A cevada, Hordeum vulgare L., originária do Oriente Médio, foi uma das primeiras plantas domesticadas para consumo humano, sendo atualmente uma das espécies de maior distribuição geográfica.
Cerca de 170 milhões de toneladas médias produzidas anualmente colocam a cevada na quarta posição na produção mundial de grãos. A produção está concentrada nas regiões temperadas da Europa, Ásia e América do Norte, sendo insignificante na América do Sul, menos de 1% do total mundial.

Atualmente, é mais usada na alimentação animal: o grão é utilizado inteiro, quebrado, moído ou esmagado, e a planta como pastagem feno ou silagem. O segundo maior uso é a produção do malte, que consome cerca de 20 milhões de toneladas anualmente. Na alimentação humana é consumida in natura, malteada ou na forma de farinhas, principalmente em regiões onde outros cereais não se desenvolvem bem. Cerca de 5% da produção mundial são aproveitados como semente.
No Brasil, é exclusiva a produção comercial de malte cervejeiro. A produção para outros fins nunca se consolidou devido a falta de competitividade em relação a outros grãos, principalmente o milho.
Desde sua domesticação, a cevada vem sendo alterada geneticamente, visando à adaptação a diferentes condições ambientais, sistemas de produção e usos do grão. A variabilidade genética (natural e induzida) acumulada ao longo da história tem permitido ao melhoramento o avanço necessário à manutenção da cultura na posição que ocupa no cenário mundial de produção de alimentos.
Na atualidade, o desenvolvimento de novos cultivares está baseado na seleção de produções híbridas segregantes criadas por meio de hibridação artificial (cruzamentos).
Classificação Botânica
A cevada é uma planta da tribo Triticeae, família das gramíneas, gênero Hordeum, composto por 32 espécies.
Hordeum vulgare L., a única espécie cultivada do gênero, é diplóide, com 2n = 14 cromossomos, monóica de reprodução sexual por autofecundação e propagação por sementes. É constituída pelas subespécies vulgare e spontaneum. Todas as formas cultivadas estão classificadas em Hordeum vulgare ssp.vulgare L.
Há dois tipos principais de cevada cultivada: as de duas e as de seis fileiras de grãos por espigas. Esses tipos são representados pelas covariedades vulgare e distichum, respectivamente.
Hordeum vulgare ssp. spontaneum L., forma selvagem de duas fileiras, interfértil com ssp. vulgare, é reconhecida como a ancestral das espécies domesticadas.
Do ponto de vista do melhoramento, as espécies do gênero Hordeum formam três conjuntos gênicos afins, sendo H.vulgare e H. spontaneum o primário, H. bulbosum o secundário e as demais o terciário. Pertencendo ao pool primário, ssp. spontaneum vem sendo repetidamente utilizada em programas de melhoramento de longo prazo, em andamento na Síria (ICARDA), Suécia e Inglaterra, como fonte de variabilidade para resistência a doenças (oídio, ferrugem, escaldadura), pragas (pulgões), tolerância a estresses ambientais (frio, seca, salinidade) e qualidade.
Depois de H. spontaneum, H. bulbosum é a espécie mais próxima da cultivada. Os híbridos de H. vulgare e H. bulbosum são estéreis na grande maioria, mostrando, entretanto, alto índice de pareamento de cromossomos na meiose. A espécie apresenta mecanismo de híbridação nos híbridos com a cultivada, utilizada rotineiramente como método de produção de háploides. Recentemente genes de resistência ao oídio foram transferidos com sucesso, abrindo oportunidades para utilização mais efetiva dessa espécie no melhoramento da cultivada.
Quase todas as espécies do conjunto gênico terciário podem ser cruzadas com a cultivada. Entretanto, o baixo grau de homologia dos genomas tem inviabilizado a utilização prática dessas espécies para melhoramento.
Cultivo das plantas
A produção de sementes por meio da hibridação artificial é mais eficiente quando obtidas de plantas vigorosas e sadias. As plantas para cruzamentos podem ser cultivadas no campo, em casa de vegetação ou câmaras de crescimento. Independente do local de plantio, o vigor das plantas está associado ao adequado manejo da umidade do solo, adubação, temperatura e luminosidade.
Sementes híbridas podem também ser obtidas por meio do cultivo de espigas destacadas da planta em água ou solução nutritiva. O cultivo de espigas permite maior controle das condições ambientais, sendo por isso utilizado em vários controles de melhoramento.
No Brasil a hibridação tem sido feita somente em plantas. O bloco de cruzamentos é plantado no outono, normalmente no campo e em telados e, eventualmente em casa de vegetação ou câmara de crescimento. O bloco de cruzamentos é composto, anualmente, por linhagens, cultivares e híbridos F1, em número variável, nos programas de melhoramento em atividade no País (Antarctica, Brahma e Embrapa-Trigo).
Emasculação
De acordo com o modo natural de reprodução, a hibridação artificial da cevada exige a retirada das anteras (emasculação) das plantas do genitor feminino antes da antese.
A espiga está pronta para a emasculação dois dias antes da antese das flores do centro. Nesse estádio, as aristas são visíveis e as anteras apresentam coloração entre verde-claro e amarelo. A emasculação pode ser realizada em qualquer hora do dia.
Antes da emasculação, a espiga é exposta por meio da remoção total ou parcial da bainha da folha-bandeira acima do primeiro nó de ráquis. Na remoção parcial, a bainha é cortada imediatamente acima da ponta da espiga. A bainha recolocada após a emasculação, protege o pedúnculo e a espiga contra dessecação. Na remoção total, a bainha é aberta e cortada na altura do primeiro nó de ráquis. Em seguida, as espiguetas laterais e as mal desenvolvidas da base e da ponta da espiga, bem como as aristas são removidas. As espiguetas laterais e as mal desenvolvidas são removidas mesmo nas cevadas de duas fileiras, para evitar eventual formação de pólen viável.
As anteras são expostas por meio de incisão longitudinal no dorso da lema, com pinça, ou de corte transversal das espiguetas com tesoura. Por ser mais rápido, o corte transversal é mais usado. As anteras então são retiradas com a pinça, com cuidado para não danificar o estigma.
Após a emasculação, as espigas devem ser isoladas com sacos de 15´4cm, feitos de papel manteiga. O procedimento é finalizado pelo registro do número de parcela e da data da emasculação em etiqueta de papel pendurada ao colmo.
A emasculação pode ser dispensada pelo uso de genes que conferem a macho-esterelidade.
Polinização
Em geral, as plantas estão prontas para a polinização no segundo dia após a emasculação. As espigas estarão prontas para a polinização quando a lema e a pálea estiverem separadas e as ramificações do estigma expostas. O estigma maduro é receptivo a qualquer hora do dia.
A deiscência das anteras e a polinização ocorrem naturalmente das primeiras horas até a metade da manhã, sendo este o período recomendado para a coleta e aplicação do pólen. O pólen fica escasso após o meio da tarde, principalmente durante períodos de altas temperaturas. Para a polinização, selecionam-se as espigas com grande número de anteras maduras (amarelas). As espigas são colhidas, cortando o colmo na altura do último nó. Pouco antes da polinização, as espiguetas são cortadas transversalmente logo acima das anteras. Minutos mais tarde, as anteras deiscentes são naturalmente empurradas para fora, pelo crescimento do filamento.
Vários métodos podem ser usados na aplicação do pólen. Uma das técnicas consiste na colheita do pólen e sua transferência para os estigmas com pinça. Outro procedimento envolve a coleta de uma antera e sua transferência para a flor emasculada. O método mais rápido consiste girar a espiga polinizada, em posição invertida, sobre a emasculada.
Imediatamente após a polinização, as espigas são novamente ensacadas e identificadas com o nome dos genitores e a data.
Desenvolvimento
A ocorrência da fertilização pode ser verificada entre dois a quatro dias após a polinização. Os grãos produzidos atingem o comprimento máximo em uma semana e a maturação em cerca de 26 dias.
Colheita
As espigas poderão ser colhidas quando o pedúnculo apresentar coloração amarela ou as sementes da ponta estiverem maduras. As espigas de cada cruzamento são amarradas juntas pelo pedúnculo ou colocadas em envelope de papel para secar em local seco e com temperaturas abaixo de 38°C.
Conservação da Semente
Dependendo do tempo entre a colheita e o plantio, as sementes podem ser guardadas em temperatura ambiente ou em câmaras refrigeradas.
Fatores que Afetam Hibridação
O sucesso da hibridação varia conforme a experiência pessoal, o vigor das plantas e as condições ambientais prevalecentes.
Fonte: www.ufv.br
Partes Usadas
Grãos
Família
Gramineas
Características
Composta por 32 espécies, é originária do Oriente e cultivada no Brasil nas regiões Sul e Sudeste. Suas flores são dispostas em espigas, na extremidade do colmo, e os frutos, amarelados e ovóides, fornecem uma farinha alimentícia.

Seus grãos torrados e moídos são usados na fabricação de Café natural sem cafeína.
Dicas de Cultivo
Tem preferencia por solos frescos e não ácidos. Semea-se de março a maio. Sua colheita é feita entre agosto e setembro, de preferência em dias secos.
Princípio ativo
Flavonóides e principios amargos, dentre outros.
Propriedades
Antiescorbútica, emoliente, diurética, depurativa, digestiva, carminativa, expectorante, nutriente, estomáquica, energética, tônica, hipoglecimiante e alcalinizante.
Indicações
Combate intoxicações crônicas, afecções das vias urinárias, o escorbuto, dispepsia, bronquite crônica e a desnutrição.
Fonte: www.cantoverde.org