INVENTÁRIO DE CARBONO
Na prática atual, o eucalipto é cortado no 70 , 140 e 210 anos sem a necessidade de replantio (rebrota). Assim, mantém-se um estoque permanente de madeira em pé, enquanto perdura a produção siderúrgica, correspondente aos 6 anos de crescimento da planta. Realizado o corte, as raízes, galhos menores e folhas são deixados no local, constituindo um estoque adicional de carbono. Os cálculos de inventário de carbono são feitos com base na cinética de desenvolvimento da planta e na análise elementar da madeira.
Análise elementar da madeira (% de massa seca):
| Carbono | Oxigênio | Hidrogênio | Nitrogênio | Cinzas | Água |
| 47,0 | 41,0 | 5,7 | 0,3 | 0,8 | 20,2 |

O gráfico mostra que a massa de carbono contida no tronco, na época do corte (entre 72 e 84 meses) é aproximadamente igual à massa contida nas demais partes da árvore. A figura seguinte mostra esquematicamente o balanço de massa no processo.

Inventário de carbono (por tonelada de tronco abatido, base seca):
| Biomassa | Carbono | CO2 | O2 | |
| Tronco abatido | 1,00 | 0,47 | 1,73 | 1,26 |
| Troncos acumulados em 6 anos | 3,00 | 1,47 | 5,19 | 3,77 |
| Raízes, 7º ano | 2,99 | 1,40 | 5,13 | 3,73 |
| Galhos acum. 6 anos | 0,48 | 0,23 | 0,83 | 0,60 |
| Folhas acum. 6a | 0,33 | 0,17 | 0,62 | 0,45 |
| Estoque total | 6,80 | 3,21 | 11,76 | 8,56 |
A tabela acima mostra que, para cada tonelada de carbono posto em circulação no processo produtivo, a plantação armazena 6,8 t de carbono nos troncos em desenvolvimento e nas partes não processadas.
O cálculo da massa de gases emitidos é feito a partir da análise elementar dos gases não condensáveis, representando 25% da massa de madeira seca carbonizada, reproduzida abaixo:
Gases não condensáveis ( % de massa ):
Hidrogênio .....0,63
CO .....34,0
CO2 .....62,0
Metano .....2,43
Etano .....0,13
Os parâmetros de conversão , já apresentados no Relatório Parcial, são os seguintes:
Densidade aparente da madeira (eucalipto) empilhada = 0,62 t/st
Densidade aparente do carvão a granel = 0,25 t/m3
Rendimento da carbonização (m3 carvão/st) = 0,50 m3 / st
Consumo específico de carvão na redução = 2,9 m3 / t gusa
Em unidades métricas, 1 t de ferro-gusa requer 0,725
t de carvão vegetal, produzido a partir de 3,6 t de madeira.
Na prática atual, 5% da massa de madeira enfornada é queimada para aquecer
a carga do forno. A composição da fumaça liberada nesta fase não é conhecida.
Considerando a pequena massa queimada, supõe-se a conversão completa do carbono
em CO2 equivalente.
Com estes dados, a emissão calculada para a produção do carvão vegetal é mostrada a seguir:

As condições de produção e de uso do carvão vegetal na siderurgia indicam que a indústria de carvão pode atingir a plena maturidade, em função da prevista elevação do preço do petróleo que puxaria os preços dos demais vetores energéticos. Estudos internacionais consultados consideram possível o retorno a economia energética baseada no carvão mineral para produzir combustíveis líquidos sintéticos.
Da mesma forma que o álcool combustível, o carvão vegetal concorre com um combustível-redutor fóssil, de custo forçosamente inferior e que, por sua vez, concorre com outro combustível fóssil, o gás natural, cujo uso vem ganhando impulso devido às suas múltiplas aplicações. Assim, o carvão vegetal deve ser considerado por suas vantagens ecológicas e sociais, de vez que o setor emprega numerosa mão de obra pouco qualificada, ocupa terras de valor marginal, por serem pouco adequadas à produção agrícola, além de gerar renda em regiões onde as alternativas de emprego não são particularmente favoráveis ao trabalhador. O potencial de seqüestro de carbono e de regeneração do oxigênio, aliado à melhor qualidade do gusa de carvão vegetal como fonte de metal virgem para os fornos elétricos a arco, qualifica este combustível como fator de motivação para as negociações internacionais relacionadas com o clima global.
GERALDO JURANDIR VIALTA
1. Geografia do Brasil Dinâmica
e Contrastes*
2. Pape, Programa Auxiliar de Pesquisa Estudantil (ed. DCL)
3. Isto é/Superinteressante/Jornal da Tarde/Folha de São Paulo
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5. "State of the Art Repport on Charcoal Production in Brasil" -
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8. Competitividade e Perspectivas da Indústria Mineira de Ferro-Gusa - SINDIFER"
9. A Sustentabilidade da Indústria de Ferro-Gusa" Prof. Hercio Pereira
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Fonte: www.fem.unicamp.br