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Cartografia

 

A arte de traçar mapas começou com os gregos que, no século VI a.C., em função de suas expedições militares e de navegação, criaram o principal centro de conhecimento geográfico do mundo ocidental. O mais antigo mapa já encontrado foi confeccionado na Suméria, em uma pequena tábua de argila, e representa um Estado. A confecção de um mapa normalmente começa a partir da redução da superfície da Terra em seu tamanho. Em mapas que figuram a Terra por inteiro em pequena escala, o globo se apresenta como a única maneira de representação exata. A transformação de uma superfície esférica em uma superfície plana, recebe a denominação de projeção cartográfica.

Cartografia, portanto, é a arte e ciência de graficamente representar um área geográfica em uma superfície plana como em um mapa ou gráfico (normalmente no papel ou monitor). As representações de área podem incluir superimposições de diversas informações sobre a mesma área através de símbolos, cores, entre outros.

A Cartografia data da pré-história quando era usada para delimitar territórios de caça e pesca. Na Babilônia os mapas do mundo eram impressos em madeira num disco liso, mas foram Eratosthenes de Cirene e Hiparco (século III a.C.) que construíram as bases da moderna cartografia com um globo como forma e um sistema de longitudes e latitudes. Ptolomeu desenhava os mapas em papel com o mundo dentro de um círculo, sendo imitado na maioria dos mapas feitos até a Idade Média. Foi só com a era dos descobrimentos que os dados coletados durante as viagens tornaram os mapas mais exatos.

Com a descoberta do novo mundo, a cartografia começou a trabalhar com projeções de superfícies curvas em impressões planas. A mais usada e conhecida é a projeção Mercator.

Hoje em dia a cartografia é feita através de fotometria e de sensoreamento remoto por satélite e, com a ajuda de computadores, mais informações podem ser visualizadas e analisadas pelos geógrafos, fazendo mapas que chegam a ter precisão de até 1 metro.

MAPAS

A localização de qualquer lugar na Terra pode ser mostrado num mapa. Mapas são normalmente desenhados em superfícies planas em proporção reduzida do local da Terra escolhido. Nenhum mapa impresso consegue mostrar todos os aspectos de uma região. Mapas em contraposição a foto aéreas e dados de satélite podem mostrar muito mais do que apenas o que pode ser visto. Podem mostrar, por exemplo: concentração populacional, diferenças de desenvolvimento social, concentração de renda, entre outros. Os mapas, por sua representação plana, não representam fielmente um mundo geóide como a Terra, o que levou cartógrafos a conceberem globos, que imitam a forma da Terra.

Os mapas mais comuns são os políticos e topográficos, o primeiro representando graficamente os continentes e as fronteiras entre os países e o segundo representando o relevo em níveis de altura (normalmente também incluindo os rios mais importantes). Para desenhar mapas cartográficos depende-se de um sistema de localização com longitudes e latitudes, uma escala, uma projeção e símbolos. Hoje em dia, boa parte do material necessário ao cartógrafo é obtido de sensoreamento remoto com foto de satélite ou aerofotometria. No projeto RADAM - que mapeou o Brasil nas décadas de 70 e 80 - usou-se mais de aerofotometria e os primeiros mapas novos do país estarão saindo do IBGE em 1996. O departamento de cartografia da ONU é responsável pela manutenção do mapa mundial oficial em escala 1/1.000.000 e todos os países enviam seus dados mais recentes para este departamento.

PROJEÇÕES

A transferência de uma esfera para a área plana do mapa seria impossível se os cartógrafos não se usassem de uma técnica matemática chamada projeção. Para ilustrar esta técnica podemos imaginar como seria se abríssemos uma esfera e achatássemos ela para a forma de um plano: partes da esfera original teriam que ser esticadas para podermos fazer isto, em especial as áreas mais próximas aos os pólos, criando grandes deformações de área em um mapa mundial, se comparássemos os países perto do equador com os mais perto do pólo.

Estas técnicas de projeções vem desde os mapas da Grécia com Ptolomeu no séc. II, e foram evoluindo até que logo após a renascença o holandês Mercartor concebeu a mais simples técnica de projeção, a qual é dada seu nome. É a projeção de mapas do mundo mais conhecida até hoje. Para a representação de países, entretanto, normalmente se usa a projeção bicônica. Outras técnicas foram evoluindo até os dias de hoje, e muitas outras projeções tentaram desfazer as desigualdades de área perto dos pólos com as de perto do equador, entre elas a projeção de Gall, que permite se manter a familiaridade do mapa-múndi e ao mesmo tempo diminuir as distorções.

SENSOREAMENTO REMOTO

Quase a totalidade da coleta de dados físicos para cartógrafos, geólogos e oceanógrafos é feita através de sensoreamento remoto por meio de satélites especializados que tiram fotos da Terra em intervalos fixos. Estas imagens podem ser feitas através da escolha do espectro de luz que se quer enxergar e alguns podem enviar sinais para captá-los em seu reflexo com a Terra, gerando milhares de possibilidades de informação sobre minerais, concentrações de vegetação, tipos de vegetação, entre outros. Alguns satélites, especialmente os de uso militar, conseguem enxergar um objeto de até vinte centímetros na superfície da Terra, quando o normal são resoluções de vinte metros.

Várias empresas internacionais existem com o fim de vender imagens de satélite sob encomenda. No Brasil, algumas agências estão presentes, sendo que o INPE (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial) possui instalações completas que vem fornecendo imagens para vários fins. Outra forma de sensoreamento remoto é a aerofotometria, que se utiliza de vôos altos para tirar fotos de dentro de aviões adaptados, artifício muito usado em agricultura e instalações de fábricas e complexos industriais, porque produz uma resolução melhor do terreno em questão.

Fonte: www.iis.com.br

Cartografia

A famosa projeção de Mercator, desenvolvida matematicamente pelo geógrafo flamengo Gerhard Kremer (Gerardus) Mercator, está relacionada à projeção cilíndrica, embora apresente certas modificações. A projeção de Mercator permite introduzir outro tipo de projeção muito utilizada em cartografia; a UTM (Universal Transversa de Mercator) que trata-se de uma projeção cilíndrica transversa secante.

Outro tipo são as projeções azimutais, que resultam da projeção do globo terrestre sobre uma superfície plana capaz de tocá-lo em qualquer ponto. Esse grupo inclui as projeções centrais (formadas pelos raios que se projetam do centro da Terra), ortográficas (o ponto de projeção dos raios encontra-se no infinito) e estereográficas planas (o ponto de projeção localiza-se em posição diametralmente oposta ao ponto de tangência).

Nas projeções cônicas (também denominadas Lambert), deve-se colocar um cone no extremo superior do globo terrestre. Após a projeção, o cone se abre até transformar-se em uma superfície plana. O cone toca o globo terrestre em todos os pontos de um único paralelo de latitude, e o mapa resultante é muito preciso no que diz respeito a todas as áreas próximas a esse paralelo.

Para um delineamento exato de áreas extensas em pequena escala, foram desenvolvidos modelos matemáticos denominados projeções matemáticas; esses modelos representam toda a Terra em círculos, ovais ou outras figuras. Os mapas desse tipo, denominados projeções descontínuas, incluem a projeção homalográfica descontínua senoidal de Goode e a projeção eqüiárea de Eckert.

A elaboração de mapas, ou cartografia, recebeu grande ajuda dos avanços tecnológicos. Exemplos disso são a fotografia aérea (com a fotografia baseada em infravermelho) e as imagens obtidas de satélites. A triangulação dos dados obtidos a partir da localização de um ponto por pelo menos três satélites, como a realizada pelo Sistema de Posicionamento Global (GPS), reduziu significativamente a margem de erro ao determinar a localização exata dos pontos da superfície terrestre.

Atualmente, os levantamentos aerofotogramétricos (Reconhecimento aéreo) são usados em conjunto com as informações tradicionais do levantamento topográfico do terreno (Geodésia). Mais recentemente, o aperfeiçoamento da fotografia feita desde satélites fornece imagens exatas de regiões bastante amplas, mas a confecção de mapas continua exigindo o uso das projeções.

Os mapas mais antigos existentes foram elaborados pelos babilônios por volta de 2300 a.C. Acredita-se que o primeiro mapa que representava o mundo conhecido foi elaborado no século VI a.C. pelo filósofo grego Anaximandro. Um dos mapas mais famosos da época clássica foi traçado pelo geógrafo grego Eratóstenes por volta de 200 a.C. Por volta de 150 d.C. Ptolomeu escreveu sua Geographia que continha mapas feitos com base num método matemático preciso de projeção cônica. O geógrafo árabe al-Idrisi criou um mapa do mundo em 1154 que foi o mais completo conhecido até o século XVI. No século XIII, os navegantes mediterrâneos criaram cartas marítimas ou portulanos.

A projeção que Gerardus Mercator concebeu para seu mapa-múndi foi de extremo valor para todos os navegantes.

A precisão dos mapas posteriores aumentou muito devido à determinação mais precisa da latitude e longitude.

No final do século XVIII, quando o espírito explorador deu lugar ao desenvolvimento do nacionalismo, um grande número de países europeus começou a realizar estudos topográficos detalhados em nível nacional. O mapa topográfico completo da França foi publicado em 1793, apresentando uma forma mais ou menos quadrada e medindo aproximadamente 11 m em cada lado. A Inglaterra, Espanha, Áustria, Suíça e outros países seguiram o seu exemplo. Nos Estados Unidos foi organizado em 1879 o Geological Survey (informe geológico) com o objetivo de elaborar mapas topográficos de grande escala de todo o país. Em 1891, o Congresso Internacional de Geografia propôs a elaboração de um mapa do mundo inteiro em uma escala de 1:1.000.000, porém, essa tarefa não foi concluída. No século XX, a cartografia passou por uma série de importantes inovações técnicas. A fotografia aérea e os satélites estão realizando estudos geodésicos completos da superfície terrestre.

Mapa, representação de uma área geográfica ou parte da superfície da Terra, desenhada ou impressa em uma superfície plana. Contém uma série de símbolos convencionais que representam os diferentes elementos naturais, artificiais ou culturais da área delimitada no mapa. Seu tipo básico é o mapa topográfico, que mostra os elementos naturais da área analisada e também certos elementos artificiais, além das fronteiras políticas.

Entre os mapas temáticos mais importantes encontram-se as cartas de navegação marítima (náuticas) e as cartas de navegação aérea (aeronáuticas). As cartas de navegação marítima cobrem a superfície dos oceanos e de outras grandes massas de água, bem como suas costas. As cartas de navegação aérea contêm a situação dos radiofaróis, dos corredores aéreos e das áreas cobertas pelos campos de transmissão das estações de rádio.

Para que um mapa possa conter uma grande quantidade de informação de fácil leitura, deve-se empregar um sistema de símbolos, que são definidos nas legendas (convenções).

A localização de um ponto no mapa pode ser definida com precisão pelos graus, minutos e segundos de latitude e longitude. Os mapas são orientados de modo que apresentam uma rosa-dos-ventos que indica a direção do pólo magnético.

A escala em que um mapa é desenhado representa a relação entre as dimensões dos elementos representados no mapa e a dimensões reais desses mesmos elementos na superfície da Terra.

As formas das curvas de nível são uma representação exata das formas das elevações e das depressões, e as curvas propriamente ditas mostram as altitudes reais.

Os diversos métodos usados para se obter um mapa plano da superfície terrestre são denominados projeções e são classificados como projeções geométricas e projeções analíticas.

Entre as primeiras encontra-se a projeção cilíndrica, em que o cartógrafo considera a superfície do mapa como um cilindro ao redor do globo terrestre, tocando-o no equador. O mapa resultante representa a superfície do mundo como um retângulo, em que as linhas paralelas de longitude têm a mesma separação entre si e as linhas de latitude têm separação diferente.

Cartografia, arte e ciência que tem por objeto traçar mapas. A confecção de mapas requeria tradicionalmente: 1) Habilidade para encontrar e selecionar informações sobre os diferentes aspectos da geografia; 2) Técnicas e habilidades de desenho com o objetivo de criar um mapa final capaz de representar com fidelidade as informações; 3) Destreza manual para desenhar as informações através do uso de símbolos, linhas e cores; 4) Técnicas de desenho para simplificar os desenhos.

Existem diferentes tipos de mapas; os topográficos mostram as características naturais ou artificiais da paisagem, os temáticos mostram temas específicos e geralmente se baseiam em um mapa topográfico.

Os mapas também podem ser classificados como de grande e de pequena escala. A distinção entre eles é arbitrária, portanto, alguns países consideram como grande escala a partir de 1:10.000, enquanto outros a consideram a partir de 1:25.000.

Durante cinco séculos, os cartógrafos criaram os mapas em papel. Nos últimos trinta anos, esse procedimento mudou com a introdução dos computadores, que automatizaram as técnicas cartográficas.

Cartografia no Brasil, processo histórico de confecção de mapas que descreveram o território brasileiro. Das cartas de navegação usadas pelos navegadores portugueses no século XVI, a mais importante foi a de Pero Lopes de Sousa, de 1530, mas devem ser mencionados o mapa-múndi chamado de Cantino - feito em 1502 por um cartógrafo português desconhecido -, que é o primeiro em que aparece a costa do Brasil, e o planisfério de Jerônimo Marini, de 1511, em que pela primeira vez as terras da América do Sul aparecem com o nome de Brasil. No século XVII o alemão George Marcgrave, que veio com Maurício de Nassau para Pernambuco, iniciou a obra Proginástica Matemática Americana, inacabada por sua morte prematura aos 34 anos. No século XVIII, o principal legado cartográfico foi deixado pelos demarcadores dos tratados de Madri (1750) e Santo Ildefonso (1777). No século XIX os trabalhos de Conrado Jacob Niemeyer (1846) e do francês Henrique de Beaurepaire-Rohan (1873) inauguraram a fase de cartas gerais que detalham a geografia do país. No século XX, as atividades de agências governamentais especializadas passaram a definir as principais referências cartográficas do Brasil, como o Serviço Geográfico do Exército, o Departamento de Hidrografia e Navegação e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, através de sua diretoria de Cartografia e Geodésia, além de órgãos especializados que utilizam a cartografia para suas funções específicas, como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e secretarias estaduais de colonização.

Atlas (cartografia), conjunto de mapas geralmente em forma de livro. Tradicionalmente são conjuntos de mapas sobre temas relacionados e quase todos produzidos em uma mesma escala.

Alguns são temáticos (estatísticos, educativos, demográficos, históricos, ou ecológicos). Os atlas regionais também são de grande importância. Sua finalidade é representar cartograficamente as relações estabelecidas entre as diferentes populações e territórios que configuram uma região e os diversos tipos de atividades estabelecidos na mesma. Os atlas nacionais, por sua vez, trazem informações sobre a orografia, a hidrografia, a geologia, os recursos naturais, a economia e a população de uma região.

A maior revolução no mundo dos mapas ocorreu com a utilização de propostas multimídia; os atlas poderão se tornar interativos e incluir muito mais informações que antes. O Atlas Mundial Encarta é um bom exemplo disso.

Coordenadas (cartografia), valores que representam a localização de um ponto num plano, em relação a duas linhas retas de interseção perpendicular. No caso das coordenadas geográficas, os meridianos e paralelos formam uma rede bidimensional que define a posição de um ponto no mapa.

As coordenadas são basicamente um par de medidas, em geral expressas em graus, minutos e segundos; no caso da longitude, elas têm como ponto de partida o meridiano de Greenwich, e variam de 0° a 180°, no sentido Leste ou Oeste; no caso da latitude, o ponto de partida é o equador, e a variação é de 0° a 90°, nos sentidos Norte ou Sul.

Escala (cartografia), relação entre as dimensões dos elementos representados em um mapa e as dimensões reais desses elementos na superfície terrestre. A escala pode ser expressa de três modos distintos: em forma de fração (por exemplo, 1/100, o que significa que o elemento representado é na realidade cem vezes maior); com uma escala gráfica (geralmente um segmento de reta em que se marcam pequenos segmentos e as distâncias reais que representam), ou com uma expressão de palavras e números.

Pólo (cartografia), em geografia, um dos extremos do eixo de rotação da Terra. O extremo norte é denominado pólo Norte e está situado a 90° de latitude N. O extremo meridional é denominado pólo Sul e está situado a 90° de latitude S. Ambos os pólos são eqüidistantes do equador da Terra.

Sistema de Informação Geográfica (SIG), sistema de informação que grava, armazena e analisa as informações sobre os elementos que compõem a superfície da Terra. Um SIG pode gerar imagens de uma área em duas ou três dimensões, representando elementos naturais, junto a elementos artificiais.

Muitos bancos de dados do SIG consistem de conjuntos de dados que são agrupados em camadas. Cada camada representa um determinado tipo de dado geográfico. O SIG pode combinar essas camadas em uma só imagem.

Um SIG é projetado para aceitar dados de uma grande variedade de fontes, incluindo mapas, fotografias de satélites, textos impressos ou estatísticas. O SIG converte todos os dados geográficos em um código digital e é programado para processar as informações e, em seguida, obter as imagens. O governo canadense criou o primeiro SIG na década de 1960.

Sistema de posicionamento global, também conhecido como GPS, é um sistema de navegação baseado num sistema de rádio espacial. Consta de 24 satélites que proporcionam posições precisas em três dimensões, velocidade e tempo, durante as 24 horas do dia, em qualquer parte do mundo e em todas as condições climáticas. Por não haver comunicação direta entre usuário e satélites, o GPS pode servir a um número ilimitado de usuários. O sistema de posicionamento global (GPS) está disponível sob duas formas básicas: SPS, iniciais de Standard Positioning Service (serviço de posicionamento padrão) e PPS, iniciais de Precise Positioning Service (serviço de posicionamento preciso). O SPS proporciona a posição horizontal exata a 100 m. A exatidão horizontal do PPS é de 20 m. Aos usuários autorizados, geralmente militares dos Estados Unidos e seus aliados, o PPS também proporciona maior resistência à saturação e imunidade aos sinais enganosos.

FUNCIONAMENTO

Os satélites GPS possuem relógios atômicos de alto grau de precisão. A informação horária se situa nos códigos de transmissão mediante os satélites, de forma que um receptor pode determinar em cada momento quanto tempo se transmite o sinal. Esse sinal contém dados que o receptor utiliza para calcular a localização dos satélites e realizar os ajustes necessários para obter as posições com precisão. O receptor utiliza a diferença entre o tempo da recepção do sinal e o tempo de transmissão para calcular a distância até o satélite. Também leva em conta os atrasos na propagação do sinal devidos à ionosfera e à troposfera. Com três distâncias para três satélites e conhecendo a localização do satélite de onde foi enviado o sinal, o receptor calcula sua posição em três dimensões.

Fonte: www.vestibular1.com.br

Cartografia

A cartografia é a ciência da representação gráfica da superfície terrestre, tendo como produto final o mapa. Ou seja, é a ciência que trata da concepção, produção, difusão, utilização e estudo dos mapas. Na cartografia, as representações de área podem ser acompanhadas de diversas informações, como símbolos, cores, entre outros elementos. A cartografia é essencial para o ensino da Geografia e tornou-se muito importante na educação contemporânea, tanto para as pessoas atenderem às necessidades do seu cotidiano quanto para estudarem o ambiente em que vivem.

O surgimento

Os primeiros mapas foram traçados no século VI a.C. pelos gregos que, em função de suas expedições militares e de navegação, criaram o principal centro de conhecimento geográfico do mundo ocidental. O mais antigo mapa já encontrado foi confeccionado na Suméria, em uma pequena tábua de argila, representando um Estado. A confecção de um mapa normalmente começa a partir da redução da superfície da Terra em seu tamanho. Em mapas que figuram a Terra por inteiro em pequena escala, o globo se apresenta como a única maneira de representação exata. A transformação de uma superfície esférica em uma superfície plana recebe a denominação de projeção cartográfica.

Na pré-história, a Cartografia era usada para delimitar territórios de caça e pesca. Na Babilônia, os mapas do mundo eram impressos em madeira, mas foram Eratosthenes de Cirene e Hiparco (século III a.C.) que construíram as bases da cartografia moderna, usando um globo como forma e um sistema de longitudes e latitudes. Ptolomeu desenhava os mapas em papel com o mundo dentro de um círculo. Com a era dos descobrimentos, os dados coletados durante as viagens tornaram os mapas mais exatos. Após a descoberta do novo mundo, a cartografia começou a trabalhar com projeções de superfícies curvas em impressões planas.

Atualmente...

Hoje, a cartografia é feita por meios modernos, como as fotografias aéreas (realizadas por aviões) e o sensoriamento remoto por satélite. Além disso, com os recursos dos computadores, os geógrafos podem obter maior precisão nos cálculos, criando mapas que chegam a ter precisão de até 1 metro. As fotografias aéreas são feitas de maneira que, sobrepondo-se duas imagens do mesmo lugar, obtém-se a impressão de uma só imagem em relevo. Assim, representam-se os detalhes da superfície do solo. Depois, o topógrafo completa o trabalho sobre o terreno, revelando os detalhes pouco visíveis nas fotografias.

A outra técnica cartográfica, o sensoriamento remoto, consiste na transmissão, a partir de um satélite, de informações sobre a superfície do planeta ou da atmosfera. Quase toda coleta de dados físicos para os especialistas é feita por meio de sensoriamento remoto, com satélites especializados que tiram fotos da Terra em intervalos fixos.

Para a geração das imagens pelos satélites, escolhe-se o espectro de luz que se quer enxergar, sendo que alguns podem enviar sinais para captá-los em seu reflexo com a Terra, gerando milhares de possibilidades de informação sobre minerais, concentrações e tipos de vegetação, entre outros. Existem satélites que chegam a enxergar um objeto de até vinte centímetros na superfície da Terra, quando o normal são resoluções de vinte metros.

Mapas

A localização de qualquer lugar na Terra pode ser mostrada em um mapa. Os mapas são normalmente desenhados em superfícies planas, em proporção reduzida do local da Terra escolhido. Nenhum mapa impresso consegue mostrar todos os aspectos de uma região. Mapas, em contraposição a foto aéreas e dados de satélite, podem mostrar concentração populacional e de renda, diferenças de desenvolvimento social, entre outras informações.

Como os mapas possuem representação plana, eles não representam fielmente a forma geóide da Terra, o que levou cartógrafos a utilizarem globos para imitar essa forma. Os mapas mais comuns são os políticos e topográficos. Os políticos representam graficamente os continentes e as fronteiras entre os países, enquanto os topográficos representam o relevo em níveis de altura (normalmente inclui também os rios mais importantes). Para desenhar mapas cartográficos depende-se de um sistema de localização com longitudes e latitudes, uma escala, uma projeção e símbolos. Atualmente, boa parte do material que o cartógrafo necessita é obtido por sensoriamento remoto com foto de satélite ou fotografias aéreas.

Projeções cartográficas

Sabemos que a maneira mais adequada de representar a Terra como um todo é por meio de um globo. Porém, precisamos de mapas planos para estudar a superfície do planeta. Transformar uma esfera em uma área plana do mapa seria impossível se os cartógrafos não utilizassem uma técnica matemática chamada projeção. No entanto, imagine como seria se abríssemos uma esfera e a achatássemos para a forma de um plano. Com isso, as partes da esfera original teriam que ser esticadas, principalmente nas áreas mais próximas aos os pólos, criando grandes deformações de área. Então, para chegar a uma representação mais fiel possível, os cartógrafos desenvolveram vários métodos de projeções cartográficas, ou seja, maneiras de representar um corpo esférico sobre uma superfície plana.

Cartografia

Como toda projeção resulta em deformações e incorreções, às vezes algumas características precisam ser distorcidas para representarmos corretamente as outras. As deformações podem acontecer em relação às distâncias, às áreas ou aos ângulos. Conforme o sistema de projeção utilizado, as maiores alterações da representação localizam-se em uma ou outra parte do globo: nas regiões polares, nas equatoriais ou nas latitudes médias. É o cartógrafo define qual é a projeção que vai atender aos objetivos do mapa.

A projeção mais simples e conhecida é a de Mercator (nome do holandês que a criou). Outras técnicas foram evoluindo e muitas outras projeções tentaram desfazer as desigualdades de área perto dos pólos com as de perto do equador, como por exemplo a projeção de Gall. Como não há como evitar as deformações, classifica-se cada tipo de projeção de acordo com a característica que permanece correta.

Temos então:

Projeções eqüidistantes = distâncias corretas

Projeções conformes = igualdade dos ângulos e das formas dos continentes

Projeções equivalentes = mostram corretamente a distância e a proporção entre as áreas

Os três principais tipos de projeção são:

Cilíndricas

Cartografia

Consistem na projeção dos paralelos e meridianos sobre um cilindro envolvente, que é posteriormente desenvolvido (planificado). Uma das projeções cilíndricas mais utilizadas é a de Mercator, com uma visão do planeta centrada na Europa.

Cônicas

Cartografia

É a projeção do globo terrestre sobre um cone, que posteriormente é planificado. São mais usadas para representar as latitudes médias, pois apenas as áreas próximas ao Equador aparecem retas.

Azimutais

Cartografia

É a projeção da superfície terrestre sobre um plano a partir de um determinado ponto (ponto de vista). Também chamadas planas ou zenitais, essas projeções deformam áreas distantes desse ponto de vista central. São bastante usadas para representar as áreas polares.

Fonte: www.sogeografia.com.br

Cartografia

O que é a Engenharia Cartográfica e o que faz um Engenheiro Cartógrafo?

  • Medir
  • Representar
  • Realiza medidas sobre a Superfície Terrestre e representa esta superfície ou parte dela, das mais variadas formas, sendo a mais tradicional o mapa!

    As atividades desenvolvidas pelos Engenheiros Cartógrafos são realizadas através das ciências do mapeamento:

  • Geodésia
  • Topografia
  • Fotogrametria
  • Sensoriamento Remoto
  • Cartografia
  • Produtos

    Cartografia
    Mapas Cadastrais

    Cartografia
    Levantamentos Aerofogramétricos

    Cartografia
    Mapas Topográficos

    Cartografia
    Mapas Topográficos

    Cartografia
    Mapas a partir de Imagens de Satélite

    Cartografia
    Modelos Digitais de Terreno

    Cartografia
    Levantamentos Topográficos e Geodésicos (GPS)

    Cartografia
    Modelos Tridimensionais e Realidade Virtual

    Cartografia
    Mapas Temáticos

    Cartografia
    Sistemas de Informações Geográficas (SIG)

    OK ! Mas, por que medir e representar a superfície terrestre? Aonde estas informações podem ser aplicadas?

  • Planejamento Urbano
  • Meio Ambiente
  • Construção Civil
  • Militar
  • Segurança Pública
  • Gerenciamento
  • A Engenharia Cartográfica é a área da Engenharia que se ocupa da aquisição (coleta de dados), processamento e interpretação, visualização, análise e reprodução da geoinformação nas formas analógica e digital.

    COLETA DE DADOS

    Levantamentos geodésicos (posicionamentos de precisão utilizando técnicas convencionais e por satélites, como por exemplo o sistema GPS), topográficos, batimétricos (determinação do relevo submerso), fotogramétricos e por sensoreamento remoto (utilização de imagens terrestres, aéreas e espaciais), entre outras.

    PROCESSAMENTO E INTERPRETAÇÃO

    Após a coleta, os dados são processados e interpretados. Esta etapa envolve trabalhos como modelagem numérica, restituição analógica e digital, geração de modelos digitais do terreno, classificação de dados multiespectrais, modelagem de dados geográficos, etc.

    VISUALIZAÇÃO, REPRESENTAÇÃO E REPRODUÇÃO

    A visualização, representação e reprodução cartográfica das informações obtidas a partir dos dados coletados, também são funções do Engenheiro Cartógrafo.

    História da Cartografia e Levantamentos

    A história dos mapas é mais antiga que a história documentada. A elaboração de mapas precede a escrita.

    O homem sempre necessitou conhecer o meio em que vive, por questões de:

  • sobrevivência
  • orientação
  • segurança
  • guerras
  • navegação
  • construção
  • História da Cartografia

    O mapa mais antigo que se tem notícia vem da Babilônia e data de cerca de 2500 A. C.. É uma placa de barro cozido que representa o vale do rio Eufrates.

    No princípio a representação do espaço em que o homem vivia baseava-se na observação e representação do meio.

    A medição do terreno começou no Egito. Com o objetivo de cobrar impostos, pagos em cereais em geral, as propriedades rurais eram medida, tendo marcos seus limites e registradas cuidadosamente.

    Ramsés II (1333-1300 A. C.) iniciou uma medição sistemática das terras do seu Império.

    Pitágoras (550 A.C.)

    Resenvolveu as teorias da geometria e dos números e propôs a forma esférica da Terra em função da sombra que a Terra projetava na lua. Geometria vem do grego que significa “medir terras”.

    Eratóstenes (220 A. C.)

    Calculou matematicamente, através de observações ao sol no solstício de verão, um valor para o raio da circunferência da Terra. (precisão relativa de 14%).

    Fonte: www.ufpr.br

    Cartografia

    Os mapas correspondem à representação, aproximada, em um plano dos aspectos - geográficos, naturais, culturais e antrópicos -em proporção reduzida de toda superfície terrestre ou de parte dela. Para confecção de um mapa é necessária a aplicação de um conjunto de procedimentos que visa relacionar os pontos da superfície terrestre a pontos correspondentes no plano de projeção (mapa). Estes procedimentos consistem em (IBGE, 2004):

    Adotar um modelo matemático simplificado que melhor represente a forma da Terra ;

    Projetar os elementos da superfície terrestre sobre o modelo de representação selecionado;

    Relacionar, através de um processo projetivo ou analítico, pontos do modelo matemático de referência ao plano de projeção, selecionando a escala e o sistema de coordenadas.

    A Forma da Terra

    A superfície terrestre é totalmente irregular, não existindo, até o momento, definições matemáticas capazes de representá-la sem deformá-la. A forma da Terra se assemelha mais a um elipsóide, o raio equatorial é aproximadamente 23 km maior do que o polar, devido ao movimento de rotação em torno do seu eixo (Figura 1). O modelo que mais se aproxima da sua forma real, e que pode ser determinado através de medidas gravimétricas, é o geiodal. Neste modelo, a superfície terrestre é definida por uma superfície fictícia determinada pelo prolongamento do nível médio dos mares estendendo-se em direção aos continentes. Esta superfície pode estar acima ou abaixo da superfície topográfica, definida pela massa terrestre.

    Cartografia
    Comparação entre os três modelos de representação da superfície terrestre

    Cartografia
    Comparação entre a superfície topográfica, elipsoidal e geoidal

    Para representar a superfície terrestre em um plano, é necessário que se adote uma superfície de referência, que corresponda a uma figura matematicamente definida. O elipsóide de revolução, gerado por uma eclipse rotacionada em torno de eixo menor, é a figura geométrica que mais se aproxima da forma real da Terra. Para representações em escalas muito pequenas – menores do que 1:5.000.000, a diferença entre o raio equatorial e o raio polar apresenta um valor insignificante, o que permite representar a forma a Terra, em algumas aplicações, como uma esfera. Este modelo é bastante simplificado e o mais distante da realidade, pois os elementos da superfície terrestre apresentam-se bastante deformados em relação às suas correspondentes feições reais e à posição relativa. O globo terrestre é uma representação deste tipo (Figura 3).

    Cartografia
    Globo terrestre

    Datum horizontal ou planimétrico

    Para a confecção de um mapa, é necessário, assim, estabelecer a superfície de referência que a será utilizada para a representar a superfície terrestre no modelo matemático. Sobre esta superfície, são necessárias as seguintes informações: as dimensões do elipsóide de referência melhor adaptado à região a ser mapeada (raio do equador e raio polar), a sua orientação no espaço e a origem do sistema de coordenadas geodésicas referenciadas a esta superfície. Com este conjunto de informações é estabelecido o datum horizontal.

    O elipsóide de melhor ajuste varia de acordo a localização da área a ser mapeada, por isto que cada região tende a adotar um datum específico. No Brasil, até o final da década de 1970, utilizava-se o elipsóide Internacional de Hayford e, Córrego Alegre-MG, como a origem das coordenadas. A partir de 1977, passou-se a adotar o SAD-69 (Datum Sul-Americano), que apresenta o vértice Chuá-MG como a origem das coordenadas, e como elipsóide de referência o recomendado pela União Astronômica Internacional, homologado em 1967 pela Associação Internacional de Geodésia. Com o advento do GPS, tem sido comum o emprego do datum planimétrico global WGS-84, cujo elipsóide é adotado para o mapeamento global (Tabela 1).

    Data planimétricos utilizados no Brasil

    Elipsóide Raio Equador (m) Raio Polar (m) Achatamento
    União Astronômica
    6.378.160 6356.776 1 / 298,25
    Hayford
    6.378.388 6.3663991,95 1 / 297
    WGS - 84
    3.378.137 6.356.752,314525 1 / 198, 257223563

    Dicas SIG

    Na preparação de uma base cartográfica para uso em um SIG, é comum encontrar documentos cartográficos e imagens de sensoriamento remoto referenciados a diferentes data.

    Apesar da origem das coordenadas dos sistemas Córrego Alegre e SAD-69 serem próximos, a utilização de bases referenciadas a estes dois data em um mesmo projeto pode inferir erros da ordem de 10 a 80 m (RIPSA, 2000). Dependendo da escala e do objetivo do trabalho, este erro não deve ser ignorado.

    Assim, caso a base de dados apresente data distintos, é necessário fazer a conversão para um datum comum, utilizando o próprio SIG ou um outro sistema computacional que apresente esta rotina.

    O mesmo cuidado deve ser adotado ao se levantar dados com GPS. É necessário que o datum seja devidamente configurado para o sistema de interesse do mapeamento.

    Sistemas de Coordenadas Terrestres

    A superfície terrestre pode ser descrita geometricamente a partir de levantamentos geodésicos ou topográficos tendo como base sistemas de coordenadas distintos. Estes sistemas servem como referência para o posicionamento de pontos sobre uma superfície referência, que, como foi visto, pode ser um elipsóide, uma esfera ou um plano. Para a esfera é empregado o sistema coordenadas geográficas. Para o elipsóide é empregado o sistema de coordenadas geodésicas. Por fim, para o plano pode ser empregado um sistema de coordenadas cartesianas ou planas (x,y) e topográficas locais.

    O sistema de coordenadas geográficas considera que qualquer ponto da superfície terrestre apresenta a mesma distância do centro da esfera. Para o posicionamento de um ponto, é necessário conhecer dois ângulos diedros, pois o raio do vetor é constante e conhecido. O par de coordenadas neste posicionamento é definido por uma rede geográfica formada por meridianos e paralelos (Figura 4). Um ponto na superfície terrestre pode ser localizado, assim, pela interseção de um meridiano e um paralelo.

    Cartografia
    Meridianos e paralelos (a) perspectiva lateral, (b) perspectiva superior

    Os meridianos são semi-círculos gerados a partir da interseção de planos verticais que contém o eixo de rotação terrestre com a superfície da Terra. Um semi-círculo define um meridiano que com seu antimeridiano formam um círculo máximo (Figura 5). O meridiano de origem (0º), denominado como Greenwich, com o seu antimeridiano (180º), divide a Terra em dois hemisférios: leste ou oriental e oeste ou ocidental. A leste deste meridiano, os valores da coordenadas são crescentes, variando entre 0º e +180°. A oeste, as medidas são decrescentes, variando entre 0º e -180º.

    Cartografia
    Meridiano de Greenwich e outros meridianos

    Os meridianos são referência para medição da distância angular entre um ponto qualquer e o meridiano de Greenwich. Este ângulo, denominado longitude, corresponde, assim, ao arco da circunferência, em graus, medido do meridiano de origem ao meridiano onde se localiza um determinado ponto sobre o Equador ou outro paralelo.

    Cartografia
    Longitude

    A linha do Equador é um círculo máximo gerado a partir da interseção de um plano perpendicular ao eixo de rotação terrestre com a superfície da Terra passando pelo centro da esfera (Figura 7). Eqüidistante aos pólos, divide a Terra em dois hemisférios, norte ou setentrional e sul ou meridional. Os paralelos são círculos menores, gerados a partir da interseção de planos paralelos ao plano do Equador terrestre com a superfície da Terra. Devido à curvatura da Terra, a extensão dos paralelos diminui em direção pólos, até se tornarem um ponto neste local. Ao norte do Equador, os valores da coordenadas são crescentes, variando entre 0º e +90°. Ao sul desta linha, as medidas são decrescentes, variando entre 0º e -90°.

    Cartografia
    Linha do Equador e paralelos.

    Os paralelos são referências para medição da distância angular entre um ponto, localizado sobre um paralelo, e a linha do Equador. Esta ângulo, denominado latitude, corresponde, assim, ao arco da circunferência, em graus, medido entre um ponto localizado em um paralelo qualquer e a linha do Equador o plano do meridiano ou anti-meridiano.

    Cartografia
    Latitude

    sistema de coordenadas cartesianas é composto por dois eixos perpendiculares: um eixo horizontal correspondendo ao eixo das abscissas e denominado com x, e outro vertical correspondendo ao eixo das ordenadas e denominado como y . A interseção dos eixos corresponde a origem do sistema (Figura 9). Um ponto qualquer no sistema é definido pela interseção de duas retas perpendiculares entre si e paralelas aos respectivos eixos, e expresso, assim, por dois valores, um correspondente à projeção sobre o eixo x, e outro correspondente à projeção sobre o eixo y. O par das coordenadas de origem, normalmente, apresenta valor (0,0), mas, por convenção, pode receber valores diferentes de zero.

    Cartografia
    Sistema de coordenadas cartesianas

    Dicas SIG

    Em um SIG, os sistemas de coordenadas utilizados para armazenamento e visualização da componente gráfica são o geográfico e o cartesiano. Este último corresponde ao sistema de coordenadas da projeção cartográfica, dentre estes o mais conhecido é a UTM.

    Para que seja possível a correta sobreposição entre os planos de informação, o sistema de coordenadas deve ser comum entre os planos, bem como as unidades das coordenadas que devem ser mesmas. Caso contrário, é necessário se faça uma conversão para um sistema e uma unidade comuns, utilizando o próprio SIG ou um outro sistema computacional que apresente esta rotina.

    Em geral, as coordenadas cartesianas apresentam-se em unidades métricas – quilômetro ou metro, enquanto que as coordenadas geográficas são expressas em graus decimais.

    Escala

    Escala é a relação matemática entre o comprimento ou a distância medida sobre um mapa e a sua medida real na superfície terrestre. Esta razão é adimensional já que relaciona quantidades físicas idênticas de mesma unidade. A escala pode ser representada numericamente e graficamente.

    A escala numérica, ou fracionária, é expressa por uma fração ordinária (denominador/numerador) ou por uma razão matemática. O numerador corresponde a uma unidade no mapa, enquanto o denominador expressa a medida real da unidade no terreno. A escala, por exemplo, 1:10.000 indica que uma unidade no mapa corresponde a 10 mil unidades no terreno, ou seja, considerando como unidade o centímetro, 1 cm no mapa equivale a 10.000 cm no terreno. Quanto maior o denominador, menor a escala, menor o detalhamento e maior a extensão da área mapeada, considerando a mesma dimensão do plano de representação

    Cartografia
    Mapas em diferentes escalas

    A documentação cartográfica com escalas de até 1/25.000 é denominada como plantas ou cartas cadastrais. Entre 1/25.000 e 1/250.000, estes documentos são denominados como cartas topográficas (IBGE, 2005).

    A escala gráfica é representada por um segmento de reta graduada em uma unidade de medida linear, dividida em partes iguais indicativas da unidade utilizada. A primeira parte, denominada como talão ou escala fracionária, é subdividida de modo a permitir uma avaliação mais detalhada das distâncias ou dimensões no mapa.

    Cartografia
    Escala gráfica

    Dicas SIG

    Em um SIG, um plano de informação, desde que georreferenciado, pode ser exibido e manipulado em qualquer escala, inclusive maiores do que o seu original. Porém, o usuário deve ficar atento, pois a inexistência de limite técnico, não o habilita a manusear planos de informação em escalas muito ampliadas em relação ao original e em diferentes escalas. Como o erro cartográfico é função direta da escala do mapa, a ampliação da escala provoca igualmente a ampliação dos erros associados à escala do mapa.

    Desta forma, antes de iniciar a manipulação de mapa em formato digital, é fundamental que o usuário tome conhecimento da escala do original e do método utilizado na elaboração do mapeamento. No caso de um arquivo em formato raster, a resolução espacial é uma boa dica da escala adequada às suas análises.

    Projeção Cartográfica

    A projeção cartográfica corresponde a um conjunto de métodos empregados e relações matemáticas para representar a superfície terrestre sobre um plano, onde cada ponto deste plano corresponde a um ponto na superfície de referência. A representação de uma superfície curva, no caso a Terra, sobre um plano gera distorções, já que não é possível representar uma superfície esférica em uma superfície plana sem causar "extensões" ou "contrações" da superfície original. Assim todo mapa apresenta uma deformação ou a combinação de mais de uma dos seguintes tipos de deformação: linear, angular e superficial. A projeção cartográfica utilizada na confecção do mapa é determina as deformações presentes no mapa, assim a projeção escolhida deve possuir propriedades que atendam aos objetivos da sua utilização. Estas propriedades podem ser classificadas em três tipos:

    Conformidade ou Isogonal

    Mantém a fidelidade aos ângulos observados na superfície de referência da Terra, conservando a forma da superfície mapeada .

    Equivalência ou Isometria

    Conserva as relações de superfície, mantendo a área da superfície mapeada inalterada em relação à área real do terreno.

    Eqüidistância

    Mantém a proporção entre a distância dos pontos representados no plano e os correspondentes na superfície de referência em determinadas direções.

    Uma ou duas destas propriedades podem estar contidas em um mapa, caso a Terra seja envolvida por uma superfície desenvolvível, que funciona como uma superfície intermediária auxiliando na projeção dos elementos da área a ser mapeada no plano. A seleção da superfície sobre a qual se projeta depende da finalidade do mapa e da situação geográfica da área a ser mapeada. De acordo com a superfície desenvolvível, as projeções podem ser classificadas em:

    Projeção cônica

    Os meridianos e paralelos geográficos são projetados em um cone tangente, ou secante, à superfície de referência, desenvolvendo, a seguir, o cone num plano.

    Cartografia
    Projeção cônica

    Projeção cilíndrica - a projeção dos meridianos e paralelos geográficos é feita num cilindro tangente, ou secante, à superfície de referência, desenvolvendo, a seguir, o cilindro num plano.

    Cartografia
    Projeção cilíndrica

    Projeção plana ou azimutal – a projeção é construída com base num plano tangente ou secante a um ponto na superfície de referência.

    Cartografia
    Projeção plana

    Dicas SIG

    Para que os planos de informação sejam corretamente sobrepostos em um SIG, é necessário que eles apresentem a mesma projeção. Caso contrário, deve ser feita a conversão para uma projeção comum, utilizando o próprio SIG ou um outro programa com esta rotina.

    Os SIG denominam de Geográfica a projeção que utiliza como referência o sistema de coordenadas geográficas. A superfície de referência é a esfera e a origem do sistema é o cruzamento entre a linha do Equador e o meridiano de Greenwich. As coordenadas do hemisfério norte e do hemisfério ocidental possuem valores positivos, enquanto as coordenadas do hemisfério sul e do hemisfério oriental possuem valores negativos. (ESRI, 1999).

    Sistema de Projeção UTM

    A Universal Transversa de Mercator (UTM) é um sistema de projeção cartográfica e corresponde a uma modificação da projeção de Mercator, onde o cilindro secante é colocado em posição transversa (Figura 15). Este sistema foi adotado pela Diretoria de Serviço Geográfico do Exército e pelo IBGE como padrão para o mapeamento sistemático do país.

    Cartografia
    Cilindro na posição transversa

    O sistema é constituído por 60 fusos de 6º de longitude, numerados a partir do antimeridiano de Greenwich, seguindo de oeste para leste até o encontro com o ponto de origem (Figura 16). A extensão latitudinal está compreendida entre 80º Sul e 84o Norte. O eixo central do fuso, denominado como meridiano central, estabelece, junto com a linha do Equador, a origem do sistema de coordenadas de cada fuso.

    Sistema Universal Transversa de Mercator

    Cartografia
    Sistema Universal Transversa de Mercator

    Cada fuso apresenta um único sistema plano de coordenadas, com valores que se repetem em todos os fusos. Assim, para localizar um ponto definido pelo sistema UTM, é necessário conhecer, além dos valores das coordenadas, o fuso ao qual as coordenadas pertençam, já que elas são idênticas de em todos os fusos.

    Para evitar coordenadas negativas, são acrescidas constantes à origem do sistema de coordenadas, conforme especificado abaixo (Figura 17):

    10.000.000 m para a linha do Equador, referente ao eixo das ordenadas do hemisfério sul, com valores decrescentes nesta direção;

    0 m para a linha do Equador, referente ao eixo das ordenadas do hemisfério norte, com valores crescentes nesta direção; e

    500.000 m para o meridiano central, com valores crescentes do eixo das abscissas em direção ao leste.

    Cartografia
    Origem das coordenadas de um fuso UTM

    Como convenção atribui-se a letra N para coordenadas norte-sul (ordenadas) e, a letra E, para as coordenadas leste-oeste (abscissas). Um par de coordenadas no sistema UTM é definido, assim, pelas coordenadas (E, N).

    Cada fuso, na linha do Equador, apresenta, aproximadamente, 670 km de extensão leste-oeste, já que a circunferência da Terra é próxima a 40.000 km. Como o meridiano central possui valor de 500.000 m, o limite leste e oeste de cada fuso corresponde, na linha do Equador, respectivamente, valores próximos a 160.000 m e 830.000 m (IBGE,2005).

    As linhas de secância do cilindro estão situadas entre o meridiano central e o limite inferior e superior de cada fuso, o que infere, assim, duas linhas onde a distorção é nula, ou seja, o fator escala igual a 1. Elas estão situadas a cerca de 180 km a leste e a oeste do meridiano central, correspondendo, respectivamente, a coordenada 320.000 m e 680.000 m. Entre os círculos de secância, fica estabelecida a zona de redução e, externa a eles, a zona de ampliação. No meridiano central, o coeficiente de redução de escala corresponde a 0,9996, enquanto, nos limites do fuso, o coeficiente de ampliação é igual a 1,0010

    Cartografia
    Zonas de ampliação e redução de um fuso UTM

    Devido à sua extensão longitudinal, o território brasileiro possui por oito fusos UTM: do fuso 18, situado no extremo oeste, ao fuso 25, situado no extremo leste do território (Figura 19). Como quase toda a extensão latidudinal do território está situada no hemisfério sul, as coordenadas situadas ao norte da linha do Equador, que deveriam apresentar valores crescentes e seqüenciais a partir do 0, de acordo com a convenção atribuída à origem do sistema de coordenadas, apresentam valores crescentes e seqüenciais a partir de 10.000.000 m, dando continuidade às coordenadas atribuídas ao hemisfério sul.

    Cartografia
    Fusos UTM que atravessam o território brasileiro

    Dicas SIG

    Em um SIG, não é possível manipular conjuntamente planos de informação situados em fusos UTM distintos, já que cada fuso apresenta um sistema de coordenadas único, com sua origem definida pelo cruzamento do meridiano central do fuso e a linha do Equador. Para que seja possível a manipulação, é necessário converter o sistema de coordenadas para um sistema único a todos os planos de informação. A seguir estão descritos alguns procedimentos que podem ser adotados.

    Converter a projeção dos planos de informação para uma projeção comum, passando-se a adotar o sistema de coordenadas da respectiva projeção ou sistema de coordenadas geográficas.

    Deslocar o meridiano central do fuso para que toda a área em estudo pertença a um único fuso. Com este procedimento, não será possível sobrepor os planos de informação com o fuso deslocado a outros planos de informação com fuso padrão.

    Converter o fuso do plano de informação, com a menor área de interesse, para o fuso do plano, com maior área de interesse. Como resultado, a área de estudo ficará inserida em um único fuso estendido. Este procedimento é indicado quando a área do fuso estendido não ultrapassar 30’ ou, no máximo, 1º grau, pois o coeficiente de ampliação cresce demasiadamente após transposição dos limites leste e oeste do fuso, gerando distorções cartograficamente inadmissíveis. Neste caso, recomenda-se utilizar um dos procedimentos anteriormente descritos.

    Fonte: www.professores.uff.br

    Cartografia

    A Cartografia pode ser definida como a Ciência e arte de expressar graficamente, por mapas ou cartas, o nosso conhecimento da superfície da Terra e dos seus vários aspectos.

    A palavra Cartografia foi criada por um Português o 2º Visconde de Santarém (1791-1856), Manuel Francisco de Barros e Sousa de Mesquita de Machado Leitão e Carvalhosa, o qual a usou pela primeira vez numa carta escrita em Paris em 08 de Dezembro de 1839 e enviada ao historiador Português Francisco Adolfo Varnhagen.

    No aspecto Ciência podemos considerar as preocupações humanas em tentar representar num plano a dificilmente conceptível superfície da Terra, a que chamamos Geóide ; é objeto da matemática conseguir arranjar relações (formulas) que permitam essa representação, permitindo ainda conceber um conjunto de quadrículas que vão permitir ao homem indicar com facilidade a outro homem, o posicionamento de locais ou objetos, ou seja um sistema de referenciação.

    No aspecto Arte podemos considerar a maneira artística como sempre foi apresentado o desenho dos diversos aspectos da superfície da Terra, da sua gravação, em suma , a construção da carta.

    Uma carta ou um mapa , não constituem um fim em si mesmos , mas antes um meio para que o homem possa alcançar outro objetivo mais complexo, o estudo do seu meio ambiente para uma determinada finalidade.

    A palavra Mapa, inicialmente com o significado de relação ou lista, foi ligado à geografia e portanto à cartografia, porque todos os mapas antigos, sejam de Marco polo, de Mercator, sempre continham listas relacionando nomes de lugares, produções, costumes, localizações, etc. por exemplo ainda hoje se usa a palavra mapa, no sentido de relação , nas frases “ mapa de Despesas”, “ Mapa da Força”, etc.

    A palavra Carta, segundo o Dr. Artur Bivar, é um documento que fornece informações o que define bem uma carta topográfica.

    Historicamente encontram-se mapas e textos de lugares já na era de Homero, geralmente aceite como tendo vivido cerca do ano 900 a .c. . O mundo descrito por Homero na Ilíada e na Odisseia, onde se vislumbram descrições da geografia conhecida ao tempo.

    As viagens de Marco Polo, Vasco da Gama, Cristovão Colombo , Fernão de Magalhães, forneceram inúmeros elementos para uma cartografia que, começada no sec. XV, perdurou por mais de 200 anos. Foi a cartografia de apoio à navegação.

    Finalmente apareceu Gerhard Kramer conhecido pela alcunha latina de “MERCATOR”, que com os seus trabalhos deu origem à moderna Cartografia. Formado na Universidade de Louvain, começou por tratar matematicamente todos os mapas que construiu, nomeadamente no que dizia respeito á rede de meridianos e paralelos que utilizou.

    O primeiro mapa com o seu nome é o mapa-mundi de 1538 em projeção equivalente. Em 1569 apareceu um novo mapa na posteriormente conhecida como projeção Mercator, que o tornou famoso definitivamente. Era a primeira projeção em que os meridianos eram linhas retas e igualmente espaçadas e sucessivamente paralelos, formando ângulos retos com os paralelos, também estes linhas retas. Foi sem dúvida o maior génio cartógrafo da sua geração.

    Em Portugal e com os Descobrimentos a Cartografia e a navegação solidarizam-se, mas D. Henrique o “Navegador”, consegue fazer a separação entre a “Cartografia antiga, manuscrita e mítica”, e a cartografia moderna, científica , funcional e logo impressa. Os conhecimentos de Pedro Nunes, inventor do Nónio, Abraão Zacuto, D.João de Castro, Duarte Pacheco Pereira, deram origem e facilitaram os trabalhos dos cartógrafos Portugueses.

    SISTEMAS DE PROJEÇÃO CARTOGRÁFICA Objetivo

    Há cerca de 500 anos, ficou estabelecido que a Terra é essencialmente uma esfera, embora como já vimos, alguns intelectuais já há cerca de 2000 anos estivessem convencidos de isso . Mesmo os que estudavam a Terra como plana, consideravam o céu como esférico.

    A única forma de representar quase sem alterações a superfície terrestre, embora com todos os defeitos e alterações pertinentes à transformação não coerente de um geóide numa esfera, é sem dúvida a sua projeção numa esfera ou globo, como por exemplo os que são utilizados nos liceus para o ensino da geografia.

    Uma projeção cartográfica é um projeto para reproduzir todas ou parte de uma superfície redonda numa folha plana. Somente esta representação permite uma armazenagem fácil e não dependem da escala a utilizar. Esta operação é a operação mais difícil de conseguir dado que a superfície terrestre não é planificável. Dado que tal não é possível fazer sem deformação, o cartógrafo deve escolher qual a característica que deve aparecer corretamente, em prejuízo das outras, ou contemporizar com todas elas não aparecendo nenhuma correta.

    Os inúmeros sistemas existentes de representação cartográfica têm pois cada um as suas vantagens e inconvenientes, sendo o critério de escolha de cada um , função dos seguintes parâmetros:

  • extensão da região a representar
  • configuração da região a representar
  • latitude média da região
  • fim a que a carta se destina, etc.
  • Características

  • Área
  • Forma
  • Escala
  • Direção
  • Método de Construção

    Há 3 tipos de superfície nas quais a maior parte das projeções cartográficas se apoiam (cilíndrica, cónica e plana

    Características Especiais

    Há ainda mais uma maneira de sistematizar o estudo das projeções cartográficas, aquela que as classifica consoante a posição do ponto de projeção ou de perspectiva.

    Assim podemos considerar as projeções:

    Gnomónicas ou centrais: se o ponto de perspectiva estiver no centro da Terra. Usa-se nas projeções cilíndricas e cónicas.

    Estereográficas: se o ponto de perspectiva estiver nos antipodas do ponto de tangência.

    Ortográficas: se o ponto de perspectiva estiver no infinito.

    Cenográficas: quando se escolhe uma posição mais útil para o ponto de perspectiva, diferente dos atrás indicados.

    Tratamento Matemático

    A representação de uma porção da superfície da terra ou de toda ela, numa superfície plana consegue-se utilizando um ou mais sistemas de projeção cartográfica.

    Tal transformação ou projeção realiza-se em duas etapas:

    1. Transformação dos elementos observados ou medidos para os reduzir à superfície de referência escolhida, normalmente um elipsoide de revolução, problema que a geodesia resolve introduzindo certas correções

    2. Representação de elipsoide ou superfície de referência sobre um plano, transformação essa função específica da cartografia, tentando representá-la com as menores deformações possíveis e sempre combinado com o fim que se deseja alcançar, condicionantes da escolha do sistema de projeção.

    Cartografia

    Projeções cartográficas mais significativas

    Cilíndricas (Mercator Direta, Mercator transversa, Mercator obliqua, Miller, Equidistante)
    Cónicas (Equivalente de Lambert,Conforme de Lambert, Conforme obliqua bipolar, Policónica)
    Azimutais (Ortográfica, Estereográfica, Equivalente de Lambert, Equidistante)
    Convencionais (Van der Grinter, Sinusoidal)
    Espaciais (Mercator obliqua espacial, Cónica conforme Oblíqua espacial)

    Análise sumária dos Diversos Sistemas 1 - Projeções Cilíndricas

    É o sistema de projeção de mapas mais conhecido é por certo o de Mercator, uma das projeções cilíndricas.

    A projeção Cilíndrica pode ser obtida, desdobrando parcialmente um cilindro que envolva o globo que representa a terra, tangente ao Equador e cujos meridianos são projetados desde o centro do globo. Se modificarmos a posição do cilindro em relação ao eixo da Terra, poderemos obter uma projeção obliqua ou uma transversa deixando os meridianos ou os paralelos de serem linhas retas.

    a) Projeção de Mercator

    É uma projeção cilíndrica e conforme. Os meridianos são linhas retas igualmente espaçadas. Os paralelos são linhas retas desigualmente espaçadas, mais juntas perto do equador e cortando os meridianos perpendicularmente. A escala é verdadeira ao longo do equador ou de dois paralelos equidistantes ao equador.

    As linhas que marcam um determinado rumo, ângulo entre a direção Norte e a direção de marcha, como os meridianos são paralelos uns aos outros, são linhas retas. Essas linhas são chamadas Luxodrómicas e são muito importantes para a navegação marítima.

    É uma projeção não perspectiva; os polos estão no infinito, apresentando uma grande deformação nas regiões polares.

    Foi apresentada por Mercator em 1569.

    b) Projeção Mercator Transversa

    Cartografia

    Porque a projeção direta Mercator apresentava um grande erro (distorção) à medida que se afastava do equador, o cartografo Johan Heinrich Lambert (1728- 1777) pensou rodar a posição da superfície cilíndrica de 90º a fazer coincidir a mesma com um determinado meridiano. Ao fazê-lo , diminuiu a área com deformação, dado que a superfície cilíndrica se adapta quase perfeitamente ao elipsóide e numa pequena faixa de poucos graus de longitude, pode-se considerar satisfatória essa deformação.

    Este sistema é cilíndrico e conforme; o meridiano central, cada meridiano afastado 90º do meridiano central e o equador, são linhas retas. Os outros meridianos e paralelos são curvas complexas. A escalaé verdadeira no meridiano central ou ao longo de duas linhas retas paralelas equidistantes e paralelas ao meridiano central; estas são aproximadamente retas no elipsóide. A escala torna-se infinita, a 90º de distância do meridiano central.

    Deste sistema derivou o sistema de projeção Transversa Mercator Universal (UTM) , posto em execução em 1947, unicamente para usos militares e aplicado a cartas em grande escala em todo o mundo, e que acoplado com a quadrícula militar (QUTM), permite obter diretamente coordenadas retangulares.

    O sistema de projeção UTM é um sistema Mercator Transversa elipsoidal, ao qual foram aplicados parâmetros específicos, com os meridianos centrais, funcionando como eixos de coordenadas retangulares de cada fuso. Para tal a terra é dividida , entre as latitudes de 84º N e 80º S, em 60 fusos , com uma largura genérica de 6º em longitude . Os fusos são numerados de 1 a 60 no sentido Leste, a partir do anti- meridiano de Greenwich (180º de Longitude). Existe ainda uma divisão em zonas quadrangulares completando a divisão já feita em longitude, com outra de 8º em latitude; estes quadrangulos são designados em cada fuso, por letras do alfabeto de C a X (excepção ao I e O) e de Sul para Norte. Assim Lisboa está no fuso 29 e na Zona S, cuja designação abrange toda a zona do quadrangulo definido pelas latitudes 32º e 40º N e as longitudes 6º e 12º W . Cada um destes quadrangulos é depois subdividido em quadrados de 100Km de lado definidos por duas letras.

    Desde as latitudes 84º N e 80º S, até aos respectivos pólos usa-se o sistema de projeção conhecido por Estereográfico Polar Universal, ou UPS.

    Cada ponto é localizado geograficamente no sistema UTM pelas suas coordenadas X eY em metros, utilizando o meridiano médio como meridiano central do fuso, sendo a sua escala reduzida para 0,9996 da verdadeira escala.

    As linhas com escala verdadeira são aproximadamente paralelas e a cerca de 180 Km para Leste e Oeste do meridiano central. Entre as linhas a escala é menor a escala é menor e para fora das linhas a escala é maior.

    No hemisfério Norte , o ponto do equador que cruza com o meridiano central é considerado a origem, tendo como X (E) o valor de 500 000 m e como Y (N) o valor de 0(zero). Para o hemisfério Sul, o mesmo ponto origem mantém o X= 500 000 m mas o Y passa a ter o valor de 1000 000 m .Em qualquer dos casos os valores crescem para Este e para Norte. Não há portanto coordenadas negativas.

    Este assunto será abordado mais detalhadamente quando se falar dos sistemas de referenciação.

    c) Projeção Mercator obliqua

    É uma generalização lógica da Mercator Transversa.

    É um sistema de projeção oblíquo e cilíndrico. É conforme. Tem como linhas retas dois meridianos afastados de 180º. Os outros meridianos e paralelos são curvas complexas. Esta projeção foi usada para cartografar o Alaska , a Suiça ,o Bornéu e para mapas em Atlas de países cuja maior extenção era oblíqua ao equador.

    d) Projeção cilíndrica de MILLER

    É uma modificação da projeção direta criada para evitar a deformação exagerada da mesma. Em 1885 Gall desenvolveu esta projeção. Em 1942 Miller apresentou-a . Não é conforme nem equivalente. É utilizada unicamente na forma esférica, e não na elipsoidal. É muito utilizada em mapas –mundi.

    e) Projeção cilíndrica equidistante

    somente tem interesse histórico, pois é o sistema mais antigo e também o mais fácil de construir. Os meridians e paralelos são linhas retas perpendiculares e equidistantes.

    Atribui-se esta projeção a Erathóstenes (275- 195 a . c.) embora Ptolomeu acreditasse a Marinus de Tiro. Também é conhecida por carta quadrada.

    2 - Projeções Cónicas

    Estas projeções foram utilizadas inicialmente para completar os mapas-mundi, para zonas estreitas segundo um círculo máximo, como o equador, um meridiano ou outro círculo máximo oblíquo. Depois forma usadas para cartografar países cuja dimensão maior fosse a Leste-Oeste, que esta projeção beneficia. O seu nome deriva do fato de que a superfície a desdobrar ser uma superfície cónica, assente no globo que representa a Terra, tendo ou não o vértice coincidente com o eixo da mesma. A sua utilização deve-se a Claudius Ptolomeu.

    3- Projeções Azimutais

    São formadas num plano normalmente tangente â Terra quer no equador, quer em qualquer outro ponto intermédio. Umas são perspectivas outras não. A direção, ou azimute, do centro de projeção para qualquer ponto no mapa, aparece corretamente representado por linhas retas. Assim o caminho mais curto entre esse centro e qualquer outro ponto é definido por uma linha reta, pelo que estes mapas utilizados para navegação aérea e no planeamento de emissões eletromagnéticas.

    4 – Projeções convencionais

    Existem variados sistemas de projeção ,no entanto por terem alguma importância foca-se os seguintes:

    a) Projeção Vander Grinten

    Não é conforme nem equivalente. Mostra todo o globo num círculo, sendo o equador e o meridiano central retos. Todos os outros círculos máximos são arcos de círculo .É uma modificação de Mercator.

    b) Projeção Sinusoidal

    Muito divulgada em atlas para mapas-mundi. É pseudo-cilíndrica e equivalente. É usada desde meados do sec. XVI

    5 – Projeções Cartográficas Espaciais

    relacionamento de satélite artificial cartógrafo descrevendo uma órbita em volta da Terra.. As projeções são trabalhadas por computadores.

    Projeção Mercator oblíqua Espacial (M. O E)

    O lançamento pela NASA em 1972 de um satélite sensor, ERTS- 1 e mais tarde o LANDSAT – 1 (1975) abriu uma nova era na cartografia. Os satélites enviam continuamente elementos que permitem cartografar a zona que sobrevoam, pelo que necessitam de um sistema de projeção próprio. É uma projeção cilíndrica modificada, com a superfície cartográfica definida pela órbita do satélite. É desenhada especialmente para cartografar continuamente a partir das imagens do satélite. É basicamente conforme. O traço curvo do satélite no terreno, é representado curvo na carta. Todos os meridianos e paralelos são curvos.

    SISTEMAS DE REFENCIAÇÃO

    Referenciar é o ato ou a possibilidade de se designar a outrem, qualquer objeto ou posição, relacionando-o com um sistema de referência usada por ambos os utentes.

    Método das Coordenadas polares:

    Consiste em localizar um ponto pela sua distância a um ponto fixo (pólo) e pelo desvio angular em relação a uma direção origem. O primeiro pode ser definido pelas suas coordenadas ou, quando não for possível, pela rigorosa identificação no documento cartográfico da correspondente estação no terreno. Quanto ao segundo poderá ser definido:

    - Pelas coordenadas de dois dos seus pontos, (um dos quais normalmente o pólo)

    - Pela sua orientação: Esta pode ser feita relativamente ao Norte Cartográfico , Geográfico ou Magnético ou pela rigorosa marcação no documento dos dois pontos que o definem quer no terreno, quer no documento da entidade transmissora.

    A referenciação de um ponto qualquer implica o conhecimento de:

    Ângulo Polar

    Com vértice no polo e origem no semi-eixo polar. É sempre contado no sentido dos ponteiros do relógio e expresso em graus inteiros com 3 dígitos, utilizando-se o zero para ângulos entre 0 e 99.

    Distância

    Contada desde o pólo até ao ponto considerado. É expressa em quilómetros e o seu valor indica por um número cuja parte inteira compreende 1 ou 2 dígitos, seguida da parte décimal, sempre com dois dígitos. A indicação da distância faz-se imediatamente a seguir à do ângulo, sem qualquer ponto, traço ou vírgula de separação.

    Cartografia
    X05301,63

    Sistemas de Referenciação por Quadrícula a) Sistemas de coordenadas Retangulares UTM:

    No sistema de representação UTM a superfície da terra entre os paralelos de latitude 84º N e 80º S, é dividido em 60 fusos de 6º de amplitude em longitude, os quais são numerados de 1 a 60 a partir do anti- meridiano de Greenwich, no sentido crescente para Leste, e cada um desses fusos é representado individualmente, no sistema de representação Mercator Transversa, considerando como meridiano central da representação, o meridiano médio de cada fuso.

    Para isso define-se um sistema de eixos coordenados retangulares para cada fuso, do seguinte modo.

    Cartografia

    Para isso define-se um sistema de eixos coordenados retangulares para cada fuso, do seguinte modo.

    Meridiano Origem

    Constituído pelo meridiano central do fuso, ao qual se atribui, por convenção , uma distância fictícia à meridiana de 500 000 m este, afim de evitar coordenadas negativas para os pontos a Oeste do meridiano central.

    Perpendicular Origem

    Constituído pelo Equador , ao qual se atribui por razões semelhantes, uma distância fictícia à perpendicular de 0 metros Norte ou 10 000 000 metros, conforme se referir a zonas do hemisfério Norte ou sul, respectivamente.

    Estas convenções equivalem a adoptar as falsas origens e todos os pontos dum dado fuso situados a leste do seu meridiano central, terão uma distância à meridiana superior a 500 000 m.

    Analogamente, se uma zona está situada no hemisfério norte, a distância fictícia de qualquer dos seus pontos à perpendicular, é superior a 0 metros, enquanto que, se estiver no hemisfério sul, é inferior a 10 000 000 metros.

    Cartografia

    b) Coordenadas retangulares UPS

    As áreas da Terra que não são abrangidas pela representação UTM, isto é , a calote Norte(latitude superior a 84º N) e a calote Sul (latitude superior a 80º S), são representadas cartográficamente numa projeção azimutal estereográfica polar (sistema de representação UPS).

     

    Para podermos referenciar um ponto, situado em qualquer das calotes, a partir das suas coordenadas retangulares, define-se um sistema de eixos coordenados retangulares para cada calote, de acordo com o seguinte:

    Calote Norte

    A meridiana origem é definida pelo meridiano 0º - 180º, ao qual se atribui, por convenção, uma distância fictícia à meridiana de 2.000.000 m E ,afim de evitar coordenadas negativas para os pontos a Oeste desse meridiano.

    A perpendicular origem é definida pelo meridiano 90º W – 90º E, ao qual se atribui, também por razões semelhantes, uma distância fictícia à perpendicular de 2.000.000 N.

    Cartografia

    Estas convenções equivalem a adoptar as falsas origens e todos os pontos situados nas calotes polares terão ambas as coordenadas positivas; se estiverem a leste do meridiano 0º - 180º , terão uma distância à meridiana superior a 2.000.000 de metros e se estiverem a a Oeste inferior a 2.000.000 de metros.

    Analogamente os pontos com longitude superiores a 90º W e 90º E terão distâncias à perpendicular inferiores a 2.000. 000 de metros.

    c) Quadrícula militar

    Nas cartas Militares, além da rede geográfica constituída pelas curvas transformadas dos meridianos, costuma figurar uma quadrícula, quadrangular ou retangular, constituída por dois conjuntos de retas paralelas ao sistema de eixos coordenados retangulares dos diferentes pontos.

    Estas quadrículas apresentam as seguintes vantagens sobre as coordenadas geográficas:
  • Cada malha da quadrícula tem o mesmo tamanho e forma
  • Utiliza medidas lineares em vez de medidas angulares.
  • As retas que constituem o feixe paralelo à meridiana origem, chamam-se meridianas cartográficas , e as retas paralelas à perpendicular origem , chamam-se perpendiculares cartográficas.

    Algumas cartas podem apresentar duas quadrículas, sendo uma principal, cuja malha está traçada e outra secundária, simplesmente apontada por meio duma graduação marginal ao longo da moldura. Assim , algumas das folhas da carta Militar de Portugal (Continente) na escala 1/25 000 editada até 1965, têm como quadrícula principal a correspondente ao sistema de coordenadas militares portuguesas e como quadrícula secundária a correspondente ao sistema UTM.

    A partir de 1965, devido a compromissos internacionais a que Portugal aderiu, a quadrícula principal de todas as cartas militares Portuguesas é sempre a correspondente ao sistema UTM

    Direções de referência

    Em cada ponto da superfície Terrestre, há a considerar três direções de referência, isto é três direções Norte – Sul:

    Direção N - S Geográfica (N.G.)

    Segundo a direção do meridiano geográfico do lugar e que resulta da intersecção desse meridiano, com o plano do horizonte do lugar.

    Direção N – S Cartográfico (N.C.)

    Segundo a direção das meridianas da quadrícula e que é paralela ao meridiano origem.

    Direção N – S Magnética (N.M.)

    Definida pela bússola e que resulta da intersecção do meridiano magnético do lugar, com o plano do horizonte desse lugar (visto que os pólos magnéticos não coincidem com os pólos terrestres

    Cartografia

    Quadrícula Militar UTM

    A quadrícula militar UTM estabelece- se com base no sistema de eixos coordenados retangulares UTM ;para o efeito, considera-se a partir do paralelo 80º S uma série de paralelos intervalados de 8º (excepto o último, correspondente à latitude de 84º N, cujo intervalo é de 12º). Cada área entre dois paralelos consecutivos, constituem uma zona, cada uma delas identificada por uma letra, desde a C a X (com excepção de I e O por se prestarem a confusão com os algarismos 1 e 0 ) a partir do Sul num total de 20. As letras A,B,Y e Z reservam-se para as calotes Polares, representadas no sistema UPS.

    Entre os paralelos 80º S e 84º N fica assim constituída uma malha geográfica de meridianos e paralelos, definindo 60x 20= 1200 zonas, cada uma das quais medindo 6º em longitude , por 8º em latitude, (exceptua-se as linhas de zonas compreendida entre os paralelos 72ºN e 84º N que tem 6º x 12º).

    A designação de cada uma destas zonas , com uma destas zonas, com a área de 6º Este – Oeste por 8º ou 12º Norte – Sul, é feito lendo (para a direita e para Cima), primeiro o fuso (ex: fuso 29 ) e depois a zona (ex: T ) donde vem Zona 29T .

    Cartografia

    O sistema de referenciação que temos vindo a definir, completa- se agora através da criação duma malha de quadrados, em que as linhas Norte – Sul são todas paralelas à meridiana origem, isto é , ao meridiano central do fuso, onde se situa a zona e cujas linhas Este – Oeste são perpendiculares às primeiras. Esta malha de quadrados marca-se a partir do equador e do seu meridiano central e constitui a quadrícula militar de referenciação UTM, sendo o intervalo entre as linhas sucessivas, escolhido consoante a escala d carta.

    Além da malha quilométrica ou decaquilométrica, considera-se ainda uma malha de quadrados de 100.000 m de lado, quadrados estes que são identificados por meio de duas letras , que são atribuídas do modo a seguir indicado.

    Parindo do meridiano de 180º, e caminhando no sentido Leste ao Equador, numa amplitude de 18º, isto é de 3 fusos, atribuem-se letras de A a Z (com excepção de I e O ), às colunas de 100.000 m incluindo as colunas incompletas das margens de cada fuso). Este alfabeto repete-se de 18º em 18º. Às filas de quadrados de 100.000 m são atribuídas letras de A a V (com excepção de I e O ) de Sul Sul para Norte, havendo por isso , uma repetição de letras de 2.000. 000 em 2.000.000 m . Para aumentar a distância entre quadrados com mesma designação, adopta-se ainda o critério de efetuar a marcação das filas dos fusos ímpares , a partir do equador e a dos fusos pares 500.000 m a Sul do Equador, (a letra F identifica a primeira fila dos quadrados dos fusos pares a Norte do Equador)

    Cada quadrado de 100.000 m será portanto identificado por um número , (dizendo respeito ao fuso em que ele se encontra ) e por três letras (dizendo respeito à zona, coluna e fila em que se encontra)

    Por exemplo:

    29 SND (fuso 29, Zona S , coluna N, Fila D)

    A posição dos pontos no interior de cada quadrado, é em seguida definida pelas distâncias à meridiana e à perpendicular de cada quadrado.

    A identificação de um ponto, no caso mais completo, faz-se portanto nesta quadrícula, por um grupo de letras e algarismos que indicam o Fuso ,a Zona, o Quadrado de 100Km de lado, pertencente à zona em que se situa o ponto e as coordenadas retangulares da quadrícula militar UTM – parte numérica de referenciação – com a precisão desejada.

    A designação é escrita por meio duma expressão contínua, sem espaços, parêntesis, vírgulas ou pontos.

    29 SND9243615672 (fuso 29, Zona S , Quadrado ND, distância à meridiana e perpendicular dentro do quadrado de 100km de lado com a precisão de 1 metro)

    Localização de Portugal em relação à quadrícula militar UTM:

    Continente : zonas 29S e 29T – O meridiano Central do fuso 29 (longitude de 9º a W de Greenwich), passa a cerca de 11km a leste de Lisboa ( longitude de : 9º 07` 54``, 806 W de Greenwich), perto de Alhandra.
    Açores: Flores e Corvo – Zona 25 S – Pico, Faial, S.Jorge, Graciosa, Terceira, S. Miguel e Santa Maria – Zona 26 S Madeira : Madeira, Porto Santo, Desertas – Zona 28S – Selvagens – Zona 28R

    Cartografia

    A partir de 1951, data da adopção do Datum Europeu para ponto origem de toda a cartografia europeia, começou a substituir-se a quadrícula das cartas portuguesas e em 1965 , a quadrícula Gauss das cartas 1/25000 e 1/ 250 000 passou a secundária, dando lugar à quadrícula UTM , impressa a azul, que passa a principal.

    Esta quadrícula adopta , para o fuso 29, como eixos retangulares o Equador e o meridiano centra (de 9º de longitude W); a sua intersecção é portanto a origem desses eixos.

    Nas respectivas informações marginais de cada carta, impressa com esta quadrícula, são dadas instruções sobre o modo de referenciar qualquer ponto neste sistema. Essa instruções são divididas em duas partes. À esquerda é dada a identificação da zona da quadrícula (no nosso caso 29 T) e do quadrado de 100.000 m . quando a carta ocupa mais de um quadrado de 100.000 m, são representados no esquema as linhas da quadrícula que separam os quadrados, (no nosso caso H e J) e os valores que essas linhas tomam.

    Cartografia

    À direita das instruções junto da quadrícula a azul, verifica-se que com excepção dos valores da primeira linha da quadrícula, em cada direção a partir do canto SW da folha, nas cartas com a quadrícula de 1.000 m, os últimos três algarismos (000) são omitidos; os dois algarismos respeitantes às dezenas e milhares de metros são impressos em tipo maior e chamam-se dígitos principais.

    Nas cartas com a quadrícula de 10.000 m ,são omitidos os quatro últimos algarismos (0000); só o algarismo corresponde às dezenas de milhares de metros é impresso, em tipo saliente chamando-se digito principal.

    Estes dígitos principais são importantes, pois são utilizados para referenciar os pontos da carta.

    A primeira linha da quadrícula, na parte inferior da carta, a partir do canto inferior esquerdo, da carta que pode ver na fig. ,tem o número 479.000m E. Isto significa que está 479.000 m a Este da falsa origem, ou seja, a 21. 000 m a Oeste do meridiano central do fuso 29.

    Os dígitos principais 79, identificam esta linha a utilizar para a referenciação de pontos.

    A primeira linha da quadrícula, a Norte do canto inferior, tem o número 4.361.000 m N, o que significa que está a 4.361.000 metros a norte do Equador. Os dígitos principais 61, identificam esta linha a utilizar para a referenciação de pontos.

    Para ler a distância à meridiana dum ponto, localiza-se a primeira meridiana da quadrícula militar UTM (linha vertical) à esquerda do ponto, lendo apenas o algarismo maiúsculo (ou algarismos) - dígitos principais- respeitantes a essa meridiana, na margem superior ou inferior da carta e ignora-se os restantes algarismos minúsculos. Em seguida avalia-se ou mede-se, em décimas do intervalo da malha da quadrícula, a distância horizontal entre o ponto e a meridiana imediatamente à esquerda daquela.
    Para ler a distância à perpendicular o procedimento é análogo.

    Deve ter-se sempre presente, que para identificar um ponto, a regra é – Ler para a Direita e para Cima

    Assim, as coordenadas 7279 identificam um quadrado completo da quadrícula, podendo contudo não ser suficientes, pois podem estar situados dentro desse quadrado muitos pormenores importantes.

    Para localizar um ponto com maior precisão, os lados do quadrado podem ser divididos em dez partes. Verifica-se que o ponto está aproximadamente 7/10 da distância da linha 72 à 73 e aproximadamente 5/10 da distância da linha 79 à 80.

    As coordenadas do ponto seriam portanto 727795. neste exemplo estas são as coordenadas do vértice BISMULA.

    As coordenadas escrevem-se como um único número e contêm sempre um número par de algarismos, a primeira metade diz respeito à coordenada “ESTE” e a segunda metade à coordenada “NORTE”.
    Para localizar ou referir uma posição com ainda maior precisão, quase sempre as coordenadas de seis algarismos não são suficientemente exatas. Para as obtermos com precisão, é necessário usar-se um esquadro de coordenadas, ou recorrer à sua determinação por interpolação. No caso que temos vindo a tratar, a indicação das coordenadas militares UTM do ponto considerado seria:

    29TPE727795

    valor calculado até aos hectómetros, em que as distâncias à meridiana e à perpendicular da quadrícula , foram determinados com uma régua e multiplicados pelo denominador da escala da carta.

    Quadrícula Militar Portuguesa (Gauss)

    A quadrícula militar Portuguesa , usada nas cartas militares do território continental nas escalas 1/ 25.000 e 1/ 250.000 obedece às seguintes convenções.

    Considera-se o território do continente situado no quadrante NE dum sistema de eixos, em que a origem é a chamada origem Fictícia , de coordenadas.

    M= -200Km
    P= - 300Km

    Cartografia

    Relativamente ao ponto Central , situado próximo da povoação de Vila de Rei e do Vértice Geodésico Melriça , ao Norte de Abrantes; os eixos coordenados são respectivamente paralelos o sistema de eixos retangulares com origem no Ponto Central.

    A partir deste sistema de eixos coordenadas, estabelece-se uma quadrícula quadrangular em que os lados têm 100.000 m de extensão. O País fica assim inscrito num retângulo cujos lados são 600Km segundo a meridiana e 500 segundo a perpendicular.

    Cada quadrado começa a começar na segunda fiada de W para E e de N para S, por uma letra maiúscula segundo a ordem alfabética, suprimindo a letra I e repetindo na primeira fiada superior as letras da última fiada com um índice nº 1 (V1, W1 etc.)

    Dividamos agora cada quadrado de 100Km de lado por uma quadrícula de 10 km de lado. Cada vértice SW dum destes quadrados, ficará definido por uma letra (a do quadrado de 100km de lado) e por dois algarismos que são as coordenadas desse ponto em dezenas da quilómetro em relação à meridiana e à perpendicular que passam pelo vértice SW do quadrado de 100.000 m de lado. O ponto P, da figura terá as seguintes coordenadas S 7.6

    Se dividirmos os quadrados de 10 km em quadrados de 1 km de lado, como acontece na carta militar de Portugal 1/25 000, obtemos uma quadrícula quilométrica e os seus vértices são definidos por uma letra e dois grupos de dois algarismos que exprimem as distâncias em Km à meridiana e à perpendicular que passam pelo vértice SW do Quadrado definido pela letra.

    Cartografia

    Se considerarmos o quadrado da figura de vértice P, e construamos a quadrícula quilométrica, o vértice U da quadrícula quilométrica fica definido por: S 76.65.

    Se o ponto está situado dentro de um quadrado de quilómetro, como por exemplo K e admitimos que as distâncias deste ponto à meridiana e perpendicular que passam pelo vértice SW ponto U são 0.7km e 0.2 km, as suas coordenadas são:

    S 767. 652

    Em resumo pode-se dizer:

    A letra indica as coordenadas, distâncias à meridiana e à perpendicular em centenas de quilómetro, do vértice SW do quadrado de 100.000m de lado.

    primeiro grupo de algarismos representa a distância à meridiana, que passa pelo vértice SW do quadrado de 100.000 m de lado, sendo o primeiro algarismo da esquerda em dezenas de quilómetro, o segundo em quilómetros, o terceiro em hectómetros e assim sucessivamente.

    segundo conjunto de algarismos representa a distância à perpendicular, que passa pelo mesmo vértice do quadrado de 100.000m de lado, sendo o primeiro algarismo da esquerda em dezenas de quilómetro o segundo em quilómetros, o terceiro em hectómetros e assim sucessivamente.

    Redes Geográficas

    As redes Geográficas aparecem em todas as cartas militares e nalgumas são o único processo de localizar ou referenciar um ponto. Nas mais recentes e em particular na carta militar 1/ 25 000 (Continente), encontramos na cercadura dois sistemas de coordenadas geográficas : um a azul, referido à rede geodésica europeia unificada – Datum Europeu, e o outro a preto, referido à rede geodésica nacional – Datum de Lisboa. Em ambas a menor graduação é 1’, numeradas de 5 em 5 minutos.

    Para determinar as coordenadas geográficas dum ponto procede-se da seguinte maneira:

    Traçam-se os meridianos e paralelos que enquadram o ponto numa malha de 1’

    As coordenadas do canto SW ou SE da malha (conforme o ponto se situa a Leste ou Oeste do meridiano de Lisboa), são por defeito e aproximadas ao minuto, as coordenadas do ponto; (trabalhando com o Datum Europeu, é sempre o canto SE do Quadrângulo de 1’ que se utiliza, pois todo o continente Português fica a Oeste do respectivo meridiano de referência, que passa por Greenwich).

    Se quisermos as coordenadas até ao segundo, recorremos a uma interpolação gráfica.

    AZIMUTES E RUMOS

    Em topografia trabalha-se em geral com direções azimutais.

    Define-se direção azimutal entre dois pontos A e B, como a direção definida sobre o plano do horizonte, pelo traço do plano vertical que passa por esses dois pontos.

    Para que as direções azimutais estejam orientadas é necessário tomar uma direção fixa por referência. Essa direção de referência é geralmente a linha Norte – Sul. Ao ângulo entre duas direções azimutais chama-se ângulo azimutal. Se uma das direções é a de referência, a esse ângulo chama-se Azimute.

    Distinguem-se três direções N- S:
  • N-S Geográfica
  • N-S Cartográfica
  • N-S Magnética
  • Conforme a direção N-S que se considera, assim o Azimute toma o nome de Azimute Geográfico (ou verdadeiro), Azimute cartográfico (Rumo) e Azimute Magnético

    O Rumo é aquele que tem mais interesse em cartografia, uma vez que as meridianas desenhadas nas cartas têm a direção do Norte Cartográfico e os ângulos medidos no campo são reduzidos a Rumos, isto é, são avaliados em relação ao Norte Cartográfico.

    Sendo assim ,pode entender-se por Rumo Plano ou cartográfico duma Direção AB, ao ângulo azimutal que essa direção faz com a linha N-S cartográfica, contando a partir do Norte, no sentido do movimento dos ponteiros do relógio.

    À direção BA chama-se direção inversa da direção AB e o seu rumo é igual ao rumo da direção AB mais ou menos 180º

    CARTAS

    Uma carta é uma representação plana da superfície da terra ou de parte dela, desenhada em determinada escala, ou seja numa relação constante entre as dimensões das formas representadas na carta e as suas homólogas no terreno.

    Os pormenores naturais e artificiais do terreno são representados por desenhos em escala ou por sinais convencionais (convenção de desenho) , quando esses pormenores não têm dimensões que sejam representáveis devido à escala escolhida.

    Cada carta pode ou não ser constituída por diversas folhas, ou seja por compartimentação da área a representar, por folhas cujas dimensões sejam manuseáveis, isto é , folhas cuja área permita ao utente da carta consulta-la na mão.

    A carta de militar de Portugal na escala de 1/ 25.000 é composta de 640 folhas.

    Após a florescente carreira de cartografia portuguesa da renascença, a perda da independência (1580) e a consequente fuga de técnicos para a Holanda , França, etc., fizeram com que o saber e a arte se desvanecessem, se passassem para outros países sem nenhum benefício para Portugal.

    A primeira carta completa de Portugal, que se dá noticia, é de um cartógrafo chamado Álvaro Seco, que no ano de 1580 desenhou um mapa, em quatro folhas, do continente Português; reinava então o cardeal D. Henrique.

    Cerca de 150 anos depois (1729) D. João V por alvará de 18 de Novembro, “mandou esclarecer a geografia dos seus domínios e fazer-lhes as cartas”.

    Mas a cartografia como atualmente se entende, só começou a funcionar quando da criação do “ Real Arquivo Militar” por decreto de 4 de Dezembro de 1802, ainda de D. Maria I; os trabalhos voltam a ser interrompidos de 1807 a 1810 devido às invasões Francesas.

    Somente em 1843 se começou com rendimento a trabalhar em cartografia, por ter sido nomeado o Brigadeiro Filipe Folque para a direção dos trabalhos Geodésicos, o qual em 1853, iniciou a Carta Geral do reino na escala 1/100.000, carta esta que foi completada em 1891, já depois da sua morte.

    Atualmente são três os departamentos que essencialmente têm por missão executar cartografia.

  • Instituto Geográfico Português – Ministério das Finanças
  • Instituto Geográfico do Exercito – Exército
  • Instituto Hidrográfico - Marinha
  • Fonte: www.gd4caminhos.com

    Cartografia

    Começo de conversa

    Chegar a um lugar desconhecido utilizando um mapa, ou consultar o guia de ruas para traçar um bom caminho, é uma tortura para muita gente. Embora essas ações pareçam banais, realizá-las com desenvoltura requer uma série de conhecimentos que só são adquiridos num processo de alfabetização diferente. Ele não envolve letras, palavras e pontuação, mas linhas, cores e formas. É a aprendizagem da linguagem cartográfica.

    A importância da cartografia

    Essencial para o ensino da Geografia, a cartografia tornou-se importante na educação contemporânea, tanto para o aluno atender às necessidades do seu cotidiano quanto para estudar o ambiente em que vive. Aprendendo as características físicas, econômicas, sociais e humanas do ambiente, ele pode entender as transformações causadas pela ação do homem e dos fenômenos naturais ao longo do tempo.

    “Saber ler mapas faz com que a pessoa consiga pensar sobre territórios e regiões que não conhece”, explica Rosângela Doin de Almeida, professora da Universidade Estadual Paulista, membro do Grupo de Pesquisa em Cartografia Escolar e representante brasileira da International Cartography Association (ICA). Ela afirma ainda que a tecnologia produz representações cartográficas cada vez mais sofisticadas. Sua linguagem é usada no ensino não só da Geografia, mas também da História e das Ciências em geral. “Conhecê-la significa adquirir boa parte do suporte necessário para a construção do conhecimento”, enfatiza.

    1. Mapeador e leitor de mapas

    Objetivos

    Ler, interpretar e representar espaços físicos conhecidos, como a casa, a escola e o bairro.

    Criar e ler símbolos e legendas.

    Adquirir noções de direção, sentido, projeção, proporção, paisagem, escala gráfica e escala numérica.

    Como chegar lá

    Use brincadeiras e jogos infantis.

    Proponha a construção de maquetes e desenhos de mapas de trajetos familiares às crianças. Não deixe de ensinar, a cada etapa, os conceitos cartográficos envolvidos.

    Lembrete

    O aprendizado da cartografia pode começar na educação infantil, mas vai estender-se até o final do ensino médio, com atividades adequadas ao nível de desenvolvimento da turma.

    Pressupostos

    Os alunos do ensino fundamental, principalmente de 1ª a 4ª séries, nem sempre compreendem os conceitos de espaço da mesma forma que o adulto. Um aluno da 2ª série, por exemplo, pode não entender como o estado da Bahia se encontra ao mesmo tempo ao sul de Pernambuco e ao norte do Espírito Santo.

    No ensino fundamental, esses conhecimentos devem ser desenvolvidos e aprofundados desde a 1ª série, pois são essenciais ao entendimento dos conceitos que possibilitam ao aluno realizar a análise geográfica.

    A utilização de mapas é um processo de ir e vir, do concreto ao abstrato, da imagem para o significado. É um trabalho que se desenvolve da etapa de representação dos espaços em que vivemos, conhecemos e experimentamos até a interpretação de realidades não conhecidas e que exigem maior abstração.

    Representar, interpretar, mapear

    Um trabalho com mapas, na sala de aula, deve ser precedido de um período em que a representação se forma — dissociação dos significados e significantes — e em que se constróem, lenta e gradativamente, as relações espaciais e a própria consciência do mundo físico e social.

    O aluno é considerado o mapeador, aquele que representa a realidade física e social, inicialmente por meio de símbolos convencionados por ele próprio. Quando adquire a consciência da representação, ele pode tornar-se um usuário, aquele que lê e interpreta mapas elaborados por outros.

    Como mapeadores, os alunos são codificadores que emitem uma mensagem recorrendo a mapas e interpretam a mensagem elaborada por outra pessoa. Iniciando o aluno em sua tarefa de mapear, estamos, portanto, mostrando os caminhos para que se torne um leitor consciente da linguagem cartográfica.

    Equívocos metodológicos

    A idéia aqui exposta tem sido, por vezes, mal interpretada. Há no mercado editorial uma proliferação de cadernos de mapas mudos para o aluno colocar nome de países e rios, ou pintar países, estados ou municípios. Essas tarefas são mecanicistas e não levam à formação de conceitos quanto à linguagem cartográfica.

    A ação para o aluno entender a linguagem não está em pintar ou copiar contornos, mas em “fazer o mapa”. Ao acompanhar metodologicamente cada passo do processo — reduzir proporcionalmente, estabelecer um sistema de projeções para que haja coordenação de pontos de vista (descentralização espacial) —, ele se familiariza com a linguagem cartográfica.

    Mesmo depois disso o aluno sentirá dificuldades em organizar um sistema de signos de forma ordenada, mas é vivenciando essas dificuldades que ele irá construir noções profundas de organização de um sistema semiótico. Ao ter de generalizar, estabelecer uma classificação e selecionar as informações que devem ser mapeadas, o aluno será forçado a tomar consciência dessas informações — as pertinentes e as não pertinentes —, o que melhorará seu raciocínio lógico.

    Por intermédio dessa ação de mapear, e não de cópias ou pinturas de mapas, dá-se um verdadeiro passo metodológico para o aprendizado de cartografia.

    Um processo em três partes

    1 - Tarefas operatórias para a construção de pré-aprendizado, que facilitarão a leitura de mapas. São elas as atividades de orientação, observação de pontos de referência, localização com a utilização de retas coordenadas como pontos de referência, coordenação de pontos de vista, proporcionalidade, conservação de forma, tamanho e comprimento.

    Piaget mostrou que é fácil a utilização de retas coordenadas como pontos de referência no cotidiano, uma vez que a própria natureza e os elementos urbanos do dia-a-dia nos fornecem essas coordenadas: árvores, ruas planas, postes, paredes, portas, chão. Portanto, parece que esses pontos de referência devem ser usados para a localização de elementos simples, como a casa da criança, por meio da observação em relações topológicas, projetivas ou euclidianas.

    2 - Atividades de codificação do cotidiano para o exercício da função simbólica no mapeamento, facilitando, dessa forma, a compreensão da relação significante versus significado, pela criação de significantes a fim de que a criança represente e organize uma legenda.

    3 - Leitura propriamente dita, ou seja, decodificar, ligando o significante ao significado para melhor compreensão da legenda e de toda a simbologia dos mapas.

    Todo o procedimento parece estar de acordo com o pensamento de Jean Piaget, para quem o “ensino da representação não consiste na apresentação de uma lista de palavras a aprender, mas antes no desenvolvimento da capacidade de representar o conhecimento já construído a nível prático”.

    Dessa forma são construídos os pré-requisitos para a leitura de mapas, com a compreensão de:

  • proporcionalidade e projeção
  • relação codificação versus decodificação ou a relação significante versus significado dos signos cartográficos e de toda a linguagem cartográfica
  • retas coordenadas como pontos de referências
  • orientação e localização
  • pontos de referência para a localização
  • limites e fronteiras.
  • 2. Cartografando a superfície terrestre

    Noções básicas

    A cartografia — a técnica e a arte de produzir mapas — é a linguagem da Geografia. Mapas físicos, políticos e temáticos revelam os aspectos visíveis da paisagem ou as fronteiras políticas, espelham projetos de desenvolvimento regional ou contribuem para organizar operações militares.

    As tentativas de cartografar o espaço geográfico remontam aos povos antigos, que já registravam elementos da paisagem e fixavam pontos de referência para seus deslocamentos e expedições. A cartografia se desenvolveu paralelamente ao comércio e à guerra, acompanhando a aventura da humanidade.

    Atualmente, a produção de mapas emprega técnicas sofisticadas, baseadas nas fotografias aéreas e em imagens obtidas por satélites de sensoriamento remoto. Mapas são fontes de saber e de poder.

    Os mapas e cartas geográficas correspondem a instrumentos fundamentais da linguagem e da análise geográficas. Eles têm uma função primordial: conhecimento, domínio e controle de um determinado território. Por isso, são fonte de informações que interessam a quem tem poder político e econômico.

    Os termos mapa e carta são muitas vezes usados como sinônimos. No entanto, de maneira geral, os mapas correspondem às representações mais genéricas (como um planisfério), enquanto as cartas geográficas normalmente consistem em representações de espaços mais restritos e com maior grau de detalhamento, como as constantes do guia de ruas de uma cidade.

    Elementos principais de um mapa

    Todo bom mapa deve conter quatro elementos principais: título, escala, coordenadas geográficas e legenda. Esses elementos asseguram a leitura e a interpretação precisas das informações nele contidas.

    TÍTULO

    Descreve a informação principal que o mapa contém.

    Um mapa com o título “Brasil físico” deve trazer o nome e a localização dos principais acidentes do relevo, assim como os principais rios que cortam o país. Já um mapa com o título “Brasil político” necessariamente terá a localização e o nome das unidades federativas, assim como as suas respectivas capitais e, eventualmente, outras cidades principais.

    Outras informações que esses mapas porventura contiverem, como as principais cidades num mapa físico ou os rios mais importantes num mapa político, são consideradas secundárias e, portanto, não devem ser sugeridas no título.

    ESCALA

    Indica a proporção entre o objeto real (o mundo ou uma parte dele) e sua representação cartográfica, ou seja, quantas vezes o tamanho real teve de ser reduzido para poder ser representado.

    Consideremos o seguinte exemplo: um mapa na escala 1:10.000.000 indica que o espaço representado foi reduzido de forma que 1 centímetro no mapa corresponde a 10 milhões de centímetros ou 100 quilômetros do tamanho real.

    Deve-se estabelecer a escala de um mapa antes de sua elaboração, levando-se em conta os objetivos de sua utilização. Quanto maior for o espaço representado, mais genéricas serão as informações. Em contrapartida, quanto mais reduzido o espaço representado, mais particularizadas serão as informações.

    Mapas em diferentes escalas servem para diferentes tipos de necessidades:

    Mapas em pequena escala (como 1:25.000.000) proporcionam uma visão geral de um grande espaço, como um país ou um continente;

    Mapas em grande escala (como 1:10.000) fornecem detalhes de um espaço geográfico de dimensões regionais ou locais.

    Por exemplo, em um mapa do Brasil na escala 1:25.000.000, qualquer capital de estado será representada apenas por um ponto, ao passo que num mapa 1:10.000 aparecerão detalhes do sítio urbano de qualquer cidade.

    OS TIPOS DE ESCALA
    Categoria Escala Finalidade do mapa
    Grande 1:50 / 1:100 Plantas arquitetônicas e de engenharia.
    1:500 a 1:20.000 Plantas urbanas, projetos de engenharia.
    Média 1:25.000 a 1:250.000 Mapas topográficos.
    Pequena acima de1:250.000 Atlas geográficos e globos.

    A representação das escalas cartográficas que usamos até agora é a numérica. Porém, existe uma outra forma de representar a escala: a forma gráfica.

    A escala gráfica aparece sob a forma de uma reta dividida em várias partes, cada uma delas com uma graduação de distâncias. A sua utilidade é a mesma da escala numérica.

    ESCALA GRÁFICA

    Essa escala gráfica indica que 1 centímetro no papel corresponde a 20 quilômetros na superfície representada.

    COORDENADAS GEOGRÁFICAS

    São linhas imaginárias traçadas sobre os mapas, essenciais para a localização de um ponto na superfície terrestre.

    Essa localização é o resultado do encontro de um paralelo e sua respectiva latitude (o afastamento, medido em graus, do paralelo em relação ao Equador) e de um meridiano e sua respectiva longitude (o afastamento, medido em graus, do meridiano em relação ao meridiano principal ou de Greenwich).

    LEGENDAS

    Permitem interpretar as informações contidas no mapa, desde a constatação da existência de um determinado fenômeno até os diferentes graus de intensidade em que ele se apresenta.

    As legendas podem vir representadas por cores, hachuras, símbolos ou ícones de diversos tipos, ou utilizar combinações dessas várias representações.

    No uso de legenda com cores, é necessário seguir algumas regras determinadas pelas convenções cartográficas. O azul, por exemplo, presta-se para a representação de fenômenos ligados à água, como oceanos, mares, lagos, rios.

    Na representação de um fenômeno com várias intensidades, a graduação da cor utilizada deve manter relação direta com a intensidade do fenômeno. Assim, num mapa de densidades demográficas, as maiores densidades são representadas por uma cor ou tonalidade mais forte do que as menores densidades.

    Ao produzir representações cartográficas de fenômenos da natureza, as cores também podem sugerir as características do fenômeno. Em geral, os mapas climáticos utilizam as cores “quentes” (alaranjado, vermelho) para representar climas “quentes” (tropical, equatorial, desértico), ficando as cores “frias” reservadas aos climas mais frios.

    Similarmente, os mapas de vegetação representam as florestas tropicais por meio de várias tonalidades de verde. Já nos mapas de relevo, a cor verde deve ser reservada para as planícies, bacias ou depressões, enquanto o amarelo é utilizado para os planaltos e o marrom, para as áreas mais elevadas, como as cadeias montanhosas.

    3. A leitura de mapas

    Ler mapas é um processo de decodificação, que envolve algumas etapas metodológicas básicas.

    Inicia-se a leitura pela observação do título. Temos de saber, inicialmente, qual é o espaço representado, seus limites e as informações constantes no mapa.

    Depois, é preciso interpretar a legenda ou a decodificação propriamente dita, relacionar os significantes e significados espalhados no mapa. Só então será possível refletir sobre aquela distribuição e/ou organização.

    Deve-se observar também a escala (gráfica ou numérica) indicada no mapa para posterior cálculo das distâncias ou das dimensões do fenômeno representado, a fim de se estabelecer comparações ou interpretações.

    Ler mapas significa, portanto, dominar esse sistema semiótico que é a linguagem cartográfica. Preparar o aluno para essa leitura deve passar por preocupações metodológicas tão sérias quanto as de se ensinar a ler e escrever, a contar e fazer cálculos matemáticos.

    Vai-se à escola para aprender a ler, escrever, calcular e ? por que não? ? também para ler mapas.

    Fonte: www.projetopresente.com.br

    Cartografia

    Animação

    Fonte: www.ibge.com.br

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