No século XV os territórios descobertos e conquistados pelos portugueses eram batizados com os nomes das principais mercadorias que podiam ser obtidas na região, desta forma surgiram as designações Costa do Marfim, Costa da Malagueta, Costa dos Escravos e Costa da Mina, por isto Dom João III em 20 de Novembro de 1530 chamou ao Paço de Évora o fidalgo Martins Afonso de Souza para uma reunião onde foi elaborado os planos para a missão de descobrir uma misteriosa serra de prata e tentar conquistar o territorio do lendário rei branco, com trinta anos de idade Martins Afonso de Souza até então nunca tinha sido incumbido de missão tão importante quanto aquela para a qual estava sendo designado, que seria a Costa do Ouro e da Prata.
Ao longo de três décadas que se seguiram à descoberta do Brasil, os lusos tinham deixado virtualmente abandonado as suas terras pois estavam mais interessados em conquistar a Índia e em manter em funcionamento as varias feitorias instaladas na Costa Ocidental da África, porém com o assédio dos traficantes franceses de pau-brasil ao desguarnecido litoral do nordeste do Brasil que cada vez mais estava se tornando mais ostensivos, por isto a coroa portuguesa percebeu que seria preciso enfrentar imediatamente o inimigo. Porém o principal objetivo da expedição era muito mais ousado e ambicioso do que a mera expulsão dos franceses, pois a partir de 1515 com João de Lisboa e em 1516 com Juan Diaz de Solis estes navegadores haviam dado noticia na Europa que em um certo lugar do oeste da América do Sul havia um riquíssimo reino indígena, em um estuário que foi batizado com o nome de Rio de Santa Maria e logo a seguir passou a ser chamado de Rio da Prata e que os portugueses passaram a chamar as porções meridionais do litoral sul americano de Costa do Ouro e da Prata.
Se a costa do Brasil não despertava o interesse dos portugueses, o inverso ocorreu com a misteriosa Costa do Ouro e da Prata cuja conquista se tornou uma obsessão para Portugal e Espanha. Apesar de o Rio da Prata ter sido descoberto por João de Lisboa, coube a integrantes da expedição de Juan Diaz de Solis obter a confirmação da descoberta, Solis fora morto pelos nativos logo ter chegado ao Estuário do Prata e quando as duas caravelas que ele comandava iniciaram a viagem de volta a Europa, um dos navios naufragou na ponta sul da Ilha de Santa Catarina, onde os sobreviventes se instalaram em um pequeno vilarejo que ficou conhecido como Porto dos Patos.

Rei de Portugal que nasceu em 1502 em Lisboa onde faleceu em 1557 era filho de Dom Manoel I subiu ao trono em 1521 decidido a colonizar o Brasil com o objetivo de extrair dessa colônia, através da agricultura os lucros que não mais conseguia obter com o comercio da Índia, sem recursos financeiras suficientes para o financiamento de novas expedições colonizadoras, ele tomou a decisão de aplicar no Brasil em 1534 o sistema de Capitania Hereditária e no ano de 1548 criou o sistema de Governo Geral para o Brasil

E em 1524 um dos sobreviventes o português Aleixo Garcia acompanhado por cerca de duzentos indígenas realizou uma expedição por uma antiga trilha indígena chamada Peabirco até o planalto boliviano onde atacaram e saquearam as cidades fronteiriças do Império Inca, a expedição comprovou que o rei branco de fato existia e chamava-se Huayana Capac e na viagem de volta a Santa Catarina, Aleixo Garcia foi morto as margens do Rio Paraguai pelos temíveis Payagua, e no ano de 1526 o navegador veneziano Sebastião Caboto junto com o naufrago Henrique Montes viajaram durante dois anos percorrendo a bacia do prata e nada encontraram e no ano de 1528 Diego Garcia junto com navegador Sebastião Cobato subiram o Rio Paraná guiados pelo português Gonçalo da Costa onde foram atacados pelos nativos; lutaram contra as correntes, as febres palustres e a fome e não acharam nada de valor por isto em 1529 Diego Garcia resolveu desistir e iniciar sua jornada de volta a Europa, quando aportou em Sevilha em companhia de Henrique Montes derrotado pelo fracasso obtido a sua chegada repercutiu intensamente em Lisboa pois a sua evidente derrota foi saudada por Simao Afonso que era um agente português que se encontrava em Sevilha, que escreveu para Dom João III relatando que Sebastião Cobato havia desembarcado muito desbaratado e pobre, sem ouro e prata ou qualquer coisa de proveito para os que haviam armado sua esquadra, porem assegurava que os sobreviventes da expedição de Sebastião Caboto continuavam acreditando que a região era muito rica em prata e ouro, por isto recomendava que o rei Dom João III tratasse de enviar o mais breve possível uma expedição para o Prata.

Em Portugal o Rei Dom João III desde 1529 já havia iniciado o projeto para o envio de uma expedição ao Brasil e ao ser informado que as explorações de Sebastião Caboto e Diego Garcia haviam sido feitas sob a orientação de náufragos e degredados portugueses, por este motivo determinou que Simao Afonso atraísse Gonçalo da Costa e Henrique Montes para Lisboa.
É em Outubro de 1530 Gonçalo da Costa se avistou com o Rei Dom João III para que guiasse uma expedição à região, apesar dos oferecimentos do rei, acabou não havendo acordo entre o monarca e o degredado, porém em Novembro de 1530 Henrique Montes que já havia morado por mais de quinze anos em Porto dos Patos aceitou a oferta de Dom João III, por isto foi feito Cavaleiro da Casa Real e o nomeou como Provedor da Armada de Martins Afonso de Souza. Ao longo de todo o segundo semestre de 1530 Dom Antônio de Ataide - Conde de Castanheira conduziu tensas negociações diplomatas com os representantes do Rei Francisco I da França sobre os assédios dos traficantes franceses no Brasil, e tendo se convencido de que a ação dos contrabandistas não iria cessar apenas em função dos frágeis acordos diplomatas que fora capaz de obter, Dom Antônio Ataide por isto empenhou-se em convencer Dom João III a enviar uma poderosa armada com a missão de vigiar e punir os invasores franceses. Francisco I estava de tal forma disposta a ignorar as estipulações do Tratado de Tordesilhas que ele nunca se preocupou em reprimir o trafico do pau-brasil que era um vultoso negocio que tinha como principal financiador o mercador Jean Ango o poderoso Visconde de Dieppe, e o choque de interesses precipitara-se em fins de 1529 quando a barca e um galeão de Jean Ango foram capturados pela armada portuguesa nos Açores, em vista disto o Visconde de Dieppe ameaçou declarar pessoalmente guerra a Portugal e bloquear o porto de Lisboa, e para isto em 27 de Junho de 1530 devido as pressões exercidas por Jean Ango sobre o rei Francisco I ele acabou recebendo uma autorização oficial para o exercício da atividade corsária onde poderia atacar embarcações lusos até se ressarcir do seu prejuízo. A atitude do Rei Francisco I deixou Dom João III indignado por isto em Julho de 1530 ele escreveu para o Rei da França uma carta na qual manifestou que considerava a concessão da carta de marca ao Visconde de Dieppe uma guerra manifesta, e aproveitando a estada de Dom Antônio Ataide na França para assistir o casamento de Dona Leonor com o Rei Francisco I e em companhia de Dom Diogo de Gouveia, Dom Antônio de Ataide manteve inúmeras reuniões com os representantes do Rei da França a respeito do litigo entre as duas coroas e após quase um ano de negociações, ele conseguiu contornar o litígio com Jean Ango lhe indenizando o prejuízo causado pela apreensão de seus barcos e na ocasião subornou o Almirante Phillipe Chabot que era o comandante da frota francesa do Atlântico do qual obteve a promessa de que os traficantes de pau-brasil não mais iriam empreender viagens do Brasil e em Novembro de 1530 Martins Afonso de Souza recebeu no Paço de Évora das mãos de Dom João III a carta que lhe concedia amplos poderes para a realização de sua missão que constituíam a autorização a doar terras em sesmarias para os fidalgos que o acompanhava estava encarregado de nomear tabeliães e oficiais de justiça, lavrar autos e tomar posse de todo o territorio brasileiro situado dentro da linha demarcatoria de Tordesilhas. Gonçalo da Costa após recusar o oferecimento de tomar parte na expedição que estava sendo armada em Lisboa, ao chegar na Espanha relatou as dimensões da expedição a Imperatriz Dona Isabel que de imediato enviou os seus protestos formais ao seu irmão o Rei Dom João III, pois a região da prata estava localizada dentro da zona espanhola da demarcação estabelecida em Tordesilhas.

Enquanto as duas coroas travavam uma guerra diplomática a respeito da expedição de Martins Afonso de Souza a mesma partia de Lisboa para o Brasil em Dezembro de 1530 com duas naús, duas caravelas um galeão e mais de quatrocentos homens.
Com objetivo de combater os franceses, fundar fortalezas e explorar o Rio da Prata e de enviar uma missão de reconhecimento ao imenso e misterioso rio que os espanhóis haviam descoberto no norte do Brasil que o havia chamado de Maranon no ano de 1500 e que Francisco de Orellana foi capaz de navegar da nascente à foz e que reabitou de o Rio das Amazonas.
Entre os homens que se fizeram ao mar trinta dois eram fidalgos e muitos mercenários e aventureiros alemães, franceses e italianos e entre eles estava o Capitão Pero Lopes de Souza irmão mais moço de Martins Afonso de Souza em era o responsável pelo diário da expedição, João de Souza, Pero Lobo, Diogo Leite, Baltazar Gonçalves e Vicente Loureço e outros. A travessia do Atlântico transcorreu sem nenhum incidente, com a expedição fazendo as escadas habituais nas Canárias e na Ilha do Sal onde aportou em 25 de Dezembro de 1530 e neste porto do arquipélago de Cabo Verde Martins Afonso de Souza deparou com duas embarcações espanholas que se dirigiam para o Rio Maranón, o comandante exortou os tripulantes a desistirem da missão afirmando que aquele rio ficava dentro da demarcação do Rei de Portugal e em 31 de Janeiro de 1531 após ter cruzado o oceano Martins Afonso de Souza e seus homens puderam vislumbrar os verdejantes contornos do litoral do Brasil, o Cabo de Santo Agostinho em Pernambuco onde Duarte Coelho viria fundar a Vila de Olinda e também avistaram dois navios franceses que Martins Afonso de Souza tratou de dar combate aos intrusos, sendo que um foi apresado e outro apreendeu fuga para o norte, e sendo perseguido por Pero Lopes que ao amanhecer do dia 2 de Fevereiro após violento combate noturno que avariou seriamente o seu navio, Pero Lopes pode capturar os franceses que se renderam após terem ficado sem munição.
Depois da refrega Pero Lopes quis desembarcar para se reabastecer, porem foi impedido pelos índios Potiguar que eram grandes aliados dos franceses, por isto seguiu para o sul e encontrou-se com Martins Afonso de Souza que estava ancorado na feitoria de Igaraçu que fora fundada em 1516 pelo Guarda Costa Cristóvão Jaques, e que fora saqueada pelos franceses que colocaram em fuga o feitor responsável, os iramos Souza reergueram o entreposto e deixaram ali, os homens que tinha, sido feridos em combates durante a captura das naus francesas junto com alguns índios Tabajara que eram muitos aliados dos portugueses se restabelecendo, e em Fevereiro um dos capitães da frota João de Souza foi enviado de volta para Portugal, a bordo de uma das naus tomadas aos franceses que levou em seus porões cerca de trinta contrabandistas aprisionado e dois mil setecentos sessenta oito toras de pau-brasil que eles haviam recolhidos no Brasil e no inicio de Junho de 1531 a frota aportou em Portugal aonde as toras de pau-brasil foram a leilão e os traficantes franceses encarcerados na prisão de Limoeiro em Lisboa.
E se aproveitando da situação Dom Diogo de Gouveia o principal representante diplomático de Portugal na França enviou uma carta para o Rei Dom João III intercedendo pela liberação daqueles homens, de modo a facilitar suas negociações com o Rei de França Francisco I. No mesmo dia em João de Souza partira para o reino levando os traficantes franceses como prisioneiros, Martins Afonso de Souza determinou que o Capitão Diogo Leite zarpasse para o norte com a missão de explorar o Rio Maranón na chamada Costa Leste-Oeste que se estendia desde o Cabo São Roque no Rio Grande até a Ilha de Marajó no Pará, e em Março de 1531 após ter enviado Diogo Leite em direção ao Amazonas e João de Souza de volta a Portugal, Martins Afonso de Souza deu prosseguimento a sua missão, ele que já havia lutado contra os franceses na Costa do pau-brasil e iniciado a exploração da Costa Leste-Oeste e agora iria percorrer a Costa do Ouro e da Prata a bordo do Galeão São Vicente e em 13 de Março entrou na Baia de Todos os Santos que era freqüentada por naus francesas e espanhola.

E tão logo puseram os pés em terra, Martins Afonso de Souza e seus soldados encontraram um misterioso homem branco a quem os nativos o chamavam de Caramuru e que há mais de vinte anos vivia entre os índios Tupinambas fornecendo viveres e auxilio a traficantes franceses e a exploradores espanhóis.
Essa ligação era tão explicita que em 1528, Caramuru interrompeu seu exílio tropical para visitar a França junto com o italiano Girolamo Verrazano que era comandante de um dos navios de Jean Ango - Visconde de Dieppe.
Uma vez na França Diogo Alvares "Caramuru" se casou com Paraguaçu que era filha que era filha do Cacique Itaparica o líder dos Tupinambas, que logo após ser batizada recebeu o nome de Catarina no dia 30 de Julho de 1528 na cerimonia realizada pelo vigário Lancet Ruffer em Saint Malô. Por um mês, Martins Afonso de Souza permaneceu na Bahia, onde os indígenas o receberam muito bem, devido a solida aliança entre Caramurú e os Tupinambas, ainda assim o capitão-mor quando partiu em 27 de Março em prosseguimento de sua jornada rumo à Costa do Ouro e da Prata se limitou em deixar poucos homens, e após um mês de luta permanente contra o mau tempo e as correntes contrarias, a frota de Martins Afonso de Souza entrou na Baia da Guanabara, embora soubesse que o Rio de Janeiro se localizava ao norte da região que deveria explorar Martins Afonso de Souza decidiu estabelecer ali sua primeira base no Brasil com uma Casa Forte, um estaleiro rudimentar e uma ferraria no mesmo local onde antes funcionara a Feitoria da Carioca que fora fundada por Gonçalo Coelho em 1504 e desativada por Cristóvão Jaques em 1516.