Unidos. Como resultado, no final do conflito, a república americana tinha se tornado credora da Grã-Bretanha. Além disso, durante a guerra, os investimentos americanos tinham tomado o lugar dos britânicos na América Latina e em parte da Ásia” (p. 60).

O período de 1901-1950, de acordo com Hobsbawn, conhecido como “Era da Catástrofe” foi ajustado a partir da Conferência de Bretton Woods. De acordo com Mattos (1998):

“As negociações de Bretton Woods representam o triunfo de coordenação e planejamento sobre os ideais do Laissez faire, que tinham sido hegemônicos até o período da Grande Depressão do entre-guerras” (p. 45).

Após a 2ª Guerra Mundial, os EUA detinham 70% das reservas internacionais de ouro, o que legitimou as decisões tomadas em Bretton Woods.

A Conferência de Bretton Woods (1944) determinou que o dólar a partir de então se tornava a moeda-referência para as reservas financeiras dos países e nas trocas comerciais. Destaca-se que até a URSS utilizou o dólar como moeda de reserva das suas riquezas.

A Conferência consolidou a Hegemon dos Estados Unidos, dentro da perspectiva da Teoria da Estabilidade Hegemônica do Capitalismo. A Hegemon apresentava-se relacionada aos aspectos industrial, militar e financeiro.

Bretton Woods teve o representante da Inglaterra (Sir. Keynes) e o representante dos EUA (Dexter White) formulando hipóteses para a continuidade e crescimento das políticas econômicas internacionais. De acordo com Mattos (1998):

“O principal ponto a unir a concepções de Keynes e White era, fundamentalmente o reconhecimento da falência de forças de livre mercado em sustentar o crescimento econômico e, portanto, a necessidade de criação de uma nova ordem financeira internacional que pudesse disciplinar os movimentos de capitais, a paridade entre moedas e os fluxos internacionais de bens (e serviços). Os mecanismos criados deveriam evitar os dois principais efeitos disruptivos da ordem econômica mundial vigente no entre-guerras, a saber, a extrema mobilidade de capitais entre países e a adoção de recorrentes desvalorizações cambiais competitivas entre os países, como recurso desesperado de defesa contra a depressão econômica que se abatera sobre a maioria deles nas décadas de 20 e 30” (p. 46).

No entanto, os economistas divergiam em alguns aspectos. White propôs a criação de um Fundo de Estabilização, que deveria oferecer recursos para os países, garantindo a reconstrução. Keynes defendeu a criação do Clearing Union, um Banco Central internacional, que seria o responsável pela emissão de moedas que serviriam como referência internacional. O economista inglês tinha temor que a deflação dos anos 20 e 30 voltasse a atuar. Destaca-se também que Keynes buscava desconcentrar a hegemonia dos EUA.

Mattos (1998) analisando a função das organizações supranacionais sinaliza que: “o problema do FMI não é o seu poder excessivo, mas sua deplorável submissão ao poder e aos interesses dos EUA” (p. 48).

As principais conseqüências de Bretton Woods foram a utilização do padrão dólar (US$ 35 por onça de ouro), a paridade fixa entre moedas (- 10% < X < 10%), atingindo este patamar máximo, para mais ou para menos, apenas com o consentimento do FMI.

Bretton Woods oficializa o duplo papel do dólar no cenário internacional, a atuação como reserva monetária e a função de moeda de crédito.

Outro mecanismo do pós-guerra foi o Plano Marshal (1948-52). De acordo com Mattos (1998):

“A construção promovida pelos recursos transferidos pelo Plano Marshall baseou-se fundamentalmente na recuperação dos mercados internos dos países, embora tenha sido bastante considerável a expansão do comércio internacional neste período” (p. 51).

Após a 2ª Guerra Mundial, nota-se a atuação das organizações supra-nacionais recém-criadas. Estas possuíam o papel de promover o crescimento econômico. E conseguiram atingir tal êxito.

O período de 1949-1973 ficou conhecido como os “anos dourados” do capitalismo, um período de exceção da História do Capitalismo, pois se visualizou todos os benefícios que este modelo pode apresentar em detrimento da suavização de seus problemas estruturais.

O ciclo virtuoso dos anos dourados se estruturou a partir da sinergia entre os aumentos de produtividade, dos salários reais e da geração de empregos. Mattos (1998) define os anos dourados como:

“a associação de fatores técnico-produtivos (oligopolização dos mercados, ganhos de escala, investimentos frente à demanda, preços rígidos à baixa, rentabilidade e produtividade crescente nos setores líderes, vendas em ascensão) com fatores políticos (salários reais crescentes, definidos no âmbito das negociações coletivas entre capital e trabalho), fatores sociais (Estado transferindo renda para os excluídos do mercado de trabalho organizado e investido na área social) e institucionais (moeda-crédito internacional estável e abundante) gerou um ciclo virtuoso de crescimento durante mais de vinte anos, com maior intensidade ainda nos países que estavam fazendo o ‘cathing up’” (p. 54).

No final dos anos 60, as medidas de Bretton Woods perdiam valor paulatinamente. Este período de agitação recebeu o nome de “Dilema de Triffin”, que de acordo com Mattos (1998):

“A expansão da liquidez internacional estaria limitada pela perda de confiança dos agentes econômicos na conversibilidade do dólar em ouro, dada a crescente desproporção entre as reservas em dólar dos paises e os estoques americanos em ouro” (p. 57).

As duas décadas após Bretton Woods foram marcadas pelo destacado desenvolvimento industrial e a formação de uma sociedade de consumo de massa nos países europeus e no Japão.

Em agosto de 1971, o presidente dos EUA Richard Nixon finaliza a conversibilidade do dólar em ouro. Destarte, o dólar desaparece do cenário econômico como agente do sistema monetário internacional. E esta medida de Nixon demonstrou o poder do dólar, pois este se manteve como moeda-referência internacional.

A concorrência com a produção japonesa e alemã vem apresentando entraves na economia dos EUA. Para Mattos (1998):

“O déficit da balança comercial dos EUA é uma demonstração de desgaste da economia americana e mais um impulsionador da perda de credibilidade da moeda americana como referência de valor das reservas de diversos países” (p. 59).

O desmantelamento do modelo fordista mina a continuidade dos anos dourados. Mattos (1998) diz que:

“Muitos acordos coletivos deixaram de ser renovados e os salários, diante da nova realidade, deixaram de ser vistos como fonte de demanda global e passaram a ser encarado como custo pelas empresas. Esta reversão da expectativa e as mudanças de mentalidade, geradas pela nova conjuntura, representaram a falência da perspectiva ‘keynesiana’ que predominou durante os ‘anos dourados’” (p. 60).

Há a importância em diferenciar os capitalistas dos Estados Nacionais. De acordo com Harvey (2005):
“Em primeiro lugar, as motivações e os interesses dos respectivos agentes divergem. O capitalista que dispõe de capital financeiro deseja aplicá-lo onde quer que possa haver lucro, e tipicamente busca acumular mais capital.

Os políticos e homens de Estado buscam tipicamente resultados que mantenham o aumentem o poder de seus próprios Estados diante de outros Estados.

O capitalista procura vantagens individuais (embora de modo geral sujeito a restrições legais) só é responsável perante seu círculo social imediato, ao passo em que o homem de Estado procura vantagens coletivas, vendo-se restringido pela situação política e militar de seu Estado, sendo em algum sentido responsável perante uma comunidade de cidadãos ou, o que é mais freqüente, perante um grupo da elite, uma classe, uma estrutura de parentesco ou algum outro grupo social.

O capitalista opera no espaço e tempo contínuos, enquanto o político opera num espaço territorializado e, ao menos nas Democracias, no âmbito de uma temporalidade ditada por um ciclo eleitoral.

Por outro lado, as empresas capitalistas vêm e vão, mudam de localização, se fundem entre si ou encerram as operações, mas os Estados são entidades de vida longa, não podem migrar e, exceto em circunstâncias excepcionais de conquista geográfica, estão confinados a fronteiras territoriaisfixas” (p. 32).

No entanto, os capitalistas devem acompanhar as decisões tomadas pelos Estados. A estrutura monetária e fiscal, dentre outras medidas que caracterizam o poder do Estado, formam o cenário de acumulação de capital.

Arrighi (1996) apud Harvey (2005) diferencia também o conceitos de liderança e supremacia, sendo:
“A supremacia de um grupo ou, no caso, de uma nação-Estado pode... manifestar-se de duas maneiras: como ‘dominação’ e como ‘liderança moral e intelectual’.

Um grupo social domina grupos antagônicos, que ele tende a ‘liquidar’ ou a subjugar, talvez mesmo pela força armada; ele lidera grupos afins ou aliados (...) um Estado dominante se torna o ‘modelo’ a ser emulado por outros Estados e os atrai assim para o seu próprio curso de desenvolvimento...

Isso pode aumentar o prestígio, e por conseguinte, o poder do Estado dominante..., mas na medida em que obtém algum grau de sucesso, essa emulação tende a contrabalançar e, portanto, antes a reduzir do que a aumentar o poder do hegemon, ao trazer à existência competidores do hegemon e reduzir o que há nele de ‘especial’ (...) o fato de um Estado dominante conduzir o sistema de Estados numa direção desejada e, ao fazê-lo, ser majoritariamente percebido como voltado para a promoção de um interesse geral. A liderança nesse sentido aumenta o poder do Estado dominante” (p. 39).

Nos últimos 50 anos, os EUA têm atuado, principalmente, a partir de medidas coercitivas tanto interna quanto externamente, no que diz respeito as suas estratégias de dominação. Pode-se destacar o macartismo e mais recentemente, a aprovação da “Lei Patriota”, na escala nacional. Na escala global, o apoio a golpes militares, e mais recentemente, a política de ataque preventivo, em alta no governo Bush, tem atuado em países com regimes vistos como de exceção, como o sistema de Saddam Hussein no Iraque.

Immanuel Wallerstein no seu artigo: “Mundialização ou a Era de Transição? Uma visão de longo prazo da trajetória do sistema-mundo”, explica as fases A (1945-1973) e B (1973 até os dias de Hoje) do ciclo do Kondratieff.

Wallerstein analisa a fase A do ciclo do Kondratieff como sendo correspondente ao que os autores da escola francesa denominam de “os 30 anos gloriosos”, igualando com a fase de apogeu e hegemonia mundial dos Estados Unidos após o firmamento da nova ordem mundial pós-1945, que ocasionou da boa situação dos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial (1939-45), pois este país foi a única potência industrial que terminou a guerra de maneira praticamente intacta, ao analisar potencial e território.

Os Estados Unidos, através da formação de instituições e acordos internacionais, resolveram um de seus principais problemas para a consolidação de sua hegemonia: a concretização da ordem mundial estável.

Outra dificuldade a ser solucionada diz respeito à formação de uma demanda que assegurasse o escoamento da crescente produção dos Estados Unidos. A deliberação para esta dificuldade foi conquistada com o plano Marshall (1947) para a Europa Ocidental, assim como uma ajuda equivalente para o Japão (Plano Colombo) após a Guerra da Coréia (1950-53).

No bojo da Guerra Fria (1945-91), os Estados Unidos se aproveitam para aproximar seus vínculos econômicos a partir de alianças militares.

Mesmo com o expressivo número de países que, de nenhuma forma, foram beneficiados com as políticas estadunidenses, como os países de Terceiro Mundo (que se reúnem na Conferência de Bandung – 1955), os Estados Unidos, de maneira geral, não tiveram grandes entraves para a concretização de sua hegemonia nessa fase A.

Na fase B, Wallerstein começa sinalizando um relevante evento que foi o aumento do preço do petróleo pela Organização dos Países Exportadores do Petróleo (Opep, criada em 1960), onde os principais países exportadores de petróleo formaram um cartel, aumentando, de forma abrupta, o preço do petróleo. Este evento poderia ser analisado como de grande efeito para que países do Terceiro Mundo pudessem fazer frente aos países desenvolvidos, entretanto, considerando que tal ação só ocorreu após a aprovação de dois grandes aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio: Arábia Saudita e Irã. Pode-se analisar este evento como positivo para os países desenvolvidos.

Após o aumento do preço do barril de petróleo, tem-se como efeito cascata que a elevação dos preços de quase todos os produtos, e ainda, resultou na diminuição da produção, se destacando como um fato positivo para o entrave causado pela superprodução.

Os países que necessitavam exportar matéria-prima para a conquista de renda enfrentaram severos obstáculos econômicos, sobrecarregados pelo encarecimento das importações. O elevado preço do barril do petróleo favoreceu os países produtores, e também os conglomerados petrolíferos.

A partir do superávit de capital, os países produtores de petróleo ampliaram suas despesas, principalmente com a importação de produtos vindos dos países desenvolvidos. E ainda, parte deste capital foi depositado em bancos, com destaque para os estadunidenses e alemães, que passaram a dispor de capital excedente, oprimindo os países que estavam sofrendo com a crise para que estes contraíssem capital em elevadas cifras, com juros.

Com isso, o Japão e a Europa começam a se destacar globalmente, diminuindo a hegemonia dos Estados Unidos, que procurou, através de uma série de medidas manter sua hegemonia em patamares sublimes, porém, não conseguiu grande eficácia.

Nos anos 80, se estabelece um estágio de modificações no cenário global. Destacam-se quatro fatores principais. Em primeiro lugar, o desponte da crise da dívida externa em países de diversas partes do planeta.

Em segundo lugar, a rápida ascensão do Japão, dos tigres asiáticos, do sudeste asiático e da China continental. Em terceiro lugar, a política estadunidense do “keynesianismo militar” que finalizou com a recessão nos Estados Unidos devido a grandes empréstimos tomados, principalmente do Japão. Em quarto lugar, o estouro de empréstimos contraídos por grandes empresas com o intuito de conquistar os lucros do capital especulativo de curto prazo em oposição aos investimentos produtivos. Sem se referir ao extremo oriente, a economia global enfrentava um colapso.

Sob esta perspectiva, e mesmo com diversas medidas, a União Soviética (que surge em 1922) chegou ao fim (em 1991). O “boom” do endividamento mundial acarretou em uma crise, nos anos 90 no mercado imobiliário japonês, diminuindo em larga escala o valor dos títulos.

Com a queda da União soviética (1991), os Estados Unidos perpassam um grande infortúnio com a invasão do Kwait (1991) pelo Iraque. Os Estados Unidos que enfrentavam problemas (tanto financeiro, como militar) passam pelo crivo da sociedade civil organizada após a sua intervenção.

A partir da criação do euro (2000), a Europa demonstra que caminha no sentido da sua unificação e para desarranjar os laços que a deixavam bem próxima aos Estados Unidos.

No bojo destes eventos ocorre a chamada crise asiática, que foi agravada com a desastrosa atuação do FMI (criado em 1944), desencadeando na propagação da deflação no Extremo Oriente e na zona de influência, seguido pela Rússia e pelo Brasil. Concluindo, portanto a análise da fase B dos ciclos de Kondratieff por Wallerstein.
A globalização financeira limita as decisões de política econômica imbuídas na escala nacional para que ocorra a geração de empregos e a segurança no trabalho.

A globalização financeira começa a se desenvolver no espaço deixado pela crise da sociedade industrial. Para Mattos (1998):

“a forma D-D’ adquire peso cada vez mais importante, suplantando a importância clássica da forma D-M-D’ (Marx, 1968), pela qual a valorização do capital implicava o emprego de equipamentos e bens de capital e, portanto, o emprego de mão-de-obra para a extração da mais valia” (p. 64).

A globalização financeira acarreta na perda de arrecadação pelos Estados, diminuindo o seu poder de atuação. Neste sentido, as políticas de geração de empregos se deslocam das atribuições do Estado para a participação do capital privado, que muitas vezes opta pela realização de investimentos financeiros.

Pode-se analisar o neoliberalismo como ausência de projeto para a construção de uma nova ordem mundial. Para Vizentini (1992):

“O próprio neoliberalismo levanta hoje dúvidas, pois para um número crescente de estudiosos apresenta-se muito mais como a falta de um projeto novo. Historicamente, a ‘volta as raízes’ foi sempre uma decorrência da ausência de perspectivas para o futuro.

Em nenhuma outra época deste século os dirigentes conservadores atuaram tão intensamente através de políticas de curto prazo como agora, ainda que camuflando as táticas conjunturais como estratégias de longo alcance” (p. 224).

Uma das estratégias realizadas tem sido a reunião (e não ampliação) dos mercados, na tentativa de compensar a diminuição do consumo em cada país. A formação de megablocos econômicos sinaliza para tal assertiva.

A situação econômica dos Estados Unidos apresenta-se entrelaçada com as indústrias do setor bélico. Neste sentido, Vizentini (1992) diz que:

“Ao desaparecer o inimigo externo (o socialismo), os antagonismos sociais oriundos das profundas e crescentes desigualdades, e que antes eram abafadas pelas tensões internacionais, reaparecem e são reinteriorizados com características fortemente irracionais. É o fim do consenso doméstico. A solução que se esboça é manter vivos os mecanismos de repressão interna típicos da Guerra Fria, redirecionando simultaneamente a ação exterior contra novos inimigos ‘reais ou forjados’” (p. 228).

Com a derrocada da hegemon dos EUA, um grupo de países começa a se destacar de forma incisiva. Para Magnoli (2002):

“As potências econômicas passaram a coordenar suas políticas de câmbio por meio de reuniões anuais do Grupo dos 5 – Estados Unidos, Japão, Alemanha, França e Grã-Betanha – que, depois, agregou a Itália e o Canadá, tornando-se o atual G-7. Esta coordenação da política cambial jamais evitou instabilidades e oscilações mas, no conjunto, o governo das maiores economias revelaram-se capazes de evitar o precipício de guerras comerciais e retaliações protecionistas” (p. 56).

Para finalizar, conclui-se que na atual (des) ordem econômica mundial inexistem mecanismos que possibilitem o crescimento econômico sustentado, a melhoria na distribuição de renda e o desenvolvimento dos indicadores sociais. Além disso, a hegemonia do sistema capitalista está em aberto, sendo alvo de disputa pelas principais potências do planeta.

Referências Bibliográficas

HARVEY, D. O Novo Imperialismo. Rio de Janeiro, 2005. pp.: 31-76.
MAGNOLI, D. Relações Internacionais: Teoria e História. São Paulo: Editora Saraiva, 2002. pp.: 50-63.
MATTOS, F. A. Retrospectiva Histórica do processo de Globalização Financeira. São Paulo: Cultura Vozes, jan/fev. 1998. pp.: 43-70.
RAMONET, I. O Pensamento Único e os Regimes Globalitários. In: FIORI, J. L. (et alli). Globalização: o fato e o mito. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1998. pp.: 54-75.
VIZENTINI, P. G. F., RIBEIRO, L. D. T. A transição para uma Nova Ordem Internacional. pp.: 223-237.

Rafael Coelho

Fonte: www.mundovestibular.com.br

Capitalismo

Conceito

Sistema econômico em que os meios de produção e distribuição estão sob domínio de particulares ou empresas e o desenvolvimento é proporcionado pelo acúmulo e reinversão dos lucros obtidos.

influência ou predomínio do capital, do dinheiro; regime onde os meios de produção pertencem a sociedades privadas ou a particulares.

Origem

O capitalismo tem seu início na Europa. Suas características aparecem desde a baixa idade média (do século XI ao XV) com a transferência do centro da vida econômica social e política dos feudos para a cidade. O feudalismo passava por uma grave crise decorrente da catástrofe demográfica causada pela Peste Negra que dizimou 40% da população européia e pela fome que assolava o povo. Já com o comércio reativado pelas Cruzadas(do século XI ao XII), a Europa passou por um intenso desenvolvimento urbano e comercial e, conseqüentemente, as relações de produção capitalistas se multiplicaram, minando as bases do feudalismo.

Na Idade Moderna, os reis expandem seu poderio econômico e político através do mercantilismo e do absolutismo. Dentre os defensores deste temos os filósofos Jean Bodin("os reis tinham o direito de impor leis aos súditos sem o consenti mento deles"), Jacques Bossuet ("o rei está no trono por vontade de Deus") e Niccòlo Machiavelli("a unidade política é fundamental para a grandeza de uma nação"). Com o absolutismo e com o mercantilismo, o Estado passava a controlar a economia e a buscar colônias para adquirir metais(metalismo) através da exploração. Isso para garantir o enriquecimento da metrópole. Esse enriquecimento favorece a burguesia - classe que detém os meios de produção - que passa a contestar o poder do rei, resultando na crise do sistema absolutista.

Com as revoluções burguesas, como a Revolução Francesa e a Revolução Inglesa, estava garantido o triunfo do capitalismo. A partir da segunda metade do século XVIII, com a Revolução Industrial, inicia-se um processo ininterrupto de produção coletiva em massa, geração de lucro e acúmulo de capital. Na Europa Ocidental, a burguesia assume o controle econômico e político. As sociedades vão superando os tradicionais critérios da aristocracia (principalmente a do privilégio de nascimento) e a força do capital se impõe. Surgem as primeiras teorias econômicas: a fisiocracia e o liberalismo. Na Inglaterra, o escocês Adam Smith (1723-1790), precursor do liberalismo econômico, publica uma Investigação sobre as naturezas e causas da riqueza das nações, em que defende a livre-iniciativa e a não-interferência do Estado na economia. Deste ponto, para a atual realidade econômica, pequenas mudanças estruturais ocorreram em nosso fúnebre sistema capitalista.

No século XIV e XV, desencadeia-se o processo de decadência do feudalismo, com crise econômica, crise política e religiosa em toda a Europa. A sucessão de crises do final da Idade Média provocou mudanças estruturais na sociedade européia. A Europa precisava crescer economicamente. Expandir-se. Buscar novas soluções para seus problemas internos. Foi no sistema capitalista nascente que se encontraram as soluções para atender muitas dessas necessidades.

O desenvolvimento do capitalismo foi impulsionado pela expansão marítimo-comercial da Europa, nos séculos XV e XVI. Resultaram do descobrimento de novas rotas de comércio para o Oriente e a conquista e colonização da América.

Fatores que concorreram para a expansão e comercial européia.

Mercantilismo

O termo é aplicado às doutrinas e práticas econômicas que vigoram na Europa de meados do século XV a meados do século XVIII. Essas práticas econômicas variavam de país para país, mas tinham em comum o objetivo de fortalecer o Estado e a burguesia na fase de transição do feudalismo para o capitalismo -- período das acumulações primárias nos Estados modernos. Acumulação primária - expressão que designa as primeiras acumulações de riquezas (ou capitais) necessárias ao surgimento do capitalismo. Obtidas principalmente com práticas mercantilistas, transformaram países em grandes potências capitalistas.

Princípios Mercantilistas:

Metalismo - riqueza de um Estado era mensurado pela quantidade de metais preciosos que possuía.

Balança Comercial Favorável - outro meio de promover o enriquecimento do Estado. Neste caso as exportações deveriam superar as importações.

Protecionismo - para a balança comercial fosse favorável, o Estado deveria incentivar a produção de artigos (principalmente manufaturados) que pudessem competir vantajosamente no exterior.

Intervencionismo Estatal - para a concretização das idéias mercantilistas, o Estado deveria interferir na economia empregando diversos meios como: tarifas alfandegárias, estímulo às empresas, controle sobre os preços etc.

Surgiu um choque entre de interesses econômicos entre países mercantilistas, tendo como solução a dominação colonial. Tendo como êxito, o colonialismo.

Na Inglaterra, o poder do rei passou a ser limitado pelo parlamento, devido a revolução gloriosa. A monarquia adquiriu um caráter constitucional, tendo em vista a garantia das liberdades individuais. Desenvolveu-se, assim, o Estado liberal (estado onde a ação do rei é limitada por leis) no qual havia três poderes distintos: legislativo, executivo e judiciário.

Avanço Capitalista

Avanço capitalista -- a Inglaterra rompeu definitivamente com o sistema feudal, abrindo espaço para o avanço do capitalismo. Promoveu medidas como a transformação da estrutura agrária, a modificação das relações trabalhistas no campo, o aperfeiçoamento da técnica de produção. Estabeleceu-se um acordo político e econômico entre a burguesia das cidades e a nobreza rural: as duas classes promoveram o desenvolvimento econômico inglês, e o país tornou-se a maior potência comercial da época. Lançavam-se as bases para o desenvolvimento do capitalismo industrial.

Capitalismo Comercial

A interação econômica do capitalismo comercial foi conseqüência da expansão marítima que ocorreu entre o final do século XV e meados do século XVII, promovida pelas potências européias.

O capitalismo comercial estruturou-se principalmente no século XVI, com base na doutrina econômica mercantilista, que se apoiava na crença de que o comércio era grande fonte de riqueza das nações, tal crença explica o esforço de vários países da Europa-- entre os quais Portugal e Espanha, no sentido de promover a expansão das rotas marítimas em direção aos preciosos mercados da Ásia, África e América. Para cada um desses mercados, no entanto os objetivos variavam.

No caso asiático, o comércio centrou-se na compra de mercadorias muito valorizadas na Europa, como seda e especiarias;

No caso africano, comércio baseou-se na escravidão de seres humanos, vendidos como se fossem mercadorias nos grandes mercados de escravos da América Colonial.

No caso americano, o comércio voltou-se para os metais preciosos e os produtos agrícolas tropicais como algodão e açúcar - das colônias européias implantadas no continente.

Nessa fase do capitalismo, o processo de integração econômica do planeta foi bastante superficial, isso aconteceu por ele ter se processado exclusivamente no campo das relações comerciais, envolvendo especialmente as grandes empresas de comércio européias e os centros fornecedores de mercadorias valiosas.

Capitalismo Industrial

O capitalismo industrial funcionou como regime econômico de sustentação da primeira fase da Revolução Industrial que começou no Reino Unido - na segunda metade do século XVIII - e foi marcado pela implantação de métodos que dinamizaram de forma extraordinária o processo produtivo dos artigos manufaturados.

Essa dinamização tornou-se possível, entre outros fatores, pela utilização de máquinas movidas a vapor, gerado a partir da queima de carvão mineral, a grande fonte de energia dessa fase da Revolução Industrial.

Do ponto de vista ideológico, essa fase da Revolução Industrial baseou-se nas convicções da doutrina liberal. Entre essas convicções destacava-se a de que a eficiência econômica só poderia alcançar sua plenitude com o livre mercado. Essa convicção explica inclusive porque os pensadores liberais propunham, a qualquer custo, a minimização da interferência do Estado na economia.

Como resultado das transformações promovidas pelas relações comerciais no período, definiu-se no planeta uma divisão internacional do trabalho. É nesse contexto que de desenvolve o processo de globalização da economia. Essa divisão se caracterizava em linhas gerais, por uma relação de interdependência entre os centros industriais das grandes potências e os territórios fornecedores de matérias-primas - as colônias da América, da Ásia e da África.

Capitalismo Financeiro

Os investimentos multinacionais desses conglomerados foram realizados já com base na divisão internacional do trabalho que se estabelecera no período anterior, na qual se distinguia a presença de dois grupos de países: os que forneciam matérias-primas e os que compravam essas matérias-primas para serem utilizadas na produção industrial.

Por isso, tais investimentos foram direcionados principalmente para setores que fortaleciam essa relação (entre centros produtores de matérias-primas e os centros industriais das grandes potências), caso daqueles relacionados com a implantação de infra-estrutura básica, como nos setores de transporte, energia e comunicação.

Em outras palavras, os investimentos realizados pelos grandes conglomerados buscavam principalmente viabilizar a exploração das matérias-primas nos centros produtores que as forneciam, ou poderiam fornecer, para as potências que se industrializavam.

Nesse caso incluía-se, entre outras obras de infra-estrutura, a construção de ferrovias, portos, canais, usinas produtoras de energia elétrica e redes de telégrafo nos países da América, Ásia ou África, onde se localizavam esses centros.

Essa fase do capitalismo foi marcada pelo avanço do imperialismo no mundo, sob o comando das potências que se industrializavam. Resultou na partilha e colonização do continente africano. Na Ásia, além dos europeus (especialmente ingleses e franceses), participaram também os norte-americanos e os japoneses.

A segunda revolução industrial e seus reflexos na economia mundial

O capitalismo financeiro ou monopolista foi implantado no âmbito de uma disputa econômica do regime capitalista: a grande concentração do capital nas mãos de algumas empresas, que acabaram controlando a produção e a oferta de diversos bens e serviços.

Assim, nessa nova etapa do capitalismo o controle da produção de bens e serviços deixou de ser um processo pulverizado e concentrou-se nas mãos de grandes empresas, estruturadas sob a forma de sociedades anônimas.

Esta etapa do capitalismo - embora tenha se manifestado como nova realidade desde o século XIX - solidificou-se após a Primeira Guerra Mundial, quando essas empresas passaram a controlar diferentes setores de atividades de seu produto final, sendo desde a produção de matérias-primas até as ferrovias, utilizadas para escoar seus produtos.

Esses conglomerados econômicos assumiam a forma de trustes (empresas que detêm ou monopolizam isoladamente grande parte da produção e do mercado consumidor e cartéis). Isso implicava no fim do livre comércio nos moldes proposto pelo liberalismo clássico.

Os mecanismos econômicos estabelecidos pelos princípios ideológicos do livre comércio ficaram bastante enfraquecidos.

Crise de 1929

A crise de 29, que começou nos Estados Unidos e se estendeu pelo mundo todo.

Fatores que levaram à crise:

a excessiva austeridade monetária do governo norte-americano na década de 20 - o enxugamento dos recursos financeiros internos provocou a diminuição da quantidade da moeda corrente no mercado para comprar produtos.

superprodução - o mercado consumidor não era capaz de absorver a produção resultou na diminuição da produção e ao desemprego.

onda de especulação nas bolsas de valores - os investidores eram atraídos por lucros que não eram gerados no sistema produtivo, comprava ações com a certeza de que outros comprariam as ações por um preço mais elevado.

Em outubro, ocorre a quebra da bolsa de valores de New York, período inicial de recessão e desemprego, afetaria o mundo inteiro. Essa crise só foi solucionada com a segunda guerra mundial. O capitalismo tende a solucionar seus problemas econômicos com guerras demonstrando-nos sua racionalidade transcendental.

1950 - 1960

A intensificação do processo de globalização da economia capitalista nos anos de 1950 e 1960 inicia-se:

por iniciativa norte-americana - de planos de ajuda econômica -- como o Marshall na Europa e o plano Colombo na Ásia.

através da expansão do processo de internacionalização das grandes empresas multinacionais -- primeiramente norte-americanas seguidas das européias.

Esse avanço foi realizado no contexto:

da crise do modelo imperialista que obrigou as potências organizarem novas formas de domínio econômico sobre o mundo.

a necessidade dessas empresas de buscarem novas alternativas para expandirem seus lucros.

Fundo Monetário Internacional (FMI)

Sede em Washington, objetivos intensificar o comércio entre os países e tentar corrigir possíveis distorções nas economias dos países membros. Seus recursos são oriundos das potências econômicas, que decidem as regras, sendo assim, um instrumento de dominação, exploração e pressão sobre os países que precisam desses recursos.

Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD)

Com sede em Washington, tem como objetivo: a concessão de empréstimos aos países que necessitam expandir sua economia. Como acontece com o FMI, as grandes potências detêm o controle dessa organização financeira internacional. Funcionou como um dos pólos de incremento ao processo de globalização da economia capitalista, pois seus empréstimos são acompanhados de uma série de exigências de modificação da estrutura econômica dos países por ele beneficiados, que são sempre articuladas com os interesses das grandes empresas multinacionais.

1970 - 1980

Os anos 1970 e 1980 foram marcados por uma série de crises e transformações que acabaram determinando o fim da ordem mundial bipolar imposta pelos Estados Unidos e pela União Soviética logo após a Segunda Guerra Mundial.

Entre essas crises que ocorreram nesse período podemos citar:

No mundo capitalista

A crise que atingiu os Estados Unidos nos anos 1970. Essa crise encurtou a distância entre a riqueza de sua economia e a das demais potências emergentes do planeta, como o Japão e a Alemanha.

No o mundo socialista

O processo de estagnação econômica que, nos anos 1970 e 1980 atingiu a União Soviética, perdendo o posto de segunda potência econômica para o Japão.

Essas transformações foram acompanhadas de outras importantes:

Área econômica

Um grande aumento da distância entre o potencial econômico das potências dos demais países.

Área político-social

Verificou-se o esgotamento do modelo keysiano; nos países capitalistas, o Estado não era capaz de sustentar os gastos exigidos pelo bem-estar social.

Neoliberalismo

Neoliberalismo -- minimização da interferência direta do Estado na dinâmica socioeconômica de um país. Seus defensores acreditam que o mercado livre é a única forma de atingir a máxima eficiência econômica, incluindo na melhora das condições sociais.

Atualmente os fatos decorridos desta política econômica são:

Fonte: www5.autistici.org

voltar 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 avançar
Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal