Cebola (Página 7)
Cebola

Cebola

Generalidades

História e botânica

A cebola, botanicamente conhecida como Allium cepa L., é o principal condimento utilizado pelos brasileiros e, de modo geral, pela maioria dos povos.

Originária do centro da Ásia, essa planta atingiu a Pérsia, de onde se irradiou para a África e por todo o continente europeu. Do Velho Mundo, foi trazida para as Américas, pelos primeiros colonizadores.

No Brasil, era cultivada, de início, apenas nos Estados sulinos, especialmente no Rio Grande do Sul. Aos poucos, foi interessando a outras regiões, sendo, atualmente, cultivada desde o Nordeste até o extremo sul do país.

É planta anual, para produção de bulbos, e bienal, para produção de sementes. O bulbo é tunicado, concêntrico, formado pela bainha das folhas, que se tornam carnosas e bem suculentas, sobrepondo-se umas às outras e recobertas, exteriormente, por escamas secas, de coloração amarela, roxa ou branca, segundo a variedade.

Na parte central do bulbo, no primeiro ano, forma-se um órgão intumescido e fusiforme, que representa o escapo floral em estado embrionário e que se desenvolve no segundo ano, atingindo a altura de 1,30 m, tendo no ápice uma inflorescência globulosa, a umbela que é formada por um número variável de flores: de 50 a 2000.

A cebola contém 87,5% de água e apresenta a seguinte composição por 100 gramas de material fresco: 49 calorias, 1,4 mg de proteína, 32 mg de cálcio, 20 U.l. de vitamina A, 12 mg de ácido ascórbico, 0,12 mg de vitamina G, 0,03 mg de vitamina Bi e 0,1 mg de niacina.

Solo

Da escolha de um terreno apropriado depende, em grande parte, o êxito de uma cultura.

Para a cultura de cebola ser viável, é preciso que o solo escolhido seja bastante profundo, um tanto solto, suficientemente fértil e rico em matéria orgânica.

Um terreno francamente arenoso seria impróprio, porque resiste pouco às secas e conserva pouco os adubos aplicados.

Os solos argilosos também devem ser evitados: são duros, difíceis de serem trabalhados, e sua superfície endurece e racha depois das chuvas e das irrigações, se não forem escarificados a tempo. Em suma, as plantas não podem enraizar-se com desembaraço, e o resultado é a formação de bulbos pequenos, deformados, aumentando o número dos charutos.

Técnicos americanos há que condenem os solos ácidos para a cultura da cebola. Todavia, ela prospera bem, entre nós, em solos relativamente ácidos, e, no Rio Grande do Sul, toda a cultura é feita em solos com pH entre 5,5 e 6,0. Não sendo exageradamente ácido, o solo pode ser utilizado para o plantio da cebola.

Preparo do Solo

Escolhido o terreno, passa-se a cuidar do seu preparo para receber a cultura.

Logo que seja possível, após as chuvas de verão, já se começa a trabalhar o terreno. Tal preparo consiste em arar e gradear a terra. Trinta dias depois, nova aração e gradeação, convindo, dessa ver, aprofundar um pouco mais a lavra, pois, ao contrário do que se pensa, a cebola explora o terreno não só superficialmente, como, também, em profundidade. A maioria das raízes se localiza de 40 a 50 cm de profundidade, regular porção delas de 70 a 80 cm e, algumas, de 90 a 100 cm.

Convém notar que as raízes não descem, de inicio, perpendicularmente, mas caminham cerca de 10 cm, paralelamente à superfície, e a 5cm de profundidade, para depois baixarem às camadas mais profundas. Por essa razão é que as capinas devem ser superficiais e cuidadosas, a fim de evitar que as raízes sejam cortadas.

Como as raízes de cebola exploram o terreno em sua profundidade, seria de esperar que, quanto mais profundas fossem as lavras e as adubações, maior seria a produção. A experimentação, todavia, provou não ser verdadeiro tal raciocínio. Experiências levadas a efeito no IAC-SP, mostraram que, em terras profundas, não há vantagem em aprofundar as lavras, porquanto a produção não se altera. Em terras rasas, as lavras, além de certo limite, tornam-se prejudiciais, por misturar o solo com o subsolo. Assim, não são aconselháveis arações profundas, bastando uma lavra de 15 cm, mais ou menos.

A época de preparo do terreno tem grande influência, sobre a cultura. Não é demais insistir em recomendar que a primeira aração seja feita no término da estação das águas, isto é, em fins de fevereiro. Dessa forma, a retenção das águas já contidas no solo será maior, devido ao revolvimento da parte superior; haverá, ainda, pelo fato de a terra estar bem solta, um maior aproveitamento por infiltração, das chuvas que caírem daí em diante. Ademais, como a primeira aração é a mais penosa, nessa ocasião, devido à umidade do solo, o trabalho será facilitado.

Entre a última aração e o transplante das mudas, deve haver, no mínimo, um intervalo de 15 dias.

Se a transplantação se der logo depois de uma lavra mais ou menos profunda, pode-se esperar grande número de falhas, pelo fato de as mudas caírem em camada de terra com baixo teor de umidade, devido à evaporação provocada com o revolvimento da terra. Mesmo depois de vingarem, as mudas não poderão dar bons bulbos, por causa do meio impróprio que lhes foi proporcionado nos primeiros dias de vida no campo, e tornam-se raquíticas.

Se a cultura não vai ser irrigada, é o bastante esse preparo. Quando muito, pode-se utilizar um pranchão para aplainar mais ou menos o terreno. Se vai ser irrigada por infiltração, e as linhas de plantação forem longas, o trabalho de aplainamento deve ser perfeito, para evitar o empoçamento de água.

Adubação

A adubação pode ser levada a efeito por dois diferentes métodos:

No primeiro, os adubos são aplicados nos próprios sulcos, por ocasião do transplante das mudas, e, a seguir, bem misturados com a terra.

No segundo, só praticável quando a plantação é inteiramente feita a arado, colocam-se os adubos nos sulcos que não levam mudas. Dos dois, o mais recomendável é aquele em que os adubos são aplicados, nos sulcos de plantação, uma vez que sejam bem misturados com a terra.

Calculo da adubação e calagem para a cultura da cebola

A adubação e calagem da cebola, assim como de todas as culturas, deve ser feita com base na análise do solo.

Calagem

Aplicar calcário, de preferência dolomítico, até alcançar valor de V=70 %.

A quantidade de calcário a aplicar é dada pela fórmula:

Adubação mineral

No plantio:

Cobertura: Aplicar, em duas vezes, 30 a 50 kg/ha de nitrogênio aos 30 e 45 dias após o transplante.

Adubação orgânica

Incorporar restos de cultura; aplicar palhas, cascas, estercos, tortas; 20 t/ha de esterco de curral bem curtido ou 5 t/ha de esterco de galinha ou 2 t/ha de torta de mamona. Os estercos e tortas devem ser aplicados 8 a 10 dias antes do plantio.

Sementes

Para esse fim, as cebolas são colhidas bem maduras, e, depois da cura, rigorosamente selecionadas, isto é, são colhidos bulbos arredondados e não perfilhados. Apenas bulbos perfeitos, firmes e com as características da variedade, serão reservados. Aqueles de segunda, cujo diâmetro transversal varia de 40 a 55 mm, quando bem escolhidos, dão ótimos resultados.

O trabalho de restiar é o comum, sendo as tranças amarradas em grupos de quatro e dependuradas em travessas de madeira roliça, distanciadas em 1 m, até a cobertura do galpão, ficando cada série á distância de 1 m, da seguinte.

Nesses varais, elas se mantêm relativamente perfeitas até meados de abril ou princípios de maio, época de plantio. As podres vão sendo retiradas, através de inspeções freqüentes. Os galpões precisam ser amplos, secos e bem ventilados.

Pode-se também dispensar o restiamento, sendo os bulbos armazenados em estrados ou tabuleiros, em galpões bem ventilados, com duas camadas de bulbos, no máximo, a fim de favorecer sua conservação.

A gleba de terra escolhida para plantio dos bulbos deve ser bem isolada de outras culturas de cebola, porque essa planta se cruza com facilidade. Uma distância mínima de 2 Km assegura o isolamento do campo.

Não será exagero recomendar que o campo de produção de semente seja distanciada do campo de produção de muda, porque neles sempre aparece certa porcentagem de hastes florais prematuras que iriam comprometer o valor das sementes colhidas.

As baixadas férteis e enxutas, em geral, não dão boa produção de sementes, apresentando, ainda, a desvantagem de serem muito sujeitas a ataque de moléstias.

Por isso, terras de meia encosta com possibilidade de irrigação por infiltração, são as mais recomendáveis.

O preparo da terra é idêntico ao usado na obtenção de bulbos, variando só a distância de plantação. O espaçamento a ser empregado deverá ser o seguinte: para duas linhas distanciadas de 0,80 m, deixar um caminho de 1,50 m, afim de facilitar os tratos culturais, principalmente as pulverizações. O espaçamento entre as plantas será 0,10 m.

Para terra de mediana fertilidade, dependendo de sua análise, a adubação poderá ser a seguinte, por metro de sulco:

Esterco curtido de curral 5 Quilos
Superfosfato ( 20% P2O5) 100 Gramas
Cloreto de Potássio ( 60% K²O) 20 Gramas
Nitrocálcio (20% N) 40 Gramas

Tais adubos serão aplicados nos sulcos, 8 a 10 dias antes do plantio dos bulbos, á exceção do Nitrocálcio, que será aplicado em cobertura aos 30 e 45 dias após o plantio, metade da dose em cada aplicação.

O Nitrocálcio poderá ser substituído por sulfato de amônio (20% N) ou por salitre do Chile (15,5% N), levando-se em conta o teor em N.

Três meses após, quando já estão desprovidas de folhas, convêm chegar terra às plantas, a fim de aumentar-lhes a estabilidade, pois as hastes florais chegam a alcançar mais de 1 m de altura.

O plantio dos bulbos deverá ser efetuado de fins de abril a princípios de maio. Cerca de 6 meses depois do plantio dos bulbos, dá-se o início das colheitas, que se prolongam por 40 ou 50 dias.

A média de produção é de quatro a cinco inflorescência por pé, chamadas cachopa, no Rio Grande do Sul, e em S.Paulo, sendo umbela o nome certo.

Numa cultura normal, considera-se boa uma produção de sementes equivalente a 10% do peso dos bulbos plantados.

Efetua-se a colheita quando cerca de 40% dos bulbos estão se abrindo. Nesse ponto, a umbela de desprende com facilidade, bastando puxá-la com a mão. São, então, colhidas em sacos e depois espalhadas em galpões ventilados, em camadas de 7 a 8 cm, devendo ser revolvidas uma vez por dia.

No caso de pequenas quantidades, estando secas, são postas em sacos e cuidadosamente batidas com pau roliço. Para facilitar um revolvimento perfeito e evitar que se rompam, os sacos não devem levar mais de um terço da sua capacidade.

As sementes que caírem dos frutos durante a secagem das umbelas, serão peneiradas, assim como as que foram batidas no saco.
Para grandes quantidades de sementes, existem máquinas que efetuam o beneficiamento completo.

Germinação-índice

É imprescindível conhecer o valor germinativo das sementes, tanto colhidas como compradas. Para tanto, faz-se o seguinte:

Em um recipiente ou caixa de madeira com altura máxima de 5cm, coloca-se areia bem limpa, até a metade

Sobre a areia coloca-se um pedaço de mata-borrão, com cem sementes tiradas ao acaso do saco em que estavam guardadas; convém desinfetá-las, para evitar o desenvolvimento de bolores, que inutilizariam a experiência

Encharca-se o conjunto com água limpa, mas de modo que não fique água acumulada no fundo do recipiente

Cobre-se o recipiente com um pedaço de vidro, deixando-se pequena abertura para entrada de ar, ou com um pano esticado

Toda manhã, efetua-se nova irrigação, tendo o cuidado de não tocar ou movimentar as sementes

Quatro ou cinco dias após, começa a germinação. Vai-se, então, diariamente, retirando e contando as sementes germinadas, até o décimo dia. Pela contagem total das germinações fica-se conhecendo a porcentagem de germinação das sementes; considera-se boa uma germinação acima de 70 %.

Plantio

Época de Plantação

A cebola, para produzir bem, durante seu crescimento prefere temperaturas amenas e, por ocasião da formação dos bulbos, temperatura mais elevada. Chuvas bem distribuídas, durante toda a fase de desenvolvimento, e um período seco, depois que os bulbos já estão formados.

Essa é a razão de a cultura, no início, ter-se concentrado na zona sul do Estado, onde chove mais no inverno e menos no verão, como no Rio Grande do Sul.

Além disso, na primavera e no verão, no Estado gaúcho, os dias são longos e quentes, formando um conjunto de fatores favoráveis à boa formação dos bulbos.

Pelo exposto, fácil é deduzir que a cebola só pode ser cultivada, economicamente, em São Paulo, num período restrito, que vai de março a meados de outubro.

As semeações de fevereiro, época chuvosa e muito quente, são perigosas, sendo comum à perda das sementes, pelo excesso de umidade, ou a inutilização das plantinhas, logo após o nascimento, pela manifestação de moléstias.

As plantas originárias da semeação desse mês apresentam hastes muito grossas, que não tombam com o amadurecimento do bulbo, dificultando, assim, não só a colheita como, também, a operação de restiamento. Há, ainda, duas outras desvantagens: os bulbos mostram-se recobertos por películas muito espessas, que lhes dão um mau aspecto externo, e as plantas ficam com acentuada tendência de emitir pendão floral, comprometendo o aspecto interno dos bulbos.

A experimentação tem demonstrado que, tanto no Planalto Paulista como em regiões mais altas, a produção decresce nas semeações de abril, sendo muito reduzida em maio.

Semeando tarde, a planta se desenvolve pouco, apresentando bulbos pequenos, além dos chamados charutos - cebolas compridas, como o alho-porro. Quanto mais tarde a cebola for semeada, mais curto será o ciclo. Com a semeação em princípios de março, a planta terá desenvolvimento normal, evitando-se o perigo das chuvas de verão, porque a colheita será nos dias da primavera.

Se a fase de máximo desenvolvimento dos bulbos coincidir com forte calor e chuvas demoradas, o prejuízo é certo, pois a planta entrará, desde logo, no segundo ciclo, emitindo folhas e raízes novas. Dessa forma, as cebolas não amadurecem porque, para tanto, são indispensáveis a morte das raízes, e o murchamento da parte aérea.

Se forçarmos a colheita, prejudicaremos a qualidade do produto, pela falta de uma cura perfeita, com perda das características das cebolas amadurecidas em condições normais: cor brilhante e aspecto quebradiço das películas exteriores. Nesse caso, todavia, a fim de evitar danos totais, é aconselhável apressar a colheita, mesmo com a queda do valor comercial do produto, que deve ser de consumo imediato.

Como as plantas colhidas assim possuem hastes muito grossas, o trabalho de restiamento é facilitado com o destalo: corte longitudinal das hastes, com um canivete, e retirada da parte central. Com um pau roliço, dá-se uma pancada na haste, colocada sobre um tronco de madeira: as folhas centrais se destacam com facilidade, dando bons resultados.

São recursos de emergência, empregados por muitos cultivadores, visando evitar prejuízo maior. Colhem bulbos ainda verdes, para chegar mais cedo ao mercado, no intuito de alcançar preços mais altos para o produto.

Canteiro de Semeação

A escolha do local e o preparo dos canteiros de semeação são essenciais: nesse ponto, qualquer negligência aparentemente sem importância poderá concorrer para malogro do empreendimento, logo no início dos trabalhos da cultura. O canteiro de semeação precisa situar-se o mais próximo possível do local escolhido para a plantação definitiva, e não distante de fonte de água, para facilitar as irrigações. O lugar deve ser pouco íngreme, bem batido de sol e longe de árvores frondosas. Evitar as terras encharcadas, ou mesmo úmidas, para fugir à manifestação da mela, moléstia comum em canteiros mal cuidados. No seu preparo, toda precaução é pouca, visto que ele irá receber sementes pequenas e delicadas.

O terreno escolhido será todo revirado a enxadão e destorroado à enxada, para, em seguida, serem construídos os canteiros, seguindo as linhas de nível do terreno. Se a área for grande, haverá vantagem no emprego do arado e da grade.

Quando o terreno apresentar certa declividade, é conveniente a construção de uma valeta na parte superior da série de canteiros, no intuito de evitar as enxurradas.

Os canteiros muito largos têm a desvantagem de obrigar o operário a demasiado esforço para atingir-lhes o centro, sem pisá-los. O ideal é 1,20 m, com a largura útil de um metro, sobrando 10 cm de cada lado, para os bordos.
Convém que sejam pouco mais altos do que o terreno, para evitar enxurradas e facilitar o escoamento do excesso de umidade, não além de 10 cm, porém, nos terrenos comuns; caso contrário, ficaria sujeitos a ressecamento. Só é recomendável maior altura, nos terrenos úmidos ou em época chuvosa, quando convém incliná-los, ligeiramente, para evitar empoçamento de água da chuva.

O comprimento do canteiro pode variar muito; os muito longos, contudo, dificultam a passagem de uma série para outra. Um bom comprimento é 10m. A direção deve ser sempre perpendicular ao declive do terreno.

Os canteiros serão separados por caminhos de 50 cm de largura. A separação de duas séries de canteiros precisa ter a largura mínima de um metro, para facilitar a passagem de pessoas e de veículos pequenos.

Preparada a terra, espalham-se, por metro quadrado de canteiro e pela superfície, 15 quilos de esterco de curral fino e bem curtido, 150 gramas de superfosfato simples e 30 gramas de cloreto de potássio, incorporando-os à terra por meio de uma enxada. Com um ancinho, nivela-se perfeitamente a superfície.

Os canteiros devem ter a superfície horizontal com o objetivo de impedir o escoamento rápido da água de chuva ou de irrigação do canteiro, irrigando-o fortemente, a seguir.

Não semear logo depois do preparo do canteiro, a fim de dar tempo a que a terra se assente e os adubos fiquem bem incorporados a ela. Decorridos oito dias efetuam-se a semeação, quando se deve tratar as sementes com um desinfetante.

Um método prático para realizar esse tratamento consiste em colocar um pouco de desinfetante junto com as sementes em um saco de papel, agitando fortemente e peneirando sobre um papel: o excesso de desinfetante é guardado.

Semeação

Semear o mais uniforme possível, em pequenos sulcos transversais ao comprimento dos canteiros, com 1 a 1,5cm de profundidade e distanciados de 10 cm. É conveniente misturar um pouco de areia às sementes, para auxiliar a semeadura. Sendo a areia clara e as sementes pretas, o operário sabe, com precisão, onde elas caem. Se for bastante prático, pode dispensar a areia.

Cada metro quadrado de canteiro levará mais de cinco gramas de sementes, evitando-se, assim, que as mudas nasçam amontoadas e raquíticas.

As vantagens que a semeação em linha apresenta, sobre o sistema a lanço, também recomendável, são estas: germinação mais uniforme, insolação mais perfeita e arejamento mais adequado, possibilitando, ainda, as capinas e escarificações, o que seria quase impossível no sistema a lanço. Haverá, em conseqüência, produção de mudas mais fortes, com menor perigo de manifestação de pragas e moléstias.

Um sistema prático para a semeação consiste em colocar, sobre o canteiro de semeação, um marcador de linhas confeccionado da seguinte maneira: tomam-se três tábuas de 1,50m de comprimento, unidas por sarrafos do lado de cima, no sentido transversal ao comprimento delas. Na parte das tábuas que irá assentar sobre os canteiros, serão colocados, distantes entre si de 10 cm, sarrafinhos de seção trapezoidal, com estas dimensões: base maior (que será colocada junto às tábuas) = 2 cm; base menor (que formará o sulco de semeação em profundidade) = 0,5cm, e altura (que dará a profundidade do sulco) = 1cm. O marcador é colocado na cabeceira de um dos canteiros e calcado com o peso de um homem. Para facilitar-lhe o manejo, pode-se colocar, em sua parte superior, duas alças, uma de cada lado no sentido do comprimento das tábuas.

Ficarão, portanto, demarcadas, quinze linhas para semeação, distantes entre si de 10 cm. A seguir, o marcador é mudado para frente, e outras linhas ficarão demarcadas. Assim, a operação de marcação das linhas torna-se simples, perfeita e rápida.

As sementes são, então, cobertas, com terra do próprio canteiro, e a superfície deste, com uma leve camada de capim seco sem sementes ou palha de arroz.

Irrigar, de manhã e à tarde, até alguns dias após a germinação, e, daí em diante, só à tarde.

Retirar a cobertura, de uma só vez, a qualquer hora, se o dia estiver nublado, ou à tarde, se houver sol, logo que a germinação tenha início, o que se dará entre 5 e 7 dias após a semeação.

Não abusar das irrigações nas vésperas da transplantação, convindo mesmo suspendê-la dias antes, para que as plantinhas se acostumem à vida que terão no campo. Entretanto, deve-se irrigar copiosamente, pouco antes do arrancamento das mudas, visando facilitá-lo.

Se, por quaisquer circunstâncias, as mudas não apresentarem um aspecto muito satisfatório, haverá vantagem no emprego de uma solução nutritiva, que poderá ser obtida com a dissolução de um grama de Salitre do Chile e um grama de Superfosfato, por litro de água. Irrigam-se os canteiros com cinco litros por metro quadrado dessa solução, e, em seguida, com água, a fim de lavar bem as folhas.