Os fósseis de dinossauros mais antigos já identificados no mundo foram encontrados na região central do Rio Grande do Sul, e no noroeste da Argentina, na região da Patagônia. Os esqueletos desses animais datam do período triássico e têm mais de 220 milhões de anos. Essas descobertas levantam a hipótese de que os dinossauros tenham surgido na América do Sul e se espalhado pelo resto do mundo. Vale lembrar que, durante o Triássico, havia apenas uma grande massa continental, a Pangéia, que se concentrava na linha do Equador, com pouca variação de temperatura.

Pelo menos quatro espécies de dinossauros já foram descritas de fósseis retirados no Rio Grande do Sul. As formações geológicas de Sanga do Cabral, Santa Maria e Caturrita, todas no estado, estão assentadas em rochas sedimentares do Triássico, ricas em fósseis de répteis, entre eles os dinossauros. O habitat desses animais era composto por coníferas (pinheiros) de até 30 metros, samambaias e o solo era forrado por vegetação rasteira. Havia também boa oferta de água, com vários rios e lagos.
Um das espécies que viveu durante esse período foi descoberta recentemente. Trata-se de um dinossauro pequeno, prossaurópode (um dos primeiros tipos de dinossauros a surgir na Terra), de um metro, com 228 milhões de anos. O animal, ainda sem nome, foi encontrado no ano passado, em Agudo, a 250 quilômetros de Porto Alegre. A descoberta coube ao paleontólogo Jorge Ferigolo, responsável pelo Museu de Ciências Naturais, da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul.

Foram achadas vértebras, fêmures, dentes e pedaços de mandíbulas, pertencentes a cerca de 20 indivíduos. Pela análise da ossada, Ferigolo acredita que essa espécie era herbívora e complementava sua dieta com insetos. A estrutura corporal leve, com ossos longos e ocos, indica, ainda, que esses dinos eram ágeis para fugir dos predadores. É provável que esses animais serviam de alimento para espécies carnívoras, entre os fragmentos foi encontrado um dente de carnívoro.
Uma particularidade desse pequenino antepassado dos grandes dinossauros é que ele provavelmente pertence aos ornitisquios, uma das grandes subdivisões da ordem dos dinossauros. "Esse é possivelmente o mais importante ornitisquio já encontrado, porque é o mais completo do Triássico", afirma Ferigolo. Os outros dinossauros desse período, encontrados no país, pertencem ao grupo dos saurisquios. O herbívoro Triceratops é o único dino originário do grupo dos ornitisquios. Dos saurisquios evoluíram tanto herbívoros como o Apatosauro, quanto carnívoros como o Tyranosaurus rex.

Outra importante descoberta foi feita em 1998, por um grupo de profissionais do Laboratório de Paleontologia do Museu de Ciências e Tecnologias da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Durante uma expedição que visava à coleta de fósseis de répteis e peixes eles se depararam com ossos de um animal diferente de tudo o que conheciam. Posteriormente denominado de Saturnalia tupiniquim, essa espécie media aproximadamente um metro, também eram esguios e ágeis. Max Langer, um dos palentólogos responsáveis pela descoberta está na Universidade de Bristol, Reino Unido, estudando a espécie em busca de mais detalhes.
Na equipe da PUCRS que encontrou o Saturnalia estava a pesquisadora Maria Cláudia Malabarba, cuja especialidade são os fósseis de peixes. Antes do Triássico, a região de Santa Maria foi primeiro um oceano e depois um lago que há 250 milhões de ano secou deixando restos de vários répteis aquáticos. Diferente dos dinossauros, como explica Maria Cláudia, "os peixes que povoam os mares e rios atualmente estão na mesma linha evolutiva dos peixes do Triássico. Como o ambiente era diferente ao dos dinos eles não foram extintos". Os fósseis de peixes do Tríassico gaúcho estão depositados em sedimentos de maior profundidade, por isso é grande a possibilidade de se encontrar fragmentos de outras espécies quando das escavações.

O primeiro dinossauro encontrado no RS foi um Staurikosaurus pricei, coletado na região de Santa Maria, em 1936. A ossada desse animal está no Museu de Zoologia Comparada de Harvard, nos Estado Unidos. Os animais dessa espécie, também do Triássico, não chegavam a dois metros de comprimento e eram carnívoros. Também já foram prospectados fragmentos de cinodontes, parentes distantes dos mamíferos, com dentição evoluída, apresentando caninos, molares e incisivos.

Dinossauros do Triássico também já foram encontrados na Alemanha e na África do Sul, essas espécies possuíam semelhanças com seus contemporâneos sul-americanos. Entretanto, os pesquisadores brasileiros são quase unânimes em propor o sul da América do Sul como berço dos dinossauros. "As descobertas realizadas nas formações geológicas gaúchas e aquelas que certamente serão feitas em breve, colocam como certa a origem dos dinossauros no sul da América do Sul", arrisca o paleontólogo Fernando Abdala da PUCRS.

Pegadas de dinossauros encontradas na região de São Luis (MA),
em rochas com 80 milhões de anos
Os pesquisadores da expedição "Em Busca dos Dinossauros", do Museu Nacional do Rio, instituição ligada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), chegam hoje à Ilha do Cajual, no Maranhão, um dos locais onde há maior abundância de vestígios desse grande réptil e de outros fósseis, no Brasil.
Antes de seguir para a ilha, onde vão realizar trabalho de coleta sob supervisão do grupo de Paleontologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Sérgio Alex de Azevedo, coordenador da expedição, Alexander Kellner e Luciana Carvalho concederam entrevista à imprensa, em São Luís, e aos jornalistas que acompanham a viagem, para esclarecer a polêmica gerada sobre a ética do grupo do Museu Nacional na condução dos trabalhos.
Na semana passada, o chefe do laboratório de Paleontologia, ligado ao Departamento de Biologia da UFMA, professor Manuel Medeiros, distribuiu nota à imprensa de todo o país na qual mostra indignação com a conduta dos pesquisadores do Rio, que ele considerou anti-ética.
Segundo ele, Sérgio Alex divulgou a informação de que um membro da equipe do Museu Nacional teria descoberto a Ilha do Cajual - que fica próxima a São Luís e a Alcântara - como importante sítio fossilífero. Ele disse também que Alex estaria promovendo a expedição para identificar cinco novas espécies de dinossauros, cujos ossos já teriam sido coletados por sua equipe. Medeiros e seus alunos realizam pesquisas e coletam material na ilha há pelo menos seis anos.
Segundo a nota de Medeiros, os paleontólogos da expedição estariam interessados em se apoderar dos fósseis da ilha, indiscriminadamente, e teriam anunciado que retirariam a Laje do Coringa, onde se concentram os fósseis, para incorporá-la ao acervo do Museu Nacional. "O material fóssil inédito encontrado nessa expedição deve ficar no Maranhão", defende Medeiros.
Para ele, outro fator denuncia a intenção dos pesquisadores da expedição de se apropriarem das descobertas alheias. "Por que eles escolheram sítios paleontológicos só do Nordeste e não de São Paulo, Uberaba, Mato Grosso, onde realizam pesquisas ou mesmo no Rio Grande do Sul, onde há registros dos dinossauros mais antigos?", questiona Medeiros.
Na entrevista, Sérgio Alex mostrou documentos e fitas de vídeo, com entrevistas concedidas à imprensa desde que a expedição foi divulgada, no ano passado. Com esse material, ele procura deixar claro que nunca pretendeu criar polêmica. Em entrevista ao Serviço de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, da Agência Brasil, ele já havia adiantado, no dia em que a equipe chegou a São Luís (quarta-feira 14), que teria provas de que tudo não passa de um mal-entendido. "É também algo próprio da natureza humana", disse, referindo-se ao ímpeto de Manuel Medeiros de defender a pesquisa local.
O principal documento apresentado pelo coordenador da expedição foi o termo de conduta, assinado entre autoridades locais do Maranhão, como o governo do estado, a prefeitura de São Luís, bem como a UFMA e o Museu Nacional, além da Fogo Fátuo Expedições, responsável pela logística da viagem e o grupo Centro de Cultura, Informação e Meio Ambiente (Cima), que filma a expedição.
Alex afirma ainda que nunca atribuiu a descoberta da Laje do Coringa a membros do Museu Nacional. A Laje do Coringa tem cerca de 1 quilômetro de comprimento e 600 metros de largura e foi encontrada pelo geólogo Francisco Correa Martins, quando desenvolvia sua tese de mestrado pela UFRJ, em 1994.
O termo determina que cabe ao grupo da UFMA a triagem do material coletado pelos paleontólogos do Museu Nacional e que será permitida a retirada de um pedaço da laje para exposição no museu. "Até o tamanho da laje foi motivo de polêmica. Já ouvi falar em toneladas ou que iríamos levá-la inteira para o Rio de Janeiro", conta Alex. O pesquisador ressalta que, pelo termo, pode ser retirado um pedaço de 2m x 2m para o museu e outro do mesmo tamanho para o arquivo do Laboratório de Paleontologia da UFMA.
Quanto ao fato de o roteiro de viagem incluir só sítios do Nordeste, Alex justifica que os fósseis dessas localidades são mais visíveis ao público leigo e, para efeito de documentário televisivo, seriam mais plásticos. "Os fósseis que encontramos em Minas ou São Paulo, só depois de identificados e expostos em museus é que são plasticamente mais visíveis", justifica.
Polêmicas à parte, a expedição continua e está sendo filmada para ser tema de documentário produzido pelo Cima, que o venderá a uma emissora de televisão. Os pesquisadores saíram do Rio de Janeiro no dia 3, passaram por Crato, no Ceará, onde foram ao sítio fossilífero da Chapada do Araripe, um dos mais ricos em fósseis do perído cretáceo, com idade de 65 milhões anos. No dia 9, a equipe passou por Sousa, na Paraíba, o maior sítio de pegadas de dinossauros do país, localizado nas bacias Sousa, Uiraúna e Brejo das Freiras, que abriga o Parque Vale dos Dinossauros.
Além do registro dos fósseis encontrados nos sítios visitados, a equipe está registrando histórias da população local e da cultura da região, para compor o documentário. "Até porque um documentário só com descobertas paleontológicas seria muito chato", explica Alex.
Luiz Fernando Dias Duarte, diretor do Museu Nacional, disse que está atento aos rumores levantados sobre a viagem dos pesquisadores da instituição. "Estou ciente de que houve tensões que eu não posso ajuizar, mas posso concluir que isso é próprio das relações humanas, não há como regular por lei", comenta. Dias Duarte disse ainda que, ao término da expedição - o retorno está previsto para 2 de março, segundo Alex - será marcada uma reunião para esclarecer as nuances da polêmica. Além disso, a Sociedade Brasileira de Paleontologia será convocada para liderar um debate em torno da instituição de um Código de Ética da pesquisa paleontológica.
Dias Duarte faz questão de ressaltar, no entanto, que sua posição é pelo equilíbrio entre a particularização e a universalização da ciência. "Ou seja, deve haver respeito, parceria e solidariedade entre os diversos grupos de pesquisa e a preservação das descobertas em benefício das comunidades locais. Mas também não se deve, jamais, limitar o caráter universalista da ciência, que foi o primeiro produto globalizado da cultura universal", postula. (Lana Cristina)

Reprodução de como viviam os titanossauros durante o período
Cretáceo.
A expedição científica "Em Busca dos Dinossauros" chega ao fim desta semana com saldo negativo. Após vinte dias de viagem pelo Ceará, Paraíba e Maranhão, procurando vestígios desses enormes répteis que viveram até 65 milhões de anos atrás, sobraram declarações desencontradas, acusações e mal-entendidos. Além disso, ficou claro que há uma crise entre pesquisadores do setor de paleovertebrados do Museu Nacional do Rio, que organizaram a expedição, e pesquisadores do Laboratório de Paleontologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e do departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O Museu Nacional, localizado na Quinta da Boa Vista, é ligado à UFRJ. O campus da universidade fica na Ilha do Fundão. A localidade dos dois remete outros pesquisadores a apelidarem a disputa de QuintaxFundão. A crise, dizem paleontólogos que preferem não se identificar, é antiga e existe há cerca de 10 anos. Ela começou com polêmica criada sobre a autoria de alguns estudos ligados a fósseis brasileiros.
Agora, com a expedição - que visa ao registro de imagens para produção de um documentário que será vendido para uma emissora de TV (não se sabe se aberta ou fechada) - veio à tona não só o "racha" na paleontologia, mas também a necessidade de determinar oficialmente, os limites da atuação do pesquisador na coleta de fósseis. Ou seja, a criação de uma conduta ética que, presumivelmente, os cientistas já teriam decorada.
O diretor do Museu Nacional, Luiz Fernando Dias Duarte, disse que convocará uma reunião entre os pesquisadores da expedição e a Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP) para esclarecer a crise gerada durante a expedição e fomentar o debate sobre o estabelecimento de um código de ética. "Do ponto de vista informal, defendo um equilíbrio entre o particularismo e a universalização da ciência", afirmou Dias Duarte, referindo-se à polêmica sobre a retirada de fósseis dos sítios visitados pela expedição.
A querela, na verdade, se restringiu a um dos sítios visitados, a Laje do Coringa, no Maranhão. Esse é certamente o sítio paleontológico com mais ocorrências fósseis do país. Ossos, dentes e vegetais fossilizados - ou seja, cristalizados pela ação do tempo e dos sedimentos que se sobrepuseram a eles - afloram praticamente a olho nu. A laje tem 1,5 Km de comprimento e 600 metros de largura, fica na Ilha do Cajual, a 20 quilômetros de São Luís.
Só se chega à ilha de catamarã, saindo da capital ou de Alcântara. Os pesquisadores do Museu Nacional, sob a coordenação do paleontólogo Sérgio Alex de Azevedo, programaram a visita ao sítio para o final da viagem. Mas antes firmaram termo de compromisso, assinado pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e órgãos do estado, no qual ficou estabelecido limites para a coleta de fósseis.
Pelo termo, o controle da prospecção ficou a cargo do Laboratório de Paleontologia, do departamento de Biologia da UFMA, especificamente sob a coordenação de Manuel Alfredo de Medeiros. É ele quem coordena o laboratório e estudos feitos por alunos do departamento na Laje do Coringa. Medeiros conclui em março tese de doutorado, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), cujo objeto de estudo são fósseis de espécies de dinossauros, peixes, crocodilos e troncos petrificados, encontrados por ele desde 1997.
Outro item do termo de conduta é a autorização para retirada de um pedaço da laje, de 2m x 2m, para integrar o acervo do Museu Nacional. Houve declarações de Sérgio Alex na imprensa que levaram os pesquisadores da UFMA acreditarem que ele levaria toda laje. A questão da retirada foi ponto de discórdia ainda porque, segundo nota divulgada por Medeiros, Alex e sua equipe teriam feito visitas à ilha do Cajual, no passado, sem avisar. Isso contrariou o "acordo de ética" que existe entre pesquisadores da área, pelo qual as coletas fora do território de atuação são feitas em parceria com os estudiosos locais.
O próprio diretor do Museu Nacional defende a parceria. "Deve haver respeito, parceria e solidariedade entre pesquisadores", disse. Dias Duarte afirmou também que não está desatento aos rumores levantados acerca da expedição, mas preferiu não se pronunciar a respeito. "Sei que houve tensões, mas não posso ajuizar. Isso é próprio das relações humanas e não pode ser regulamentado por lei, decreto ou algo assim". O diretor, no entanto, se furtou a defender diretamente seus pares ou, muito menos a acusá-los.
A equipe da UFMA se indignou por não ter sido citada pelos pesquisadores da expedição, quando falaram sobre os estudos em andamento na ilha e também porque teria ficado subentendido que a Laje do Coringa seria uma descoberta de paleontólogos do Museu Nacional. Alex se defende e garante que jamais declarou algo nesse sentido. Medeiros o acusa de dissimulação nas afirmações sobre as descobertas. "Ele disse que estava atrás de cinco dinossauros na Laje e que teria encontrado um espinossauro no Maranhão, quando não é verdade", ataca Medeiros. "Nunca disse que descobrimos a laje e, além do mais, comuniquei ao professor Manuel todas minhas visitas à ilha, algumas na volta. Há pessoas dizendo que vamos nos apossar cientificamente do lugar e não é verdade", defende-se Alex.
Por precaução, a equipe da UFMA montou guarda duas semanas antes da expedição do Museu Nacional chegar à Ilha do Cajual. Além disso, solicitou ao Exército a presença do autor da descoberta da Laje do Coringa, o professor de história e geólogo Francisco José Corrêa Martins. Foi ele quem encontrou a laje, primeiro em imagens de satélite cedidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e, depois "in loco", em 1994. "Fui verificar feições que me pareciam estranhas nas imagens e encontrei uma quantidade nunca imaginada de fósseis num mesmo lugar", conta.
Martins é professor na Escola de Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas. Ele chegou à ilha na sexta-feira e se encontrou com a equipe do Museu Nacional, no domingo. Segundo o professor, havia um clima tenso no local. A equipe da UFMA havia sido retirada da base da ONG Amavida, que também atua realizando estudos na ilha. Pesquisadores e alunos tiveram que se transferir para uma comunidade no interior da ilha, a mais de 3 Km de distância. No seu lugar, foram hospedados os componentes da expedição do Rio.
"Além desses acontecimentos e outros procedimentos lamentáveis, considero um absurdo que eles (os membros do Museu Nacional e seus associados) realizem uma expedição "apoteótica e cinematográfica", que não tem nenhum contato com a realidade da pesquisa acadêmica, como pretendiam retratar. Por exemplo, contrataram cozinheiros uniformizados para prepararem suas refeições na ilha, com mordomias tais como cafezinho, doces e tudo o mais. E veículos Land Rover para "locomoção"! Numa ilha em que as pessoas têm poucos recursos para sobreviver e, em um país como o nosso, onde as instituições de pesquisa têm que justificar os parcos financiamentos que recebem, é uma afronta tamanho distanciamento com a realidade. Ciências de campo como a Paleontologia, a Geologia, a Biologia, a Geografia, entre outras, são realizadas por meio de kombi ou outros veículos comuns, com a comida possível de ser feita ou obtida no meio do mato. Pesquisa não é nada daquilo que a expedição "Em busca dos dinossauros" fez!", desabafa Martins.
Ainda segundo relato do professor, reinava um clima de desânimo entre o pessoal do Museu Nacional, que saiu da ilha nesta sexta, antes do Carnaval, por não ter conseguido utilizar o trator que retiraria o pedaço da laje. E que, ao usarem um dos Land Rover para realizar tal tarefa, acabaram por quebrá-la em vários pedaços, fracassando no intento da retirada.
Para Martins, a questão do respeito às localidades onde estão os sítios é fundamental. "Temos sim que estabelecer um código de ética e conduta científica para que fique claro na pesquisa o que é permitido fazer ou, do contrário, é preciso começar uma profunda discussão sobre como se faz pesquisa nesse país". Ele defende que seja rediscutido o papel do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), a quem cabe a fiscalização dos sítios fossilíferos e arqueológicos nacionais. "O DNPM tem poucos paleontólogos e o país é grande", justifica.
Além da visita à Ilha do Cajual, a expedição "Em busca dos dinossauros" esteve em Crato (CE), para registrar imagens do sítio fossilífero de Santana do Cariri, que fica na Chapada do Araripe. A reitora da Universidade Regional do Cariri (Urca), Violeta Arraes, também se interessou em assinar termo de conduta semelhante ao que foi estabelecido com a UFMA e providenciou o documento quando a expedição já estava no local. "Ela veio ao Rio para resolver outros assuntos e aproveitou para tratar deste também", conta Dias Duarte. No meio da viagem, eles foram ainda à Sousa (PB), o maior sítio de pegadas de dinossauros do Brasil.
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP) e pesquisador do departamento de Geologia da UFRJ, Ismar de Souza Carvalho, todo patrimônio fóssil deve ser revertido em prol da própria comunidade no qual está inserido. "Além disso, o crédito de qualquer trabalho deve ser dado a quem o desenvolveu. É uma questão de integridade intelectual", opina. Ismar disse que o boletim da SBP, referente aos meses de maio a julho, trará as colocações das partes envolvidas na crise aberta pela expedição.
Fonte: virtualbooks.terra.com.br
No Brasil a Paleontologia se encontra em desenvolvimento como quase todas as outras ciências, as quais encontram-se assim por causa do ensino escolar no país ser deficitário, dando um início a má formação acadêmica e intelectual dos brasileiros, onde poucos são os privilegiados a possuir o ensino superior e menor ainda a quantidade dos que possuem uma pós-graduação ( Mestrado, Doutorado, PhD, etc). Essa má formação acadêmica leva o brasileiro a não "gostar muito" da leitura, tornando mais difícil a transmissão de conhecimentos. Partindo desse pressuposto, ainda podemos levar em consideração o fato do estudo de seres que habitaram o Brasil há milhares e milhões de anos atrás estar em terceiro plano no que se diz respeito ao desenvolvimento do país, sendo assim a maior parte da verba do país vai para setores considerados de maior importância como alimentação, moradia e saúde, indo em segundo plano para o desenvolvimento de pesquisas, os quais atualmente estão também priorizando setores energéticos e econômicos, tornando então disponível pouquíssimas verbas destinadas para setores como Paleontologia e Arqueologia. Isto se compararmos a países desenvolvidos, como o EUA, Inglaterra, etc, pois há outros países que investem menos ainda que o Brasil nessas áreas. Sendo então este o principal problema a ser enfrentado pela Paleontologia brasileira, a falta de recursos, o setor conta com escolas de ensino superior muito bem aparelhadas e com ótimos profissionais de qualidade internacional, que não deixam em nada a desejar se comparados com os norte-americanos ou europeus, conta também com uma flora e fauna bem diversificadas composta desde de seres simples até gigantescos dinossauros saurópodes . Onde estudar Geologia no Brasil:
A Formação Santa Maria é constituída de siltitos e sedimentos pelíticos, depositados em um ambiente com rios e lagos. Nessa região foi encontrado um dos fósseis de dinossauros mais antigos do mundo, um Staurikosaurus, encontrado em sedimentos de 225 milhões de anos, onde apenas um exemplar dessa espécie foi descrito até hoje. A Formação Santa Maria é semelhante à algumas formações ricas em fósseis de dinossauros da Argentina, fato que evidencia o potencial dessa formação para novas descobertas importantes.
Recentemente, expedições realizadas no Rio Grande do Sul encontraram vestígios de outros dinossauros pertencentes ao grupo dos prossaurópodes, os quais ainda não foram identificados. A Formação Santa Maria é rica em fósseis de outros vertebrados tais como os Dicinodontes, dos quais já foram encontrados quase 100 exemplares, Cinodontes, e vários répteis como, por exemplo o Prestosuchus.
Essa é provavelmente o mais rico depósito de vertebrados fósseis do Brasil, e um dos mais importantes do mundo, chamando atenção pelo excelente estado de preservação. É de lá que vem aqueles milhares de fósseis com peixes encontrados nas feiras e lojas por todo o Brasil (obs.: O comércio de fósseis é ilegal !!!). Os fósseis de dinossauros são raros, e estão restritos ao Membro Romualdo (que é a unidade mais do topo da bacia). Dois grupos foram descritos formalmente: Irritatos e Angaturama porém alguns pequenos exemplares ainda aguardam descrição. Todos pertencem ao grupo dos Terópodes ( Santanaraptor ). A grande atração da Bacia do Araripe é um fóssil encontrado em 1991, que ao ser submetido à um microscópio eletrônico, mostrou a presença de pele, fibras musculares e possíveis vasos sanguíneos do animal. Esse é melhor exemplar de tecido mole preservado encontrado até o momento. Além dos dinossauros a Bacia do Araripe é rica em fósseis de peixes ( Lepidotes, Araripelepidotes, Vinctifer, Rhacolepis, Lepitolepis, Enneles, Brannerion, Dastilbe, Tharrhias, Belonostomus e Cearana ), tartarugas, crocodilianos ( Araripesuchus ), pterossauros ( Tupuxuara, Tapejara e Anhanguera ), foraminíferos, crustáceos, gastropódes, ostracóides, bivalves e equinóides .
O Grupo Bauru é composto pelas formações Caiuá, Santo Anastácio, São José do Rio Preto e Uberaba. A Bacia de Bauru é a mais extensa sequência sedimentar de idade cretácea da América do Sul, e é constituída de arenitos e siltitos depositados em ambiente fluvial. A presença de dinossauros carnívoros é evidenciada por dentes e ovos. Já as formas herbívoras apresentam também alguns fósseis de ossos, que permitiram ser classificados como pertencentes à saurópodes. No Brasil, as formas coletadas pertencem ao grupo dos Titanossauros, os quais também são encontrados na Argentina. Os restos de Titanossauros correspondem à maior parte do material relacionado à dinossauros encontrado no Brasil, incluindo até um raro ovo. O Grupo Bauru apresenta também fósseis de peixes, crocodilos ( Mariliasuchus ), tartarugas e lagartos. Além dos fósseis de ossos de dinossauros, já foram encontrados mais de 300 dentes, 4 ovos e muitas pegadas fósseis.
Há cerca de 80 milhões de anos atrás, durante o período Cretáceo, a Região Amazônica era um braço de mar, que surgiu com a separação da América do Sul e da África, que foi mudando respectivamente com a formação dos Andes, onde foram encontrados muitos dentes de tubarão na Serra do Moa, entre o Acre e o Peru. Há 3 milhões de anos atrás, durante o Plioceno, surgiram animais gigantes de regiões pantanosas, como tartarugas e crocodilos, como a Stupendemys e o Purussauro. A Região Amazônica foi ao poucos se transformando em cerrado e logo foi coberta por um enorme cerrado muito parecido com a savana africana, há 1 milhão de anos atrás, a vegetação era baixa e alimentava animais semelhantes aos de hoje, porém bem maiores. Os tatus e as tartarugas, por exemplo, tinham o tamanho de um carro pequeno, as Preguiças gigantescas, que ultrapassavam os 3 metros, perambulavam pela paisagem. A região de cerrado virou floresta e surgiram então animais como o toxodonte e o Mastodonte da Planície e há 10 mil anos atrás, esses animais entraram em extinção, muitos por causa da transformação das savanas em florestas. Alguns deles se adaptaram tanto às áreas abertas quanto às arborizadas, como o tatu, a anta, a cutia e a capivara, que ainda possuem as características de seus antepassados.
Fonte: www.avph.hpg.ig.com.br