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Correspondência de Machado de Assis

Machado de assis

[157] [RJ, 25 mar. 1907.]

Meu querido amigo, / Imagino que esta carta se vai fazer encontradiça com alguma sua, a última, a que eu espero em resposta à que lhe mandei na semana passada. Notícias suas tenho as tido pelo Leo e são boas. Conto que as que me mande agora confirmem as dele.

Vá desculpando a letra e o mal alinhado. Este seu velho amigo é um pobre-diabo cansado, que mal dá de si alguma pouca coisa, desalinhada e torta. / Sábado passado era meu plano ir à Rua de Olinda fazer a visita que prometi; mas o Leo me disse que ia nessa noite ao concerto de Laura Coutinho; adiei a visita para o outro sábado. / Cá embaixo não há nada que já não saiba lá no Alto, e aliás o papel apenas bastará para dizer de nós mesmos. Sei que todos vão bem, e imagino que o resto de seu mal desaparecerá depressa. A sessão da Câmara em maio nos aproximará, como de outras vezes; o pior é se o seu interlocutor já estará mais enfadonho que d’antes; o que é possível, e, se me consultar bem, é certo. / Soube pelo Leo que um dia destes dará cá um pulo, a fugir, e tornará logo para a Tijuca. Se neste meio tempo vier um minuto para mim, eu o receberei como empréstimo de ouro. Ontem, estando com o Capistrano, perguntoume ele se iríamos aí à Tijuca visitá-lo. Só o poderíamos fazer em domingo e eu pensei comigo no de Páscoa; mas depois adverti na visita que tenho de fazer à sobrinha de minha mulher, Laura Costa. Demais, é fim do trimestre adicional, em que a Contabilidade de todos os Ministérios trabalha muito. Tudo estará feito domingo; eu é já não darei para tanto. / Peço-lhe que apresente os meus respeitos às suas queridas Mãe e Esposa, e dê um abraço nas crianças, com um para si e saudades. / MACHADO DE ASSIS.

[158] [RJ, 28 mar. 1907.]

Meu querido amigo. / Anteontem mandei-lhe uma carta, e ontem à tarde recebi outra sua; cruzaram-se. A sua foi-me entregue no Garnier, aonde foi levada em mão, por um moço que o empregado não conhece. / Li-a logo e entristeceu-me naturalmente. As notícias que eu tinha eram boas, estavam longe do desânimo que me manifestava agora. Tudo o que eu lhe possa dizer contra esse desânimo sei que é inútil, mas o próprio texto me faz esperar que o remédio virá por si. Quando me diz que, já aborrecido da versão de Ésquilo, sente contudo desejo de recomeçá-la, revela nisso um estado de espírito vacilante , mas não prostrado de todo; e para o mal do espírito basta que ele vislumbre alguma coisa. A paisagem não dará tudo, o ar também não, e as musas (digo assim, pois que trato das antigas) fazem pagar caro os seus favores. Não importa; lá tem os filhos que lhe querem e merecem, a Esposa que não menos merece e quer, e a Mãe, que vale por todos e sente por todos. / Amanhã, — não, —depois de amanhã, sábado, hei de estar com o Miguel Couto e oportunamente lhe direi o que houvermos conversado. / O meu trabalho teve uma interrupção de dias; não sei se lhe disse isto. Eu começo a desconfiar que alguma das minhas cartas não lhe terá chegado. Agora quero ver se acabo a leitura e faço o remate. / Li o que soube do Graça; é o que também ouvi ao Tasso Fragoso, mas é coisa diversa de seu caso. A Academia vai cuidar de recomeçar as suas sessões. A eleição é em abril. Ficaremos sem o Rodrigo Otávio, que embarca para a Europa domingo, e só voltará em julho. Adeus, meu querido amigo, recomendações aos seus doces anjos da guarda e abraços para as crianças e para si. / Velho amigo agradecido. / MACHADO DE ASSIS.

[159] [RJ, 1 abr. 1907.]

Meu querido amigo, / Só à noite de sábado recebi a sua carta de 27, e ainda assim foi preciso mandar ver se a havia na caixa; provavelmente foi posta depois que eu saí. Vinha de esperar o Magalhães Azeredo até 7¼ horas no Pharoux, onde ele desembarcou às 10 e meia. Ontem é que nos falamos, de manhã, no Largo do Machado, e de tarde em casa do tio Coelho, Rua Marquês de Abrantes n.° 97. Lá lhe dei o seu recado, e ele ficou sentido do desencontro. Hoje deve subir para Petrópolis com a família. / A minha idéia era ir sábado visitar o Leo, mas a chegada e a espera do nosso amigo, fez-me ir jantar às oito horas, e só às nove poderia sair do Cosme Velho. Adiei a visita. / Li e reli as palavras que me diz, e ainda bem que a minha carta lhe produziu esse efeito, o mesmo que parece haver sentido com a nossa conversação. Tanto melhor, meu amigo. Já sabe que a sua moléstia é uma impressão, e basta alguém de boa vontade, o que lhe não falta, ao contrário. Não falei ao Azeredo na mesma que ele teve em Roma, e de que se curou totalmente; está o mesmo rapaz antigo. Conversamos do que pudemos, e prometi, se for possível, dar um pulo a Petrópolis, mas não sei. Já tenho dito a mesma cousa a amigos que lá tenho, e a quem desejo muito, mas ainda não cumpri nada. / Novamente agradeço a D. Helena os cambucás que me mandou; estavam saborosos, conforme lhe disse.

Também lhe disse que os dividi com uma vizinha. Não fale na mocidade do meu espírito, que está velho ou pior. Adeus, meu amigo; até à primeira ou até o fim do mês. O Azeredo, pelo que me disse, quer cuidar do discurso de entrada na Academia: teremos festa. A nova eleição é lá para o fim do Mês. Peço que apresente os seus respeitos a Mamãe e à Esposa, lembre-me às crianças e receba um abraço do velho am.º / MACHADO DE ASSIS.

[160] [RJ, 11 abr. 1907.]

Meu querido amigo. / Recebi a sua carta de 8 ontem à tarde, de maneira que só agora posso responde-la. Li o que me diz acerca do seu mal-estar e outros fenômenos.

Qualquer que tenha sido a causa dessa agravação, vejo que está melhor, e ainda bem.

Eu, que tenho mais direito a enfermidades, não lhe digo senão que as vou expiando com olhos cansados. O muito trabalhar destes últimos dias têm-me trazido alguns fenômenos nervosos; nem por isso deixo de lhe mandar cá de baixo as animações necessárias, por mais enfadonhas que lhe pareçam. / O Magalhães de Azeredo só uma vez desceu de Petrópolis e eu apenas o vi de passagem; ficou de tornar um dia destes. Já lhe contei o nosso encontro do dia seguinte ao da chegada da Europa. Não terá havido extravio das duas cartas que lhe escreveu agora? Não sei se leu ontem que hoje há sessão na Academia para cuidar da próxima eleição e de outros assuntos. Acabo de ler que ontem faleceu o Teixeira de Melo. Desaparecera, há muito, presa de uma mal cruel; é mais uma vaga na Academia. / Li o que me diz do Registro que o Bilac escreveu acerca da Academia. Em França há muito quem ataque ou diga mal da Academia, mas são os que estão fora dela; os que a compõem sabem amá-la e prezá-la. Aqui a própria Academia acha em si mesma a oposição. / Adeus, meu amigo: acabo, já, por faltar tempo. Estive sábado passado na Rua de Olinda, com os seus amáveis sogro e cunhados, e passei uma boa hora de conversação. Lá falamos, é claro, a seu respeito, e a impressão que me deram é boa. Adeus; recomendações à sua Mamãe e à sua Baby, e os abraços do costume para as crianças e para si. / Amigo velho / MACHADO DE ASSIS.

[161] A JOAQUIM NABUCO

[RJ, 14 mai. 1907.] Meu caro Nabuco. / Dei conta aos colegas da Academia de seu voto na vaga do Loreto em favor do Artur Orlando. Para tudo dizer, dei notícia também do voto que daria ao Assis Brasil ou ao Jaceguai. A este contei também o texto da sua carta, e instei com ele para que se apresente candidato à vaga do Teixeira de Melo (a outra está encerrada e esta foi aberta), mas insistiu em recusar. A razão é não ser homem de letras. Citei-lhe, ainda uma vez, o meu modo de ver que outrora me foi dito, já verbalmente, já por carta; apesar de tudo declarou que não. Quanto ao Assis Brasil, foi instado pelo Euclides da Cunha e recusou também. A carta dele, que Euclides me leu, parece-me mostrar que o Assis Brasil estimaria ser Acadêmico; não obstante, recusa sempre; creio que por causa da noa réussite. Sinto isto muito, meu querido Nabuco. / Para a vaga do Teixeira de Melo apresentaram-se já dois candidatos, o Virgílio Várzea e o Paulo Barreto, que assina João do Rio. O Secretário Medeiros já lhe há de ter escrito sobre isto. Sabe que o Rodrigo Otávio está agora na Europa. / Estas são as notícias eleitorais. Dos trabalhos acadêmicos já há de ter notícia que, por proposta do Medeiros estamos discutindo se convém proceder à reforma da ortografia. Ao projeto deste (tendente ao fonetismo) opôs-se logo o Salvador de Mendonça, que apresentou um contraprojeto assinado por ele e pelo Rui Barbosa. Mário de Alencar, Sílvio Romero, Enclides da Cunha, Lúcio de Mendonça. Este propõe que a Acacemia cuide de organizar um dicionário etimológico, fazendo algumas emendas segundo regras que indica. O João Ribeiro opõe-se contraprojeto, e as nossas três sessões têm sido interessantes e são acompanhadas na imprensa e no público. / Adeus, meu caro Nabuco, desculpe esta letra que nunca foi boa e a idade está fazendo pior, e não esqueça o velho amigo que não o esquece e é dos mais antigos e agora o mais triste. / M. DE ASSIS.

[162] A CAMILO CRESTA

[RJ, 18 mai. 1907.] Exmo. Sr. C. Cresta. / Aproveitando a sua viagem à Itália, peço-lhe o obséquio de levar a carta junta e entregá-la ao Sr. Guglielmo Ferrero. Pelo que ela diz verá que a Academia Brasileira de que é membro correspondente aquele escritor, sabe que ele vem brevemente a Buenos Aires; nela lhe pede que se demore alguns dias no Rio de Janeiro, onde nos poderá fazer duas ou três conferências. Naturalmente esta interrupção da viagem lhe trará algum transtorno, e para compensá-lo e acudir às despesas de estadia pode oferecer-lhe a soma de dez mil liras, que lhe serão entregues pelo modo que parecer melhor. / Agradecendo-lhe desde já este obséquio, peço-lhe também q disponha de mim para o que for do seu serviço, como / Adm.º, am.º e obr.° / MACHADO DE ASSIS.

[163] A GUILHERME FERRERO

[RJ, 18 mai. 1907.] Monsieur. / Cette lettre, que j’ai l’honneur de vous écrire au non de l’Académie Brésilienne, vous sera remise par M. Camillo Cresta, notre ami. L’Académie, dont vous venez d’être élu membre correspondant, connaît votre prochain voyage à Buenos Aires.

Elle recevrait un grand honneur et un bien vif plaisir, si vous vouliez passer quelques jours à Rio de Janeiro. Ici, Monsieur, où vous avez des admirateurs fervents et nombreux, vous pourriez nous donner deux ou trois conférences publiques. Le sujet en serait à votre choix; naturellement il sera italien, comme vous-même, et moderne, comme votre esprit; personne ne sait dire comme vous de ce qui est matière artistique et sociale. / Nous serons bien heureux si vous acceptez cette invitation. Monsieur Cresta nous dira par lettre ou par telegramme votre réponse, et j’en donnerai la nouvelle à mes amis et nos confrères. / Agréez, Monsieur Ferrero, mes respectuex hommages et l’assurance de notre grande admiration. / MACHADO DE ASSIS.

[164] AO BARÃO DO RIO BRANCO

[RJ, 3.ª-feira, 1907.] Meu eminente am.º Sr. Barão do Rio Branco. / Creio responder ao sentimento da Academia Brasileira agradecendo a V. Ex.ª os obséquios com que distinguiu anteontem o ilustre G. Ferrero, nosso sócio correspondente. A Academia convidara o historiador italiano a vir trazer aqui algumas das liçãos que há pouco ditou em Paris e agora vai levar a Buenos Aires, e ele aceitou da melhor vontade fazê-lo em seu regresso para a Europa.

A ação de V. Ex.ª deu assim relevo grande ao nome do Brasil, recebendo a Ferrero e a sua esposa pelo modo que o seu bom gosto e a dignidade do governo lhe sugeriram, em nome deste, e por honra da nossa associação, em que V. Ex.ª tão digna parte ocupa. / Queira aceitar os meus protestos de sincera amizade e elevada consideração. / MACHADO DE ASSIS.

[165] A GUILHERME FERRERO

[RJ, 1907.] Cher Monsieur et éminent confrère, / Avant tout, acceptez mes salutations pour vos grands succès à Buenos Aires; c’est justement ce que nous attendions tous de la capitale argentine. / Mes amis et nous avons lu votre lettre du 14, et votre plan nous parait infiniment agréable. Peut-être il nous conviendrait mieux si vous pouviez arriver à Rio lê 11 septembre: vous trouveriez ici votre ami Monsieur Paul Doumer, qui est près d’arriver. / Les conférences sont huit, comme vous dites, à deux par semaine avec lês honoraires de 5.000 francs par conférence. Au cas où il vous conviendrait d’en diminuer lê nombre pour élargir les excursions qui rentrent dans votre plan, afin de mieux connaitre notre pays, il vous sera entièrement libre de le faire, sans y perdre rien dans la totalité des honoraires ajustés. Croyez bien que toutes les dispositions seront prises por que ces excursions à l’interieur soient realisées dans les meilleurs conditions, non seulement du coté des dépenses, dont vous n’aurez aucun souci, mais aussi des attentions dues à votre éminente personnalité. / Nous serons très heureux de lire ce que vous direz en Europe de notre pays, après ce voyage d’un mois et demi, ou deux mois. On nous fera bonne justice, d’autant plus facilement que la voix qu’on entendra sera plus autorisée. / Pour ce qui est de logement à Rio un de nos amis a reçu vos ordres et fera comme vous dites, de façon que vous n’aurez rien à chercher ou attendre, aussitôt arrivé. / Je vous prie, Monsieur, de présenter à Madame Ferrero mês plus respectueuses salutations et de recevoir lês miennes. / Tout à vous. / M. DE ASSIS.

[166] A JOAQUIM NABUCO

[RJ, 7 jul. 1907.] Meu caro Nabuco. / Conforme a sua recomendação de março dei o seu voto ao Artur Orlando. Ao Jaceguai comuniquei as suas preferências, mas ainda assim recusou apresentar-se dessa vez. A sua carta de maio, porém, trazendo-me a notícia do voto ao Sr. Paulo Barreto na vaga de Teixeira de Melo, falou ainda desenvolvidamente sobre o Jaceguai para preferi-lo no caso em que ele e o Assis Brasil pleiteassem a cadeira.

Encontrando o Jaceguai, dei-lhe a notícia desta resolução, e ele, terminando no dia seguinte o prazo das inscrições, mandou-me de manhã a carta de candidatura, que comuniquei à Academia. Cumprirei a indicação do voto, e, pelo que ouço, creio que será eleito o nosso almirante. / Quanto ao Assis Brasil, apesar do que lhe escreveu o Euclides da Cunha, não quis apresentar-se na primeira vaga. Em carta que posteriormente escreveu ao Lúcio de Mendonça, vi que teria prazer em ser eleito, mas entendia não poder ser candidato. / Há de ter lido nos jornais que a Academia anda em trabalhos de língua, a propósito de um projeto do Medeiros e Albuquerque, ao qual se opôs com outro o Salvador de Mendonça. É negócio que tem interessado o público e alguns estudiosos; deve ser votado esta semana. / Não lhe falo das festas do Guilherme Ferrero, porque os jornais lhas terão contado. Foram só horas, mas vivas. Quatro da Academia fomos recebê-lo a bordo e mostrar-lhe e à senhora uma parte da cidade, e o Rio Branco ofereceu-lhes um jantar em Itamarati. Quando Ferrero tornar de Buenos Aires, lá para setembro, ficará aqui um mês, e as festas serão provavelmente maiores. Li as notícias que me dá do acolhimento que encontra em França o seu livro das Pensées, e não é preciso dizer o gosto que me trouxeram. Não creia que a crítica o matasse aqui; ele é dos que sobrenadam. O tempo ajudará o tempo, e o que há nele profundo, fino e bem dito conservará o seu grande valor. Sabe como eu sempre apreciei essa espécie de escritos, e o que pensei deste livro antes dele sair do prelo. O prêmio da Academia Francesa virá dar-lhe nova consagração. / Adeus, meu caro Nabuco; a minha saúde não é pior do que era há um ano; a velhice é que não menor, naturalmente, e a fadiga que se aproxima com os seus braços frouxos, e daqui a pouco exaustos. / Não sei ainda a direção que dê a esta carta, se para a embaixada, se para Paris. Qualquer dos dois caminhos leva a Roma e lá achará o meu coração, como o seu está comigo. / Velho admor. e am.° / M. DE ASSIS.

[167] A SALVADOR DE MENDONÇA

[RJ, 23 jul. 1907.] Meu querido Salvador. / A data vai errada, mas tu desculparás a falta de ontem; ainda é tempo de mandar um abraço pelo teu aniversário. Somos dois velhos companheiros. A quem o tempo poderá ter levado muita coisa, mas deixou sempre a afeição moça.

Cumprimenta por mim a tua Ex.ma Senhora e aos teus filhos, e continua a crer no / Teu do coração / MACHADO DE ASSIS.

[168] A JOAQUIM NABUCO

[RJ, 19 ago. 1907.] Meu querido Nabuco. / Há um ano tive o prazer de jantar com V. neste dia e brindar com amigos seus pela sua saúde e prosperidade. Não quero calar a data e daqui lhe mando lembranças minhas, lembranças de amigo velho e sincero. Talvez seja a última saudação; sinto que não vou longe, por mais que amigos me achem bom aspecto; esse mesmo achado me parece simples consolação. / Tenho recebido cartões-postais seus, e cada um me recorda o amigo que eu abril de 1905 me enviou o galho de carvalho de Tasso com aquela boa carta ao Aranha, e na carta aquela doce e triste palavra que me lembrava a solidão da minha velhice. / Há três ou quatro semanas escrevi-lhe uma carta, que remeti para a Legação de Londres, como me aconselharam, para dali lhe dessem o destino certo. Esta vai pelo mesmo caminho e espero que a receba também. / Adeus, meu querido amigo; releve o que aí vai mal arranjado; estou em hora de tristeza e grande fadiga. Apresente os meus cumprimentos a toda a família. E não esqueça o / Velho admor. e amigo certo / M. DE ASSIS.

[169] A MÁRIO DE ALENCAR

[RJ, 22 dez. 1907.] Meu querido amigo. / Confiando-lhe a leitura do meu próximo livro, antes de ninguém, correspondi ao sentimento de simpatia que sempre me manifestou, e em mim sempre existiu, sem quebra nem interrupção de um dia; não há que agradecer este ato. Queria a impressão direta e primeira do seu espírito, culto, embora certo de que aquele mesmo sentimento o predispunha à boa vontade. / Assim foi; a carta que me mandou respira toda um entusiasmo que estou longe de merecer, mas é sincera e mostra que me leu com alma. Foi também por isso que achou o modelo íntimo de uma das pessoas do livro, que eu busquei fazer completa sem designação particular, nem outra evidência que a da verdade humana. / Repito o que lhe disse verbalmente, meu querido Mário, creio que esse será o meu último livro; faltam-me forças e olhos outros; além disso o tempo é escasso e o trabalho é lento. Vou devolver as provas ao editor e aguardar a publicação do meu Memorial de Aires. / Adeus, meu querido Mário, ainda uma vez agradeço a sua boa amizade ao pobre e velho amigo / MACHADO DE ASSIS.

[170] A JOAQUIM NABUCO

[RJ, 14 jan. 1908.] Meu querido Nabuco. / Esta carta já o encontra desde muito na embaixada. Tenho tido notícias suas, e ultimamente por um trecho de jornal que V. me mandou, lembrando aquela noite dos Deuses de Casaca. Vão longe essa e outras noites; restam as afeições seguras, fortes e boas como a sua. / Aqui estamos em plenas festas americanas, que me fazem lembrar as do Congresso. As da esquadra são mais ruidosas e extensas, mas o esplendor das outras é inesquecível. Há verdadeiro carinho e gentileza de ambas as partes, e V. que colaborou com o Rio Branco na obra de aproximação dos dois países, receberá a sua parte de satisfação. Há de ter tido notícia das duas recepções acadêmicas, a do Orlando e a do Augusto de Lima. A do Orlando foi pouco depois da eleição. Apesar do calor intenso e da chuva que caiu à tarde, a concorrência foi grande, e lá estavam muitas senhoras. O Presidente da República não pôde ir por incômodo, mas fez-se representar. O discurso de recepção foi feito pelo Oliveira Lima; falou-se muito do seu Pernambuco e de filosofia, além de poesia. Antes disso houve a recepção de Augusto de Lima, eleito há anos, que só agora pôde vir tomar posse da cadeira; falou em nome da Academia o Medeiros e Albuquerque. Enfim, a Academia vai sendo aceita, estimada e amada. Quando V. tornar de vez à nossa terra, cá terá o lugar que com tanto brilho ocupou e é seu naquela casa. O que não sei é se ainda me achará neste mundo; releveme esta linha de rabugice, é natural aos 69 anos (quase). / Aqui lemos o que se disse em França do seu livro das Pensées, e também na Itália. O artigo de Vicenzo Morello ainda me pareceu mais fino que o de Faguet. Eu, por mim, já havia escrito aquela carta de 19 de agosto de 1906, há pouco mais de um ano, em que me sugeriram tais e tão profundas páginas. / Alguns dos nossos amigos andam dispersos. O Lúcio de Mendonça, que organizou a Academia, foi há tempos acometido de uma doença dos olhos, e resolveu ir à Alemanha para ser examinado e tratado. Foi, já com a vista muito baixa, e segundo notícias que chegaram há dias teve lá uma congestão cerebral que o deixou paralítico de um lado, e volta. Também ouvi que não terá sido congestão, mas paralisia somente, conseqüente da origem do mal que é na espinha. Ele foi daqui abatido, deve regressar pior, porque a doença de que se trata, segundo ele mesmo me disse, é a que teve uma irmã. / Adeus, meu querido Nabuco. Escreva-me logo que possa; meia dúzia de linhas amigas, que me recordam tantas coisas, valem por uma ressurreição. Peço-lhe que apresente os meus respeitos a Mme. Nabuco, e me recomende a seus bons filhos. E receba para si um apertado abraço do / Velho admor. e am.° / M. DE ASSIS.

[171] A MÁRIO DE ALENCAR

[RJ, 21 jan. 1908.] Meu querido amigo. / A sua carta de 17 chegou-me ontem, 20, e só agora de manhã lhe respondo. / Não cuidei que a causa da ausência destes dias fossem nervos; agora o sei e creio. Já nos habituou a esses sujeitos, maus inquilinos, que quando se metem a proprietários efetivos abusam desapiedadamente da casa. Felizmente parece que estes vão cedendo; apesar disso, a sua resolução de obter descanso ou licença para se tratar de vez e seguidamente, é boa. Por mais que me custe a ausência, estimo saber que caminha para o total restabelecimento. Lá tem consigo, na família, o melhor viático do coração. / Tem ainda o do espírito, esse Prometeu que o atrai e para qual toma notas e colige idéias. Sobre o verso solto, em que pretende fazê-lo, não pode ter senão os meus aplausos. Sabe como aprecio este verso nosso, que o gosto da rima tornou desusado; é o verso de Garrett e de Gonçalves Dias, e ambos, aliás, sabiam rimar tão bem. / Agora, ao levantar-me, apesar do cansaço de ontem, meti-me a reler algumas páginas do Prometeu de Ésquilo, através de Leconte de Lisle; ontem entretive-me com o Phedon de Platão, também de manhã; veja como ando grego, meu amigo. Oxalá possa chegar a ver, parte que seja do seu trabalho. E folgo muito que ponha nele a paciência das obras perfeitas. / Escrevi há dias ao Magalhães de Azeredo, que se queixava de nosso silêncio; disse o que cumpria em resposta a tão bom amigo. Há dias escrevi também ao Nabuco, mas a carta só partiu ontem. / Há algumas outras notícias que interessariam contadas, mas não dão para escritas. De mim, vou bem, apenas com os achaques da velhice, mas suportando sem novidade o pecado original, deixe-me chamar-lhe assim. Creio que o Miguel Couto me trouxe a graça. / Um dia destes o Leo esteve comigo no Garnier, e, falando-me a seu respeito, disse-me que se o visse lhe dissesse ter aqui nas mãos do Jacinto [Silva] umas cartas; provavelmente já lá foram. / Adeus, meu querido amigo, recomende-me a D. Helena, a Mamãe e a todos os seus meninos. Creia-me sempre / Seu do coração / MACHADO DE ASSIS.

[172] [RJ, 8 fev. 1908.]

Meu querido amigo. / O tom da sua carta de anteontem revela bastante melhora. E talvez esta venha também das tristes notícias que lá chegaram, donde verá que, ruins ou excelentes, as notícias distraem e ajudam a combater o mal. O mal não é tão grande como parece; é agudo, porque os nervos são doentes delicados, e ao menor toque retraem-se e gemem. Eu sou desses enfermos, como sabe, e, como sabe também, doente sem médico. / Gostei de ler tudo o que me diz a propósito do Heitor; mostrei as suas palavras à baronesa e ao barão. Não tenho visto a viúva, que não foi à missa pública, mas à outra particular e sua na Glória, mas sei que está muito abatida. Também gostei de ver o que pensa no caso de D. Carlos I; é o que naturalmente devem pensar todos. De acordo com o seu juízo sobre palavrões e ambições pessoais. / A minha saúde não vai mal, exceto o que lhe direi adiante, e não é a "ausência" que senti ontem, esta foi rápida, mas tão completa que não me entendi ao tornar dela. Daí a pouco entendi tudo, e deixei-me estar. A exceção prende com o seu conselho de não sair por baixo de água. Cá tenho o reumatismo de que me fala, é no pé esquerdo, desde bastantes dias. Não sei que lhe faça, nem sei se há que fazer. Vou andando, mal ou bem, a princípio mal, mas depois domino-me um pouco. / Ainda bem que trabalha e pensa no Prometeu. Firme-se aí; o caso é digno do pensamento, e não impede os Cantos Brasileiros. Fico à espera dos versos que me anuncia haver escrito a pedido de sua irmã. / Sobre o meu livro, nada; talvez, na semana próxima venha resposta, e diz o Lansac que provavelmente o livro chegará no meado de março; espero. Aproveito a ocasião para lhe recomendar muito que, a respeito do modelo de Carmo, nada confie a ninguém; fica entre nós dois. Aqui há dias uma senhora e um rapaz disseram-me ter ouvido que eu estava publicando um livro; ele emendou para escrevendo; eu neguei uma e outra coisa. Pouco antes, em um grupo no Garnier, perguntando-me alguém se tinha alguma coisa no prelo, outro alguém respondeu: "Tem, tem..." Podia ser conjetura, mas podia também ser notícia. Talvez não valha a pena tanto silêncio da parte do autor. Ontem estive com o Leo e D. Chiquinha na Candelária, à missa do Heitor; pedi notícias suas, mas não sabiam nada. Agora dê notícias minhas aos seus, cumprimentos ao Gil pelos anos, e lembranças aos meninos.

Registro a promessa da descida em breve. Com o [Sousa] Bandeira e o [Primitivo] Moacir tenho falado a seu respeito. Até breve. / O velho amigo / MACHADO DE ASSIS.

[173] [RJ, 23 fev. 1908.]

Meu querido amigo. / Hoje de manhã, chegando à casa, pensei em escrever-lhe um bilhete de simples lembrança, e achei a sua carta de 20. Lá se foi a idéia do bilhete, e aqui vai a resposta à carta. / Esta é quase toda de explicações e mostra a impressão que lhe deu a minha acerca do Memorial de Aires. Agradeço-lhas, mas não valia a pena, já porque a divulgação não viria de sua parte, já porque, dado viesse, seria ainda um sinal da afeição que me tem. Não, meu querido Mário, o que lhe contei na última carta, fi-lo por lhe confiar estes incidentes, e foi bom que o fizesse, visto o que me recordou agora desde a minha resposta ao Pinheiro Machado até às confidências ao Graça e ao J. Veríssimo.

Quer saber? Na mesma data da sua carta (20) comuniquei ao J. Veríssimo a notícia do livro, como se fosse inteiramente nova; é certo que ele não se deu por achado.

Acrescentei-lhe a primeira idéia de confiar aos quatro (o Magalhães de Azeredo não podia entrar por estar em Roma) a publicação do manuscrito, caro eu viesse a falecer. Repita tudo isso consigo, e diga-me se há nada mais indiscreto que um autor, ainda quase septuagenário, como eu. Dita-me também, pois que leu as provas, se o livro vale tantas cautelas e resguardos. / A segunda e menor parte da sua carta é a seu respeito, incômodos e o resto; nada de escritos ou só negativamente. O mal-estar de espírito a que se refere não se corrige por vontade, nem há conselho que o remova, creio; mas, se um enfermo pode mostrar a outro o espelho do seu próprio mal conseguirá alguma coisa.

Também eu tenho desses estados de alma e cá os venço como posso, sem animações de esposa nem risos de filhos. Veja se exclui todo o presente, passado e futuro, e fixe um só tempo que compreenda os três: Prometeu. A arte é o remédio e o melhor deles. / Compreendo que o mal de seu sogro o impressione. Estive anteontem com ele na Avenida; ele ia para casa e demoramo-nos pouco, porque a tarde vinha caindo e ele tinha de se recolher cedo por causa da bronquite. Ainda assim falamos uns cinco minutos.

Também eu o achei abatido, mas admirei a força de resistência ouvindo-lhe contar serenamente as noites que tivera. Sorria como de costume. Há uma nota elegante que ele nunca perde. Não o achei desfigurado. / Eu vou emagrecendo e o trabalho neste trimestre adicional cresce e cansa. Estive com o Miguel Couto naquele dia, ouviu-me e receitou-me um remédio novo, que não existe aqui, nem no Werneck, nem no Silva Araújo, nem no Rangel. Ficou de entender-se com o Werneck, para mandar buscá-lo; depois disse-me que era melhor ver se o preparavam aqui mesmo, e eu continuo a tomar os que me dera antes. / O mais à vista. Papel não comporta tédios. Lembranças a todos os seus, e para si receba um abraço do velho amigo / MACHADO DE ASSIS.

[174] [RJ, 20 abr. 1908.]

Meu querido amigo. / Não há que desculpar o papel em que me escreve; a carta era já demais. Agradeço-lhe os seus cuidados e explicações, e guardo-os entre as outras lembranças suas. / Hoje fui ao Garnier (eram 11 e meia) e não o encontrei; escrevo-lhe esta aqui na Secretaria e irei levá-la ao Correio quando sair, contando que chegue à Tijuca amanhã cedo. Recebi a sua no Cosme Velho, ontem, domingo. / É preciso sacudir esses nervos despóticos, que fazem da gente o que querem. Bem sei que somente conselhos não valem para tais casos, mormente no que lhe sucedeu quarta-feira pelo acréscimo da tragédia da Avenida; mas a prova de que o seu estado é já para melhor está na impressão que me dá e tem dado a outros amigos (Capistrano, por exemplo); achamo-lo mais senhor de si. Com esforço e tempo ficará totalmente restabelecido.

Convém saber que o desastre da Avenida abalou a toda gente. Relendo as linhas anteriores, devo explicar que o seu melhor estado e a impressão que dá aos amigos referem-se aos últimos tempos. — Eu cá vou andando com os meus tédios. Agora sintome um pouco melhor, a despeito de algo que me aconteceu hoje mesmo. O que faço é não me mostrar a todos tal qual ando: muitos me acharão alegre e ainda bem. Agora, com as suas palavras de amizade e simpatia verdadeira, recebo outra consolação e animação.

Esta frase da sua carta: "sinto a sua tristeza como minha, e talvez por isso é que não sei aliviar", é só exata na primeira parte; na segunda, não. / Adeus, meu querido amigo. Vou ler e informar papéis de Secretaria. / Cá o espero quarta-feira. / Peço-lhe que apresente os meus respeitos à sua Esposa e à sua Mãe, e vivos carinhos aos filhos. / Recomendeme também ao velho Prometeu, a quem dirá que o espero inteiro e humano, ainda que em outra língua; todas são cabais para o suplício. Em duas palavras, busque o remédio na Arte. Retribuo-lhe o abraço e assino-me / Velho amigo do peito / MACHADO DE ASSIS.

[175] A JOSÉ VERÍSSIMO

[RJ, 21 abr. 1908.] Meu caro J. Veríssimo, / Não me parece que de tantas cartas que escrevi a amigos e a estranhos se possa apurar nada interessante, salvo as recordações pessoais que conservarem para alguns. Uma vez, porém, que é satisfazer o seu desejo, estou pronto a cumpri-lo, deixando-lhe a autorização de recolher e a liberdade de reduzir as letras que lhe pareçam merecer divulgação póstuma. / Nesse trabalho desconfie da sua piedade de amigo de tantos anos, que pode ser guiado, — e mal guiado, — daquela afeição que nos uniu sem arrependimento nem arrefecimento. O tempo decorrido e a leitura que fizer da correspondência lhe mostrará que é melhor deixá-la esquecida e calada. E para mim bastará a simpatia que o seu desejo exprime. / Receba ainda agora um abraço apertado do velho admirador e amigo. / M. DE ASSIS.

[176] A MÁRIO DE ALENCAR

[RJ, 25 abr. 1908.] Meu querido Mário. / Uma das melhores relíquias da minha vida literária é aquele galho de carvalho de Tarso que J. Nabuco me mandou há três anos, por intermédio do Graça Aranha e este me entregou em sessão da nossa Academia Brasileira. O galho, a carta ao Graça e o documento que os acompanhou conservo-os na mesma caixa, em minha sala. / Perguntei-lhe há tempos se queria dar destino a essa relíquia, quando eu falecesse; agora renovo a pergunta. Talvez a Academia consinta em recolher o galho como lembrança de três de seus membros e da sua própria bondade em se reunir para completar o obséquio de Nabuco e de Graça Aranha. Peço-lhe também que se incumba de o saber oportunamente. Caso não deva ali ser guardado, estou que haverá em sua casa algum recanto correspondente ao que sei possuir em seu coração, e onde ele possa recordar-lhe a saudade de um velho amigo desaparecido. Receba deste um apertado abraço, e até breve / MACHADO DE ASSIS.

[177] A JOAQUIM NABUCO

[RJ, 8 mai. 1908.] Meu querido Nabuco. / Ainda estou comovido do abraço que em sua carta me mandou, e saudoso das mesmas saudades, mas não sei se animado das mesmas animações; esta parte é naturalmente incompleta, graças à idade, à solidão. Em todo caso, as suas palavras fizeram-me bem. / Escrevo ao Mário de Alencar pedindo-lhe que venha à minha casa, quando eu morrer, e leve aquele galho de carvalho de Tasso que V. me mandou e o Graça me entregou em sessão da Academia. A caixa em que está com o documento que o autentica e a sua carta ao Graça peço ao Mário que os transmita à Academia, a fim de que esta os conserve, como lembrança de nós três: Você, o Graça e eu. / A Academia conclui as férias e vai recomeçar a publicação da Revista. Nesta daremos os escritos originais que pudermos, alguns inéditos e o Boletim. / O Jornal do Comércio publicou telegrama de Paris, em que dá notícia de um artigo que o Ferrero escreveu no Figaro, falando da nossa Academia em termos grandemente simpáticos e benévolos.

Naturalmente V. já lá o terá a essa hora; aqui o esperamos com ansiedade natural. / Aqui fico esperando o seu drama sobre a conquista da Alsácia-Lorena, com a emenda que lhe fez; venha ainda que sem o seu nome. Não faltará modo de o conhecer, nem ocasião de o publicar um dia, em outra edição. Se V. está satisfeito com o novo desfecho é que ele cabe realmente melhor; em V. o crítico completa o artista. A Academia porá a obra na biblioteca, cujo início e conservação confiou ao Mário [de Alencar]. Você há de lembrar-se que é idéia antiga do Salvador de Mendonça deixá-la por herdeira da sua biblioteca particular, bastante rica, ao que parece. / Eu, meu querido, vou andando como posso, já um pouco fraco, e com temor de perder os olhos se me der a longos trabalhos. Já não trabalho de noite. Ainda assim posso fazer-lhe uma confidência: escrevi-o ano passado um livro que deve estar impresso agora em França. Duas ou três pessoas sabem disso aqui, e, por uma delas, o Magalhães de Azeredo (Em Roma). Diz-me o editor (Garnier) que virá este mês, mas já em março me anunciava a mesma coisa e falhou. Creio que será o meu último livro; descansarei depois. / O Graça está em Petrópolis; continua a trabalhar no Tribunal. Parece-me que virá passar algumas semanas, ou dois meses, no Rio, naturalmente pela Exposição. A Exposição caminha; ainda não fui às obras, ouço que ficarão magníficas. / Perdeu-se D. Carlos, que vinha dar um realce grande às festas.

Quem quer que venha agora não será a mesma coisa. / Todos os nossos amigos vão bem. De mim já sabe e adivinha. Se V. cá vier ainda nos abraçaremos uma vez, como tantas outras, há tantos anos. Vá agora mais esta. / Am.° do coração. / M. DE ASSIS. P.

S. — Muito obrigado pelo trecho de Mrs. Wright a meu respeito; há nela profunda simpatia. / M. DE A.

[178] [RJ, 28 jun. 1908.]

Meu querido Nabuco. / Deixe-me cumprimentá-lo pelas suas conferências que aí fez e pelo discurso proferido na cerimônia da União das Américas; saíram todos no Jornal do Comércio. Você não deixa esquecer este país onde quer que esteja, como não esquece os amigos velhos, e agradeço por mim que recebi o exemplar do Washington Post com o discurso. A conferência acerca do papel de Camões na literatura veio mostrar ainda uma vez o estudo que tem feito desde a primeira mocidade relativamente ao poeta e ao poema. Traz com apreciações novas e finas, o mesmo largo alcance de crítica e o claro e eloqüente estilo do costume. O mesmo digo da conferência sobre a nacionalidade do Brasil. Realmente os homens que V. aponta da América Latina têm jus à comunhão do espírito da grande nação em que o nosso governo tão acertadamente o colocou para representar a nossa. Enfim, dou-lhe os meus parabéns pelo seu doutoramento na Universidade de Yale. / A Academia Brasileira vai caminhando; fazemos sessões aos sábados, e agora tratamos de organizar uma publicação periódica em que resuma e guarde os nossos trabalhos. / Daqui a pouco a casa Garnier publicará um livro meu, e é o último. A idade não me dá tempo nem força de começar outro; lá lhe mandarei um exemplar. Completei no dia 21 sessenta e nove anos; entro na ordem dos septuagenários. Admira-me como pude viver até hoje, mormente depois do grande golpe que recebi e no meio da solidão em que fiquei, por mais que amigos busquem temperá-la de carinhos. / Há dias o Vítor [Nabuco] falou-me de um retrato seu, recente. Eu cá tenho o que V. me mandou de Londres, há três anos, que é soberbo; pende da parede por cima da caixa que encerra o ramo de carvalho de Tasso. Já dispus as coisas em maneira que a caixa e o ramo, com as duas cartas que os acompanham, passem a ser depositados na Academia, quando eu morrer; confiei isto ao Mário de Alencar. / Adeus, meu querido Nabuco, receba as minhas admirações e apresente os meus respeitos a toda a sua família. Não esqueça este / Velho admor. e am.º / M. DE ASSIS.

[179] A MÁRIO DE ALENCAR

[RJ, 12 jul. 1908.] Meu querido amigo, / Hoje acordei um pouco melhor e vou agüentando o dia. O médico estando aqui agora reduziu isto a termos técnicos. Oxalá venha assim a noite e amanhã não desminta o dia de hoje. Muito obrigado pelos seus cuidados e comunicações. À boa consorte e a todos os seus agradeço também as afetuosas visitas que me mandam. / Ainda não vieram os bons amigos Aranha Bandeira e Veríssimo mas ainda pode ser; obrigado. / Adeus, meu querido Mário; Não digo mais por não poder cansar a cabeça e a vista. Até breve. / Todo seu. / MACHADO DE ASSIS.

[180] [RJ, 16 jul. 1908.] Meu querido amigo. / Antes da chuva já eu tinha resolvido não sair. Obrigado pelas notícias. A demora da Alfândega é a mesma causa que o Lansac me dá há muitos dias; melhor é não insistir no caso. Aqui estou em silêncio, e a sua carta valeu por gente; desculpe o apressado da resposta. / Amanhã penso que não sairei ainda que haja bom tempo. Muito obrigado a todos os seus, a quem peço que apresente os meus respeitosos cumprimentos. E para si um abraço do / Velho am.° / MACHADO DE ASSIS.

[181] A JOSÉ VERÍSSIMO

[RJ, domingo, 19 jul. 1908.] Meu caro Veríssimo. / Acabo de receber a sua carta com o seu abraço pelo livro, e venho agradecer-lha cordialmente. Sabendo que foi sempre sincero comigo, senti-me pago do esforço empregado; muito obrigado, meu amigo. O livro é derradeiro; já não estou em idade de folias literárias nem outras. O meu receio é que fizesse a alguém perguntar por que não parara no anterior, mas se tal não é a impressão que ele deixa, melhor. Creio que o compreendi bem, segundo o que me diz em um ponto da carta. / Eu vou melhorando, ainda que muito fraco. Saí hoje de manhã, e sairei outra vez se não chover.

O Mário [de Alencar], tinha-me falado da sua vinda, mas efetivamente era arriscado com tal tempo. Amanhã conto ir à cidade, se o tempo consentir. Adeus, meu bom amigo, recomende-me a todos os seus, e receba em troca um abraço apertado do velho amigo / MACHADO DE ASSIS.

[182] A MÁRIO DE ALENCAR

[RJ, 20 jul. 1908.] Meu querido am.°, / Agradeço tudo, as visitas de ontem e de hoje. Depois lhe direi por que não fui hoje à cidade; conto ir amanhã, e irei vê-lo. Realmente, passei bem os dous dias. / Muito obrigado também pelo que me diz do livro. Aguardo o seu artigo amanhã; não escrevo mais por causa dos olhos, mas sempre há vista para acrescentar que os seus carinhos me vão animando neste final de vida. Adeus, até amanhã. Lembranças e agradecimentos a todos. / Todo seu. / MACHADO DE ASSIS.

[183] AO GERENTE DO LONDON BANK

[RJ, 21 jul. 1908.] Ilmo Gerente do London and Brazilian Bank, Limited: / Remeto a V. S.ª o meu incluso testamento aprovado e encerrado nesta cidade do Rio de Janeiro, em 31 de maio de 1906, pelo tabelião Evaristo Vale de Barros, a fim de ser depositado nesse Banco e ficar aí à minha disposição ou do Major Bonifácio Gomes da Costa, do 2.º Batalhão de artilharia, atualmente na cidade de Corumbá, Mato Grosso. Sou, com elevada estima e consideração / de V. S.ª am.° Venor. e obrg.° / JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS.

[184] A AFRÂNIO PEIXOTO

[RJ, 24 jul. 1908.] Meu caro e generoso Sr. Dr. Afrânio Peixoto. / A generosidade de Mário de Alencar veio agora aumentada pela sua, uma vez que as palavras dele lhe foram bem aceitas, como declara na carta que acabo de receber. Eu é que não tenho aumento de força para poder agradecer a tudo o que as almas simpáticas sentem de mim. Deixe-me dizer-lhe: ao fim de uma vida de trabalho e certo amor da arte que sempre me animou, vale muito sentir que encontro eco em espíritos ponderados e cultos. Vale por paga do esforço, e paga rara. Receba com estas linhas o meu agradecimento de / adm.or e respeitador / MACHADO DE ASSIS.

[185] A MÁRIO DE ALENCAR

[RJ, 4.ª feira, 30 jul. 1908.] Meu querido Amigo. / O incômodo que me afligia continua a afligir-me. Tomei a Nux- Vomica ontem e hoje à tarde; amanhã lhe direi o resto. Estou tranqüilo, mas este estado é que não pode continuar. Amanhã conto sair e irei vê-lo. / Muito obrigado pelas notícias que me deu, e não digo mais para não cansar os olhos. Amanhã. Agradeça por mim a D.

Helena. Hoje durante o dia reli a Mão e a Luva. Adeus, meu am.°, obrigado, recomendeme a todos. / Seu do C. / MACHADO DE ASSIS.

[186] A BATISTA CEPELLOS

[RJ, 30 jul. 1908.] Meu distinto Sr. Cepellos, / A pessoa que me trouxe o seu livro das Vaidades lhe terá dito que o meu estado de saúde não permite fazer dele a leitura precisa a um cabal juízo.

Para um moço que começa assim em tão verdes anos uma leitura rápida não basta; fi-la, entretanto, o bastante para ver que há notas de vigor e rasgos de colorido, surtos altos ao par de descuidos a que o autor de si mesmo acabará fugindo. Este juízo é sem autoridade e expresso com a timidez dos velhos. / Creia-me, com elevada / consideração, / admor. e obr. / MACHADO DE ASSIS.

[187] A OLIVEIRA LIMA

[RJ, 1 ago. 1908.] Meu eminente amigo. / Esta tem por fim dizer-lhe que ainda não morri, / tanto que lhe remeto um livro novo. Chamei-lhe Memorial de Aires. Mas este livro novo é deveras o último. Agora já não tenho forças nem disposição para me sentar e começar outro; estou velho e acabado. / Mande-me notícias suas, meu amigo, e apresente os meus respeitosos cumprimentos a D. Flora, de quem minha mulher guardava tão boas recordações. Eu continuo a ser o mesmo seu admirador e amigo velho / MACHADO DE ASSIS.

[188] A MÁRIO DE ALENCAR

[RJ, ago. 1908.] Meu querido amigo, / Muito obrigado pelas boas novas. Vou ler o artigo do Alcindo e escrevo esta para não demorar a resposta. Folgo de saber o que o Félix e o João Luso lhe disseram, e ainda bem que o livro agrada. Como é definitivamente o meu último, não quisera o declínio. O seu cuidado, porém, mandando uma boa palavra a esta solidão é um realce mais e fala ao coração. / A garganta está no mesmo ou um pouco mais dolorida. Vou aplicar o bochecho que me diz. Não escrevo mais por causa dos olhos. Até segunda-feira. Recomende-me a todos e creia-me / Velho amigo / MACHADO DE ASSIS.

[189] A JOAQUIM NABUCO

[RJ, 1 ago. 1908.] Meu querido Nabuco. / Lá vai o meu Memorial de Aires. Você me dirá o que lhe parece.

Insisto em dizer que é o meu último livro; além de fraco e enfermo, vou adiantado em anos, entrei na casa dos setenta, meu querido amigo. Há dois meses estou repousando dos trabalhos da Secretaria, com licença do Ministro, e não sei quando voltarei a eles.

Junte a isto a solidão em que vivo. Depois que minha mulher faleceu soube por algumas amigas dela de uma confidência que ela lhes fazia; dizia-lhes que preferia ver-me morrer primeiro por saber a falta que me faria. A realidade foi talvez maior que ela cuidava; a falta é enorme. Tudo isso me abafa e entristece. Acabei. Uma vez que o livro não desagradou, basta como ponto final. / Recebi os seus discursos e felicito-os por todos. O Jornal do Comércio publicou os três. Dei os da Academia à Academia. Já lá temos um princípio de biblioteca, a cargo especial do Mário de Alencar, e eles ficam bem nela arquivados.

Obrigado por todos e particularmente pelo que trata do lugar de Camões na literatura. É bom, é indispensável reclamar para a nossa língua o lugar que lhe cabe, e para isso os serviços políticos internacionais que se prestarem não serão menos importantes que os puramente literários. Realmente é triste, ver-nos considerados, como V. nota, em posição subalterna à língua espanhola; Você será assim mais uma vez o embaixador do nosso espírito. Um abraço pelas distinções que aí tem recebido e que são para o nosso Brasil inteiro. / Não é verdade que a nossa gente esquecerá Você; falamos muita vez a seu respeito e recordamos dias passados. Se não lhe escrevem é porque a vida agora é absorvente, com as mudanças da cidade e afluência de estranhos. Tudo se prepara para a Exposição, que abre a 11. / A Academia vai andando; fazemos sessão aos sábados, nem sempre e com poucos. A sua idéia relativamente ao José Carlos Rodrigues é boa.

Falei dela ao Graça e ao Veríssimo, que concordam; mas o Graça pensa que é melhor consultar primeiro o José Carlos; parece-lhe que ele pode não querer; se quiser, parece fácil. Não há vaga, mas quem sabe se não a darei eu? / Releve-me estas idéias fúnebres; são próprias do estado e da idade. Peço-lhe que apresente os meus respeitos a Mme.

Nabuco e a todos, e receba para si as saudades do velho amigo de sempre / MACHADO DE ASSIS.

[190] A MÁRIO DE ALENCAR

[RJ, 6 ago. 1908.] Meu querido amigo. / Agradeço-lhe a visita e restituo-lhe o abraço que me mandou.

Passei pouco melhor, mas enfim melhor. Antes da carta tinha já resolvido aqui em casa, ontem, não tomar o tribrometo. Sinto que também não esteja bom, e tenha um dos seus filhos doente; é o que sucede a quem os possui, para compensar a felicidade de os ter.

Desculpe o desalinho da carta. Estou passando a noite a jogar paciências; o dia, passei-o a reler a Oração Sobre a Acrópole, e um livro de Schopenhauer. Muito obrigado. Não sei se amanhã irei à cidade; se for, até amanhã, Adeus. / Do seu / MACHADO DE ASSIS.

[191] [RJ, 9 ago. 1908.]

Meu querido amigo. / Agradeço-lhe muito a sua visita. Esta moléstia é lenta e custa a sair das costas; passei a noite mal e o dia pouco melhor; vou ver a noite que passo. Tomei os seus remédios (a calcarea — principalmente) e outros, além dos bochechos. Desde ontem à tarde a minha alimentação é puro leite. Não sei se amanhã posso ir à cidade; espero ir depois. Não posso escrever muito mais. Sinto o incômodo de seu filho; não pense em pulmões; a idade é própria de crises. / Peço-lhe que apresente as minhas recomendações a todos os seus, e receba para si as minhas saudades. / Do Velho amigo / MACHADO DE ASSIS. P. S. — O Egoist conto acabá-lo amanhã. / M. DE A.

[192] [RJ, 22 ago. 1908.]

Meu querido am.º / Muito obrigado pelos seus cuidados. Passei o dia fraco, por ter voltado o incômodo intestinal; recomecei agora a medicação contra este. Sobre a Academia falaremos depois detidamente. Obrigado ao Afrânio. Muitos cumprimentos a todos os seus, e muitas saudades do / Velho am.º / MACHADO DE ASSIS.

[193] [RJ, 24 ago. 1908.]

Meu querido amigo. / Obrigado pela sua carta. Não tenho passado bem hoje e limito a minha resposta a estas duas linhas. / Agradeço a carta do Carlos Peixoto e todo o zelo que me tem mostrado. / Até amanhã, se eu for à cidade. / Todo seu / MACHADO DE ASSIS.

[194] [RJ, 26 ago. 1908.]

Meu querido am.º / Escrevi hoje à Sara dizendo-lhe o que havia, e eu recebo a sua carta que me dá notícia completa quando eu menos a esperava. Realmente foi mais rápida.

Ainda uma vez a sua boa amizade se mostrou comigo, e daqui lhe agradeço. Vou telegrafar amanhã ao Major. Eu não fui hoje à cidade por ter passado mal o dia de ontem e recear que o dia de hoje fosse a continuação do de ontem; felizmente atenuou-se o mal.

Não sei se poderei ir amanhã até à Câmara. Até lá, amanhã ou depois. / Seu do coração / MACHADO DE ASSIS.

[195] [RJ, 29 ago. 1908.]

Meu querido amigo. / Cheguei ontem bem e hoje não saí por causa da umidade, como bem viu. Ao receber a sua carta, porém, estou afrontado do estômago; é do jantar; cuidando de me alimentar, parece que excedi um pouco a medida. / Muito obrigado pelo que me conta da conversa que teve com o Veríssimo e pelas boas palavras que acrescenta acerca da vinda daquela gente que está tão longe, e dos cuidados que me dará. Virão eles? Minha sobrinha Sara tem aqui um irmão, a quem vou mandar chamar amanhã para lhe falar da autorização do Ministro e da restrição posta. / Meu querido amigo, hoje a tarde, reli uma página da biografia do Flaubert; achei a mesma solidão e tristeza e até o mesmo mal, como sabe, o outro... / Adeus, recomende-me a todos os seus, e com um abraço do / Velho amigo / MACHADO DE ASSIS.

[196] A JOSÉ VERÍSSIMO

[RJ, 1 set. 1908.] Meu caro Veríssimo. / Ontem, ao jantar, recebi a sua carta de anteontem, feita das boas palavras a que Você tanto me acostumou. Ontem passei o dia relativamente melhor, apesar de muito enfraquecido e muito desanimado; o Mário lhe dirá sobre isto alguma coisa. Agora (oito da manhã) ainda não estou pior. Vamos ver se este intestino, que é apenas um mal acessório mas aflitivo, se dispõe a me deixar tranqüilo por uma vez. / Agradeço os votos que fez pelo meu restabelecimento. O que me vale no meio destes achaques e abatimentos é a simpatia que encontro em alguns que me dão provas certas, e aqui tenho mais esta sua. / Não sei que efeito terá produzido Não Consultes Médico.

Aquilo foi uma comédia de sala, feita a pedido, para satisfazer particulares amadores e destinada a uma só representação que teve. O Artur Azevedo, tendo a idéia de fazer reviver agora algumas peças de há trinta e mais anos, inclui aquela entre as outras; obra de simpatia. Eu, se pudesse, teria ido ver ontem As Asas de um Anjo, que me daria uma renovação de mocidade; tinha eu dezenove anos! / Adeus, meu caro Veríssimo; venha quando quiser, — ou escreva, porque me faz bem conhecer pela sobrecarta a sua letra rasgada e firme. A minha são estes rabiscos de velho. Abraça-o de coração o seu / Velho adm.or / M. DE ASSIS.

[197] A SALVADOR DE MENDONÇA

[RJ, 7 set. 1908.] Meu querido Salvador de Mendonça. / A tua boa carta trouxe ao meu espírito afrouxado não menos pela enfermidade que pelos anos, aquele cordial de juventude que nada supre neste mundo. É o meu Salvador de outrora e de sempre, é aquele generoso espírito a quem nunca faltou simpatia para todo esforço sincero. Tal te vejo a meio século, meu amigo, tal te vi nos dias da nossa primeira mocidade. Íamos entrando nos vinte anos, verdes, quentes e ambiciosos. Já então nos ligava a ambos a afeição que nunca mais perdemos. / Aqui estás o mesmo de então e de sempre. A tua grande simpatia achou a velha da tradição itaboraiense para dizer mais vivamente o que sentiste do meu último livro. Fizeste-o pela maneira magnífica a que nos acostumaste em tantos anos de trabalhos e de artista. Agradeço-te, meu querido. A morte levou-nos muitos daqueles que eram conosco outrora; possivelmente a vida nos terá levado também alguns outros, é seu costume dela, mas chegado ao fim da carreira é doce que a voz que me alente seja a mesma voz antiga que nem a morte nem a vida fizeram calar. / Abraça-te cordialmente / O teu velho amigo / MACHADO DE ASSIS.

Fonte: www.dominiopublico.gov.br

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