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Instrumentos de Capoeira



 

O Berimbau

Berimbau

É talvez um dos instrumentos musicais mais primitivos de que se tem informação. Considerado instrumento de corda e encontrado em várias culturas do mundo, inclusive no Novo México (USA), Patagônia, África Central, África do Sul e Brasil. Em geral, o beri mbau é constituído de um pedaço de madeira roliço (pau-pereira, aricanga, beriba) ou qualquer outra madeira flexível, tensionado por um fio de arame de aço bem esticado, que lhe dá a forma de um arco, contém um tipo de caixa de ressonância que, na verdade , é uma cabaça ou um coité cortado no fundo e raspado por dentro para ficar oco e com o som bem puro.

É tocado a rápidas batidas de uma pequena vareta na corda de arame que vez por outra é presa pelo dobrão (moeda antiga de cobre ou uma pequena pedra de f undo de rio), acompanhada por um caxixi, que nada mais é que uma espécie de chocalho feito de vime e cheio de contas de lágrima (semente) ou conchas do mar bem pequenas, este caxixi é preso por uma alça ao dedo do tocador e faz um "fundo" de acompanhament o ao som da cabaça.

No Brasil, o berimbau chegou pelas mãos dos escravos africanos que vieram para cá traficados para serviços pesados nos engenhos, isto por volta do ano de 1538, século XVI, portanto.

O berimbau também é chamado por outros nomes como urucungo, puíta, quijenge, geguerê, quibundo, umbundo, dentre outros. Estes nomes são derivados de palavras vindas do dialeto Bantu, correspondente aos países de Angola, Moçambique, Congo, Zaire e outros, mas alguns desses nomes aqui no Brasil se destinaram a designar outros instrumentos. Por exemplo: a puíta é a nossa tradicional cuíca, feita de madeira e couro e com formato sextavado; o quijenge é o atabaque feito de madeira de lei e couro, de forma cil índrica.

O berimbau que conhecemos mais popularmente é o que normalmente é feito de madeira ou bambuí e que se compõe de sete partes distintas, ou seja: vêrga, cabaça, corda, caxixi, dobrão, baqueta e amarração da cabaça.

O Berimbau de Barriga

É o berimbau comum que conhecemos. Porém, poucas pessoas sabem que ele também se chama berimbau de barriga por ser encostado ao abdomem da pessoa, ou seja na barriga do tocador.

O Berimbau de Beiço ou de Boca

Também conhecido como "marimbau" ou "marimba", é um pequeno instrumento de metal arqueado em forma de diapasão sem cabo, que os escravos usavam preso aos dentes, com os quais faziam soar as pontas do metal. O formato de diapasão sem cabo é semelhante a u m grampo de cabelo, porém um pouco maior. A caixa de ressonância é a própria boca do tocador.

Atualmente, o berimbau de boca não é mais usado, apesar de alguns mestres antigos, especialmente de Capoeira Angola ainda saberem tocá-lo. É uma peça raríssima, encontrada mais possivelmente em museus.

O Gunga, o Médio e o Violinha

A afinação dá o nome ao berimbau. É de acordo com a afinação da corda e o tamanho da cabaça que se chama o Gunga que tem o som mais grave e que faz a marcação do toque, tem uma cabaça maior e raramente executa uma virada durante a melodia; o Mé dio tem um som regulado entre o grave do Gunga e o agudo do Violinha, tem uma afinação mediana que permite ao tocador executar a melodia fazendo o solo da música. É permitido ao tocador de um médio a execução de algumas viradas e alguns toques de repi que. Porém, com moderação, para não abafar o Violinha e nem destoar do Gunga, pois o médio é que faz o apoio ao som do Gunga e a base do som do Violinha é ele que determina o toque que será feito para o jogo; o Violinha tem uma cabaça pequena e bem raspada por dentro para ficar bem fina, tem um som agudo e faz apenas o papel de executar as viradas e floreios dentro da melodia. Seu som é baseado ao som médio e do Gunga ao mesmo tempo, é o Violinha que "enfeita" a música da roda.

Um bom capoeira é "obrigado"a saber tocar os três tipos de berimbau e executar suas viradas quando possível. É o tocador do médio que ordena o toque e dá a senha para a saída do jogo. Numa roda de capoeira quando o jogo é de Angola, usa-se o trio complet o de berimbaus, juntamente com o atabaque e dois pandeiros.

É ao pé do berimbau médio, que fica no centro do trio que o capoiera se benze e espera agachado a senha para começar, ou para sair do jogo.

As variações do toque do berimbau

As variações musicais do berimbau são os vários toques executados pelo tocador para definir o tipo de jogo que será feito na roda. Um bom capoeirista deve, ou melhor, tem obrigação, saber o maior número de toques, bem como o significado e o tipo de jogo praticado em cada um desses toques.

Os toques mais conhecidos são:

Angola - São Bento Grande

São Bento Pequeno - Angolinha

Iúna - Lamento

Amazonas - Cavalaria

Santa Maria - Benguela

Idalina - Maculelê

Samba de Roda - Samba de Angola

São Bento Grande de Bimba - Samango

Valsa - Samba de Enredo

São Bento Corrido - Choro

Para cada toque, um tipo de jogo

Estes são os toques mais usados, cada um deles tem um siginificado. Vejamos:

1) TOQUE DE ANGOLA: É o toque específico do jogo de Angola. É um toque lento, cadenciado, bem batido no atabaque, tem um sentido triste. É feito para o jogo de dentro, jogo baixo, perigoso, rente ao chão, bem devagar.

2)ANGOLINHA: É uma variação pouco mais rápida do toque de angola, serve para aumentar o ritmo quando vai mudar o jogo.

3)SÃO BENTO PEQUENO: É o toque para jogo solto, ligeiro, ágil, jogo de exibição técnica. Também conhecida como ANGOLA INVERTIDA.

4)SÃO BENTO GRANDE: É o toque mais original da capoeira Regional. É muito usado em apresentações públicas, rodas de rua, batizados e outros eventos e também nas rodas técnicas das academias para testar o nível de agilidade dos alunos.

5)TOQUE DE IÚNA: É usado apenas para o jogo dos mestres. Neste toque, aluno é platéia, não joga nem bate palmas, jogam apenas os mestres e contra-mestres e algum instrutor, professor ou aluno graduado se, por ventura, seu mestre autorizar e lhe ce der a vez de jogar. No toque de Iúna não há canto.

6)LAMENTO: É o toque fúnebre da capoeira. Usado apenas em funerais de mestres.

7)AMAZONAS: É o toque festivo, usado para saudar mestres visitantes de outros lugares e seus respectivos alunos. É usado em batizados e encontros.

8)CAVALARIA: É o toque de alerta máximo ao capoeirista. É usado para avisar o perigo no jogo, a violência e a discórdia na roda. Na época da escravidão, era usada para avisar aos negros capoeiras da chegada do feitor e na República, quando a capoe ira foi proibida, os capoeiristas usavam a "cavalaria" para chegar da chegada da polícia montada, ou seja, da cavalaria.

9)SANTA MARIA: É o toque usado quando o jogador coloca a navalha no pé ou na mão. Inscita o jogo mas não incentiva a violência.

10)BENGUELA: É o mais lento toque de capoeira regional, usado para acalmar os ânimos dos jogadores quando o combate aperta.

11)MACULELÊ: É o toque usado para a "Dança do Maculelê", ou para o jogo do porrete, faca ou facão.

12)IDALINA: É um toque lento, mas de batida forte, que também é usado para o jogo de faca ou facão.

13)SÃO BENTO GRANDE DE BIMBA: Como o nome já diz, é o toque de Bimba, pois é um tipo de variação diferente que mestre Bimba criou em cima do toque original de São Bento Grande. É o hino da Capoeira Regional Baiana.

14)SAMBA DE RODA: É o toque original da roda de samba, geralmente feita depois da roda de capoeira, para descansar e descontrair o ambiente. É no Samba de Roda que o capoeira mostra que é bom de samba, bom de cintura e bom de olho em sua companhei ra.

Outros toques que não foram citados são toques mais usados para florear, enfeitar o jogo, dar andamento à roda, geralmente são usados em eventos e festas de capoeira para esticar a duração do jogo quando se preparam outras atrações durante o aconteciment o da roda.

É essencial a um bom capoeira que ele domine com perfeição todos os toques que conseguir e que pratique o ritmo dos três berimbaus ou seja, que ele toque o Gonga tão bem quanto o Médio e este tão bem quanto o Violinha.

O Atabaque

Atabaque

Instrumento de origem árabe, que foi introduzido na África por mercadores que entravam no continente através dos países do norte, como o Egito. É geralmente feito de madeira de lei como o jacarandá, cedro ou mogno cortada em ripas largas e presas umas às outras com arcos de ferro de diferentes diâmetros que, de baixo para cima dão ao instrumento uma forma cônico-cilíndrica, na parte superior, a mais larga, são colocadas "travas" que prendem um pedaço de couro de boi bem curtido e muito bem esticado. É o atabaque que marca o ritmo das batidas do jogo. Juntamente com o pandeiro é ele que acompanha o solo do berimbau.

O Pandeiro

Pandeiro

Instrumento de percussão, de origem indiana, feito de couro de cabra e madeira, de forma arredondada, foi introduzido no Brasil pelos portugueses, que o usavam para acompanhar as procissões religiosas que faziam. É o som cadenciado do pandeiro que acompa nha o som do caxixi do berimbau, dando "molejo" ao som da roda. Ao tocador de pandeiro é permitido executar floreios e viradas para enfeitar a música.

O Caxixi

Caxixi

Instrumento em forma de pequena cesta de vime com alça, usado como chocalho pelo tocador de berimbau, o qual segura a peça com a mão direita, juntamente com a vaqueta, executando o toque e marcando o ritmo.

O Reco-Reco

Reco-Reco

Instrumento de percussão composto de uma espécie de cano de metal, coberto por duas ou três molas de aço, levemente esticadas e, que para produzirem o som são friccionadas por um "palito" comprido de metal, um ferrinho. É usado em rodas de capoeira Angol a na Bahia, em outros estados seu uso é eventual.

O Agogô

Agogô

Instrumento de origem africana composto de um pequeno arco, uma alça de metal com um cone metálico em cada uma das pontas, estes cones são de tamanhos diferentes, portanto produzindo sons diferentes que também são produzidos com o auxílio de um ferrinho que é batido nos cones. Também faz parte da "BATERIA" da roda de capoeira Angola na Bahia.

O "eventual" Violão

É normalmente usado em gravações de músicas de capoeira em discos, CD's e fitas. Na roda é muito difícil ver um violão acompanhando a música. Em uma das poucas vezes que tive oportunidade de ouvir um violão tocar em conjunto com berimbaus, atabaques e pa ndeiros foi numa gravação do Mestre Mestrinho do grupo de capoeira Iúna, na música "Lamento de um Berimbau", na verdade, não era bem um violão com afinação clássica que proporcionou um efeito sonoro de extremo bom gosto.

As Palmas de Madeira

É comum ver nas rodas de capoeira, todos os participantes batendo palmas para acompanhar a música e dar mais calor ao jogo. Normalmente, se bate palmas com as mãos, é o lógico! Mas, você já pensou num tipo de palmas de madeira que se usa até hoje em muit as rodas de capoeira? É isso mesmo. São pequenos pedaços de tábua bem lixada e fina, porém, de madeira pura, que não racha fácil. Nestes pedaços de tábua são colocados tiras de couro para que se possa passá-lo por cima das mãos, deixando a parte de tábua embaixo da palma da mão. O efeito sonoro destas palmas de madeira é algo incrível, dá um barulho quase ensurdecedor na roda e incentiva mais os jogadores e a platéia. Além do que, evita aqueles calos doloridos na palma das mãos.

Fonte: capoeira_regional.vilabol.uol.com.br

Instrumentos de Capoeira

Começa no Brasil a atividade cafeeira, com a plantação das primeiras mudas de café por Palheta no Rio de Janeiro, no vale do Paraíba, dirigindo-se daí para São Paulo.

No século XVIII, além do açúcar e da recém-implantação da cafeicultura e da mineração, começa efetivamente, com o crescimento das cidades, a vida urbana, surgindo então um outro tipo de escravidão: o escravo doméstico.

A partir daí, a alforria começa a ser amplamente disseminada.

A presença do negro, sua contribuição para a civilização brasileira, torna-se marcante, não só nas senzalas das plantações ou na mineração, mas também nas cidades, no comércio, nos mercados e nas praças públicas.

1712

Pela primeira vez é registrado o vocábulo capoeira, no Vocabulário Português e Latino, de Rafael Bluteau, mas os significados do termo não se referem à luta.

Não há praticamente registros sobre a capoeira no século XVIII.

É comum imaginar-se a capoeira nascendo e crescendo no ambiente rural, mas talvez tenha sido nas cidades, onde circulava livremente um grande número de libertos e "negros de ganho" (escravos que por conta própria exerciam alguma atividade e que ao fim do dia tinham de entregar uma quantia prefixada a seu proprietário), que esse processo de crescimento e transformação foi mais expressivo.

Fonte: capoeiradobrasil.com.br

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