Pela sua importância, altivez e valentia na defesa do seu território o Cardeal, juntamente com o Quero-Quero (Vanellus chilensis) é considerado a ave símbolo do Rio Grande do Sul, pois tais características são identificadas com a índole do povo gaúcho.
Veremos, a seguir, alguns dados sobre o Cardeal, que sem dúvida alguma, é um dos tipos mais apreciados entre todos os pássaros que podemos encontrar nos criadouros.
Seu nome deriva do topete de coloração avermelhada semelhante à vestimenta do religioso homônimo.
Cardeal; Cardeal-do-Sul; Cardeal-Vermelho; Cardeal-do-Topete-Vermelho; "Tiéguaçu-Paroara, Tinguaçu-Paroara e Guira-Tiririca" (nomes indígenas); Red-Crested-Cardinal (inglês); Cardenal (espanhol).
Ordem dos Passeriformes e subordem Oscines, família dos Fringillidae, sub-família Emberizinae, gênero Paroaria e espécie Paroaria coronata (P. cucullata ou P. cristata).
No Brasil ocorre no nordeste e no centro-sul do Rio Grande do Sul e sudoeste do Mato Grosso do Sul (no Pantanal, em pequena quantidade), todo o Uruguai, nordeste e centro da Argentina, todo o Paraguai e sul da Bolívia.
Comprimento: 18,5 a 20cm; asa: 9,5cm; cauda: 7 a 8cm.
Cabeça vermelha com topete, dorso cinza e ventre branco; ou, mais minuciosamente: topete, máscara, face e parte do peito de cor vermelho-vivo. A parte dorsal, inclusive a cobertura da cauda, é cinzenta e a parte inferior, ventral, é esbranquiçada. Íris escura e tarsos plúmbeos.
Os jovens apresentam a cabeça cor de telha com topete e as partes superiores são amarronzadas, a plumagem adulta definitiva somente se estabelece no segundo ano de vida.
Machos e fêmeas são iguais na aparência. Referências quanto ao tamanho do pássaro, cor de topete, largura do babador carecem de fundamentos e são duvidosas.
O que vale, na prática, é a análise comportamental dos pássaros feita pelo criador. É necessário muita observação. Aqueles pássaros que parecem formar um casal devem ser aproximados e, aos poucos, colocados lado a lado. Se houver agressividade de ambos os cardeais, eles devem ser isolados imediatamente. Se os pássaros se derem bem, é possível que tenhamos descoberto um casal.
Merece registro, ainda, neste tópico, a impressão colhida por Stanislav Chvapil, no excelente livro "Ornamental Birds", o único a mencionar a característica de que o macho do cardeal, usualmente, permanece com o topete abaixado, somente eriçando-o quando agitado. A fêmea, ao contrário, quase sempre permanece com o topete ereto. Este aspecto tem sido corroborado por criadores da ASOA.
Campo aberto com árvores altas, capões de mato e beira dos rios.
É encontrado sozinho ou em casal, nunca em bando. É extremamente belicoso com outro cardeal que penetre em seu território. Vai ao solo com freqüência na busca de sementes e insetos, locomovendo-se, aí, aos saltos. Aprecia o banho na água e também de areia.
Possui hábitos alimentares onívoros. Nutre-se de uma variedade grande de sementes, artrópodes (insetos e pequenos aracnídeos) e frutinhas. Em época de reprodução, seu regime alimentar passa a ser exclusivamente insetívoro, chegando a consumir até mil insetos por dia. Esta azáfama se intensifica como nascimento dos filhotes e se prolonga até os mesmos atingirem vinte dias de idade.
Em cativeiro seu alimento principal é o alpiste. Não aprecia o painço. Arroz com casca, milho moído, aveia descascada, cânhamo, girassol e linhaça completam a variedade de grãos de sua dieta. Rações farináceas diversas são bem toleradas. Não devem faltar verduras: couve, almeirão, agrião ou alface. Proteína animal bruta deve ser fornecida regularmente através de larvas de tenebrio, ovos de formiga e cupins. Laranja, banana, mamão e maçã são as frutas mais apreciadas.
Durante a reprodução, que ocorre no início da primavera, os cardeais vivem estritamente aos casais, sendo extremamente fiéis a um território, que o macho defende energicamente contra a aproximação de outros machos de sua espécie e, muitas vezes, não tolera a aproximação de qualquer outra ave.
Prepara seu ninho com galinhos finos, raízes, crinas e pelos de animais e musgos, sob a forma de tigela ampla, geralmente localizado em árvores altas. O casal divide as tarefas de construção do ninho.
A postura consta de 3 a 4 ovos, excepcionalmente 2 ou 5, de campo branco com rabiscos verde-acinzentados mais proeminente no pólo rambo. Medem 27 x 20mm. Faz duas ou três posturas por ano.
O período de incubação dura de 13 a 15 dias, sendo os ovos chocados somente pela fêmea. Em alguns casos, o macho participa da incubação durante efêmeros turnos. Os filhotes abandonam o ninho 17 dias após a eclosão e os pais ainda permanecem alimentando-os por três semanas.

Cardeal-Vermelho

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A criação é mais fácil obtida em viveiros grandes e arborizados, mas pode ser feita em gaiolões. Viveiros de pelo menos 1m x 2m x 1m, com uma pitangueira ao centro parece ser o ideal. As instalações devem estar livres de correntes de ar, conter bastante luz e água em abundância. O macho deve ser solto para demarcar bem o seu território e, após, liberar a fêmea no viveiro. O criador pode ajudar na confecção do ninho.
Deve ser feito entre o 6º e o 7º dia de vida. O anel mede 4,0 mm de diâmetro.
Canto forte e grave com uma cadência de curtos assobios sonoros de três notas e um gorjear dobrado rouco. O canto, muitas vezes, é emitido conjuntamente pelo casal. Em cativeiro, imita outros pássaros, se não tiver um bom mestre.
São conhecidos os seguintes híbridos:
1) Macho Cardeal x Fêmea Galo da Campina;
2) Macho Galo da Campina x Fêmea Cardeal;
3) Macho Cardeal x Cardeal Amarelo;
4) Macho Chupim x Fêmea Cardeal;
5) Macho Garibaldi x Fêmea Cardeal.
Topete de cor alaranjado, o chamado "cardeal-dourado". Erros de pigmentação são responsáveis por manchas brancas no dorso em alguns exemplares. Há registros de cardeais canela, arlequins e, inclusive, de um único exemplar totalmente negro.

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15 anos. Atinge elevados índices de longevidade (25 a 30 anos).
Pássaro forte e resistente. Se suas instalações forem mantidas sempre limpas, alimentação equilibrada e água trocada diariamente, raramente pegará doenças.

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Esta mutação caracteriza-se pela substituição de eumelanina responsável pelas cores negra e cinza em indivíduos normais por feomelanina determinante das cores marrom e canela. Exemplares desta mutação, todos do sexo feminino têm sido apontados em vários quadrantes do Rio Grande do Sul, fêmeas cruzadas com machos "normais" originam, na F1 indivíduos de fenótipo "normal" dos quais apenas os machos eram portadores. Isto foi comprovado pelo cruzamento da F1 com fêmeas "normais", produzindo 50% fêmeas "canela" e 50% "normais", todos os machos eram "normais". No cruzamento de fêmeas da F1 com machos "normais" a segregação resulta em 100% de indivíduos "normais". Tais resultados sustentam a afirmativa de que a mutação "canela" é recessiva sexo-ligada.

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Resumo: Esta surpreendente mutação resulta numa substituição do lipocromo vermelho da cabeça pelo amarelo - alaranjado com reflexos dourados. Exemplares mutantes têm sido assinalados na metade norte do Rio Grande do Sul, incluindo região das Missões. O comportamento genético desta mutação, uma vez testada, demonstrou tratar-se do tipo autossômico recessivo.

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