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Carl Sagan

O ser humano está em constantes mudanças. E essas mudanças se desenvolvem de maneira retilínea, quando se trata da evolução da própria espécie, visto que nos patamares da psicologia, a descoberta científica incentiva esse amadurecimento. Na obra de Sagan, observamos que o desenvolvimento humano se inicia a partir do momento em que o mesmo se prosta diante da natureza e observa os fenômenos periódicos (não poderia ser diferente, uma vez que a periodicidade de um acontecimento nos remete sempre a uma causa comum). É interessante observarmos que em 2001, uma Odisséia no Espaço(A.C. Clarke, 2001: Uma Odisséia Espacial. Editora Expressão e Cultura, 1969.) o autor relaciona o início da evolução do homem a partir do momento em que o mesmo se utiliza dos meios naturais para fazer prevalecer a sua vontade, daí o salto até os dias de hoje.

Esse homem que nos no passado dividia o seu espaço com répteis gigantescos e se abrigava em cavernas, com o passar do tempo torna-se sedentário, inventa a escrita, descobre a máquina a vapor, defraga a Segunda Guerra e enfim pisa na lua (início para aquele que seria (e ainda) o maior desafio ao próprio homem: desvendar o Cosmos).

Na linguagem do autor, Cosmos é tudo o que já foi, tudo o que é e que será. O homem é apenas uma fagulha da enorme fogueira da sabedoria cósmica . Sem dúvida, todos os tópicos abordados em sua obra fornecem dados mais do que palpáveis para essa verificação. O autor então nos mostra que o homem da antigüidade já observava o universo e estudava os astros no intuito de desvendá-lo. Tamanha a apreciação do sapiens nesse período, que os grandes filósofos (Demócrito e suas idéias avançadas, como o átomo, o início do cálculo diferencial e integral, propondo a divisão de sólidos em placas bem finas, para o cálculo de seu volume. Pitágoras e suas hipotenusas e catetos, que muito influenciou Platão. Aristóteles, que explicou o sistema de eclipses e fases da lua Aristarco, primeiro a supor que a Terra não era o centro do universo. Eratóstenes, primeiro a medir o diâmetro da Terra. Hiparco, que estimou brilho de cerca de 850 estrelas, e fez mapas de constelações. Ptolomeu que formulou uma teoria sobre o universo, mas com a Terra no centro. Entre muitos outros.) em muito contribuíram para modificar a abordagem hoje dada a diverso fenômenos cosmologicos.

De onde viemos? Quando viemos? Para onde vamos e o melhor, como vamos? Eram os Deuses Astronautas (sic)?(Erik Von Daniken, Eram os Deuses Astronautas. Companhia Melhoramentos de S.P. S.A.)

E foi exatamente da necessidade do homem em obter resposta para o porque de tudo isso que ele criou a muralha que o defende ou que o isola: a religião, exercendo nesse período um papel fundamental no aprisionamento e limitação no descobrir, no bloqueio em buscar respostas que estavam lá fora.

É interessante que ao lermos as páginas de Cosmos chegamos a uma conclusão, ou melhor, abramos aqui um parênteses: no final da idade antiga (mais precisamente no período de transição para a idade média) acontece o incêndio que destrói a biblioteca de Alexandria. Não que haja alguma influência direta, mas o homem medieval se distância dos fogos do céu e das artérias da terra para então se enclausurar num período que ficou conhecido como a época das trevas. Vejamos que essa analogia só se refere ao Ocidente, visto que no Oriente, civilizações como a Chinesa possuiam uma outra visão para os fenômenos que nos rodeavam. O universo nem reparou nesse descuido: continuou simplesmente sendo o que era, destruindo estrelas, criando novos sistemas solares, regendo a dança de enormes corpos celestes nessa e em todas as galáxias existente.

É nesse dilema que o homem retorna a idéia de universalidade como um todo e temos na metade da idade moderna o que poderíamos chamar hoje de o primeiro astronauta, ou melhor, maronauta (puro neologismo): Cristóvão Colombo! Ora, se o autor atento na necessidade do homem da idade moderna em descobrir novas terras, novos caminhos, novos horizontes, qual a diferença (em causa) da necessidade que o mesmo tem em desbravar o universo? Desde então retomamos ao que poderia chamar de "busca pelo conhecimento objetivo".

Mais uma vez o autor expõe claramente os fenômenos que rodeavam o ser humano e que serviriam como catapulta a impulsionar suas inquietudes. E como não poderia ser diferente, o papel que a Revulução Industrial desenvolveu nessa interação foi preponderante para que o homem enfim pudesse se lançar ao descobrimento que o rodeavam.

Vejamos o que temos até aqui: todos os fenômenos extra-galáticos, explodindo a milhões de anos-luz daqui, aqui nessa esquina do universo, Kepler desenvolve suas leis para os corpos celestes (leis essas que enviariam o homem ao espaço), Copérnico com o Heliocentrismo e Newton com suas teoria sobre a Gravitação Universal atravessando brilhantemente um dos períodos mais sombrios do planeta. E interessante e estranho como apenas uma pequena parcela da humanidade contribui para a "evolução" do todo.

Eis então que uma bifurcação na história, segundo o autor, nos levaria por um caminho diferente: Entre as revoluções americanas e francesas, Conde de La Pérouse comandava uma experdição ao oceano Pacífico, sob ordem de Luis XVI. O comandante convocava a corporação do navio na França, entre um dos muitos voluntários rejeitados, estava um jovem oficial da artilharia, chamado Napoleão Bonaparte. Qual seria o rumo da história humana, se entre a tripulação do navio, que pereceu em sua maioria após perderem-se no Pacífico Sul em 1778, estivesse Napoleão Bonaparte?

Os ideais de Liberdade, Iguadade e Fraternidade iniciam o que denominamos Época Conteporânea, a "Idade do Ouro". O homem chega enfim ao século XX em uma posição "previlegiada": todos os continentes já foram dominados, os mares todos navegados. Matéria se converte em energia, o poderio bélico se expande, mais do que o cogumelo de Hiroshima, assinatura da debilidade Humana. O avanço aero-espacial na segunda metade do século foi enorme: o homem cria os satélites e enfim (comparado à tripulação que atracara na terra de Santa Cruz) ele chega até a lua.

O Cosmos é realmente imenso. Suas possibilidades infinitas.

Cosmos é mágico: o autor nos coloca frente a nossa insignificância diante do imenso e maravilhoso universo. Mas as evidências deixam muito claro que o homem ainda tem muito o que aprender.

As Vidas das Estrelas

Tudo no Universo é formado de átomos. Estes átomos são todos formados nas estrelas, "o hidrogênio em nosso DNA, o cálcio em nossos dentes, o ferro em nosso sangue", com a exceção do hidrogênio, sendo este formado no evento conhecido como "Big Bang", que deu início ao Cosmos.

Os átomos são formados de prótons, nêutrons e elétrons. Os prótons prótons possuem carga positiva, os elétrons possuem carga negativa e os nêutrons como o próprio nome diz não possuem carga elétrica. A diversidade dos átomos se d através da quantidade variada do número dessas cargas chamadas elementares.

A atração entre as cargas opostas de elétrons e prótons é o que sustenta o átomo. As cargas iguais, por exemplo, os prótons no núcleo do átomo, se repelem firmemente. Então, a explicação para como o núcleo se mantém coeso é que existe uma força nuclear que age somente a pequenas distâncias, "a qual, como um grupo de ganchos que se prende somente quando os prótons e os nêutrons ficam muito próximos, suplantando deste modo a repulsão elétrica entre os prótons. Os nêutrons que contribuem com forças nucleares de atração e nenhuma força elétrica de repulsão, providenciam um tipo de cola que ajuda a manter o núcleo coeso".

"Para equilibrar a repulsão elétrica, pedaços de matéria nuclear devem ser colocados muito próximos para que as forças nucleares, de pequeno alcance, operem. Isto só pode acontecer em temperaturas muito elevadas, quando as partículas se movem tão rapidamente que as forças repulsivas não têm tempo para agir, temperaturas de dezenas de milhões de graus. Estas temperaturas, no Universo, só ocorrem no interior das estrelas".

O Universo é composto em quase 99% de hidrogênio e hélio. Vejamos a nossa estrela, o Sol. Uma grande bola de hélio e hidrogênio incandescente, que produz violentas tempestades solares. A atividade na superfície do Sol é relativamente fria alcançando cerca de 6.000 graus, porém seu interior tem cerca de 40 milhões de graus.

"As estrelas e seus planetas nascem do colapso gravitacional de uma nuvem de g s e poeira interestelares. A colisão das moléculas de gás no interior da nuvem aquece-a eventualmente ao ponto onde o hidrogênio começa a se transformar em hélio: quatro núcleos de hidrogênio se combinam para formar um núcleo de hélio, com uma liberação subordinada de um fóton de raio gama. Sofrendo absorção e emissão alternadas pela matéria subjacente, trabalhando gradualmente ... superfície da estrela, perdendo energia a cada etapa, a jornada épica do fóton leva um milhão de anos, como luz visível, atinge a superfície sendo irradiado para o espaço. A estrela se transforma. O colapso da nuvem pré-estelar foi detido. O peso das camadas exteriores da estrela é agora suportado por temperaturas e pressões altas geradas no interior das reações nucleares. O sol tem estado nesta situação estável nos últimos cinco bilhões de anos. Reações termonucleares, como as em uma bomba de hidrogênio, potencializaram o Sol em uma contida e contínua, convertendo cerca de quatrocentos milhões de toneladas de hidrogênio em hélio a cada segundo. Quando olhamos para cima ... noite e vemos as estrelas, tudo o que vemos está brilhando por causa da fusão nuclear distante...O Sol brilha palidamente em neutrinos, os quais como os fótons, não pesam nada e viajam ... velocidade da luz".

Neste exato momento bilhões de neutrinos estão atravessando o seu corpo, vindos diretamente do Sol. Apenas uma pequena parte interage coma matéria.

"Mas o destino de uma estrela, o final de seu ciclo de vida, depende muito da sua massa inicial. Quando o hidrogênio central tiver todo reagido para formar o hélio, daqui a cinco ou seis bilhões de anos, a zona fusão do hidrogênio migrar lentamente para fora até atingir o local onde as temperaturas são maiores do que dez milhões de graus. A fusão do hidrogênio se encerrar . Enquanto isto, a gravidade própria do Sol forcar uma nova concentração do núcleo rico em hélio e um aumento posterior em suas temperaturas e pressões interiores. Os núcleos de hélio serão comprimidos ainda mais. A cinza se transformar em combustível e o Sol se engajar em um segundo ciclo de reações de fusão".

"Este processo gerar os elementos carbono e oxigênio, e providenciar uma energia adicional para que o Sol continue a brilhar por um tempo limitado. Tornar-se- uma estrela gigante vermelha, atingirá e devorará os planetas Mercúrio e Vênus, e provavelmente também a Terra".

Com este acontecimento todo o planeta Terra ser inundado pelo derretimento das calotas polares. Quem sabe este não ser um novo dilúvio e terão de serem construídas novas Arcas de Nóe? Logo após, o planeta continuar sendo aquecido, sua superfície inundada ferver e se tornar ressecada sem nenhuma chance para a vida.

"Após todo o hélio central ter sido quase inteiramente usado, se iniciar uma nova rodada de reações, e a atmosfera solar ser expandida. Os restos do Sol, o centro solar exposto, ser uma pequena estrela quente, esfriando no espaço, colapsando em uma densidade jamais imaginada na Terra, mais de uma tonelada em uma colher de chá. O Sol se tronar uma anã branca, esfriando até se tornar uma anã preta, escura e morta". Se uma estrela com dez vezes mais massa que o Sol, a partir do momento que começa a colapsar, atinge uma densidade muito maior da qual o nosso Sol atingir , ela tornar-se... um buraco negro.

O autor sugere que "a origem e a evolução da vida estão ligadas de modo muito íntimo com o origem e evolução das estrelas". Para explicar isso, ele enumera quatro pontos.

"Primeiro: os átomos foram feitos a muito tempo nas gigantes vermelhas, e sua abundância se iguala com ... dos elementos químicos de modo a não deixar dúvidas que supernovas e gigantes vermelhas são o forno e o cadinho no qual a matéria foi forjada".

"Segundo: a existência de átomos pesados na Terra sugere que houve uma supernova próxima pouco antes do sistema solar ser formado".

"Terceiro: quando o Sol se estabilizou, sua radiação ultravioleta penetrou na atmosfera terrestre, e seu aquecimento gerou raios. Essas fontes de energia lançaram as moléculas orgânicas complexas que levaram a origem ... vida".

"Quarto: a vida terrestre ocorre quase que exclusivamente ... luz solar".

Com isso o autor conclui que a evolução da vida na Terra têm uma relação muito direta com supernovas distantes no Universo.

A vida e sua evolução no cosmos

Há muito tempo nos questionamos se há vida em outros lugares além do planeta Terra. Muitas evidências indicam que isso é possível, havendo chances significativas de haver vida em outros lugares. A existência de inúmeros sóis como o nosso pelo universo, e de planetas que giram em torno deles, já é um bom pressuposto para se acreditar na existência dessa vida.

Mas como será ela? De que será formada? Como se originaram e como evoluem? Para termos alguma idéia, vamos inicialmente analisar como que a vida surgiu aqui no planeta Terra.

No início, só existiam moléculas orgânicas, que foram se agrupando para a formação de seres microscópicos, que depois evoluíram para o que somos hoje, assim como as outras espécies do planeta. Entre as estrelas, existem nuvens de gás e poeira; onde foram encontradas dúzias de diferentes tipos de moléculas orgânicas pelos rádio-telescópios, o que sugere que a essência da vida esteja em toda a parte. Talvez a origem e a evolução da vida seja uma inevitabilidade cósmica. Nesses bilhões de planetas da Via Láctea, pode ser que a vida nunca desponte; que desponte e se extinga; que nunca evoluam além de suas formas mais simples; ou que, em raras ocasiões, ela desenvolva inteligências e civilizações mais adiantadas do que a nossa.

As observações de que as condições da Terra são por coincidência perfeitamente adaptadas à vida, podem ser uma confusão de causa e efeito. Nós, como produtos da Terra, estamos supremamente bem adaptados ao seu ambiente porque surgimos e evoluimos aqui. Não será possível que organismos diferentes evoluam em um mundo de ambiente diferente?

Toda a vida na Terra está intimamente interligada. Possuímos uma química orgânica e uma herança evolutiva comuns. Como conseqüência, nossos biólogos são profundamente limitados. Estudam somente um tipo de biologia, um único modelo de organização da vida; o que revela que suas teorias quanto às condições naturais de outros planetas pode estar errada. As atuais espécies que habitam nosso planeta surgiram de acordo com a evoluçÃo e adaptação das mesmas às condições naturais que lhe foram impostas.

A evolução dos organismos vivos na Terra ocorreu de duas maneiras: a evolução física e a da mente, apesar de as duas estarem intimamente ligadas. A evolução física se deu de duas formas: a evolução artificial e a evolução natural. A evolução mental, no entanto, percorreu caminhos e obstáculos diferentes; desenvolvendo-se de modo mais complexo e variado.

Para que essa evolução fosse viável, desenvolveu-se a memória; que possibilitou a indentificação do animal em sua espécie, sua descendência, a comunicação, a alimentação, ou, resumidamente, como viver.

A memória divide-se em dois tipos: a memória cerebral e a dos genes. A memória genética comanda as reações instintivas do corpo, como as reações químicas do organismo e suas necessidades para manter o bom funcionamento. Ela comanda a digestão, as trocas gasosas da respiração, a quantidade e a intensidade dos batimentos cardíacos, o nível de glicose no sangue e muitas outras funções.

Essa memória genética é extremamente importante para a manutenção das nossas funções vitais, pois se fosse para realizarmos todas as operações que nossos corpos realizam instintivamente; já estaríamos extintos, devido à complexidade dessas tarefas e do tempo necessário para realizá-las.

A outra memória é a cerebral, que guarda os nosso pensamentos, experiências e fantasias. As pricipais responsáveis por essa memória são as redes de conexões neurais. É principalmente devido a elas que nossos cérebros evoluíram bastante nos últimos milhões de anos em relação às outras espécies.

O cérebro é um local muito grande em um espaço muito pequeno. Ele compara, sintetiza, analisa e gera abstrações. Apesar disso, chegou uma época onde houve a necessidade de sabermos muito mais informações do que podia ser convenientemente contida em nossos cérebros. Surgiu daí um estoque de informações localizado fora de nosso corpo, de que nos utilizamos até hoje. A esse depósito demos o nome de biblioteca, e sua invenção foi um passo determinante no surgimento da sociedade atual.

A escrita é talvez a maior das invenções humanas, unindo pessoas, cidadãos de épocas distantes que nunca se conheceram.

Alguns dos primeiros autores escreveram na argila e seu propósito era manter os registros importantes guardados. Por milhares de anos a escrita se manteve realizando-se uma cópia de cada vez de cada documento. Com a invenção da imprensa, a escrita passou a ser mais difundida; e com o advento do tipo móvel, houve uma explosão no número de publicações existentes, tornando a escrita e as informações dos bibliotecas cada vez mais acessíveis às pessoas comuns, até se chegar aos dias de hoje, onde o conhecimento é pedra fundamental no desenvolvimento de nossa sociedade.

Decorreram vinte e três séculos após a fundação da Biblioteca de Alexandria. Se não existissem livros nem registros escritos, como nos desenvolveríamos nesse tempo? Com quatro gerações por século, passaram-se quase cem gerações de seres humanos. Se a informação passasse somente através da linguagem oral, pouco saberíamos sobre nosso passado; e nosso progresso seria lento. Tudo dependeria das descobertas antigas contadas acidentalmente a nós e da precisão dos relatos.

Há dez mil anos atrás, não havia vacas leiteiras, cães de caça ou cereais de espigas grandes. Quando domesticamos os ancestrais dessas plantas e animais, controlamos as suas proles; assegurando-nos de que variedades que apresentavam propriedades consideradas desejáveis se reproduzissem preferencialmente. Essa é a essência da seleção artificial. Já aquela vida que foi alterada ao longo das eras e está inteiramente livre das alterações que fizemos nos animais selvagens e nos vegetais, estão sujeitos à evolução natural.

Charles Darwin, em sua obra "A origem das espécies", analisou a natureza, concluíndo sua característica prolítica: nascem muito mais plantas e animais do que os que apresentam possibilidade de sobreviver. Com isso, o ambiente seleciona as variedades que são, por acidente, melhor adaptadas à sobrevivência. As mutações servem de meio para a adaptação das espécies, multiplicando a variedade. São as mudanças no DNA, o instrumento de transmissão de dados biológicos entre as gerações de uma espécie, que conduzem a evolução da vida na Terra.

Um grande salto evolutivo foi dado a cerca de dois bilhões de anos atrás, com o surgimento do sexo. Antes disso, a evolução ocorria por mutações fortuitas no código genético de um organismo, pois a reprodução se dava a partir de um único indivíduo, o que tornava a evolução lenta. Com o advento do sexo, dois organismos podiam trocar páginas inteiras de seu DNA, produzindo novas variedades prontas para o crivo da seleção. Devido a isso, os organismos são feitos para se engajarem no sexo; pois aqueles que o acham desinteressante logo se tornam extintos. Isso explica o comportamento animal, onde há uma supervalorizaçao da prática do sexo como fator reprodutivo.

Apesar da clara diferença, as células animais e vegetais evoluíram provavelmente de um ancestral comum, devido ao seu funcionamento semelhante; com estruturas análogas e modo de transmissão das características aos seus descendentes extremamente semelhante. Isso leva a crer que há bilhões de anos atrás, quando só existiam moléculas simples, houve o surgimento de uma organização celular semelhante às celulas atuais, que se tornou o ancestral comum de plantas e animais; o que implica em um distante grau de parentesco entre o ser humano e as plantas que o rodeiam. Logo, quando o homem corta uma árvore, está destruíndo um parente distante; ou próximo se levarmos em consideração uma comparação com seres de outros mundos.

Nós, seres humanos, parecemos bem diferentes de uma árvore. Sem dúvida, percebemos o mundo de uma maneira bem diferente de um vegetal. Mas no fundo, no íntimo molecular da vida, árvores e nós somos essencialmente idênticos. Mesmo se a vida em outro planeta apresentar a mesma química molecular da vida aqui, não há razão para esperarmos que pareçam organismos familiares. Consideremos a enorme diversidade de formas de vida na Terra, todas compartilhando do mesmo planeta e de idêntica biologia molecular. Estes prováveis animais e vegetais encerram provavelmente diferenças radicais de qualquer organismo que conhecemos aqui.

Pode ser que a evolução das espécies também tenha ocorrido em algum outro planeta, ou que esteja ocorrendo nesse exato momento, ou ainda que ainda vá ocorrer em algum lugar no futuro.

A Biologia se assemelha muito mais à Hitória do que à Física. Temos que conhecer o passado para compreender o presente. Muitos assuntos ainda são muito complicados para nós, mas podemos nos conhecer melhor através da compreensão de outros. O estudo de um único instante de vida extraterrestre desprovincializaria a Biologia, que reconheceriam pela primeira vez que outros tipos de vida são possíveis.

Se existirem seres inteligentes em planetas de estrelas razoavelmente próximas, poderão eles terem algum indício de nossa progressão evolucionária dos genes para cérebros e bibliotecas que ocorreu no obscuro planeta Terra?

Uma das formas seria captando ondas de rádio com rádiotelescópios, que passaram a ser emitidas pela terra a partir das tranmissões da TV em rede mundial, há algumas décadas atrás. Essas ondas viajam à velocidade da luz, varrendo uma grande distância em um curto espaço de tempo.

Uma outra forma, seria uma dessas civilizações inteligentes interceptar uma das naves Voyager, que foram lançadas para fora do sistema solar, carregando um disco com mensagens de saudações, músicas e informações sobre o nosso planeta de modo que se alguma civilização vier a encontrá-la algum dia, descubra que não estão sozinhos no universo. Que saibam que existe aqui uma espécie de inteligência desenvolvida, que deseja contato com alguma civilização no Cosmo, para que não se sinta sozinha e isolada no meio do vazio interestelar que aflige os astrônomos e cientistas engajados nessa eterna procura, até hoje sem resposta.

Nosso Presente

Foi a Terra visitada por extraterrestres no passado? ou mesmo no presente? De fato mais de uma civilização alienígena já foi encontrada, fato ocorrido na descoberta dos europeus da civilização egípcia e a tradução de suas inscrições. No início do século XIX Joseph Fourier descobriu, ao inspecionar uma escola, um jovem de 11 anos, fascinado por línguas orientais, que mais tarde, com o fornecimento de materiais em princípio por Fourier, decifrou os hieróglifos egípcios, seu nome era Jean François Champollion, que mais tarde iria desvendar os mistérios dos hieróglifos egípcios, um encontro com uma civilização alienígena.

Hoje vários radiotelescopios buscam mensagens extraterrestres vindas do longínquo espaço cósmico. Talvez vindas de uma civilização que contempla o firmamento do mesmo modo que nós, só que a milhares de intransponíveis anos-luz de distância.

OK, mas haveria realmente alguém por aí, disponível para conversação? Frank Drake propôs uma fórmula que estima o número de civilizações técnicas existentes na galáxia a qualquer momento, influenciado por vários fatores, que vão de astronomia até política. c Como somos o único exemplo desse tipo de civilização, esses fatores são apenas estimados, podendo livremente ser reformulados ao bem entender de quem quiser.

Como resultado temos apenas 10 civilizações técnicas no momento, mas admitindo que a fração de inteligências que alcançam a maturidade e ultrapassam o perigo de autodestruição como sendo umcentésimo, esse número chega à casa dos milhões, algo tentador.

Isso nos leva a pensar sobre um possível encontro diplomático interestelar, desde que iniciamos a exploração, seja marítima, seja espacial ou qualquer outra, nos deparamos com o conhecimento do novo, do diferente. Durante essas explorações marítimas encontramos nossas primeiras civilizações alienígenas, os nativos das terras novas. Os resultados desses encontros invariavelmente não foram dos melhores, sempre levando à destruição do mais fraco, pelo mais forte. A idéia de uma nova ocorrência, de escala cósmica, não é absurda, caso nós humanos encontremos uma civilização, esperamos que os fatos passados não se repitam. Seria uma perda inestimável de novas culturas, novos modos de pensamento, ciência e política. Uma troca de informações e estudos da civilização nova, levaria a avanços gigantescos, provendo lucros para ambos participantes.

A cerca de 2000 anos, emergiu uma civilização científica esplêndida na nossa história, onde sua base era em Alexandria. Apesar das grandes chances de florescer, ela decaiu. Sua última cientista foi uma mulher, considerada pagã, seu nome era Hipácia. Com uma sociedade conservadora à respeito do trabalho da mulher e do seu papel, com o aumento progressivo de poder da igreja, formadora de opiniões e conservadora quanto à ciência, e devido à Alexandria estar sob domínio romano, essa biblioteca foi, em 415, junto com o assassinato de Hipácia, ateada fogo, junto com todo o progresso científico e filosófico da época.

Com o passar dos séculos, o ser humano foi expandindo seus limites, passando de interação apenas com a família, até o envio de pequenas naves interplanetárias pelo sistema solar e além, os primeiros artifícios humanos a deixar o planeta permanentemente.

Este estágio de desenvolvimento tecnológico tem sido mal empregado, durante essa última metade de século, varios países desenvolveram a bomba nuclear. Uma teste termonuclear ocorrido num ano qualquer recente, foi equivalente à todo o poder explosivo lançado durante toda a segunda guerra mundial, sobre todas as cidades bombardeadas. Cerca de dois megatons(2 milhões de toneladas de TNT).

Um homem chamado L. F. Richardson colheu dados sobre guerras entre 1820 e 1945, e como resultados de seus estudos construiu um diagrama que mostrava um período de tempo que deve ser esperado para a ocorrência de uma guerra com certo número de mortes. Pelos seus resultados, a guerra final, estaria localizada ao redor de 2820, levando 1000 anos a partir do ano do primeiro conflito computado. Mas a proliferação do armamento nuclear, baixaria esse número assustadoramente para o início do século XXI, um futuro muito próximo.

Apesar da grande variedade de dados alarmantes sobre o perigo nuclear, as finanças para o desenvolvimento e manutenção da tecnologia vem aumentando gradativamente, centenas de bilhões de dólares. Qual é a justificativa razoável para termos milhares de ogivas preparadas para atingir um ponto estratégico no planeta a qualquer momento? É preciso uma mudança radical no modo de pensar dos governantes egoístas, para que nossa sobrevivência nesse frágil planeta azul seja algo mais certo.

O custo de um programa russo do avião F-16 ou americano F/A-18 de um ano é o equivalente ao valor dos gastos da NASA por mais de uma década. O aumento de financiamento espacial é necessário, é a curiosidade e sede por respostas intrigantes que estão em jogo, e a identificação do ser humano no Cosmos, o nosso papel. É acima de nós que vamos encontrar respostas às perguntas mais intrínsecas à nossa alma. A busca de nossa origem é o sentimento mais profundo do ser humano, e a resposta realmente "está la fora", no Cosmos.

Pode-se ver que o autor busca uma aproximação do leitor, ao tocar nos pontos mais delicados da civilização atual, tenta nos mostrar que é preciso uma mudança em larga escala dos conceitos valorizados hoje, dos nossos "representantes" políticos, para uma mudança no modo de pensar e agir da sociedade amanhã. Sem essa revolução nosso planeta tem uma grande chance de nunca chegar a descobrir se é o único a abrigar uma raça inteligente, ávida por conhecimento, mas num certo ponto de desenvolvimento, ávida por destruição também.

Fonte: www.ime.usp.br

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