
Carl Sagan foi um astrônomo de primeira linha. Mas foi divulgando a
Ciência que ele se destacou como o melhor entre os melhores.
Quando lembro-me lendo seus livros, seus artigos em revistas, vendo-o na TV, em reportagens ou seriado, não posso deixar de regozijar-me e agradercer, não sei bem a quê ou a quem, o privilégio de existir nesta época, e compartilhar, ainda que distante na superfície de nosso planeta, porém muito próximo no mundo das idéias, da existência de um ser humano como Carl Sagan.
Carl Edward Sagan nasceu em 9 de novembro de 1934, filho Rachel e Samuel Sagan (um alfaiate russo, emigrante da União Soviética), em New York, nos Estados Unidos.
Aos 12 anos teve seu interesse irreversivelmente atraído pela astronomia.
Em 1954 formou-se em física na Universidade de Chicago, onde, em 1955 bacharelou-se, em 1956 completou o mestrado e em 1960 completou também seu Doutorado em Astronomia e Astrofísica.
Entre 1960 e 1968 Carl Sagan lecionou em algumas das principais universidades norte-americanas: Harvard, Stanford e Cornell.
Nessa última, onde lecionou a partir de 1968, fundou e dirigiu o Laboratório de Estudos Planetários.
Foi colaborador da NASA, como consultor e conselheiro, desde os anos 50, e em diversos projetos de grande envergadura, tendo participado de forma decisiva na preparação e planejamento das missões Apolo (à Lua), Mariner e Viking (à Marte), Voyager (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) e Galileo.
Junto com outros pesquisadores e nomes de peso no cenário artístico americano (Paul Newman, etc), fundou e dirigiu a The Planetary Society.
Recebeu 22 títulos de honra concedidos por instituições de ensino superior dos Estados Unidos.
Sagan teve participação decisiva na explicação do efeito estufa na atmosfera de Vênus. Também ajudou a explicar as mudanças sazonais na atmosfera de Marte e o efeito de moléculas orgânicas complexas na atmosfera de Titan, satélite de Saturno.
Além de inúmeros artigos em boletins e revistas especializadas, em revistas de divulgação e em revistas para o grande público, Sagan publicou vários livros. Alguns técnicos e outros de divulgação científica.
Recebeu o prêmio Pulitzer de literatura, em 1978, por seu fascinante livro, Os Dragões do Éden.
Recebeu 3 prêmios Emmy (o “Oscar” da TV) por sua série para TV, Cosmos. Estima-se que Cosmos tenha sido assistida por mais de 500 milhões de pessoas em mais de 60 países. Seu livro, de mesmo nome, permaneceu por mais de 70 semanas na lista dos mais vendidos do New York Times.
Em seus últimos anos, vivia em Ithaca, New York.
Com 62 anos, foi acometido de uma forte pneumonia, adquirida devido a fragilização causada em seu organismo pela mielodisplasia — doença da medula, perniciosa como o câncer, que o acompanhava há cerca de 2 anos.
Em 20 de dezembro de 1996, Carl Sagan deixou finalmente seu planeta natal. Deixou-nos e rumou, sozinho, para as estrelas.

Carl Sagan

Carl Sagan

PLANETS
INTELLIGENT LIFE IN THE UNIVERSE (Vida Inteligente no Universo) (1966) - com Shklovskii
Communicaton with Extraterristrial Intelligent (1973)
THE COSMIC CONNECTION - AN EXTRATERRESTRIAL PERSPECTIVE (1973)
Mars and the Mind of Man (1973), com Ray Bradbury, Arthur C. Clarke, Bruce Murray and Walter Sullivan
Other WORLDS (1975)
The Dragons of Eden: Speculations on the Evolution of Human Intelligence (Dragões do Éden) (1977)
MURMURS OF EARTH: THE VOYAGER INTERESTELLAR RECORD (Murmúrios da Terra: Disco Interestelar Voyager) (1977) - com vários F. D. Drake, Ann Druyan, Timothy Ferrys, Jon Lomberg e Linda Satzman Sagan)
BROCA’S BRAIN: REFLECTIONS ON THE ROMANCE OF SCIENCE (O Romance da Ciência) (1979)
COSMOS (Cosmos) (1980)
COMET (Cometa) (1985) - com Ann Druyan, sua 3ª esposa
The Nuclear Winter: The World after Nuclear War (O inverno nuclear: O mundo depois da guerra nuclear) (1985)
CONTACT (Contato) (1986) - seu único, e esplêndido, livro de Ficção Científica
THE NUCLEAR WINTER: THE WORLD AFTER NUCLEAR WAR (1985)
A Path Where no Man Thought: Nuclear winter and the End of the Arms Race (1990) - com Richard Turco
SHADOWS OF FORGOTTEN ANCESTORS: A SEARCH FOR WHO WE ARE (1992), com Ann Druyan
PALE BLUE DOT: A vision of the human future in space (Pálido Ponto Azul) (1994)
The Demon-Haunted World: Science as a Candle in the Dark (O Mundo Assombrado pelos Demônios) (1996)
Billions and Billions: Thoughts on life and Death at the Brink (Bilhões e Bilhões) (1997), publicado postumamente por Ann Druyan

Carl Sagan
“De fato, a época mais excitante, satisfatória e estimulante para se estar vivo é justamente aquela em que se passa da ignorância ao conhecimento desses assuntos fundamentais; a época em que se começa na imaginação e se termina no entendimento. Em todos os 4 bilhões de anos da história da vida em nosso planeta, e nos 4 milhões de anos de história da família humana, só a uma geração cabe o privilégio de viver este momento único de transição: essa geração é a nossa.”
“A Ciência é antes um modo de pensar do que propriamente um conjunto de conhecimentos.”
“A Ciência nos esclarece sobre as questões mais profundas das origens, naturezas e destinos – de nossa espécie, da vida, de nosso planeta, do Universo. Pela primeira vez na história humana somos capazes de adquirir uma verdadeira compreensão desses temas. Toda cultura sobre a Terra tem tratado deles e valorizado a sua importância. Todos nós nos sentimos tolos, quando abordamos essas questões grandiosas. A longo prazo, a maior dádiva da Ciência talvez seja nos ensinar , de um modo ainda não superado por nenhum outro empenho humano, alguma coisa sobre nosso contexto cósmico, sobre o ponto do espaço e do tempo em que estamos, e sobre quem nós somos”.
"Eu afirmo que existe muito mais maravilha na Ciência do que na pseudociência. E, além disso, em qualquer medida que este termo tenha algum sentido, a Ciência tem a virtude adicional, que não é desprezível, de ser verdadeira".
"Caso se explicasse a Ciência ao indivíduo médio de uma maneira que fosse acessível e emocionante, não haveria espaço para a pseudociência. Mas há um tipo da Lei de Gresham que estabelece que na cultura popular a Ciência ruim tira o espaço da boa. E penso que a culpa disso é, em primeiro lugar, de nós da comunidade científica por não fazermos um trabalho melhor de popularização da Ciência, e, em segundo, dos media, que é nesse sentido quase uniformemente terrível. Todo jornal na América tem uma coluna diária de astrologia. Quantos têm uma coluna ao menos semanal de astronomia? E eu acredito que também é culpa do sistema educacional. Nós não ensinamos como pensar. Esta é uma falha muito séria que pode até, em um mundo equipado com 60.000 armas nucleares, comprometer o futuro da humanidade."

Carl Sagan