“Este é tempo de partido,
tempo de homens partidos.
Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra.”

4 de setembro de 2007
Na última sexta-feira, completaram-se 20 anos da morte do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, que ao longo de sua vida publicou mais de 80 títulos originais, entre poesias, contos, ensaios e crônicas, além das antologias e traduções para o alemão, búlgaro, chinês, dinamarquês, e diversos outros idiomas.

Drummond, considerado um dos maiores nomes da história da poesia brasileira, foi autor de uma poética inovadora que acompanhava os fatos, sempre se modificando e se inovando. Usava como tema o seu tempo e os acontecimentos políticos que influenciaram sua época, como as ditaduras, a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria. Dono se um senso de humor corrosivo, retrata também com muita ironia a banalidade da vida cotidiana de qualquer indivíduo. Característica marcante em sua obra é a linguagem seca, precisa, direta e limpa de acessório.

Inserido historicamente na segunda geração de poetas modernistas e herdeiro das inovações de seus antecessores, Drummond as consolida, proclamando a liberdade das palavras e utilizando o idioma de uma maneira que autoriza a sua modelação à revelia das convenções usuais. Seguindo o caminho proposto por Mário de Andrade, institui o verso livre, libertando também o ritmo, demonstrando assim que este não é dependente de um metro fixo. Drummond faz parte da corrente mais lírica do Modernismo, lado a lado com Mario de Andrade.
Sua poesia procura espelhar o homem do presente, fazendo uma reflexão sobre a existência, a solidão, o amor, a carência afetiva, o imediatismo da vida e suas lutas. Algumas de suas principais obras são “A Rosa do Povo”, “Algumas Poesias”, "Brejo das Almas" e "Cadeira de Balanço".
Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro, em Minas Gerais, no dia 31 de outubro de 1902. Filho de uma família de fazendeiros em decadência, estudou em Belo Horizonte com padres jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo (RJ), de onde algum tempo depois foi expulso por "insubordinação mental". Voltando a Belo Horizonte, começou sua carreira de escritor trabalhando como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.

Ante a insistência familiar para que conseguisse um diploma, formou-se no curso de Farmácia, na cidade de Ouro Preto em 1925. Fundou juntamente com outros escritores "A Revista", importante veículo de afirmação do modernismo em Minas, apesar de sua breve existência. Tornou-se funcionário público e, em 1934, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se tornou chefe de gabinete do ministro da Educação durante o governo Vargas até 1945. A seguir, foi trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, se aposentando em 1962. Desde 1954 era cronista colaborador do jornal "Correio da Manhã" e, a partir do início de 1969, no Jornal do Brasil.
Vincula-se ao modernismo e lança seus primeiros livros, "Alguma poesia" em 1930; e "Brejo das almas" de 1934, onde destacam-se a sua descontração sintática e os poema-piada.
Ao longo de sua carreira, paralelamente à sua produção, Drummond também fez diversas traduções de importantes autores, como Balzac (Os camponeses), Choderlos de Laclos (As relações perigosas), Marcel Proust (A fugitiva), García Lorca (Dona Rosita, a solteira), François Mauriac (Uma gota de veneno) e Molière (Artimanhas de Scapino).
Recebeu também diversos prêmios por sua obra, como o Estácio de Sá (jornalismo), o Fernando Chinaglia, da União Brasileira de Escritores, o Morgado Mateus (Portugal-poesia) e o Padre Ventura do Círculo Independente de Críticos Teatrais.
Em agosto de 1987, Drummond havia ficado extremamente abalado com a morte de sua única filha, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade, vítima de câncer no dia 5 daquele mês. O poeta morreu no dia 17 de agosto de 1987, vítima de problemas cardíacos e é enterrado no mesmo túmulo que a filha, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.
Fonte: www.pco.org.br
Nascimento: 1902/10/31 Itabira do Mato Dentro [Itabira] MG
Morte: 1987/08/17
Época: Modernismo (Segunda Geração)
País: Brasil
Carlos Drummond de Andrade (Itabira do Mato Dentro [Itabira] MG, 1902 - Rio de Janeiro RJ, 1987) formou-se em Farmácia, em 1925; no mesmo ano, fundava, com Emílio Moura e outros escritores mineiros, o periódico modernista A Revista.
Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu o cargo de chefe de gabinete de Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde, que ocuparia até 1945. Durante esse período, colaborou, como jornalista literário, para vários periódicos, principalmente o Correio da Manhã. Nos anos de 1950, passaria a dedicar-se cada vez mais integralmente à produção literária, publicando poesia, contos, crônicas, literatura infantil e traduções.
Entre suas principais obras poéticas estão os livros:
Drummond produziu uma das obras mais significativas da poesia brasileira do século XX.
Forte criador de imagens, sua obra tematiza a vida e os acontecimentos do mundo a partir dos problemas pessoais, em versos que ora focalizam o indivíduo, a terra natal, a família e os amigos, ora os embates sociais, o questionamento da existência, e a própria poesia.
Fonte: www.astormentas.com