São aqueles que se desenvolvem em meio aquático, e como as raízes aquáticas, também podem desenvolver grandes quantidades de aerênquima (fig. 14). Exemplo: aguapé (Eichornia crassipes - Pontederiaceae).
O caule pode assumir aspectos diferentes dos tipos mais comuns, e essas modificações geralmente são adaptações a condições especiais. O caule pode ser transformado em espinhos, gavinhas, ou então, adquirir uma forma achatada, em substituição às folhas ausentes, reduzidas ou ainda transformadas em espinhos.

Figura 14 - Caule aquático
Podemos reconhecer que estamos diante de um caule pela presença de gemas, folhas escamiformes, flores e também pela posição axilar de toda a estrutura.
As adaptações caulinares podem ser classificadas como:
São ramos modificados formados na axila das folhas e que servem como elementos de fixação para o caule trepador (fig. 15). As gavinhas podem ser volúveis enrolando-se em hélice no substrato. Exemplo: maracujá (Passiflora alata - Passifloraceae).Outras são diferenciadas em garras, como por exemplo, no cipó-unha-de-gato (Macfadyena ungüis - Bignoniaceae). Podem ainda se diferenciar em ventosas ou discos adesivos, como por exemplo, na cortina-japonesa (Parthenocissus tricuspidata - Vitaceae).

Figura 15 – Gavinhas caulinares
São gemas desenvolvidas com função de proteção contra predação (fig. 16).
Exemplo: limoeiro (Citrus limon - Rutaceae). Não devem ser confundidos com acúleos de rosa (Rosa sinensis - Rosaceae), juá (Solanum aculeatissimum - Solanaceae) ou paineira (Chorisia speciosa - Bombacaceae), que são meras formações epidérmicas, sem vascularização, geralmente sem posição definida no caule.

Figura 16 – Espinhos
Caule modificado que assume a aparência e a função fotossintetizante de uma folha, mas que apresenta crescimento contínuo, devido à presença de uma gema apical (fig. 17). Geralmente, o cladódio se forma em plantas áfilas (sem folhas), com as folhas reduzidas ou transformadas em espinhos, como por exemplo, nos cactos (Opuntia compressa - Cactaceae), no caule alado da carqueja (Bacharis trimera, Asteraceae) ou em fita-de-moça (Muehlenbeckia platyclada - Polygonaceae).

Figura 17 - Cladódio
Quando o crescimento deste caule achatado e clorofilado é limitado e sua estrutura é semelhante a uma folha sendo esta modificação denominada filocládio (fig. 18). A sua natureza caulinar só pode ser percebida pela presença de flores (flores só se desenvolvem a partir de gemas existentes no caule).
Exemplo: aspargo (Asparagus densiflorus - Asparagaceae)

Figura 18 – Filocládio
Fonte: www.cca.ufscar.br
Os caules geralmente são órgãos sem clorofila nos quais predominam tecidos condutores de seiva. A água e os sais absorvidos pela raiz constituem a seiva bruta ou seiva mineral, que é transportada para cima, até as folhas.
Os produtos da fotossíntese, especialmente açúcares, são dissolvidos em água e formam a seiva elaborada, que é transportada para baixo, até as raízes.
A seiva circula no interior de longas células em forma de finíssimos canais, que são os vasos condutores. Os vasos liberianos conduzem a seiva elaborada e situam-se numa estreita faixa externa nos caules.
Os que conduzem a seiva bruta são chamados de vasos lenhosos, e em conjunto formam o lenho. Esses vasos têm paredes grossas e reforçadas por uma substância muito resistente, a lignina. O lenho compõe a maior parte da espessura do caule, na sua região central, que é o cerne, utilizado pelo homem como madeira.

O caminho das seivas na planta.
Além da função de conduzir, o caule suporta o peso da planta, com toda a carga de frutos, pressões e torções provocadas pelos ventos, pois tem boa flexibilidade. Essa função de sustentação é proporcionada pelo cerne - o lenho mais velho, que fica obstruído e preenchido por substâncias que lhe dão maior resistência. Apenas o lenho mais novo, na periferia, continua conduzindo a seiva.

Esquema do cerne e do lenho mais novo: funções diferentes
Jardineiros e fruticultores sabem que a partir de pedaços de caules, ou estacas, com algumas gemas, podem-se obter novas plantas. Esse é um tipo de reprodução assexuada que permite a obtenção de plantas de mesmas características, ou seja, os clones, geneticamente iguais, a partir de várias estacas de uma mesma planta-mãe.
Em cada estaca plantada, as gemas que ficam enterradas formam raízes e as que ficam expostas ao ar originam novos ramos. Surgem assim pequenas mudas, que podem ser facilmente replantadas.
Fonte: www.editorasaraiva.com.br