
O chá, Carnellia sinensis (L) D.Kuntze, é uma planta perene, da família Theoceae, é gênero Camellia. O chazeiro produz por mais de 50 anos, podendo alcançar 10 metros de altura. Suas folhas são consumidas sob a forma de infusão (chá) em todo o Mundo.
No Brasil as maiores plantações encontram-se no Vale do Ribeira (SP), onde a temperatura média anual oscila entre 17 e 20ºC, as chuvas ao redor de 1.500 mm anuais e a umidade do ar ao redor de 90%.
O chá gosta de solo profundo, permeável, rico em matéria orgânica, pH entre 4,0 e 6,0.
O plantio por estacas possibilita uma maior uniformidade das plantas, maior produtividade e homogeneidade de brotação. A estaca é formada de uma folha desenvolvida e respectiva gema axilar com 3 a 4cm do ramo cortado em bizel. O enraizamento é feito em sacos plásticos cheios com terra peneirada e adubado.
As gemas devem ser retiradas em maio a junho. As mudas permanecem no viveiro por 10 a 12 meses, recebendo irrigações periódicas. O viveiro deve ser sombreado (só 20 a 30% de luz). Pouco antes de irem para o campo, devem ir gradativamente, recebendo mais sol até que, por ocasião do transplante já tenham se adaptado ao pleno sol. O transplante deve ser feito entre abril e julho. As covas devem ter 20x20x20 cm. O espaçamento deve ser de 1,50 a 1,80cm entre linhas e 0,50 a 0,80 entre covas. São necessárias de 7.000 a 13.000 mudas para se plantar 1 hectare.
A calagem e a adubação devem ser feitas com base na análise do solo. Deve elevar o índice de bases para 40%.
Aplicar:
25 gramas por planta de nitrogênio
10 a 15 gramas por planta de fósforo
10 a 15 gramas por planta de potássio
Efetuar a adubação em cobertura, sob a projeção da copa das plantas e distribuir os fertilizantes em três vezes, nos meses de agosto, dezembro e março.
A cultura deve ser mantida no limpo, usando carpas manuais ou químicas para o controle das plantas invasoras no chazeiro.
Realizar podas anuais de formação em junho e julho, de forma a manter a planta com altura de 50/60 cm.
Inicia-se a partir do segundo ano, de agosto a maio, com intervalos médios de 10 dias. Pode ser manual ou mecânica, com máquinas especiais. O chá (as folhas) é recolhido nas propriedades pelas indústrias, que fazem a classificação conforme a qualidade das folhas. Depois são colocadas em cochos murchadores, que recebem ar quente. Seguem depois para os moedores, onde são trituradas. Depois são fermentadas, passam por nova secagem e são finalmente embaladas.
O rendimento médio é de 9 toneladas de folhas verdes por hectare/ano. Cinco toneladas de folhas verdes dá uma tonelada de chá seco.
Fonte: www.criareplantar.com.br

Existem várias lendas em torno das origens do chá. A mais popular é uma lenda chinesa que conta que no ano 2737 a.C., o imperador Shen Nung descansava sob uma árvore quando algumas folhas caíram em uma vasilha de água que seus servos ferviam para beber. Atraído pelo aroma, Shen Nung provou o líquido e adorou. Nascia aí, o chá.
Esta lenda é divulgada como a primeira referência à infusão das folhas de chá verde, provenientes da planta Camellia sinensis, originária da China e da Índia. O tratado de Lu Yu, conhecido como o primeiro tratado sobre chá com caráter técnico, escrito no séc. VIII, durante a dinastia Tang, definiu o papel da China como responsável pela introdução do chá no mundo.
No inicio do século IX monges japoneses levaram algumas sementes e introduziram a cultura do chá que se desenvolveu rapidamente. O chá experimentou nestes dois países - China e Japão - uma evolução extraordinária, abrangendo não só meio técnico e econômico, mas também os meios artísticos, poéticos, filosóficos e até religiosos. No Japão, por exemplo, o chá é protagonista de um cerimonial complexo e de grande significado.
Inicialmente, foi o Japão responsável pela divulgação da utilização do chá, fora da China, porém sua chegada a Europa não foi rápida. Referências antigas na literatura européia a respeito do chá, mostram o relato de Marco Pólo em sua viagem e que o português Gaspar da Cruz teria citado o chá numa carta dirigida ao seu soberano. Já a sua importação para o continente europeu ocorreu no início do séc. XVII pelos holandeses, em função do comércio que então se estabelecia entre a Europa e o Oriente.
A partir do século XIX na Inglaterra, o consumo de chá difundiu-se rapidamente,
tornando-se uma bebida muito popular. Essa popularidade estendeu-se aos países
com forte influência inglesa, como os Estados Unidos, Austrália e Canadá.
Hoje, o chá é a
bebida mais consumida em todo o mundo.

Em nenhuma outra parte do mundo, o chá teve uma contribuição ao meio cultural foi tão notável quanto no Japão, onde seu preparo e sua apreciação adquiriram uma forma distinta de arte.
No Japão, as pessoas, ao serem convidadas para uma reunião de chá, costumam comparecer com antecedência: aguardam sentadas em uma pequena sala, desfrutando da companhia uma das outras e desligando-se das atribulações do cotidiano. Esse encontro representa a manifestação clara de uma sensibilidade interior que se adquire através do estudo e da disciplina do Chado (TCHADÔ), o Caminho do Chá. Chado é um termo relativamente recente, com o qual se designa o ritual de preparar e tomar o chá, originado no século XV. Nessa época, o chá era utilizado como um suave estimulante, que favorecia ao estudo e à meditação, tendo sido valorizado também como uma erva medicinal.
A partir disto, mestres de chá devotos do Chado, desenvolveram uma estética, que se inseriu na cultura japonesa. Houve, entretanto, um mestre de chá que, durante toda a sua existência, concebeu essa filosofia como um estilo de vida e instituiu o Chado como um meio de transformar a própria vida em uma obra de arte - Mestre Sen Rikyu.
Sen Rikyu resumiu os princípios básicos do Chado nestas quatro palavras: Wa, Kei, Sei e Jaku.
Wa significa harmonia. A harmonia entre as pessoas, a pessoa com a natureza e a harmonia entre os utensílios do chá e a maneira como são utilizados.
Kei significa respeito. Respeitam-se todas as coisas com um sincero sentimento de gratidão pela sua existência.
Sei significa pureza, tanto universal, quanto espiritual.
Finalmente, Jaku significa tranqüilidade ou paz de espírito e isto resulta da percepção dos três primeiros princípios.
Os monges Zen, que introduziram o chá no Japão, estabeleceram os fundamentos espirituais para o Chado e desenvolveram a estética do chá, incluindo, não apenas as regras para preparar e servir o chá, mas também a manufatura dos utensílios, o "conhecimento" das belas artes e das artes aplicadas, o "desenho" e a construção das salas de chá, a arquitetura dos jardins e a literatura.
Uma xícara de chá, preparada segundo os princípios do Chado, é o resultado de uma ritual de simplicidade desenvolvido para atender as necessidades de busca da tranqüilidade interior do homem.
Daisy Hogara Yamauchi
Fonte: www.nutrociencia.com.br