Enquanto o novo forte era construído, os marinheiros fabricavam um bergantim e o Provedor da Armada Henrique Montes foi encarregado de obter mantimentos suficientes para uma viagem prevista para durar mais de dois anos, enquanto Henrique Montes convencia aos nativos a fornecer grandes quantidades de alimentos, Martins Afonso de Souza decidiu enviar um pequeno destacamento com a missão de explorar o interior da região, que após uma árdua jornada de sessenta léguas pelas escarpadas de uma grande serra os expedicionários chegaram a uma aldeia de um grande rei que recebeu os estrangeiros com grandes honras e concordou em acompanha-los na jornada de volta até ao Rio de Janeiro, e que ao ser apresentado com todas as formalidades a Martins Afonso de Souza, o chefe indígena deu preciosas informações de que no Paraguai havia muito ouro e prata, e após três meses de permanência no Rio de Janeiro, Martins Afonso de Souza zarpou para o sul ao raiar do dia 1 de Agosto de 1531 e que por sugestão de Henrique Montes, seus navios fundearam em frente a Ilha de Cananeia no litoral sul de São Paulo quase na fronteira com o Paraná, onde o marujo Pedro Annes que vivia de longo data no Brasil foi enviado para vistoriar a região e que após alguns dias retornou trazendo para bordo da nau-capitaneia o misterioso Bacharel de Cananeia e alguns de seus homens que haviam desertado da expedição comandada por Dom Rodrigo de Acuña em 1526.
E do encontro entre Martins Afonso de Souza e os homens do Bacharel de Cananeia, um marinheiro espanhol chamado Francisco Chaves assegurou ao Comandante Martins Afonso de Souza que caso lhe fossem fornecido alguns homens, ele voltaria para aquele porto com alguns escravos carregados de prata e ouro, assim sendo em 1 de Setembro de 1531 Francisco Chaves partiu de Cananeia pela trilha de Peabiru em busca das riquezas do Império Inca em uma expedição chefiada pelo Capitão Pero Lobo.

E logo após a partida da expedição Martins Afonso de Souza mandou colocar um padrão de pedra que eram usados pelos portugueses para sinalizar a posse de territórios conquistados em além mar e partiu de Cananeia em direção ao Rio da Prata que em viagem cruzaram ao largo com o Porto dos Patos e passaram por Porto de Dom Rodrigo e após suplantar as correntes traiçoeiras a frota ancorou no Cabo de Santa Maria, onde se estabelece o inicio do Estuário do Prata onde a armada permaneceu ancorada durante oito dias e dali a expedição segui viagem através do Rio do Prata onde encontrou inúmeras dificuldades devido as terríveis tormentas meridionais que abateram sobre os navios, a naú-capitaneia na qual viajava Martins Afonso de Souza veio a naufragar matando vários homens e perdendo muitas armas e os mantimentos armazenados em seus porões que seriam suficientes para a exploração da Bacia do Prata, porém o infortúnio o forçou a modificar os seus planos, pois ao depararem com um bergantim de cedro que pertencera a expedição de Sebastião Caboto encalhado na praia e de terem recebido auxilio e mantimentos dos nativos Charrua, Martins Afonso de Souza reuniu seus principais pilotos e assessores e decidiu que apenas um pequeno grupo subiria o Rio da Prata sob o comando de Pero Lopes onde ali deveria fincar dois padrões de pedra.
Rota da Expedição de Martins Afonso de Souza
E ao longo da espera do retorno da expedição de Pero Lopes, Martins Afonso de Souza explorou o Estuário do Prata percorrendo a vasta extensão de praias baixa e arenosas quando realizou uma serie de medições astronômicas, e quanto Martins Afonso de Souza explorava a inóspita Costa do Uruguai e do Rio Grande do Sul, Pero Lopes subia o Rio da Prata com seus homens guiados por Henrique Montes até as nascentes do Rio Paraná onde ficaram dois padrões de pedra com os Brasões de Portugal, a jornada de retorno foi muito atribulada, devido as cheias de verão que tinham deixado o rio caudaloso e com muitos redemoinhos que em um dado momento lançou o bergantim em que viajavam contra os rochedos, depois de resgatarem o barco com muita dificuldade, e com um grande atraso em relação ao prazo combinado Pero Lopes reencontrou Martins Afonso de Souza e o restante da expedição em 27 de Dezembro na Ilha das Palmas na foz do estuário de onde partiram de volta para o litoral do Brasil, passando ao largo de Imbituba no sul de Santa Catarina e aportaram em Cananeia e após duas semanas ancorados zarparam para o norte prontos para concretizarem aquela que iria se tornar a principal realização de sua expedição. Em 22 de Janeiro de 1532 Martins Afonso de Souza chegou em um vasto lagamar, em meio ao qual havia diversas ilhas e onde desaguavam vários rios, ali ficava o Porto dos Escravos em São Vicente um ponto estratégico da costa brasileira já há muito conhecido por exploradores portugueses e espanhóis e alguns náufragos e degredados portugueses que viviam explorando o tráfico de escravos que na maioria eram da nação Carijó e prisioneiros de guerra dos Tupiniquim, grandes aliados dos portugueses que chamavam São Vicente de Tumiaru ou lugar de mantimentos em Tupi. E assim que desembarcou na Ilha de São Vicente, Martins Afonso de Souza foi recebido por dois homens brancos que se chamavam João Ramalho e o outro Antônio Rodrigues e de alguns guerreiros bem armados que entre eles se encontravam três caciques Tibiriça e Caiubi que de imediato firmaram uma aliança com Martins Afonso de Souza e de Piquerobi que se manteve arredio e desconfiado com os estrangeiros, eles eram lideres de cerca de vinte e cinco mil Tupiniquim (Tupim-iki ou parentes dos Tupi) cujo territórios tribal se estendiam desde os arredores de Cananeia até Bertioga, Tibiriça o líder da tribo vivia na aldeia de Piratininga na confluência do Córrego Anhangabaú com o Riacho Tamanduatei, Caiubi liderava a aldeia de Jerubatuba ao sul de Piratinga e a leste ficava Ururai a aldeia comandada por Piquerobi e por seu filho Jaguaranho. Líder de uma vasto exercito particular, destemido e desafiador João Ramalho por isto passou a ser consultado por Matins Afonso de Souza e seus assessores a respeito de todo territorio e de todas tribos indígenas que partiam de São Vicente e de Cananeia, e da lenda do Rei Branco e da Serra da Prata.

Martins Afonso de Souza junto com Antônio Rodrigues e João Ramalho partiram a bordo de bergantim em Tumiaru ingressando no vasto lagamar de Morpion até aportarem no ancoradouro de Piaçaguera de Cima na raiz da Serra de Paranapiacaba de onde deram inicio à uma jornada árdua na subida da serra pela trilha dos Tupiniquim até chegarem às nascentes do Rio Tamanduateí sempre guiados por João Ramalho e seus batedores indígenas chegaram à colina no topo da qual se erguia Piratinga; a aldeia de Tibiriçá.
E no retorno de Martins Afonso de Souza para São Vicente ele já estava determinado não só a fundar uma vila à beira mar como a estabelecer um posto avançado no topo do planalto justamente em Piratinga na aldeia de seu aliado Tibiriçá de onde ele pretendia atingir o território do Rei Branco, e para primeira tentativa de implantar a lei e a ordem lusitana no territorio, ele fez diversas distribuição de terras entre os seus homens para constituírem fazendas, criou uma vila na Ilha de São Vicente e outra dentro do sertão e fez nelas oficias e pôs tudo em boa obra de justiça, também iniciou a distribuição de amplas sesmarias tanto no litoral como no sertão cuja cerimônias de doação foram feitas com toda a formalidade. Apesar de, naquele momento estarem sendo destituídos de largas porções de seus primitivos territórios tribais, Martins Afonso de Souza mandou erguer uma fortaleza na Barra de Bertioga no recanto dos Macacos, exatamente nos domínios dos Tupiniquim onde se confrontavam com o territorio dos Tamoios, seus inimigos tradicionais que eram aliados dos franceses.
São Vicente e Piratinga não foram apenas as principais vilas fundadas pelos portugueses no Brasil; foram também os dois primeiros estabelecimentos construídos pelos Europeus na América ao Sul do Equador, suas localizações eram estrategicamente perfeita era a porta de entrada para o sertão, elas ficavam na demarcação de Portugal, quase no limite com a zona que pertencia a Castela e ao fundar Martins Afonso de Souza estava lançando a base a partir da qual os portugueses poderiam tentar a conquista da Costa do Ouro e da Prata

E em 22 de Maio de 1532 após quatro meses ajudando Martins Afonso de Souza a se estabelecer em São Vicente e fundar Piratinga - Pero Lopes foi autorizado a iniciar a viagem de voltar para Portugal; assim sendo com um galeão e uma naú e cinqüenta e seis homens a bordo Pero Lopes partiu de São Vicente e em 25 de Maio a pequena frota chegou ao Rio de Janeiro e dali seguiu para a Baia de Todos os Santos de onde rumou para a Ilha de Santo Aleixo no litoral de Pernambuco em frente a foz do Rio Sirinhaém, que ao chegar avistou fundeada entre aquela ilha e o continente a qual foi imediatamente atacada, e após cinco horas de intensos combates, Pero Lopes venceu o inimigo que ao serem capturados revelaram que um outro grupo de traficantes franceses de pau-brasil haviam tomado e se instalados na Feitoria de Iguaraçu em ação comandada por Jean Duperet comerciante e capitão da naú Peregrina, que na verdade se chamava São Tomé, que havia sido roubada do armador português André Afonso em fins de 1530 na Costa da Guiné e agora pertencia ao nobre francês Berttrand d`Ornesan, Barão de Saint Blanchard, almirante que chefiava a esquadra francesa do mediterrâneo e que estava indignado por ter sido deixado de fora das propinas que o Barão Saint Blanchard obtivera do Rei Francisco I, e no dia 11 de Agosto Pero Lopes chegou à feitoria ocupada pelos franceses onde por três semanas combateu e venceu fragosamente o inimigo, e que logo após tomar o forte mandou enforcar o capitão francês, o Senhor de La Motte sendo que os seus vinte e os quarenta e sete sobreviventes foram levados como prisioneiros para Portugal. Enquanto Pero Lopes e os franceses combatiam ferozmente em Pernambuco, e a naú Peregrina estava sendo aprisionada no Mar do Mediterrâneo pela frota de Antônio Correia, e devido a estes fatos Portugal suspendeu as negociações diplomáticas que mantinha com a França a respeito ao Brasil, e com as noticias enviadas pelo Bispo Dom Martinho para o Rei Dom João III e para Dom Antônio de Ataide relatando-lhe todo o caso da captura da naú Peregrina, deixaram os dois principais mandatários de Portugal indignados e por isto concluíram que nem subornos e ameaças, nem a compra das Cartas de Corso eram artifícios fortes e bastante para impedir o assédio dos franceses no litoral brasileiro, para isto parecia restar uma única solução: Colonizar o Brasil.
Nasceu em 1480 no Algarve, navegante português, fidalgo da Casa Real do Rei Dom Manoel I, em 1516 foi encarregado do policiamento das costas brasileiras em Pernambuco fundou a Feitoria de Itamaracá em Novembro de 1516 quando aportou em uma grande baia ele deu o nome de Baia de Todos os Santos, no Rio da Prata combateu venceu e aprisionou grande número de franceses, foi nomeado por Dom João III como Governador das Partes do Brasil, em 1527 aprisionou três galeões franceses no recôncavo e devido a selvajaria praticada contra os prisioneiros, acabou lhe causando grandes embaraços junto ao Rei Dom João III.
Fonte: www.geocities.com