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Charles Baudelaire

Charles-Pierre Baudelaire
Charles-Pierre Baudelaire

Charles-Pierre Baudelaire nasceu em Paris, no dia 9 de Abril de 1821. Numa infância e adolescência atormentada, viu-se órfão do pai aos seis anos, e passou a odiar o segundo marido de sua mãe, o general Aupick. Após anos de desavenças com o padrasto, Baudelaire interrompeu seus estudos em Lyon para iniciar uma viagem à Índia. Ao regressar, participou da revolução de 1848 e logo após dissipou seus bens em meio a boemia e a jogatina parisiense. Lá conheceu personalidades como Mme. Sabatier, Marie Daubrun, e uma de suas musas, a atriz Jeanne Duval. Submerso em dívidas, Baudelaire foi submetido a um conselho judiciário iniciado por seus familiares. Assim, o tutor Ancelle foi nomeado para controlar os gastos do escritor.

Um fato marcante na vida de Baudelaire, deu-se em 1857 com a publicação de As Flores do Mal (Les Fleurs du Mal). Este, que é o maior título de sua carreira, contém poesias que datam de 1841. Esta obra rendeu-lhe um processo pelo tribunal correcional do Sena; uma multa por atentar à moral e aos bons costumes, além de ser obrigado a retirar seis poemas (poesies damnées) do volume original, sendo publicado na íntegra apenas nas edições póstumas, em 1911. Baudelaire também foi alvo da hostilidade da imprensa, que o julgava um subproduto degenerado do romantismo. Porém, sua carreira foi admirada e elogiada por Vitor Hugo e Gustave Flaubert, entre outros.

Túmulo de Baudelaire
Túmulo de Baudelaire
Cemitério Monparnasse - París

Tanto As Flores do Mal como Pequenos Poemas em Prosa (Petits Poèmes en Prose, que depois seria intitulado Lê Spleen de Paris) foram publicados em revistas desde 1861, e introduziram novos elementos na linguagem poética, fundindo os opostos existenciais como o sublime e o grotesco, e explorando as analogias ocultas do universo.

Baudelaire foi o escritor que avançou as fronteiras dos costumes em sua época, lançando-se também como crítico de arte no Salon de 1845. Nesse momento, o poeta tornava-se um crítico que buscava um princípio inspirador e coerente nas obras de arte. Os escritos que o revelam nesse segmento A arte Romântica e Curiosidades Estéticas só foram publicadas em 1868. Baudelaire atuou também como tradutor de Allan Poe a partir de 1848. Entre seus ensaios, destaca-se O Princípio Poético (1876), onde as bases de sua poética foram fixadas.

Um outro Charles-Pierre Baudelaire é revelado em Os Paraísos Artificiais, ópio e haxixe (1860), uma especulação sobre plantas alucinógenas, parcialmente inspirada na obra de Thomas De Quincey, Confissões de um Comedor de Ópio. Encontra-se também obras de cunho intimista e confessional, como Meu Coração Desnudo e Diários Íntimos.

Baudelaire é tido como um dos maiores da França de todos os tempos. Alguns o consideram um ensaísta do parnasianismo, ou um romântico exacerbado. De atuação ousada, tornou-se um ícone no século XX influenciando a poesia mundial de tendências simbolistas, inclusive no Brasil com Teófilo Dias. De sua obra, derivam Rimbaud, Verlaine e Mallarmé. Baudelaire foi precursor de uma linguagem moderna no romantismo, concedendo a realidade uma submissão lírica. Assim, sua poesia é marcada pela contradição; de um lado via-se um herdeiro do romantismo obscuro de Allan Poe e Gerard de Neval, e de outro, o poeta que se opôs ao sentimentalismo redundante do romantismo francês.

Seus últimos anos foram obscurecidos por doenças de origem nervosa. Após uma vida repleta de atribulações, Baudelaire morreu em Paris, no dia 31 de Agosto de 1867 nos braços de sua mãe, acometido pela paralisia geral.

Seu talento, capacidade intelectual e percepção romântica, só foram totalmente apreciadas após sua morte. Tanto um Baudelaire, em sua face crítica e ácida, como o poeta confessional e expontâneo; mas, principalmente, como a totalidade de sua obra e o devido reconhecimento que lhe é atribuído.

Fonte: www.spectrumgothic.com.br

Charles Baudelaire

Charles Baudelaire (1821 - 1867)
Charles Baudelaire (1821 - 1867)

O homem que mudou a literatura moderna. Definir o francês Charles Baudelaire somente desta maneira não seria correto. Ficaria muito aquém de sua verdadeira importância. Tradutor, poeta, crítico de arte e literato, Baudelaire foi o ponto alto do século 19 nas letras.

Charles foi o único filho de Joseph-François Baudelaire e de sua jovem segunda esposa, Caroline Archimbaut Defayis. Seu pai havia sido ordenado como padre quando neófito, mas largou o ministério durante a revolução francesa. Trabalhou como tutor dos filhos do duque de Choiseul-Praslin, o que lhe proporcionou um certo status. Ganhou dinheiro e respeito e aos 68 anos se casou com Caroline, então com 26. Vivendo num orfanato e já passada da idade de se casar, ela acabou por não ter opção. Em 1819, se casaram. Charles-Pierre Baudelaire veio ao mundo um ano e meio depois, em 9 de Abril de 1821.

Seu pai era um admirador das artes. Pintava e escrevia poesias. E insistiu para que o filho seguisse o caminho. Baudelaire, anos mais tarde, se referiu à sofreguidão do pai como "o culto das imagens". Mas a convivência entre ambos durou pouco. Em fevereiro de 1827, Joseph-François Baudelaire faleceu. O jovem Charles e sua mãe tiveram que se mudar para o subúrbio de Paris para não terem problemas financeiros. Em um de seus textos de 1861, Charles escreveu para a mãe: "Eu estive sempre vivo em você. Você foi totalmente minha". Este tempo de convivência terminou quando Caroline se casou com o soldado Jacques Aupick, que conseguiu se tornar general e mais tarde serviu como embaixador francês para o Império Otomano e para Espanha, antes de se tornar senador do Segundo Império.

A vida acadêmica de Baudelaire começou no Collège Royal em Lyon, quando Aupick levou a família inteira ao assumir um cargo na cidade. Mais tarde, ele foi matriculado no Liceu Louis Le Grand, quando retornaram a Paris em 1836. Foi justamente ai que Baudelaire começou a se mostrar um pequeno gênio. Escrevia poemas, que eram execrados por seus professores, que acham que seus textos eram um exemplo de devassidão precoce, afeições que não eram normais em sua idade. A melancolia também dava sinais no jovem Charles. Aos poucos, ele se convenceu de ser um solitário por natureza. Em abril de 1839, acabou expulso da escola por seus atos de indisciplina constantes.

Mais tarde, ele se tornou aluno da Escola de Droit. Na verdade, Charles estava vivendo de maneira livre. Fez os seus primeiros contatos com o universo da literatura e contraiu uma doença venérea que o consumiu durante a vida inteira. Tentando salvar seu enteado do caminho libertino, Aupick o enviou para uma viagem à Índia, em 1841, uma forte inspiração para sua imaginação, e que trouxe imagens exóticas ao seu trabalho. Baudelaire retornou a França em 1842.

Neste mesmo ano, ele recebeu sua herança. Mas como dândi que era, consumiu rapidamente a pequena fortuna. Gastou em roupas, livros, quadros, comidas, vinhos, haxixe e ópio. Os dois últimos, um vício adquirido após consumir pela primeira vez entre 1843 e 1845, em seu apartamento no Hotel Pimodan. Pouco depois deste seu retorno, ele conheceu Jeanne Duval, a mulher que marcou definitivamente a sua vida. A mestiça primeiro se tornou sua amante e mais tarde, controlou sua vida financeira. Ela ira ser a inspiração para as poesias mais angustiadas e sensuais que o poeta escreveu. Seu perfume e o seus longos cabelos negros foram o mote da poesia erótica "La Chevelure".

Charles Baudelaire continuou levando sua vida extravagante e em dois anos dilapidou todo o seu dinheiro. Também se tornou presa de agiotas e bandidos. Neste período, acumulou dívidas que o assombraram para o resto da vida. Em setembro de 1844, sua família entrou na justiça para impedi-lo de mexer no pouco dinheiro da herança que ainda sobrava. Baudelaire perdeu e acabou recebendo somas anuais, que mal dava para manter o seu estilo de vida e muito menos para pagar o que devia. Isto o levou a uma dependência brutal de sua mãe e ao ódio de seu padrasto. Seu temperamento isolacionista e desesperador, fruto de sua adolescência conturbada e que ele apelidou de "spleen" retornou e se tornou cada vez mais freqüente.

Após a sua volta a França, ele decidiu se tornar um poeta, a qualquer custo. De 1842 a 1846, ele compôs que mais tarde foram compilados na edição de "Flores do Mal" (1857). Baudelaire evitou publicar todos estes poemas separadamente, o que sugere que ele realmente tenha arquitetado em sua mente uma coleção coerente, governada por uma temática própria. Em outubro de 1845, compilou "As Lésbicas" e em 1848, "Limbo", obras que representam a agitação e a melancolia da juventude moderna. Nenhuma das duas coleções de poemas foram lançadas em livros e Baudelaire só foi aceito no circuito cultural de Paris porque também era crítico de arte, trabalho que exerceu por um bom tempo.

Inspirado pelo exemplo do pintor Eugène Delacroix, ele elaborou uma teoria da pintura moderna, convocando os pintores a celebrarem e expressarem o "heroísmo da vida moderna". O mês de janeiro de 1847 foi importante para Baudelaire. Ele escreveu a novela "La Fanfarlo", cujo o herói, ou melhor, anti-herói, Samuel Cramer, um alter-ego do autor, oscila desesperado entre o desejo pela maternal e respeitável Madame de Cosmelly e o erótico pela atriz e dançarina Fanfarlo. Com este texto, Baudelaire começava a chamar a atenção, mesmo que timidamente.

Este anonimato acabou-se em fevereiro de 1848, quando participou de manifestações para a derrubada do Rei Luís Felipe e para a instalação da Segunda República. Consta que comandou um violento ataque contra o general Aupick, seu padrasto, então diretor da Escola Politécnica. Este acontecimento leva vários especialistas a minimizarem a participação do do poeta burguês nesta revolução, já que seus motivos não seriam sociais e políticos mas sim pessoais, que ainda não havia publicado nada. Porém, estudos recentes assumem uma veia política brutal em Baudelaire, em especial sua associação com o anarquista-socialista Pierre-Joseph Proudhon. Sua participação na revolta de proletários em junho de 1848 é comprovada e também na resistência contra os militares de Napoleão 3º, em dezembro de 1851. Logo após este episódio, o poeta declarou encerrado seu interesse em política e voltou toda a sua atenção para seus escritos.

Em 1847, ele descobriu um escritor norte-americano obscuro: Edgar Allan Poe. Impressionado pelo que leu e pelas similaridades entre os escritos de Poe com seu próprio pensamento e temperamento, Baudelaire decidiu levar a cabo a tradução completa das obras do norte-americano, trabalho este que lhe tomou boa parte do resto de sua vida. A tradução do conto "Mesmeric Revelation" foi publicado em julho de 1848 e depois, outras traduções apareceram em jornais e revistas antes de serem compiladas no livro "Histórias Extraordinárias" (1856) e "Novas Histórias Extraordinárias" (1857), todas precedidas por introduções críticas feitas por Charles Baudelaire. Depois se seguiu "As Aventuras de Arthur Gordon Pym" (1857), "Eureka" (1864) e Histórias Grotescas" (1865). Como tradução, estes trabalhos foram clássicos da prosa francesa, e o exemplo de Poe deu a Baudelaire uma confiança em sua própria teoria estética e ideais para a poesia. O poeta também começou a estudar o trabalho do teórico conservador Joseph de Maistre, que, junto com Poe, incentivaram seu pensamento a ir numa direção antinaturalista e anti-humanista.

Do meio de 1850, ele iria se pronunciar arrependido de ser um católico romano, apesar de manter sua obsessão pelo pecado original e pelo demônio. Tudo isto sem a fé no amor e perdão de Deus, e sua crença em Cristo se rebaixou tanto a ponto de praticamente não existir mais.

Entre 1852 e 1854, ele dedicou vários poemas à Apollonie Sabatier, sua musa e amante apesar da reputação de cortesã da alta-classe. Em 1854, Baudelaire manteve um caso com a atriz Marie Daubrun. Ao mesmo tempo, sua fama como o tradutor de Poe aumentava. O fato de ser crítico de arte permitiu que publicasse algum de seus poemas. Em junho de 1855, a Revue des Deux Mondes publicou uma sequência de 18 de seus poemas, com o título de "As Flores do Mal" ("Le Fleurs du Mal"). Os poemas, que ele escolheu pela originalidade e pelo tema, lhe trouxeram notoriedade. No ano seguinte, Baudelaire fechou um contrato com o editor Poulet-Malassis para uma coleção completa de poemas sob o título prévio.

Quando a primeira edição do livro foi publicado em junho de 1857, 13 dos 100 poemas foram imediatamente acusados de ofensas à religião e à moral pública. Um julgamento foi feito no dia 20 de agosto de 1857 e 6 poemas foram condenados a serem retirados da publicação sob a acusação de serem obscenos demais. Baudelaire foi multado em 300 francos (mais tarde, reduzido a 50 francos). Em 1866, na Bélgica, os seis poemas foram republicados sobre o título de "Les Èpaves". A proibição dos poemas só foram retirados da França em 1949. Como toda polêmica sempre é benéfica, "As Flores do Mal" se tornou um marco por sua obscenidade, morbidez e devassidão. A lenda de Baudelaire como um poeta maldito, dissidente e pornográfico nasceu.

Porém, as vendagens não foram nada boas. Baudelaire nutria uma expectativa gigantesca pelo sucesso, o que não aconteceu e imediatamente se tornou amargo. Os anos que vieram transformaram Baudelaire numa personalidade soturna, assombrado pelo sentimento de fracasso, desilusão e desespero. Após a condenação de seu livro, ele se juntou com Apollonie Sabatier e a deixou em 1859 para retomar seu relacionamento com Marie Daubrun, novamente infeliz e fracassado. Apesar de ter escrito alguns de seus melhores trabalhos nestes anos, poucos foram publicados em livro. Após a publicação de experimentos de prosa em verso, ele se concentrou numa segunda edição de "As Flores do Mal".

Em 1859, enquanto vivia novamente com sua mãe, perto do rio Sena, onde ela se mantinha reclusa após a morte de Aupick em 1857, Baudelaire produziu uma série de obras-primas da poesia, começando com "Le Voyage" em janeiro e culminando no que é considerado seu melhor poema, "Le Cygne", em dezembro. Ao mesmo tempo, compôs dois de seus mais provocativos ensaios de crítica de arte: "Salon de 1859" e "Os Pintores da Vida Moderna". Este último, inspirado por Constantin Guys, é visto como uma declaração profética dos elementos do Impressionismo, uma década antes do surgimento da escola.

Em 1860, publicou "Os Paraísos Artificiais", uma tradução de partes do ensaio de "Confissões de um Inglês Comedor de Ópio", de Thomas De Quincey, acompanhado por sua pesquisa e análise das drogas. Em fevereiro de 1861, uma segunda edição, maior e ampliada, de "As Flores do Mal" foi publicada por Poulet-Malassis. Ao mesmo tempo, publicou ensaios críticos sobre Theophile Gautier (1859), Richard Wagner (1861), Victor Hugo e outros poetas contemporâneos (1862), e Delacroix (1863). Estes textos seriam compilados em "A Arte Romântica", em 1869. Os fragmentos de sua autobiografia entitulada "Fusèes"e "Mon Coeur Mis à Nu" também foram lançados entre 1850 e 1860. É também desta época seu ensaio onde afirma que a fotografia era um engodo, que aquela nova forma nunca seria arte. Mais tarde, o poeta se arrependeu e voltou atrás em suas declarações e chegou a ser retratado por Félix Nadar.

Em 1861, Baudelaire tentou se eleger à Academia Francesa mas foi fragorosamente derrotado Em 1862, Poulet-Malassis faliu e ele foi implicado na falência, o que piorou sua condição financeira. Seus limites mentais e físicos atingiram o topo. Ele definiu aquele momento como "o vento das asas da imbecilidade que passou por minha vida". Abandonando a poesia, ele foi fundo na prosa em versos. Uma sequência de 20 de seus trabalhos foi publicada em 1862. Em abril de 1864, ele deixou Paris para se instalar em Bruxelas, onde tentaria persuadir um editor belga a publicar suas obras completas. Lá ficou, amargurado e empobrecido até 1866, quando após um ataque epilético na Igreja de Saint-Loup at Namur, sua vida mudou. Baudelaire teve uma lesão cerebral que lhe ocasionou afasia (perda da capacidade de compreensão e de expressão pela palavra escrita ou pela sinalização, assim como pela fala) e paralisia. O dândi nunca mais se recuperou. Retornou a Paris no dia 2 de julho, onde ficou em uma enfermaria até sua morte. Em 31 de agosto de 1867, aos 46 anos, Charles Baudelaire morreu nos braços de sua mãe.

Quando a morte o visitou, Baudelaire ainda mantinha vários de seus trabalhos não publicados e os que já haviam saído estavam fora de circulação. Mas isto rapidamente mudou. Os líderes do movimento Simbolista compareceram ao seu funeral e já se designavam como seus fiéis seguidores. Menos de 50 anos após a sua morte, Baudelaire ganhou a fama que nunca teve em vida: havia se tornado o maior nome da poesia francesa do século 19.

Conhecido por sua controvérsia e seus textos obscuros, Baudelaire foi o poeta da civilização moderna, onde suas obras parecem clamar pelo século 20 ao invés de seus contemporâneos. Em sua poesia introspectivaele se revelou como um lutador a procura de deus, sem crenças religiosas, procurando em cada manifestação da vida os elementos da verdade, de uma folha de uma árvore ou até mesmo no franzir das sobrancelhas de uma prostituta. Sua recusa em admitir restrições de escolha de temas em sua poesia o coloca num patamar de desbravador de novos caminhos para os rumos da literatura mundial.

Fonte: www.speculum.art.br

Charles Baudelaire

Poeta francês O pai morre quando ele tem seis anos, e pouco depois a mãe volta a casar-se com um militar, o comandante Aupick. A ausência do pai e o ressentimento contra a mãe causam em Baudelaire um sentimento de carência afectiva que o persegue durante toda a sua vida. Em 1840, o padrasto, preocupado com a sua vida desbaratada, envia-o de viagem à Índia, aonde nunca chega. Da ilha de Reunião volta para Paris. Ao chegar à maioridade entra na posse da herança do pai. Durante dois anos entrega-se ao consumo de diversas drogas, une-se à mulata Jeanne Duval, doente com sífilis e alcoolismo, e cai nas mãos dos usurários, com o que se iniciam as preocupações económicas que o atormentam durante toda a sua vida. Em 1844, a mãe consegue que a justiça lhe retire o usufruto da sua fortuna, que fica nas mãos de um notário. Na Revolução de 1848 está nas barricadas com os sublevados; no ano seguinte trava amizade com o pintor Courbet. Em 1857 entrega a um editor o manuscrito de As Flores do Mal; a edição é apreendida e segue-se um processo contra o seu autor. Em 1864, deprimido pela falência do seu editor, debilitado fisicamente e moralmente abatido, muda-se para Bruges. Um ano mais tarde, a sua saúde agrava-se gravemente e dois anos depois morre nos braços da mãe.

As publicações de Baudelaire não são muitas. Em 1845 começa a publicar em revistas poemas, críticas de arte e alguns contos. A partir de 1848 começa a aparecer a longa série de traduções de Poe. Após As Flores do Mal publica apenas poemas. Em 1861 sai Les Paradis Artificiels, ensaio sobre as drogas como estimulantes da imaginação e, pouco depois, em revistas e jornais, os seus primeiros poemas em prosa, que formam o livro póstumo Petits Poèmes en Prose.

A obra de Baudelaire como crítico de pintura é de grande importância, e vem a constituir a versão francesa mais coerente da estética romântica. A sua crítica literária, demasiado afectada pelas suas preferências e aversões, não é de grande relevância. Não obstante, a importância histórica da obra poética de Baudelaire é enorme. Pode dizer-se que a sua poesia provoca uma mudança radical em toda a poesia ocidental. Baudelaire é o último grande romântico francês, mas também o iniciador de uma nova sensibilidade baseada na experiência da vida urbana e na observação das ambivalências do mundo emotivo e imaginativo. Por assim dizer, Baudelaire expulsa da poesia a «beleza» no seu sentido clássico greco-latino. Inicialmente a sua influência observa-se apenas em imitadores de aspectos superficiais (o satanismo, a ficção do rigor formal, etc.). Para o dizer com palavras de Paul Valéry: «As Flores do Mal não contêm poemas nem lendas nem nada que tenha que ver com uma forma narrativa. Não há nelas nenhum discurso filosófico. A política está ausente por completo. As descrições, escassas, são sempre densas de significado. Mas no livro tudo é fascinação, música, sensualidade abstracta e poderosa.»

Fonte: www.vidaslusofonas.pt

Charles Baudelaire

CHARLES PIERRE BAUDELAIRE nascido em Paris, no dia 9 de abril de 1821, aos 6 anos fica órfão de pai e, pouco mais de um ano depois, a mãe casa-se novamente com um major: este acontecimento causará em Baudelaire um trauma cujas conseqüências repercutirão em toda sua vida.

Em 1832, o padrasto é promovido a tenente-coronel e transferido para Lyon, matricula Baudelaire no Colégio Real daquela cidade, mas em 1836 retorna a Paris onde seu padrasto fora chamado para um cargo junto ao Estado Maior. Começa então a freqüentar o colégio "Louis lê Grand" onde, apesar de uma expulsão, consegue passar no baccalauréat em 1839, mesmo ano em que o padrasto é nomeado general.

Nessa mesma época datam os primeiros ensaios poéticos e a colaboração anônima no jornal satírico Corsaire Satan. Em 1840, conflitos familiares levam o jovem poeta a morar sozinho na pensão Lévêque Bailly, onde conhece os poetas Gustave lê Vavasseur e Enerts Prarond, e inicia um relacionamento com Sarah, uma judia cujo nome de guerra como prostituta era Louchette.

O padrasto odiado, preocupado com a vida libertina de Baudelaire, consegue convencê-lo a viajar para o Oriente: assim cumprindo o périplo da África, primeiramente na ilha Maurício, em seguida na Ilha da Reunião, mas volta para França em fevereiro de 1842. Atingindo a maioridade recebe a herança do pai falecido, mas a superestimando passa a viver num apartamento na Ilha de Saint Louis e começa um relacionamento com a mulata Jeanne Duva, figurante no teatro da Porte Saint Antoine; mas tendo como ocupação maior a prostituição.

Faz amizades com Nerval, Balzac, Gautier e Banville, freqüenta o "Club dês Hashishins", um grupo de fumantes de haxixe que se reunia no Hotel Pimodan, onde passa a morar. Inicia uma vida depravada que vai sugando de forma selvagem o patrimônio. Familiares do jovem poeta pedem que seja declarado incapaz pelo tribunal, que o acaba colocando sob a tutela de um curador, o tabelião Désiré Ancelle.

Em 1845 publica Saison de 1845, publica também em varias revistas os primeiros poemas que iniciarão *LÊS FLEURS DU MAL. No mesmo ano tenta um suicídio frustrado que o faz momentaneamente se aproximar da família. Já em 1846 publica o Salon de 1846 no qual crítica sem piedade Vernet e exalta Delacroix; em 1847, uma revista publica La Fanfarlo.

Inicia uma relação turbulenta com a atriz de teatro Marie Daubru, ficando ao lado dela até quando, velha e doente, não mais conseguirá levantar da cama. Começa então uma paixão por Apollonia Sabatier, chamada de "La Presidente", animadora de um dos mais famosos salões artísticos da época.

Em 1857 publica uma série de 18 poesias. Mas 1857 é o ano mais importante da produção literária de Baudelaire, no dia 25 de junho são publicadas Lês Fleurs du Mal que é logo violentamente atacado por Lê Figaro, o livro é recolhido poucos dias depois sob acusação de obscenidade e é condenado a um multa de 300 francos (reduzidos depois para 50) e o editor a uma multa de 100 francos e, mais grave, seis poemas devem ser suprimidos da publicação, condição sem a qual a obra não poderá voltar a circular.

Sua admiração por Apollonia que havia correspondido seus cortejos, começa a esfriar, rebaixada da condição de musa para amante, não poderá ser mais para ele uma "Madonna".O falecimento do padrasto favorece uma certa reaproximação com a mãe visitando-a vez ou outra e escrevendo-lhe cartas carinhosas e desesperadas.

A saúde de Baudelaire fica precária em conseqüência de uma sífilis contraída na juventude, que o leva recorrer ao éter e ao ópio. Em 1860 sai a segunda edição de Lês Fleurs du Mal. Baudelaire se candidata a cadeira da Academia antes ocupada por Lacordaire, fato que provoca uma forte manifestação negativa pela imprensa parisiense e, no ano seguinte, seguindo conselho de Saint Beuve, retira sua candidatura.

Desapontado pela incompreensão dos seus compatriotas, deixa Paris e viaja para Bélgica mas não obtém o sucesso almejado. Retorna para a França onde sua situação financeira despenca e o leva a refugiar-se na Bélgica, os sinais da doença tornam-se mais evidentes com náuseas e vertigens. Em 1866 sai na Bélgica mais uma obra sua ,mas no dia 15 de março daquele ano o poeta cai no chão da Igreja de Saint Loup, vítima de um ataque de paralisia com sintomas de afasia.

Num desespero materno sua mãe rompe todos os obstáculos e chega ao encontro do filho no dia 2 de julho, removendo-o para Paris. Embora lúcido, perde completamente a fala e a paralisia progride velozmente até que no dia 31 de agosto de 1867, após longa agonia morre nos braços da mãe Charles Pierre Baudelaire aos 46 anos

*LÊS FLEURS DU MAL tem sua publicação em português com uma seleção de suas poesias sob o titulo "FLORES DO MAL" de Baudelaire pela editora EDIOURO.

Fonte: www.abarata.com.br
Charles Baudelaire

Charles Baudelaire
Charles Baudelaire

Charles Pierre Baudelaire (9 de Abril de 1821, Paris - 31 de Agosto de 1867, Paris) foi um poeta e teórico da arte francês. É considerado um dos precursores do Simbolismo, embora tenha se relacionado com diversas escolas artísticas. Sua obra teórica também influenciou profundamente as artes plásticas do século XIX.

Nasceu em Paris a 9 de abril de 1821. Estudou no Colégio Real de Lyon e Colégio Louis-Le-Grand (de onde foi expulso por não querer mostrar um bilhete que lhe foi passado por um colega).

Em 1840 foi enviado pelo padrasto, preocupado com sua vida desregrada, à Índia, mas nunca chega ao destino. Pára na ilha da Reunião e retorna à Paris. Atingindo a maioridade pôde estar de posse da herança do pai. Por dois anos vive entre drogas e álcool na companhia da mulata Jeanne Duval. Em 1844 sua mãe entra na justiça acusando-o de pródigo, ficando então sua fortuna nas mãos de um notário.

Em 1857 é lançado As flores do mal contendo 52 poemas. O livro é acusado no mesmo ano, pelo poder público, de ultrajar a moral pública. Os exemplares são presos, o escritor paga 300 francos e a editora 100, de multa.

Em 1867 morre nos braços da mãe, em Paris. Está sepultado no Cimetière du Montparnasse, Paris.

Fonte: pt.wikipedia.org

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